Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)
Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.
O Globo quarta, 29 de junho de 2022
ROCK IN RIO 2022: PALCO MUNDO SERÁ FEITO COM 200 TONELADAS DE MATERIAL RECICLADO RECOLHIDAS EM TODO O PAÍS
Rock in Rio: Palco Mundo será feito com 200 toneladas de material reciclado recolhidas em todo o país
Um milhão de pessoas vão participar do processo que tornará mais sustentável o palco de estrelas como Ivete Sangalo e Justin Bieber
Por Marcella Sobral — Rio de Janeiro
Sucateiros vão ajudar a construir o Palco Mundo, do Rock in Rio, que será todo feito em aço recicladoLucas Tavares/Agência O Globo
Neste Rock in Rio, todo dia vai ser dia de metal. E não tem nada a ver com rock pauleira, não. É aço mesmo. É que, pela primeira vez na história do festival, o Palco Mundo será construído de aço reciclado, que vem de sucata. Serão nada menos do que 200 toneladas de material usadas numa estrutura de 30 metros de altura e 104 metros de largura, por onde vão passar os principais nomes do espetáculo, como Justin Bieber, Guns N’Roses e Ivete Sangalo, entre os dias 2 e 4 de setembro e 8 e 11 do mesmo mês.
Tão plural quanto o festival, esse palco — o maior de todas as edições do festival — será construído com a colaboração de um milhão de pessoas, como catadores de latinha que vemos nas ruas todos os dias, sucateiros e os envolvidos no processo em si, que ficará a cargo da Gerdau, maior recicladora de aço da América Latina. O resultado será uma estrutura com estética futurista, que será utilizada nos festivais seguintes.
Visual futurista. Projeto mostra como ficará o palco feito de material reciclado — Foto: Divulgação
Considerada lixo para a maioria das pessoas, a sucata ferrosa é o material mais reciclável do mundo. Pode ser reaproveitada integralmente e por várias vezes, o que ajuda a reduzir o consumo de energia e a emissão de gases de efeito estufa. Das 135 mil toneladas mensais de resíduos domiciliares coletadas na cidade do Rio, apenas 9% dos 35% potencialmente recicláveis são transformados em aço, de acordo com a Comlurb. A grande maioria vem mesmo de atividades industriais.
— Quem não recicla está enterrando riqueza e gerando um passivo ambiental gigante — diz Bruno Baltar, segunda geração da empresa de sucata Metalpronto, fundada em 1989. — Quando o processo de uma siderúrgica é à base de sucata, o consumo de energia é 65% menor do que quando é feito com minério de ferro. Além de economizar energia, preserva o meio ambiente.
Mas é preciso ter olhar apurado. Pode parecer tudo igual, mas não é. Nos pátios chega de tudo, junto e misturado: plástico, papelão, cobre, alumínio. O quilo de sucata ferrosa, a mais bem avaliada no mercado, custa entre R$ 0,80 e R$ 1. E chega é coisa por lá.
Para fazer essa mágica acontecer, a sucata virá de 50 fornecedores de todo o país. Mas metade de tudo o que será visto no palco vem mesmo do Rio, de lugares como o pátio de sucata do Santo Cristo, onde Eduardo Campos, de 20 anos, começou a trabalhar há menos de um mês. Lá, ele recolhe e separa material. O jovem não tinha ideia do universo escondido em meio a tanto ferro.
— Aprendi que o que sai daqui pode virar várias coisas, mas nunca imaginei que pudesse se transformar num palco — conta o jovem, que gosta de ouvir pagode, trap e hip-hop, mas nunca imaginou ter um dedinho sequer no festival.
Há 20 anos, Barrinho, de 53 anos, cruza a cidade resgatando o que não serve mais para algumas pessoas. Quando soube que a sucata que recolhe vai virar o palco onde estará Ivete Sangalo, ele logo se animou:
— Gosto dela para caramba. É só me chamar que eu vou e ainda levo um caminhão de sucata.
O Globo terça, 28 de junho de 2022
DIVAS DA MPB: CLAUDETTE SOARES, DÓRIS MONTEIRO E ELIANA PITTMAN
'Você chegava e cantava... Hoje não tem mais canja', diz Claudette Soares, que canta com Dóris Monteiro e Eliana Pittman
As divas do sambalanço apresentam sucessos do estilo nascido do encontro de samba, jazz e ritmos caribenhos
Por Silvio Essinger — Rio de Janeiro
28/06/2022 04h30 Atualizado há uma hora
A cantoras Eliana Pittman, Claudette Soares (ao centro) e Dóris MonteiroDivulgação/Fátima Cabral
Dóris Monteiro, a diva original do sambalanço, diz não ser a favor dessa modernidade de as pessoas quererem “fazer tudo por celular e e-mail”. Mas aceitou o convite para participar de uma entrevista por Zoom juntamente com Claudette Soares e Eliana Pittman, com quem divide hoje o palco do Teatro Riachuelo, no Centro do Rio, no show “As divas do sambalanço”.
Idealizado por Thiago Marques Luiz, o espetáculo homenageia um estilo dançante e popular da música brasileira, especialmente no começo dos anos 1960, nascido do encontro do samba, do jazz e dos ritmos caribenhos. Era o som por excelência dos bailes cariocas, com canções suingadas e divertidas, que teve como expoentes o organista Ed Lincoln, seus crooners Orlandivo e Silvio César, e cantores como Dóris, Elza Soares e Miltinho.
— Era um movimento tão lindo, que aconteceu depois da bossa nova, e que ninguém lembrou de fazer um show ou um disco em homenagem — lamenta Claudette, de 84 anos, que começou a cantar bem jovem, foi batizada de Princesinha do Baião e mais tarde modernizaria o sambalanço ao gravar “Se você quiser, mas sem bronquear”, de Jorge Ben.
Dóris, de 87, confirma:
— Eu e Claudette sempre gravamos sambalanço. Lancei “Samba de verão” (dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle) em 1964, meses depois, os Cariocas e João Donato gravaram.
Eliana, por sua vez, debutou nos palcos adolescente, quando Claudette e Dóris já estavam a toda nas boates de Rio e São Paulo, e o sambalanço começava a perder força. Mas não ficou de todo de fora do estilo.
— Eu cantava Orlandivo e Osvaldo Nunes. E o show foi revelador, pois Thiago descobriu que eu tinha gravado o “Samba de molho”, do Hélton Menezes (em 1965) — lembra a cantora, que fez sucesso nos anos 1970, ganhou o título de Rainha do Carimbó e hoje se desdobra como atriz nas séries “Sob pressão” (Globoplay) e “A sogra que te pariu” (Netflix).
Das três, Claudette é a que mais sente saudade da noite dos anos 1960.
— Cantei com todos os grandes músicos. Você entrava em qualquer casa no Rio ou São Paulo e tinha um grande pianista. Existiam as canjas, você chegava e cantava. Hoje não tem mais — lamenta.
A partir da esquerda, as cantoras Eliana Pittman, Claudette Soares e Dóris Monteiro — Foto: Divulgação/Fátima Cabral
Sobre o show, dizem que se completam em cena.
— Somos completamente diferentes. A Eliana com aquele estilo jazzístico, a Dóris com aquele balanço e aquela suavidade... e eu um pouquinho metida, querendo fazer uns balancinhos a mais — brinca Claudette.
No palco, elas passam a limpo o repertório do álbum “As divas do sambalanço”, gravado ao vivo em 2019 e que teve a turnê interrompida pela pandemia, com pérolas como “Bolinha de sabão”, “Samba toff”, “Tamanco no samba”, “Mas que nada”, “Só danço samba” e “Bolinha de papel”.
— Com a memória musical do brasileiro, as músicas que cantamos no show são surpresas — ironiza Eliana.
Claudette completa:
— Mas a nossa vingança é estarmos vivas para cantá-las!
O Globo segunda, 27 de junho de 2022
GENTE: LARISSA MANOELA POSTA FOTO COM KLARA CASTANHO E MAISA EM APOIO À AMIGA - *APESAR DE TODA A MALDADE*
Larissa Manoela posta foto com Klara Castanho e Maisa Silva em apoio à amiga: 'Apesar de toda a maldade'
Atriz compartilhou mensagem de apoio à klara, que foi alvo de ataques nas redes
Por O GLOBO
26/06/2022 12h50 Atualizado há 20 horas
Klara, Maisa e Larissa aparecem juntas em foto — Foto: Reprodução/Instagram
A rede de apoio a Klara Castanho não para de crescer. Larissa Manoela é umas das famosas a endossar o coro em defesa da atriz, de 21 anos, que vem sendo alvo de debates e ataques nas redes, desde que revelou ter sido vítima de violência sexual, engravidado e colocado a criança para adoção.
"Que, apesar de toda a maldade, a gente ainda possa ter o presente de te ver sorrir. Todo o meu apoio, carinho e amor", escreveu Larissa, na legenda de uma imagem em que aparece juntamente com a amiga e a também atriz Maisa Silva. As três fazem parte de uma mesma geração de atriz mirins que tem uma enorme base de fãs no Brasil.
Klara, que iniciou a carreira no entretenimento ainda bebê e ficou conhecida do grande público em novelas da TV Globo, trouxe o caso a público neste sábado, depois que a notícia da adoção, sem o devido contexto acerca da violência sexual, foi revelada por um colunista de fofoca. Desde então, famosos que já trabalharam com ela ou não passaram a inundar as redes sociais com mensagens de apoio à jovem.
A atriz, por sua vez, agradeceu, na manhã deste domingo, a solidariedade das pessoas. Ela respondeu a algumas postagens com mensagens de carinho nos comentários. “Te amo com todo meu coração”, escreveu, no post da escritora Thalita Rebouças, com quem já trabalhou junto no cinema.
Ela também respondeu às postagens de Dadá Coelho, Bruno Mazzeo e Tais Araújo. “Eu amo você, e não é dessa vida. Obrigada, Tais", escreveu.
Além de famosos, o próprio pai da atriz também usou seu perfil no Instagram para manifestar apoio à filha. Em seu stories, Claudio Castanho botou uma foto dele com Klara e o irmão: "Estarei com vocês até o fim da minha vida", escreveu ele.
O Globo domingo, 26 de junho de 2022
GILBERTO GIL, 80 ANOS: *O TEMPO DO HOMEM VELHO É DIFERENCIADO*
Gilberto Gil, 80 anos: 'O tempo do homem velho é diferenciado'
No aniversário, artista fala sobre casamento, TikTok, ABL e diz não ter medo de cancelamento
Por Bolívar Torres — RIO
26/06/2022 04h30 Atualizado há 3 horas
Gilberto Gil completa 80 anosLeo Martins
Quando Gilberto Gil fala ou compõe, é muito raro que faça alguma referência negativa à velhice. Os 80 anos completados neste domingo trazem plenitude, sabedoria e gratidão. E também movimento — intenso até.
A idade deu a Gil uma capacidade única. “Você poder reger sua orquestra inteira: você entra no mundo da regência mais plena, mais próxima do Absoluto”, afirma ele no recém-relançado “Todas as letras” (Companhia das Letras), livro que reúne transcrições de suas letras, comentadas pelo próprio.
Não pergunte, portanto, o que o cantor, compositor e imortal da Academia Brasileira de Letras tem feito nos últimos meses. É mais fácil perguntar o que ele não está fazendo. Neste domingo mesmo, Gil e sua família se apresentam na Alemanha. A turnê se estenderá até final de julho por Dinamarca, Marrocos, França, Itália e Inglaterra, entre outros países.
Gilberto Gil completa 80 anos
A reunião familiar rendeu ainda um reality show, “Em casa com os Gil”, que estreou esta semana no Amazon Prime. E fala-se também de uma possível volta dos Doces Bárbaros, grupo que o baiano criou com Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia nos anos 1970.
— A idade tem acomodações próprias no plano espiritual, emocional e psíquico — diz Gil, em uma entrevista no seu escritório na Gávea. — O tempo do homem velho é diferenciado, tudo tem um peso diferente. Não é como o da infância, da juventude ou da vida adulta. Como diz o Caetano: “O homem velho é o rei dos animais.”
Mesmo viajando pelo mundo, Gil se diz ligado à sua concha (“como bom canceriano”, justifica). A esposa, Flora, com quem é casado há 40 anos, conta que, para o marido, férias é deixar a mala desfeita e curtir o seu apartamento de 344m² no mítico Edifício Chopin, em Copacabana. Um de seus prazeres cotidianos são as caminhadas na Avenida Atlântica, não muito longe do ninho. Ele comenta:
— É bom sair e fazer coisas, mas nada melhor do que voltar para casa.
O cantor revela que, com a idade, o seu lado caseiro se intensificou. Nos últimos anos, a quarentena forçada pela pandemia lhe tirou o costume do mundo exterior. Quando eventualmente saía de casa, após longos períodos confinado, sentia-se amedrontado com o movimento da cidade:
— Ficava em pânico com a rua, a barulheira, o trânsito, a passagem dos ônibus, dos carros... Só agora voltei a me habituar.
Apesar de tudo, ele ainda sabe apreciar o fluxo urbano e encontrar a paz em todos os cantos. Um caso de graciosidade sob pressão.
— Gosto até do trânsito amarrado — diz Gil. — Mas deixei de dirigir. Não tenho mais aquela coisa do volante do carro, de tentar entender para onde ir, quando frear, quando acelerar. Isso me dá uma possibilidade de andar pelas ruas, nos lugares onde há concentração de gente. E eu sempre acho um jeito de estabelecer uma atitude meditativa nesses lugares. Consigo meditar em qualquer lugar.
Gilberto Gil completa 80 anos — Foto: Leo Martins
Eu só quero um xodó
Todo esse equilíbrio seria impossível sem a parceria com Flora, uma paulistana de 62 anos. Eles se conheceram em 1978, em uma rua de Salvador. Saindo de um show de Baby do Brasil (então Consuelo) na capital da Bahia, ela pediu carona. Um carro parou: eram a atriz Regina Casé e Gilberto Gil.
Desde então, um complementa o outro. Gil é mais caseiro, Flora é mais da rua, gosta de sair com as amigas. Gil é o sonhador, Flora “a operacional”, segundo o marido. Foi ela que, durante a pandemia, teve a iniciativa de levar o acervo do artista ao Google Arts & Culture.
O material deu origem a “O ritmo de Gil”, primeira retrospectiva sobre um artista vivo feita pelo Google. Lançado na semana passada, o museu digital recuperou e disponibilizou um álbum em inglês, preparado pelo artista em 1982 e dado como perdido.
— Flora é uma zeladora exemplar das questões da minha vida — diz Gil. —Ela toma conta da família inteira e toma conta de mim com naturalidade, sem senso de sacrifício. Assim como ela nasceu para ser casada comigo e me encontrar, eu encontrei ela.
Curiosamente, a organizadora da dupla se apoia em uma máxima do marido para tocar os projetos adiante.
— Gil tem uma frase que levo para a vida: toda solução é um problema para outra pessoa — lembra Flora. — Gil é uma das pessoas mais corretas e generosas que conheço: ele nasceu bom e gosta de cultivar a bondade.
A família de Gilberto Gil — Foto: Divulgação/Prime Video
São todos sãos
Os laços familiares são uma forma de Gil se manter atualizado com as novidades. A turnê “Gilberto Gil & Family: Nós a gente” reúne quatro filhos (Bem , José, Preta e Nara) e quatro netos (João, Flor, Sereno e Francisco).
— A naturalidade de convívio, do estar junto em família, elimina a diferença da idade com filhos e netos — diz o artista. — Meus filhos adultos são como irmãos. Já os netos vejo como novos filhos. Está tudo ali, no plano da acomodação natural. Você continua sendo um mentor, no sentido de fazer uma curadoria natural na vida deles. A educação não termina nunca, vai até o túmulo.
No início do mês, Gil ganhou o apelido de “Avô Tiktoker” depois de aparecer com a neta, Flor Gil, na conta dela no TikTok. A rede chinesa virou sinônimo de cultura zennial ao incentivar dancinhas. A participação foi tímida — sentado, ele realiza com um “bater de asas” enquanto Flor executa uma coreografia da Galinha Pintadinha.
— O TikTok é o mundo dos meninos —define Gil. — Eu fui um apologeta dessas coisas todas. Fiz a saudação desse mundo contemporâneo, dediquei muito da minha reflexão às linguagens transformadoras.
Eu quero entrar na rede
Gil não é adepto das redes sociais, ainda que suas contas no Instagram e Twitter, administradas por sua equipe, contabilizem mais de dois milhões de seguidores cada uma. Mas ele usa WhatsApp “de vez em quando”.
Em 1996, Gil foi um dos primeiros artistas a lançar uma música nova na rede, “Pela internet”, período em que as tecnologias digitais eram vistas com certa inocência e esperança. Mais de 20 anos depois, o amigo Caetano Veloso compôs “Anjos tronchos”, que pinta o Vale do Silício como uma distopia aterrorizante. Gil está ciente do contraste entre as duas músicas e eras. Surpreso, não.
— A internet se tornou um pesadelo como o automóvel se tornou um pesadelo — diz ele. — A tecnologia traz novas possibilidades e novas aflições. Traz modos mais cômodos, mas também retira, inviabiliza, cancela...
“Cancela”? Gil se diz familiarizado com o termo, muito em voga, e que ele define como uma espécie de “censura”, um “banimento parcial ou integral de certos perfis”. Se Chico Buarque já caiu no radar dos canceladores... não poderia acontecer com ele algum dia?
— Não tenho medo disso, não — diz. — Já tenho um espaço garantido na configuração geral das pessoas. São 60 anos de trabalho. Já tenho uma permissão, um crachá para ir e vir. Não faço ideia do que seria um cancelamento que pudesse ser estabelecido (a ele).
Nossa turma é da verdade
Atualmente, uma das atividades preferidas de Gil é frequentar o chá da Academia Brasileira de Letras (ABL), na qual ingressou oficialmente em abril. De lá para cá, participou de eleições e posses de novos integrantes e ministrou palestras na casa. Na ABL, passou a conviver ainda mais próximo de velhos amigos como Zuenir Ventura, Geraldo Carneiro e Antonio Cicero, e criar novos vínculos, como Edmar Bacha, que conheceu agora no ambiente acadêmico. Para Flora, o marido entrou “na hora certa” na ABL.
— Costumo dizer que voltei à escola, uma escola da terceira idade — define o imortal, que ocupa a cadeira 20. — É uma comunidade com vários tipos, padrões de humor, de caráter, de humanidade. A maior parte é mais idosa, como eu. Você encontra pessoas mais austeras e outras mais abertas ao diálogo. Pessoas mais simpáticas e menos simpáticas.
Os acadêmicos, por sua vez, o veem como um colega zeloso com seus compromissos, muito participativo, mas ainda tímido na nova casa. Em resumo, uma grande aquisição.
— A gente pensa em outras personalidades oriundas de movimentos de vanguarda, que não tinham previamente espírito acadêmico, mas que, depois de se candidatar, se entusiasmaram e se tornaram membros assíduos. Nisso, ele lembra (o poeta) Ferreira Gullar — conta o acadêmico Antonio Carlos Secchin.
Andar com fé
A série de hospitalizações em 2016, devido a uma insuficiência renal, reforçou em Gil a crença de que a vida é um aprendizado contínuo. Superados os problemas de saúde, ele volta a seguir a sua máxima: “Conformidade conforme a idade.” Isso se reflete também em uma visão quase zen da situação social, política e cultural do país. Expoente do Tropicalismo, um dos principais movimentos contraculturais brasileiros dos anos 1960, Gil acredita que há, de fato, uma onda conservadora no Brasil e no mundo. Mas também vê o fenômeno como “parcial”:
— Há certos setores da sociedade que encontram mais conforto na retenção, em parar o fluxo, estabelecer controles. Mas esses conservadores estão com um problema sério, porque o conjunto da sociedade está cada vez mais receptivo ao novo, ao inusitado, à dinamização dos direitos. Nós continuamos cada vez mais afeitos ao trânsito, porque quem fica parado é poste.
O agora oitentão deixa um recado às novas gerações:
— Pra frente, que atrás vem gente.
O Globo sábado, 25 de junho de 2022
GENTE: MARINA RUY BARBOSA CHEGA A MALDIVAS E ROUBA CENA COM FOTOS DE BIQUÍNI
Marina Ruy Barbosa chega a Maldivas e rouba cena com fotos de biquíni
Atriz publicou registros em seu perfil do Instagram, nesta sexta-feira
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
24/06/2022 13h39 Atualizado há 18 horas
Marina Ruy BarbosaReprodução/Instagram
Passando férias nas Ilhas Maldivas, Marina Ruy Barbosa tirou o fôlego de seus seguidores ao publicar uma série de fotos em seu perfil do Instagram, nesta sexta-feira, dia 24. Nas imagens, a atriz, que não costuma postar muitos registros de biquíni, exibe o corpão em um verde fluorescente.
"Finally Maldives", escreveu ela na legenda da publicação. Em português, a frase quer dizer "Finalmente em Maldivas".
Os seguidores da atriz não deixaram a postagem passar despercebida e deixaram muitos elogios na caixa de comentários da publicação: "PERFEITA SEM DEFEITOS😍", "Radiante!", "Essa mulher é linda demais ❤️", "Maravilhosa 🔥", "Perfeitaa", comentaram alguns internautas.
O Globo sexta, 24 de junho de 2022
BEM-ESTAR: RANKING MOSTRA AS MELHORES CIDADES PARA SE VIVER NO PÓS-PANDEMIA. CONFIRA A LISTA
Ranking mostra as melhores cidades para se viver no pós-pandemia. Confira a lista
Educação, cultura, saúde e infraestrutura são quesitos levados em conta pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit. Viena é a melhor do mundo
Por Bloomberg — Hong Kong
24/06/2022 00h00 Atualizado há 43 minutos
Viena é considerada a melhor cidade para se viver no pós-pandemiaFernanda Dutra/O Globo
Está à procura de uma mudança de cenário, mas o coração ainda balança pelo burburinho da vida urbana? Tem alguma ideia de que lugar no mundo gostaria de chamar de lar? Se a mais recente classificação das melhores cidades para se viver serve de guia, provavelmente deve começar a buscar na Europa Ocidental ou no Canadá.
Com a Covid virando apenas uma lembrança em alguns lugares do mundo, o índice de habitabilidade global de 2022, medido pela Economist Intelligence Unit (EIU), está muito parecido com os dias pré-pandemia.
Veja quais são as melhores cidades para se viver no pós-pandemia
Educação, cultura, saúde e infraestrutura são quesitos levados em conta na escolha dos locais
A capital austríaca Viena recuperou o primeiro lugar no ranking, posto que ocupava há três anos antes de cair para 12º lugar em 2021 devido ao fechamento de museus e restaurantes afetados pela Covid. A cidade superou Copenhague graças a uma classificação maior na área de saúde. Zurique, na Suíça, Calgary e Vancouver, no Canadá, completam o top 5.
As únicas cidades não europeias ou canadenses listada entre as dez primeiras do ranking foram Osaka, no Japão, e Melbourne, na Austrália, que empataram no 10º lugar.
Nos últimos lugares da lista de 173 países estão Trípoli, na Líbia, a cidade nigeriana de Lagos e Damasco, na Síria.
“Nos últimos dois anos, os rankings globais de habitabilidade da EIU foram em grande parte impulsionados pela pandemia de Covid-19, com bloqueios e medidas de distanciamento social afetando as pontuações para cultura, educação e saúde em cidades de todo o mundo”, diz o relatório. "No entanto, em nossa pesquisa mais recente, o índice normalizou, uma vez que as restrições foram levantadas em muitos países."
Osaka, no Japão, está entre as dez melhores cidades para se viver no pós-pandemia — Foto: Bloomberg
Outras cidades australianas e da Nova Zelândia não foram bem, segundo o estudo. Ambos os países se beneficiaram com o fechamento das fronteiras no início de 2021, o que manteve o número de casos de Covid em baixa. Mas foram atingidos em cheio pelas variantes mais infecciosas, o que interrompeu a vida normal.
Wellington e Auckland passaram do 46º e 33º lugares, respectivamente, para as maiores quedas da lista.
Entre as que mais se moveram na direção oposta estão Londres, que avançou 27 lugares para ocupar o 33º posto, e Los Angeles, que subiu 18 lugares, passando a figurar na 37ª posição.
Vancouver está na lista das melhores cidades para se viver no pós- pandemia — Foto: Reprodução
O informe ressaltou que a China ainda não havia se beneficiado da suspensão das restrições causada pela Covid uma vez que novos surtos resultaram em fechamentos mais estritos. A invasão da Ucrânia pela Rússia culminou na exclusão de Kiev da lista.
Segundo o relatório da EIU , as cidades foram classificadas com base em mais de 30 fatores qualitativos e quantitativos em cinco categorias gerais: estabilidade, saúde, cultura, meio ambiente, educação e infraestrutura.
Confira o top 10 das melhores cidades
1) Vienna, Áustria
2) Copenhague, Dinamarca
3) Zurique, Suíça
4) Calgary, Canada
5) Vancouver, Canadá
6) Genebra, Suíça
7) Frankfurt, Alemanha
8) Toronto, Canadá
9) Amsterdã, Holanda
10) Osaka, Japão
10) Melbourne, Austrália (empatada com Osaka)
Confira as dez piores cidades
Lagos, na Nigéria, está no ranking das dez piores cidades do mundo para se viver — Foto: Reprodução Wikipedia
163) Teerã, Irã
164) Duala, Camarões
165) Harare, Zimbábue
166) Dakar, Bangladesh
167) Port Moresby, Papua Nova Guiné
168) Karachi, Paquiatão
169) Argel, Argélia
170) Tripoli, Líbia
171) Lagos, Nigéria
172) Damasco, Síria
O Globo quinta, 23 de junho de 2022
DANUZA LEÃO: VEJA MOMENTOS ICÔNICOS DA CRONISTA, FALECIDA AOS 88 ANOS
Danuza Leão nua, com Pelé e mais: Veja momentos icônicos da cronista, falecida aos 88 anos
Jornalista não resistiu ao quadro de insuficiência respiratória, causada por um enfisema pulmonar
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
23/06/2022 10h09 Atualizado há uma hora
Danuza clicada na década de 70 por Marisa Alvarez LimaMarisa Alvarez Lima
Danuza Leão viveu muitos momentos icônicos ao longo de seus 88 anos. Do início nas passarelas em Paris, passando pelos encontros com Pelé, até as participações de obras emblemáticas na TV e no cinema. A jornalista morreu na noite da última quarta-feira, no Rio, de insuficiência respiratória, ocasionada por um enfisema pulmonar. A seguir, veja fotos da cronista que atravessou gerações.
Cigarro, gatos e muita atitude: o estilo único de Danuza Leão
Veja fotos icônicas da jornalista, escritora e modelo
Veja imagens da vida de Danuza Leão
17 fotos
A jornalista, nascida em 1933, completaria 89 anos no próximo dia 26 de julho. Nasceu na cidade de Itaguaçu, no Espírito Santo. Aos 10, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.
Na França, com apenas 17 anos, Danuza procurou o estilista Jacques Fath, que lhe arranjou seu primeiro desfile. Ganhava uma “ninharia”, mas ficou famosa no Brasil depois a revista Manchete publicar uma capa com a chamada “Danuza conquista Paris”. “Não era bem assim, mas os brasileiros acreditaram”, confessou em seu livro de memórias. “Foi em Paris que conheci o mundo da sofisticação.”
Danuza teve três casamentos: o primeiro com o jornalista Samuel Weiner, fundador do extinto jornal Última Hora; o segundo com o cronista Antônio Maria e o terceiro, com o também jornalista Renato Machado. Em todas as décadas, nunca escondeu a paixão por cigarros, gatos e a moda. Em sua 36ª mudança de apartamento, no ano de 2011, carregou no caminhão o que considerava mais essencial: dois casacos de pele, três vestidos de festas, dois ternos pretos (um Chanel e outro Armani), 24 calças jeans, uma dúzia de de casacos de cashmere e outra de camisetas. Sofreu mais na hora de fazer a triagem dos sapatos, alguns dos tempos de passarela, mas nenhum salto alto. “Não sei se fiz a coisa certa”, esquivou-se à época, sobre ter desapegado de alguns peças.
Naquele momento, o que a consolava eram os sapatos Yves Saint Laurent e Chanel que continuavam intactos por lá, alguns degraus acima dos tênis que usavam para fazer pilates. Além da malhação, adotou uma dieta à base de alface e jabuticaba para manter o corpo do jeito que a agradava.
O Globo quarta, 22 de junho de 2022
CULTURA: DONA ONETE, AOS 83 ANOS, É HOMENAGEADA E LEVA *TREMOR DO JAMBU* AO HISTÓRICO THEATRO DA PAZ
Aos 83 anos, Dona Onete é homenageada e leva o 'tremor do jambu' ao histórico Theatro da Paz
Autora de mais de 300 canções, artista recebe prêmio da UBC em show transmitido on-line com convidados como Fafá de Belém e Jaloo
Por Ricardo Ferreira — Rio de Janeiro
22/06/2022 04h31 Atualizado 22/06/2022
Dona OneteDivulgação/Julia Rodrigues
Foi a pequena Cachoeira do Arari, cidade de pouco mais de 20 mil habitantes na Ilha do Marajó, no Pará, que deu ao mundo a diva do carimbó chamegado, alcunha pela qual ficou conhecida Dona Onete. Nesta quarta-feira (22), a cantora de 83 anos — que ganhou projeção nacional somente a partir dos 72 — recebe da União Brasileira de Compositores (UBC) o Troféu Tradições, concedido pela instituição a artistas e movimentos que “contribuíram para a formação da cultura brasileira”. A premiação em grande estilo acontece no Theatro da Paz, em Belém, num show que celebra a obra da artista com participações de Fafá de Belém, Jaloo, Mestre Damasceno, Lucas Estrela, Félix Robatto e Aqno Carimbó Sancari. A apresentação será transmitida ao vivo pelo canal da UBC no YouTube (/UBCMusica), a partir das 20h30.
— Em 2022, celebramos 80 anos de UBC. Essa trajetória será comemorada de forma singular e plural com o Troféu Tradições, em homenagem a Dona Onete, artista paraense talentosa e corajosa, que é uma das principais representantes do carimbó — diz Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC. — Será a primeira vez que ela se apresentará no tradicional Theatro do Paz, e nós da UBC ficamos felizes em ajudá-la a realizar esse sonho.
Palco com história
Dona Onete diz que faltava mesmo cantar no Theatro da Paz, um dos primeiros palcos líricos do Brasil, inaugurado em 1878 e batizado em homenagem ao fim da Guerra do Paraguai, oito anos antes. A cantora, que foi professora de História por 25 anos, diz que já atravessou o mundo graças à música e que “o que vier agora é lucro”, mas conta estar ansiosa para botar os pés no palco centenário.
— Fora do país, já cantei na ruína de um castelo na França, senti que estava na História que eu contava para os meus alunos. Meu coração está em festa e minha mente está ansiosa, porque tomar o palco do Theatro da Paz só pra mim é um acontecimento. Sempre contei as histórias das outras pessoas, mas agora é a minha história sendo contada — diz, emocionada.
Segundo dados da UBC, Dona Onete tem mais de 300 canções registradas em seu nome, incluindo boleros, carimbós, banguês e lundus, entre outros gêneros. Desde 2012, quando chegou às lojas seu primeiro disco, “Feitiço caboclo”, lançou outros três — “Banzeiro” (2016), “Flor da lua” (2018) e “Rebujo” (2019) —, além de diversos singles e participações com outros artistas, como Gaby Amarantos, Francisco El Hombre, Bangalafumenga e BNegão. A fonte de inspiração vem de histórias que ouve por aí, principalmente as de amor.
— O romantismo nunca acaba. Surge isso, aquilo, mas o romantismo continua. E as pessoas continuam gostando do romântico, do carimbó, do brega. Conto histórias que me contam e que eu vejo que vale a pena fazer uma música. Meus boleros, meu carimbó, minha lambada têm princípio e fim, não gosto de deixar nada subentendido. As pessoas entendem o que eu quero dizer. Às vezes me contam um pedacinho de uma história e minha imaginação flutua, já com ritmo, com tudo — diz a artista, dona do hit “Jamburana”, dos versos “A boca fica muito louca/ com o tremor do jambu/ E o jambu treme, treme, treme/ o tremor vai descendo, vai descendo”. — Eu não entendo nada de teoria musical, não sei qual é a nota dó, ré, mi, nada disso. Mas chego com a música prontinha para os meus músicos, digo se é lambada, bolero, e eles vão definindo, é um processo de que gosto muito.
Disco novo no forno
A cantora paraense Dona Onete — Foto: Divulgação/Walda Marques
Para a noite desta quarta (22), Dona Onete promete um passeio pelo repertório de uma carreira relativamente breve, mas com muita história agregada, e comemora a presença dos convidados (“Fafá já me deu muito colo e agora estou dando colo para ela”).
Sem tempo a perder, ela adianta que já trabalha em um novo disco de inéditas, no qual pretende cantar sobre as belezas de sua terra natal, a Ilha de Marajó.
— Tem gente que com 83 anos já pensa que está acabada, mas não. Se cuidar da saúde, vamos longe. Eu espero fazer muita coisa ainda, e espero também ajudar outras pessoas a subirem como me ajudaram um dia. Tenho uma banda maravilhosa e estou fazendo cada vez mais músicas. Não estou envolvida com internet, televisão, essas coisas, quero estar sempre neste mundo, recuada, bebendo dessa fonte que é a cultura paraense. Quero falar do meu Marajó, o lugar que eu nasci, que é uma enciclopédia de cultura — comemora Dona Onete.
O Globo terça, 21 de junho de 2022
TURISMO: LIBERDADE À BEIRA-MAR 0 POUSADA DE MARAGOGI TERÁ TOPLESS LIBERADO A PARTIR DE AGOSTO
Liberdade à beira-mar: pousada de Maragogi terá topless liberado a partir de agosto
Comandada por casal de naturistas, pousada RiiA vai permitir que hóspedes circulem sem a parte de cima da roupa
21/06/2022 04h30 Atualizado há 6 horas
Pousada Riia, em Maragogi, será a primeira de Alagoas a permitir o topless das hóspedes, a partir de agostoDivulgação
Conhecido por ter um dos litorais mais bonitos do país, o estado de Alagoas ainda não conta com áreas de naturismo, como as praias de Tambaba, na Paraíba, ou Massarandupió, na Bahia. O primeiro passo, no entanto, pode estar sendo dado por uma pequena pousada em Maragogi, endereço das piscinas naturais mais famosas do Nordeste. A partir de agosto, o topless será liberado dentro da pousada RiiA.
A iniciativa é o desdobramento de uma campanha que os proprietários da pousada, o paranaense Derek Riva e a gaúcha Mari Maia, fizeram em outubro de 2021. Ao longo daquele mês, como forma de chamar a atenção para a conscientização do câncer de mama durante o Outubro Rosa, as hóspedes que quisessem poderiam circular sem a parte de cima da roupa.
— O câncer de mama sempre foi um assunto que me tocou muito. Minha madrasta enfrentou, e venceu, essa doença, e desde então faço questão de apoiar o Outubro Rosa. Para chamar a atenção para esse tema, decidimos liberar o topless durante um mês no ano passado — conta Riva, que conheceu a esposa Mari quando os dois trabalhavam como comissários de bordo.
Piscina da Pousada RiiA, em Maragogi, em Alagoas, que irá permitir o topless a partir de agosto — Foto: Divulgação
Ele lembra que umas dez hóspedes entraram na onda. Metade delas só para fazer fotos à beira da piscina. As demais aderiram à prática por mais tempo, e se mostraram bem mais à vontade e relaxadas. Foi o comportamento destas que inspirou o casal a pensar em permitir a prática de maneira definitiva.
— Não será obrigatório, é claro. Apenas quem quiser fazer, vai poder fazer. Quando nos decidimos, escolhemos um mês que ainda estivesse com a agenda vazia, para que quem fizesse reserva nessa data já soubesse dessa condição — explica Riva.
Para chegar à essa conclusão, o proprietário conta que foram feitas muitas pesquisas, tanto nas redes sociais da pousada quanto com hóspedes. A resposta foi positiva na maioria dos casos. E para quem demonstrava alguma dúvida, Riva tinha sempre uma analogia na ponta da língua:
— Houve um hóspede que me disse que gostava muito da pousada, mas que ficaria desconfortável. Perguntei a ele se ele gostaria de ir à praia em Barcelona. Ele me disse que sim, e respondi que lá o topless é muito popular e aceito. Se isso não o impede de ir a Barcelona, então também não deveria ser um problema aqui. Na hora ele mudou de ideia.
Praia de Barra Grande, onde fica a Pousada RiiA, em Maragogi, Alagoas — Foto: Divulgação
A iniciativa de permitir topless em sua pousada pode ser uma maneira de os proprietários se destacarem no concorrido mercado de hospedagem de Maragogi, um dos principais destinos turísticos não só de Alagoas, mas de todo o Nordeste. Mas não é gratuita. O casal é praticante de naturismo e acredita no potencial deste estilo de vida da região onde vivem há três anos.
— Nós costumamos ir a Tambaba, que está a três horas e meia daqui. É um lugar incrível, recomendo muito, mas acho que poderia haver algo assim em Alagoas também. Por aqui temos muitas praias ainda desertas, onde se faz um naturismo, digamos, "não oficial". Japaratinga, por exemplo, seria um ótimo lugar para isso. Ela é linda, mas vive à sombra de Maragogi. O naturismo seria uma forma de colocá-la no mapa — defende o empresário, que já levou o assunto a secretários de turismo da região. — Nossa pousada não é naturista, mas não digo que nunca será. Infelizmente, o assunto ainda é tabu por aqui.
Uma das sete suítes da RiiA, a pousada de Maragogi que permitirá topless a partir de agosto — Foto: Divulgação
Ao contrário de países como Espanha, França e Itália, em que é bastante comum ver topless em praias e parques durante os meses mais quentes, no Brasil a prática ainda costuma ser tipificada pelas autoridades como ato obsceno, de acordo com o artigo 233 do Código Penal. O crime de ato obsceno tem pena estipulada entre três meses e um ano de prisão ou multa. No momento, há um Projeto de Lei na Câmara dos Deputados que pretende autorizar a exibição da parte de cima do corpo, de homens e mulheres, em todo o território nacional. O texto foi apresentado em fevereiro e desde março aguarda análise na Comissão dos Direitos da Mulher da câmara.
A pousada RiiA funciona desde 2019 a poucas quadras da Praia de Barra Grande, em Maragogi. São sete suítes, com diárias que variam entre R$ 200 e R$ 230 e reservas feitas exclusivamente pelo Airbnb. Mais informações em riia.com.br.
O Globo segunda, 20 de junho de 2022
DIVERSÃO: DISNEY ON ICE ESTÁ DE VOLTA AO MARACANÃZINHO
'Disney on ice' está de volta ao Maracanãzinho
Espetáculo estreia nesta quarta-feira (22) e fica em cartaz até domingo (26)
Por O Globo — Rio de Janeiro
20/06/2022 05h10 Atualizado há 4 horas
Espetáculo "Disney on ice" promete encantar a garotadaDivulgação/Heinz Kluitmeier
A magia do “Disney on ice” está de volta. A turnê “Descobrindo aventuras” promete encantar o público no Maracanãzinho, entre os próximos dias 22 e 26, com um espetáculo que mistura inspiração, coragem e determinação através das histórias de personagens famosos, como Moana e Frozen. Mickey Mouse, Minnie e os seus amigos também são presenças confirmadas nesta festa, cuja proposta é emocionar com performances de patinação sobre o gelo.
Gerente de projetos do “Disney on ice”, Luciano Miron define a turnê “Descobrindo aventuras” com uma palavra:
— Alegria. Esta palavra representa a possibilidade de voltar a fazer o espetáculo após dois anos parados e o sentimento das crianças ao encontrar os seus personagens favoritos cantando e patinando no gelo. O entretenimento familiar nos proporciona ver a felicidade em rostos das mais diversas idades. Vovôs e vovós, papais e mamães e os pequenos, é claro. O público pode esperar um espetáculo lindo, com muita diversão e vários sorrisos.
Mickey Mouse e sua turma fazem parte do espetáculo "Disney on ice" — Foto: Divulgação
O Globo domingo, 19 de junho de 2022
SAÚDE: BISCOITO, BATATA FRITA E SALGADINHO -COMO OS ALIMENTOS PROCESSADOS VICIAM COMO O CIGARRO
Biscoito, batata frita e salgadinho: como os alimentos processados viciam como o cigarro
Aditivos feitos para melhorar a textura e a sensação na boca aumentam o potencial viciante
Por Anahad O’Connor, The New York Times — Rio
19/06/2022 04h31 Atualizado há 6 horas
Especialistas pesquisam sinais de comportamento viciante em relação à comida — Foto: Richard A. Chance
Há cinco anos, um grupo de cientistas que pesquisa sobre nutrição estudou o que os americanos comem e chegou a uma conclusão surpreendente: mais da metade de todas as calorias que o americano médio consome vem de alimentos ultraprocessados, que eles definiram como “formulações industriais” que combinam grandes quantidades de açúcar, sal, óleos, gorduras e outros aditivos.
Alimentos altamente processados continuam a dominar a dieta americana, apesar de estarem ligados à obesidade, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e outros problemas de saúde. Eles são baratos e convenientes, e projetados para serem saborosos. São comercializados em altas quantidades pela indústria alimentícia. Mas um número crescente de cientistas diz que outra razão pela qual esses alimentos são tão consumidos é que, para muitas pessoas, eles não são apenas tentadores, mas viciantes, um conceito que gerou controvérsia entre os pesquisadores.
Recentemente, o American Journal of Clinical Nutrition explorou a ciência por trás do vício em alimentos e se os denominados ultraprocessados podem estar contribuindo para excessos e consequentemente obesidade. Contou com um debate entre dois dos maiores especialistas no assunto, Ashley Gearhardt, professora associada do departamento de psicologia da Universidade de Michigan, e o médico Johannes Hebebrand, chefe do departamento de psiquiatria infantil e adolescente, psicossomática e psicoterapia da Universidade de Duisburg-Essen na Alemanha.
A psicóloga de ciência clínica ajudou a desenvolver a pesquisa chamada de “Yale Food Addiction Scale” (Escala de Dependência Alimentar), que é usada para determinar se uma pessoa mostra sinais de comportamento viciante em relação à comida. Em um estudo envolvendo mais de 500 pessoas, ela e seus colegas descobriram que certos alimentos eram especialmente propensos a provocar comportamentos alimentares “viciantes”, como desejos intensos, perda de controle e incapacidade de reduzir esse consumo apesar de sofrer consequências prejudiciais e um forte desejo de parar de comê-los.
No topo da lista estavam pizza, chocolate, batata frita, biscoitos, sorvete e cheeseburguer. Gearhardt descobriu em sua pesquisa que esses alimentos altamente processados têm muito em comum com substâncias que causam dependência. Assim como os cigarros e cocaína, seus ingredientes são derivados de plantas e alimentos naturais que são despojados de componentes que retardam sua absorção, como fibras, água e proteínas. Em seguida, seus ingredientes mais prazerosos são refinados e processados em produtos que são rapidamente absorvidos pela corrente sanguínea, aumentando sua capacidade de iluminar regiões do cérebro que regulam recompensa, emoção e motivação.
A psicologa diz que sal, espessantes, sabores artificiais e outros aditivos em alimentos altamente processados fortalecem sua atração, melhorando propriedades como textura e sensação na boca, semelhante à forma como os cigarros contêm uma série de aditivos projetados para aumentar seu potencial viciante. O mentol ajuda a mascarar o sabor amargo da nicotina, por exemplo, enquanto outro ingrediente usado em alguns cigarros, o cacau, dilata as vias aéreas e aumenta a absorção da nicotina.
Um denominador comum entre os alimentos ultraprocessados mais irresistíveis é que eles contêm grandes quantidades de gordura e carboidratos refinados, uma combinação potente que raramente é vista em alimentos naturais que os humanos comem, como frutas, legumes, carne, nozes, mel, feijão e sementes, explicou a psicóloga Gearhardt. Muitos alimentos encontrados na natureza são ricos em gordura ou carboidratos, mas normalmente não são ricos em ambos.
— As pessoas não experimentam uma resposta comportamental viciante a alimentos naturais que são bons para nossa saúde, como morangos — disse a diretora do Laboratório de Ciência e Tratamento de Alimentos e Dependências da Universidade de Michigan. — É esse subconjunto de alimentos altamente processados que são projetados de uma maneira tão semelhante à forma como criamos outras substâncias viciantes. Esses são os alimentos que podem desencadear uma perda de controle e comportamentos compulsivos e problemáticos que se assemelham ao que vemos com álcool e cigarros — explicou Gearhardt sobre como as substâncias presentes nesses alimentos são semelhantes as de produtos viciantes.
Em um estudo, ela descobriu que quando as pessoas cortam alimentos altamente processados, elas experimentam sintomas comparáveis à abstinência observada em usuários de drogas, como irritabilidade, fadiga, sentimentos de tristeza e forte desejo. Outros pesquisadores descobriram em estudos de imagens cerebrais que as pessoas que consomem frequentemente comidas não saudáveis como fast food, podem desenvolver uma tolerância a eles ao longo do tempo, levando-os a exigir quantidades cada vez maiores para obter o mesmo prazer.
Em sua prática clínica, a psicóloga e professora encontrou pacientes - alguns obesos e outros não - que lutam em vão para controlar a ingestão de alimentos altamente processados. Alguns tentam comê-los com moderação, apenas para descobrir que perdem o controle e comem a ponto de se sentirem doentes e perturbados. Muitos de seus pacientes acham que não podem parar com esses alimentos, apesar de lutarem com diabetes descontrolado, ganho excessivo de peso e outros problemas de saúde.
— O impressionante é que meus clientes estão quase sempre cientes das consequências negativas de seu consumo de alimentos altamente processados, e normalmente tentaram dezenas de estratégias, como dietas radicais e limpezas, para tentar controlar seu relacionamento com esses alimentos — ela disse. — Embora essas tentativas possam funcionar por um curto período de tempo, quase sempre acabam recaindo — lamenta a psicóloga.
Já o médico Hebebrand contesta a ideia de que qualquer comida vicia. Enquanto batatas fritas e pizza podem parecer irresistíveis para alguns, ele argumenta que eles não causam um estado mental alterado, uma marca registrada de substâncias viciantes. Ele diz que fumar um cigarro, beber um copo de vinho ou tomar uma dose de heroína, por exemplo, causa uma sensação imediata no cérebro que os alimentos não causam.
— Você pode tomar qualquer droga que vicia, e é sempre a mesma história de que quase todo mundo terá um estado mental alterado depois de ingeri-la. Isso indica que a substância está afetando seu sistema nervoso central. Mas todos nós estamos ingerindo alimentos altamente processados, e nenhum de nós está experimentando esse estado mental alterado porque não há um impacto direto de uma substância no cérebro — disse Hebebrand.
Nos transtornos por uso de substâncias, as pessoas se tornam dependentes de uma substância química específica que atua no cérebro, como a nicotina do cigarro ou o etanol do vinho e da bebida. Eles inicialmente procuram esse produto químico para obter uma alta e, em seguida, tornam-se dependentes dele para aliviar emoções deprimidas e negativas. Mas em alimentos altamente processados, não há um composto que possa ser apontado como viciante, explica o psiquiatra. De fato, evidências sugerem que pessoas obesas que comem demais tendem a consumir uma grande variedade de alimentos com diferentes texturas, sabores e composições. Hebebrand argumentou que comer demais é impulsionado em parte pela indústria de alimentos que comercializa mais de 20.000 novos produtos todos os anos, dando às pessoas acesso a uma variedade aparentemente infinita de alimentos e bebidas. Ele diz ainda que é a diversidade de alimentos que é tão atraente e causadora do problema, não uma única substância nesses alimentos.
Aqueles que argumentam contra a dependência alimentar também apontam que a maioria das pessoas consome diariamente alimentos altamente processados sem apresentar nenhum sinal de dependência. Mas a psicóloga Gearhardt observa que as substâncias viciantes não acontecem com todos que as consomem. Segundo a pesquisa , cerca de dois terços das pessoas que fumam cigarros se tornam viciadas, enquanto um terço não. Apenas cerca de 21% das pessoas que usam cocaína em suas vidas se tornam viciadas, enquanto apenas 23% das pessoas que bebem álcool desenvolvem dependência. Estudos sugerem que uma ampla gama de fatores determina se as pessoas se tornam viciadas, incluindo sua genética, histórico familiar, exposição a traumas e origens ambientais e socioeconômicas.
— A maioria das pessoas experimenta substâncias viciantes e não se torna viciada. Então, se esses alimentos são viciantes, não esperaríamos que 100% da sociedade fosse viciada neles — disse a pesquisadora.
Para as pessoas que lutam para limitar a ingestão de alimentos altamente processados, ela recomenda manter um controle do que você come para que você possa identificar os alimentos que têm mais atração – aqueles que causam desejos intensos e que você não consegue parar de comer uma vez que você começa. Mantenha esses alimentos fora de sua casa, enquanto abastece sua geladeira e despensa com alternativas mais saudáveis que você gosta.
Mantenha o controle dos gatilhos que levam a desejos e excessos. Eles podem ligados a emoções como estresse, tédio e solidão. Ou pode ser os alimentos de fast food que você come três vezes por semana. Faça um plano para gerenciar esses gatilhos tomando um caminho diferente para casa, por exemplo, ou usando atividades não alimentares para aliviar o estresse e o tédio. E evite pular refeições, porque a fome pode desencadear desejos que levam a decisões lamentáveis, disse ela.
— Certificar-se de que você está regularmente alimentando seu corpo com alimentos nutritivos e minimamente processados que você gosta pode ser importante para ajudá-lo a navegar em um ambiente alimentar muito desafiador— aconselhou Gearhardt.
O Globo sábado, 18 de junho de 2022
GASTRONOMIA: *BUMP* DE CAVIAR - CONHEÇA A NOVA MODA DO CIRCUITO DE LUXO DE NOVA YORK
Você sabe o que é 'bump' de caviar? Conheça a nova moda do circuito de luxo de Nova York
Jeito diferente de consumir a iguaria tem se espalhado em festas e restaurantes da cidade americana
Por Alyson Krueger / 2022 / The New York Times
18/06/2022 04h30 Atualizado há 3 horas
Frequentadores do Temple Bar, em Nova York se preparam para um 'bump' de caviar, quando a iguaria é saboreada diretamente das costas da mão para a bocaDolly Faibyshev/The New York Times
Jimmy Han, de 41 anos, dono de um bar em Los Angeles, estava no festival de música de Coachella em abril quando ele e quatro amigos decidiram pedir um "bump" em um restaurante pop-up de frutos do mar — embora não do tipo que você possa estar imaginando.
Depois de pedir uma bandeja de frutos do mar, ele abriu uma lata dourada de caviar Regiis Ova, colocou uma colherada das ovas entre o polegar e o indicador, e começou a lambê-la, como o sal depois de uma dose de tequila.
— As pessoas costumavam se drogar. Agora, estamos tendo barato com a comida — disse Han, rindo, enquanto degustava o caviar.
O bump de caviar — em que um punhado de ovas é comido do dorso da mão — é agora a maneira insolente e malandra de consumir a iguaria cara em certos restaurantes, bares da moda, festivais de arte e outros encontros de destaque.
— Uma colecionadora de relógios veio me dizer ontem na Frieze que tinha visto um vídeo meu fazendo isso no Instagram e queria experimentar — contou Kristen Shirley, de 37 anos, fundadora do La Patiala, site de estilo de vida de luxo, mencionando a feira de arte em Nova York em maio.
Stephanie Bennaugh, 32 anos, faz um 'bump' de caviar no Temple Bar, no bairro de NoHo, em Nova York — Foto: Dolly Faibyshev/The New York Times
Quando Shirley recebe amigos em seu apartamento no bairro do SoHo, em Nova York, bebem champanhe e consomem bumps de caviar ao redor da ilha da cozinha.
— Amo bumps de caviar porque você não precisa montar uma enorme tábua de queijo e crudités. Só precisa de uma lata e de uma colher — diz.
Como uma autoproclamada connoisseur de caviar, ela prefere o sabor assim:
— Se você colocar caviar em um blini ou na batata frita ou adicionar cebolinha ou cebola roxa, vai mascarar o sabor. Por que você comeria algo que custa US$ 200 a latinha para sentir gosto de cebola?
Ela pode estar certa. Segundo os especialistas em caviar, é assim que tradicionalmente eles provam as ovas.
— Quando você ia até os pescadores e experimentava cem latas diferentes de caviar para selecionar as que queria, era necessária uma maneira rápida de provar sem alterar o paladar — explicou Edward Panchernikov, diretor de operações do Caviar Russe, restaurante com estrela do "Guia Michelin" em Manhattan, especializado em caviar.
Outra frequentadora do Temple Bar, em Nova York, Kaslyn Bos, de 29 anos, experimenta a nova maneira de degustar caviar — Foto: Dolly Faibyshev/The New York Times
Embora este não ofereça bumps no menu, outros estabelecimentos veem isso como a nova maneira de vender a iguaria.
O Temple Bar, lounge retrô em NoHo, em Manhattan, adicionou os bumps de caviar ao menu (US$ 20) quando reabriu em outubro.
— É decadente, mas não inacessível. É o caro simples que você vê nos restaurantes agora — observou Sam Ross, bartender e um dos sócios do bar.
Samantha Casuga, a bartender-chefe do Temple, estima que vende cerca de dez por noite.
— O que acontece é que alguém diz: "Devemos pedir um bump de caviar?", e isso parece ousado. Então outras pessoas veem e querem também.
No Tokyo Record Bar, izakaya de 12 lugares no Greenwich Village, em Manhattan, os comensais podem pedir um bump de caviar com saquê por US$ 20, embora não esteja no cardápio.
— Como sempre temos uma tonelada de caviar, essa pareceu uma maneira divertida de oferecer uma boa experiência às pessoas — afirmou Ariel Arce, o proprietário, que também vende uma marca de caviar chamada CaviAIR. Ele acrescentou que a crescente popularidade dos bumps (e do caviar em geral) é o resultado de técnicas de cultivo aprimoradas, que tornaram a iguaria mais acessível. No passado, o caviar era considerado muito caro para ser servido tão casualmente.
Jason Rodriguez, 34 anos, é outro a entrar na onda do 'bump' de caviar no Temple Bar, em Nova York — Foto: Dolly Faibyshev/The New York Times
— O caviar selvagem é completamente inacessível, mas agora a China, os Países Baixos, a França, o Uruguai e os Estados Unidos dominam as práticas de produção, o que o tornou mais acessível.
Mesmo assim, o caviar cultivado é visto como um luxo para ser saboreado em momentos especiais. De acordo com Josh Blum, chef particular em Miami que regularmente organiza jantares para celebridades, os bumps oferecem uma maneira divertida de quebrar o gelo:
— Na Fórmula 1 deste ano, ofereci um ao Diplo. Foi muito engraçado. Acho que foi a primeira vez que ele fez isso, e adorou. É bem social. É o que faço na cozinha para me relacionar com alguém, em vez de consumir álcool. Não posso fazer isso quando estou trabalhando.
O Globo sexta, 17 de junho de 2022
DISCOGRAFIA: LP INÉDITO COM COMPOSIÇÕES DE PORTELENS HISTÓRICOS É LANÇADO MAIS DE SEIS DÉCADAS APÓS GRAVAÇÃO
LP inédito com composições de portelenses históricos é lançado mais de seis décadas após gravação
'Escola de Samba Portela 1959' revela sambas de Manacéa, Jair do Cavaquinho, Chatim e Walter Rosa
Por Luiz Fernando Vianna; Especial Para O GLOBO
17/06/2022 04h30 Atualizado há uma hora
Entre inéditos e primeiras versões, LP traz “Manhãs brasileiras”, de ManacéaLuis Alvarenga
Graças a um bando de apaixonados por samba, um tesouro está vindo à tona. O lançamento do LP “Escola de Samba Portela 1959” (neste sábado, 18, a partir das 19h, no Centro Cultural São Paulo) é o final feliz de uma epopeia. No disco há composições dos portelenses históricos Manacéa, Jair do Cavaquinho, Chatim e Walter Rosa.
Como, na fase de pré-venda, esgotaram-se as 40 bolachas de cor branca (R$ 300) e as 25 azuis (R$ 280), só há pretas (R$ 230). A tiragem total é de 500 unidades. A partir da próxima segunda-feira, LPs serão vendidos pela internet. Informações estarão nas páginas do Instituto Glória ao Samba no Facebook e no Instagram. Mais à frente, as músicas ficarão disponíveis nas plataformas digitais.
Integrantes do instituto, uma associação de aficionados pelo gênero, descobriram em 2008, no site do Immub (Instituto Memória Musical Brasileira), a menção a um disco intitulado “Escola de Samba Portela 1959”. Até então, só se conhecia o de 1957. Consultaram pesquisadores e colecionadores, mas ninguém sabia do que se tratava. Havia apenas uma pista: teria sido produzido pelo selo Festa.
A busca começou para valer em 2012. O jornalista Paulo Mathias, que desde então trabalha numa biografia do compositor e líder Paulo da Portela, procurava alguma informação enquanto fazia entrevistas, vasculhava a hemeroteca da Biblioteca Nacional e consultava livros para a sua pesquisa. Foi em 2017 que achou o nome de Gracita Garcia Bueno, identificada como sobrinha de Irineu Garcia, o dono do Festa.
Encontraram o telefone de uma associação de artistas plásticos da qual Gracita fazia parte. Souberam, então, que estava com ela o acervo do selo e que dele fazia parte o material do “Portela 59” — como o disco é mais conhecido. Ela relutou, mas aceitou mostrar.
Ao lado da jornalista Ana Paula Orlandi, que escrevia uma monografia sobre o Festa, Mathias e seu colega Rafael Lo Ré puseram a fita DAT para tocar e ouviram sete sambas. Emocionados, comprovaram que “Portela 59” não era uma lenda, como chegaram a temer que fosse.
Faltava tentar saber por que só havia sete, se no site do Immub estavam listadas 12 músicas. E por que o material não fora lançado.
— É um mistério por que não saiu — diz Mathias. — Mas descobrimos que os outros cinco sambas foram compostos apenas nos anos 1960. Então, entraram depois na lista, talvez para algum projeto de compilação.
Capa do disco 'Escola de Samba Portela 1959'. — Foto: Divulgação
O selo Festa foi fundado em 1955 pelo jornalista Irineu Garcia e pelo editor Carlos Ribeiro para lançar, sobretudo, poesia. Foram gravados, por exemplo, LPs de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto declamando seus poemas.
Entre 102 títulos, o Festa também lançou discos de música clássica e alguns de música popular, inclusive o histórico “Canção do amor demais” (1958), com Elizeth Cardoso interpretando Tom Jobim e Vinicius de Moraes, acompanhada, em duas faixas, pelo violão de João Gilberto. No mesmo ano, João lançou “Chega de saudade” num disquinho de 78 rotações por minuto e fez surgir a bossa nova.
Uma hipótese para Garcia ter resolvido levar sambistas para o estúdio em 28 de novembro de 1959 é que seu amigo Vinicius de Moraes o tenha convencido. Mas só agora, 63 anos depois, o projeto vira realidade.
— A gente não vai ganhar dinheiro com isso — avisa Mathias. — Importante é a satisfação de ter localizado o material. Como eu jamais vou compor igual a um Cartola ou a um Monarco, mesmo que nascesse mais 15 vezes, essa é a forma de eu contribuir para o samba.
Pesquisa apaixonada
O Glória ao Samba, criado em 2007, não tem fins lucrativos. São 22 componentes, quase todos de São Paulo, sendo alguns da periferia. Há mestre de obras, vendedor, professor, pintor de parede, mecânico, metalúrgico.
— Só não tem rico — informa o publicitário Fernando Paiva, de Uberlândia.
Ele ficou responsável pela direção de arte do LP, ao lado de Mathias. Já o advogado Lo Ré fez a assessoria jurídica e dividiu a pesquisa histórica com Paulo Mathias e Luís Henrique Vieira. O disco não teve patrocínio e só está saindo porque os associados puseram dinheiro do bolso. O custo ainda aumentou em 25% na pandemia, por causa da escassez de acetato.
— Quisemos fazer um produto de primeira qualidade, como o samba merece — ressalta Paiva.
O álbum tem encarte com as letras, aponta possíveis instrumentistas e registra que todos os direitos foram pagos aos compositores. O único autor cujo nome não se descobriu foi o de “A hora é essa”.
— Ninguém é profissional de cultura. Precisamos aprender esse mundo burocrático — diz Lo Ré.
Ele, Mathias, Paiva e vários outros tocam instrumentos e compõem, mas priorizam a pesquisa. O foco principal são as escolas de samba tradicionais do Rio, como Portela, Mangueira, Império Serrano e Salgueiro. Planejam gravar um disco com inéditas de sambistas dessas escolas.
— Esse conhecimento não é nosso, é dos nossos ancestrais. Estamos há 15 anos bebendo na fonte deles — diz Mathias. — Artistas novos precisam ser respeitados, mas é importante que as pessoas saibam de onde vêm, como dizia o Candeia.
Dos sete sambas do “Portela 59”, quatro são inéditos e três tiveram ali suas primeiras versões. É o caso de “Manhãs brasileiras” (Manacéa), hoje mais conhecido pelo título no singular. “Mulher ingrata” foi gravado em 2002 pelo autor, Jair do Cavaquinho, como “Você não soube ser mulher”. Do mesmo Jair e de Beatriz Lima da Silva, “Incrível destino” recebeu gravação em 1962 em “Grandes sucessos da E.S. Portela”.
“Vultos e efemérides nacionais” (Jorge Portela e Waldomiro) foi o samba-enredo da Portela em 1958. “Bahia”, de Chatim, era um samba muito cantado na Portelinha, a antiga quadra — ou terreiro, como se chamava. “Crepúsculo” (Walter Rosa) também era muito conhecido na escola, mas como “Indumentariamente”, seu primeiro verso.
Quando esteve na quadra de Madureira, em 2018 — em visita acompanhada pelo GLOBO —, a turma do Glória ao Samba não chegou ao nome da cantora de “A hora é essa”, mas soube que o intérprete das outras faixas era Avelino de Andrade.
— Meu pai cantou em outros discos da Portela — diz Celsinho de Andrade, presidente da escola mirim Filhos da Águia. — E este ninguém conhecia. Quando soube que seis das sete faixas tinham a voz dele, aí a emoção foi maior.
Na capa do LP estão imagens de Manacéa, Jair, Chatim, Walter Rosa e figuras importantes da escola nos anos 50: Dagmar (tocava surdo), Betinho, Nozinho, Nilton Batatinha e Manuel Bam Bam Bam.
O Globo quinta, 16 de junho de 2022
TURISMO: TREM MIAMI–ORLANDO - O QUE SABEMOS SOBRE A FERROVIA DA FLÓRIDA QUE TERÁ ATÉ ESTAÇÃO NA DISNEY
Trem Miami-Orlando: o que sabemos sobre a ferrovia da Flórida que terá até estação na Disney
Brightline, que já chega a Fort Lauderdale e West Palm Beach, terá estação no aeroporto de Orlando no começo de 2023
Por Eduardo Maia
13/06/2022 10h56 Atualizado há 3 dias
Trem da Brightline, ferrovia que ligará Miami a Orlando no começo de 2023Reprodução / Wikimedia Commons
Entre as novidades mais aguardadas de Orlando, uma não fica nos parques temáticos. O Brightline, trem de alta velocidade que já conecta Miami a West Palm Beach, no litoral sul da Flórida, chegará à região central do estado no começo de 2023. Por representar uma alternativa inédita à conexão aérea e às viagens de carro, o serviço ferroviário entre os dois grandes polos turísticos do estado vem sendo esperado com ansiedade tanto por viajantes quanto pelas empresas do setor.
Abaixo, listamos sete coisas que já sabemos sobre o trem entre Miami e Orlando.
Quando a rota será inaugurada?
O Brightline começou a operar entre Miami e Fort Lauderdale em 2018, e desde então se fala sobre a expansão para Orlando. Depois de sucessivas mudanças de planos, a previsão atual é que o serviço comece a operar com passageiros no começo de 2023, mais provavelmente no mês de fevereiro.
A estação será conectada ao Terminal C do Aeroporto Internacional de Orlando, que está em construção. O novo terminal será maior e mais moderno que os demais e deve concentrar os principais voos internacionais. O aeroporto fica a cerca de 30 quilômetros do Walt Disney World e a 25 quilômetros do Universal Orlando Resort.
Quando tempo levará a viagem?
Estima-se que o trem levará até três horas para percorrer os pouco mais de 270 quilômetros que separam Miami de Orlando. Em alguns pontos, entre West Palm Beach e Orlando, a composição poderá atingir uma velocidade máxima de 201 km/h. Mas em outros, como o trecho entre Miami e West Palm Beach, por casa da quantidade de estações (Fort Lauderdale, que já existe, e Aventura e Boca Raton, que devem ser inauguradas ainda em 2022), a velocidade máxima será de 127 km/h.
Trens da Brightline, ferrovia que ligará Miami a Orlando no começo de 2023, na estação de West Palm Beach — Foto: Reprodução / Wikimedia Commons
E o preço?
Representantes da Brigthline presentes na edição mais recente do IPW, o maior encontro do turismo dos Estados Unidos, que aconteceu na última semana em Orlando, afirmaram que ainda não há uma tabela de tarifas para o serviço, mas estimam que o bilhete deve custar em torno dos US$ 100. Há também a possibilidade de se cobrar a mais por malas despachadas no vagão bagageiro, por exemplo.
Vai dar para chegar de trem nos parques?
Não nesta próxima fase de expansão, programada para começo de 2023. Para a terceira fase da ferrovia, ainda sem data de conclusão, estão previstas ao menos mais duas estações. Uma delas é em Disney Springs, o antigo Downtown Disney, centro comercial e gastronômico do Walt Disney World que funciona como uma espécie de hub de transporte interno para os parques e hotéis do complexo.
Há ainda um projeto do Universal Orlando Resort de instalar uma estação ferroviária anexa ao terreno onde está construindo seu quarto parque na cidade, o Epic Universe. Essa estação, que atenderia também o Orange County Convention Center, faria parte da ferrovia Sun Rail, que já conecta Orlando a cidades da região, e poderia ter uma conexão com o trecho do Brightline entre o aeroporto de Orlando e Disney Springs.
Onde será a estação final?
Quando a terceira fase de expansão da linha sair do papel, a parada final será na cidade de Tampa, na costa oeste da Flórida. A cidade, uma das principais do estado, vem crescendo como destino turístico, apostando em novos hotéis de luxo e numa gastronomia cada vez mais sofisticada. Tampa funciona também como base para quem quer explorar parques temáticos como Busch Gardens, Legoland (e a nova área de Peppa Pig), e para charmosas cidades litorâneas da região, como St. Petersburg e Clearwater. É possível que o terminal fique no histórico bairro de Ybor City.
Interior de um vagão da Brightline, ferrovia que ligará Miami a Orlando no começo de 2023 — Foto: Reprodução / Wikimedia Commons
Como é o trem?
As composições pintadas em branco, preto e amarelo usadas pela Brightline têm capacidade para até 248 passageiros, divididos em duas classes. Na Select, a mais cara, há fileiras com duas e uma poltrona, e também mesas para quatro pessoas, com direito a bebidas e snacks incluídos. Já na Smart, mais econômicas, as poltronas são separadas por um corredor estreito, e as bebidas são pagas a parte. Os trens contam com Wi-Fi.
O Globo quarta, 15 de junho de 2022
GULTURA: CLEO CONTA QUE CHOROU ESCREVENDO LIBRO SOBRE ABUSO
Cleo conta que chorou escrevendo livro sobre abuso: 'Foi um processo de cura'
Multiartista lança 'Todo mundo que amei já me fez chorar', escrito com Tatiana Maciel, sobre relacionamentos tóxicos: 'Ser sexy é uma delícia mas não quando te limita', diz ela
Por Bolívar Torres — RIO
14/06/2022 04h30 Atualizado há 23 horas
Cleo: atriz, cantora, produtora e agora escritoraDivulgação/ Lucas Menezes
Logo nas primeiras páginas, a multiartista Cleo deixa bem claro o assunto de "Todo mundo que amei já me fez chorar", seu primeiro livro de ficção: “Gostaria de agradecer a todas as pessoas inesperadas que cruzaram meu caminho e me surpreenderam com seu colo (...) quando estava intoxicada e machucada por pessoas que não sabem amar (não foram poucas vezes)".
O assunto é relacionamento tóxico e os vários tipos de abusos (físico, psicológico, moral) gerados por eles. A multiartista, que já havia usado suas redes sociais para falar sobre experiências do tipo (dela e de outras), contou agora com a ajuda da roteirista Tatiana Maciel, co-autora da obra, para transformá-las em contos. Embora as personagens e situações sejam ficcionais, são de alguma forma inspiradas por relatos de outras pessoas. E também ecoam vivências e sentimentos das próprias autoras.
- Os contos são sobre relações tóxicas que acabam tendo espaço para serem abusivas - diz Cleo. - Em todos elas, eu me vi ou vi em alguém muito próximo. O livro foi um processo de cura. Mas dolorido também. Porque você acaba revivendo coisas que achava que estavam resolvidas e acaba sofrendo mais um pouco com o que havia sofrido lá atrás.
Indagada se já esteve em algum relacionamento abusivo sem perceber, como as personagens do livro, a atriz, cantora, produtora e agora escritora solta uma risada:
- A vida inteira!
O processo de escrita a quatro mãos foi todo assim, entre lágrimas e risos, já que a abordagem era tratar o tema de forma "acolhedora e leve".
- Eu chorei mesmo, mas ri muito também, porque sabemos rir de nós mesmas - diz Tatiana Maciel.
O livro tem prefácio assinado por Djamila Ribeiro, autora de "O pequeno manual antirracista", e deve se desdobrar futuramente uma música e um videoclipe. Nos contos, Cleo e Tatiana Maciel não chegam a tratar de casos de violência física extrema. Entre os conflitos que as personagens precisam lidar, estão os joguinhos de amor, os interesses não-correspondidos, as tensões com pais autoritários e colegas de trabalho traiçoeiros.
Cleo e Tatiana Maciel — Foto: Divulgação/ Felipe Gomes
Há situações, porém, que reavivaram feridas. As autoras dão alguns exemplos, como as dinâmicas abusivas dentro de uma família, as cobranças em relação ao corpo e ao comportamento. E há também aquelas pequenas violências do cotidiano: bater porta, chutar objetos, falar alto...
A questão do corpo, mais especificamente, é algo familiar a Cleo, que desde muito jovem foi tratada como símbolo sexual.
- Sempre consegui deixar as coisas superficiais no lugar delas - conta a multiartista, que se diz muito mais uma admiradora e aliada do feminismo do que uma porta-voz do movimento. - Mas quando vi que (ser ícone de beleza) atingia diversas camadas da minha existência, não só ficou mais divertido isso como acabou me trazendo para lugares onde eu sentia que precisava quebrar esses rótulos. Acho delícia ser considerada sexy, mas não quando isso te limita.
A própria parceria das duas mulheres se desenvolveu dentro de um princípio de sororidade. Fazia tempo que Cleo queria escrever um livro, mas se sentia (e ainda se sente) bloqueada, já que acredita se expressar melhor em forma de música. Ela recorreu então a Maciel, uma autora que, nas palavras da multiartista, soube "entrar na minha alma e tirar o que saí dali". Cleo mandava áudios que eram desenvolvidos em texto pela parceira.
- Foi mágico, de virarmos irmãs tendo se visto umas três vezes por zoom - lembra Maciel. - A empatia foi completa, uma troca de muita confiança. (A união das mulheres) é uma questão de sobrevivência. Se não nos damos as mãos, não sobrevivemos.
Tanto Cleo quanto Maciel contam já ter recebido mensagens defensivas de ex-namorados achando que as histórias sobre abuso eram indiretas a eles.
- Não de forma explícita, mas veladamente - diz Cleo. - Já sofri questionamentos de certas pessoas que estavam incomodadas com a forma como estava falando das coisas da minha vida.
Maciel complementa:
- Até eu, que não sou famosa como a Cleo, já recebi mensagem de ex perguntando se estava no livro ou não!
O Globo terça, 14 de junho de 2022
LEILA DINIZ: O MISTERIOSO ACIDENTE DE AVIÃO QUE TIROU A VIDA DA ATRIZ, HÁ 50 ANOS
Leila Diniz: O misterioso acidente de avião que tirou a vida da atriz, há 50 anos
14/06/2022 • 06:00
Ninguém queria acreditar. Na sede da TV Globo, no Rio, a atriz Maria Claudia e a repórter Scarlett Moon diziam que alguém devia ligar para o Itamaraty. "Leila é rainha de perder o avião, ela sempre chegou atrasada nos aeroportos, por que haveria de ser pontual logo agora?", questionou Maria Claudia, emocionada.
Mas Leila Diniz não queria perder aquele voo de jeito nenhum. Ela tinha viajado à Austrália para promover o filme "De mãos vazias", do diretor Luiz Carlos Lacerda, no Festival de Cinema de Adelaide. Mas garantira à jornalista e amiga Scarlett Moon que não ia "ficar de bobeira por lá, não". Voltaria correndo para estar de novo com a pequena Janaína, de 6 meses, sua filha com o cineasta Ruy Guerra.
A atriz de 27 anos, famosa por seus trabalhos na TV e no cinema e pelas atitudes libertárias que tanto incomodavam os moralistas da ditadura militar, deixou Adelaide sozinha, antes do encerramento do festival. Ela foi para Tóquio e lá embarcou no Voo 471 da Japan Airlines. O avião parou em Hong Kong, em Bangcoc e chegava na sua terceira escala, em Nova Déli, na Índia, quando colidiu a quilômetros do aeroporto. Eram 20h15 de uma quarta-feira, 14 de junho de 1972, há exatos 50 anos.
A tragédia matou 86 pessoas. Entre elas, Leila Diniz e o indiano KKP Narasinga Rao, um veterano da Food and Agricultural Organization (FAO), agência das Nações Unidas voltada para o combate à fome. Ao receber a notícia, a cantora e amiga Elis Regina desmaiou em frente às câmeras, gravando um programa de televisão. Leila morreu no auge da fama. A comoção tomou conta do país.
"O acidente foi um completo mistério", declarou o executivo Yasteru Matusi, gerente-geral da Japan Airlines na Índia, após à tragédia. De acordo com uma reportagem do GLOBO na época, a companhia suspeitava até de sabotagem. Ninguém sabia explicar o que realmente acontecera. Com o tempo, configurou-se uma disputa jamais encerrada de narrativas sobre as causas do desastre. Para investigadores japoneses, houve falha num equipamento do aeroporto. Mas o relatório de autoridades indianas foi enfático ao apontar uma sequência de erros cometidos pela tripulação.
O Voo 471 saiu de Tóquio com destino a Londres, de onde Leila tomaria outro avião para o Brasil. Hoje, uma viagem entre Japão e Reino Unido traça uma linha cruzando o espaço aéreo da Rússia. Mas, em tempos de Guerra Fria, a rota contornava o território soviético, num "pinga-pinga" interminável por capitais do Sul da Ásia. A carismática intérprete de Maria Alice em "Todas as mulheres do mundo" faria um total de seis paradas até chegar à capital britânica.
Após uma viagem sem imprevistos desde Bangcoc, na Tailândia, a aeronave modelo Douglas DC 8, com oito anos de uso, aproximava-se do Aeroporto Internacional de Palam, em Nova Déli. Já era noite, e havia uma densa névoa de poeira no ar, o que reduzia drasticamente a visibilidade a bordo. Por isso, a cabine recebeu autorização do aeroporto para realizar o pouso com a ajuda de instrumentos.
Entretanto, algo de muito errado se sucedeu. Um vídeo detalhado, que usa recursos gráficos para recriar o acidente de meio século atrás, foi publicado no Youtube no ano passado. Nesse vídeo, o áudio com as vozes dos pilotos na cabine sugere que eles começaram a descer depois de visualizar o que, equivocadamente, identificaram como as luzes da pista do aeroporto em Nova Déli.
Uma investigação japonesa argumentou que o equipamento responsável por enviar sinais de rádio para guiar o avião até a pista, durante um pouso por instrumentos, estava com defeito. Já o relatório do governo indiano concluiu que, ao pensar que haviam enxergado a pista, os pilotos abandonaram o procedimento de pouso por instrumentos e, mesmo com todas as limitações de visibilidade, passaram a se guiar pelos próprios olhos, ignorando as informações do altímetro.
Como resultado, o Douglas DC 8 continuou descendo às cegas. Quando observou o altímetro, a tripulação se deu conta do erro e tentou arremeter, mas não teve tempo. A aeronave se chocou com as margens do Rio Yamuna, a 16 quilômetros da pista. Além de 82 mortos a bordo, quatro pessoas que estavam no solo também perderam a vida. Uma tripulante e quatro passageiros sobreviveram, milagrosamente.
Dois dias depois do acidente, as autoridades indianas encontraram o passaporte de número 896 147, de propriedade de Leila Diniz, colocando fim a qualquer esperança de que ela pudesse ter escapado com vida. Cunhado da atriz, o advogado Marcelo Cerqueira foi a Nova Déli para buscar os restos mortais da artista e voltou no dia 25 de junho, no avião que trouxe também as cinzas da mãe de Janaína.
Um cortejo com 40 carros percorreu o trajeto do Aeroporto Internacional do Galeão até o Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, onde já estavam milhares de pessoas. Dona Zica, mulher do compositor Cartola, cobriu a urna com a bandeira da escola de samba Mangueira. Antes de ser colocado no jazigo perpétuo 19.886, o caixão foi alvo de uma chuva de flores. Familiares, amigos e fãs de Leila se despediam aos prantos. Vários dias depois, admiradores da querida artista ainda eram vistos deixando suas homenagens no cemitério.
O Globo segunda, 13 de junho de 2022
BASQUETE: MÁGIC PAULA - *AS MÁS GESTÕES MATARAM GERAÇÕES DO BASQUETE*
Magic Paula: ‘As más gestões mataram gerações do basquete’
Ex-jogadora analisa os desafios de seu trabalho como dirigente após encontrar ‘terra arrasada’ na modalidade e compartilha estilo de vida ‘mais tranquilo’ no sul da Bahia
Por Carol Knoploch — Rio de Janeiro
13/06/2022 06h00 Atualizado há 5 horas
Magic Paula, em Vila de Santo Andre, no município de Santa Cruz de Cabrália (Bahia)Arquivo pessoal
Há pouco mais de um ano, Maria Paula Gonçalves da Silva, a Magic Paula, tornou-se a primeira mulher vice-presidente da história da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), entidade que sobrevive com a ajuda de aparelhos após décadas de más gestões. A ex-atleta está no olho de um furacão e, ao mesmo tempo, bem longe dele. Com 60 anos recém-completados, ela decidiu “viver de maneira mais tranquila” em Santo André, um vilarejo com menos de mil moradores no município de Santa Cruz Cabrália, próximo a Porto Seguro, na Bahia. Pela internet — ferramenta que também usou para falar com O GLOBO sobre a maturidade e o trabalho —, ela tenta resgatar o brio do basquete nacional.
Como se sente aos 60 anos?
Sempre lidei com a idade de maneira muito tranquila. Nunca me incomodou, e acho que não vai. É preciso ter tranquilidade para lidar com as mudanças do corpo e do rosto e com as marcas. Eu tenho zero problema com isso.
Você está igual...
Mais ou menos. Depende de como se leva a vida. O tempo pode e deve nos fazer seres humanos melhores. Hoje, lido com mais facilidade com coisas que antes me incomodavam. Para me tirar do centro, tem de ser algo forte. Não quero adoecer por ter me estressado com coisas sem importância.
A pandemia nos direcionou para um êxodo diferente, me perguntei por que a gente busca tanto a vida nas grandes cidades, que nos levam a consumir o que nem temos necessidade. Tantas roupas e sapatos... Não precisamos de muito
— Magic Paula
Como consegue trabalhar tão bem essa questão?
Temos aquela coisa de construir o futuro e depois se aposentar. Esse período pode acontecer quando não há mais agilidade e ímpeto com a vida. Não queria que fosse com 70 ou 90 anos. Me dei o direito de viver de maneira mais tranquila, buscando o que me faz bem. Durmo e acordo cedo. É optar, escolher e viver com dignidade. Sempre tive dificuldade com peso, mesmo enquanto atleta, e continuo. Então, hoje, a atividade física me dá bem estar. Digo isso porque não vivo do meu corpo e rosto. Hoje, ninguém está feliz com o que tem.
Por isso foi para a Bahia?
Vinha para cá, onde tenho casa desde 2014, a cada dois meses. Fui me encantando e, no ano passado, acabei ficando. A pandemia nos direcionou para um êxodo diferente, me perguntei por que a gente busca tanto a vida nas grandes cidades, que nos levam a consumir o que nem temos necessidade. Tantas roupas e sapatos... Não precisamos de muito.
O que gosta de fazer aí?
Faço hidroginástica no rio, ando de chinelo e me locomovo de bicicleta. Estou no meio da natureza, moro num condomínio com quintal. Cuido das plantas, gosto de pintar um negócio ou outro... Estou sempre fazendo algo.
Magic Paula, em Santa Cruz de Cabrália: local onde escolheu para viver após a pandemia da Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal
Como concilia a vida na Bahia e o trabalho na CBB?
Quando fui convidada para ser vice do Guy (Peixoto), foi para estar perto das seleções brasileiras e tentar turbinar o basquete feminino. Isso me encantou. Não o cargo. E, desde o início, o combinado foi não sair da minha casa. Necessitando da minha presença, eu vou, mas nós coordenamos tudo online (Paula deve embarcar esta semana para a Argentina para acompanhar a AmeriCup, com a seleção sub-18). Somos muito disciplinados e a equipe que trabalha com a gente também. As tarefas podem ser cumpridas aqui ou lá. Isso depende do profissional que cada um é... Cheguei a um estágio da vida em que não queria mais o compromisso de estar lá (na sede da CBB) das 9h às 17h.
Você foi eleita justamente no Dia Internacional da Mulher. O desafio é maior para nós?
O esporte foi feito por homens para homens, mas a gente já galgou muito. Principalmente as atletas. Na gestão, estamos muito aquém. Isso acontece também porque a gente não se apresenta para alguns cargos. Às vezes, temos as oportunidades e medo de assumir.
Não tem receio de manchar sua imagem de atleta?
O único medo é sofrer com questões que não estão dentro da minha filosofia. Minha passagem meteórica pelo Ministério de Esportes, em 2003, foi mais ou menos isso. Comecei a ver coisas com as quais eu não concordava e achei melhor me retirar. Mas é o que eu digo: você só verá o tamanho do buraco se estiver próximo dele. Vivemos momentos difíceis, roteiros escabrosos de corrupção no esporte em geral. E não acredito que isso tenha acabado. Mas, enquanto eu estiver dentro do processo e podendo continuar, vou enfrentar o desafio. Não sei se em quatro anos a gente consegue mudar tanta coisa que fizeram ao basquete brasileiro.
Quando assumiu, você disse que a CBB enfrentava dívidas de mais de R$ 45 milhões, processos trabalhistas e cíveis e sofria com a falta de certidão negativa de débitos (o que impede parcerias com entes públicos). A entidade foi suspensa pela Fiba, e as seleções perderam torneios internacionais. Como se chegou a esse ponto?
A culpa é do próprio basquete, porque, quando se reelege alguém que não faz a coisa do jeito que tem de ser, é porque muita gente concordou com isso, certo? Para a gente que não tem certidão negativa de débito, a dificuldade de receber recursos inclui o privado. Hoje, as empresas têm compliance e, quando veem a situação da entidade, é natural que não queiram ser nossas parceiras. A gente passou a negociar e pagar essa dívida, muito em função da nova lei que permite que 20% da verba das Loterias sejam investidas no pagamento dessas pendências. Mas a verdade é que esse recurso, que recebemos via COB, é um terço do que necessitamos. Principalmente com a entrada do 3 x 3. Precisamos urgentemente ter resultados para receber também recursos por eles. O grande legado da nossa gestão seria conseguir essa certidão.
Estou aqui de passagem e não posso ter essa cobrança após a terra ter sido arrasada por anos. Não dá para fazer mágica, mas dá para começar. O que quero é classificar para Paris-2024.
— Magic Paula
Pela segunda vez seguida, o Brasil não vai disputar o Mundial Feminino.
Somos uma seleção que precisa treinar, as jogadoras precisam estar juntas. Na minha época, para o Mundial da Austrália (o Brasil foi ouro), treinamos quatro meses. Mas, hoje, a Fiba permite que as atletas fiquem em seus clubes até quatro dias antes da competição. E, olha, a gente perdeu de dois pontos da Coreia do Sul, de seis da Sérvia e de 12 da Austrália. Se ganhasse da Coreia, a gente estava dentro. Bateu muito na trave.
Como se resolve isso?
Estou aqui de passagem e não posso ter essa cobrança após a terra ter sido arrasada por anos. Não dá para fazer mágica, mas dá para começar. O que quero é classificar para Paris-2024. Vamos fazer todo o possível para a gente não ficar de novo fora de uma Olimpíada.
Magic Paula, vice-presidente da Confederação Brasileira de Basquete. — Foto: Divulgação
E a seleção permanente que foi bandeira na eleição?
Temos duas realidades, de atletas que estão aí há algum tempo e que talvez estejam deixando a seleção, caso da Érika. Mas já temos uma nova geração. O investimento tem de ser feito nas jogadoras de 18, 19 anos. E a ideia de ter uma seleção permanente é para fortalecer esse grupo e obter resultado daqui a quatro, oito anos. Mas isso também exige investimento. A ideia é que elas estivessem no mesmo clube, com o desejo de ter um time jovem. Ainda não conseguimos mesmo com boas conversas com dois times. Também porque não será fácil trazê-las. A maioria atua nos EUA porque aqui não tinha competição, foram para lá por uma questão de sobrevivência. Se a gente não pode oferecer o melhor, que elas tenham o melhor em outro lugar. Pelo menos, voltarão falando inglês e formadas. Se vão virar jogadora é outra história. As más gestões mataram gerações do basquete. A gente sabe que temos uma comunidade que quer resultados imediatos, mas a gente tem de seguir fazendo o nosso trabalho. Muitas vezes o próprio basquete não torce pelo basquete...
Como assim?
Exemplo, a gente convoca uma seleção. Tenho recurso para treinar uma semana. Mas teríamos de treinar um mês. Se não, a outra seleção não se apresenta. Temos de nos adequar. Aí, os cornetas começam: "Mas como treinar só sete dias?". É mais fácil criticar do que ajudar. Eu falo que eu já fui pedra, já estive de fora. Hoje eu vejo que não é bem assim.
O que destacaria até agora em um ano de trabalho?
O fortalecimento da equipe da CBB com mulheres, a realização do Brasileiro no ano passado e a escolha de embaixadoras nos estados para nos ajudar a ter um diagnóstico de como estamos no Brasil. Além da ampliação do Adelante, projeto de capacitação do Neto (José Neto, técnico da seleção feminina) e da Adriana (Santos, coordenadora) com mais de 1.500 inscritos. É muito pouco perante o que ainda precisamos.
O que achou do skate, do surfe e da escalada em Tóquio-2020?
A gente que é das antigas acha meio estranho. Mas teve um poder altíssimo de levar a juventude a se movimentar. Esse tem sido um desafio grande. Tem questões nestas modalidades muito diferentes das tradicionais. Essa espontaneidade e essa coisa menos rígida que o esporte traz é bem bacana. Tem de ser mais leve. Se eu tivesse que repetir de novo (carreira como atleta), era isso que eu faria. Seria mais leve e me divertiria mais.
E qual a novidade sobre o filme que vai contar sua história e da Hortência?
O filme está em fase de captação e montagem do roteiro. A ideia é mostrar duas mulheres dos anos 90 que eram empoderadas e fizeram o que fizeram com o basquete feminino junto com outras mulheres incríveis. Lá atrás já teve gente que não dava bola para o que a torcida falava e ia atrás dos seus sonhos.
O Globo domingo, 12 de junho de 2022
DIA DOS NAMORADOS: PAOLLA OLIVEIRA E DIOGO NOGUEIRA POSAM EM ENSAIO EXCLUSIVO PARA O DIA DOS NAMORADOS
Paolla Oliveira e Diogo Nogueira posam em ensaio exclusivo para o Dia dos Namorados e falam sobre ciúme, casamento e política
Juntos há um ano, atriz e cantor planejam festa para celebrar união e pensam em filhos
Por Joana Dale
12/06/2022 04h31 Atualizado há 3 horas
Paolla veste saia, sutiã e shorts Intensify Me e Diogo, Emporio Armani — Foto: Fe Pinheiro
No sofá, Paolla Oliveira pede ao fotógrafo esperar antes de clicar, e posiciona a cabeça do namorado, Diogo Nogueira. “Me beija de leve, não pode ser beijão”, orienta. No salão de festas, a atriz tira o cantor para dançar em câmera lenta. “É uma cena”, justifica. Na cama, avisa que ele precisa ficar deitado: “Não largadão”. Durante as três horas da sessão de fotos, Paolla carinhosamente dirige Diogo. “Eu falo mesmo. Conheço a figura. E quero vê-lo melhor do que já é, não vou deixar sair atochado na foto”, diz. “É uma questão de confiança. Quando estou em cima de um palco e ele fala: ‘Não vai para lá’, eu não vou. Aqui, como manjo mais desse métier, falo ‘faz assim’. A gente não discute. A gente confia”.
É a primeira capa de revista protagonizada por Paolla e Diogo, ambos se jogaram no mood proposto pela equipe de ELA: a história de um casal que está curtindo um baile e, mais ainda, o after party, com direito a café da manhã na cama e corridinha — com os dois envoltos em edredons — nos corredores do Copacabana Palace. “Eu me diverti em todas as cenas! Fiz poucos ensaios assim, então fico vendo como ela se movimenta para tentar chegar próximo. Não sou modelo”, diz Diogo. “Começamos super arrumados, com roupas de festa, e acabamos no chuveiro”, diz Paolla. “Como terminam as festas”, emenda Diogo. “E começam as boas coisas...”, gargalha ela.
Em uma hora de entrevista concedida aos pés da cama king size da suíte, em uma rara terça-feira de folga do casal — a atriz está em ritmo frenético de gravações como protagonista da novela “Cara e coragem”, e o cantor em turnê com o novo disco, “Deu samba” —, Paolla e Diogo refletiram sobre amor, confiança, ciúme, cultura, política e revelaram o desejo de celebrar a união em uma festa de casamento e os planos de terem filhos. Confira os melhores trechos a seguir.
O GLOBO — Vocês estão juntos há um ano, Mas parece mais tempo... também têm essa impressão?
PAOLLA: Menina, não somos bons com data, mas é verdade, um ano! Essa é uma capa de aniversário (risos). Mas, sim, parece que tem mais tempo... Acho que porque é a primeira vez que eu tenho um relacionamento mais público. Mas como esconder essa figura embaixo da cama?
DIOGO: Sem dúvida. A gente não ia conseguir se esconder...
PAOLLA: Não foi uma opção. Somos duas pessoas públicas, a maneira de a gente se encontrar é eu estar num show dele ou ele num evento meu. Então, ficou mais aparente, até virou meme!
O que acham se serem considerados os namoradinhos do Brasil?
PAOLLA: Dá certo por que somamos. Outro dia, uma pessoa me perguntou: ‘O Diogo aprovou sua roupa?’. Oi? Como assim? Somos um casal que soma. Estou aqui puta da vida porque amanhã ele vai para Maceió, mas no fundo estou feliz por ele. Aí trocamos mensagens, falamos por vídeo. Esse moço viaja muito... Fui tentar pegar um fim de semana dele, e só consegui um dia no meio de agosto!
DIOGO: Saudade é amor! E estou feliz por ela estar fazendo novela. Sou noveleiro! Não sei como vou reagir às cenas de beijo. Pode ser que dê aquela irritaçãozinha e que eu prefira levantar do sofá para pegar um copo d’água...(risos).
PAOLLA: Os dois estarem realizados profissionalmente é uma premissa importantíssima. Quando só um está feliz, não dura muito. Tudo isso parece muito clichê... Principalmente em tempos de casais modernos, trisais... Mas nós somos um casal simples, que fala coisas normais. Parceria, admiração e afeto soam como palavras fora de moda?
O Globo sábado, 11 de junho de 2022
ATUALIDADES: GRETCHEN PARABENIZA FILHA PELOS 19 ANOS, E BELEZA DA MENINA ENCANTA WEB
Gretchen parabeniza filha pelos 19 anos, e beleza da menina encanta web; veja fotos
Menina é modelo e está passando uma temporada na França: : 'Há pouco tempo você me pedia conselhos. Hoje, me ensina o que é resiliência'
A cantora Gretchen usou seu perfil nas redes sociais para parabenizar a filha Giullia Miranda pelos 19 anos. E a beleza da menina acabou encantando a web. "Como eu amoooo esse sorriso. Minha princesa doce, delicada e educada, e ao mesmo tempo tão determinada, forte e trabalhadora. Morroooo de orgulho de vc meu amor. @giullia_miranda. Hj vc faz 19 anos já. Passou tão rápido….há pouco tempo vc ainda me pedia pra fazer as coisas pra vc. Me pedia conselhos. Hj vc está me ensinando principalmente o q é resiliência. Parabéns minha filhota linda. Te amoooooo de montão. Daqui a pouco estaremos juntas. ( postei agora pq na França já passou da meia noite e eu quis ser a primeira)", escreveu Gretchen.
Filha de Gretchen — Foto: Reprodução
Giulia é modelo a agência Mega e mora sozinha na França. Giu, como é chamada, se mudou há cinco anos para Mônaco, junto com a mãe e a irmã mais nova, Valentina. Acabou ficando pela Europa, onde chegou a trabalhar como entregadora de comida em um restaurante. Ela é fruto do relacionamento de Gretchen com Juliano Cezimbra, ex-segurança de Ratinho. O casal ficou junto entre 2002 e 2003.
Giullia nasceu em Recife. Em diversas entrevistas, já disse que sua relação com a mãe é ótima e que tem profunda admiração pelo trabalho de Gretchen.
O Globo sexta, 10 de junho de 2022
BRASILEIRÃO: AS ÚLTIMAS HORAS DE PAULO SOUSA NO FLAMENGO FORAM CHOCANTES ATÉ PARA O FUTEBOL BRASILEIRO
Martín Fernandez: as últimas horas de Paulo Sousa no Flamengo foram chocantes até para o futebol brasileiro
Clube deu ao técnico a chave do departamento de futebol, um salário alto, um contrato longo. Ao mesmo tempo, faz dele a peça mais descartável
10/06/2022 - 05:00
Paulo Sousa, técnico do Flamengo Foto: Divulgação
Talvez não devesse mais ser motivo de espanto, mas é impossível evitar a sensação quando o Flamengo fornece provas tão consistentes de que é administrado de maneira aleatória, fortuita. O clube que fatura R$ 1 bilhão por ano, que é parte importante da vida de dezenas de milhões de pessoas, demonstra semana após semana que toma decisões cruciais — como escolher quem comanda o time de futebol — com base em tentativa e erro.
O roteiro das últimas horas de Paulo Sousa como funcionário do clube foi chocante até para os padrões exóticos do futebol brasileiro.
Após a derrota por 1 a 0 para o Bragantino na quarta-feira, Paulo Sousa acordou demitido pela imprensa, que obviamente não inventou nada, e sim publicou qual era a intenção de quem manda no clube. No início da tarde, Dorival Júnior aceitou a proposta do Flamengo e interrompeu por decisão própria um trabalho no Ceará que durou 73 dias e 18 jogos — a categoria sempre colabora decisivamente para esse estado de coisas, mas esta é outra discussão.
Um pouco depois das 16h, enquanto o Mundo Flamengo já discutia quais mudanças o novo técnico fará no próximo jogo, Paulo Sousa orientou um último treino inútil para jogadores que já sabiam não estar mais sob suas ordens. Só no final da tarde o português e seus auxiliares foram comunicados da demissão pelos mesmos cartolas que seis meses atrás foram buscá-lo na Europa.
O pensamento mágico de reviver 2019 levou a direção do Flamengo a assinar com Paulo Sousa um contrato de dois anos. Não há trabalho em curso na elite do futebol brasileiro que seja tão longevo — Maurício Barbieri está há 21 meses no Red Bull Bragantino, num contexto sem par no Brasil, e Abel Ferreira só dura 19 meses no Palmeiras porque ganhou duas vezes a Copa Libertadores. Mais importante do que isso: ninguém aguentou tanto tempo assim no Flamengo neste século, o que inclui todos os profissionais contratados por esta gestão.
O Flamengo elevou a outro patamar uma prática do futebol brasileiro: dar ao técnico a chave do departamento de futebol, um salário alto, um contrato longo, o poder de indicar reforços, dispensar jogadores e trabalhar apenas com sua própria comissão técnica. Ao mesmo tempo, faz dele a peça mais descartável, a primeira ser trocada em caso de turbulência, a um custo invariavelmente alto. O erro na origem cobra seu preço depois na forma de uma multa rescisória milionária a quem está indo embora e na urgência de contratar um sucessor no improviso, no desespero.
Os erros de Paulo Sousa foram muitos e foram públicos — o que alimentou uma perversa campanha para derrubá-lo do cargo. A questão aqui é como o clube se deixou levar a uma posição tão vulnerável a ponto de não ter nem funcionários próprios aptos a substituí-lo até a chegada do novo treinador. Qual era o plano, afinal? Havia algum?
A troca de Paulo Sousa por Dorival Júnior pode perfeitamente resultar em troféus no fim do ano, afinal a equação é composta por um bom profissional, um elenco qualificado e uma torcida capaz de carregar times nas costas. Mas, ainda que dê certo, também será um pouco fruto do acaso. Tal qual 2019, aliás.
O Globo quinta, 09 de junho de 2022
MÚSICA: HIROMI UEHARA VEM AO RIO PARA MOSTRAR SEU PIANO MUITO ALÉM DO PRETO E BRANCO
Hiromi Uehara vem ao Rio para mostrar seu piano muito além do preto e branco
‘Tocar é como pintar: quanto mais cores, mais formas de se expressar você tem’, diz japonesa, que mostra no rio disco em que vai de Beatles e The Who a George Gershwin e John Coltrane
Por Silvio Essinger
08/06/2022 04h31 Atualizado há um dia
A pianista japonesa Hiromi Uehara — Foto: Muga Miyahara/Divulgação
Aos 43 anos, Hiromi Uehara, prodígio japonês do piano, pode dizer que sua evolução está bem documentada. Aos 6, ela se recorda de ter começado a aprender piano com uma professora que tocava música clássica, jazz e pop. Aos 8, já estava obcecada pelo jazz, estilo no qual, diferentemente do clássico, os músicos podiam ir além da partitura e improvisar.
Aos 24, ela misturou tudo o que tinha ouvido e tocado até então em seu álbum de estreia, “Another mind”. Seis anos depois, à beira dos 30, Hiromi lançou “Place to be”, disco de piano solo em que pretendia registrar o momento do seu estilo. Gostou tanto da experiência que, uma década depois, gravou outro disco nesse mesmo formato, “Spectrum”.
— Cada vez que eu toco, nunca é a mesma coisa. É como fazer uma viagem junto com a música — diz por e-mail a pianista, que se apresenta quinta-feira, só com o seu instrumento, no Theatro Municipal, abrindo no Rio a 13ª edição da série Jazz All Night, da Dellarte.
É a segunda vez que Hiromi toca solo na cidade. Em 2016, ela viria com seu trio (formado por dois veteranos do jazz, pop e rock, o baixista Anthony Jackson e o baterista Simon Phillips), mas por alegados problemas de saúde, ela acabou sozinha no palco.
Agora, a japonesa se apresenta sem acompanhamento por vontade própria: ela quer mostrar “Spectrum”, sua travessia solitária por um vasto conjunto estilístico (e cromático) que inclui composições próprias como “Kaleidoiscope”, “Whiteout” e “Yellow Wurlitzer blues”, um “Blackbird” (Beatles) e um “Rhapsody in various shades of blue”, que vem a ser um azulado medley de “Rhapsody in blue” (George Gershwin), “Blue train” (John Coltrane) e “Behind blue eyes” (The Who).
— Sinto que, quanto mais você toca seu instrumento, mais cores você tem à sua disposição. Tocar música é como pintar: quanto mais cores, mais formas de se expressar você tem. Acho que hoje tenho mais cores na minha paleta do que há dez anos, por exemplo. Também é interessante que tantas cores diferentes de som saiam do piano, que só tem teclas pretas e brancas! — observa a artista, que diz esperar um som “mais rico e mais amplo” do que quando tocou no Rio em 2016.
Como muitos músicos, Hiromi sentiu muito a falta das plateias no isolamento durante a pandemia de Covid-19. Voltar aos palcos a fez sentir “em casa, muito viva”, o que não significa que ela tenha ficado parada durante esse tempo: ela compôs a “Silver Lining Suite”, uma peça em quatro movimentos, para piano e cordas, que gravou de forma remota, em 2021, com os violinistas Tatsuo Nishi e Sohei Birmann, o violoncelista Waturu Mukai e a violista Meguna Naka.
— Compus a música como uma forma de registrar a minha jornada emocional durante a pandemia. Foi muito difícil não poder me apresentar ao vivo para o público, já que vivo para isso. Mas ainda assim tive que permanecer forte e continuar compondo e sonhando que algum dia tocaria essas peças diante das plateias novamente — conta a pianista, que hoje em dia vem alternando suas apresentações entre o solo de “Spectrum” e os concertos em quinteto da “Silver Lining Suite”.
Colaborar com grandes músicos (alguns, gigantes do jazz, como o pianista Chick Corea e o baixista Stanley Clarke) é algo que Hiromi sempre apreciou. Em 2017, ela lançou um álbum ao vivo com o harpista colombiano e o jazzista Edmar Castañeda, a quem só tem elogios:
— Eu amo tanto a energia dele no palco, temos uma ótima química juntos, é simplesmente lindo poder compartilhar isso — diz a artista, que guarda boas lembranças do Rio. — Aproveitei muito o meu passeio à praia! Torço para poder fazer isso de novo.
O Globo quarta, 08 de junho de 2022
NUTRIÇÃO: POR QUE DEVO CONSUMIR FIBRAS?
Por que devo consumir fibras?
Por Marcio Atalla
08/06/2022 • 04:30
A medicina já vem estudando e comprovando a importância da microbiota intestinal para a prevenção de doenças degenerativas e para a manutenção da saúde de forma geral.
As fibras são substâncias encontradas em alimentos de origem vegetal e que não são absorvidas pelo organismo durante a digestão. Seus benefícios vão além do bom funcionamento do intestino, passando pelo controle da glicemia e do colesterol, até aumentar a saciedade e diminuir a fome.
Porem, além disso tudo, recentemente, pesquisadores do Japão descobriram que as fibras solúveis são capazes de estimular o fortalecimento das boas bactérias no intestino, ajudando a reduzir o risco do surgimento de enfermidades, como a demência.
O estudo foi feito com mais de 3.500 adultos e publicado na revista científica Nutritional Neuroscience, e mostrou que os adultos que consumiam mais fibras, particularmente as fibras solúveis, eram menos propensos a desenvolver demência, comprovando que existe uma interação entre intestino e cérebro.
O estudo aponta que, embora o risco de desenvolver demência, incluindo a doença de Alzheimer, possa ser influenciado pela genética, a alimentação pode ter um importante papel de prevenção. Vale lembrar que o Alzheimer atinge quase 35 milhões de pessoas no mundo. Projeções indicam que uma em cada 85 pessoas serão afetadas pela doença em 2050.
O Japão tem grande histórico de pesquisas sobre os hábitos alimentares de sua população. E segundo alguns desses estudos, um dos maiores fatores de risco genético para a demência se encontra no gene da apolipoproteína E (APOE), que atua no metabolismo dos lipídeos, levando o colesterol pelas células. As fibras conseguiriam reduzir este risco, justamente por serem capazes de “varrer” o excesso de colesterol, reduzindo sua absorção pelo nosso organismo. Esse é o papel das fibras solúveis.
Esse tipo de fibra, é assim chamado porque literalmente se dissolve na água e se transforma em uma espécie de gel, que além de “ir pegando” pelo caminho o excesso de colesterol, também vai trazendo glicose, e ajudando a manter os níveis de açúcar no sangue. Entre outras funções, a fibra solúvel também mantém os níveis de minerais adequados e aumenta o tempo de absorção dos nutrientes no intestino delgado, o que auxilia na maior produção de bactérias boas e no aumento do volume fecal, e por consequência, na eliminação dos resíduos e excessos. Todo esse processo também ajuda a manter a saciedade por mais tempo, já que o esvaziamento gástrico se faz de forma mais demorada. Esse tipo de fibra pode ser encontrada em alimentos como verduras, legumes, frutas e frutos, e alimentos que contem aveia, centeio e cevada.
Outro tipo de fibra que existe é a insolúvel, ou seja, que não dissolve na água. Por isso, elas passam mais rapidamente pelo intestino. É como se ela fosse correndo enquanto as solúveis fossem andando, e na correria, ela leva o bolo fecal mais rápido, ajudando-o a atravessar o longo caminho pelo intestino de forma bem mais eficiente, evitando a prisão de ventre e o câncer de cólon, por exemplo. Essas fibras podem ser encontradas no farelo de trigo, arroz integral, feijão e cereais matinais integrais, e também em algumas frutas como pera, ameixa com casca, laranja e tangerina.
De volta ao estudo japonês, a associação de fibras e demência ainda traz pontos a serem elucidados, mas uma grande possibilidade pode estar na explicação de que a fibra solúvel, através da regulação da composição das bactérias intestinais possa afetar, de forma positiva, a neuroinflamação, que desempenha um papel no início da demência.
Assim como tudo na vida, o equilíbrio é fundamental, e apesar de serem ótimas, as fibras também não devem ser consumidas em excesso. Recomenda-se 14 gramas de fibras a cada 1.000 calorias consumidas por dia. Infelizmente, ainda estamos longe de sofrer por excesso desse consumo, mas sim, pela falta.
O Globo terça, 07 de junho de 2022
PANDEMIA: COVID-19 - AS CINCO LIÇÕES QUE APRENDEMOS (OU DEVERÍAMOS TER APRENDIDO) PAR A EVITAR NOVAS ONDAS E DOENÇAS
Covid-19: as 5 lições que aprendemos (ou deveríamos ter aprendido) com a pandemia para evitar novas ondas e doenças
Especialistas apontam hábitos e medidas adotados nos últimos dois anos que devem ser mantidos para frear infecções – e eles não são tão radicais
Por Bernardo Yoneshigue
07/06/2022 04h30 Atualizado há 3 horas
Imunização contra a Covid-19 de crianças e com dose de reforço nos adultos segue aquém do esperado. — Foto: Eliane Neves/Fotoarena/Agência O Globo
Desde março de 2020, uma série de mudanças – como uso de máscaras, ventilação dos ambientes, obrigatoriedade de testes, medidas restritivas, entre muitos outros hábitos – foram incorporadas no cotidiano de milhões de brasileiros. Mais de dois anos depois, com o avanço da vacinação e uma consequente menor gravidade da Covid-19, a situação epidemiológica da pandemia melhorou e diversas práticas ficaram pelo caminho. Porém, o recente aumento de casos, com testes positivos em farmácias do país disparando 326% no último mês, acende um alerta.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam alguns costumes que se tornaram – ou ao menos deveriam se tornar – aprendizados permanentes para evitar novas ondas da doença e avanços de outros patógenos. Para além do mais importante entre eles no momento (manter o calendário vacinal em dia), há uma série de medidas que minimizam os riscos de infecção e a severidade de uma nova onda.
— A pandemia trouxe hábitos que deveríamos manter, como lavar as mãos, usar máscaras em locais de risco, preferir espaços abertos aos fechados, isolar-se em caso de sintomas para não transmitir a doença e, claro, se vacinar. No geral, o que já deveríamos ter aprendido é que endemias e pandemias são problemas coletivos e não individuais e, portanto, requerem ações de todos — explica o doutor em saúde coletiva Fernando Hellmann, professor no departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
As lições que a pandemia trouxe servem não apenas para conter o avanço da Covid-19, como também o de outros agentes infecciosos. É o caso da disseminação da varíola dos macacos pelo mundo, um vírus que até então era restrito a áreas endêmicas de onze países africanos, mas passou no último mês a provocar centenas de diagnósticos em nações de todos os continentes do planeta – com sete suspeitas no Brasil.
Confira abaixo cinco pontos listados por profissionais da epidemiologia, infectologia e saúde pública para frear a transmissão das doenças transmissíveis no país.
1 - Calendário vacinal em dia
Hoje é unânime entre os especialistas que o mais importante é manter o calendário vacinal atualizado. Isso porque as novas subvariantes da Ômicron – como a BA.2, que é prevalente no Brasil; a BA.4 e BA.5, que levaram ao aumento de casos na África do Sul, e a BA.2.12.1, por trás da nova onda nos Estados Unidos – têm um potencial maior de reinfecção.
Por isso, essas sublinhagens, junto à queda da proteção induzida pela vacina com o passar dos meses, têm motivado o crescimento dos testes positivos, mesmo entre imunizados. Ainda assim, os especialistas ressaltam que, quando contemplada com todas as doses indicadas da vacina, a pessoa tem um risco muito menor de desenvolver formas graves da doença.
No entanto, a proteção só é garantida com o esquema completo, ou seja, duas doses para crianças de 5 a 11 anos; três doses para aqueles com mais de 12 anos e quatro para os acima de 50. No caso dos imunossuprimidos, há ainda a indicação de uma dose adicional além dessas.
— É algo que aprendemos: a necessidade da vacinação em massa. Para isso, devemos trabalhar mais na educação, para ampliar a adesão dos faltosos às vacinas. Assim poderemos não só nos proteger, como também aqueles que por algum motivo de saúde não possam ser vacinados — afirma Hellmann.
Apesar da série de mudanças nas recomendações dos estados e municípios sobre o uso de máscaras, os especialistas concordam em relação a determinados espaços e situações em que elas ainda não deveriam ser completamente liberadas. É o caso de ambientes com aglomerações, locais fechados e, principalmente, de pessoas com sintomas respiratórios.
A doutora em Epidemiologia das Doenças Transmissíveis pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Andrea Von Zuben, professora do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da universidade, reforça que muitas pessoas dispensam o item por acreditar que os sintomas são de gripe ou resfriado.
No entanto, ela explica que, com a vacinação, os sinais da Covid-19 são mais leves que aqueles relatados em 2020 e, mesmo no caso de outras doenças respiratórias, é importante usar a máscara pois elas também são transmitidas por vias aéreas.
— Quando a gente pensa em doenças respiratórias, a gente não pode mais abrir mão das máscaras, especialmente em ambientes muito aglomerados. Isso para que não aconteça de pessoas andando nas ruas com manifestação desses sintomas contaminando as outras sem saber— diz Andrea.
3 - Testagem em caso de contato com infectado ou sintomas
A confusão com outras infecções respiratórias pode levar não apenas os contaminados a deixarem de usar a máscara, como também a não realizar o período de isolamento social orientado pelas autoridades de saúde.
Por isso, o doutor em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela USP e professor de infectologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Kleber Luz, que também é consultor internacional da Organização PanAmericana da Saúde (OPAS) para arboviroses, destaca a importância de se realizar o teste no caso de sintomas ou de contato com uma pessoa infectada.
— Durante a epidemia do H1N1, por exemplo, era outro cenário, a disponibilidade dos testes era escassa. Mas com a Covid-19, todo mundo pode se testar independentemente da gravidade do caso. Isso leva a um diagnóstico rápido, então você consegue isolar o caso com mais facilidade e evitar que ele transmita para outras pessoas — explica o professor da UFRN.
Um fator importante para evitar a disseminação do vírus é uma forte vigilância em áreas de fronteiras, como aviões e aeroportos, destaca Andrea Von Zuben. Por isso, na recente atualização das regras vigentes, a Anvisa decidiu pela manutenção da obrigatoriedade do uso de máscaras nesses locais. Além disso, a depender do local de destino da viagem, ainda é requerido o resultado de um teste negativo antes de embarcar.
A epidemiologista ressalta que isso é necessário pois muitas doenças, como a Covid-19 e a varíola dos macacos, estão se espalhando pelo mundo de forma cada vez mais rápida.
— Então o Brasil tem que ter uma vigilância de portos, aeroportos e fronteiras muito melhor do que ela é hoje. Nesse mundo globalizado, o coronavírus que foi identificado pela primeira vez na China chegou muito rapidamente aos outros países. A gente tem ainda uma deficiência nesse setor e, em viagens, muitas vezes pessoas de países onde algumas doenças não são endêmicas vão a outros lugares, acabam se contaminando e levam a doença — explica Andrea.
O cenário de alta circulação do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, também propicia que o vírus passe por uma série de mutações que o tornem mais transmissível ou aumentem o potencial para escapar dos anticorpos de infecções anteriores ou da vacina.
Por isso, é importante saber qual é a cepa predominante no momento, identificar de forma rápida se uma outra variante que está provocando aumento de casos em outros países chegou ao Brasil e também qual é o comportamento dessas novas versões do vírus em relação à gravidade da doença e à disseminação.
Porém, a epidemiologista da Unicamp explica que isso só é possível com estruturas de vigilância genômica capacitadas, que conseguem realizar o sequenciamento do agente infeccioso e classificá-lo – um aparato que é carente no Brasil. Ainda que instituições como o Instituto Butantan e a Fiocruz sejam consideradas de excelência, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens), lugares de referência para o sequenciamento, não têm a estrutura e a equipe adequada, pontua Andrea.
— A gente tem hoje um monitoramento genômico em relação à Covid-19 e as suas variantes aquém do suficiente. E essa é uma estratégia que não pode deixar de existir porque se na introdução de um novo patógeno você tem um monitoramento precoce, você consegue fazer prevenção e controle. Mas se a gente não tiver essa capacidade de detecção, quando identificamos acaba sendo tarde demais — afirma a professora da Unicamp.
O Globo segunda, 06 de junho de 2022
BRASILEIRÃO - DERROTADO PELO LANTERNA FORTALEZA NO MARACANÃ, FLAMENGO SEM EVOLUÇÃO E PERSPECTIVA POSITIVA
Análise: Flamengo termina sequência de jogos no Maracanã sem evolução e perspectiva positiva
Derrota para o Fortaleza marca o fim de uma série na qual esperava-se avanço na consolidação da forma de atuar da equipe
Por Rafael Oliveira — Rio de Janeiro
05/06/2022 19h39 Atualizado há 10 horas
Thiago Maia e Rodrigo Caio atônitos com a derrota do Flamengo para o Fortaleza, no Maracanã — Foto: Marcelo Theobald
Há cerca de 20 dias, quando o Flamengo empatou com o Ceará e Paulo Sousa sofria forte pressão, havia uma expectativa interna de que a sequência de cinco jogos no Maracanã (sem desgaste com viagens e sem o excesso de desfalques que vinha tendo) ajudaria a equipe a buscar a tão cobrada evolução. Passado este período, o saldo não parece ser positivo. O time obteve uma sequência de quatro vitórias sem atuações consistentes, e, após a derrota (2 a 1) para o Fortaleza, prevaleceu a impressão de que não houve avanços.
O resultado não agradou a torcida. Mas, não fossem os erros individuais e coletivos tão corriqueiros, o placar poderia ser interpretado como um ponto fora da curva. Ainda mais por se tratar do Fortaleza, adversário cuja qualidade é reconhecida por todos, apesar da má colocação na tabela do Brasileiro.
O jogo deste domingo apresentou um conjunto dos principais problemas do Flamengo com Paulo Sousa. Ironicamente, o primeiro com a semana inteira para recuperação e treinos. Até agora, o time não parece ter assimilado uma estratégia de jogo e aposta mais na qualidade individual dos jogadores. Como consequência, em diversos momentos comete pecados como o de não ter amplitude, o que o deixa sem opção de virada no terço final do campo, e, principalmente, de falhar na transição defensiva, tornando-se presa fácil para ligações diretas.
As falhas individuais, como Paulo Sousa gosta de destacar em suas coletivas, também são um problema frequente. E acabam sabotando o time como um todo. Neste domingo, Willian Arão abusou dos passes errados. Como o que parou nos pés de Matheus Jussa e terminou no gol de Robson, aos 27 do primeiro tempo. João Gomes também não foi bem neste quesito. E o Flamengo passou todo o primeiro tempo sem saída de bola. Pedro e Bruno Henrique ficaram isolados na frente.
Na defesa, Pablo teve uma tarde irreconhecível. Errou passes, tempo de bola e posicionamento. Não por acaso, ele e os dois volantes foram sacados já no intervalo.
Mas os erros não foram exclusividades do trio. Ayrton Lucas foi uma avenida pela esquerda. E Matheuzinho, embora não tenha comprometido no mesmo nível, nem sempre conseguiu acompanhar as investidas do Fortaleza pelo seu lado.
O time só não desceu para o intervalo atrás no placar porque o adversário teve dificuldade para concluir e porque Éverton Ribeiro, o mais lúcido da equipe rubro-negra, empatou no último lance do primeiro tempo.
O Flamengo do segundo tempo conseguiu errar um pouco menos e levar mais perigo na frente. As entradas de Vitinho e Thiago Maia deram ao meio de campo mais conexão entre os jogadores e levaram a equipe a empurrar o Fortaleza. Mas, tirando o pênalti desperdiçado por Pedro logo no começo, o gol nunca pareceu estar próximo.
A melhora ofensiva não foi acompanhada de mais solidez atrás. Hugo Sousa chegou a fazer duas defesas difíceis antes de sofrer o segundo gol, de Hércules, já nos acréscimos. No lance, havia seis jogadores do Flamengo dentro da área. Mas todos voltados apenas para a tentativa de ataque pela esquerda. Sozinho no centro, o volante teve toda liberdade para aproveitar o rebote. Mais do que a frustração pela derrota, o jogo terminou marcado pela falta de perspectiva para o futuro.
O Globo domingo, 05 de junho de 2022
SELEÇÃO BRASILEIRA: COMO TRINTÕES DA GERAÇÃO 92 E JOVENS FUNCIONAM NO BRASIL RUMO À COPA
Seleção: Como trintões da geração 92 e jovens funcionam no Brasil rumo à Copa
Medalhões a caminho do Catar dão e recebem suporte de menos experientes na seleção
Por Bruno Marinho — Rio de Janeiro
05/06/2022 02h00 Atualizado há 8 horas
Vini Jr. é recebido por Neymar: eles são os principais nomes de gerações diferentes que se uniram na seleção brasileira — Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Tem sido recorrente, nas falas de Tite, a referência ao surgimento de uma nova geração de jogadores com "perninhas rápidas". O treinador remete ao estilo de jogo veloz de Rodrygo, Antony, Raphinha e, acima de tudo, Vini Jr. Uma ascensão que acontece gradualmente, sem maiores atropelos, apenas porque outra leva, de pernas não tão rápidas assim, se aproxima da Copa do Catar na tentativa do hexa. São os trintões que formam boa parte da espinha dorsal da seleção brasileira.
O Brasil provavelmente enfrentará o Japão segunda-feira, em Tóquio, com quatro deles em campo. Alisson no gol, Casemiro e Fred na contenção, Neymar na criação das jogadas. No geral, contando com Danilo, lateral-direito que foi cortado dos amistosos devido à lesão, são nove jogadores que compõem o grupo de Tite com 30 anos ou próximos disso: Alisson, Alex Telles, Casemiro, Philippe Coutinho e Neymar (nascidos em 1992), Danilo e Alex Sandro (em 1991) e Fabinho e Fred (em 1993).
São jogadores no auge das carreiras: com longa experiência no futebol europeu, alguns deles multicampeões por clubes, já experimentados na seleção brasileira. Seis deles estiveram na Copa da Rússia — Alisson, Danilo, Casemiro, Fred, Coutinho e Neymar.
A caminho do Mundial do Catar, os trintões proporcionam aos mais jovens a passagem de bastão que nem sempre existiu da melhor forma na seleção. Neymar é o caso mais emblemático disso, talvez na história da amarelinha. Ao ser lançado como referência ainda aos 18 anos em 2010, sem o respaldo de jogadores que deixaram de frequentar o grupo antes do imaginado, casos de Ronaldinho, Kaká, Robinho e Adriano.
Casemiro líder
A despeito do peso inquestionável dos veteraníssimos Daniel Alves e Thiago Silva, emerge como referência desse grupo o volante Casemiro. O simples fato de ter sido ele o escolhido para falar sobre o pequeno atrito ocorrido entre o grupo da seleção e o então presidente da CBF, Rogério Caboclo, no caso da realização da Copa América do ano passado, sinaliza o tamanho do jogador dentro do vestiário.
O volante do Real Madrid acaba exercendo o papel, tanto no clube espanhol, quanto na seleção brasileira, de alguém que tenta controlar as expectativas criadas em torno de Rodrygo e, principalmente, Vini Jr, ambos de apenas 21 anos.
Tecnicamente falando, quem oferece a maior guarida para esses jogadores é Neymar. Rumo à sua terceira Copa do Mundo, talvez a última, se continuar com a ideia de se aposentar da seleção depois do Mundial, o camisa 10, ao entrar em campo, é quem canaliza as maiores responsabilidades em termos de atuação.
Além disso, em termos táticos, Neymar tem migrado para a criação das jogadas do Brasil. Acaba atuando mais em função dos mais jovens do que o contrário, quando a seleção tem a bola. Na goleada sobre a Coreia do Sul, Neymar ocupou muito a faixa intermediária ofensiva e encontrou bons passes em diagonal para os jogadores que avançavam pelas pontas. No ocasião, Lucas Paquetá e Raphinha.
Pelo treino de sábado, o penúltimo antes do jogo contra os japoneses, quem será muito acionado pelo camisa 10 é Vini Jr. Ele participou da atividade entre os titulares, entrando no lugar de Richarlison. Com isso, Lucas Paquetá deixou o lado esquerdo do ataque e foi deslocado para o meio. Terá a incumbência de revezar com Neymar quem entrará mais na grande área.
— Por mais que seja pouco tempo de trabalho que a gente tenha juntos, cada um conhece bem o outro dentro das suas características. O Ney consegue entender meu estilo, o estilo do Vini, o Paquetá entende o do Ney e assim por diante — explicou o atacante Raphinha.
O grande desafio dos trintões será se manterem bem fisicamente para a competição no Oriente Médio. Neymar, por exemplo, vive às voltas com problemas de lesão. Ontem, postou nas redes sociais imagens de hematomas no pé direito. Ainda assim, isso não deve ser problema a ponto de tirá-lo do jogo contra o Japão.
Além de Vini Jr, outra provável mudança na seleção em relação aos titulares contra a Coreia do Sul será a entrada de Guilherme Arana no lugar de Alex Sandro na lateral esquerda. Eder Militão participou de parte do treino no lugar de Thiago Silva, ao lado de Marquinhos na defesa.
O Globo sábado, 04 de junho de 2022
ENOLOGIA: VINHOS DE PORTUGAL - PRIMEIRO DIA DO EVENTO É MARCADO POR REENCONTROS, BRINDES E *CALOR HUMANO*
Vinhos de Portugal: primeiro dia do evento é marcado por reencontros, brindes e 'calor humano'
Programação segue neste sábado (4) e domingo (5), no Jockey Club da Gávea, com provas, bate-papos e shows
Por O Globo — Rio de Janeiro
04/06/2022 04h30 Atualizado há 4 horas
Ligia Santos, da Caminhos Cruzados, no Salão de Degustação do Vinhos de Portugal 2022 — Foto: Rebecca Alves
O primeiro dia da nona edição do Vinhos de Portugal foi marcado pelos reencontros. Foram muitos os abraços, os sorrisos trocados, as fotos tiradas e os brindes na sexta-feira (3) no Jockey Club, na Gávea. O evento realizado pelos jornais O Globo, Público e Valor Econômico em parceria com a ViniPortugal continua neste sábado (4) e domingo (5).
Luis Pato, um dos produtores mais conhecidos dos brasileiros, perdeu a conta dos pedidos de selfies que recebeu durante as primeiras horas do evento.
— Estou reencontrando pessoas que não via há dois anos. Esses últimos anos on-line foram ótimos, mas nada como o calor humano —contou ele, que trouxe um espumante sem sulfito para apresentar. — É o primeiro de Portugal assim. Quero integrar também essa nova onda de vinhos mais naturais. Será meu rótulo pensando nesse futuro. Sou formado em Engenharia Química, então cuidei de todos os processos. — disse.
No concorrido Salão de Degustação, cariocas experimentaram as novidades apresentadas pelos 81 produtores participantes. No total, eles trouxeram mais de 600 rótulos para apresentar por aqui. Na Caminhos Cruzados, de Ligia Santos, uma fila de pessoas estava ávida pelas novidades, incluindo dois rótulos inéditos. Ela contou que a vinda ao Rio foi sua primeira viagem depois do período crítico da pandemia.
— Considero o Vinhos de Portugal o evento mais organizado do ramo. É sempre um prazer estar aqui. Estou muito feliz de voltar ao Rio e ao Jockey. Já encontrei clientes que conheci em edições anteriores, está muito legal — disse ela.
Para hoje, ainda há ingressos para a prova especial “O melhor terroir de Portugal”, às 12h, comandada pelo Master of Wine brasileiro Dirceu Vianna Júnior. Em seguida, às 15h, o crítico Jorge Lucki apresenta a prova “Moscatel: o néctar de Setúbal”. Os ingressos estão disponíveis no site oficial do evento: vinhosdeportugal2022.com.br
O produtor Luís Pato, da Bairrada, no Jockey Club, para o Vinhos de Portugal 2022 — Foto: Rebecca Alves
Já os talk shows — que acontecem na área comum e reúnem críticos, produtores e personalidades em encontros descontraídos, gratuitos e com duração de 30 minutos — hoje começam às 13h, com o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai, e seguem com a sommelière Elaine Oliveira, o restaurateur Chico Mascarenhas, do Guimas, a jornalista e crítica de gastronomia Luciana Fróes e a jornalista portuguesa Isabel Lucas, que estará em mesa sobre as trocas culturais entre Brasil e Portugal. As senhas serão distribuídas meia hora antes.
— Estava ansioso para o retorno do evento. Adoro esses encontros em formato descontraído, sempre muito bem pensados, com uma combinação ótima de pessoas e ainda degustação de ótimos rótulos. Não perco — elogiou o aposentado Augusto Abreu.
A nona edição dos Vinhos de Portugal é uma realização de Público, O Globo e Valor Econômico em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, apoio das Comissões Vitivinícolas do Alentejo, Dão, Península de Setúbal e Lisboa, do Festival EA Live, Mozak e Simcauto Veículos, apoio institucional da Coordenação do Bicentenário Independência Brasil – Ministério dos Negócios Estrangeiros – Portugal, local oficial Jockey Club (RJ), local oficial Shopping Cidade Jardim (SP), loja oficial House of Wine (RJ), rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.
Confira a agenda deste sábado (4) no Vinhos de Portugal
Salão de Degustação Sessões às 11h, 14h, 16h30 e 19h
Sala de Provas 12h O melhor terroir de Portugal (com Dirceu Vianna Júnior) 13h30 Os muitos Alentejos (com Cecilia Aldaz) 15h Moscatel: o néctar de Setúbal (com Jorge Lucki) 16h30 Vinhos raros e seus mistérios (com Dirceu Vianna Júnior) 18h Susana Esteban, uma história singular (com Jorge Lucki) 19h30 O Dão e a gastronomia brasileira: um casamento perfeito (com Alexandra Prado Coelho e Manuel Carvalho)
Talk shows 13h Alentejo (com Jorge Lucki, Rafa Costa e Silva, Susana Esteban e Mouchão) 14h Dão (com Manuel Carvalho, Elaine de Oliveira, Magnum e Boas Quintas) 15h Douro (com Manuel Carvalho, Chico Mascarenhas, Niepoort e Taylor’s) 16h Lisboa (com Cecilia Aldaz, Luciana Fróes, Parras Wines e Quinta de Chocapalha) 17h30 Setúbal (com Alexandra Prado Coelho, Elaine de Oliveira, Adega Cooperativa de Palmela e Casa Ermelinda Freitas) 18h30 Douro (com Gabi Bigarelli, Luciana Fróes, Ramos Pinto e Lima & Smith) 19h30 200 anos: o vai e vem entre Portugal e Brasil (com Simone Duarte, Isabel Lucas, Casal Branco e Aveleda)
Festival EA Live 20h30 Tiago Nacarato e Fran
Onde Jockey Club – tribunas B e C Praça Santos Dumont, 31 – Gávea
O Globo sexta, 03 de junho de 2022
CINEMA: TRILOGIA *JURASSIC WORLD" CHEGA DO FIM MISTURANDO AVENTURA E DEFESA DE PRESERVAÇÃO
Trilogia 'Jurassic world' chega ao fim misturando aventura e defesa da preservação
Novo filme traz de volta personagens do primeiro longa dirigido por Steven Spielberg em 1993
Por Eduardo Graça — São Paulo
03/06/2022 04h31 Atualizado há 5 horas
'Jurassic World: Dominio', último filme da segunda trilogia baseada no filme original de Steven Spielberg — Foto: Divulgação
Quem for aos cinemas para ver “Jurassic World: Domínio”, em cartaz desde ontem, encontrará dois filmes em um. Episódio derradeiro da segunda trilogia da franquia idealizada pelo diretor Colin Trevorrow, ele tem duas facetas. Uma é o thriller de aventura, com o casal Chris Pratt (Owen) e Bryce Dallas Howard (Claire) decidido a proteger a menina Maisie Lockwood, que carrega em si o desfecho da história. A outra tem pegada científica e reúne, pela primeira vez desde o celebrado original de Steven Spielberg, de 1993, o trio Laura Dern (a botânica Ellie Sattler, agora, não por acaso, especializada em mudanças climáticas), Sam Neill (o paleontologista Alan Grant) e Jeff Goldblum (o matemático Iam Malcolm). E quando as narrativas finalmente se juntam escancara-se a pauta da vez: a necessidade de se conviver com o diferente para preservar o planeta.
— Este filme tem um teor de horror apocalíptico, o que, creio, nos dá mais relevância. Tratamos da ganância das grandes corporações, da importância da ética na ciência e da preservação de todas as espécies. Namoramos descaradamente com o épico — diz Pratt.
“Domínio” começa quatro anos após a destruição da Ilha Nublar, no segundo tomo da trilogia atual, e logo descobre-se que alguns dinossauros foram resgatados. Uns estão em uma reserva natural, mas muitos outros estão sassaricando nos quatro cantos do planeta, impulsionando um mercado negro de abate e venda dos seres jurássicos cujo centro é Malta. Uma das sequências de ação mais impressionantes se dá na ilha mediterrânica, é a favorita de Trevorrow e quase transforma Owen e Claire em dois Jason Bourne.
A confusão com o retorno dos dinossauros ao planeta sem estarem confinados em local específico é tamanha que tem a capacidade de alterar sensivelmente a rede de distribuição de alimentos em escala global e causar a extinção dos seres humanos. E a solução pode vir da manipulação genética das duas espécies.
É onde entra a BioSyn, gigante farmacêutica com tiques de Vale do Silício, comandada pelo mesmo Lewis Dodgson (personagem de Campbell Scott), que no original queria roubar embriões de dinossauros. E agora jurando que deseja apenas decifrar o código genético dos dinos para curar doenças nos homens.
Reflexão
A entrada da velha guarda científica escancara que este é um filme de “mensagens” e “para toda a família”, sem medo de didatismos e simplificações ao mergulhar na dicotomia humanismo versus desenvolvimento tecnológico. A sequência final poderia ter surgido de um programa de tevê especializado no tema ou de material de campanha de algum partido ecológico.
Quando trouxe de volta Dern, Goldblum e Neill, Trevorrow não apostou apenas na nostalgia fácil. Às vésperas de celebrar 30 anos, “Jurassic Park”, de Spielberg, foi um rugido imenso e duradouro. O filme provou que já havia meios para se levar para o telão a sacada de Michael Crichton, autor do livro que deu origem à saga, e impressionar a audiência com dinossauros realistas dos mais variados tamanhos. Mesmo com o salto tecnológico desde então (em “Domínio”, todos os dinossauros interagem de fato com os atores, graças ao avanço da robótica, controlados remotamente), Trevorrow já disse que não ambiciona causar no público o mesmo abrir a boca de 1993. O que ele desejava para sua saída de cena era usar a história para refletir sobre como estamos tratando o planeta que já foi dos dinos e hoje parece ser nosso.
Chris Pratt em cena de 'Jurassic World: Dominio' — Foto: Divulgação
Se Spielberg nos levou para um passeio por um parque de diversões como nenhum outro, Trevorrow nos dá a mão em um mergulho num museu de História Natural onde olhamos para o passado com atenção, mas miramos o tempo todo em um futuro que parece sombrio.
A primeira pista para se entender a mais recente trilogia da franquia era dada no título do primeiro filme, de 2015 — saía Park, entrava World. A ideia central era a de levar os bichanos para o mundo. Uma nova era, Neojurássica, é proposta, e já havia sido sugerida no curta “Jurassic World: a batalha de Big Rock”, em que uma família acampando enfrenta dinossauros soltos tentando entender seu habitat. E a escolha de “Domínio” para o derradeiro filme oferece mais uma peça: tudo leva a crer que são os muito mais velhos que nos deixarão a (não mais) ver navios.
Em “Domínio”, as criaturas não são meros coadjuvantes. Além do T-Rex e dos Velociraptors (Blue está de volta, agora com sua filhotinha, Beta), se destacam o Giganotosauro (“o maior carnívoro que o planeta já viu”, frase, aliás, repetida à exaustão), no céu surge o Quetzalcoatlus, sem esquecer do Pyroraptor, com sua penugem singular.
No set de filmagens, interrompido por conta da pandemia, Goldblum lia George Bernard e fazia animados duetos musicais com Neill. Os atores passaram meses trancafiados num hotel em Londres (curiosamente, foi nas filmagens de “Domínio” que se criaram os protocolos para Hollywood trabalhar durante e após a Covid) e acabaram entrando numa maratona de ensaios incomuns para filmes de Hollywood.
— Foi tudo muito surreal. Quando Jurassic estreou eu tinha 13 anos. E não tinha a menor ideia que seria um ator. Imagina a minha cara quando estes três chegaram no set e não saíram mais? — diz Chris Pratt.
Para Laura Dern, o retorno de Ellie também serviu de reflexão sobre o original. E de como sua personagem foi pensada como uma cientista de primeiro calibre no mesmo patamar dos personagens de Goldblum e Neill, “algo que não acontecia amiúde nos anos 1990”.
Jeff Goldblum é um dos atores do primeiro 'Jurassic Park' que volta em 'Jurassic World: Dominio' — Foto: Divulgação
“Jurassic World: Domínio” é, para o bem e para o mal, um filme pensado para audiências mais novas, propositadamente simplista ao propor uma revisão ética nas decisões sobre o futuro do planeta e nossa saúde, e que parece resolver de vez a história iniciada em 2015, com destinos claros para todos os personagens.
Em uma franquia que já rendeu, só de bilheteria, mais de US$ 2 bilhões mundo afora, e com os dinossauros ainda presentes no inconsciente coletivo geral, não surpreenderá a ninguém um anúncio de que novas caras retornarão ao tema em um futuro não muito distante.
O Globo quinta, 02 de junho de 2022
RAINHA ELIZABETH II: REINO UNIDO CELEBRA SEU JUBILEU DE PLATINHA
Reino Unido celebra Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II; acompanhe
Quatro dias de eventos oficiais começam nesta quinta-feira em território britânico
Príncipes Charles e William, ao lado de princesa Anne, participam de parada militar no Jubileu de Platina (Foto: JONATHAN BRADY/AFP)
O nome oficial do desfile desta quinta é Trooping the Colour, uma parada militar que tem suas origens no século XVII e marca o aniversário da soberana do país. Elizabeth completou 96 anos em abril, mas os festejos tradicionalmente acontecem em junho, quando os termômetros já marcam temperaturas mais quentes.
Os soldados que participam da do evento formam um dos regimentos mais antigos do Exército Britânico, a Divisão Doméstica. Na prática, as cores são bandeiras que representam as diferentes divisões do Exército, usadas no passado em conflitos para que os soldados identifiquem seus batalhões.
Na cerimônia, o príncipe Charles foi saudado pelos soldados e, sem seguida, os inspecionou. Logo após, as “cores” foram exibidas, tal qual era feita no passado, e Charles, que representa sua mãe, guiou a parada até Buckingham para uma segunda saudação.
Há 15 minutos
Os três filhos do príncipe William e Catherine, a duquesa de Cambridge, os príncipes George (frente) e Louis e sua irmã, a princesa Charlotte (Foto: JONATHAN BRADY/AFP)
Família real participa de festejos
Os integrantes da família real já saíram do Palácio de Buckingham para a parada. A cavalo e com uniforme militar, o príncipe Charles, primeiro na fila de sucessão ao trono, inspeciona as tropas, uma parte tradicional do evento que marca o aniversário da rainha. Ele é acompanhado pelo príncipe William, segundo na linha sucessória, e a princesa Anne, ex-equestre olímpica. O trio acumula uma série títulos militares honorários.
O príncipe William, no canto esquerdo, ao lado de seu pai, o príncipe Charles, e sua tia, a princesa Anne, durante desfile de aniversário da rainha (Foto: BEN STANSALL/AFP)
Camilla, a duquesa da Cornualha, e Catherine, a duquesa de Cambridge, saíram de carruagem. Elas estavam acompanhada dos príncipes George e Louis e da princesa Charlotte, os três filhos de Catherine e William. As crianças, em particular, recebem aplausos efusivos de quem acompanha o evento ao vivo.
Vale lembrar que a rainha não participará do desfile militar, mas estará presente na aparição da família real na sacada de Buckingham.
Camilla, a duquesa da Cornualha, Catherine, a duquesa de Cambridge, e o príncipe George participam dos festejos do Jubileu (Foto: BEN STANSALL/AFP)
Há 1 hora
Líderes dão seus parabéns à rainha
Vários líderes internacionais e ex-primeiro-ministros britânicos parabenizam Elizabeth II nesta quinta-feira. Em uma mensagem por vídeo, o presidente Emmanuel Macron expressou em inglês seus “parabéns sinceros” à monarca, reconhecendo-a como um pilar das relações franco-britânicas no último século.
Também por vídeo, o ex-presidente americano Barack Obama afirmou que criou uma "relação especial" com a rainha durante seus anos na Casa Branca. De acordo com o democrata, "a sua vida tem sido um presente, não só para o Reino Unido, mas para o mundo.
O ex-premier britânico John Major (1990-1997), por sua vez, descreveu a rainha em uma entrevista de rádio como uma bastiã do “soft power” britânico, cuja força não depende de armas ou Exércitos. A monarca é chefe de Estado, mas seu papel é cerimonial, já que a função de chefe de governo cabe ao primeiro-ministro.
Há 1 hora
Integrantes da família real ainda não deixaram o Palácio de Buckingham, mas parada de guardas a cavalo já começou. Os chapéus dos guardas são supostamente feitos do pelo de ursos negros do Canadá e relativamente leves, pesando pouco mais de 2 quilos — menos que vários dos adereços usados no carnaval, por exemplo. Os chapéus, contudo, combinam menos com o clima londrino nesta quinta, que se aproxima dos 20ºC.
Quem estará com a Rainha na sacada do Palácio de Buckingham?
Carregadas de simbolismos, as aparições de membros da Família Real na sacada do Palácio de Buckingham, em Londres, são um marco da realeza britânica — tradição iniciada pela rainha Vitória em 1851. Para o Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II, a icônica sacada será mais uma vez o palco para um evento histórico na realeza. A monarca estará ao lado de mais 17 membros da Família Real para celebrar os 70 anos de reinado, dando continuidade a uma série de eventos comemorativos durante a semana. Saiba quem serão aqui.
Rainha Elizabeth ao lado do príncipe Philip na cerimônia dos 25 anos de reinado (Foto: Arquivo/Royal Collection)
Há 2 horas
Bom dia! O Reino Unido começa nesta quinta-feira as celebrações do Jubileu de Platina, que marca os 70 anos da rainha Elizabeth II à frente do trono britânico.
Os festejos começaram às 10h (6h em Brasília) com uma parada de guardas a cavalo, guardas irlandeses e mais de 1.200 oficiais e soldados da Divisão Doméstica. Os integrantes da família real deixarão o Palácio de Buckingham às 10h30, mas a rainha não deve participar pessoalmente do desfile, sendo representada oficialmente por seu primogênito, o príncipe Charles.
Assim que o desfile terminar e a procissão real retornar ao Palácio de Buckingham, está programada a aparição da Família Real na sacada, como em anos anteriores. Desta vez, a monarca se juntará a seus parentes.
Britânicos celebram nas ruas o Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II (Foto: BEN
O Globo quarta, 01 de junho de 2022
SAÚDE: DORMIR DE LADO, DE COSTAS, DE BRUÇOS?
Dormir de lado, de costas, de bruços? Como as posições podem prevenir doenças ou fazer mal para a saúde
A maneira como dormimos influencia até mesmo no funcionamento da área cerebral responsável pela limpeza de toxinas durante o sono
Por Evelin Azevedo
01/06/2022 04h30 Atualizado 01/06/2022
Dormir virado para o lado esquerdo também melhora a circulação sanguínea e a digestão. — Foto: Freepik.com
Um estudo feito por pesquisadores americanos das Universidades de Rochester, Stony Brook e Langone Medical Center de Nova York, demonstrou que a posição que costumamos dormir pode proteger o nosso cérebro de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla. Durante o sono, o nosso corpo faz uma verdadeira faxina no cérebro, eliminando toxinas e proteínas residuais que, quando acumuladas, iniciam um processo de neurodegeneração.
A limpeza é realizada pelo sistema glinfático — um canal que drena resíduos tóxicos do sistema nervoso central. Os pesquisadores observaram no estudo que a depuração glinfática é mais eficiente quando o sono ocorre na posição lateral (ou de lado), em comparação com as posições supinada (deitada de costas) ou pronada (deitada de bruços).
As razões para esta diferença no funcionamento do sistema glinfático durante o sono ainda não são totalmente compreendidas, relataram os cientistas. Mas os resultados estão possivelmente relacionados aos efeitos da gravidade no corpo, assim como a compressão e alongamento do tecido durante o sono.
O sono é dividido em duas fases: movimento rápido dos olhos (REM) e o sono não REM — que vai desde o adormecimento até o descanso mais profundo. Este último estágio inclui o sono de ondas lentas — quando o sistema linfático está mais ativo. As terapias do sono que melhoram esta fase são benéficas para prevenir doenças neurodegenerativas. A seguir, veja o impacto das pricipais posições no organismo.
Como dormir do jeito certo (e evitar o errado) — Foto: Editoria de Arte
Dormir de lado
Além de ajudar na limpeza de toxinas cerebrais, dormir de lado também alivia a pressão feita na coluna, deixando esta estrutura relaxada durante o sono. Mas, para isso, é preciso manter o pescoço alinhado. O travesseiro deve ter o tamanho ideal para que a cabeça fique reta, sem inclinar para cima nem para baixo. Especialistas recomendam também colocar um travesseiro fino entre as pernas para ajustar a posição da coluna.
Estudos mostram também que dormir do lado esquerdo pode ser ainda melhor para a saúde. Isso porque esta posição promove uma melhor circulação sanguínea para o corpo. Deitar no lado esquerdo facilita também a passagem dos alimentos pelo intestino, cenário que favorece a digestão.
Dormir de costas
Dormir de costas pode provocar dores na lombar por causa da pressão provocada pela gravidade sobre a região. Mas se você só consegue dormir desta maneira, especialistas recomendam colocar um rolo ou travesseiro mais fino entre as pernas na altura dos joelhos. Essa adaptação alivia a pressão na área da lombar, diminuindo os riscos de dores ao acordar.
Nessa posição também estimula o ronco e a apneia obstrutiva do sono. Deitar de costas provoca o deslocamento da língua e estruturas da faringe para trás, o que reduz o espaço livre para a passagem de ar pelas vias aéreas, causando o barulho irritante durante a noite e dificultando a respiração.
Dormir de bruços
Apesar de parecer uma posição confortável, dormir de bruços pode causar problemas nas regiões cervical e lombar, podendo causar dores e piorar problemas ortopédicos. Isso porque quando dormimos com a barriga sobre a cama, a nossa coluna perde sua curvatura natural, sendo pressionada a ficar reta. Além disso, para dormir de bruços é preciso virar o pescoço, deixando a região torcida e tensionada durante a noite toda, o que pode causar lesões graves na área.
Deitar de bruços não deve ser uma rotina. A posição só é recomendada para os dias em que não se consegue dormir de lado, quando há dores no quadril, por exemplo. Nos dias em que for preciso dormir de barriga, a dica dos especialistas é deitar sobre um travesseiro fino, o que vai ajudar a manter a curvatura natural da coluna e diminuir a sobrecarga sobre o pescoço.
O Globo terça, 31 de maio de 2022
LUTO: MILTON GONÇALVES SE ENCANTOU - ATOR MORREU, AOS 88 ANOS, NA ÚLTIMA SEGUNDA-FEIRA, 30
Milton Gonçalves é velado no Theatro Municipal do Rio
Ator morreu aos 88 anos, na última segunda-feira (30)
Por Lucas Salgado
31/05/2022 09h18 Atualizado há 2 minutos
Inicio do velório de Milton Gonçalves no Theatro Municipal, no Rio — Foto: Lucas Salgado/Agência O Globo
O caixão foi coberto por uma camisa do Flamengo e outra da Mangueira, duas paixões do ator. Na frente, foi colocado o Kikito de homenagem especial que recebeu do Festival de Gramado em 2003. Em volta, havia coroas de flores enviadas por empresas, como a TV Globo, e amigos da área cultural, como o diretor Daniel Filho.
Antes da abertura ao público, que aconteceu pontualmente às 9h30m, o velório foi fechado para familiares. As filhas do ator, Alda e Catarina, foram as primeiras a chegar para velar o pai.
— Minha mãe às vezes reclamava porque a casa estava sempre bagunçada, cheia de discos e livros espalhados — disse Catarina. — E meu pai falava: “deixa espalhado, porque um dia a criança se abaixa e puxa o livro da estante”. Ele era assim, um educador. Neste momento, a dor é profunda, vamos sentir muito a falta do riso e da alma pura dele.
A família está preparando um documentário sobre o artista, algo que ele sabia e que o deixava muito feliz. A ideia é contar a história da vida dele do ponto de vista familiar, "sobre o pai e marido amoroso que foi", segundo Catarina.
'Missão cumprida'
Amigo do ator, Antônio Pitanga foi um dos primeiros a chegar ao Municipal.
—Milton Gonçalves significou muito em meu crescimento enquanto ser, enquanto criatura pensante. Ele sai da vida e entra na história com uma missão cumprida. E cabe a nós continuar a luta desse cara que estava lá, em 1965, na fundação da TV Globo, e fez o chamamento da negritude para a tela — disse Pitanga.
O velório despertou a atenção de fãs do ator, como Edson Rosa (foto), e pessoas que passavam pelo centro.
Fã do ator Milton Gonçalves em velório — Foto: Lucas Salgado
O Globo segunda, 30 de maio de 2022
IMIGRAÇÃO: QUAL O PREÇO DE VIVER EM PORTUGAL?
Qual o preço de viver em Portugal? País ainda tem custo de vida baixo, entenda
Por Gian Amato
30/05/2022 • 04:00
Nem a inflação recorde de 7,2% afastou os brasileiros de Portugal. A principal comunidade estrangeira aumenta a cada mês, seja pela entrada de novos integrantes ou pela regularização progressiva dos residentes que estão na fila do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Mas qual o preço de viver em Portugal agora? Ir ao supermercado, por exemplo, tem sido uma surpresa para muitos brasileiros, que estavam habituados a valores que permaneceram quase congelados por anos. E para a sociedade em geral. Tanto que o governo pagou, na última sexta-feira, um apoio de € 60 (R$ 308) para famílias carentes, que já eram beneficiadas pela Tarifa Social de Energia.
O conjunto dos produtos básicos aumentou € 21 (R$108) desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia. Uma subida de 11,78%, segundo a Associação para a Defesa do Consumidor (Deco). Isso significa gastar cerca de € 205 (R$ 1.056) na compra de bens essenciais.
Ainda assim, o custo de vida em Portugal é um dos menores da Europa, explicou Marcelo Rubin, da consultoria Clube do Passaporte. A informação pode ser confirmada no ranking do Expatisan, especialista em comparações.
Mas este fator depende da cidade, do padrão de vida, renda, objetivo da imigração, profissão, tamanho do núcleo familiar e etc. É preciso ressaltar, ainda, que Portugal mantém uma das políticas salariais mais baixas da Europa, apesar da carga fiscal considerada elevada.
— Mesmo agora, se comparado com outros países europeus, os valores gerais em Portugal não são altos. Pelo contrário, são os mais baixos entre os países da Europa Ocidental. Por isso, ainda é o destino preferido dos brasileiros que querem deixar o país — garantiu Rubin.
Uma família com dois adultos, vivendo em um apartamento pequeno, de dois quartos e um banheiro, na área central (ou próximo) do centro de Lisboa ou do Porto, gastaria, no mínimo, entre € 1,3 mil (R$ 6,6 mil) e € 1,5 mil (R$ 7,7 mil). A projeção incluiu contas fixas e básicas, sem automóvel (portanto, sem combustível) e com a utilização do Sistema Nacional de Saúde (sem taxas a partir de agora).
A estimativa acima levou em conta o aluguel de apartamentos sem móveis ou eletrodomésticos, encontrados no site de buscas Idealista na última terça-feira: € 630 (R$ 3,2 mil) em Lisboa/Alcântara, e € 610 (R$ 3,1 mil) no Porto/Campanhã.
Havia apenas um imóvel em cada cidade na faixa de € 600, o que indica a dificuldade de conseguir pagar um aluguel baixo e, por isso, a pesquisa foi incluída na apuração, para destacar a odisseia. Quem fechar um contrato assim no Porto ou Lisboa é considerado inquilino de sorte. Muitos, inclusive, gastam horas e a esperança nas longas filas das visitas. E saem frustrados.
Já os valores máximos desta tipologia se aproximam dos € 2 mil (R$ 10 mil). O mais perto da realidade é pagar entre € 850 (R$ 4,3 mil) e € 1,1 mil (R$ 5,1 mil) por um imóvel de dois quartos. Então, na previsão com aluguel mais elevado, o gasto inicial mensal subiria para cerca de € 2 mil (R$ 10 mil). Porém, no ato da assinatura, é comum o inquilino depositar três meses de caução, prática prevista em lei.
As demais contas foram apuradas em relação à faturação do mês de maio, informadas por moradores de apartamentos semelhantes. Combo de TV, telefones fixo e celulares e internet (de € 55 / R$ 282 a € 65 / R$ 334 ); luz (€ 60), água (€ 25); supermercado e alimentação eventual fora de casa (€ 400 /R$ 2.056); lazer € 150 (R$ 771); planos de transportes públicos normais (€ 80 / R$ 411). As despesas tendem a subir no inverno devido ao custo das diversas formas de aquecimento dos imóveis.
Caso sejam incluídas despesas com crianças, o valor fixo pode variar um pouco, dependendo dos gastos emergenciais. Mas é preciso levar em conta que a família em questão utilize serviços públicos de creche, escola e saúde.
O aluguel é o responsável por grande parte dos gastos, sendo maior em Lisboa e no Porto. É preciso pesquisar muito para encontrar imóvel bem localizado, que não destrua um orçamento e acomode a família com conforto. Inclusive nas cidades periféricas das regiões metropolitanas das duas maiores cidades.
A prática de fugir para municípios menores tem sido tendência ao longo do anos, como mostrou O Globo e tem sido tema recorrente aqui no Portugal Giro.
— Na maioria dos casos, os apartamentos no centro da cidade tendem a ser menores. Por isso, há uma tendência das famílias irem viver em áreas suburbanas. Obviamente, dependendo do tamanho do imóvel, os valores podem ficar ainda mais altos — explicou Itay Mor, advogado e fundador do Clube do Passaporte.
O custo de vida aumenta se o brasileiro optar por serviços privados, como plano de saúde, que nem é tão caro, dependendo da cobertura: cerca de € 30 por pessoa. Já a escola particular representa uma grande diferença, com mensalidades que podem começar, no Porto, em € 3,6 mil (R$ 18,4 mil) por ano.
— Uma escola particular custa aproximadamente € 9,3 mil (R$ 47 mil) por ano, enquanto uma escola internacional varia de € 23 mil /R$ 117 mil) a € 37 mil /R$ 189 mil) anualmente. Já os custos médios de uma universidade pública (que são pagas) dependem do curso e das bolsas — garantiu Mor.
LIGA DOS CAMPEÕES DA EUROPA: COMO VINI JR. SUPEROU O APELIDO DE *NEGUEBINHA* DO FLAMENGO PARA SER SERÓ DO REAL NA CHAMPIONS
Como Vini Jr. superou apelido de 'Neguebinha' no Flamengo para ser herói do Real na Champions
Atacante, identificado com o clube que o revelou, enfrentou racismo ainda este ano na Europa e conviveu com desconfiança por deficiências táticas e técnicas
Por Diogo Dantas
29/05/2022 03h45 Atualizado há uma hora
Vini Jr. na final da Liga dos Campeões — Foto: REUTERS
O protagonismo de Vini Jr. na final da Champions pelo Real Madrid coroou um trabalho pessoal do atacante e de sua família para que o menino de São Gonçalo comprovasse a aposta do clube espanhol em 2017, quando pagou 45 milhões de euros ao Flamengo. Mais do que a evolução em campo, o atacante de 21 anos precisou lidar com desconfiança desde que deixou o Brasil. E ao ir, viver e vencer, motivou muitos comentários carinhosos dos torcedores que acreditavam que ele vingaria.
Alvo de racismo no começo do ano já na Europa, Vini Jr ainda era Vinicius no Flamengo quando começou a ser apelidado de novo Negueba, outro atacante que passou pelo clube sem o mesmo brilho. O "Neguebinha", como era chamado por rivais, teve a venda ao Real Madrid questionada e muita gente chegou a dizer que ele não passaria ao time principal após um período no Real Madrid Castilla, que usa atletas recém-contratados jovens para adquirirem experiência. O apelido depreciativo voltou a ficar entre os temas mais comentados nas redes sociais após o título do Real sobre o Liverpool. Sobretudo pela mobilização da torcida do Flamengo, ainda mais orgulhosa.
Cria e torcedor
Desde antes de se tornar jogador do Flamengo, Vini era torcedor do clube. Formado em escolinha antes de atuar na base rubro-negra e chamar atenção, o garoto criado no bairro do Porto Rosa ia ao Maracanã com a torcida Nação 12, que neste sábado lhe rendeu homenagens ao lembrar da presença do agora craque mundial nas arquibancadas.
O Globo sábado, 28 de maio de 2022
NUTRIÇÃO: POR QUE VOCÊ PRECISA LER O RÓTULO DOS ALIMENTOS
Por que você precisa ler o rótulo dos alimentos
Por Angelica Banhara
28/05/2022 • 04:30
Se na hora do supermercado você mal presta atenção na embalagem do que está comprando, corre o risco de levar gato por lebre. Como ser saudável é a nova onda, muitas marcas destacam apenas um ou outro item (como "zero gordura”, "zero açúcar” e “integral”), enquanto outras substâncias menos desejadas (corantes, conservantes, gorduras e açúcares) ficam disfarçadas ou quase escondidas, em letras minúsculas.
“A lista de ingredientes está em ordem decrescente no rótulo, ou seja, do maior para o menor. Os primeiros ingredientes são presentes em maior quantidade. E essa informação é muito importante, porque, se você vai comprar um suco e, no rótulo, os dois primeiros ingredientes são água e açúcar, melhor escolher outro”, afirma o endocrinologista Luiz Fernando Sella.
Os rótulos trazem também a tabela de informação nutricional, as calorias e quantidades por porção de carboidrato, proteína, gordura, fibras, sódio e, eventualmente, nutrientes como cálcio, ferro e vitaminas, além de quanto essas quantidades representam das necessidades diárias, com base em uma dieta de 2.000 calorias.
Em geral, a primeira informação que as pessoas buscam no rótulo é a quantidade de calorias. Mas é importante conferir a que porção elas se referem. Às vezes um pacote pequeno de salgadinho traz as calorias de apenas 1/4 do pacote e uma garrafinha de 350 ml de bebida traz as calorias referentes a apenas 200 ml.
Na hora das compras, fique atento: “Os produtos ultraprocessados (comida congelada, salgadinho de pacote, biscoitos, embutidos, sorvete, refrigerantes e refrescos) contém excesso de gordura, açúcar, sal, sódio e aditivos (corantes, conservantes, edulcorantes)”, diz Sella.
Ele dá algumas dicas para entender os ingredientes.
Fique atento aos nomes disfarçados do açúcar. “Xarope de milho, açúcar invertido, maltodextrina, maltose, extrato de malte, dextrose, glicose, sacarose, frutose, suco de fruta concentrado e mel são tipos de açúcar.”
Edulcorante é sinônimo de adoçante, que aparece com nomes como acessulfame k, aspartame, sacarina, ciclamato, sorbitol, sucralose, manitol, estévia, xilitol.
“Nitratos e nitritos são conservantes usados para preservar e salgar embutidos (linguiça, salame, salsicha, presunto, peito de peru). Eles são carcinogênicos: várias pesquisas mostram a associação desses conservantes a diversos tipos de câncer.”
A gordura vem com nomes como óleo vegetal, gordura vegetal, óleo de palma, gordura de coco. “Óleo e coco e óleo de palma são gorduras saturadas, que, como a gordura trans, facilitam o entupimento das artérias, aumentando o risco de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e demência.”
A pipoca de microondas está entre as campeãs de gordura saturada: são 2 gramas em 1 xícara. E 4,5 gramas de gorduras totais (!?!).
As pizzas congeladas também estão no topo da lista de gordura e sódio. A tabela nutricional de várias delas considera uma fatia minúscula, de 77 gramas. A versão mussarela tem 9,4 gramas de gorduras totais e e 406 mg de sódio, 20% do que vc pode consumir no dia.
Cuidado com os “sucos” de caixinha. O que precisa para fazer um suco de laranja? Laranja. Pois no rótulo de um suposto suco de laranja encontrei 18 ingredientes: água e açúcar são os em maior quantidade, mas ainda nomes estranhíssimos como carboximetilcelulose sódica, sequestrantes hexametafosfato de sódio e edta cálcio dissódico, além de 2 conservantes, 2 adoçantes e 2 corantes artificiais. Ao olhar melhor o rótulo, em vez da palavra “suco” encontrei apenas ”sabor laranja”. Em letras menores, “néctar misto de laranja e maçã”.
Néctar não é suco. Os fabricantes de bebidas só podem chamar de suco os produtos que tiverem cerca de 50% de polpa, a parte comestível da fruta. Segundo determinação do Ministério da Agricultura, ele não pode conter aromas nem corantes artificiais, e a quantidade máxima de açúcar adicional é de 10% de seu volume total.
Já o néctar de frutas tem entre 20% e 30% de polpa de frutas – bem menos do que o suco. E, ao contrário dos sucos, pode receber aditivos, como corantes, conservantes, açúcar ou outros adoçantes. Ou seja, é água com açúcar e aditivos, com quase nada de suco. O suco de verdade vem escrito “integral” ou 100% suco.
Outra surpresa na minha incursão pelas gôndolas: nos achocolatados, o açúcar é o primeiro ingrediente. E se ilude quem pensa que biscoito de água e sal é inofensivo. Quatro unidades têm cerca de 130 calorias e nenhum valor nutricional. Ingredientes, na ordem: farinha branca, gordura vegetal, extrato de malte (que é um tipo de açúcar), açúcar inervertido, sal, amido e, de novo, açúcar. “Ele deveria se chamar biscoito de água e açúcar”, diz Sella.
E fique de olho nas barrinhas de cereais: muitas são enganação. Veja a lista de ingredientes de uma barrinha “light aveia, banana e mel”: xarope de glicose (é açúcar), cereais, açúcar, maltodextrina (é açúcar), extrato de malte (é açúcar), sal, antiumectante, estabilizante, aveia, mel, açúcar mascavo, gordura de palma (é gordura saturada), açúcar invertido, polpa de banana, óleo de milho, antioxidante, corantes e aromatizantes. Tem 7 tipos de açúcar e 2 tipos de gordura. Prefira as barrinhas de nuts, com amendoim, amêndoas e outras castanhas, mas sempre lendo o rótulo.
Outra decepção está na prateleira dos iogurtes. A maioria nem é iogurte, mas “sobremesas lácteas”. Alimentos que seriam supostamente saudáveis são bombas de açúcar, amido e aditivos.
Eu faço iogurte em casa. O iogurte natural precisa só de dois ingredientes: leite e fermento lácteo. Encontrei alguns poucos iogurtes naturais integrais no supermercado com apenas dois ingredientes. O susto maior aconteceu ao ler o rótulo dos "iogurtes gregos". Encontrei um “grego” com 23 ingredientes (!!!!!), sendo que creme de leite e açúcar líquido aparecem em terceiro e quarto lugar em termos de quantidade. O amido modificado aparece três vezes. Entre os ingredientes estão espessantes, acidulante, estabilizante, corante e conservantes. Tem mais gorduras do que proteínas e quatro vezes mais carboidratos do que proteínas.
“A boa alimentação começa com as compras, e ler os rótulos é fundamental para fazer boas escolhas”, diz Sella.
Ele conclui com algumas dicas preciosas do livro Regras da Comida, de Michael Pollan (recomendo a leitura!) para comer com sabedoria.
Coma comida de verdade.
Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida.
Evite produtos com ingredientes que uma criança na terceira série não consiga pronunciar.
Evite alimentos com mais de cinco ingredientes na lista.
Convencido a ler o rótulo nas próximas compras?
O Globo sexta, 27 de maio de 2022
CINEMA: RAY LIOTTA SE ENCANTOU - ATOR AMERICANO MORREU NESTA QUINTA-FEIRA, 26, AOS 67 ANOS DE IDADE
Ray Liotta recebeu quatro massagens cardíacas: 'Ele não está respirando', disse noiva ao ligar para pedir socorro
Paramédicos foram chamados 6h da manhã até hotel; corpo passa por necrópsia na República Dominicana, onde ele teve infarto
27/05/2022 08h51 Atualizado há 3 minutos
Ray Liotta deixa uma noiva, Jacy, e uma filha de 23 anos, Karsen. — Foto: Danny Moloshok / Reuters
O ator americano Ray Liotta, que morreu nesta quinta-feira (26), chegou a ser socorrido e recebeu massagens cardíacas no quarto do hotel onde estava hospedado, às 5h59, mas acabou não resistindo ao infarto do qual foi vítima. As informações são do jornal dominicano El Día.
Ray Liotta e a noiva Jacy Nittolo — Foto: Reprodução/Instagram
Liotta estava comendo em um restaurante quando passou mal e seguiu para o hotel, na República Dominicana, onde realiza as filmagens de "Dangerous Waters". No boletim de ocorrência, consta que alguém pediu socorro para a emergência local em inglês, por meio de um telefone de número estrangeiro, já comunicando que ele não estaria apresentando mais sinais vitais. Segundo informações de jornais locais, a pessoa que pediu o socorro, provavelmente a noiva do ator, Jacy Nittolo, que estava com ele no momento, disse: "Meu deus, ele não está mais respirando!".
Quando os paramédicos chegaram, já não havia sinais vitais no ator de 67 anos, mas ainda assim foram realizados quatro ciclos de massagens cardiopulmonares para trazê-lo de volta, sem sucesso. O corpo de Liotta passará por necrópsia na República Dominicana antes de seguir para os Estados Unidos, onde o ator será enterrado.
O Globo quinta, 26 de maio de 2022
TURISMO: CONHEÇA A ILHA DE CANOUAN, ONDE BILIONÁRIOS SE ESCONDEM DE MILIONÁRIOS
Conheça a Ilha de Canouan, o lugar onde os bilionários se escondem dos milionários
Local é o novo hot spot do luxo no Caribe que ameaça tomar o lugar de St. Barth
Por Gilberto Júnior
26/05/2022 07h54 Atualizado há uma hora
Corre nas altas rodas do Hemisfério Norte que os bilionários já têm um destino para se esconder dos milionários: a Ilha de Canouan, parte do Arquipélago das Granadinas, no Caribe. Embora pareça exagerado, o lugar se tornou o novo hot spot do luxo, jogando St. Barth, até então a queridinha das celebridades, para trás da fila.
Chegar a esse pedaço do mapa exige um tiquinho de esforço. Voos diários partem de Miami — ou seja: é necessário ter um visto americano — direto para Barbados, parada fundamental nessa conexão. Da terra de Rihanna, que tem sua imagem estampada por todos os lados, um jato particular leva os turistas VIPs até ao aeroporto de Canouan, construído com madeira e palha (não esqueça de levar na mala de mão o certificado da vacinação contra a febre amarela). A ilha tem 7,6 quilômetros e cerca de dois mil habitantes. “Temos mais tartarugas do que gente”, afirma um funcionário do campo de aviação.
O grupo Mandarin Oriental instalou seu primeiro hotel no Caribe — Foto: Divulgação
De certos pontos, com a ajuda de binóculos, é possível avistar as vizinhas estreladas: Bequia, Mustique e Petit St. Vincent, que costumam atrair pessoas abastadas, dispostas a espalhar seus iates por marinas poderosas — a de Canouan é abarrotada de lojas e restaurantes e é avaliada em US$ 250 milhões. Mas nesse pedaço de terra o que salta aos olhos são as ruas calmas e as montanhas desobstruídas, que entregam nas curvas uma visão espetacular de uma das maiores barreiras de corais do Caribe. Os moradores — a maioria agricultores e pescadores — também encantam com sua simpatia e desenvoltura na cozinha em pratos como fruta-pão assada e peixe-gato frito.
No meio dessa “simplicidade”, o grupo Mandarin Oriental instalou seu primeiro hotel no Caribe. São 26 suítes, dois tipos de vilas — oito Patio Villas (que seguem a linha contemporânea) e seis Lagoon Villas (com layout colonial). Alguns quartos têm acesso direto à praia. O que mais impressiona, no entanto, é o sistema computadorizado que controla iluminação, cortinas, ar-condicionado e som por meio de um tablet. Há ainda serviço de mordomo privê.
“As 32 ilhas e ilhotas de São Vicente e Granadinas têm sido um refúgio tropical precioso para viajantes, com praias idílicas e isoladas e acres de terreno intocados e exuberantes”, diz Pietro Addis, gerente-geral do Mandarin Oriental Canouan.
O grupo Mandarin Oriental instalou seu primeiro hotel no Caribe — Foto: Divulgação
Na propriedade, há duas cabanas sobre as águas que funcionam como salas de spa, com tratamentos exclusivos executados por terapeutas asiáticos. Experimente os tratamentos do sono e os faciais com ingredientes naturais da região. Há outras salas ativadas ao lado de montanhas. No roteiro cabem ainda aulas de kitesurf e pesca em alto mar, na Union Island.
“O hotel reúne o que mais amo num destino: o mar azul-turquesa a perder de vista, as praias praticamente desertas, o serviço impecável e a exclusividade. Achei incrível a decoração cor-de-rosa”, avalia a travel blogger Lala Rebelo, que esteve no local em fevereiro de 2020.
O grupo Mandarin Oriental instalou seu primeiro hotel no Caribe — Foto: Divulgação
E não para por aí. O próprio Mandarin organiza esses passeios para outras ilhas da região, como Tobago Cays, onde pode-se almoçar em pleno mar. A trilha para Mount Royal é imperdível e tem vista privilegiada do arquipélago. À noite, a pedida é uma visita ao Scruffy’s Bar — a dica é provar a cerveja local Hairoun.<
Dentro do hotel há cinco restaurantes, especializados em culinárias asiática e europeia. Guarde para seu último pôr do sol na ilha o brinde no 13º buraco do campo de golfe do espaço. Dali, é possível contemplar de um lado o Oceano Atlântico e do outro o mar do Caribe.
O Globo quarta, 25 de maio de 2022
CORRIDA: MARATONA DE NITERÓI ESTÁ CONFIRMADA PARA 2023
Maratona de Niterói está confirmada para 2023
Expectativa dos organizadores é de segunda edição da prova reúna até 5 mil participantes
Por Leonardo Sodré
23/05/2022 04h00 Atualizado há um dia
Corredores esperam sinal início da prova no Caminho Niemeyer — Foto: Divulgação/Maratona de Niterói
A Maratona de Niterói está confirmada para 2023 e deverá ser realizada em maio. Os organizadores da prova, que aconteceu pela primeira vez na cidade no último domingo e contou com 2,3 mil maratonistas, esperam até 5 mil participantes na edição do próximo ano.
Minas Gerais foi alto do pódio das duas principais provas da 1ª Maratona de Niterói que aconteceu no domingo, dia 15. Jocemar Fernandes Correia e Marina Peixoto Fraguas foram os campeões da disputa de 42 Quilômetros solo. A programação contou ainda com revezamento em dupla e quarteto, além da prova de 5 Quilômetros. Os participantes largaram no Caminho Niemeyer e percorreram toda a orla da cidade, fizeram a curva na entrada de Camboinhas e retornaram ao Centro. No Caminho Niemeyer, além dos box para atendimento aos atletas e toda a estrutura operacional do evento , houve ainda feira de adoção de animais e materiais esportivos, área de alimentação e premiação , passeio de balão e show com a banda Bicho Solto.
Sócios-fundadores da 1ª Maratona de Niterói, os triatletas Karen Casalini e Armando Barcellos contam que o número de inscrições superou as expectativas. Eles celebraram o sucesso da prova e esperam que o evento cresça em 2023.
— O resultado foi muito positivo. É recorde de público. Para o primeiro ano, nós entramos com o pé direito. E a minha expectativa para o ano que vem é passar dos 3 mil inscritos — afirma o triatleta.
Karen vai além. Sua expectativa é chegar a 5 mil atletas inscritos na segunda edição do evento.
— Estou muito feliz. É uma satisfação enorme realizar a primeira maratona da cidade. É um evento que tem tudo pra crescer ainda mais. Já foi um megaevento. Tivemos uma quantidade histórica de atletas inscritos. Nunca em Niterói houve uma corrida com tanta gente — surpreende-se.
O Globo terça, 24 de maio de 2022
MÚSICA: EMICIDA SOBRE A CANTORA ALAÍDE COSTA *O MUNDO PRECISA VER ESSA MULHER*
Emicida sobre a cantora Alaíde Costa: 'O mundo precisa ver essa mulher'
Ao lado de Marcus Preto, rapper produz disco da cantora de 86 anos com canções de Erasmo Carlos, Ivan Lins, João Bosco, Joyce Moreno, Guilherme Arantes, entre outros: 'Se eu morrer hoje, morro feliz', diz ela
Por Maria Fortuna — Rio de Janeiro
24/05/2022 08h08 Atualizado há 2 horas
Emicida e Alaíde Costa: 'Uma estrela como Alaíde pode, deve e merece receber prêmio, ovações e reconhecimento nesse plano com ela aqui' — Foto: Divulgação / Ênio Cesar
Alaíde Costa não acreditou quando o convite chegou. Jamais imaginara que Emicida fosse seu fã. Muito menos que ele pudesse desejar produzir um disco dela. E é assim, ainda meio incrédula, que a cantora e compositora carioca de 86 anos viu sair do forno, no último dia 19, o álbum "O que meus calos dizem sobre mim" (selo Samba Rock), produzido pelo rapper e por Marcus Preto, com direção musical de Puppillo.
- Fiquei surpresa de o Emicida gostar de mim e de ter tido a vontade de trabalhar comigo. A praia dele é outra. Ele quis nadar na minha, e eu estou na dele - brinca a rainha das canções de fossa, que remou contra a maré durante boa parte de seus 66 anos de carreira ao escolher navegar por bossas líricas e dramáticas quando o mundo lhe sugeria que gravasse samba ou "algo mais animado, um oba-oba".
Capa do novo disco de Alaíde Costa — Foto: reprodução
A ideia do projeto surgiu depois que Preto (diretor musical por trás de discos de Gal Costa, Erasmo Carlos e Nando Reis) enviou ao rapper o material de divulgação de uma live que Alaíde faria (e fez, em 2020) interpretando canções de Johnny Alf. Os dois passaram a trocar mensagens e descobriam que aquela mulher de canto doce e cristalino era uma paixão em comum. E o que chega ao alcance do público agora é o reflexo dela.
Na verdade, uma declaração de amor em forma de disco. E não só de Emicida e Preto, mas dos vários nomes que fizeram canções especialmente para Alaíde: Joyce Moreno ("Aurorear", com Emicida); Erasmo Carlos e Tim Bernardes ("Praga"); Céu e Diogo Pouças ("Turmalina negra"); Fátima Guedes ("Nenhuma ilusão"); Ivan Lins ("Pessoa-Ilha", com Emicida); e Guilherme Arantes ("Berceuse"). João Bosco e o filho Francisco assinam a única não inédita do disco, "Aos meus pés". A essas sete, junta-se "Tristonho", melodia de Alaíde Costa letrada por Nando Reis, lançada como single em abril.
A adesão ao chamado dos produtores para que artistas mandassem composições para um álbum de Alaíde foi tão maciça que virá ainda um segundo disco (sem previsão de lançamento). Desta vez, com músicas de João Donato, Francis Hime, Marcos Valle, Guinga, Gilson Peranzzetta, entre outros. Marisa Monte a Carlinhos Brown também já enviaram uma, batizada de "Moço". Rubel e Emicida já têm pronta "Bilhetinho".
- Estou lisonjeada, feliz por essa turma toda ter abraçado o projeto. São várias gerações e autores famosos, né? Nunca tinha gravado João Bosco e ele mandou uma música belíssima, que é a minha cara - diz ela, referindo-se à letra que diz "comi o pão todinho/ que o diabo amassou". - Sinto que, finalmente, veio o reconhecimento, que ele tardou, mas chegou no fim da vida. Se eu morrer hoje, morro muito feliz e grata.
O sentimento narrado por Alaíde, que enfrentou o racismo até no meio da turma da bossa nova (muitos a chamavam de "ameixa" pelas costas), produz a sensação de "missão cumprida" em seus produtores. A dupla faz hoje um pouco do que fez Milton Nascimento, em 1972, ao jogar luz sobre a cantora com o convite para gravar "Me deixa em paz" no disco “Clube da esquina”. A gravação arrebatou o Brasil e o disco, inclusive, foi escolhido recentemente o melhor álbum brasileiro de todos os tempos numa enquete promovida pelo podcast Discoteca Básica.
- Acredito que quando Milton a convidou, fez com a mesma intenção que fazemos agora, que é o sentimento genuíno de que o mundo precisa ver essa mulher! Ela é uma força da natureza, nasceu e segue pronta - afirma Emicida. - Acho que deveríamos fazer mais disso. Às vezes, parece que a música contemporânea do Brasil nasceu de chocadeira, não tem pai, não tem mãe, não tem avó, todo mundo nasceu pronto e ninguém é parte do legado das gerações anteriores. Isso é triste e suicida, porque quem lida mal com seu passado não vai saber lidar com seu futuro, se tiver a sorte de conseguir chegar lá.
O rapper vibra com a oportunidade de homenagear uma artista como Alaíde em vida.
- Temos uma relação problemática com a memória na cultura brasileira. Historicamente, temos grandes heróis e heroínas, mas, infelizmente, eles têm pouco ou nenhum reconhecimento perto do que merecem e ainda mais em vida - analisa. - No final, contar histórias é sobre poder e humildemente o que Marcus Preto e eu temos feito nesse projeto é sugerir que uma estrela como Alaíde pode, deve e, aliás, merece receber prêmios, ovações e reconhecimento nesse plano com ela aqui. Assim, acredito que inspiramos mais gente a fazer o mesmo por seus ídolos também.
Para Preto, mais que homenagem, a intenção é mudar a forma com quem a história dela será contada no futuro.
Alaíde Costa, Emicida e Marcus Preto — Foto: Ênio Cesar
- Penso no que aconteceu com a Elza Soares. Se ela tivesse partido sem gravar "A mulher do fim do mundo", a história seria outra. Estou falando de reconstrução de narrativa, de transformar o que as pessoas pensam sobre ela - diz Preto. - Esse álbum fala de uma mulher de 86 anos que viveu um monte de coisa importante, que viveu à margem, e agora conta o ponto de vista dela. Para mim, Alaíde é a Billie Holiday brasileira, uma artista sofisticadíssima.
Alaíde agradece e diz que, agora, os calos que traz consigo já não doem tanto:
- Hoje, eles dizem: "Finalmente, a coisa está mais amena". E graças a uns meninos que poderiam ser meus filhos.
O Globo segunda, 23 de maio de 2022
TEATRO: FESTIVAL DE ÓPERA NO AMAZONAS TEM OBRA DE 1945 E MONTAGEM COM *O MENINO MALUQUINHO*
Festival de ópera no Amazonas tem obra de 1945 que dialoga com fake news e montagem de 'O Menino Maluqinho'
Versão do diretor colombiano Pedro Salazar para 'Peter Grimes' leva palafitas para o palco e é destaque do 24º Festival Amazonas de Ópera, que volta presencial e com atração inspirada na obra de Ziraldo
Por Eduardo Graça — Manaus (AM)
23/05/2022 04h30 Atualizado há 4 horas
Cena de “Peter Grimes”, também montado na Royal Opera House e na Bavarian State Opera este ano — Foto: Cleuton Mendonça/Divulgação
No palco do Teatro Amazonas, é impossível não fixar o olhar na enorme cabana de madeira de pescador e no bar erguido sobre palafitas, cenários centrais de “Peter Grimes”. Considerada uma das melhores óperas do século XX, a obra-prima de 1945 do inglês Benjamin Britten (1913-1976) é a principal atração do 24º Festival Amazonas de Ópera (FAO), com três récitas concorridas, a última delas amanhã. A edição marca o retorno ao formato totalmente presencial, após o evento não acontecer em 2020 e de uma experiência híbrida no ano passado.
Peter Grimes é um pescador de uma cidadezinha portuária inglesa acusado de causar a morte de seu aprendiz. O avesso da simpatia, fixado no lucro da pesca, cai em desgraça por conta do disse me disse de personagens quase sempre mesquinhos e hipócritas. A aldeia espelha o embrutecimento do protagonista e a tensão cresce em direção a um linchamento aparentemente inevitável.
O estudo da violência tem atraído encenadores interessados em tratar da polarização política atual, das fake news e do tribunal da internet com sua visão enviesada da justiça e cancelamento sumário de indivíduos. Composto durante a Segunda Guerra Mundial por um barulhento pacifista, “Peter Grimes” teve produções destacadas este ano na britânica Royal Opera House e na alemã Bavarian State Opera.
— É a antena que temos e parece captar o que os artistas desejam falar em determinado momento. Mas há algo específico sobre se fazer “Grimes” em Manaus, para o público local, em uma produção latino-americana neste momento político nos nossos países — diz o diretor colombiano Pedro Salazar, de 47 anos, celebrado por sua “Florencia en el Amazonas”, ópera do mexicano Daniel Cátan (1949-2011), apresentada há quatro anos no FAO.
Em duas semanas a Colômbia vai às urnas para escolher um presidente em eleições marcadas por episódios de violência e a possibilidade de uma vitória inédita da esquerda, com um ex-guerrilheiro, e sua vice, negra, liderando as pesquisas.
— A violência é marca central de nossos dois países e se debruçar sobre ela é vital. Contamos aqui a história de Britten sem nos desviarmos dela, mas não me interessa fazer um museu operático e sim algo que dialogue com o entorno e o público local — diz Salazar.
Os cenários do também colombiano Julián Hoyos, que tomaram forma após pesquisa em comunidades indígenas nos dois lados da fronteira, aumentam a intimidade do público local com o que se vê no palco. No papel-título, o tenor Fernando Portari, aos 54 anos, imprime o tom exato de emoção e já deve incluir o personagem como destaque em uma carreira de êxitos. E a Orquestra Sinfônica da Amazônica, sob a batuta do maestro Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do FAO, brilha ao criar seus próprios sons do mar, de pássaros a apitos de embarcações, das ondas à tempestade, real e figurativa.
No coro de “Peter Grimes”, é possível identificar crianças da vila de pescadores que voltam ao palco no dia seguinte em “O Menino Maluquinho”. O FAO sempre conta com pelo menos uma atração voltada para o público infantil, na busca de se formar profissionais e de trazer as crianças ao Teatro Amazonas. A se levar em conta a reação entusiasmada neste sábado da meninada, a “maluquice” de Ziraldo coube bem no prédio concluído em 1896 para a elite manauara.
— O público do teatro hoje é o avesso do da época de ouro da borracha. Temos ingressos populares, programação acessível o ano todo e chegando à marca de 25 anos de continuidade do festival. Somos a prova cabal de que ópera não é uma atividade exclusiva para as elites do Sul e do Sudeste — diz Malheiro.
“O Menino Maluquinho”: Inspirada em Ziraldo, ópera mantém a tradição da programação infantojuvenil do evento — Foto: Cleuton Mendonça/Divulgação
A mais nova encenação da ópera de Ernani Aguiar, com libreto de Maria Gessy de Sales e direção de Matheus Sabbá, de 26 anos, tem elenco todo local, com muitos talentos do Coral Infantil e Infanto-juvenil do Liceu de Artes e Ofício Claudio Santoro, órgão público e gratuito estadual voltado para a formação das artes. Aguiar estará no FAO na semana que vem para as derradeiras apresentações de “O Menino Maluquinho”.
O compositor acaba de estrear outra ópera, “Aleijadinho”, sobre a trajetória do gênio mineiro (1738-1814), composta sobre libreto de André Cardoso. A primeira apresentação reuniu, no dia 29 de abril, quatro mil pessoas na plateia improvisada na praça em frente à Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto, onde se encontram obras-primas do mestre barroco. A produção foi do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, onde o espetáculo teve quatro récitas, a última delas nesta sexta-feira.
Parceria para 2023
A busca de um circuito nacional de óperas com ênfase em coproduções foi tratada no 3° Encontro de Economia Criativa e Teatros de Ópera na América Latina, realizado durante o festival. Além de números que atestam o impacto do FAO (a diretora-executiva Flavia Furtado informa que, em duas décadas, dez estabelecimentos e sete hotéis foram abertos em torno do Teatro, e pelo menos 600 empregos são gerados diretamente todos os anos), um dos resultados práticos da reunião foi o anúncio da produção conjunta, pelo Teatro Amazonas, o Theatro Municipal de São Paulo e o Palácio das Artes, da ópera “O contratador de diamantes”, de Francisco Mignone, que estreará no FAO no ano que vem e depois irá às capitais paulista e mineira. A edição deste ano já contou com uma parceria com o Theatro da Paz, de Belém (“Il Tabarro”, de Puccini) e a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (“O caixeiro da taverna”, de Martins Pena).
“Peter Grimes” será apresentada novamente na terça-feira e “O Menino Maluquinho” no sábado. O FAO, que é realizado pelo governo do Amazonas com apoio do Bradesco via Lei Rouanet a um custo de R$ 5 milhões, conta ainda com transmissão pela TV local. A programação segue até o dia 31 na capital e em quatro cidades do interior amazonense.
* Eduardo Graça viajou a convite do FAO
O Globo domingo, 22 de maio de 2022
ENTRETENIMENTO: FESTIVAL VIKING REUNIRÁ JOGOS, MÚSICA, GASTRONOMIA E ARTIGOS DE INSPIRAÇÃO MEDIEVAL NA BARRA
Festival viking reunirá jogos, música, gastronomia e artigos de inspiração medieval na Barra
Feira no shopping Uptown terá 72 expositores; batalha de clãs e cartomantes são destaques
Por Madson Gama — Rio de Janeiro
20/05/2022 05h04 Atualizado há 2 dias
Expositores de figurinos são um dos destaques do festival Midgard Market — Foto: Divulgação
Os amantes da era viking terão a oportunidade de tirar as fantasias do armário e aproveitar um evento todo dedicado à temática no fim de semana. Nestes sábado e domingo, dias 21 e 22, o shopping Uptown Barra será palco do festival Midgard Market, que reunirá 72 estandes com o objetivo de expor e comercializar produtos inspirados nessa cultura da Idade Média, como roupas medievais e artigos esotéricos. No espaço, o público poderá se consultar com cartomantes e ciganas, além de ter à disposição sessões de aromaterapia, cromoterapia, alinhamento de chakra e reiki.
— Existe muita gente que é aficionada pela cultura viking. Então, a proposta é reunir artesãos e produtores que trabalham com essa temática para atrair esse público, num clima de grande festa, em que as pessoas vêm caracterizadas e se tornam a atração. É uma feira muito diversa, com pessoas de todos os tipos, raças e religiões reunidas num mesmo ambiente — garante Marcelo de Barros, organizador do evento.
Festival terá estandes comercializando roupas medievais — Foto: Divulgação
O festival contará com um espaço para a prática de tiro ao alvo usando arco e flecha e com músicos tocando instrumentos como a gaita de fole.
— A gaita de fole é muito antiga, tocada desde a Idade Média. Teremos artistas como Alex Navar, que é uma referência mundial quando o assunto é o instrumento, e as bandas Fúria Gitana, uma família tradicional que apresenta músicas ciganas; Brazilian Piper, de São Gonçalo e que toca um som irlandês; e Tailten, também com músicas da Irlanda — conta Barros. — Também teremos batalhas medievais, um jogo em que diferentes clãs vão se enfrentar com espada de espuma. Conforme a espada toca o adversário, ele vai perdendo a parte do corpo atingida, até morrer.
Artigos esotéricos e consultas com cartomantes e ciganas estarão à disposição do público — Foto: Divulgação
Expositores de hidromel, considerada a bebida dos deuses pelos vikings, também marcarão presença. Néctar dos Deuses, Fafinir Hidromel, Martelo Pagão e Cosbart são alguns deles. Cervejas artesanais de produtoras como Sundog, Noi, Hocus Pocus, Farra, Saideira e Sete Vargas serão outra opção.
Já na gastronomia, além de hambúrgueres artesanais, crepes, sanduíches e yakissoba, será servido churrasco, sob o comando do chef Luiz Otavio Castro, com cortes tradicionais, costela bovina defumada, cupim defumado e barriga de porco.
O Globo sábado, 21 de maio de 2022
FESTIVAL BRASIL SABOR: VEJA OS PRATOS DOS 11 RESTAURANTES QUE PARTICIPAM NA ZONA SUL
Festival Brasil Sabor: veja os pratos dos 11 restaurantes que participam na Zona Sul
Receitas nacionais, com versões assinadas por chefs, são servidas presencialmente ou por delivery
Por Priscilla Aguiar Litwak — Rio de Janeiro
20/05/2022 05h04 Atualizado há um dia
No Botequim Restaurante, em Botafogo, (2286-3391), o prato é o Picadinho de Mignon ao Molho de Especiarias (R$ 72) com purê de banana-da-terra e farofa crocante — Foto: Divulgação
Uma seleção de pratos brasileiríssimos, com ingredientes ou técnicas nacionais, mais que aprovados pelo público e com a assinatura do chef. Com esse objetivo, o Brasil Sabor, festival de restaurantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), chega a sua 16ª edição, que acontecerá até o próximo dia 29. Sob o tema “Maior do mundo, original do Brasil”, o evento terá modelo híbrido: o cliente pode aproveitar as receitas nos restaurantes ou pedir por delivery.
Na Zona Sul, são 11 estabelecimentos participantes e que servem pratos com preços entre R$ 42,90 e R$ 99. Um exemplo é a Galinhada Caipira, do Aprazível, em Santa Teresa, por R$ 76, servida com arroz que leva galinha caipira e ainda feijão surpresa, couve, banana-da-terra, linguiça mineira e geleia de pimenta. A receita vai bem com uma das cachaças artesanais produzidas na casa.
Festival Sabor Brasil: saiba onde comer pratos brasileiríssimos assinados por chefs
11 fotos
De churrasco misto a baião de dois, uma seleção de receitas aprovadas pelos brasileiros em restaurantes da Zona Sul
O Globo sexta, 20 de maio de 2022
MÚSICA: GORILLAZ, ATRAÇÃO DO MITA, TOCA PELA PRIMEIRA VEZ NO RIO
Atração do MITA, Gorillaz toca pela primeira vez no Rio: 'Somos uma força imparável'
Grupo britânico de rock alternativo e trip hop é representado por personagens virtuais, embora tenha um frontman real
Por Silvio Essinger — Rio de Janeiro
20/05/2022 00h30 Atualizado há 10 horas
Damon Albarn, o frontman real do Gorillaz, durante a apresentação da banda em São Paulo. — Foto: Divulgação
Ainda que, de fato, quem comande a banda Gorillaz seja o vocalista e multi-instrumentista londrino Damon Albarn, de 54 anos, conhecido por liderar o Blur, são os personagens em desenho animado 2D, Murdoc, Noodle e Russel, integrantes virtuais do grupo britânico de rock alternativo e trip hop, que insistem, um tanto irônicos, em dar esta entrevista. Eles se apresentam pela primeira vez no Rio de Janeiro neste sábado (21), na edição carioca do Mita, festival que aconteceu em São Paulo no último fim de semana e agora chega ao Jockey Club, na Gávea. São eles, os personagens, que ficarão no telão atrás do palco enquanto Albarn desfilará alguns dos sucessos da banda, como “Feel good inc”, “Clint Eastwood” e “On Melancholy Hill”.
Em 1998, quando o Gorillaz foi formado, vocês acreditariam se alguém lhe dissesse que a banda ainda estaria tocando e lançando músicas em 2022?
Murdoc: A resposta, claro, é o CEO inspirador do Gorillaz, Murdoc F Niccals. Coloque-me em uma gola alta e eu sou basicamente Steve Jobs com um baixo.
Por que fazer essa turnê mundial em 2022 e começar na América Latina?
Murdoc: Entramos fortes nesta turnê para compensar todas as datas que foram cortadas nos últimos dois anos. A América Latina é o ponto de partida óbvio porque nós adoramos e Russ tinha um desejo real por empanadas de chili.
Russel, Murdoc, 2D e Noodles, os personagens virtuais do Gorillaz. — Foto: Divulgação
Em uma época em que estamos caminhando para um universo virtual de metaversos e NFTs, quanto os Gorillaz querem participar disso? 2D: Onde está o megaverso? Fica perto do MegaBowl? Há um em Crawley.
Você teme o fim do mundo? Quão louco o mundo parece para você agora? Murdoc: Foi Hunter S Thomspn quem escreveu “os loucos nunca morrem”. Se isso for verdade, não vejo com o que temos que nos preocupar.
Como foram esses tempos de pandemia para vocês, uma banda que ficou conhecida por fazer as coisas virtualmente? Murdoc: Sem problemas, cara. Faça o que quiser conosco, nós nos adaptamos. Gorillaz são uma força imparável. Bem, eu sou. Os outros três são pedaços de papel usado ou sacolas flutuantes que foram varridas pela minha força imparável. Mas, ainda assim, somos uma equipe.
A onda da música latina, os feats, as ilhas de plástico, o bedroom pop, o presidente Donald Trump... o que o Gorillaz não previu? 2D: Nós nunca pensamos que haveria um Baby Yoda. Isso foi uma surpresa bem grande.
O Globo quinta, 19 de maio de 2022
MÚSICA: BYAFRA, AOS 40, LANÇA MÚSICA PARA MAE E VOLTA A VOAR
Aos 40, Byafra lança música para mãe, que morreu de Covid, e volta a voar: 'Estão redescobrindo meu lado B'
Cantor, que faz show nesta quinta (19) e conquista novas gerações, conta curiosidades sobre sua carreira, como o dia em que foi atingido por um parapente enquanto cantava 'Sonho de Ícaro'
Por Silvio Essinger — Rio de Janeiro
19/05/2022 04h30 Atualizado há 2 horas
Cantor e compositor Byafra — Foto: Leo Martins/Agência O Globo
A sorte faz graça com Maurício Pinheiro Reis, o Byafra (até alguns anos, Biafra). Cantor romântico de sucesso nos anos 1980, ele vivia uma vida discreta no começo dos 2000, quando foi convidado pelo diretor Nelson Hoineff para dar um depoimento para um documentário sobre Chacrinha (“Alô, alô, Terezinha!”). No meio de sua participação, ele cantava o seu hit de 1984, “Sonho de Ícaro” (aquele do refrão “voar, voar, subir, subir”), quando foi atingido por um parapente.
A cena virou teaser do filme e viralizou. De uma hora para outra, o nome do sumido cantor voltou à boca do povo e ele foi chamado para uma campanha publicitária de uma companhia de seguros — fazendo graça de si mesmo.
— Que a minha sorte continue assim. A própria “Sonho de Ícaro” foi uma música improvável. Ela tem cinco minutos e 25 segundos, e isso numa época em que as músicas só tocavam no rádio se tivessem três minutos. Comigo é sempre ao contrário! — teoriza o cantor niteroiense de 64 anos, que volta aos palcos pela primeira vez desde o começo da pandemia, no Teatro Rival Refit, para apresentar o muito adiado show “4.0”, dos seus 40 anos de carreira.
Os caminhos de “4.0” foram tortuosos. O espetáculo deveria ter estreado em março de 2020, quando foi decretada a pandemia. Uma nova data foi marcada para janeiro deste ano, e aí veio a Ômicron. Nos tempos do isolamento, Byafra se trancou em seu apartamento em Niterói e começou a compor — saiu de lá com um EP de músicas da pandemia, mas não necessariamente sobre a pandemia.
A primeira a ser lançada foi “Ione”, feita para a mãe, vitimada pela Covid (“foi a gripezinha que mais matou até hoje, foi muito doloroso, todo mundo teve alguma perda”, lamenta). A próxima a sair nas plataformas é “Solidão a dois”, sobre o que o estresse do confinamento provocou nos casais.
Boas notícias
Mas durante o isolamento, Byafra também teve boas notícias. Seus LPs de sucesso, dos anos 1980, foram relançados no streaming depois que o cantor Ed Motta incluiu “Leão ferido” (hit de 1981) na coletânea estrangeira “Too slow to disco Brasil” (2018) — hoje, a música tem boa parte de seus ouvintes na Alemanha. E uma de suas mais conhecidas canções, “Te amo”, voltou a tocar depois que a cantora Marília Mendonça a interpretou em uma de suas lives. Mais recentemente, o cantor foi procurado por um de seus mais novos e ilustres fãs: Sebastião, filho de Nando Reis, integrante do trio de música folk Colomy.
— Quando minha mãe me apresentou “Leão ferido”, foi uma explosão de sentimentos. É uma música magnífica, da letra aos caminhos melódicos que ele encontra com os seus agudos. Isso sempre me fascinou — derrama-se Sebastião, que espera seguir com a comunicação (e, espera ainda, parceria) virtual com o ídolo.
— Estão descobrindo o lado B da minha obra, de canções tipo “Voa, bicho”... Desisti de tentar entender o que está acontecendo, vou deixar rolar! — resigna-se Byafra, que teve seu primeiro hit em 1979, “Helena”, faixa do seu LP de estreia. — Meu primeiro disco saiu junto com a (criação da) Rádio Cidade. “Helena” tocou bastante lá e um dia o Lulu Santos, que na época era produtor da Som Livre, sugeriu que fosse incluída da trilha da novela “Marrom glacê” (depois, eles seriam parceiros em “Pra se levar a vida”).
O primeiro grande hit, “Leão ferido”, fez com um amigo de Niterói, Dalto, num momento de revolta com a gravadora.
— Queriam me enquadrar num modelito. Eu era bem novo e me mandaram uma música que dizia “eu não tô legal”. E eu estava legal, não ia gravar aquilo — conta. — O “Leão ferido” surgiu dessa revolta. “Tenho que ser bandido, tenho que ser cruel”... É uma música revoltada! Eu era um leão ferido, eu não era o padrão. Era um menino tímido cantando um repertório ousado. E o Lincoln (Olivetti, arranjador) sacou que dava para fazer um arranjo grandioso. Depois, a gravadora nunca mais quis palpitar.
Um hit maior estava por vir quando o cantor foi para a gravadora Ariola, em 1984, pelas mãos do diretor Marco Mazzola. Fechado o repertório do LP, Mazzola sentiu que ainda não tinha uma grande música, aquela que ia abrir o caminho das rádios para o cantor. Aí lembrou de uma canção de Piska (guitarrista da banda de Ney Matogrosso) e do letrista Claudio Rabello.
— Eu pedi a música, mas não sabia ainda para que artista. Achava que era para o Ney, mas ele não curtiu. Aí ela acabou ficando com o Byafra, e foi um sucesso que levantou a carreira dele — recorda-se o produtor.
Muito se discute até hoje sobre o significado de versos como “dentro do bombom há um licor a mais”. Byafra lembra de que foi feito até um programa de TV sobre a letra de “Sonho de Ícaro”.
— A explicação que o Claudio deu foi tão complicada que era melhor não ter explicado nada! — diverte-se o cantor, que nos tempos de “Sonho de Ícaro” sofria bullying homofóbico por causa da voz aguda e a pinta de estrela romântica. — Eu dizia para os caras que faziam piadas: “Tanta menina bonita nesse baile e vocês vêm tirar onda comigo!”
Por causa do bullying também foi que ele ganhou no colégio o apelido de Biafra.
— Eu era magro de ver bater o coração. Estava rolando a guerra de Biafra (com imagens de crianças esqueléticas por causa da fome) e deu nisso — explica o artista, que mais tarde teve problemas porque os mecanismos de busca na internet levavam “Biafra” para as páginas relativas à guerra. — Eu botei o Y porque as pessoas procuravam pelo cantor e caíam na África. Uma vez, inclusive, o Luiz Melodia me falou: “Pensava que você era negro!”
Serviço
Onde: Teatro Rival Refit Rua Álvaro Alvim 33, Centro Quando: Qui, às 19h30 Quanto: A partir de R$ 30 (via Sympla) Classificação: 18 anos
O Globo quarta, 18 de maio de 2022
BEM-ESTAR: VOLTAR A CORRER É MAIS FÁCIL DO QUE SE PENSA, MEMÓRIA É SEGREDO
Voltar a correr é mais fácil do que se pensa, memória é o segredo
Memória muscular pode facilitar a recuperação do condicionamento físico
Por Knvul Sheikh, The New York Times
18/05/2022 04h30 Atualizado há 3 horas
Voltar a correr pode ser doloroso no início, mas encontrar pequenas rotinas ou recompensas que o mantenham ativo pode ajudar — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O Globo
Tirar a poeira dos tênis de corrida depois de uma pausa nos exercícios pode ser intimidante. Se uma lesão, uma gravidez ou uma agenda lotada no trabalho atrapalharam a paixão pela corrida, você pode se questionar se ficou fora de forma. Seu corpo se lembrará como correr em um determinado ritmo? Suas pernas ficarão fracas e bambas? E quantas vezes você terá que pisar no asfalto ou pular em uma esteira antes de sentir diversão ao praticar a atividade outra vez?
A boa notícia é que os músculos retêm uma memória de sua força anterior, o que pode facilitar a recuperação do seu condicionamento físico — diferentemente do que ocorreria se você estivesse começando do zero, por exemplo. Caso tenha ficado de fora das atividades por apenas duas ou três semanas, pode ser que uma mudança significativa no seu desempenho nem seja notada, especialmente se você permaneceu fisicamente ativo durante o tempo livre.
Mas, caso o tempo de pausa tenha sido mais longo, você pode não conseguir correr vários quilômetros seguidos. Em vez disso, uma dica é misturar a corrida com a caminhada e reservar um tempo para fortalecer os músculos não utilizados, além de inserir alguns truques para se motivar e recompensar a si mesmo.
Pode levar cerca de dois meses até que um novo comportamento se torne automático. E, uma vez que isso acontece, também se torna menos penoso. Até lá, porém, você deverá se preocupar em diminuir o potencial de lesão e frustração. Confira algumas dicas respaldadas por especialistas para superar o período de retorno ao treino e voltar a pegar a estrada com paixão.
Crie uma rotina
É mais provável manter o hábito da corrida se começar com objetivos pequenos. Isso pode significar que você precise maneirar um pouco o ritmo e a distância percorridos.
— É devagar e sempre que se vence a corrida — disse Karena Wu, fisioterapeuta e proprietária da ActiveCare Physical Therapy, em Nova York. O objetivo é desacelerar até conseguir passar no teste da fala, que significa manter uma conversa enquanto corre.
Tente fazer duas a três corridas curtas e fáceis por semana. Você também pode seguir um plano de treinamento de sofá projetado para corredores iniciantes e para aqueles que estão retornando após uma longa pausa. Alternativamente, você pode usar uma estratégia que incorpore pausas de caminhada em suas corridas.
Qualquer que seja o plano escolhido, certifique-se de que ele tenha elementos de treinamento de força, alongamento e descanso. O ponto é permanecer consistente e lembrar que você está usando esse tempo para recondicionar os músculos, tendões, ligamentos e tecidos conjuntivos em suas pernas.
Recompensas imediatas
Pesquisas sugerem que a motivação por si só nem sempre é suficiente. Combinar recompensas pequenas e imediatas a uma tarefa — como assistir filmes enquanto está na esteira ou se deliciar com um banho de sal após uma longa corrida — pode tornar mais fácil e agradável continuar fazendo essas atividades.
— As pessoas repetem comportamentos de que gostam — disse Wendy Wood, psicóloga pesquisadora da Universidade do Sul da Califórnia. — Se você odeia correr, provavelmente não há muito que você possa fazer para se motivar.
Recompensas de curto prazo podem ajudá-lo nos dias em que sua motivação está em falta. E eles podem até acelerar a formação do novo hábito de corrida.
Estudos também mostram que você pode obter recompensas psicológicas ao correr com um grupo de amigos, ouvindo palavras de afirmação de um treinador ou escutando suas músicas favoritas.
O treinamento de força ajuda a preparar seu corpo para correr novamente e pode mantê-lo livre de lesões a longo prazo. Muitos fisioterapeutas e especialistas em corrida recomendam este treinamento algumas semanas antes de voltar a correr para aumentar a força muscular, a flexibilidade e melhorar a biomecânica geral.
— Acho que muitas pessoas usam a corrida para entrar em forma, mas eu realmente recomendo entrar em forma para voltar a correr — disse Irene Davis, especialista em biomecânica da corrida da Universidade do Sul da Flórida.
Os corredores tendem a ser fracos nos pés e tornozelos, assim como nos quadris e glúteos, disse Davis. Para fortalecer essas áreas, é recomendado o levantamento de peso, yoga, calistenia ou pliometria pelo menos dois dias por semana. Ou seja, exercícios que treinam vários músculos ao mesmo tempo.
Aquecimento
Um aquecimento bem planejado também pode fazer seu sangue fluir e preparar seus músculos para correr. Wu e Davis recomendaram alongamentos dinâmicos, nos quais você move suas articulações e músculos imitando o movimento que você está prestes a realiza. Para os corredores, geralmente são os mesmos exercícios usados no treinamento de força, como lunges e agachamentos.
A pesquisa ofereceu resultados mistos e muitas vezes contraditórios em relação aos benefícios do resfriamento após um treino. Mas muitos atletas e fisioterapeutas, incluindo Wu, recomendam alongamentos estáticos, nos quais você mantém uma posição por um período de tempo, após uma corrida.
Ela também recomendou levar o joelho ao peito, puxar o tornozelo em direção aos glúteos, encostar-se a uma parede para alongar as panturrilhas ou mover os quadris em círculo. Experimente o alongamento e veja se isso faz você se sentir mais flexível ou ajuda a recuperar energia para a próxima corrida.
Descanse bastante
Só porque seu corpo se lembra de como fazer uma corrida não significa que seus músculos e articulações estão prontos para o pedágio que ela pode exigir. Enquanto você está reconstruindo resistência e força durante as corridas, você também está quebrando seu corpo de várias maneiras. Tirar pelo menos um dia de folga por semana ajudará a evitar lesões e permitirá que você volte mais forte, permitindo que seu corpo se recupere.
Durante cada corrida, seu corpo também esgota suas reservas de glicogênio, um tipo de carboidrato armazenado nos músculos e no fígado. Descansar e reabastecer ajuda a repor essas reservas para que você possa usá-las como energia quando voltar a correr.
Lembre-se de que você está progredindo ao longo de todo o processo. Correr é uma maneira revigorante de se exercitar com a brisa nos cabelos e o chão aos pés. Então tire o pó desses sapatos e saia pela porta.
O Globo terça, 17 de maio de 2022
CULTURA: PASSISTAS DE ESCOLAS DE SAMBA TORNAM-SE PATRIMÔNIO CULTURAL DO ESTADO DO RIO
Passistas de escolas de samba tornam-se Patrimônio Cultural do Estado do Rio
Por Nelson Lima Neto
17/05/2022 • 10:00
O governador Cláudio Castro sancionou lei que declara passistas de samba como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. O texto saiu na edição de hoje do Diário Oficial do Rio.
Além de exaltar a ala que traz o samba no pé e alegria a todos que assistem ao maior espetáculo da Terra, a iniciativa serve como reconhecimento à importância do carnaval para a cultura e a sociedade fluminense.
Em janeiro, o governador declarou, por meio de outra lei, que mestres-sala e a portas-bandeira também são Patrimônio Cultural de natureza imaterial do Rio de Janeiro.
O Globo segunda, 16 de maio de 2022
CULTURA: CHIMAMANDA FALA PARA MILHARES NO RIO, MAS RECHAÇA STATUS DE ÍDOLO POP
Chimamanda fala para milhares no Rio, mas rechaça status de ídolo pop: 'Não quero ser guru'
Em entrevista ao GLOBO, escritora nigeriana fez críticas a Bolsonaro, falou sobre identificação com mulheres negras do Brasil e saiu curiosa com a produção literária nacional: 'É preciso traduzir os escritores negros brasileiros'
Por Renata Izaal — Rio de Janeiro
15/05/2022 20h49 Atualizado há 8 horas
Chimamanda Ngozi Adichie no Rio — Foto: Leo Martins/Agência O Globo
Quando Chimamanda Ngozi Adichie esteve no Brasil pela primeira vez, para participar da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2008, ela era uma promissora escritora nigeriana cujos dois primeiros livros, “Hibisco roxo” e “Meio sol amarelo”, tinham conquistado os meios literários. Quatorze anos depois, voltou ao país no último fim de semana para participar do LER - Salão Carioca do Livro, agora com outro status: ícone cultural e feminista.
Chegou e foi embora como um ídolo pop, posição raríssima para uma escritora. Entre sexta e domingo, o quanto durou sua estadia em um hotel cinco estrelas de Copacabana, cumpriu uma agenda tão intensa que chegou a desmarcar entrevistas. Com o GLOBO, falou durante 30 minutos na van que a levou do hotel ao Maracanãzinho, onde, na noite de sábado, discursou para uma plateia de 3 mil pessoas, a maioria estudantes da rede pública. No caminho, a escritora respondeu a algumas perguntas, mas, sobretudo, fez as suas, ávida em entender o panorama político, racial e de gênero do Brasil, o que, convenhamos, não é lá muito simples de explicar em pouco tempo.
— Da última vez em que estive no Brasil, eu questionei onde estavam as pessoas negras. Desta vez, eu as vi mais, mas não sei se isso é uma consequência de eu ter me posicionado no passado — disse ela, ciente de que está no país que tem a segunda maior população negra do mundo depois do seu, a Nigéria. — O racismo não deveria acontecer aqui, não faz sentido!
Chimamanda Ngozi Adichie no Maracanazinho — Foto: Leo Martins / Agência O Globo
Nesses três dias, Chimamanda falou, ouviu muito e deixou recados, alguns políticos e outros afetivos, com a autoridade de quem, desta vez, trouxe consigo um prêmio do National Book Critics Circle pelo romance “Americanah”, 16 títulos de doutora honoris causa, um discurso citado por Beyoncé na canção “Flawless” e o título de uma de suas palestras estampado em uma camiseta da Dior. Aliás, seus dois TED Talks, “O perigo da história única” e “Deveríamos ser todos feministas”, somam 15 milhões de visualizações. Não é de estranhar, então, que a escritora tenha sido ovacionada no Maracanãzinho por uma legião de chimamanders.
O público ouviu, por cerca de uma hora e meia, a conferência “Contando histórias para empoderar e humanizar”, na qual a autora repetiu temas que têm sido mantras nos últimos anos: a importância de formar leitores e, mais ainda, das histórias para a construção de sociedades plurais. Chimamanda subiu ao palco armado no ginásio apresentada pela filósofa Djamila Ribeiro, a quem saudou como “corajosa e inspiradora”. A admiração é mútua.
— Chimamanda é muito lida no Brasil e sua obra dialoga com a realidade do país. Além de excelente escritora, ela tem um trabalho importante como feminista. Tê-la num ginásio, falando para milhares, é um marco. Mostra o poder dela e o alcance de sua obra, ao mesmo tempo que democratiza seus saberes — contou Djamila ao GLOBO.
Chimamanda no B
rasil
Escritora nigeriana falou para 3 mil pessoas no Maracanãzinho, no Rio
O texto apresentado na noite de sábado foi alterado horas antes do início da conferência para incluir os pensamentos da escritora sobre tudo o que viu e ouviu no país. Antes de falar ao público, ela jantou com uma turma que incluía o ator Lázaro Ramos, a jornalista Maju Coutinho, a própria Djamila e a escritora Eliana Alves Cruz, cuja obra ela lamentou não poder conhecer (“É preciso traduzir os escritores negros brasileiros”, disse). Deu também uma coletiva de imprensa, onde, para sua surpresa, a maioria das jornalistas eram negras. Um encontro do qual saiu chocada com os casos recentes de trabalho análogo à escravidão, encantada com as tranças das mulheres (“quero saber se há muitos trancistas no Rio, porque vocês têm cabelos lindos”) e emocionada com os relatos.
— Eu não tenho a experiência de raça delas porque cresci na Nigéria, mas pude me identificar. Não apenas a fala, mas a linguagem corporal e as expressões faciais me mostraram o sofrimento causado pelo racismo. Foi muito emocionante. — contou Chimamanda, ressaltando não ter respostas para todas as perguntas feitas por jovens mulheres. — Eu escolhi falar sobre feminismo porque me importo. Mas não quero ser um guru. Há neles uma certeza religiosa que é o oposto de quem eu sou. Certezas são atraentes, mas não são reais.
Acompanhada no Rio pelo irmão, o marido e a filha de 6 anos (os quatro só conversam em igbo, língua do grupo étnico a que sua família pertence: “é a mais bonita do mundo”, diz ela), Chimamanda foi na manhã de domingo a Rocinha, um desejo depois de entender que a maior parte da população das favelas cariocas é negra. No Maracanãzinho, ela não deixou por menos: “É preciso contar as histórias verdadeiras. A história de que as favelas têm maioria negra é incompleta. É preciso começar contando as razões dessa pobreza”, afirmou sob muitos “uhuu”.
Enquanto durou nosso passeio de van, Chimamanda quis saber mais sobre a preservação do Cais do Valongo e sobre as falas misóginas do presidente Jair Bolsonaro. Diante de episódios como o da “fraquejada”, não titubeou: “Soa para mim como uma criança estúpida. Como ele tem apelo?”.
No Maracanãzinho, ela se despediu dizendo esperar que a mensagem do Brasil para o mundo seja sua diversidade racial e cultural, não apenas suas praias e biquínis. E assegurou que vai voltar ao país.
“Espero que quando eu estiver aqui de novo vocês tenham um governante que respeite as mulheres”.
O Globo domingo, 15 de maio de 2022
MÚSICA: MILTON NASCIMENTO ANUNCIA QUE FARÁ A ÚLTIMA TURNÊ
Milton Nascimento: ‘Não penso em nada que eu não fiz e gostaria de ter feito’
Ao anunciar que fará a última turnê da carreira, Milton Nascimento fala sobre a 'prisão' da pandemia, o legado do Clube da Esquina e a despedida dos palcos: 'De shows, quero parar. Mas quero continuar compondo e cantando'
Por Luiz Fernando Vianna; Especial Para O GLOBO — Rio de Janeiro
Por Luiz Fernando Vianna; Especial Para O GLOBO — Rio de Janeiro
15/05/2022 04h30 Atualizado há 6 horas
Milton Nascimento fará sua última turnê — Foto: Divulgação/Marcos Hermes
Ao ouvir Milton Nascimento cantando “Ponta de areia” e tocando sua pequena sanfona, o público dos próximos shows do artista começará a viver um encontro que é também uma despedida. “A última sessão de música” é a turnê final de Milton. Poderá ainda fazer gravações, mas não subirá mais em palcos.
— De shows, eu quero parar. Mas quero continuar compondo e cantando. Não vou deixar de mexer com música — afirma ele, que completará 80 anos em 26 de outubro.
A série de apresentações ganhará hoje um site próprio: www.aultimasessaodemusica.com. Na quarta-feira, dia 18, começará a venda de ingressos para as noites já confirmadas: 5 e 6 de agosto no Rio (Jeunesse Arena); 26 e 27 de agosto em São Paulo (Espaço das Américas); 13 de novembro em Belo Horizonte (estádio Mineirão).
A pré-estreia — antes de uma viagem para se despedir de palcos europeus — será em 11 de junho, na Cidade das Artes, na Barra. Haverá apenas 400 pessoas na plateia, além de convidados. Elas terão adquirido o NFT Milton Nascimento. NFTs (tokens não fungíveis, na sigla em inglês) são peças únicas, com certificação digital. No caso, darão direito, por exemplo, a pôsteres autografados. A venda também se iniciará na quarta-feira. Os valores serão divulgados no site.
Augusto Nascimento, filho adotivo, empresário e diretor artístico de Milton, adianta que o roteiro dos shows será quase todo cronológico. Logo na primeira parte estará “Travessia”, a música que ficou com o segundo lugar no Festival Internacional da Canção de 1967 e impulsionou a carreira do artista. Foi a primeira parceria com Fernando Brant, que nem se imaginava letrista. “Outubro”, a segunda parceria, também estará no repertório.
Em seguida, virão na ordem canções de vários discos, de “Milton” (1970) até “Pietá” (2002). No final, entrará “Encontros e despedidas”, faixa-título do LP de 1986.
— Ela é o conceito do show — explica Augusto.
A semana que passou trouxe uma ótima notícia para Milton. “Clube da Esquina”, de 1972, foi escolhido o melhor álbum brasileiro de todos os tempos numa enquete promovida pelo podcast Discoteca Básica.
— Não dá nem para falar da alegria que eu estou sentindo. Melhor de todos os tempos eu não pensei. Mas que é bom, é — diz o cantor.
Milton Nascimento fará a última turnê de sua carreira — Foto: Divulgação/Marcos Hermes
Juntamente com seu nome na capa entrou o de Lô Borges, então com 20 anos, dez a menos do que o amigo. Mas o álbum duplo foi uma produção coletiva, com criações de diversos compositores (Beto Guedes entre eles) e participações de diversos músicos. Se não bastasse a força das canções, o trabalho surgiu com uma qualidade técnica impensável. O estúdio da Odeon tinha apenas dois canais de gravação, o que obrigava o registro de vários instrumentos ao mesmo tempo.
— A gente tinha que ensaiar muito antes. Fizemos uma coisa biruta, mas foi um tempo muito bom — recorda Milton, que preparou parte do repertório enquanto morava com Lô e Beto numa casa em Piratininga, em Niterói. — Era música o tempo todo.
Do disco clássico, estarão na última turnê “Tudo o que você podia ser”, “Cais”, “San Vicente”, “Clube da Esquina 2”, “Lília” e “Nada será como antes”. Do segundo “Clube da Esquina”, de 1978, entrará apenas a faixa “Maria, Maria”. A ideia é que o roteiro reúna os grandes sucessos. Não faltará, portanto, “Nos bailes da vida”.
Nem tanto sucesso fez “Canção do sal”, mas que está no show porque teve um papel decisivo: foi lançada em 1965 por Elis Regina quando o compositor era um desconhecido no Rio.
— Fui na casa dela com o (Gilberto) Gil. Mostrei um monte de músicas, e Elis não disse nada. Ela perguntou: “Não tem mais nenhuma?” Eu falei: “Tem, mas não gosto.” Toquei “Canção do sal”, e ela falou: “É essa!”
Milton fez quatro shows recentemente. Tinham ficado pendentes, pois a turnê “Clube da Esquina” foi suspensa por causa da pandemia. Desde o aparecimento da Covid-19, realizou três lives em casa e uma já no palco — mas sem público — com a Orquestra de Ouro Preto.
— Foram três anos sem fazer música e dentro de casa, sem ver quase ninguém — lamenta.
Coração de estudante. Milton na Passeata dos Cem Mil (sexto da esquerda para a direita na primeira fila), em 1968, com artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zé Celso, Chico Buarque, Edu Lobo e Othon Bastos: “Se os jovens soubessem o que é uma ditadura, não iam querer” — Foto: arquivo/26-6-1968
Responsável pela “prisão” do pai, Augusto se justifica:
— Eu fiquei paranoico. O que as pessoas falavam sobre grupo de risco era o que se encaixava nele. Eu pensei: vai morrer. Aí tranquei a casa. Até hoje, não chego perto dele sem máscara. Mas, agora, tomou a quarta dose da vacina.
Milton Nascimento se locomove com alguma dificuldade. Precisa controlar a diabete, que já saiu do prumo várias vezes. Reforça não ter Mal de Parkinson. Diz que mexer muito com a mão direita é mania. Em 2014, enfrentou um período de depressão profunda. Daquele ano até o final de 2021, morou em Juiz de Fora (MG). De volta ao Rio, não quer mais sair da cidade. Ele, aliás, é carioca de berço, tendo se mudado para Três Pontas, com seus pais adotivos, aos 3 anos.
— Estava sentindo falta da floresta — diz em sua casa no Itanhangá, com paisagem farta em verde.
A paz é interrompida quando pensa na situação política do país. Assusta-se quando ouve falar na possibilidade de um novo golpe militar. Durante a ditadura, recebia cartas ameaçadoras do CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Há poucos anos, encontraram em sua ficha no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, órgão de repressão) fotos que mostram que ele era seguido pelo regime. Foi um período em que mergulhou fundo na bebida.
— Se os jovens soubessem o que é uma ditadura, não iam querer. Só espero que não aconteça mais. Outra dessa o país não aguenta — diz ele, em cujos shows tem ouvido coros de “Fora, Bolsonaro”.
Como não poderia deixar de ser, sua voz não é mais a mesma. Os falsetes marcantes não são viáveis, e o canto está mais contido. Ele recorda que até a adolescência era fã de vozes femininas que escutava no rádio, como as de Dalva de Oliveira e Angela Maria.
— Eu gostava de cantar. Quando foi entrando a voz de homem, não queria cantar mais. Até o dia em que escutei o Ray Charles. O cara não ficava mostrando que tinha voz, saía de dentro dele —conta. — Eu não gostava de imitar ninguém. Bateu na minha cabeça que minha voz era diferente de todas.
Celebração
Nos shows, ele tem o apoio vocal de Zé Ibarra (também violonista) e Wilson Lopes (violão, guitarra e direção musical). A banda tem oito integrantes, que Milton considera uma família. “A última sessão de música” ainda terá cenário com assinatura de Osgemeos e figurinos de Ronaldo Fraga.
<caption><cutline_leadin>Clube da Esquina.</cutline_leadin> <EP,1>Lô Borges, Hélcio Jacaré, Milton Nascimento e Beto Guedes na cidade de Três Pontas (MG), onde Bituca cresceu<EP,1></caption> — Foto: arquivo/4-6-1972
O cantor considera a turnê uma comemoração de 60 anos de carreira. O marco inicial, que ele estabeleceu, é a mudança de Três Pontas para Belo Horizonte, quando começou a tocar na noite ao lado de Wagner Tiso e outros músicos.
Indício de que a carreira não está se encerrando são as três melodias que compôs recentemente. Uma delas ganhou letra de um de seus principais parceiros, Ronaldo Bastos, e o título “Sorte no amor”. Augusto tem planos de ainda produzir um álbum de inéditas.
O Globo sábado, 14 de maio de 2022
ESPORTES - BRASILEIRÃO, CHELSEA X LIVERPOOL E MASTERS 1.000 DE ROMA SÃO DESTAQUES DESTE SÁBADO
Brasileirão, Chelsea x Liverpool e Masters 1.000 de Roma são destaques deste sábado
Como será a Fórmula 4, nova categoria do automobilismo que começa neste sábado
Com 16 pilotos no grid, incluindo uma menina e alguns sobrenomes famosos, uma categoria de automobilismo estreia hoje no Brasil com a promessa de oferecer uma possibilidade de crescimento para os novos talentos. A Fórmula 4 terá sua corrida inaugural em Mogi Guaçu (SP). No total, serão seis etapas, compostas por três provas cada, com transmissão ao vivo do canal BandSports e YouTube da Stock Car. LEIA A MATÉRIA COMPLETA
Teste do novo carro da Fórmula-4 no Brasil na pista da Pirelli, no Brasil (Foto: Duda Bairros/Divulgação)
Brasileirão, Série B, Copa da Inglaterra e Masters 1.000 de Roma são destaques deste sábado:
Cinco partidas abrem neste sábado a sexta rodada do Brasileiro. Atual líder da competição, o Corinthians encara o Internacional, às 19h, fora de casa. Mais cedo, o Flamengo tenta buscar a recuperação diante do Ceará, às 16h30, também fora. O Fluminense encara o Athletico, às 21h, em Volta Redonda. O sábado também terá a final da Copa da Inglaterra (FA Cup) entre Chelsea e Liverpool, às 12h45 (de Brasília), além de duelos decisivos no Masters 1.000 de Roma. VEJA A PROGRAMAÇÃO DE TV COMPLETA.
Djokovic, Salah eGabigol (Foto: AFP e divulgação)
Após a emocionante final da Copa da Liga em 27 de fevereiro, com vitória do Liverpool nos pênaltis (11-10) sobre o Chelsea, as duas equipes voltam a se encontrar na final da prestigiosa FA Cup, neste sábado, às 12h45, em Wembley. Os 'Reds' têm a chance de adicionar o segundo troféu da temporada à galeria de Anfield, duas semanas antes da final da Liga dos Campeões contra o Real Madrid. Já o Chelsea só luta por esse título e buscará a vingança contra o Liverpool após a final da Copa da Liga.
Chelsea e Liverpool se enfrentam pelo título da FA Cup (Foto: Action Images via Reuters/Andrew Boyers)
Turbulência política no Flamengo aumenta pressão sobre Paulo Sousa por evolução. Time enfrenta o Ceará neste sábado próximo da zona de rebaixamento do Brasileiro. Leia a matéria completa
Médico do Flamengo, Márcio Tannure, com o técnico Paulo Sousa (Foto: Divulgação)
O Globo sexta, 13 de maio de 2022
MODA! CABELO AFRO RESISTE AO RACISMO ESTÉTICO
O crespo é livre: belo e ancestral, cabelo afro resiste ao racismo estético
Cabelos das mulheres pretas chegam a este 13 de maio — data que marca a abolição da escravidão — como um dos maiores símbolos da negritude
Por Pâmela Dias e Jéssica Marques — Rio
13/05/2022 04h30 Atualizado há 3 horas
Renata Varella reforça a importância da rede de apoio entre mulheres negras — Foto: Leo Martins
Black Power, rastafari, com dreads, cacheados, encarapinhados... Os cabelos das mulheres pretas chegam a este 13 de maio — data que marca a abolição da escravidão — livres e como um dos maiores símbolos da negritude ao lado da pele. Protagonista do debate racial desde sempre, ele volta à roda no Brasil de hoje com o resgate da ancestralidade, na ressignificação do conceito de beleza e na denúncia do racismo estético. Na última semana, por exemplo, ao defender seu crespo, uma mulher negra mobilizou o metrô de São Paulo a externar o preconceito sofrido por ela, após uma senhora branca declarar que temia “pegar doença” ao encostar em seu cabelo.
Não é de agora que o cabelo afro é tachado de “feio”, “sujo” e “duro”. O processo de colonização da África, que se repetiu no Brasil, deixou como herança uma sociedade que reconhece majoritariamente os fios lisos como belo, de acordo com a antropóloga Denise da Costa, professora da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-brasileira. Graças à atuação secular de movimentos negros, que tomaram fôlego entre 1960 e 1970 com o “black is beautiful” (preto é bonito, na tradução), a história de ancestralidade se traduz por números do Google: nos últimos cinco anos, a busca por cabelos cacheados e crespos superou a de lisos em 309%, de acordo com uma pesquisa do Dossiê BrandLab.
— Na cultura africana, que se tornou marginalizada na colonização, o cabelo cumpre a função de representar a particularidade de cada povo e simboliza fertilidade, classe social, função política. Por isso, o processo de reconhecimento da identidade é muito mais interno do que vindo de uma possível aprovação da branquitude. Negar a nossa beleza foi a primeira arma que usaram contra nós negros, e nós reconhecermos nossa beleza significa reconquistar a dignidade e a humanidade — diz a antropóloga.
Transição capilar
Não à toa o processo de transição capilar — em que negros deixam de alisar os cabelos para assumir a forma crespa — tem se intensificado. A analista de sistemas, Olívia Raquel, de 23 anos, começou a fazer relaxamento ainda criança, aos 11 anos, por influência da sua mãe branca. Por cinco anos, ela teve os fios lisos para não ouvir comentários de que tinha cabelos “pichaim” ou “duro”.
— Sinto que alisar nunca foi algo que eu realmente queria — diz ela, que deixou a raiz crescer e viu os cachos ressurgirem aos 16 anos.
A modelo gaúcha Tatiani Souza, de 42 anos, hoje assina, artisticamente, “Tati Crespa”. Mas nem sempre foi assim: ela alisou o cabelo por 22 anos. Com o cabelo livre da química há mais de cinco, ela diz que ainda recebe propostas na área da moda para fazer “escova progressiva”. A última oferta foi de R$ 3 mil. Ela recusa e é irredutível, quer que “suas origens sejam respeitadas”.
— Sai Tatiani e entra Tati Crespa. Hoje, quem quiser trabalhar com a minha imagem, vai ter que me aceitar do jeito que sou. Um penteado até vai, mas química nunca mais. Defendo que sou livre para assumir meu cabelo, fazer até uma escova, se eu quiser, mas livre dos preconceitos e imposições — diz.
O mercado de trabalho, por sinal, é um dos espaços em que a presença do racismo estético é forte. Um estudo publicado na revista “Social Psychological and Personality Science”, em 2020, mostrou que durante entrevistas de emprego, mulheres negras americanas com cabelos crespos eram percebidas como menos profissionais, menos competentes e menos propensas a serem recomendadas para uma vaga do que mulheres negras com cabelos alisados e mulheres brancas com penteados cacheados ou lisos. Uma realidade de preconceito que se parece com a daqui: Cristiane de Almeida, de 51 anos, foi vítima do escárnio de um colega de trabalho quando iniciou a transição capilar, há quatro anos, no Clube das Pretas — salão especializado em cortes e penteados de cabelos crespos e cacheados.
— O processo de transição foi muito difícil. Um colega puxava o meu cabelo e me ridicularizava na frente das pessoas. Eu me senti mal, achei que estava todo mundo olhando para o meu cabelo. E estavam olhando mesmo. Percebi que tais brincadeiras não eram feiras com outras colegas de cabelo liso e brancas — diz Cristiane.
Acolhimento
Levantando a bandeira do “nós por nós”, uma das criadoras do Clube das Pretas, a professora Renata Varella, de 37 anos, defende que a rede de apoio faz toda a diferença no processo de reconhecimento das madeixas afro.
— A relação da mulher negra com o seu cabelo natural é de anos de sofrimento. É uma busca infinita por achar que nossos cabelos afros são um problema. Mas isso está mudando — diz a professora.
Segundo a antropóloga Denise da Costa, apesar de lento, o aumento da conscientização sobre o racismo no país é notório e pode ter contribuído para que, no caso de racismo no metrô de SP, centenas de passageiros apoiassem a vítima Welica Ribeiro na denúncia contra a húngara Agnes Vajda.
— Ainda estamos longe de conseguir uma abolição do racismo estético, mas a junção de políticas afirmativas e o interesse das pessoas pelas questões raciais já foi um avanço — conclui.
O Globo quinta, 12 de maio de 2022
TURISMO: TAILÂNDIA - REGRAS DE ENTRADA MAIS FLEXÍVEIS E SUSTENTABILIDADE NA RETOMADA DO TURISMO
Tailândia: regras de entrada mais flexíveis e sustentabilidade na retomada do turismo
País no Sudeste da Ásia deixa de exigir teste PCR negativo de viajantes totalmente vacinados contra a Covid-19
Por Eduardo Maia
12/05/2022 04h30 Atualizado há 6 horas
Praia mais famosa da Tailândia, Maya Bay foi reaberta ao público em janeiro de 2022, com restrição de visitação — Foto: Athit Perawongmetha/Reuters
Desde o dia 1º deste mês, viajantes completamente vacinados contra Covid-19 não precisam mais mostrar um teste negativo para entrar na Tailândia. O fim de mais uma barreira sanitária, entre tantas levantadas ao longo da pandemia, reforça o momento de retomada do turismo no país do Sudeste da Ásia, que nos últimos anos viu sua hotelaria e cena gastronômica serem renovadas. Apesar de estarem de braços abertos aos visitantes internacionais, os tailandeses agora querem propor uma nova maneira de viajar, mais sustentável.
Um dos símbolos deste novo momento é Maya Bay, o ponto mais famoso do litoral tailandês, que, depois de ter servido de cenário para o filme “A praia” (2000), com Leonardo DiCaprio, passou por uma explosão turística, até precisar ser fechado totalmente em 2018, para a recuperação de seu frágil ecossistema. Acredita-se que cerca de 50% de seus corais tenham sido destruídos pelas âncoras das embarcações que paravam.
Em 1º de janeiro, a pequena enseada foi reaberta à visitação, mas com novas regras. Agora, barcos turísticos não são mais permitidos, e o acesso se dá por um novo píer, construído na praia vizinha de Loh Samah, a uma curta caminhada de distância. Serão permitidos até três mil visitantes por dia, sendo 300 por vez, e os banhistas poderão ficar apenas na areia ou entrar no mar dentro de uma faixa de 50 metros.
As regras podem até parecer muito restritivas, em se tratando de um dos cartões-postais mais concorridos da Ásia. Mas a recuperação ambiental desses últimos três anos animou os cientistas e ajudou as autoridades responsáveis pelo turismo local a recalcularem a rota.
No estande da Tailândia na ILTM Latin America, principal feira do turismo de luxo do país, que aconteceu na última semana, em São Paulo, o representante do turismo na América do Sul, Jefferson Santos, afirmou que a pandemia ajudou o país a reavaliar que tipo de visita quer promover:
— Antes, parte importante dos turistas na Tailândia era de países vizinhos, sobretudo a China, que passavam pouco tempo e iam embora. Agora, é clara a ideia de substituir as visitas mais curtas e rápidas por aquelas que valorizem mais a experiência e o contato com a cultura tailandesa.
Banho nos elefantes
Criança turista alimenta um elefante num dos santuários dedicados à preservação da espécie na Tailândia — Foto: Divulgação / TATLA
Um exemplo dessa nova abordagem passa pelos elefantes. Presentes não apenas nas florestas, mas também na vida da sociedade tailandesa, os maiores animais terrestres do continente por muitos anos vêm sendo explorados também como atrativos turísticos.
Em vez de passeios no lombo dos elefantes, os viajantes estão sendo incentivados a conhecer santuários eticamente responsáveis, muitos com elefantes resgatados de práticas de maus-tratos. Nesses lugares, o turista “adota” um animal e, durante um dia, participa de seus cuidados, da alimentação ao banho. E passando por momentos, digamos, inesquecíveis.
— O visitante aprende, por exemplo, a amassar as fezes do animal para ver se ele está doente ou não. Usando luvas, é claro! — diz Santos. — As pessoas estão descobrindo que dessa forma aprendem muito mais sobre os elefantes do que os usando como meio de transporte, só para tirar foto. Não há mais espaço para isso.
Estes santuários estão espalhados por todo o país. Entre os mais conhecidos e próximos a importantes destinos turísticos da Tailândia estão o Elephant Nature Park, na histórica cidade de Chiang Mai, no Norte; o Phuket Elephant Sanctuary, no movimentado balneário, no Sul do país; e ElephantsWorld, em Kanchanaburi, a duas horas de Bangkok.
Quarto de frente para o Rio Chao Phraya do hotel cinco estrelas Capella Bangkok, aberto no final de 2020 — Foto: Divulgação
Outra maneira de mergulhar na cultura tailandesa, claro, é por meio de sua gastronomia. Para Candy Krajangsri, executiva de Marketing da Autoridade Turística da Tailândia, também presente da ILMT Latin America, quem viaja para o país pensando que encontrará apenas comida condimentada e apimentada costuma se surpreender.
— Nossa comida é tão diversa como o próprio país, e quem prova dela quer sempre repetir a dose, nem que seja em casa. Tanto que um dos programas que mais têm crescido nos últimos tempos é o das aulas de culinária para turistas — comentou.
O momento é bom também para conhecer novos hotéis que abriram as portas um pouco antes ou durante a pandemia. Ocupando terrenos vizinhos às margens do Rio Chao Phraya, os cinco estrelas Capella Bangkok e Four Seasons Bangkok abriram no final de 2020 com visões contemporâneas da hotelaria de luxo, e ajudaram a reposicionar a capital no cenário regional.
As novas regras
O famoso Buda dourado de 18 metros de altura do templo Wat Phra Yai, na cidade de Pattaya, Tailândia — Foto: Manan Vatsyayana / AFP
Antes da pandemia, o turismo representava 12% do PIB Tailandês — que foi de US$ 501 bilhões. A reabertura aos visitantes internacionais vem acontecendo em fases, desde meados de 2021, quando destinos turísticos como Phuket começaram a receber visitantes. Em outubro, mais regiões reabriram, como Bangkok e Pattaya, conhecida, entre outras coisas, pelo Buda dourado de 18 metros de altura do templo Wat Phra Yai.
A mais recente fase começou agora em maio. Nela, viajantes com a vacinação completa precisam apenas preencher o formulário eletrônico Thailand Pass (tp.consular.go.th), onde devem incluir o certificado de vacinação e um seguro de saúde com uma cobertura mínima de US$ 10 mil (antes, era de US$ 20 mil).
Já os não vacinados podem entrar sob duas condições. Se apresentarem um PCR negativo feito com 72 horas de antecedência, não precisarão fazer quarentena nem teste na chegada. Quem não apresentar este teste deve ficar em isolamento no hotel após o desembarque, e precisa fazer um exame após cinco dias para ser liberado.
O Globo quarta, 11 de maio de 2022
SELEÇÃO BRASILEIRA: TITE FAZ NOVA CONVOCAÇÃO
Seleção: Tite convoca dois do Palmeiras, um do Atlético-MG e ninguém do Flamengo; veja lista
Final da Champions, entre Liverpool e Real Madrid, deve ausentar dois titulares do Brasil de amistoso contra a Coreia do Sul
Por Bruno Marinho — Rio de Janeiro
11/05/2022 10h23 Atualizado há 3 minutos
Tite fez penúltima convocação antes da lista final da Copa do Mundo — Foto: Lucas Figueiredo/CBF
O técnico Tite convocou a seleção brasileira para os amistosos contra Coreia do Sul, Japão e um terceiro adversário, dias 2, 6 e 11 de junho. A grande novidade é a presença de Danilo, do Palmeiras. O volante foi chamado pela primeira vez. Sua inclusão ou não no grupo é uma das poucas questões abertas para o Mundial, a seis meses de seu início. Com a ausência de Raphael Veiga, também do alviverde, as chances do jogador de ir ao Catar ficam bem reduzidas.
Foi a penúltima lista antes da relação final. Ela contou com 27 nomes. O Brasil entrará em campo novamente em setembro, provavelmente contra Argentina e México, e depois jogará contra a Sérvia, dia 24 de novembro, sua estreia pelo Grupo G da Copa do Mundo.
A final da Champions, entre Real Madrid e Liverpool, dia 28, em Paris, vai desfalcar a seleção no começo dos trabalhos, dia 24, e também deve tirar os finalistas convocados por Tite do primeiro amistoso, contra a Coreia do Sul, casos de Alisson e Fabinho, Militão, Casemiro, Vini Jr. e Rodrygo.
Do futebol brasileiro, além de Danilo, o goleiro Weverton, do Palmeiras, e Guilherme Arana, do Atlético-MG, foram chamados. Os jogadores vão desfalcar seus times por no mínimo quatro rodadas do Brasileirão, o que inclui um duelo entre o alviverde e o Galo.
Inicialmente, o Brasil realizaria amistoso contra a Argentina, depois de Coreia do Sul e Japão. Entretanto, a CBF foi comunicada pela Pitch, empresa que negocia as partidas amistosas da seleção, que o jogo não seria realizado. O Brasil busca novo adversário, provavelmente um africano, em partida que deve acontecer preferencialmente na Europa.
A lista:
Goleiros: Alisson (Liverpool), Ederson (Manchester City) e Weverton (Palmeiras)
Laterais: Danilo (Juventus), Dani Alves (Barcelona), Alex Sandro (Juventus), Alex Telles (Manchester United) e Guilherme Arana (Atlético-MG)
Zagueiros: Thiago Silva (Chelsea), Marquinhos (PSG), Eder Militão (Real Madrid) e Gabriel Magalhães (Arsenal)
Volantes e meias: Casemiro (Real Madrid), Danilo (Palmeiras), Fabinho (Liverpool), Fred (Manchester United), Bruno Guimarães (Newcastle), Lucas Paquetá (Lyon) e Philippe Coutinho (Aston Villa)
Atacantes: Neymar (PSG), Vini Jr. (Real Madrid), Matheus Cunha (Atlético de Madrid), Gabriel Jesus (Manchester City), Richarlison (Everton), Raphinha (Leeds United) e Rodrygo (Real Madrid), Gabriel Martinelli (Arsenal).
O Globo terça, 10 de maio de 2022
TURISMO: CONHEÇA O HOTEL QUE O JOGADOR HULK ABRIRÁ EM JOÃO PESSOA
Na orla de João Pessoa, um gol de luxo em forma de hotel do jogador Hulk
Artilheiro do Atlético-MG é sócio do Ba'ra, que abrirá em outubro de 2022 na Praia de Cabo Branco, na capital da Paraíba
Por Eduardo Maia
09/05/2022 10h11 Atualizado há um dia
Projeto do Ba'ra, hotel cinco estrelas que abrirá na orla de João Pessoa, na Paraíba, e terá o jogador Hulk como sócio — Foto: Crádito
Maior artilheiro do futebol brasileiro em 2021, o atacante Hulk, do Atlético-MG, está prestes a marcar mais um belo gol em 2022. A diferença é que desta vez não será no gramado de um grande estádio, e sim de frente para o mar, na Praia de Cabo Branco, em João Pessoa. Na orla da capital da Paraíba será inaugurado em outubro o Ba'ra, hotel que tem o jogador como sócio.
Natural da também paraibana Campina Grande, o atacante faz sua estreia no setor com um hotel de 123 quartos, sendo quatro suítes, num dos pontos mais nobres de João Pessoa. Com proposta de luxo e estilo moderno, o hotel terá um restaurante italiano no térreo e um gastrobar no quarto e último andar, com vista privilegiada para o mar.
- Nossa proposta é ser um hotel de luxo, mas descomplicado. Ele foi projetado para se integrar com o calçadão do Cabo Branco, de forma a convidar moradores e visitantes a frequentarem o hotel. Especialmente nossas opções gastronômicas - explica Gefferson Alves, diretor geral do Ba'ra.
Imagem mostra como será o Ba'ra Hotel na Praia de Cabo Branco, em João Pessoa: jogador Hulk é um dos sócios — Foto: Divulgação
A área de maior integração com a comunidade local será o Ba'ra Largo, um espaço aberto que conecta o calçadão da orla ao lobby do hotel, pensado para receber também eventos em geral, de festas a desfiles de moda. Ele é um dos destaques do projeto arquitetônico, assinado pelo escritório colombiano Plan B, que criou um prédio moderno, com grandes jardins suspensos e aproveitamento de luz natural.
Alves conta que o nome Ba'ra vem de um termo tupi-guarani que significa "mar". A proximidade com o oceano, claro, será bastante explorada, especialmente na cobertura, no quarto andar, onde o bar do rooftop e a piscina de borda infinita oferecerão um lindo visual para a orla.
A piscina do Ba'ra Hotel ficará na cobertura, com vista privilegiada para a praia do Cabo Branco, em João Pessoa, Paraíba — Foto: Divulgação
Mas o universo fluvial também tem grande importância na concepção do hotel. Os corredores foram batizados em homenagem a rios brasileiros que correm para o mar. E as categorias de quartos levam nomes de arquipélagos ou ilhas fluviais do país. As principais suítes, por exemplo são das categorias Anavilhanas e Marajó.
A previsão de inauguração é outubro de 2022, mas as pré-reservas já estão abertas no site barahotel.com.br. As diárias variam entre R$ 792 e R$ 2.874 dependendo do tipo de quarto.
O Globo segunda, 09 de maio de 2022
NORDESTE: AÇUDE CEDRO, NO CEARÁ, COM 115 ANOS, VOLTA A TER ÁGUA APÓS SEIS MESES
Com 115 anos, primeiro açude para combater seca no país volta a ter água após seis meses
Defasado e pequeno para a região, Cedro perdeu importância hidrológica, mas virou orgulho e ponto turístico emoldurado aos pés da Galinha Choca
Por Bruno Alfano — Rio
09/05/2022 04h30 Atualizado há 6 horas
Açude Cedro voltou a ter água em 2022, após seis meses completamente seco — Foto: Divulgação
Monumento do Império contra a seca de 115 anos de história, o Açude Cedro, em Quixadá, voltou a ter água depois de seis meses completamente vazio. Com capacidade para 125 milhões de m³, o equivalente a 50 mil piscinas olímpicas, a represa no coração do sertão cearense foi a primeira obra para o combate à seca no país. Defasado e pequeno para a região, perdeu importância hidrológica, mas virou orgulho e ponto turístico emoldurado aos pés da Galinha Choca, uma formação rochosa de destaque no local.
O novo cenário, possível devido às chuvas acima da média que foram registradas mês passado no Ceará, representa apenas 710 mil m³ represados no açude — ou 0,7% do seu volume útil —, ainda assim simboliza esperança.
Açude Cedro, no Ceará, cheio, em 2008 — Foto: Divulgação
— Quem se identifica com a nossa história, sobretudo os mais velhos que cresceram no interior e têm identificação maior com a água, na verdade, com a falta dela, dá muito valor ao Açude Cedro — conta Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos do Ceará.
Obra emblemática
A estrutura, que no ponto mais profundo chega a marcar 20 metros de altura, começou a ser erguida em 1884 por ordem de Dom Pedro II após uma grande seca que assolou o Ceará em 1877. A previsão era de que a obra fosse concluída em 1887, mas isso só ocorreu 1906, já na República.
No caminho, suspeitas de superfaturamento de um engenheiro inglês, acusado de gastar em excesso, de contratar desnecessariamente trabalhadores estrangeiros e de não seguir o projeto; mudanças da presidência da província do Ceará; e muita disputa entre trabalhadores e governantes.
— No dia 20 de dezembro de 1889 houve uma grande confusão envolvendo os retirantes e a polícia, por causa da ausência de comida para todos que estavam na obra do açude. Na ocasião, somente as mulheres e os inválidos (aqueles que não podiam trabalhar) receberam comida. Por isso inúmeros sujeitos entraram em atrito com a força policial, quando tentaram saquear os armazéns. Na briga, dois retirantes foram mortos — conta Renata Monteiro, historiadora autora da dissertação “Um monumento ao Sertão: ciência, política e trabalho na construção do Açude Cedro”, pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Na época, segundo a historiadora, uma elite intelectual chegou a tratar o açude até com certo desdém. Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, afirmou que ele seria “único, monumental e inútil”.
— É uma obra emblemática, construída em blocos de pedra, com tecnologia inglesa, mas superdimensionada. Do ponto de vista hidrológico, não atendeu à região. É muito grande para pouca contribuição de água — diz Teixeira.
Já a historiadora afirma que foi a partir dessa experiência que diversos outros açudes foram estudados e construídos em todo o Nordeste.
Atualmente, a prefeitura de Quixadá tenta junto do governo federal a liberação de R$ 1 milhão para a revitalização do entorno do monumento, que é gerido pela União.
Ao longo do tempo, em meio a cheias e secas, o açude terminou a primeira década do século 21 com bastante água após chuvas acima da média em 2004, 2008, 2009 e 2011. No entanto, desde 2012 a região vive com precipitações abaixo do esperado e, em 2016, o Açude do Cedro voltou a secar completamente.
— Há uma década não chove dentro da média lá e muitos reservatórios foram construídos acima dele que interceptam água. Portanto, o Cedro é de difícil recarga. Além disso, a evaporação do sol no sertão leva mais de dois metros de água por ano — explica Teixeira.
Com o fim da água, o açude virou um cemitério de cágados. Uma equipe de biólogos chegou a contar mais de 430 carcaças. Em 2016, foi a quinta vez que o Cedro secou na história (o fenômeno já havia sido registrado em 1930, 1932, 1950 e 1999), e, depois disso, nunca subiu mais do que 5%.
— No Ceará, a gente tem a incerteza da chuva no primeiro semestre e a certeza da seca no segundo — diz o secretário.
O Ceará conta hoje com uma malha de 155 reservatórios para abastecimento d’água. O maior dele é o Castanhão, que recebe até 6,5 bilhões de m³ d’água — 65 vezes maior do que o Cedro. Neste momento, está com 19% da sua capacidade preenchida, o que significa 600 milhões de m³ estocados.
— Um reservatório com 125 milhões de m³ d’água tem relevância em outros locais. Lá no Cedro, não. A chuva é muito irregular e o sol consome demais. Ou seja, a evaporação seca muito rápido e a água não é reposta — diz Teixeira.
Mudanças climáticas
Neste mês, os reservatórios cearenses atingiram 35% da sua capacidade, a maior média de volume hídrico desde outubro de 2013. A marca tem relação com chuvas acima da média que vêm sendo registradas no estado. No entanto, apenas o Norte (o litoral) e o Sul recebem os sistemas atmosféricos de chuva. No entanto, o miolo do estado, onde fica o Cedro, tem ficado sem preciptação.
— É como se os sistemas atmosféricos não tivessem força para entrar no centro do estado, o que foi causado pelas mudanças climáticas. Além disso, as secas estão mais severas, mais prologadas e os períodos de chuva extrema mais esporádicos — afirma o secretário.
Mas a pouca água já faz brotar a esperança. O cineasta Clébio Viriato conta que o açude é o coração de Quixadá.
— Ele seco nos deixa numa tristeza profunda — diz.
O cineasta lembra com clareza das últimas vezes que o Cedro “sangrou”. Ou seja, quando o nível d’água passou da sua capacidade de armazenamento e ele transbordou.
— Foi um verdadeiro acontecimento — recorda-se.
Clébio estava na escola em 1986 quando o Cedro sangrou. O fenômeno só aconteceu seis vezes na história (1924, 1925, 1974, 1975, 1986 e 1989). Menino, ele foi do colégio direto para o açude, pulou na água de uniforme e teve que se explicar em casa.
— Meu pai estava querendo me dar uma pisa, mas depois ele fez foi rir de ver o filho se identificando com o açude que ele e meu avô já se identificavam — lembra Viriato.
O Globo domingo, 08 de maio de 2022
MODA: CONHEÇA A IRREVERÊNCIA E A CRIATIVIDADE DA STYLIST E MULTIARTISTA LULU NOVIS
Conheça a irreverência e a criatividade da stylist e multiartista Lulu Novis
A carioca assina linhas para grandes grifes, desenhou vestido usado por Mônica Martelli na Sapucaí, no desfile em homenagem ao amigo Paulo Gustavo, e lança nova etiqueta infantil, inspirada nas filhas
Por Marcia Disitzer
08/05/2022 04h31 Atualizado há 6 horas
Lulu Novis veste tricô Loop Vintage, cinto Madnomad, luva Ohlograma, saia Farm e brincos Lool Store — Foto: Guilherme Nabhan. Styling Felipe Veloso. Beleza Carol Ribeiro
Uma cabana em formato de cogumelo foi um dos cenários imaginados pela stylist e multiartista carioca Lulu Novis, de 42 anos, para as fotos deste ensaio. No fim de uma típica tarde de outono, Lulu e as filhas, Antonia, de 13, e Felipa, de 4, vestindo roupas salpicadas de poá, na mais perfeita sincronia, interagiam naturalmente não só com a cabana, mas com diversos cogumelinhos espalhados pelo jardim. A imagem, quase alucinógena, é um retrato do seu jeito irreverente de ser, que conquistou, com altas doses de surrealismo tropical, grifes, fashionistas e celebridades.
Lulu: top, saia e chapéu Prada e sapato Clergerie. Antônia: vestido Farm, camisa Mabô, óulos Yayoi Kusamapara Louis Vuitton e tênis All Star. Felipa: camisa bordada Lulu Novispara C&A, salopete e blazer Lulu Lobster — Foto: Guilherme Nabhan
Lulu é hoje um dos nomes mais consistentes e criativos da moda nacional. Depois de ter assinado inhas com a Farm e a C&A, que se esgotaram em pouquíssimos dias, uniu-se à portuguesa Bordallo Pinheiro em uma parceria exclusiva, que será lançada no Brasil na ArtRio. Além disso, é consultora criativa da Farm global e parte da Gucci Gang no Brasil, nome dado às amigas da grife. Também coube a ela a tarefa de vestir Mônica Martelli no desfile da São Clemente, em homenagem ao humorista Paulo Gustavo. Para fechar a lista (por enquanto), realiza um sonho em sintonia com o Dia das Mães: lança, amanhã, a própria marca, a Lulu Lobster.
Quem adentra seu universo, depara-se com os já famosos “Lulooks”: fazem parte o mix & match de estampas lúdicas — com uma explosão de listras, estrelas, xadrezes, bolas e flores —, a vibração do colorblocking e o grafismo do preto e branco, além de ícones eleitos por ela, como lagostas e falos, que coleciona, usa como adorno e nas suas criações. A frase “há beleza em tudo que eu vejo” que a apresenta no perfil do Instagram, onde tem mais de 50 mil seguidores e constantemente cria imagens ao lado das filhas, é um resumo de sua personalidade deliciosamente transgressora e perfeccionista, e que se estende para a Casa da Boemia, como se refere ao apartamento em que mora. Durante o ensaio, manteve-se atenta a cada detalhe, fazendo de cada foto um quadro idealizado em sua mente borbulhante.
Mas engana-se, e muito, quem acha que essa colheita não custou muitas gargalhadas, algumas lágrim as e noites insones. “Você não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui”. diz Lulu, usando os versos da canção “A estrada”, do Cidade Negra, para ilustrar a emoção em relação ao atual momento profissional. “É incrível ver minhas criações pelo mundo.”
Vestido e blazer Chanel e brinco Monies — Foto: Guilherme Nabhan
A artista mergulhou de cabeça na profissão por meio do jornalismo de moda no começo dos anos 2000, depois de passar quase quatro anos na faculdade de Medicina. “Sempre gostei muito de gente, de olhar para o outro, de ciências e da estética do corpo humano”, explica. “Naquela época, não era comum fazer faculdade de Moda, isso não existia. Então, acabei escolhendo Medicina para exercer a minha vocação de acolher o próximo. Também adorava montar looks para ir ao plantão”, conta. Porém, ao ser confrontada com as doenças, se deu conta de que não continuaria a trilhar aquele caminho. “Sofria junto, não conseguia me separar. Fiz a transição para o jornalismo de moda, já que sempre gostei de escrever.”
Começou, a partir de então, a materializar seu apurado olhar estético em todas atividades. Além de redigir sobre moda, trabalhou em assessorias de imprensa, com branding e em grifes importantes, como a da estilista Lenny Niemeyer. “Desde o início, incuti a minha identidade nas coisas. Uma das primeiras vezes em que tive a oportunidade de imprimi-la plenamente foi quando escrevi e idealizei visualmente uma matéria para a Vogue Brasil com a Antonia, na época com 4 anos, sobre a nossa conexão no vestir”, lembra. Na sequência, vieram os editoriais, em que “colocava a alma”, muitos, inclusive, para a Revista ELA, como as capas de Gilberto Gil, Mariana Ximenes, Erika Januza e Nathalia Dill.
A criação dos looks para as meninas começou com o nascimento da primogênita. “No início, eram estudos de padronagens, mas acabou se tornando uma conexão estética afetiva entre nós duas.” Antonia herdou da mãe o bom humor e o espírito fashion: “Brincamos com essa coisa da roupa”, diz.
: Lulu: camisa, calça e quimono Handred, colares Nuassis e Sauer, brincos Alix Duvernoy e tamanco Mari Giudicelli. Antonia: macacão e blazer Lulu Lobster e espadrille acervo. Felipa: vestido Lulu Lobster e tênis Vans — Foto: Guilherme Nabhan
Lenny Niemeyer, que teve Lulu na equipe, a define em uma palavra. “Ensolarada”, crava. “Começou a trabalhar comigo bem novinha e sempre foi extremamente talentosa. Amadureceu, criou estilo próprio e faz um mix de coisas superlindas. Tenho orgulho da mulher que ela se tornou”, afirma. “Ela é ensolarada. começou a trabalhar comigo bem novinha e sempre foi extremamente talentosa. faz um mix de coisas lindas ”
Diante de tantas frentes de trabalho abertas, Lulu foge de rótulos caretas. “As pessoas querem que você se encaixe, mas o que faço não tem definição. Sou uma multiartista, posso criar um objeto e uma coleção de roupa, além de figurinos, como os desenvolvidos para a Mônica (Martelli)”, explica. Em tudo que toca, valoriza a arte do encontro — seja com equipes por trás de grandes empresas ou com celebridades, como ocorreu com a própria Mônica. “Primeiro, ela me chamou para elaborar os looks do Lollapalooza (festival). Depois, para fazer a roupa em homenagem ao Paulo Gustavo na Sapucaí. Quis criar algo especial como a relação deles”, conta. “Idealizei um vestido com várias camadas de corações que se estendiam para as mangas e para a saia. Atrás, vinha a frase “amizade é amor”, porque poucas coisas na vida são tão valiosas como um amigo.” A entrega e o arrebatamento de Lulu são captados na outra ponta. “Ela tem um olhar encantado para a vida e isso se reflete nas criações. O seu trabalho se alimenta desse entusiasmo. Nos identificamos de cara. Fora que rimos juntas, e isso não tem preço”, devolve Mônica Martelli. “Lulu sofre da mesma obsessão artística que tenho de combinar e criar sentido para as cores e estampas. É minha cara metade”, corrobora o stylist Felipe Veloso, que assina a edição de moda desta matéria.
A escolha pela sustentável irreverência do ser — “A vida já é tão dura, conseguir tocar as pessoas com meu trabalho me traz uma imensa alegria” —, traduzida em roupas e objetos, fizeram com que as collabs para a Farm, lançada em 2019, e para a C&A, em 2021, se convertessem em sucesso comercial e estabelecessem parcerias longevas. “Lulu cria coleção, apresenta lives e atualmente é responsável pelo projeto de visual merchandising da Farm global, na Liberty, em Londres. Queremos tê-la sempre por pert
Camisa, saia e top BDLN, sandália Ferragamo, pulseiras acervo, colar Sauer e óculos acervo — Foto: Guilherme Nabhan
o”, declara Kátia Barros, cofundadora da marca carioca. Os valores nos quais acredita também estão inseridos nessa fórmula. “Minha missão é levar beleza e autoestima para o mundo. Acredito em consumo consciente, em modelagens democráticas, que abriguem diversos corpos, e em tecidos puros. Essas são as premissas para eu criar”, ressalta Lulu. “Por isso, só me relaciono com empresas que façam sentido para mim. O convite da Bordallo, por exemplo. Sou fã deles num grau! Criei uma sardinha em cerâmica, foi muito incrível.” Já as lagostas são uma antiga fixação. “Coleciono desde adolescente, não sei quantas eu tenho”, admite. “Primeiro, me interessei pelo shape elegante e pelas cores. Depois meu encantamento aumentou ao saber que a lagosta, para crescer, quebra a casca, revela a parte mole, que é sua vulnerabilidade, expande e, aí sim, cria uma nova casca. Levo essa metáfora para a vida”, pontua. “Tenho lagostas espalhadas pela casa para me lembrar a todo instante que preciso ser corajosa para correr atrás dos meus sonhos”, diz a stylist, que também tem falos espalhados pela casa e entre seus acessórios. “Fazem parte do fascínio que tenho pelo corpo humano. Na Antiguidade Clássica, simbolizavam sorte e felicidade, e imagens fálicas espantavam más energias”, frisa, sem neuras.
Camisa e saia Neriage, meia Lupo , sandália Prada , brinco Lool Store e cinto Gallerist — Foto: Guilherme Nabhan. Set design: Adriane Lisboa. Assistência de fotografia: Márcio Marcolino. Assistência de beleza: Jô Oliveira. Assistência de estilo: Thalita Santos. Tratamento de imagem: Angélica Marinacci. Agradecimentos: Paloma Danemberg (AD Studio), Catalina Marchesi (La Pomponera) e Tiza Rangel.
Segundo o empresário Gustavo Sá, com quem Lulu é casada desde 2008, a criatividade da stylist transborda na vida e na casa. “Que é toda vestida com suas estampas, não tem um pedacinho de parede sem. Lulu traz os valores afetivos dela para o nosso ambiente. Às vezes, fico resistente no início, mas depois vejo que faz todo sentido”, diz. Com as filhas, ela faz questão de estabelecer uma relação horizontal. “Precisamos humanizar as mães”, brada. “Honro e respeito todas. É uma missão desafiadora e cada uma tem seu processo, suas dores. No meu caso, quero ser verdadeira e poder falar sobre qualquer assunto com elas, nada aqui é camuflado. Mostro a minha fragilidade e assumo meus erros”, afirma. “Ela não esconde nada, tudo a gente sabe”, emenda Antonia, que avisou à mãe que não usaria vestidos de babados nesse ensaio. “Eu entendo e respeito. Ela agora está amando vestir as minhas roupas”, entrega Lulu.
A stylist Lulu Novis e as filhas, Antonia e Felipa n cabana de cogumelo: profusão de poás — Foto: Guilherme Nabhan
Já a nova marca infantil, Lulu Lobster, cujas peças serão vendidas via Instagram, na multimarcas Pinga e na Ki&Co, é um projeto cultivado há 12 anos. “Cheguei a ir ao Peru grávida de Felipa para pesquisar tecidos. Fiquei gestando essa história e durante a pandemia senti que tinha chegando a hora.” Roupas nos tamanhos de 6 meses a 12 anos vêm em edições limitadas e peças numeradas. “São feitas de forma artesanal. Amo essa coisa de ‘criança vestida de criança’. A infância já é tão curta hoje em dia, é preciso sonhar”, analisa. E injetar fantasia no cotidiano é uma das especialidades de Lulu: “Acredito na arte, na roupa e na liberdade, juntas, andando com fé para celebrar a beleza de ser quem se é”.
Mônica Martelli, atriz e apresentadora
O Globo sexta, 06 de maio de 2022
SAÚDE: OS SETE BRINQUEDOS QUE FAZEM BEM PARA O CÉREBRO DE CRIANÇAS E ADULTOS
Os sete brinquedos que fazem bem para o cérebro de crianças e adultos
A ciência comprova o impacto de determinados objetos na redução da ansiedade, detalhando o impacto no organismo
Por Evelin Azevedo — Rio de Janeiro
01/05/2022 04h31 Atualizado há 3 dias
Squishmallows: brinquedos ajudam crianças a controlar ansiedade e achar o equilíbrio — Foto: Reprodução
Brincar é coisa séria. Novos estudos comprovam que alivia a ansiedade e ativa a memória em crianças e adultos. Conduzido pelo The National Institute for Play, organização americana sem fins lucrativos, uma pesquisa foi além e detalhou o papel de brinquedos específicos na saúde cerebral. Lidar com objetos tridimensionais, como o cubo mágico, por exemplo, age no lobo frontal, a área executiva do cérebro. Os mais lúdicos, como bonecas, atuam no sistema límbico, das emoções. Abraçar um ursinho de pelúcia, por sua vez, libera uma série de neurotransmissores, como a endorfina, que acalmam e relaxam.
A relação estreita dos brinquedos com o cérebro foi deflagrada por um dos maiores sucessos mundiais durante a pandemia, os fidget toys. Inicialmente criados para motivar o desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autismo, são brinquedos sensoriais que estimulam o bem-estar, a concentração e reduzem o estresse.
Apertar uma bolinha que se expande, usar os dedos para "estourar" uma bolha e ouvir o barulho que isso faz e ter uma pelúcia fofinha para abraçar sempre que sentir necessidade, são algumas das atividades que geram uma sensação de conforto e tranquilidade para pessoas ansiosas. Deixar as mãos ocupadas executando uma tarefa repetitiva ajuda também a focar no presente e a se desligar do motivo que gera a ansiedade, afirmam especialistas.
— Na verdade, qualquer atividade que envolva um trabalho manual faz com que a criança coloque o foco na brincadeira, minimizando os efeitos da ansiedade no organismo, pois ela transfere a tensão para o que está fazendo — explica Ana Márcia Guimarães, membro do Departamento Científico (DC) de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O impacto é observado tanto em adultos, quanto em crianças. Mas no organismo em formação dos pequenos ele é mais intenso, sobretudo no que tratamento da ansiedade.
Ansiedade infantil
Os sintomas da ansiedade em crianças se dividem em dois grupos, de acordo com a medicina. O primeiro são os chamados sinais internalizantes. Ou seja, pensamentos ruminantes que ocupam as mentes das crianças o tempo todo, fazendo com que elas se preocupem em excesso com aquela questão. O segundo são os externantes, que se traduzem em agitações motoras e verbais: se mexer ou falar sem parar, roer unhas, balançar pernas, suar frio nas mãos, sentir o coração batendo mais rápido, ter dificuldade para dormir, entre outras sensações.
Assim como adultos, crianças podem ficar ansiosas quando estão na expectativa de algum acontecimento muito esperado — como o retorno às aulas ou a tão desejada festa de aniversário — ou quando se deparam com algo que gere uma insegurança sobre o futuro — como a separação dos pais ou a ida ao consultório médico. Apresentar os sintomas da ansiedade nesses contextos, e por um período compatível com a situação, é normal. Diante desses cenários, os brinquedos podem ajudar a aliviar a tensão que a expectativa gera. No entanto, dar sinais por mais de seis meses pode significar um transtorno de ansiedade.
Segundo Rochele Paz Fonseca, professora de Psicologia da PUC do Rio Grande do Sul e presidente da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, a ansiedade pode ter fatores genéticos e ambientais.
— Há fatores estressores que aumentam a chance da ansiedade se manifestar em crianças, como pais com ansiedade, cobranças sociais e escolares além do que as elas conseguem corresponder, autoestima e autoimagem reduzidas — detalha.
Recentemente, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF), apoiada pelo governo americano, recomendou que as crianças a partir de 8 anos sejam avaliadas para ansiedade mesmo que não apresentem sintomas para a condição. O objetivo é diagnosticar preventivamente o problema e prevenir consequências negativas futuras. No Brasil, ainda não há orientações específicas sobre o assunto.
A família deve ficar atenta a mudanças de comportamento das crianças, principalmente diante de situações que podem servir de gatilho para a ansiedade. Ao notar que há algo de diferente, é preciso agir. O ideal é sempre procurar por uma ajuda especializada, seja de um pediatra ou de um psicólogo, para avaliar os gatilhos que lavaram a criança a ficar ansiosa.
Os melhores brinquedos para ansiedade
Massinha
Massinha tem ação relaxante pelo tato e oferece oportunidade de trabalhar a criatividade — Foto: Reprodução
Apertar uma massinha de modelar deflagra sensação de alívio. Além disso, esse brinquedo ainda proporciona a possibilidade de exercer a criatividade, fazendo a pessoa se concentrar naquele momento e esquecer os problemas que provocam a ansiedade.
Pop-it
O brinquedo de silicone ajuda a aliviar a ansiedade por causa dos movimentos repetitivos, do toque suave à superfície emborrachada e do barulho semelhante ao estouro de bolhas. Tudo isso produz uma sensação agradável, pois ativa áreas do cérebro ligadas à gratificação, ao alívio e conforto.
Spinner
O brinquedo giratório ajuda o cérebro a "desligar" do que acontece no entorno e a focar em apenas uma ação. Isso ajuda a esquecer das questões que geram ansiedade, por exemplo.
Squishmallows
Squishmallows: brinquedos ajudam crianças a controlar ansiedade e achar o equilíbrio — Foto: Reprodução
As pelúcias feitas de fibra de poliéster (tecido com uma textura macia) e com forma arredondada proporcionam uma estimulação tátil calmante e satisfatória. A superfície agradável e o design fofo são um convite para um abraço apertado. Abraçar libera uma série de neurotransmissores, como a endorfina, que acalmam e relaxam.
Cubo infinito
Esse brinquedo é formado por 8 cubos pequenos que podem girar em qualquer direção e ângulo, sem restrições. Ele ajuda a manter o foco, além de estimular a criatividade.
Slime
Slime: Meleca colorida traz relaxamento por meio do tato — Foto: Reprodução
Proporciona alívio da ansiedade pela utilização do sentido tátil. Esse tipo de gel mais consistente ajuda a criança a se concentrar no presente, sendo uma distração para os problemas. Os barulhos produzidos com o apertar do brinquedo também gera boas sensações.
Areia cinética
A capacidade da areia cinética de se juntar ou se espalhar é encantadora. Essa característica traz curiosidade e ativa áreas do cérebro responsáveis pelo mecanismo de recompensa.
Esfera de Hoberman
A possibilidade de movimentos de abrir e fechar podem auxiliar quando é preciso se concentrar na respiração. O movimento de abrir e fechar da bola pode acompanhar a inspiração e expiração, ajudando a relaxar.
Liquid Motion Bubbler Timer
Liquid Motion Bubble funciona quase como "hipnotizante" ao prender a atenção pelos movimentos e cores — Foto: Reprodução
Esse brinquedo lembra os laboratórios de ciências. Bolhas coloridas que giram por um minuto dentro de um cilindro com água prendem a atenção e ajudam a esquecer de tudo o que acontece ao redor. O movimento e as cores têm efeitos "hipnotizantes" e acalmam o cérebro.
O Globo quinta, 05 de maio de 2022
ESPORTES: ANDERSON SILVA - NUNCA MAIS CORRI
'Nunca mais corri, é uma dor insuportável', diz Anderson Silva sobre perna quebrada há oito anos
Lutador afirmou em entrevista para podcast que sente medo de tirar haste que está no joelho
O Globo
04/05/2022 - 21:06
'Nunca mais corri, é uma dor insuportável', diz Anderson Silva sobre perna quebrada há oito anos Foto: Eric Espada / AFP
Quando se pensa em Anderson Silva, a imagem é de um lutador vencedor e muito seguro de si. Mas em entrevista ao podcast 'Mais que 8 Minutos', o ex-campeão do UFC afirmou que ainda sofre com a lesão que sofreu há oito anos, quando quebrou a perna esquerda ao chutar o americano Chris Weidman em dezembro de 2013.
"Eu estava em uma casa na frente da praia. Olhava a galera correndo e falava que ia correr quando a perna ficasse boa. Nunca mais corri. Eu até tento, mas não consigo. Não corro mais. De vez em quando, eu tento correr e começa a doer a perna. É uma dor insuportável. Tem as duas hastes e parafuso no joelho e no tornozelo. O medo agora é de repente ter que tirar a haste. O médico falou que poderia tirar, mas eu falei para deixar", falou Spider, ao explicar o que sentiu no momento da contusão:
"A perna foi um choque, mais do que a dor. Quando eu chutei e senti que quebrou, eu não botei o pé no chão. Caí e segurei a perna. Falei: 'Não acredito que está acontecendo isso comigo'", contou.
Além disso, Spider relatou como foi o processo de recuperação da cirurgia na perna esquerda.
"Quando você quebra a perna, bota aquelas antenas externas. Eu ficava falando que não queria colocar aqueles negócios na perna. Os caras me dando remédio para me acalmar, porque eu achava que ia ficar aquelas paradas para fora. Operei, acordei no outro dia e falei: 'passou'. Passou nada. Aí começou a vir a dor. A minha perna ficava para cima, não bombeava sangue. Quando botava para baixo, descia a pressão do sangue todo. Foi um ano de perrengue."
Coincidentemente, o mesmo Chris Weidman sofreu lesão parecida há um ano, em abril de 2021. Por saber o quão difícil é a recuperação da contusão, Spider afirmou que conversou com o lutador.
"Eu falei com ele. A gente está praticando esporte, mas estamos ali trabalhando. Ele estava defendendo o dele. A mesma dor que eu senti, ele vai sentir também. Se tem alguma coisa misteriosa, espiritual em volta disso, não sabemos, mas o cara quebrou igual. Eu falei que era difícil, mas que ele tem que ter foco. Se você parar um dia a fisioterapia, já vai complicar tudo. Tem que ficar ali na fisioterapia todo dia".
O Globo quarta, 04 de maio de 2022
GASTRONOMIA: DO PARÁ À ITÁLIA, A FOLIA GASTRONÔMICA ESTÁ NA MESA
Do Pará à Itália, a folia gastronômica está na mesa
Restaurante que fez fama à beira do Tapajós, casas dedicadas à carne suína e filiais de bares concorridos estão entre as novidades do circuito gastronômico
Por Gustavo Cunha
22/04/2022 04h30 Atualizado há uma semana
Drinques autorais do Bottega Gastrobar, novidade em Botafogo — Foto: Tomás Vélez/Divulgação
Há novos sabores na cidade. Das margens do Rio Tapajós para a da Baía de Guanabara, chega o renomado Casa do Saulo e seus sabores amazônicos. No topo do Hotel Nacional, em São Conrado, o The View tem o visual como aperitivo para a mistura de receitas europeias e brasileiras do chef italiano Samuele Oliva. Ainda tem um restaurante de clássicos italianos, outros dois (dois!) dedicados à carne suína e bares.
Casa do Saulo
Mix Tapajônico, com iguarias típicas do Pará, do restaurante Casa do Saulo, que abriu filial no Rio de Janeiro — Foto: Hermes Jr./Divulgação
Um dos mais cultuados restaurantes do Pará, às margens do Rio Tapajós, acaba de ganhar uma filial carioca, no Museu do Amanhã. A cozinha tocada por Saulo Jennings tem por base ingredientes amazônicos produzidos por comunidades rurais de Santarém. Quem desbravar essa floresta de sabores pode começar com o Mix Tapajônico (R$ 45,90), uma tábua de petiscos com dadinho de tapioca e geleia apimentada de cupuaçu, bolinho de piracuí com maionese de pirarucu defumada e isca de peixe com geleia de açaí e bacon.
Casa do Saulo: restaurante do Pará abre filial no Rio de Janeiro
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Premiada casa no Norte do Brasil ganha endereço no Museu do Amanhã
Também para beliscar, tem linguiça de pirarucu com jambu (R$ 49,90), que deixa a língua formigando devido ao efeito da erva típica. Entre os pratos individuais, opções como o Paraíso Verde (pirarucu com bacon, melaço de tucupi e homus de feijão-santarém, R$ 75,90) e a Feijoqueca ( pirarucu e camarão rosa no molho de moqueca com cumaru, feijão-santarém, banana-da-terra e crispy de jambu, R$ 89,90). Ambos com arroz de chicória e farofa.
Museu do Amanhã. Praça Mauá 1, Centro — 3812-1800. Ter a dom, do meio-dia às 18h.
The View
O restaurante The View, no 30º andar do Hotel Nacional, em São Conrado — Foto: Divulgação
O nome do restaurante que ocupa o 30º andar do Hotel Nacional dá a dica sobre o que esperar do endereço recém-aberto. A vista para o mar enche os olhos, mas a casa não se resume à paisagem. Da cozinha comandada pelo italiano Samuele Oliva (ex-Terraço Itália e ex-Casa Camolese) saem pratos que fundem as culinárias espanhola, árabe, portuguesa, brasileira, francesa, italiana e mediterrânea. Entre as opções de pratos principais, destaque para o risoto de frutos do mar com sorbet de alcachofra (R$ 83), o espaguete com camarões ao perfume de limão (R$ 78) e o miolo de chorizo grelhado com batatas ao murro, aspargos, crocante de bacon e espuma de menta (R$ 119).
Hotel Nacional.Av. Niemeyer 769, São Conrado — 96855-1818. Seg a qui, das 17h à meia-noite. Sáb e dom, do meio-dia às 16h e das 20h à meia-noite.
Bottega Gastrobar
O restaurante Bottega Gastrobar, em Botafogo, no Rio de Janeiro — Foto: Tomás Vélez/Divulgação
O Bottega, que ocupa um endereço na Rua Paissandu, no Flamengo, agora também marca presença em Botafogo. A filial, inaugurada na última sexta-feira, está instalada numa casa de dois andares e varanda, na Rua Visconde de Caravelas. O cardápio da chef Sol Mass tem por base a cozinha mediterrânea, e tem opções como peixe grelhado com espuma de inhame (R$52,90) e filé de frango crocante com risoto de limão siciliano (R$ 48,90). Na carta de drinques, dezenas de criações irreverentes, como o Sardenha (gim, toque de azeite trufado, vermute tinto, Aperol, calda de mirtilo e manjericão roxo, R$ 36).
Rua Visconde de Caravelas 121, Botafogo — 99644-0701. Ter a qui, das 11h30 às 16h e das 18h à meia-noite. Sex e sáb, das 11h30 à 1h. Dom, das 11h30 à meia-noite.
Casa Tua
Lombo de cordeiro em crosta de funghi com risoto de ervas frescas, do restaurante Casa Tua — Foto: Roberto Moreyra/Agência O Globo
Desde que abriu as portas no lugar onde funcionou o Gero Barra, há pouco mais de uma semana, o Casa Tua anda cheio. Empreendimento de Alexandre Accioly e Atagerdes Alves (ex-Fasano), o restaurante oferece clássicos italianos e criações autorais. O cardápio é extenso, com opções como o tortelli recheado com carne de vitelo braseado e molho de cogumelos (R$ 94) e o lombo de cordeiro em crosta de cogumelos ao molho de vinho tinto, com risoto de ervas (R$ 182). Ainda neste mês, abre, no mesmo imóvel, o Casa Tua Forneria, endereço com pegada mais descolada, pizzas e sanduíches.
Av. Erico Verissimo 190, Barra — 3030-0010. Ter a qui, do meio-dia às 15h e das 19h à meia-noite emeia. Sex, do meio-dia às 16h e das 19h a 1h30. Sáb, do meio-dia a 1h30. Dom, do meio-dia às 17h.
BistrOgro
Porc au vin: releitura de clássico francês do restaurante BistrOgro — Foto: Beto Roma/Divulgação
O chef Jimmy McManis — mais conhecido como Jimmy Ogro — abriu, no último mês, um restaurante dedicado à carne suína. No menu, releituras irreverentes para pratos clássicos, como o ceviche de mignon suíno assado com batata chips (R$ 42), a moqueca de porco com farofa e arroz (R$ 54) e o “porc au vin” (R$54), com purê de batata com alho assado. A casa, que também serve hambúrgueres, massas e risotos, ocupa o local onde funcionou o Empório Santa Fé, ao lado do antigo Edifício Manchete.
Praia do Flamengo 2, Flamengo — 99343-4442. Seg e ter, do meio-dia às 17h. Qua a dom, do meio-dia a 1h.
Porco Amigo Bar
Pratos e petiscos do Porco Amigo Bar, que abre filial no Leblon — Foto: Guiga Lessa/Divulgação
E por falar em carne suína... O bar de sucesso em Botafogo abriu há pouco sua primeira filial, no Leblon, no lugar do extinto Desacato. No menu, aperitivos criativos como a coxinha de leitão com creme de queijo defumado (R$ 9,50), a empada de bobó de porco com queijo cremoso (R$ 9,50) e o bolinho de arroz com linguiça suína, queijo meia cura e aioli de alho assado (R$ 9,50). Há opções generosas como as bochechas lusitanas com legumes grelhados (R$ 56) e a costela de porco preto com farofa, vinagrete, batatas e legumes assados (R$ 89).
Rua Conde de Bernadotte 26A, Leblon — 3012-1621. Ter a sáb, do meio-dia a 1h30. Dom, do meio-dia às 22h.
Tio Ruy
Tio Ruy: nova filial na Barra tem promoção semanal de chopes artesanais — Foto: Bruno de Lima/Divulgação
Com bares na Gávea (no Planetário) e na Barra (no UpTown), a cervejaria Tio Ruy completa cinco anos com um novo endereço, com mesas na calçada, que já virou point na Olegário Maciel. Às terças-feiras, são servidos chopes artesanais em dobro — os copos saem a partir de R$ 8,50 (ou R$ 4,25, na promoção). Há opções em conta para comer, como os palitos de queijo coalho com mel (R$ 26) e as tábuas com linguiça, carne e frango, com farofa e molho à campanha, a R$ 96. No almoço de segunda a sexta-feira, pratos executivos a partir de R$ 25,90.
Av. Olegário Maciel 231, Barra — 97679-1067. Dom a ter, do meio-dia à meia-noite. Qua, do meio-dia a 1h. Qui, do meio-dia às 2h. Sex e sáb, do meio-dia às 3h.
Bibi Lab
A fachada do restaurante/lanchonete Bibi Lab, novidade em Copacabana — Foto: João Lobo/Diulgação
Rede de lanchonetes consolidada na cidade há quase três décadas, a Bibi Sucos criou uma espécie de laboratório gastronômico em Copacabana. Por ali, são testadas receitas que, a depender do sucesso com o público, entram no cardápio das lojas. Em teste, sanduíches como o Crok Fish (R$ 45,90), com peixe crocante, aioli, legumes acidulados e couve frita, e o Choripan (R$ 34,90), com linguiça de pernil, salsa de tomate, picles de cebola roxa e aioli.
Rua Santa Clara 33, Copacabana — 2236-6000. Diariamente, das 8h30 à meia-noite.
O Globo terça, 03 de maio de 2022
PARIS: MOULIN ROUGE ABRE SEU FAMOSO MOINHO PARA HOSPEDAGEM PELA PRIMEIRA VEZ EM SUA HISTÓRIA
Paris: Moulin Rouge abre seu famoso moinho para hospedagem pela primeira vez em sua história
Quarto temático será aberto por três datas em junho com reservas pelo Airbnb
03/05/2022 04h31 Atualizado há 6 horas
O quarto temático dentro do moinho do Moulin Rouge, em Paris, aberto para três noites em junho — Foto: Divulgação / Airbnb
Uma das construções mais conhecidas de Paris, o moinho vermelho do Moulin Rouge receberá hóspedes pela primeira vez em sua história. Um quarto foi montado dentro da estrutura e poderá ser reservado pelo Airbnb, em três datas ao longo de junho.
O quarto poderá ser ocupado nas noites de 13, 20 e 27 de junho, e as reservas estarão abertas na plataforma de aluguel por temporada a partir do dia 17 de maio. Serão permitidas até duas pessoas por noite, e o valor da reserva é simbólico: apenas 1 euro (R$ 5,30 aproximadamente).
Além da chance de dormir no moinho mais famoso da França, a diária dá direito a um tour pelos bastidores do famoso cabaré, para conhecer sua história e os profissionais que trabalham ali. Os hóspedes terão ainda um aperitivo, no romântico terraço da cobertura, seguido de jantar com três pratos do menu Belle Époque, preparados pelo chef Arnaud Demerville, e um clássico café da manhã parisiense.
Veja imagens: o quarto 'secreto' dentro do moinho do Moulin Rouge, em Paris
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Em junho, será possível reservar um quarto no cabaré mais famoso da França pelo Airbnb
Também estão incluídos dois ingressos para lugares privilegiados do show "Féerie", o espetáculo fixo da casa, em cartaz desde 1999. Os hóspedes, aliás, serão recebidos pessoalmente pela dançarina principal do Moulin Rouge e estrela maior da produção, Claudine Van Den Bergh, e poderão tirar fotos com o elenco.
A decoração do quarto segue o estilo art nouveau e remete ao final do século XIX, em plena Belle Époque francesa, quando o moinho surgiu homenageando o passado rural da região, onde hoje está o agitado bairro de Montmartre. Erguido em 1889, foi reconstruído três décadas mais tarde, após ser danificado por um incêndio. Para conseguir criar um cenário fidedigno, o Airbnb contou com a consultoria de Jean-Claude Yon, um especialista naquele período.
A decoração do quarto segue bem o estilo romântico e exagerado do Moulin Rouge, em Paris — Foto: Divulgação / Airbnb
"A Belle Époque foi um período em que a cultura e as artes francesas floresceram – e nenhum local deste período é mais emblemático do que o Moulin Rouge. Este quarto secreto, dentro do famoso moinho do cabaré, foi projetada para levar os hóspedes a uma autêntica viagem no tempo, para conhecer a história da capital francesa, da arte e do prazer”, explicou o historiador, em comunicado à imprensa.
O quarto conta ainda com detalhes curiosos, como um palco de papel em miniatura do cabaré, um camarim com acessórios glamourosos de época, com trajes vintage, perfumes e cartas de fãs e um terraço privativo na cobertura, com móveis característicos da época.
O terraço anexo ao quarto do moinho do Moulin Rouge, em Paris: ótimo lugar para um drinque pós-show — Foto: Divulgação / Airbnb
As reservas devem ser feitas a partir das 19h do dia 17 de maio, através do site airbnb.com/moulinrouge.
O Globo segunda, 02 de maio de 2022
EMIGRAÇÃO: CIDADANIA PORTUGUESA - LEI É REGULAMENTADA, E PEDIDOS DE BRASILEIROS DISPARAM
Cidadania portuguesa: lei é regulamentada, e pedidos de brasileiros disparam
Por Gian Amato
02/05/2022 • 04:00
A recente regulamentação das alterações na Lei da Nacionalidade, aprovadas em 2020, ajudou a impulsionar o número de pedidos e consultas de brasileiros que buscam a cidadania portuguesa.
Entre as principais mudanças de 2020 que foram agora regulamentadas: netos de portugueses estão dispensados de comprovar vínculo com o país. Para brasileiros, basta domínio da língua portuguesa. E podem requerer sem que os pais tenham cidadania. Pessoas casadas com portugueses e portuguesas podem obter a cidadania após três anos de união estável.
As modificações na Lei da Nacionalidade não são novas. Mas somente em 15 de abril, com quase dois anos de atraso, entrou em vigor o decreto que altera o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa, publicado no Diário da República em 18 de março.
Especialistas dizem que a regulamentação da lei acrescenta um novo fator de desejo pela cidadania, ao lado dos tradicionais segurança, qualidade de vida e estabilidade na econômica e na política. Ainda mais em ano de eleição presidencial no Brasil.
Assim, houve aumento de consultas e de entradas em pedidos em ao menos quatro dos escritórios mais atuantes no auxílio à imigração consultados pelo Portugal Giro.
No Clube do Passaporte, houve aumento de 368% dos contratos nos quatro primeiros meses deste ano, garantiu Gabriel Ezra, um dos sócios.
— Consideramos o número de clientes fechados nos primeiros quatro meses deste ano, comparados com 2021. Ano passado foram 50. Este ano, 184. É um aumento de 368% — disse Ezra.
O escritório admite que houve aumento acima do esperado após as novas regras, mas ressalta que a procura tem sido intensa desde o início deste ano.
O mesmo aconteceu no Pimentel Aniceto Advogados, assegurou o sócio Fábio Pimentel.
— A procura aumentou entre 45% e 50%. A regulamentação daquela lei de 2020 reforça o estabelecimento de critérios mais justos e benéficos — disse Pimentel.
O advogado Thiago Huver, sócio da Martins Castro Consultoria Internacional, afirma que houve aumento de 30% nas últimas duas semanas.
— O fato de o domínio da língua portuguesa ser um comprovante de vínculo à comunidade portuguesa facilitou o acesso aos descendentes de netos portugueses — declarou Huver.
Na ALM Advogadas Associadas, o aumento foi de 20%. Vanessa Lopes, uma das sócias, ressalta que a possibilidade de fazer o pedido pela internet, previsto no decreto, é promissora. Mas a via eletrônica ainda não está disponível e nem há data para que entre em vigor.
— Acredito que o governo precisa implementar um novo sistema de suporte aos serviços de registro, que funcione de forma menos burocrática e ágil — declarou Lopes.
A advogada Mafalda Dias Martins adverte que a regulamentação da lei não garante imediatamente mais rapidez, mas promete agilidade nos processos, que se acumularam ao longo dos anos. Ela analisa os crescentes pedidos feitos por brasileiros como a possibilidade de ter uma alternativa ao Brasil.
— As eleições presidenciais e a incerteza cambial têm sido alguns dos motivos que levam, cada vez mais, brasileiros a procurar a possibilidade de requerer a cidadania. Não se trata, necessariamente, de uma vontade de se mudarem para Portugal, mas sim a possibilidade de ter um plano B — revelou Martins.
O processo do advogado mineiro Francisco Rocha é um dos que estão na fila da análise. Neto de português, ele deu entrada em 2020 antes da alteração da lei, mas precisou requerer primeiro a cidadania do pai, o que atrasou o procedimento.
— Não havia a facilidade de obter a cidadania direto de avô para neto. A do meu pai já saiu. Se pensarmos que talvez a minha demorasse o mesmo tempo, eu já seria cidadão português — disse Rocha.
Na prática, além da regulamentação, o decreto introduz “algumas melhorias na tramitação dos procedimentos de nacionalidade (...) agilizando alguns aspectos”. Isso poderá acontecer com uma tentativa de padronização dos procedimentos e melhor comunicação eletrônica entre a Conservatória dos Registos Centrais com outros serviços ou entidades.
NATUREZA: O DESAFIO DE SALVAR OS ÚLTIMOS 30 BOTOS-CINZA DA BAÍA DE GUANABARA
O desafio de salvar os últimos 30 botos-cinza da Baía de Guanabara, símbolos dos mares do Rio
Pesquisador diz que cetáceos do Brasil têm a maior taxa de contaminação já registrada em um animal do mundo
Por Ana Lúcia Azevedo
01/05/2022 04h31 Atualizado há uma hora
Boto nada na Baía de Guanabara; ao fundo, a Ilha de Paquetá — Foto: Custodio Coimbra
RIO —Num recanto de mar onde o passado de paraíso tropical da Baía de Guanabara persiste, uma fêmea de boto-cinza nada junto a um filhote recém-nascido. O único som é o do esguicho da respiração dos cetáceos ao subir à superfície. A água parece um espelho e o tempo, ter parado. Movimento só o dos botos, que fazem acrobacias na paisagem emoldurada pela Serra dos Órgãos, a mesma cena que há séculos encanta gerações. O silêncio e os animais são os últimos sobreviventes de um mundo quase perdido.
Já não chegam a 30 os botos da Guanabara. E eles materializam a resiliência e os desafios de sobrevivência da própria baía. A fêmea é o boto mais velho e o filhote o bebê mais novo da Guanabara, explicam cientistas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Há três décadas o Maqua estuda e busca salvar os botos-cinza (Sotalia guianensis) da Guanabara. Existe esperança, mas o portal do tempo onde os botos resistem se estreita à medida que a poluição da água e sonora avançam, alertam os cientistas do Maqua.
— As águas da Guanabara ainda guardam imensa riqueza, mas as agressões só aumentam e afetam a todos nós. Os botos, animais do topo da cadeia alimentar, são as suas sentinelas e o seu maior símbolo. A poluição que os afeta também nos atinge. Salvar os oceanos é salvar a nós mesmos e é possível — destaca José Lailson Brito Junior, oceanógrafo, doutor em biofísica e um dos fundadores e coordenadores do Maqua.
A fêmea, apelidada de Titia pelos cientistas, tem mais de 20 anos, já está próxima do fim da vida, pois sua espécie não costuma passar dos 30. Ela nunca teve filhotes, mas, como as fêmeas de sua espécie, participa da criação dos bebês do grupo.
O bebê é o primeiro nascido este ano e, como a maioria dos botos da Guanabara, tem reduzida chance de chegar a 6 ou 7 anos, idade em que começam a se reproduzir, afirma Alexandre de Freitas Azevedo, especialista em comportamento e bioacústica de cetáceos e também um dos fundadores e coordenadores do Maqua. É essa morte precoce que, ano a ano, coloca o boto da Guanabara cada vez mais perto do fim.
Em seu canto de mar, o grupo de Titia e do bebê, que ainda não foi “batizado” pelos pesquisadores, trabalha com conjunto para capturar peixes. Também coopera para a proteção. O bebê está sempre colado na mãe e em algum adulto, nada o tempo todo sob a vigilância dos mais velhos.
Mas alguns botos apresentam comportamentos peculiares na baía. Parecem se divertir capturando pedaços de lixo plástico com o focinho ou a ponta de cauda e os atirando para outros membros do grupo. Um jogo perigoso, que pode ser aprendizado de caça a cardumes, mas os expõe a engolir e sufocar com detritos contaminados.
Botos-cinza nadam nas águas do Rio — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo
Quando os primeiros europeus chegaram, os botos se contavam aos milhares. No século XVI, o missionário francês Jean de Léry (1536-1613), autor de “História de uma viagem à terra do Brasil”, escreveu que os botos “reuniam-se não raro em tão grande número em torno de nós e até onde alcançava a vista”.
Os botos foram caçados à beira do extermínio, tiveram seu hábitat progressivamente destruído. Porém, até o início do século XX ainda eram relativamente comuns, ao ponto de estarem no brasão e na bandeira do município do Rio de Janeiro.
“O habitante mais curioso da nossa baía e considerado, até a presente data, como exclusivo da Guanabara: é o boto. (...)São os acrobatas da nossa baía, considerados pelos homens do mar como amigos”, escreveu o naturalista e jornalista Armando Magalhães Corrêa (1889-1944), em “Águas Cariocas”, coletânea de crônicas sobre a Guanabara do início dos anos 30 do século XX.
Porém, já na década de 1980, não havia mais que 400 animais. Em 1992, ano em que o Maqua foi fundado, esse número havia caído para pouco mais de uma centena. Em 2014, só 40 foram registrados pelos cientistas do Maqua.
"Os botos-cinza são guerreiros. Resistem, insistem. E nos fascinam", diz Rafael Ramos Carvalho, pesquisador do Maqua. — Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo
Este ano, eles não chegam a 30. São os últimos. E a vista quase já não os alcança. Vê-los se tornou prêmio, privilégio. Os cientistas recorrem não apenas aos olhos treinados, mas a equipamentos como hidrofones para encontrá-los, pois é dentro d’água que esses cetáceos se comunicam.
Diferentemente dos golfinhos, oceânicos e desinibidos, os botos costeiros são tímidos, evitam se aproximar do ser humano. Estão praticamente confinados num canto da baía junto à Estação Ecológica da Guanabara e à Área de Proteção Ambiental de Guapimirim. Já houve tempo em que acompanhavam a barca para Paquetá e chegassem até a Praia de Ramos.
— Hoje é muito difícil que deixem as áreas protegidas — observa Azevedo.
Nelas, as águas são um pouco menos sujas e há menos ruído. No restante da baía, os navios tornam o fundo do mar mais barulhento do que a Avenida Brasil. Uma cacafonia de estrondos e zumbidos sem regras, gerada pelos motores permanentemente ligados de navios e o vai-e-vem incessante de embarcações. O fundo das águas é mais barulhento do que a superfície, enfatizam os cientistas.
Para os botos, a poluição sonora é intolerável. Eles usam ecolocalização para encontrar seu alimento, principalmente corvinas e camarões. E se comunicam com uma variedade de sons, seja para caçar em grupo, alertar sobre algum perigo ou numa série de interações sociais complexas.
Equivocado sobre a distribuição geográfica da espécie, já que ela é encontrada em baías costeiras de Honduras a Santa Catarina, Magalhães Corrêa, a seu modo, estava certo sobre o quão excepcionais são os botos da Guanabara.
— São guerreiros. Resistem, insistem. E nos fascinam. Nunca conhecemos a espécie tão bem quanto agora graças aos anos de pesquisa, dedicação e tecnologia. Porém, paradoxalmente, eles também nunca foram tão raros e ameaçados — frisa Rafael Ramos Carvalho, pesquisador do Maqua.
Os filhotes de botos da Guanabara têm pouca chance de chegar à idade adulta porque são vítimas de agressão. A primeira é a pesca acidental, não são poucos os que morrem asfixiados ao ficar presos em redes de arrasto.
Mas inimiga muito maior é a poluição. Mamíferos, os botos gastam imensa quantidade de energia para sobreviverem na água. Seu metabolismo é intenso e precisam comer muito. Por isso, ingerem também grande quantidade de poluentes presentes na água e nos peixes e crustáceos dos quais se alimentam.
Os poluentes se acumulam no tecido adiposo ao longo da vida do animal. Como as mães passam entre 80% a 90% de sua gordura para o filhote no leite, altamente energético, os botos bebês já recebem poluentes desde o nascimento. Há também transferência na gestação, via placenta.
— Com 6 anos de vida, um boto já tem uma carga brutal de poluentes. É tão grande que quase sempre as fêmeas perdem o seu primeiro filhote, porque ele já nasce com o sistema imunológico comprometido devido à contaminação e não resistem a doenças — explica Brito Junior.
Por volta de 6 anos, também os contaminantes acumulados deixam os animais com o sistema de defesa comprometido e a maioria morre.
Na Guanabara sem saneamento, há esgoto doméstico e poluentes industriais tão agressivos e letais quanto PCBs, ascarel, dioxina (resultado da queima de lixo doméstico e industrial), retardantes de chamas, que persistem por anos após o lançamento.
— Os cetáceos do Brasil têm a maior taxa de contaminação já registrada em um animal do mundo — afirma José Lailson Brito Junior.
Ele enfatiza que os mesmos poluentes também afetam os seres humanos expostos a eles:
— Tudo o que vemos acontecer com os cetáceos ocorre também conosco, em diferentes escalas, mas não deixa de nos afetar. O boto nos avisa — acrescenta.
Em tese, o boto-cinza poderia se aventurar oceano afora. Mas a espécie é residente, vive por toda a vida na baía onde nasceu. E os da Guanabara insistem na baía que Magalhães Corrêa descreveu como “verdadeiro jardim tropical, o maior e mais belo do mundo, onde a biologia está à espera do homem para ensiná-lo.”
O Globo sábado, 30 de abril de 2022
TURISMO: NA ESPANHA, OS ENCANTOS DE UM VILAREJO ONDE HÁ MAIS LIVREIROS DO QUE ALUNOS
Na Espanha, os encantos de um vilarejo onde há mais livreiros do que alunos
Com uma população fixa de apenas cem pessoas e 11 livrarias, Urueña se tornou uma atração turística para amantes de literatura
Por Raphael Minder / 2022 / The New York Times
30/04/2022 04h30 Atualizado há 7 horas
Vista aérea de Urueña, povoado no interior da Espanha — Foto: Samuel Aranda/The New York Times
Situada no topo de uma colina no noroeste da Espanha, Urueña dá vista para uma paisagem ampla e varrida pelo vento que inclui campos de girassóis, de cevada e uma vinícola famosa. As paredes de algumas lojas foram erguidas lado a lado com as muralhas do século XII que a circundam.
Apesar de toda essa beleza rústica, e como muitos vilarejos no interior espanhol, há décadas ela vem enfrentando problemas por causa do encolhimento e do envelhecimento da população, estagnada em apenas cem moradores em tempo integral. Aqui não há açougueiro nem padeiro, já que ambos se aposentaram há alguns meses; a escola conta com apenas nove alunos. Nos últimos dez anos, porém, um setor que vai de vento em popa é o literário: há 11 casas comerciais que vendem livros, sendo nove especializadas.
— Nasci em um vilarejo que não tinha livrarias, onde as pessoas se preocupavam muito mais em cultivar a terra e criar animais do que ler. Essa mudança é meio estranha, sim, mas não deixa de ser motivo de orgulho um lugar minúsculo como este ter se tornado um centro cultural, o que sem dúvida nos diferencia e nos torna especiais em comparação com as aldeias à nossa volta — afirma o prefeito Francisco Rodríguez, de 53 anos.
Urueña, o vilarejo no interior da Espanha que virou atração turística para amantes dos livros
10 fotos
Com uma população fixa de apenas cem pessoas, cidadezinha a duas horas de Madri tem 11 livrarias
A tentativa de transformar Urueña em um centro literário vem de 2007, quando as autoridades da província investiram três milhões de euros para ajudar a restaurar e converter as construções locais em livrarias e construir um centro de exposições e conferências. E fizeram uma oferta de dez euros mensais como aluguel simbólico para os interessados em administrar um dos negócios.
O plano era manter a aldeia viva graças ao turismo de livros, imitando o de outros centros literários rurais europeus — mais notadamente Montmorillon na França e Hay-on-Wye no Reino Unido, que organiza um dos festivais mais famosos do continente.
A Espanha é dona de um dos maiores mercados editoriais da Europa, que alimenta uma rede de cerca de três mil livrarias independentes — e o dobro disso se contarmos as papelarias e outras casas comerciais que também vendem livros.
— No entanto, 40% delas têm um lucro anual de menos de 90 mil euros, o que as coloca na categoria de "subsistência". Nesse setor, tamanho é documento; a tendência é que as menores desapareçam, como se dá em outros países onde essa é uma indústria consolidada — explica Álvaro Manso, porta-voz da Cegal, associação que representa as livrarias independentes espanholas.
Crianças brincam no letreiro que descreve Urueña como a 'cidade do livro' na Espanha — Foto: Samuel Aranda/The New York Times
Para ajudar as empresas menores a competir, o Ministério da Cultura da Espanha injetou nove milhões de euros em subsídios para a modernização e a digitalização do setor.
— A sobrevivência dessa imensa rede de livrarias na Espanha, onde os níveis de leitura não são particularmente altos, é um dos grandes paradoxos deste país, mas acho que também porque vivemos em uma bolha literária. Como o aluguel é baixo, dá para sobreviver financeiramente vendendo usados, que vão desde clássicos da língua espanhola, como "Pedro Páramo", em que me inspirei para dar nome à loja, até HQs como Tintin. De quebra, tenho uma exibição de 50 modelos de máquinas de escrever que supostamente foram usados por nomes como Jack Kerouac, J.R.R. Tolkien, Karen Blixen e Patricia Highsmith — disse Victor López-Bachiller, de 47 anos, dono de uma livraria e um dos cem residentes em tempo integral de Urueña, dos quais a maioria é de aposentados.
A jornalista Tamara Crespo e seu marido, o fotógrafo Fidel Raso, compraram uma casa em Urueña em 2001, antes da iniciativa de torná-la um centro literário, mas também abriram uma livraria especializada em fotojornalismo.
— Para mim, viver aqui é muito mais do que ter um comércio e não precisar se preocupar com o aluguel; tem a ver com a manutenção de certo estilo de vida, do cultivo da comunidade. Alguns proprietários, por exemplo, abrem só esporadicamente, principalmente no fim de semana, quando sabem que há mais visitantes, mesmo que o projeto de investimento estipule o funcionamento durante pelo menos quatro dias por semana. Outra coisa é que nos últimos 20 anos a população continua encolhendo devagar, mesmo que Urueña tenha se tornado atração para os aficionados — afirma ela.
As muralhas do século XII que circundam o vilarejo de Urueña, no noroeste da Espanha — Foto: Samuel Aranda/The New York Times
Rodríguez, o prefeito, reconheceu que o fato de se tornar um destino turístico não garante que as pessoas de fora queiram se mudar e manter o vilarejo vivo:
—A aposentadoria recente de alguns comerciantes é prova disso. Infelizmente, não conseguimos encontrar ninguém mais jovem disposto a assumir o açougue.
Com isso, o pão matinal e a carne estão sendo entregues pela aldeia vizinha.
Ele prevê que a demografia desfavorável da Espanha rural — fenômeno conhecido como "La España Vacía", ou "Espanha Vazia" — continue sendo um desafio para a sobrevivência da área. Apesar disso, a iniciativa literária vem dando frutos: Urueña foi escolhida para receber os subsídios por causa da beleza local, das peculiaridades arquitetônicas e da localização relativamente fácil, na saída de uma rodovia no noroeste do país, a pouco mais de duas horas de carro de Madri e a menos de 50 quilômetros da cidade medieval de Valladolid.
Isaac García em sua livraria Grifilm, especializada em cinema, é um dos que apostaram em Urueña, na Espanha — Foto: Samuel Aranda/The New York Times
O departamento de turismo local registrou 19 mil visitantes em 2021, mesmo em plena pandemia. Segundo as autoridades, o número real foi muito mais alto porque os excursionistas que chegam só para passar o dia não se registram na sede. Urueña também recebe cerca de 70 mil euros por ano em dinheiro público para organizar eventos culturais como aulas de caligrafia, apresentações teatrais e conferências.
Isaac García, dono de uma livraria especializada em livros sobre cinema, já morou com a companheira, Inés Toharia, na periferia de Hay-on-Wye, o paraíso dos livros do País de Gales, e não pensou duas vezes em agarrar a oportunidade de ter o próprio negócio no centro da Espanha:
— Nossa ideia era poder unir uma grande iniciativa com o estilo de vida dos nossos sonhos, mas na nossa terra natal. É claro que Hay teve muito mais tempo para se estabelecer, mas acho que Urueña, aos pouquinhos, também chega lá.
Eles, às vezes, usam a parede dos fundos da loja para a projeção de filmes, mas as poucas tentativas de instaurar exibições noturnas ao ar livre se mostraram complicadas demais.
— O vento é muito forte — justificou.
Pessoas caminham nas ruas da pequena Urueña, que recebeu cerca de 19 mil visitantes em 2021 — Foto: Samuel Aranda/The New York Times
Mas, mesmo antes da chegada das livrarias, Urueña tinha lá suas atrações culturais — como Joaquín Díaz, morador de longa data, que é cantor de músicas de raiz e etnógrafo. Ele saiu de Valladolid nos anos 1980 e hoje, aos 74 anos, vive em um prédio antigo, onde reuniu uma vasta coleção de instrumentos, livros e gravações tradicionais. Sua casa, aliás, foi transformada em museu pelas autoridades da província, há 30 anos.
— Sou realista, não acredito em excesso de nostalgia — comentou, referindo-se à perda de lojas e setores em vilarejos como Urueña. — No geral, a vida é muito mais fácil no interior da Espanha hoje do que há 50 anos, e ninguém jamais poderia imaginar, quando cheguei aqui, que o comércio de livros é que ajudaria a manter a cidade viva.
O Globo sexta, 29 de abril de 2022
TURISMO: UM RESORT À BEIRA-MAR COM UMA PRAIA FLUTUANTE? SIM, ELE EXISTE NO PANAMÁ
Um resort à beira-mar com uma praia flutuante? Sim, ele existe no Panamá
Deque sobre o mar fica no hotel Bocas Bali, no arquipélago de Bocas del Toro
29/04/2022 02h05 Atualizado há 7 horas
A 'praia flutuante' de Kupu-Kupu, no resort Boca Bali, em Bocas del Toro, Panamá — Foto: Divulgação
Hotéis com bangalôs suspensos sobre a água já são relativamente comuns, do Caribe à Polinésia Francesa. Mas o que dizer de uma praia flutuante? Essa é uma novidade lançada recentemente pelo Bali Boca , um resort em Bocas del Toro, arquipélago considerado um dos pontos mais bonitos do Panamá.
Batizada de Kupu-Kupu (do termo indonésio para "borboleta"), a "praia" é, na verdade, um deque em forma de leque, que avança sobre o mar, no final de uma longa passarela de madeira que atravessa o manguezal da ilha.
Piscina flutuante do Bocas Bali, resort de luxo em Bocas del Toro, no Panamá — Foto: Divulgação
Na parte de cima, com aproximadamente 30 metros de comprimento e 6 metros de largura, uma camada de areia cobre a estrutura, o que dá ao banhista a sensação de estar mesmo relaxando no litoral. O espaço é equipado com algumas espreguiçadeiras, um bar e palmeiras, que ainda estão pequenas mas, em breve, deixarão o cenário ainda mais convincente.
Se a areia confere à Kupu-Kupu uma sensação quase real de uma praia, o acesso à água é muito mais parecido com o de uma piscina. Escadas de quartzo verde descem em cascata do nível da praia, permitindo que os hóspedes entrem na água cristalina com bastante facilidade. Snorkeling, caiaque e outras atividades aquáticas não motorizadas também estão disponíveis na área da praia.
Entrada para a água da praia flutuante do resort Boca Bali, em Bocas del Toro, no Panamá — Foto: Divulgação
Segundo o proprietário e fundador do Bocas Bali, Dan Behm, a única coisa que faltava no resort, inaugurado em setembro de 2021, era justamente a praia. Todo o hotel, incluindo os quartos e o novo espaço, foi construído numa área de manguezais.
“Queríamos criar uma experiência única que por si só homenageasse o cenário natural incomparável, proporcionando aos nossos hóspedes o luxo de uma experiência de praia privada em nossa ilha exclusiva”, comentou Behm através de comunicado à imprensa.
Entrada para a água da praia flutuante do resort Boca Bali, em Bocas del Toro, no Panamá — Foto: Divulgação
O resort foi inaugurado em setembro de 2021 com 16 vilas personalizadas sobre a água, uma piscina de água doce de 20 metros e o restaurante Elephant House, que já funciona naquele mesmo local há cem anos anos. Entre as atividades possíveis estão mergulho, snorkeling, passeios de barco e caiaque e outras não motorizadas, para não perturbar o ecossistema local.
A preocupação ambiental está presente em todos os aspectos do projeto, garantem os responsáveis. Toda luz elétrica vem da energia solar, e foi projetado um sistema de tratamento de águas residuais ecologicamente correto especificamente para uma ilha de mangue. Já as bacias de captação podem armazenar até 100 mil galões de água da chuva, fornecendo todas as necessidades de água doce purificada.
Apraia flutuante do resor Boca Bali, em Bocas del Toro, no Panamá — Foto: Divulgação
As tarifas começam em US$ 1.100 por noite durante a alta temporada e $ 900 por noite durante a temporada de chuvas, incluindo todas as refeições e esportes aquáticos não motorizados no destino durante todo o ano. Mais informações e reservas no site bocasbali.com.
O Globo quinta, 28 de abril de 2022
TURISMO: UM ROTEIRO PELA COSTA MAYA, O TESOURO A SER DESCOBERTO NO CARIBE MEXICANO
Um roteiro pela Costa Maya, o tesouro a ser descoberto no Caribe Mexicano
Do lago de muitas cores de Bacalar ao clima bucólico de Mahahual, região pode funcionar como uma alternativa mais tranquila ao agito de Cancún e Cozumel
Por Eduardo Maia
28/04/2022 04h30 Atualizado há 6 horas
Viajantes descansam em frente à Laguna de los Siete Colores, em Bacalar, na Costa Maya, Caribe Mexicano — Foto: Ivan Macias / Wikimedia Commons / Reprodução
Conhecida especialmente pelos resorts de Cancún, pelas ruínas pré-colombianas de Chichén Itzá e Tulum e pelo charme praiano de Playa del Carmen e Cozumel, a Península de Yucatán tem outros tesouros bem guardados. Na ponta mais ao sul do Caribe mexicano, a chamada Costa Maya é um ótimo complemento, ou mesmo uma alternativa, à já badalada Riviera Maya. Entre os atrativos estão uma lagoa de muitos tons de azul, sítios arqueológicos que ainda não foram descobertos pelas multidões e praias pacatas mesmo ao lado de um terminal de navios de cruzeiro gigantes.
A melhor base para explorar a Costa Maya é Chetumal, capital do estado de Quintana Roo (o mesmo de Cancún), colada em Belize. Não exatamente pelo charme, que esta cidade de cerca de 170 mil habitantes, e aquele típico vaivém das fronteiras, não tem. E sim pela boa estrutura de meios de hospedagem e serviços turísticos, além da proximidade com as principais atrações da região. Chetumal até tem seus atrativos, como o Museo de la Cultura Maya ou os bares e restaurantes da orla do Boulevard Bahía. Mas são em outras águas que os visitantes normalmente querem mergulhar.
Laguna de los Siete Colores, em Bacalar, na Costa Maya, Caribe Mexicano — Foto: Wikimedia Commons / Reprodução
Elas ficam em Bacalar, cidadezinha a apenas 40km da capital, banhada por um conjunto de lagos de beleza surreal. O ponto mais conhecido é a Laguna Bacalar, ou Laguna de los Siete Colores, com tons de azul que remetem do Caribe às Maldivas. Com um detalhe: a água é doce. O lugar é muito apreciado para passeios de caiaque, stand-up paddle, catamarã ou veleiro. Ou apenas para curtir o visual a partir de um bar ou restaurante às margens do lago. Há ali também três cenotes onde se pode mergulhar, sendo o Azul o mais popular e de mais fácil acesso.
Cheia de belas casas de veraneio e hotéis charmosos, Bacalar faz parte da rede de Pueblos Mágicos do México, cidadezinhas encantadoras, ricas em história e natureza. Fora d’água, mas às margens de outro lago, o Fuerte San Felipe é a principal atração feita pelo homem por ali. Com suas estruturas de pedra muito bem conservadas até hoje, a instalação militar foi inaugurada em 1729, quando os colonizadores espanhóis se esforçavam para defender o território dos ataques de holandeses, franceses e ingleses. Estas e muitas outras histórias da região estão contadas no museu que funciona dentro do forte.
Um dos vários rostos de pedra esculpidos no Templo de los Mascarones, nas ruínas de Kohunlich, na Costa Maya, no México — Foto: Wikimedia Commons / Reprodução
História é o que não falta também em dois grandes sítios arqueológicos pré-colombianos na região. Cerca de 50km ao norte de Bacalar, as ruínas de Chacchoben guardam resquícios de uma importante cidade maia do século IV, com pirâmides e outras construções, em sua maioria ainda tomadas pela selva. Já as ruínas de Kohunlich, a 60km de Chetumal, bem perto da fronteira com Belize, merecem ser visitadas especialmente pelo Templo de los Mascarones, um conjunto de rostos de pedra numa área cerimonial que teve seu auge entre os séculos III e VII.
No litoral, o principal destino da região é Mahahual, onde, há pouco mais de 20 anos, apenas barcos de pescadores costumavam ser vistos ao longo de sua praia. Hoje a pescaria é outra: o trabalho agora é fisgar os milhares de passageiros que desembarcam diariamente dos navios de cruzeiros que atracam no porto da Costa Maya.
Um dos beach clubs de Mahahual, praia na Costa Maya, Caribe Mexicano — Foto: Eduardo Maia
O terminal turístico, inaugurado em 2002, é usado por algumas das principais armadoras dos Estados Unidos em seus roteiros pelo Caribe mexicano, como Disney Cruise Line, Norwegian, Carnival, Virgin Voyages e Royal Caribbean. No complexo do porto há um grande shopping, um beach club, um parque aquático que simula ruínas maias e uma atração para quem quer mergulhar com golfinhos. Mas nada disso é melhor que pegar um táxi ou alugar uma bicicleta e escapar para a praia de Mahahual, logo ali ao lado.
Apesar do grande número de turistas, o lugar não chega a ficar lotado, já que muitos deles contratam passeios para Bacalar ou as ruínas, por exemplo. Sobram, claro, estabelecimentos com aquela cara típica de pega turista. Mas ao longo da orla da cidade é possível encontrar bares, restaurantes e hotéis interessantes, muitos com estruturas de serviço pé na areia, onde se pode passar o dia — há opções de day use a partir de US$ 20 com bebida e comida. Mas se não quiser gastar nada, vale apenas sentar na areia e contemplar este canto ainda cheio de surpresas do Caribe mexicano.
O Globo quarta, 27 de abril de 2022
RIO DE JANEIRO: PROIBIÇÃO DE CAIXA DE SOM NA AREIA DAS PRAIAS CARIOCAS DIVIDE OS BANHISTAS
Proibição de caixa de som na areia das praias cariocas divide os banhistas
Decreto publicado pela prefeitura começou a valer ontem; guardas municipais farão a fiscalização
Camila Araujo e Isabela Aleixo
27/04/2022 - 10:40 / Atualizado em 27/04/2022 - 11:12
Música à beira-mar. Caixa de som ligada via bluetooth em barraca na Praia do Flamengo. Foto: Lucas Tavares / Agência O Globo
RIO — Proibir ou não proibir? Eis a questão que divide a opinião de banhistas nas praias cariocas desde terça-feira, quando foi publicado e começou a valer o decreto da prefeitura vetando o uso de caixas de som nas faixas de areia da cidade. Alex Calvet, que frequenta a Praia do Flamengo, aprovou a medida:
— Com dor no coração, mas achei bom proibir, porque incomoda. Você acaba ouvindo um som que não quer — disse, após retirar os fones de ouvido, que usa, justamente, para não incomodar os “vizinhos” na areia.
Em Copacabana, a notícia da medida desagradou a Ruan Carvalho, que mora em Caxias e, pelo menos duas vezes na semana, aproveita a folga na praia. Sempre com sua caixinha de som.
— Não concordo (com o decreto). Esse é um momento de lazer, e ele não está só relacionado ao silêncio. É uma válvula de escape, é dessa forma que eu consigo relaxar e curtir o momento — defendeu.
Há três anos trabalhando em uma barraca na areia da Praia do Flamengo, Davidson Santos costuma sintonizar o rádio com música popular. Para ele, é preciso “moderação” por parte de quem coloca som na praia.
— Se houvesse um meio termo, seria o ideal. Mais da metade das barracas tem som ambiente próprio. Tem que haver bom senso. Entre ter e não ter som, é melhor que não tenha para todo mundo. O carioca não vai deixar de vir se nenhuma barraca tiver música — pondera.
Poluição sonora
O decreto dispõe sobre medidas de controle e fiscalização “das fontes de poluição sonora nas praias e parques”. Para o professor do departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da UFRJ Fernando Castro Pinto, a regra pode ser efetiva no combate ao incômodo sonoro.
— A pessoa acha que, porque ela gosta de uma música, todo mundo ao redor tem que ouvir a mesma música. Então, há um incômodo sonoro muito grande. Proibir o uso desenfreado das caixas de som é positivo — afirma o professor, ressaltando, no entanto, que nas exceções previstas no decreto não há informações sobre os limites de decibéis permitidos para os eventos autorizados pela prefeitura. — Não vi no decreto nenhuma prevenção para esses eventos que têm permissão para usar equipamento de som. O texto não estabelece o limite do nível de poluição sonora. Para esses casos, se o decreto condicionasse o uso desses equipamentos à emissão de um nível máximo de decibéis, esse limite poderia ser facilmente verificado com um medidor de pressão sonora.
O decreto que coíbe o uso de caixas de som diz respeito apenas à faixa de areia: a música continua liberada nos quiosques da orla, de acordo com lei complementar sobre apresentações ao vivo nesses estabelecimentos e também por um decreto que determina nesses locais o limite de 55 decibéis entre 7h e 22h, e de 50 decibéis de 22h até as 7h do dia seguinte.
Mas a mais recente medida não trata só das praias. Desde ontem, está proibido o uso de amplificadores sonoros em unidades de conservação de proteção integral do Rio.
O texto prevê, no caso de descumprimento da medida, a apreensão do equipamento pela Guarda Municipal. A exceção é para o uso em atividades desportivas ou de lazer autorizadas pela prefeitura, além de eventos previamente autorizados. O recolhimento do aparelho será formalizado com a emissão de um Termo de Retenção de Equipamento Sonoro. Segundo a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop), para a retirada do equipamento é necessária a apresentação do lacre entregue no momento da apreensão e da nota fiscal do produto.
Na próxima semana, deve ser publicada uma resolução detalhando as penalidades. Até lá, a abordagem nas praias e parques terá como finalidade a orientação dos frequentadores.
O Globo terça, 26 de abril de 2022
GASTRONOMIA: INHOTIM REÚNE SABORES DO BRASIL DURANTE VOLTA PRESENCIAL DO FESTIVAL FARTURA GASTRONOMIA
Inhotim reúne sabores do Brasil durante volta presencial do festival Fartura Gastronomia
De 29 de março a 1º de abril, evento terá palestras, cozinhas abertas e participação de chefs como Claude Troisgros
26/04/2022 10h11 Atualizado há 46 minutos
Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, receberá o primeiro festival Fartura Gastronomia presencial desde o início da pandemia — Foto: Divulgação
Conhecido por servir um "banquete" visual aos visitantes, com peças e instalações de renomados artistas plásticos nacionais e internacionais, o Instituto Inhotim, em Brumadinho, será o palco da próxima edição do festival Fartura Gastronomia, a primeira com a presença do público desde o começo da pandemia. De 29 de março a 1º de abril, o museu a céu aberto no interior de Minas Gerais será palco de discussões e apresentações sobre como a culinária brasileira pode se transformar em obras de arte a nível mundial.
O Fartura Gastronomia 2022 terá a participação dos cinco embaixadores gastronômicos do Itamaraty, um de cada região do país: Morena Leite (Nordeste), Janaina Rueda (Sudeste), Manu Buffara (Sul), Saulo Jennings (Norte) e Paulo Machado (Centro-Oeste). Com mediação de Claude Troisgros, eles se reúnem para discutir a internacionalização da gastronomia brasileira e cozinhar para o público.
Essas rodas de conversas, sobre a formação da identidade alimentar nacional e as maneiras de a culinária brasileira se expandir pelo mundo sem perder suas origens, acontecerão no Espaço Igrejinha. Mas os chefs vão colocar a mão na massa em outro espaço, assinado pelo Senac, onde cozinharão ao vivo. O público presente poderá aprender as receitas, assistir à preparação dos pratos e provar o resultado final.
Outra parte importante do festival, a Mercearia Fartura abrirá espaço para que 16 pequenos produtores mostrem ao público a cultura e riqueza gastronômica da região. Serão oito da cidade de Brumadinho e oito produtores de outras partes de Minas Gerais. Entre os produtos vendidos estarão licores, queijo de cabra, temperos, embutidos, pães de fermentação natural, doces e granolas, laticínios, goiabada caseira, mel, charcutaria, cogumelos, cafés, geleias e chutneys.
O Menu Fartura, com pratos criados especialmente para o festival, estará presente nos dois restaurantes do Instituto Inhotim, o Tamboril e o Oiticica. Neles, os clientes poderão provar sobremesas assinadas pelos chefs participantes. Já na cidade de Brumadinho, os restaurantes Vila da Lavanda, Massa Demais, Rancho do Peixe, Curral Casa Branca, Abóbora, Ateliê Abraão, V8 e Bistrô Mendes abrirão suas cozinhas para chefs de Belo Horizonte, que também apresentarão pratos especiais no almoço e no jantar.
O evento gastronômico, que acontece das 10h às 17h, é aberto aos visitantes do Instituto Inhotim (o ingresso para o parque custa R$ 44, para um dia de visitação). Mas é sujeito à lotação e as vagas serão preenchidas por ordem de chegada. A programação, que terá também apresentações de DJs e música ao vivo, pode ser vista aqui.
O Instituto Inhotim continua seguindo alguns protocolos contra a Covid-19. Máscaras ainda são obrigatórias em espaços internos e há pontos de distribuição de álcool em gel espalhados por todo o parque. E a visitação diária está limitada em até três mil pessoas, por isso é importante garantir o ingresso com antecedência, pelo site. As visitas guiadas são feitas para grupos de até 15 pessoas.
O Globo segunda, 25 de abril de 2022
CINEMA: DETETIVES DO PRÉDIO AZUL COMPLETA DEZ ANOS COM ESTREIA DE NOVO FILME E DESPEDIDA DO ELENCO
'Detetives do Prédio Azul’ completa dez anos com estreia de novo filme e despedida do elenco
‘Um animalzinho deles custa um filme nosso inteiro’, diz criadora da série sobre a competição com ‘Animais fantásticos 3’
Há praticamente dez anos, no dia 15 de junho de 2012, foi ao ar pela primeira vez o Gloob, canal por assinatura voltado para o público infantil. No mesmo dia, na programação do canal, estreou a série “Detetives do Prédio Azul”, em que três amigos inseparáveis se uniam para brincar de detetive nos corredores do prédio onde moram.
De lá pra cá, foram 16 temporadas exibidas e três filmes lançados nos cinemas. O último deles é “Detetives do Prédio Azul 3 - Uma aventura no fim do mundo”, em cartaz nas salas de todo Brasil buscando repetir o sucesso dos anteriores. Lançado em 2017, “Detetives do Prédio Azul - O filme” levou 1,2 milhão de pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 16 milhões nas bilheterias. No ano seguinte, “Detetives do prédio azul 2 - O mistério italiano” alcançou números parecidos, com público de 1,3 milhão e faturamento de aproximadamente R$ 18 milhões.
“D.P.A.” foi criado pela escritora Flávia Lins e Silva, especializada no público infantil. Roteirista da série e dos filmes, a autora lembra que, há dez anos, trabalhavam em uma produção com pouca verba, em um espaço limitado e para episódios de aproximadamente 13 minutos. Neste sentido, comemora o sucesso da franquia e a possibilidade de poderem investir cada vez mais no desenvolvimento e no acabamento de cada obra. O novo longa foi orçado em R$ 9,8 milhões de reais, e investiu bastante em efeitos visuais e cenários, com parte da trama passada em Ushuaia, na Argentina.
Lançado em 740 salas, “D.P.A. 3” chega aos cinemas competindo com outro filme que se passa em um mundo de bruxos: “Animais fantásticos: Os segredos de Dumbledore”, que estreou em mais de 1.200 salas.
— Um animalzinho deles custa um filme nosso inteiro — brinca Flávia. — É dura a competição, mas confio na nossa criatividade e na fidelidade do público, que já demonstrou que gosta da série.
Conhecido pelo trabalho em filmes mais sérios como “Meu nome não é Johnny” (2008) e “Tim Maia” (2014), Mauro Lima é o responsável por dirigir o terceiro filme, que marca a despedida da geração de detetives formada por Bento (Anderson Lima), Sol (Letícia Braga) e Pippo (Pedro Motta).
O diretor volta a trabalhar com o público infantil 18 anos após “Tainá 2 - A aventura continua” (2004), mas considera a experiência muito diferente uma vez que em “Tainá” trabalhava com uma protagonista que não era atriz profissional (Eunice Baía), enquanto que em “D.P.A.” assume um elenco com mais conhecimento da franquia do que ele. Sobre competir com Hollywood, o diretor lamenta que sempre haverá um filme hollywoodiano maior e aponta para um mercado “desequilibrado e desigual”.
Produtora associada dos filmes e envolvida com a franquia desde que chegou às telinhas, Juliana Capelini vê uma consolidação cada vez maior da marca “Detetives do Prédio Azul” e comemora o fato dos longas conseguirem resgatar uma parcela do público que, em razão da idade, já deixou de assistir a série na TV. Ela também destaca a força do cinema infantojuvenil brasileiro.
— O mercado cinematográfico infantil sempre foi muito forte no Brasil. Tivemos os filmes da Xuxa, dos Trapalhões, que levavam muito público aos cinemas, mas depois houve um hiato de produções infantis. Considero que “Carrossel: O filme” foi a primeira retomada. Depois vieram “D.P.A.” e “Turma da Mônica”, sempre produções que têm grandes marcas por trás, o que facilita a disputa com os filmes de grandes estúdios — aponta a produtora.
No momento, além do terceiro filme, os envolvidos na saga estão trabalhando na produção da 18ª temporada. E Flávia Lins e Silva avisa que a ideia não é parar por aí.
O Globo domingo, 24 de abril de 2022
RIO SHOW: FESTIVAL REÚNE GRANDES NOMES DO ROCK BRASILEIRO NA MARINA
Festival reúne grandes nomes do rock brasileiro na Marina
Paralamas do Sucesso, Titãs, Blitz, Barão Vermelho e Capital Inicial estão no line-up do evento, que acontece de quarta a domingo
19/04/2022 18h03 Atualizado há 3 dias
Dinho Ouro Preto, Frejat e Nando Reis estarão no palco do Rock Brasil 40 anos. — Foto: Arte
Os anos 1980 estão logo ali. A partir desta quarta-feira (20), o Festival Rock Brasil 40 anos vai reunir 25 shows de grandes nomes daquela geração na Marina da Glória, como Paralamas, Titãs, Blitz, Barão Vermelho, Nando Reis, Marina Lima e Capital Inicial, entre outros.
— É importante marcar os 40 anos do Rock Brasil porque foi uma fase fundamental da nossa cultura. Começou com o discurso crítico naquele momento do final da ditadura e, infelizmente, são contestações que ainda valem até os dias de hoje. — destaca o baterista João Barone, dos Paralamas do Sucesso, que se apresenta no domingo (24).
Esta é mais uma etapa do evento que começou menor, em outubro do ano passado, com apresentações no Centro Cultural Banco do Brasil e na Praça da Pira, na Candelária. Depois, o festival seguiu para Belo Horizonte e São Paulo, antes de retornar ao Rio, onde os organizadores esperam atrair cerca de 10 mil pessoas por dia.
— O mais emocionante do projeto é o reencontro da galera, aqui no Rio, onde tudo começou. — afirma Peck Mecenas, produtor, curador e idealizador do festival. — Vemos pais levando filhos e famílias inteiras curtindo porque as letras do Rock Brasil são atemporais, tanto as políticas quanto as de amor, que canto até hoje para minha esposa.
Todos os shows do festival serão transmitidos ao vivo pelo Canal Brasil. Confira a programação completa:
Quarta (20) George Israel, às 19h Arnaldo Antunes, às 20h30 Marina Lima, às 22h15 Nando Reis, às 23h45 Frejat, às 01h30
Quinta (21) Fernando Magalhães, às 16h Plebe Rude, às 17h30 Titãs, às 19h15 Ira!, às 21h Camisa de Vênus, às 22h45
Sexta (22) George Israel, às 19h Fernanda Abreu, às 20h30 Biquini Cavadão, às 22h10 Blitz, às 00h Paulo Ricardo, às 1h45
Sábado (23) Fernando Magalhães, às 19h Leo Jaime, às 20h30 Humberto Gessinger, às 22h10 Celeebration, às 00h Capital Inicial, às 01h15
Domingo (24) George Israel, às 17h Bruce Gomlevsky canta Renato Russo, às 18h30 Barão Vermelho, às 20h30 Os Paralamas do Sucesso, às 22h15 Flausino e Sideral cantam Cazuza, às 00h
Marina da Glória. Av. Infante Dom Henrique s/nº, Aterro do Flamengo. Qui e dom, abertura dos portões às 14h. Qua, sex e sáb, abertura dos portões às 18h. A partir de R$ 110 (pelo Ingresso Certo). Não recomendado para menores de 18 anos.
O Globo sábado, 23 de abril de 2022
RIO SHOW: TERREIRÃO DO SAMBA TERÁ PAULINHO DA VIOLA, DIOGO NOGUEIRA, ALCIONE E OUTROS, A R$20
Terreirão do Samba terá Paulinho da Viola, Diogo Nogueira, Alcione e outros, a R$ 20
Fundo de Quintal e Samba do Trabalhador também estão na programação, que vai de quarta (20) a sábado (23), com bis no dia 30
19/04/2022 11h13 Atualizado há 3 dias
Artista que se apresentam no Terreirão do Samba em 2022 — Foto: Arte
Os desfiles voltam a ocupar a Sapucaí, e os shows retornam ao Terreirão do Samba Nelson Sargento, ao lado da Avenida. Com ingressos a R$ 20, a programação inclui apresentações de Paulinho da Viola, pela primeira vez no local, Alcione, Fundo de Quintal, Diogo Nogueira, Tereza Cristina, Tia Surica e Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador, entre outros.
Quarta, dia 20
19h- DJ
20h - Ginga Pura, Quintal do Pagodinho, Brasil, Elaine Machado, Gabrielzinho de Irajá, Dunga, Wanderley Monteiro, Alamir e Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador
22h20 - Teresa Cristina
22h40 - Chico Alves
23h20 - Alcione
00h30 - DJ
01h - Belo
02h10 - DJ
02h30 - Toninho Geraes
Quinta, dia 21
19h - DJ
20h30 - Almirzinho e Banda, Marquinho Diniz, Dorina e Alex Ribeiro
23h - Fundo de Quintal
00h30 - DJ
01h - Clareou
02h3 - DJ
03h - Caju para Baixo
04h30 - DJ
Sexta, dia 22
19h - DJ
20h - Tempero Carioca, Zé Luiz do Império, Matriarcas do Samba e Tia Surica
22h10 - Banda do Terreirão
22h40 - Luiz Camilo
23h10 - Bruno Maia
23h20 - Zeca do Trambone
23h30 - Carlos Dafé
00h - Agita Samba
01h - DJ
01h30 - Diogo Nogueira
03h30 - Pique Novo
Sábado, dia 23
19h - DJ
20h - Bruno Gama, Mauro Diniz, Juliana Diniz, João Diniz, Marquinho Sathã e Velha Guarda do Império Serrano
23h30 - Delcio Luiz
00h - Jorge Aragão
02h - DJ
03h - Vou pro Sereno
Sábado, dia 30
19h - DJ
20h - Terreiro de Criolo, Didu Nogueira, Pedrinho da Flor e Amanda Amado
23h - Paulinho da Viola e Beatriz Rabelo
00h30 - DJ
01h - Lecy Brandão
02h30 - DJ
03h30 - Péricles
05h00 - DJ
Terreirão do Samba: Rua Benedito Hipólito 66, Centro. Quarta a sábado e dia 30 de abril. A partir das 19h. RS 20.
O Globo sexta, 22 de abril de 2022
TURISMO: UM PASSEIO POR FLORENÇA A PARTIR DA GALERIA UFFIZI
Um passeio por Florença a partir da Galeria Uffizi, o museu mais visitado da Itália
Um passeio pela capital da Toscana a partir da Galeria Uffizi, que se tornou o atrativo cultural mais visitado da Itália em 2021
Por Gian Amato, Especial Para O Globo
21/04/2022 04h30 Atualizado há um dia
Florença vista a partir do Giardino delle Rose, um dos pontos mais concorridos entre turistas e moradores — Foto: Gian Amato
É o renascimento de Florença. A capital da Toscana é agora o endereço da atração cultural mais visitada da Itália, a Galeria Uffizi. De maneira inédita, seus corredores repletos de obras de grandes mestres superaram o Coliseu, os Museus do Vaticano e as ruínas de Pompeia. Do lado de fora, a atmosfera dos cafés, bares, ruas e praças lotadas de arte e gente contam a história da nova ascensão da cidade que foi berço da Renascença.
Foram 1.721.637 os visitantes da Uffizi em 2021. Eles puderam trocar os passeios virtuais pelos museus, populares no auge da pandemia de Covid-19, por telas de verdade. Paralisado diante da “Medusa” de Caravaggio ou de “A anunciação” de Da Vinci, esse volume de estrangeiros e italianos encheu as galerias, que roubaram do Coliseu (1,6 milhão) o topo do ranking anual do “Il Giornale dell’Arte”, publicação mensal italiana dedicada ao mundo das artes.
O diretor do museu, Eike Schmidt, enumerou os três fatores decisivos para o ressurgimento.
— As novas salas dedicadas ao século XVI, inauguradas em maio passado, as exposições que vão da antiguidade clássica à contemporânea e a oferta cultural que distribuímos na web e nas redes sociais — pontuou Schmidt, em comunicado enviado ao GLOBO.
A Uffizi condensa parte da história da arte ocidental em um palácio de mais de 500 anos, com dois andares e dezenas de salas. É um feito digno de Perseu, algoz da Medusa.
Sala da Galeria Uffizi, em Florença, onde fica a "Medusa", uma das obras mais conhecidas de Caravaggio — Foto: Divulgação
Aliás, admirar a estátua do herói mitológico localizada na Piazza della Signoria, perto da Uffizi e ao lado do Palazzo Vecchio, é um bom aquecimento antes das galerias. Esculpida em bronze pelo renascentista Benvenuto Cellini, integra a Loggia dei Lanzi, o museu a céu aberto e gratuito que também tem obras de Pio Fedi e Giambologna.
Clássico e contemporâneo também se misturam na Piazza della Signoria. A “Pietá” (2021), de Francesco Vezzoli, tem a cabeça arrancada por um leão e jaz vestida com as cores da Ucrânia, intervenção do artista tcheco Vaclav Pisvejc. Nas vitrines e janelas da cidade, bandeiras coloridas pedem paz.
Na Piazza della Signoria, em Florença, a 'Pietá' (2021) de Francesco Vezzoli ganhou as cores da Ucrânia, após intervenção do artista tcheco Vaclav Pisvejc — Foto: Gian Amato
Depois de flanar pela Signoria, chega a hora marcada com antecedência para entrar na Uffizi, uma conveniência que elimina a fila e acrescenta € 4 ao ingresso de € 20 (cerca de R$ 101). Lembrete: a Itália encerrou em março o estado de emergência, mas as máscaras ainda são obrigatórias em locais fechados.
Os corredores são organizados em formato de U e o site oferece um PDF que põe o elenco de artistas na palma da mão: Giotto, Botticelli, Rafael, Michelangelo, Da Vinci, Rembrandt, Caravaggio, Artemisia, Tiziano e etc.
As amplas janelas emolduram ângulos da cidade como se fossem obras de arte. Em um deles, o panorama da Ponte Vecchio sobre o Rio Arno atrai a mesma atenção que esculturas, quadros e pinturas no teto do palácio.
Visitantes na Galeria Uffizi, no centro histórico de Florença, na Itália — Foto: Divulgação
“A primavera” e “O nascimento de Vênus”, na sala Botticelli, causam impacto pelas dimensões físicas e artísticas. Teriam sido feitas sob encomenda para adornar uma residência privada de Lorenzo de Médici. A Vênus virou ícone e se multiplicou na cultura popular. É uma ironia tão grande quanto o Corredor Vasari, caminho seleto criado para a família mais abastada do Renascimento cruzar o Arno enquanto admirava parte da coleção particular. Será reaberto ao público ainda este ano, informa a assessoria do museu.
Enquanto o corredor estiver fechado, atravessar o rio pela Ponte Vecchio, como todo bom plebeu do Renascimento, é uma opção ao sair das galerias. Na outra margem está o Bulli & Balene, bar preferido dos florentinos descolados, na Piazza della Passera. E também a Piazzale Michelangelo e os Giardinos delle Rose e del’ Iris, três pontos ideais e disputados para ver a cidade do alto antes e durante o pôr do sol.
A Ponte Vecchio sobre o Rio Arno, um cartão-postal de Florença, na Toscana — Foto: Divulgação / Enit
Na piazzale está uma das réplicas do “Davi” de Michelangelo espalhadas por Florença. O original está na Galleria dell’Accademia e a visita, que custa € 12 (cerca de R$ 61), é indispensável.
É fácil cruzar a cidade a pé da Accademia até a Santa Croce (€ 9), o panteão onde estão as tumbas de Michelangelo, Maquiavel e Galileu. No caminho, pausa para conhecer o café mais simpático de Florença: Forno, na Via Ghibellina. É perto da Casa Buonarroti, que pertenceu a Michelangelo.
O Globo quinta, 21 de abril de 2022
CULTURA: LIVRO CONTA HISTÓRIAS POR TRÁS DAS BELEZAS DE COPACABANA, IPANEMA E LEBLON
Livro conta as histórias por trás das belezas de Copacabana, Ipanema e Leblon
‘Que lugar bacana’! traz ainda fotos novas e antigas de cada bairro
Natália Boere
20/04/2022 - 22:34 / Atualizado em 20/04/2022 - 23:17
Vista do Posto 6. Copacabana é um dos bairros retratados no livro “Que lugar bacana!”, que acaba de ser lançado Foto: / Divulgação/Paulo Marcos de Mendonça Lima
RIO — Que Tom Jobim morou na Rua Nascimento Silva 107, em Ipanema, Toquinho e Vinicius contaram lá atrás em “Carta ao Tom 74”, um dos clássicos da bossa nova. O bairro, no entanto, tem outras histórias ainda por serem reveladas — assim como seus vizinhos, Copacabana e Leblon. Parte delas está reunida no livro “Que lugar bacana!”, que acaba de ser lançado pela Portunhol Entretenimento.
— Tinha vontade de mostrar como esses bairros se formaram e como ganharam identidades próprias ao longo do tempo. Pessoas chegaram em cada um deles com propostas de vida diferentes — afirma o produtor cultural Sylas Andrade, morador de São Conrado e idealizador do livro.
Rua Nascimento Silva 107. Fachada da casa onde morou Tom Jobim em Ipanema Foto: Divulgação/Paulo Marcos de Mendonça Lima
Ele destaca que Copacabana sofreu uma especulação imobiliária muito grande nos anos 1950 e 1960, quando começaram a subir os espigões que verticalizaram a cidade.
— Ipanema é um bairro mais boêmio, ligado à Música Popular Brasileira. E o Leblon é mais tranquilo e onde as pessoas se conhecem bem, por ser um bairro menor — compara Andrade.
Copacabana à beira-mar Foto: Divulgação/Paulo Marcos de Mendonça Lima
O livro, que está à venda por R$ 90 pelo Instagram @que_lugar_bacana, tem design de Luis Carlos Moreira Rocha, o Maraca; fotos de Paulo Marcos de Mendonça Lima; e texto do jornalista Aydano André Motta.
— Imaginei um passeio não linear que começa na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, e vai até a Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon — conta Motta, morador da Lagoa
Uma das histórias que ele destaca é a de dom Antônio do Desterro, que, quando chegava de Angola, em 1746, para assumir o cargo de bispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, enfrentou uma tempestade violenta e fez uma promessa:
— Ele disse que, se escapasse da chuva impiedosa, cuidaria da igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana. Ele se salvou e reformou a igreja, que ficava onde séculos mais tarde seria erguido o Forte de Copacabana.
O Globo quarta, 20 de abril de 2022
GRAFITE: ARTISTA INTRIGA CARIOCAS AO PINTAR PALAVRAS PELAS RUAS DA CIDADE
Artista intriga cariocas ao pintar palavras pelas ruas da cidade
Trabalhos de Márcio de Carvalho levam poesia a espaços como bancos, calçadas e meio-fio
Por Eduardo Vanini
20/04/2022 04h30 Atualizado há 6 horas
Márcio de Carvalho posa diante de intervenção em Santa Teresa — Foto: Ana Branco
O artista gráfico Márcio de Carvalho já perdeu as contas da quantidade de vezes em que foi abordado por alguém, enquanto pintava uma palavra no meio-fio. Entre policiais e comerciantes, todos vão da curiosidade ao encantamento quando entendem do que se trata. “Outro dia, uma senhora que mora na rua, na Glória, chegou perto de mim e disse: ‘Você fica aí escrevendo e nunca faz nada no meu cantinho. Fui lá e pintei ‘compaixão’”, conta.
A rotina se repete desde meados do ano passado, quando o carioca, de 53 anos, começou a série pelas ruas do Catete, onde mora. A ideia, diz, surgiu espontaneamente, após realizar intervenções em que reorganizava e fotografava os diferentes objetos vendidos nas calçadas da região por aqueles que, em plena pandemia, não podiam ficar em casa. Nessa mesma época, escreveu poesias em cartazes de supermercados e fotografou pessoas segurando letreiros com preços. “Foi um ímpeto, uma emoção. Quis colocar poesia onde não tem”, comenta. “Quando escrevi ‘acalmar’, no Aterro do Flamengo, fiquei impressionado com a necessidade das pessoas por essa palavra.”
Conheça o trabalho de Márcio de Carvalho
8 fotos
Artista intriga cariocas com palavras escritas no meio-fio
“Deserto” foi a primeira. Depois vieram inúmeras outras, num jogo que se irradia por bairros como Centro, Glória, Santa Teresa e Flamengo. Escritas com uma grafia simples e na cor branca (um contraponto à sujeira e ao caos urbano), as expressões aparecem soltas justamente para não induzir os passantes a uma única interpretação. “Uma palavra pode ter mil sentidos. Acho interessante ver como cabe um mundo inteiro dentro dela”, afirma o artista, que mostra suas criações pelo Instagram, no perfil @mar_do_vale.
Em cartaz atualmente na Bhering com a coletiva “Pequenos Formatos”, Márcio tem a mente em plena ebulição. Além das palavras, produz vídeos e imagens munido apenas de celular. Parte deles foram exibidos recentemente numa apresentação do projeto musical Eletrorama, no Galpão Dama, no Centro do Rio. “É muito bom que ele esteja ocupando a cidade dessa maneira”, comenta Adriana Lima, responsável pelo espaço. Ela, inclusive, já o chamou para fazer intervenções no próximo evento no local, uma festa em homenagem a São Jorge, no dia 22. “Ele está desabrochando com uma avalanche de coisas lindas. É um furacão colocando tudo para fora.”
A despeito da produção intensa, a ideia de uma obra eterna não necessariamente enche os olhos do artista. Embora boa parte das palavras espalhadas pela cidade rendam registros fotográficos, vê-las apagadas pela ação do sol e da chuva é parte importante do processo. “A vida é assim. A gente nasce, cresce e morre. E o meio-fio e a calçada são como os poros da cidade. Imagino a palavra sendo absorvida pelo chão depois de ter tido o seu tempo de uso. Ela se comunicou e foi embora para que surjam outras.”
O Globo terça, 19 de abril de 2022
RIO: JÁ É CARNAVAL EM MADUREIRA
Já é carnaval em Madureira: evento gratuito agita a Arena Fernando Torres
Gabrielzinho do Irajá é uma das atrações do show desta terça-feira (19)
Regiane Jesus
19/04/2022 - 05:00
Gabrielzinho do Irajá é uma das atrações do espetáculo "O samba pede passagem" Foto: Divulgação
RIO — Chegou a hora de esquentar os tamborins. “O samba pede passagem” na próxima terça-feira, a partir das 20h, na Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira. A primeira edição do evento, idealizado por Mauro Diniz e que é uma espécie de contagem regressiva para o carnaval fora de época a ser realizado entre quinta e domingo que vem, conta com as participações dos cantores Gabrielzinho do Irajá e Juninho Thybau, além dos músicos do Cordão da Bola Preta e de outros bambas. No show, gratuito, o público vai ouvir sucessos como “Meu lugar”, “Vou festejar”, “Coração em desalinho”, “Samba pras moças” e “Lama nas ruas”.
Morador do bairro que virou seu sobrenome, Gabrielzinho resume o que este evento representa para os apaixonados por carnaval:
O cantor e compositor Mauro Diniz é o idealizador do evento "O samba pede passagem" Foto: Divulgação/Roger Manso
— “O samba pede passagem” vai acontecer em Madureira, terra do samba, área da minha Portela, do Império Serrano, do Parque Madureira, do Mercadão, de lugares que representam muito bem o subúrbio, a Zona Norte e o ritmo que é tão carioca. Vai ser um momento maravilhoso, de exaltação a grandes clássicos do samba.
O evento presta ainda uma homenagem a Monarco (1933-2021) e será encerrado pelo Cordão da Bola Preta, que relembrará marchinhas de antigos carnavais.
O Globo segunda, 18 de abril de 2022
CULTURA MUSICAL: MARGARETH MENEZES FALA DOS 35 ANOS DE CARREIRA E DE *RACISMO CULTURAL*
Margareth Menezes fala dos 35 anos de carreira e diz por que não teve a mesma projeção que Daniela e Ivete: 'Racismo estrutural'
Cantora prepara novo disco e turnê, terá biografia escrita por Djamila Ribeiro e documentário sobre sua trajetória profissional e de vida, que inclui aborto espontâneo e luta pela visibilidade negra: 'O legado preto é bom no samba, na comida, mas na hora de reconhecer direitos não é?'
Maria Fortuna
18/04/2022 - 04:30
Margareth Menezes sobre obstáculos que enfrentou na carreira: 'Existe saída enquanto estivermos vivos. A gente não pode aceitar o não. Foto: Divulgação / Wallace Robert
Margareth Menezes está encostada num móvel da sala do apartamento de Gilberto Gil, em Salvador, enquanto Daniela Mercury concentra as atenções soltando a voz ao redor de uma mesa. Maga, como é carinhosamente apelidada pelos fãs, só se aproxima quando alguém puxa uma cadeira para que se junte ao coro de "Pai e mãe", canção de Gil.
CONFIRA IMAGENS DA CARREIRA DE MARGARETH MENEZES
A cantora e compositora Margareth Menezes Foto: José de Holanda / Margareth Menezes quando criança. Cantora nasceu em 13 de outubro de 1962, na Boa Viagem, região da Península de Itapagipe, em Salvador Foto: ReproduçãoMargareth durante gravação da música "Faraó", em 1987Foto da cantora em 1989, na Califórnia, durante turnê nos Estados Unidos Foto: ReproduçãoMargareth Menezes em show no Hollywood Rock 1990, na Praça da Apoteose Foto: Guilherme Bastos / Agência O Globo
Margareth Menezes.Cantora lançou no início doa anos 2000 seu próprio selo, Estrela do Mar Foto: Morgana FestugatoA cantora Margareth Menezes durante show em 2004Margareth Menezes e Carlinhos BrownMargareth Menezes grava com Gilberto Gil, em 2008. Amigo e parceiro de longas datas Foto: Marcos RamosMargareth com Daniela Mercury, Gilberto Gil e Sandra de Sá na Copa da Cultura Foto: Divulgação Margareth começou a cantar em coral da igreja. Início da carreira profissional data de 1986 Foto: Gustavo StephanMargareth com Caetano Veloso após show no Canecão, em 2005 Foto: Rogério ResendeMargareth Menezes, cantora Foto: Leo AversaMargareth Menezes Foto: Guto CostaA cantora e Zélia Duncan na segunda edição do Ensaio AfroPop, no Lapa 40 Graus Foto: Cristina Granato
A cantora Margareth Menezes se apresenta no Palco Sunset do Rock in Rio, em 2017 Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
A cena aconteceu no início do mês em um sarau informal e diz muito sobre a personalidade da cantora baiana de 59 anos, famosa por hits como "Faraó" e "Elegibô" e de importância seminal para o Axé Music. Por trás da artista, de força imensa no palco, está a discrição em pessoa. Alguém que "chega devagar" e nunca foi "de se jogar". Tudo muda, no entanto, quando ela sobe na ribalta e solta a vigorosa voz grave.
É o que fará no próximo dia 21, data em que o Baile da Maga chega a Salvador natal de Margareth (mais precisamente no Sollar Baía, no Museu de Arte Moderna) pela primeira vez. A apresentação, que celebra a energia do carnaval e conta com sucessos como "Dandalunda", marca seu retorno oficial ao palco pós-pandemia.
— É um show dançante para matar a saudade, agora que dá para abraçar. Vamos reanimar a nossa energia, porque temos que ser feliz em algum momento, né? — diz a criadora do estilo musical afropop brasileiro, que mistura elementos africanos, brasileiros e pop.
A apresentação também é parte das comemorações pelos 35 anos de carreira da artista que, em fevereiro, lançou "Terra Afefé" em parceria com Carlinhos Brown. A canção estará em seu novo disco, previsto para o segundo semestre. Produzido em parceria com Russo Passapusso, o álbum terá nove composições. Músicas próprias, de novos artistas e de nomes importantes para a carreira de Margareth.
Turnê, biografia escrita por Djamila Ribeiro e um documentário dirigido por Joelma Oliveira Gonzaga também estão em andamento. O filme abordará a trajetória de Margareth que, no ano passado foi reconhecida como uma das 100 personalidades negras mais influentes do mundo pela Mipad 100 (instituição chancelada pela ONU) e indicada pela quarta vez ao Grammy.
Em 2021, a artista também foi nomeada embaixadora da cultura popular do Brasil pela Unesco, eleita uma das cinco mulheres inspiradoras no Latin America Lifetime Award e protagonista do seriado "Casa da vó". O programa, da plataforma Wolo TV, a primeira no país com conteúdo focado na população negra, está sendo exibido em Portugal e em países de língua portuguesa da África.
Abaixo, Margareth, que ainda se dedica ao projeto social Fábrica Cultural na Península de Itapagipe, complexo de favelas onde nasceu, afirma que a culpa de não ter tido a projeção de Daniela e Ivete é do racismo estrutural e lembra a dor de um aborto espontâneo.
A celebração pelos seus 35 anos de carreira começou com o lançamento de "Terra Afefé". A canção fala sobre a revolução que a mulher faz a partir do momento que começa a se movimentar e a perceber o seu poder. Quando você tomou consciência do seu?
Minha vida foi luta o tempo todo. Em algum momento, vi que tinha que criar a minha identidade em relação à música. "Maga é o que?" Afropop brasileiro! Comecei a defender essa identidade musical, porque o axé music foi um rótulo de generalização. Vi que a música que eu fazia tinha todo o meu legado. Sempre gostei de percussão, do meu histórico ancestral, mas também da coisa urbana. Havia toda uma urbanidade que me influenciava: Tropicália, Belchior, Fagner, João Gilberto, Dorival Caymmi, Rita Lee, Elis Regina, Ney Matogrosso...
Margareth Menezes: 'Sempre fui livre na maneira de me relacionar, na minha sexualidade, não presto satisfação em relação a isso' Foto: Divulgação/ Rachel Cardoso
Me via nisso tudo, mas com o tambor sempre tocando no meu coração. É a base do meu talento, do meu legado, das coisas que tenho dentro de mim. Aí vem o afropop brasileiro, o estilo, Gil, Caetano, Ijexá, os blocos afro. Abri meu coração para receber tudo isso. Está dentro do axé music, mas também é uma conexão com o mundo, com esse caldeirão que significa worl music.
Afefé é o vento forte que acompanha as aparições de Iansã na mitologia afro-brasileira. Isso é muito forte por tudo que significa, a força feminina, o vento que movimenta a atmosfera, o mar, leva coisa ruins, traz coisas novas, as voltas que o mundo dá ao redor do planeta. "Terra Afefé" é a energia que concentra tudo isso, a renovação.
Quando você ficou gravadora, foi lá e abriu um selo, o "Estrela do mar", para lançar seus discos. Ao se ver sem patrocínio para fazer live no carnaval da pandemia, pôs a boca no trombone nas redes sociais e, rapidinho, foi convidada para um projeto. Margareth não é de se conformar com o “não”? Usa obstáculos que poderiam desmotivar para se reinventar?
Acredito que exista saída enquanto estivermos vivos, que a gente tem que procurar porque tem o "sim" em algum lugar. Pode ficar puto, xingar, se sentir deixado de lado, ir lá no fundo do poço, mas tem que voltar, a gente não pode aceitar o não.
Apesar de você ter vindo antes e de ser seminal para a música baiana, Daniela Mercury e Ivete Sangalo tiveram mais projeção. Por que?
São histórias de patamares diferentes e existem aí várias coisas dentro do mesmo pacote. Tem a questão racial, o racismo estrutural da nossa sociedade. A isso, soma-se a estética, o padrão da televisão. Nós, mulheres artistas negras, não tínhamos as mesmas oportunidades, aberturas, convites.
Outro diferencial é que Daniela e Ivete, mulheres fantásticas e grandes talentos com contribuições enormes na cultura, tiveram a oportunidade de participar de blocos com estrutura, já com a logística arrumada, patrocinadores. Não tinham as mesmas preocupações que eu, que venho da música e de trio independente.
Por outro lado, tive a sagacidade de conseguir o meu espaço dentro disso tudo. Fui uma artista inquieta, sempre gostei de fazer coisas diferentes e sobrevivi a uma situação brutal, fiquei oito anos sem gravadora (depois do disco "Luz dourada", de 1993, e até o "Maga - Afropop brasileiro", de 2001, lançado em parceria com a Universal). Mesmo assim, fiz uma carreira de destaque aqui e fora do Brasil. Continuei os projetos e pude atravessar o deserto.
Mas consigo entender cada coisa em seu lugar sem ferir a minha relação com elas, por quem tenho muito respeito. Daniela, inclusive, vai fazer participação no meu show e sempre me convida também.
Pode contar algo que estará na sua biografia? Vai falar sobre a relação com seus pais?
Estou feliz de poder realizar isso. Com o tempo, a gente vai percebendo a importância de contarmos nossa própria história. Por mais que as narrativas alheias sejam bacanas, sempre vai faltar o sentimento de quem viveu. Tenho momentos bons e ruins na carreira, um sentimento diante das coisas que vivi, e quero deixar isso registrado.
Vou falar da ideia dos Blocos dos Mascarados, do movimento afropop brasileiro... Foram ideias criadas não para proveito próprio, mas para resgatar o lúdico, a alegria, criar espaços de diversidade e fortalecer alguns apelos em relação ao espaço dentro do carnaval.
E também para aproveitar esse espaço para mostrar a minha pesquisa musical.Vou falar dos meus pais, pessoas de origem humilde. Ele, que era motorista, aprendeu a ler e a dirigir sozinho. Ela era, cozinheira, costureira... Os dois eram muito simples, mas com uma visão de vida que favoreceu muito a gente. Viemos de família pobre, mas não chegamos a passar necessidade como a maioria das pessoas negras e pobres. Tive uma relação dura com meu pai. Ele era radical em tudo. Depois, a gente pôde se resgatar um pouco e pude viver coisas melhores com ele.
Margareth Menezes: 'Sou tímida, tenho uma maneira de chegar devagar nas pessoas, nunca fui de me jogar' Foto: Divulgação / Raquel Cardoso
O fato de você ser artista o incomodava?
Nunca foi muito bem aceito por ele. Meu pai providenciou o estudo para a gente. Era escola pública, mas ele não deixava faltar livros, fazia um esforço muito grande. Para a cabeça dele, me ver num grupo de teatro... E sempre fui muito livre na maneira de me relacionar, na minha sexualidade, não presto satisfação em relação a isso, nunca prestei. E meu pai era muito agressivo nessas questões.
Mas é importante esse lugar de entender qual era a condição dos nossos pais, ao que tiveram acesso. Essa reflexão chegou para mim a tempo e foi importante para olhar para frente, mais para o tempo que a gente tinha do que ficar sofrendo por coisas do passado.
Nesses conflitos de família, alguém tem que ceder. E se você muda a maneira de se comportar abre uma janela para recuperar o laço que está se partindo. Podemos manifestar o desacordo fora da agressividade, o que não significa ter menos razão.
Essa reflexão serve também para esses tempos de ódio generalizado entre as pessoas, né?
É o que precisamos fazer hoje. Nós brasileiros, estamos passando por muitos conflitos, sem humanizar nada. As pessoas estão se armando para matar quem? O outro que não concorda com ele? Por causa de que? Quem será a vítima desse povo armado? Somos seres humanos, vivemos num país com diversidade de sentimentos e etnias.
Você completa 60 anos esse ano. Se sente com essa idade?
Menina, de jeito nenhum! Mas me importo é com vitalidade. Nessa questão da idade, a minha geração conseguiu fazer uma coisa interessante que é dar mais longevidade, se manter ativo. Hoje, a gente sabe que o corpo humano aguenta muito mais se cuidar da saúde, tiver qualidade de vida.
O negócio é não comprar muito essa questão de "tô ficando velha". Porque, aí, começa a envergar. Acho que isso vem de dentro. Me sinto bem, com saúde, ativa. Meus mestres estão aí produzindo, Gil, Caetano, muita gente boa. Dona Elza (Soares) partiu, mas dois dias antes ainda estrava trabalhando.
E essa sexualidade livre que você mencionou... Continua?
Hoje sou mais de ir para o cinema, ver televisão (risos). Sou uma pessoa sadia em relação à sexualidade, estou de acordo com o andamento da minha carroça (risos). Acho que quanto mais madura com a vida, a sexualidade vai tendo outro lugar. O valor das coisas, de ter alguém ou não ter. Acho que passa muito por construir sua história nas relações.
Sempre fui tranquila. A gente tem que ser feliz e não ficar carregando mala sem alça, né? Relação não é só momento de prazer e felicidade, também é dialogar, refletir sobre a individualidades. Às vezes, a gente sofre com o que pessoa está fazendo, mas para que esquentar a cabeça com isso?
Você disse uma vez, en passant, que engravidou e não pariu. O que aconteceu? Ficou tristeza em relação a isso?
Naquele momento, sim. Não foi legal. Era uma gravidez tardia, estava entre 45 e 50 anos. Foi logo no comecinho. Aquilo me alimentava, eu queria. Não é que eu não quis mais, mas esse acontecimento foi dolorido, a gente ficou triste. Não persegui mais esse sonho. Mas não tenho sofrimento.
Naquele sarau na casa do Gil quando nos encontramos, pude observar o quanto você, fora do palco, é discreta, econômica até nos movimentos. É um pouco desconfiada também?
É só jeito de corpo. Sou assim mesmo. Quando vou para o palco ou começo a ficar à vontade, tenho outras expressões. Mas tenho um jeito de chegar nos lugares, para falar com as pessoas, chego devagar. Sou mais na minha. Sou uma pessoa tímida. É da minha natureza, nunca fui de me jogar.
Margareth Menezes às vésperas dos 60 anos: 'O negócio é não comprar muito essa questão de 'tô ficando velha'. Porque, aí, começa a envergar' Foto: Divulgação/ Raquel Cardoso
Me contaram que está no meio de uma transição de cabelo. Vem novidade por aí?
Tirei as tranças para pintar e hidratar o cabelo. Estou nesse estudo para ver o que vou fazer. Gosto de trança, mas seria bom uma novidade. Sou libriana (risos), é fogo para decidir... Analiso de um jeito, de outro...
Você está no elenco da série Luiz Fernando Carvalho sobre a Independência do Brasil, que partirá do ponto de vista dos excluídos, como negros e mulheres. Qual é a importância de apresentar outras narrativas sobre essa história?
Precisamos fazer isso para que nós, brasileiros, entendamos por que as coisas são desse jeito e como podemos mudá-las. Foi uma perversidade o que aconteceu com o povo negro no Brasil, a maneira como as pessoas foram tiradas da África e o tempo que durou. Pensa no desespero que foram dois anos de pandemia e imagina 300 e tantos anos submetendo vidas humanas à escravidão...
Isso suscitou muito desgaste, desequilíbrio emocional. Quando a dominação se dá, é imposta em cima de mecanismos de sofrimento, de desqualificar, de humilhação. Você quebra o espírito, a verve da pessoa. Isso foi imposto ao povo negro no Brasil. Quando se conhecesse mais sobre essa história, vem a gana de sair dessa situação, principalmente, essa nova geração com mais acesso à informação. Começam a resgatar as religiões de matriz africana, a não aceitar certas coisas.
Isso não é um problema de branco e preto, mas do Estado que precisa fazer a reparação que não foi feita na Abolição. Não houve indenização, ao contrário, os donos de escravos é que foram indenizados. As pessoas foram deixadas a esmo para morrer. Durante esse tempo de penúria, de falta de visão, como houve para outros imigrantes que vieram, há ainda uma dívida história a ser reparada. Por isso, a necessidade de cotas e políticas públicas justas para haver democracia.
Você cunhou a expressão "máquina do privilégio", como define o favorecimento a artistas brancos. O que diria a quem afirma que isso é "mimimi"?
As pessoas dizem que reclamamos muito. Bicho, não é reclamar, não é criar polêmica, é uma reflexão sobre a história real de um país que a gente precisa pensar para que a coisa comece a ter outro rumo. É fácil para quem não sente na pele, a gente precisa falar que isso dói. Não sou uma pessoa que se coloca no lugar de vítima. Estou falando de uma estrutura que faz mal a um número enorme de pessoas.
Precisamos construir uma outra forma de contemplar todos os brasileiros, ter representatividade do povo negro em todos os postos de poder, compartilhar das coisas boas é um direito nosso que nascemos nesse solo e somos afrobrasileiros, nosso lugar precisa ser reconhecido. Nossos antepassados foram trazidos para cá e o legado é muito positivo para o Brasil. Porque é bom na hora do samba, da comida e na hora de reconhecer direito não é bom?
O Brasil a valoriza como merece?
O Brasil não valoriza o povo como merece. O cidadão brasileiro precisa reconhecer o valor do próprio povo, da cultura, da arte, das potencialidades, da ciência, das pesquisas do Brasil. Não é sobre mim, pois quando olho a minha história, vejo que é o povo do Brasil que me sustenta. Estou viva até hoje porque tenho fãs aqui (Salvador), no Rio, em São Paulo. Viajo o Brasil fazendo shows. Estou falando de uma estrutura racista, mas não posso dizer que não tenho reconhecimento do povo brasileiro.
Acha que cantoras negras da cena atual, como Larissa Luz, Luedji Luna e Xênia França já vem com a resistência no DNA? Não que você não tivesse, mas talvez hoje haja uma consciência mais generalizada sobre a importância de se colocar... Ao mesmo tempo que você é inspiração, aprende com elas também?
Essa galera vem com maiores oportunidades, conquistadas à base de muita luta e história das artistas que vieram antes. Temos Márcia Short, Sandra de Sá e todas as mulheres artistas negras construíram algum legado para essa geração nova. Não veio de bandeja. Hoje, elas têm acesso a outras ferramentas, como as redes sociais, que conseguem gerar uma comunicação direta com o público.
Vemos influencers que têm linguagens certas, maneira de ganhar mais seguidores. Nós artistas temos a nossa arte, as pessoas que nos seguem estão ali em função do que a gente construiu. E tem Ludmilla, Iza, artistas com muitos seguidores, e acho que tem que ser assim mesmo para chegar aos lugares.
E com certeza, a partir do momento em que se tem mais acesso e se conhece a história do nosso povo, o approach é muito mais firme.
Você disse outro dia, na gravação do programa "Por acaso", que quando as pesquisas dos blocos afro desaguaram em músicas sobre histórias positivas do povo negro e outros povos foi uma verdadeira revolução... Pode falar um pouquinho sobre isso?
Foi uma luz. E ela veio de todas as ações que nos trouxeram referências positivas ao longo desse tempo todo de luta. Os terreiros de candomblé, as mães de santo, os blocos afro são guardadores da memória do povo, assim como as escolas de samba.
A partir daí é que se constrói memória e referências para reagir, para se ter autoestima. Não esquecemos quem veio antes, revisitamos a nossa ancestralidade. Todo ser humano precisa ter essa busca, conhecer a história de sua família de alguma maneira. Perguntar para pai, mãe, avó.
Para nós, negros, é mais difícil por conta de como as coisas aconteceram. Mas a gente busca, começando pelos significados das palavras nas línguas de África. Tudo isso é fortalecedor. Inclusive, ver a história antes da escravidão. Nem todos os povos da África foram escravizados. Tem muita coisa para conhecer. Muita coisa nasceu ali, muita ciência. A origem de muitas coisas positivas vem da África.
O Globo domingo, 17 de abril de 2022
PÁSCOA: *PÁSCOA DE GUERRA* - PAPA FRANCISCO FAZ APELO POR PAZ NA UCRÂNIA DURANTE CELEBRAÇÃO NO VATICANO
'Páscoa de guerra': Papa Francisco faz apelo por paz na Ucrânia durante celebração no Vaticano
Pontífice ressaltou que conflito é 'cruel e sem sentido'
O Globo e agências internacionais
17/04/2022 - 07:32 / Atualizado em 17/04/2022 - 09:16
Papa Francisco faz apelo por paz na Ucrânia durante celebração da Páscoa no Vaticano Foto: REMO CASILLI / REUTERS
VATICANO — Durante a celebração de Páscoa neste domingo, o Papa Francisco fez novamente um apelo por paz na Ucrânia, país em guerra desde a invasão de tropas russas em 24 de fevereiro. Francisco ressaltou aos fiéis presentes no Vaticano que a nação ucraniana foi "arrastada" para um conflito "cruel e sem sentido" e alertou que a situação poderia levar à destruição da humanidade.
— Que os líderes das nações ouçam o apelo do povo pela paz. Que eles ouçam essa pergunta perturbadora feita pelos cientistas há quase setenta anos: "Vamos acabar os humanos, ou a humanidade deve renunciar à guerra?" — Lembrou o pontífice, citando o Manifesto Russell-Einstein de 1955, que alertava para a destruição global que poderia ser causada por armas nucleares — Por favor, não nos acostumemos com a guerra!
O papa também lamentou que, após dois anos de pandemia de Covid-19, quando todos "uniram forças e recursos" , o mundo esteja enfrentando uma "Páscoa de guerra".
— Estamos mostrando que ainda temos dentro de nós o espírito de Caim, que viu Abel não como um irmão, mas como um rival, e pensou em como matá-lo. Precisamos do Senhor crucificado e ressuscitado para que possamos crer na vitória do amor e esperar a reconciliação — ressaltou o líder da Igreja Católica.
Cerca de 50 mil pessoas estavam na Praça de São Pedro nesta manhã. Esta foi a primeira celebração de Páscoa com autorização de público no local após dois anos de restrições por conta do coronavírus.
Desde o início da guerra Francisco já lamentou os combates entre Rússia e Ucrânia diversas vezes. Ele chegou a dizer que estava com o "coração partido" por conta da situação e descreveu o conflito como uma "insensatez" e um "massacre".
O Globo sábado, 16 de abril de 2022
ARTE SACRA: OURO PRETO GANHA MUSEU QUE MOSTRA COMO O BARROCO SE ADAPTOU NAS AMÉRICAS E NA ÁSIA
Ouro Preto ganha museu que mostra como o barroco se adaptou nas Américas e na Ásia
Museu Boulieu tem mais de mil peças que ajudam a entender como a fé cristã se espalhou pelas colônias europeias
16/04/2022 02h43 Atualizado há 8 horas
Imagens do acervo do Museu Boulieu, o mais novo de Ouro Preto, em Minas Gerais, focado na arte barroca — Foto: Nelson Kon / Divulgação
Ao pisar no salão cheio de imagens sacras dos séculos XVII e XVIII, o visitante é envolvido pela voz de Maria Bethânia declamando poemas de Fernando Pessoa. Essa é uma das experiências proporcionadas pelo Museu Boulieu, o mais novo espaço cultural dedicado ao barroco em Ouro Preto, coração do circuito de cidades históricas de Minas Gerais.
Inaugurado no último dia 13 , o novo museu se destaca por mostrar como a arte barroca se desenvolveu não apenas em Minas Gerais, mas em diversos países do mundo. A coleção foca em peças produzidas também em outras colônias europeias na Ásia e na América Latina, e os resultados obtidos por artistas de cada um desses locais, frutos de misturas culturais e sincretismos religiosos.
O museu foi formado através da coleção doada pelo casal Jacques e Maria Helena Boulieu, com 2.500 peças. Dessas, 1.050 farão parte da exposição permanente. Há especialmente esculturas de pedra e madeira, mas também pinturas, móveis, utensílios de prata e ouro e peças religiosas.
Veja fotos do Museu Boulieu, novo espaço cultural em Ouro Preto dedicado à arte barroca
6 fotos
Aberta em abril, galeria tem seis salas de exposição e mais de mil peças em exibição
Com patrocínio do Instituto Cultural Vale, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e projeto de restauração e expografia do Instituto Pedra, o museu tem curadoria de Angelo Oswaldo. Ele, que é o atual prefeito de Ouro Preto, dispôs o acervo de modo a ajudar a contar um pouco da histórica do espalhamento da fé cristã a partir da Península Ibérica em direção às colônias. São nove setores: "A fé e o império conquistam o mar"; "O mundo encantado das Índias"; "Americanos de Norte a Sul sob o sinal da cruz"; "O brilho dos metais e a luz da religião"; "A América hispânica e o esplendor do culto"; "Os engenhos da arte no Brasil açucareiro"; "A palma barroca na mão do povo"; "O eldorado no coração da grande floresta"; e "Esfera da opulência e teatro da religião".
Também há um espaço dedicado a exposições temporárias, com peças de fora da própria coleção. A primeira, que irá até 30 de julho, é "Aleijadinho - fotografias de Horacio Coppola", em parceria com o Instituto Moreira Salles. O conjunto de fotografias retrata as obras do mais importante escultor do barroco brasileiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a partir da viagem feita por Coppola a Minas Gerais em 1945.
Imagens do acervo do Museu Boulieu, o mais novo de Ouro Preto, em Minas Gerais, focado na arte barroca — Foto: Nelson Kon / Divulgação
Instalado no antigo Asilo São Vicente de Paulo, um prédio de 1932 num dos principais acessos ao centro de Ouro Preto, o museu ocupa um espaço de 400 metros quadrados. As seis salas de exposição se concentram no segundo andar, e os visitantes têm acesso ainda a um café e uma loja.
O Museu Boulieu fica na Rua Padre Rolim 412 e funciona segunda, quinta, sexta, sábado e domingo das 10h às 18h; e quarta, das 13h às 22h. O ingresso custa R$ 10, menos às quartas, quando a entrada é gratuita. Mais informações em museuboulieu.org.br.
O Globo sexta, 15 de abril de 2022
CULTURA: O VINIL NÃO É MAIS AQUELE - AGORA É A VEZ DE O CD ENCANTAR OS COLECIONADORES
O vinil não é mais aquele: agora é a vez de o CD encantar os colecionadores
A alta do ‘hype’ nos LPs, um disco raro chega a R$ 20 mil, trouxe de volta aquele formato físico de ouvir música calado lá nos anos 1990. Sensação entre a Geração Z, o CD já está até inflacionado
Bolívar Torres
15/04/2022 - 04:30
Philipe Baldissara Antunes procura por CDs na Loja Tracks, na Gávea, Rio Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Proprietário da loja de discos Tracks, há 27 anos na Gávea, Heitor Trengrouse é um dos muitos que, até há pouco, tinham decretado a morte do CD. Diante da baixa procura por lançamentos no formato, cada dia mais suplantado pelo streaming, ele já estava planejando diminuir a presença do produto em sua loja, que também comercializa LPs e DVDs.
Em novembro, porém, Trengrouse tentou algo diferente. Pela primeira vez, adquiriu uma grande coleção de CDs usados. Vendidos a preços mais acessíveis, o lote teve uma saída surpreendente. O perfil dos compradores variava: desde jovens nostálgicos em busca dos artistas dos anos 1990 e 2000 que ouviam na infância (e que só foram lançados em CD) a colecionadores que não querem mais pagar os valores inflacionados dos vinis.
— O primeiro lote de usados foi um start, funcionou tão bem que passamos a adquirir outros — diz ele. — Está claro que estamos vivendo um aquecimento nessa área.
Outros proprietários de lojas concordam com Trengrouse: há empolgante crescimento das compras de CD de segunda mão, que parece inversamente proporcional à procura por lançamentos no mesmo formato.
Segundo uma pesquisa divulgada pela Pro-Música Brasil, associação afiliada e representante nacional da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a produção de streaming correspondeu a 86% do faturamento total da indústria fonográfica no Brasil em 2021. As vendas dos formatos físicos como um todo (CD, LP e DVDs), por sua vez, representaram apenas 0,6% do total das receitas da indústria.
Febre mundial nos anos 1990, os CDs praticamente deixaram de ser lançados no Brasil de 2022 Foto: Paulo Rubens Fonseca / Agência O Globo
Nessa conjuntura, a produção de CD em território nacional minguou. Mesmo alguns lançamentos de artistas brasileiros só chegam aqui muitas vezes via importação, o que tornam os preços exorbitantes. Os últimos de Caetano Veloso e Marisa Monte, por exemplo, estão saindo por quase R$ 200 na Tracks Discos.
— Imagino que a decisão de lançar um CD ou um vinil hoje deva-se mais a uma estratégia promocional do que à busca por um faturamento maior, sendo que existem artistas e gêneros musicais, o clássico, por exemplo, que subvertem continuamente esta lógica — opina Paulo Rosa, presidente da Pro-Música Brasil.
No restrito mundo dos colecionadores, a história é outra. O formato, que reinou nos anos 1990 e parte dos 2000, vive um renascimento próprio. Fábio Pereira, dono da Supernut Mara Records, uma loja online de compra e venda de discos, vivia recusando ofertas de CDs. De dois anos para cá, passou a comprar novos lotes semanalmente.
— Está acontecendo com o CD o que ocorreu com o vinil anos atrás: tem muita gente jogando fora, e você pode encontrar coisas boas e baratas. Estou aproveitando para estocar. Além disso, os LPs raros chegam a valores surreais, e ouço muitos clientes dizerem que estão comprando CD porque é mais barato — conta. — Eles têm a necessidade do material físico.
Streaming sem limites
A tendência chegou a jovens que não conheceram o auge do CD e que ainda têm o streaming como “toca-discos”. Ouvinte de música erudita, Ana Nader, de 20 anos, seguiu rumo ao CD com o objetivo de se afastar um pouco do celular. O primeiro contato com essa tecnologia quase “arcaica” para a sua geração teve altos e baixos. Por um lado, ela achou o CD um tanto restritivo, dada a limitação do espaço para músicas. Por outro, acredita ter ficado um pouco mais seletiva sem a oferta infinita do streaming.
— Se pelo streaming podia, num intervalo de uns 40 minutos, ouvir de Bach a Boulez, por exemplo, pelos CDs me limitei a escutar algo específico, seja a seleção do intérprete ou a seleção de épocas — conta a jovem de Sorocaba, São Paulo. — Isso foi positivo, já que não ficava muita informação para a cabeça num dia só.
A tendência de comportamento de consumo musical, apesar de relativamente recente, já começa a dar sinais de causa e efeito no mercado. E os mesmos preços inflacionados que atormentaram os colecionadores de vinil nos últimos anos também estão, em menor medida, ameaçando o novo queridinho dos sebos. Ainda que um CD dificilmente iguale o valor de um LP raro (que pode chegar até R$ 20 mil), os amantes de CD já sentem no bolso o “índice hype” do momento.
— Os CDs de heavy metal, por exemplo, subiram de maneira inimaginável — diz Philipe Baldissara Antunes, 22 anos, que voltou a consumir CDs após ter abandonado o hábito em 2012. —Quando eu era adolescente, comprava clássicos do gênero por R$ 20 ou R$ 30 reais, hoje são coisas que você encontra de R$ 90 para cima.
Assustado com o preço nas lojas, Philipe Baldissara Antunes passou a garimpar em sebos, e também em grupos de Facebook.
O Globo quinta, 14 de abril de 2022
DONA IVONE LARA, 100 ANOS
Dona Ivone Lara, 100 anos: A sambista que fez carreira como profissional da saúde mental
13/04/2022 • 17:12
"Sonho meu, sonho meu/ Vai buscar quem mora longe, sonho meu/ Vai mostrar esta saudade, sonho meu/ Com a sua liberdade, sonho meu/ No meu céu a estrela-guia se perdeu".
Para quem conhece a vida e a obra da gigante Dona Ivone Lara, que completaria 100 anos nesta quarta-feira, sua canção mais famosa, "Sonho meu", pode ter sido inspirada nos anos de trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional D. Pedro II, no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio, sob a supervisão de Nise da Silveira, médica responsável por revolucionar o tratamento de saúde mental do Brasil.
Pouca gente sabe, mas antes de se tornar famosa com seus sambas, Dona Ivone Lara foi uma aguerrida profissional de saúde mental. Orfã de pai aos 2 anos e de mãe aos 16, Dona Ivone Lara cursou Enfermagem na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e, aos 25 anos, deu início a sua carreira na instituição no Engenho de Dentro, onde trabalhou por 30 anos. Filha de uma família musical (seu pai tocava violão de sete cordas, e a mãe cantava), ela já compunha e também cantava desde muito jovem. Mas só se dedicou inteiramente ao samba depois de se aposentar do serviço público, em 1977.
Carregando nos ombros o legado da resistência negra e do pioneirismo das mulheres no mercado de trabalho, a carioca transitava entre o universo da classe média vivida na faculdade e a realidade de uma famíla pobre, negra e, portanto, marginalizada. Por isso, agrarrou-se à vaga conseguida no Serviço Nacional de Doenças Mentais, logo que saiu da vida acadêmica.
Seis anos após se formar em Enfermagem, em meados dos anos 1940, ela se tornou uma das primeiras estudantes de Serviço Social no Brasil e, em seguida, especializou-se em terapia ocupacional, no curso ministrado por Nise da Silveira, com quem atuou também na Casa das Palmeiras, em Botafogo, na Zona Sul.
Naquele período, o tratamento de doentes mentais no Brasil ainda era muito voltado para a internação, com o uso de terapias agressivas como eletrochoques e lobotomia. Muitos pacientes eram abandonados pelas famílias em institutos como aquele em que Ivone Lara trabalhava. A psiquiatra Nise da Silveira, porém, foi responsável por quebrar essa tradição, incentivamento o engajamento de doentes com atividades culturais e a aproximação de seus pacientes com a família. Muitas das práticas iniciadas pela médica são referência no tratamento mental até hoje.
Foi nesse ponto da revolução promovida por Silveira, hoje considerada o marco inicial da luta antimanicomial, que o trabalho da sambista se mostrou de suma importância. Atuando como visitadora social em nome do hospital, Dona Ivone Lara tinha, muitas vezes, a tarefa de percorrer centenas de quilômetros em território fluminense, ou até em outros estados do Brasil, atrás das famílas de pacientes internados, com o objetivo de reunir os parentes com os assistidos.
No instituto na Zona Norte, Ivone atuava em oficinas de música com internos e eventos nos quais promovia a aproximação de doentes com pais, mães, avós, irmãos etc. Há quem diga que esse trabalho, realizado até hoje na unidade de saúde, plantou a semente do bloco de carnaval Loucura Suburbana, que, tradicionalmente, sai do prédio, hoje chamado de Instituto Municipal Nise da Silveira, e percorre as ruas do Engenho de Dentro, misturando pacientes, familiares, profissionais de saúde e moradores do bairro.
O Globo quarta, 13 de abril de 2022
ESPORTES: ROBERTO DINAMITE COMPLETA 68 ANOS EM MEIO A TRATAMENTO DE CÂNCER - *QUERO VIVER MUITO AINDA*
Roberto Dinamite completa 68 anos em meio a tratamento de câncer: 'Quero viver muito ainda'
Ídolo do Vasco recebe homenagens de torcedores pelo Brasil
Bruno Marinho
13/04/2022 - 03:00
Roberto Dinamite trata câncer no intestino Foto: Guito Moreto / Agência O Globo
A rouquidão de Roberto Dinamite não é páreo para a mensagem que ela tenta abafar. O maior ídolo do Vasco, em meio ao tratamento de um câncer no intestino, vive e deseja viver. Hoje, ele comemora 68 anos em meio a homenagens. Receberá o título de benemérito e, até o fim do mês, uma estátua que ficará em São Januário.
O ex-jogador perdeu 20kg em 20 dias no começo da quimioterapia — outro efeito colateral das sessões é a fraqueza na voz. Chorou quando recebeu a notícia da doença, descoberta ao investigar uma obstrução intestinal. Quatro meses depois, os sentimentos continuam à flor da pele.
— Hoje, eu me emociono de alegria, por acreditar que vou passar por essa etapa.
Estou me recuperando, convivendo com uma situação, vamos dizer, nada normal. Para alguém com a minha vida, eu tive minha carreira como atleta. De repente, você se vê numa situação que está aí, todo mundo sabe. É uma etapa que precisa ser feita na minha vida. Operei às vésperas do Natal. Era uma obstrução intestinal. Fui operar e identificamos o câncer. Hoje eu uso isso aqui (mostra a bolsa intestinal). Qualquer coisa que eu coma, desce aqui.
Como foi o começo do tratamento?
No primeiro momento, você não sabe como vai ser sua reação. Serão oito sessões de quimioterapia. Já estou entre a sétima e a oitava. Em 20 dias, eu perdi 20kg. Fui lá para baixo. Estava dando topada em pedrinha no chão porque andava arrastando os pés, minha musculatura foi lá para baixo. Agora estou forte, comparado a antes. No começo, passei muito mal, vomitei. Agora já durmo na sessão.
RELEMBRE AS PRINCIPAIS CONQUISTAS DO VASCO QUANDO RECEBEU INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
Mauro Galvão levanta a taça de campeão da Libertadores, o título mais importante da história vascaína Foto: ArquivoO primeiro título conquistado na era do National Bank foi o Estadual de 1998, com jogadores como Juninho, Ramon e Odvan no elenco Foto: André Arruda / Agência O GloboO lateral-direito Zé Maria (à esquerda) e o atacante Guilherme eram dois nomes de peso do Vasco campeão do Torneio Rio-São Paulo Foto: Cezar LoureiroO Vasco montou grande time de basquete, cujo ápice foi o título sul-americano, que deu direito à equipe de disputar a McDonalds Cup. Na final, enfrentou o San Antonio Spurs, da NBA Foto: ReproduçãoEm 2000, o Vasco protagonizou a maior virada da história do futebol para ser campeão da Mercosul: o time venceu o Palmeiras por 4 a 3 em São Paulo depois de terminar o primeiro tempo perdendo de 3 a 0 Foto: Monica Zarattini
A última grande conquista foi o título brasileiro de 2000, com Romário sendo o grande destaque Foto: Sérgio Borges
Você logo falou da doença publicamente. Muitos preferem guardar para si...
Eu, depois que falei, conheci um monte de gente na mesma situação. Acho que é legal colocar isso externamente. Jamais pensei em esconder nada. A informação é tudo. Tem muitas pessoas passando por isso. Quero mostrar que é fundamental estar fazendo exames, sabendo como está, entender como está passando. Foi tudo muito rápido.
Tem recebido muito apoio?
É gente de tudo quanto é canto. Dizendo que está rezando, orando. Hoje, a coisa está mais ou menos estabilizada. Convivo com a bolsa (intestinal) e vou continuar convivendo. Não tem essa de vergonha. O que sai está dentro de mim, é do corpo humano. Estou convivendo bem com isso.
Como vê essas homenagens justamente no período em que passa por essa doença?
Independentemente disso, é o reconhecimento. Não vejo como um favor, nem de um lado nem do outro. O Vasco me proporcionou muito e houve a troca. Com vitórias, derrotas. Isso é a vida. Se Deus quiser que eu saia dessa, e eu vou sair, vou mostrar que as pessoas podem sonhar com o tratamento. E ter o pensamento positivo. No primeiro dia, chorei. Depois pensei, ‘não vou chorar’. Eu me emociono hoje, mas muito mais de alegria, por acreditar que vou passar por essa etapa.
Esse carinho todo ajuda?
Sem dúvida, a pessoa passa a te ver não apenas como ídolo, mas como um ser humano. Desejarem o bem é muito legal, transcende, entra muito mais pelo lado humano. Não é pena, é torcer, querer bem. Estava muito fraco antes, agora comecei a fazer fisioterapia, faço duas vezes na semana, as vezes três. Daremos uma parada no tratamento. E avaliaremos um segundo estágio. Não tem nada definido. A ideia é buscar algo que me dê mais qualidade de vida.
Você imaginava um dia ter uma estátua no Vasco?
Jamais poderia imaginar. Vai ser legal, a estátua me mantém eterno. Eu fecho os olhos e posso ver tudo que eu passei para chegar até ela. Eu quero viver, quero viver muito ainda. Para ter alegrias como essa. Estar triste por um motivo, feliz por outro. Assim é a vida.
O Vasco está para passar por mudanças profundas (o clube tenta repassar o controle do futebol para investidores americanos). Como vê isso?
Acredito que é o caminho. Essa parceria se faz necessária para o clube. A instituição está acima das pessoas. Eu sou vaidoso, mas o Vasco está acima disso. Se eu não tivesse a estátua e tivesse o Vasco vencedor, campeão novamente, estaria feliz. Eu trocaria tudo que estou tendo hoje por um Vasco mais forte. As pessoas que gostam do Vasco e respeitam o clube, a história que está lá, que sempre vai estar, precisam deixá-lo seguir adiante.
O quanto essa fase do Vasco mexe com você?
Você pode até não acreditar, mas se eu pudesse dividir um pouco a corrente positiva que estou recebendo com o Vasco, eu dividiria. Daria 51% de toda a energia que estou recebendo. Está bom, né? (risos). Se eu puder viver mais não sei quanto tempo e puder dividir isso com o Vasco, dividiria. Não é demagogia. É o que o meu coração fala. Não quero nada mais do Vasco, que não seja ver o Vasco feliz.
O Globo terça, 12 de abril de 2022
TURISMO: VEJA BONS MOTIVOS PARA VISITAR ORLANDO EM 2022
Veja bons e novos motivos para visitar Orlando em 2022 (entre eles, a volta dos abraços na Disney)
Ano marca o 50º aniversário do parque do Mickey na Flórid e inauguração de novos hotéis no complexo da Universal
Por Carla Lencastre; Especial Para O Globo
12/04/2022 04h30 Atualizado há 4 horas
Mickey, Minnie e outros personagens com a roupa especial, desenhada para a festa de 50 anos do Walt Disney World, na Flórida — Foto: Divulgação
“Bem-vindo de volta. Sentimos muito a sua falta”. A frase ocupando uma imensa parede na área do desembarque internacional do Aeroporto de Orlando parece ter sido escrita para os brasileiros, um dos maiores mercados internacionais da cidade dos parques temáticos. Com a suspensão das restrições mais severas impostas pela pandemia e o dólar ligeiramente menos caro, é hora de começar a tomar coragem seja para encarar a nova Jurassic World VelociCoaster, no parque Islands of Adventure, do Universal Orlando Resort, ou simplesmente abraçar e beijar Mickey e Minnie no Walt Disney World. Sim, beijo e abraço, sem distanciamento social. A “volta do abraço” nos personagens pelos parques e hotéis do Walt Disney World, que está celebrando 50 anos, acaba de ser anunciada para a alegria dos disneymaíacos.
Em evento realizado na primeira semana de abril em São Paulo, representantes do Visit Orlando, escritório de promoção turística da cidade, se mostraram otimista com o retorno dos visitantes internacionais. A expectativa é que até o final de 2022 o número alcance 93% dos índices de 2019. Quando o assunto é mercado estrangeiro, os que estão se recuperando mais rapidamente são Reino Unido e México. A retomada do Brasil é gradual, porém um pouco mais lenta, já que as principais restrições de entrada de brasileiros nos Estados Unidos foram suspensas somente no final de 2021 e a emissão de vistos ainda não se normalizou.
A seguir, selecionamos algumas das novidades que esperam o visitante nos parques temáticos do Walt Disney World e do Universal Orlando na temporada americana de primavera/verão.
Para gritar alto
A grande atração de 2022 em Orlando é a montanha-russa Guardians of the Galaxy: Cosmic Rewind. Com inauguração marcada para 27 de maio, será totalmente fechada. A primeira ride do Epcot marca uma nova etapa na fase de transformação pela qual vem passando este parque do Walt Disney World. No Universal, quem procura adrenalina deve começar pela nova VelociCoaster, inspirada nos filmes “Jurassic World”. Aberta ano passado, é a mais alta (47 metros) do parque e a mais rápida, alcançando 112 km/h em 2,4 segundos. Ainda na fila para a atração, a perfeição dos dinossauros em animatrônicos já impressiona e (não) prepara para o que vem depois, como um giro de 360º.
Na Disney, abraçar os personagens a partir de 18 abril será uma realidade esperada com ansiedade principalmente crianças. No Universal, este ano as ruas do parque voltaram a ser ocupadas pela parada de Mardi Gras, uma homenagem ao carnaval de Nova Orleans. O evento começou em fevereiro e vai até 24 de abril. Quem quiser desfilar no alto de um carro alegórico, jogando os famosos colares de contas coloridas para os visitantes na plateia, precisa se inscrever em uma fila virtual assim que chegar ao parque.
Festa de aniversário
A montanha-russa dos Guardiões das Galáxias é a grande novidade do Epcot, mas não a única, já que o parque está passando muitas mudanças. Em 1º de outubro de 2021, dando início às comemorações do cinquentenário do Walt Disney World na Flórida, foi inaugurado o restaurante La Crêperie de Paris, no Pavilhão da França, e estreou o musical noturno “Harmonius”, também nesta área do World Showcase. São 15 canções em 13 diferentes idiomas gravadas por 240 artistas de todo o mundo. No Magic Kingdom, há um novo espetáculo noturno, o “Disney Enchantment”, que se espalha pela Main Street e termina com fogos de artifício, claro. O Castelo da Cinderela foi repaginado, e alguns personagens ganharam trajes de festa e esculturas douradas espalhadas pelos parques. A celebração das cinco décadas do WDW terá duração de 18 meses e vai até o início de 2023.
O Universal tem dois novos hotéis temáticos que parecem feitos sob medida para parte do público brasileiro. De perfil econômico, o Dockside Inn and Suites e o Surfside Inn and Suites são coloridos e confortáveis, com lojas temáticas, cafés, bares e restaurantes, e 2.800 quartos em três torres, cada uma com a sua piscina. O Dockside tem suítes com dois quartos e três camas, que acomodam confortavelmente até seis pessoas. Em parceria com a Loews, como todos os hotéis do Universal, as torres ficam no complexo Endless Summer, e oferecem transporte gratuito para os parques do Universal e entrada uma hora antes. Já a Disney aproveitou a pandemia para renovar alguns de seus hotéis. Os quartos dos resorts Contemporary e Polynesian Village foram reformados inspirados, respectivamente, em “Os incríveis”, da Pixar, e “Moana: um mar de aventuras”. O All-Star Sports Resort reabriu no dia 31 março. Era o último hotel Disney que ainda estava fechado por causa da pandemia.
O Globo segunda, 11 de abril de 2022
RIO SHOW: DUDA BEAT, PRETA GIL, LULU SANTOS E OUTROS QUE SÃO DESTAQUES DA SEMANA NO RIO
Duda Beat, Preta Gil, Lulu Santos e outros shows que são destaques da semana no Rio
Agenda de 8 a 14/4 também tem apresentações de Maglore, Baia e Orquestra Petrobras Sinfônica, entre outros
Por Ricardo Ferreira
08/04/2022 10h37 Atualizado há 2 dias
Mais uma semana bem pop nos palcos da cidade: temos Duda Beat no Aterro, Lulu Santos na Barra e Preta Gil no Centro, pra citar alguns shows que marcam a agenda. O rock alternativo também tem vez com Maglore e El Efecto no Circo Voador, e, no Jockey, Baia relembra seus sucessos em último show de uma rápida temporada no Brasil. Confira os destaques da programação:
Duda Beat, Preta Gil e Lulu Santos: destaques na agenda de shows. — Foto: Arte
Baby do Brasil e Pepeu Gomes Encerrando a temporada de shows do Tim Noites Cariocas, os ex-Novos Baianos, que já foram casados, estreiam a turnê "Baby do Brasil & Pepeu Gomes a 140 graus”. O repertório tem músicas dos Novos Baianos, canções que ficaram conhecidas no trabalho solo de cada um e outras releituras. Morro da Urca: Av. Pasteur 520, Urca. Sáb, a partir das 21h. A partir de R$ 193,50. 18 anos.
Baia Antes de voltar para Miami, onde mora desde 2017, Baia sobe ao palco do Bosque Bar para seu último show na cidade. Ele vai cantar músicas novas, como "I believe sim" e "Um gato nesse mundo cão", e alguns de seus sucessos, como "Ouro de tolo" e "Habeas corpus". Bosque Bar: Av. Bartolomeu Mitre 114, Gávea. Dom, às 19h. R$ 40. 18 anos.
Duda Beat A cantora chega ao Vivo Rio com "Duda Beat on tour", show que ela interpreta músicas do "Te amo lá fora", seu último disco, e resgata algumas canções do "Sinto muito", seu primeiro. Vivo Rio: Av. Infante Dom Henrique 85, Aterro do Flamengo. Sex, às 22h. A partir de R$ 70. 18 anos.
Festival Se Rasgum Comemorando 15 anos de história, o festival paraense chega ao Circo com três shows que misturam ritmos e influências: Metá Metá com Lucas Estrela; Os Amantes; e Otto, com participação de Luê. Os DJs João Brasil, Ananindeusa e Nave de Som cuidam dos intervalos. Circo Voador: Rua dos Arcos s/nº, Lapa. Sáb, a partir das 21h. A partir de R$ 50. 18 anos.
Lulu Santos Em seu show "Alô, base", Lulu mistura alguns de seus trabalhos mais recentes com seus hits consagrados, como "De repente Califórnia", "Como uma onda no mar" e "Tão bem". Qualistage: Via Parque Shopping. Av. Ayrton Senna 3000, Barra. Sáb, às 20h30. A partir de R$ 180. 18 anos.
Maglore + El Efecto Teago, Lelão, Luquinhas e Dieder – os baianos do Maglore – repassam mais de uma década de estrada e quatro discos em noite que também tem show do El Efecto, ícone da cena alternativa carioca. Circo Voador: Rua dos Arcos s/nº, Lapa. Sex, a partir das 22h. A partir de R$ 50. 18 anos.
Ordinarius O septeto vocal e percussivo carioca passeia por ritmos brasileiros como choro, baião, samba e ijexá no show "Bossa 20", que tem clássicos como “Garota de Ipanema”, “A rã”, “Você” e “Manhã de Carnaval” no setlist, entre muitas outras canções. Teatro Rival Refit: Rua Álvaro Alvim 33/37, Cinelândia. Sex, às 19h30. A partir de R$ 35. 18 anos.
Orquestra Petrobras Sinfônica Tem dobradinha da OPES na Sala Cecília Meireles. Sábado e domingo, a companhia apresenta um programa com obras de Stravinsky, Beethoven e Camargo Guarnieri, com participação do pianista Lucas Thomazinho. A regência é do maestro Claudio Cruz, regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Sala Cecília Meireles: Rua da Lapa 47, Lapa. Sex, às 19h. Sáb, às 16h. A partir de R$ 20. Livre.
Preta Gil
É a inauguração da temporada 2022 do projeto "Fim de tarde", que põe artistas pra tocar a preços populares no Teatro João Caetano. Com produção musical de Pedro Baby, a apresentação reúne 20 músicas que dão um panorama da carreira da cantora carioca. Teatro João Caetano: Praça Tiradentes s/nº, Centro. Ter, às 18h30. R$ 5. Livre.
O Globo domingo, 10 de abril de 2022
ARTES VISUAIS: PENSADOR, DE RODIN, VAI A LEILÃO NA CHRISTIE*S DE PARIS, EM JUNHO
'Pensador' de Rodin vai a leilão na Christie's de Paris em junho
Cerca de 40 cópias da famosa escultura foram produzidas; exemplar a ser leiloado foi feito em 1928 e estava na coleção de um apartamento parisiense projetado pelo famoso decorador Alberto Pinto
O Globo, com, agências internacionais
10/04/2022 - 09:15 / Atualizado em 10/04/2022 - 09:32
Exemplar do Pensador, de Rodin, será leiloado em Paris, em junho Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP
Uma escultura de "O Pensador" em bronze do artista francês Auguste Rodin, cobiçada por colecionadores, será leiloada pela Christie's de Paris em 30 de junho, informou a casa de leilões. Cerca de 40 cópias da famosa imagem do homem sentado, pensativo, com o queixo apoiado na mão direita, foram feitas em vida por Rodin (1840-1917) e após sua morte, até 1969. A peça a ser leiloada tem um preço de venda estimado entre 9 milhões e 14 milhões de euros (cerca de R$ 45 milhões a R$ 70 milhões).
Este exemplar foi produzido em torno de 1928 pela fundição Alexis Rudier, conhecida por ter criado algumas das mais famosas esculturas em bronze da obra de Rodin. A peça faz parte de uma coleção particular chamada "Le Grand Style", de um apartamento parisiense projetado pelo famoso decorador Alberto Pinto. O imóvel será leiloado em seu conjunto, nesta mesma data, pela Christie's.
AS OBRAS DE ARTE MAIS CARAS DE TODOS OS TEMPOS
12º - 'Nu, folhas verdes e busto', de Pablo Picasso
Foto: CHRISTIE'S / REUTERS
A pintura "Nu, Folhas Verdes e Busto", de Pablo Picasso, foi leiloada por US$ 106 milhões em 2010. O vibrante retrato em tamanho grande da amada e frequente modelo de Picasso, Marie-Therese Walter, foi o destaque de uma coleção internacional compilada pelos falecidos patronos de arte de Los Angeles Frances e Sidney Brody.
11º - Tela sem título, de Jean-Michel Basquiat
Foto: DON EMMERT / AFP
Uma obra de Jean-Michel Basquiat — morto em 1988, aos 27 anos, em decorrência de uma overdose de drogas — foi leiloada por US$ 110,5 milhões, o dobro do valor mais alto já obtido pelo artista. A tela, datada no ano de 1982, retrata uma face na forma de um crânio. Após uma 'batalha de lances' que durou dez minutos, o colecionador japonês Yusaku levou a peça.
10º - "Les meules", de Claude Monet
Foto: DON EMMERT / AFP
Uma das 25 telas da série de pilhas de feno pintadas por Monet em 1890, a pintura foi arrematada por US$ 110,7 milhões em um leilão da Sotheby’s de Nova York, batendo o recorde de venda para obras impressionistas.
9º - 'O grito', de Edvard Munch
Foto: Arquivo
A obra mais emblemática do pintor norueguês, um dos precursores do expressionismo alemão, foi vendida em 2012 por US$ 119,92 milhões. Munch fez entre 1893 e 1910 quatro versões de "O Grito", imagem que se tornou um símbolo universal de angústia e horror existencial.
8º - 'L'homme au doigt', de Alberto Giacometti
Foto: Carlo Allegri / REUTERS
"L'homme au doigt" ("O homem que aponta", em tradução livre) é uma escultura dde Alberto Giacometti foi vendida em maio de 2015 por US$ 141,3 milhões. A obra, feita em bronze pelo escultor suíço em 1947, é uma representação escultórica da filosofia do existencialismo e faz parte de uma série de seis peças, das quais é a única pintada à mão.
7º - 'Três estudos de Lucian Freud', de Francis Bacon
Foto: AP
O tríptico do pintor britânico foi vendido em novembro de 2013 por US$ 142,4 milhões. A série "Três estudos de Lucian Freud" é considerada uma das obras mais importantes de Bacon. Um colecionador levou cerca de 15 anos para reunir os três painéis, vendidos separadamente na década de 1970. O primeiro foi encontrado em Roma, e outros dois em Paris e no Japão.
6º - 'Nu couché', de Amedeo Modigliani
Foto: Reprodução
Considerada uma das maiores obras do mestre, "Nu couché" (1917-1918) foi leiloada em novembro de 2015 por US$ 170,4 milhões. A obra, que mostra uma mulher nua deitada sobre um sofá, provocou escândalo quando o pintor a exibiu pela primeira vez, em Paris.
5º - 'Les femmes d’Alger (version O)', de Pablo Picasso
Foto: Reprodução
O quadro "Les femmes d’Alger (version O)" ("As mulheres de Argel"), homenagem de Picasso ao seu amigo e antigo rival Henri Matisse, foi vendida, em maio de 2015, por US$ 179,36 milhões. A obra é a última e mais famosa de 15 variações de "Les femmes d’Alger", iniciada por Picasso em 1954, após a morte de Matisse, inspirando-se em Eugène Delacroix.
4º - Os jogadores de cartas', de Paul Cézanne
Foto: Reprodução Wikipedia
A família real do Catar comprou a tela de Paul Cézanne (1839-1906), em 2012, por US$ 250 milhões. O quadro faz parte de uma série de quatro pinturas, que se encontram nas coleções do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, o Museu de Orsay de Paris, o Courtauld de Londres e a Barnes Foundation da Pensilvânia.
3º - 'Quando te Casarás?', de Paul Gauguin
Foto: Divulgação
A tela de 1892, "Nafea Faa Ipoipo" (Quando você vai se casar?, em tradução livre), do pintor francês Paul Gauguin, foi arrematada em 2014 por US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 835 milhões). A obra pertencia a um um colecionador suíço e foi negociada por um comprador do Catar.
A tela do pintor holandês (1904—1997) foi negocianda, numa venda privada, em 2016 por US$ 300 milhões ao bilionário americano Ken Griffin. Na mesma compra, ele também adquiriu a tela 'Number 17A', de Jackson Pollock, por US$ 200 milhões.
1º - 'Salvator Mundi', de Leonardo da Vinci
Foto: Drew Angerer / AFP
O quadro "Salvator Mundi", do artista renascentista Leonardo da Vinci, foi leiloado por US$ 450,3 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão, e estabeleceu um novo recorde em leilões do mercado de arte. A tela, que representa Jesus Cristo, o "salvador do mundo", segurando uma esfera com a mão esquerda, foi vendida em apenas 19 minutos.
Concebido por Rodin por volta de 1880 como parte integrante da "Porta do Inferno", inspirada na obra de Dante, "O Pensador" se tornou uma escultura autônoma a partir de 1904. Neste ano, foi exibido pela primeira vez no Salão de Paris. O Museu Rodin retomou sua edição após a morte do escultor, em 1917, e encomendou 26 exemplares póstumos feitos por várias fundições, em dois períodos: 1919-1945 e 1954-1969.
Como "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, "O Nascimento de Vênus", de Botticelli, ou "O Grito", de Edward Munch, "O Pensador" está entre as obras mais famosas da história da arte. Está exposto em sua versão monumental na Universidade Columbia, em Nova York, em frente ao Palácio da Legião de Honra da Califórnia, e no Palácio Ca'Pesaro, em Veneza.
A estátua a ser leiloada pela Christie's iniciou uma turnê mundial na sexta-feira (8), com exposições em Nova York e em Hong Kong, antes de ser exibida em Paris, a partir de 23 de junho. O último recorde de leilão para um "O Pensador" é de US$ 15,2 milhões, estabelecido em 2013, pela Sotheby's, em Nova York, segundo o site de mercado de arte Artnet.
O Globo sábado, 09 de abril de 2022
BRASILEIRÃO 2022: TORNEIO COM PONTOS CORRIDOS CHEGA À 20ª EDIÇÃO
Brasileirão de pontos corridos chega à 20ª edição com evoluções, problemas pendentes e desafios para o futuro; saiba quais
Recém-eleito, presidente da CBF fala em debater calendário e investimento em estádios
João Pedro Fonseca e Rafael Oliveira
09/04/2022 - 04:00
Ilustração feita pela editoria de arte Foto: O Globo
Quando a bola rolar para Fluminense e Santos, às 16h30, no Maracanã, o Brasileirão terá início pela 20ª vez no sistema de pontos corridos. O número redondo representa o amadurecimento de uma competição que entra no último ano de sua segunda década refletindo a evolução do futebol nacional — nos defeitos e nas virtudes. A discussão sobre o formato ficou ultrapassada. Ele parece irreversível. E se depara com desafios contemporâneos, como a constituição das primeiras SAFs e a iminente criação da liga de clubes.
A primeira prova de seu amadurecimento está justamente na solidez do formato, com o respeito às dinâmicas de acesso e descenso. Ficaram para trás as “viradas de mesa” e, depois de fixado em 20, o número de participantes não mais se alterou. A organização no topo da pirâmide gerou um efeito cascata na base, como destaca o presidente da CBF Ednaldo Rodrigues, eleito em março:
— A maior evolução que a consolidação do formato trouxe foi a estabilidade para a organização de várias divisões, promovendo atividade o ano inteiro para vários clubes e permitindo o planejamento técnico e comercial das competições a médio e longo prazo — explicou o dirigente ao GLOBO (confira no final da matéria a entrevista completa com Ednaldo).
Goleiro Ospina não irá a mais uma Copa Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP
Também houve avanços na esfera financeira, especialmente com o boom nos valores oriundos dos direitos de transmissão a partir dos contratos individuais, iniciados em 2012. Em um primeiro momento, privilegiou a força individual de alguns clubes. Mas, desde 2019, um novo modelo tornou esta divisão menos desigual: uma fatia é repartida igualmente; outra, de acordo com o número de jogos exibidos; e a última, segundo a posição na tabela.
O avançar das temporadas, por outro lado, não foi suficiente para solucionar problemas crônicos, como o calendário conflitante. Ednaldo reconhece o problema e promete um debate com federações, clubes e uma eventual liga. Mas lembra que a solução precisa levar em conta uma parcela significativa de equipes que só jogam Estaduais:
— Hoje, praticamente 90% dos clubes registrados na CBF jogam em média 19 partidas por ano. Poucos participam da Copa do Brasil e a maioria só tem atividade durante o Estadual, demitindo em seguida seus atletas, treinadores e comissão técnica. Apenas 14% jogam o ano todo, disputando as séries do Campeonato Brasileiro. E 1% jogam até demais, chegando a mais de 70 partidas por ano — pontua o presidente da CBF. — No Brasil, alguns clubes jogam muito e quase todos jogam muito pouco.
Nenhum desafio parece mais urgente do que a qualidade dos gramados e da arbitragem, que afetam diretamente as partidas e são alvo de queixas de jogadores e treinadores. Uma das promessas feitas pelo novo presidente da CBF em sua posse foi a de investir em infraestrutura de estádios. Para isso, quer vender as duas aeronaves da entidade (um jatinho e um helicóptero) e usar o dinheiro arrecadado e o da economia anual a ser gerada.
Contudo, a entidade também uma função regulatória, já que os gramados são de responsabillidade dos administradores dos estádios. O Regulamento Geral de Competições ainda é muito genérico em relação ao tema.
Historicamente, a arbitragem talvez seja o setor que menos evoluiu ao longo das últimas 19 edições. Teve o mérito de ter conseguido se desvencilhar do escândalo da “máfia do apito”, que manchou o Brasileiro de 2005. Mas nem mesmo a entrada do VAR evitou a ocorrência de erros graves. Para o ex-árbitro e comentarista da TV Globo Sálvio Spinola, a tecnologia não será suficiente enquanto não houver foco na preparação de quem trabalha no campo.
— O Brasileiro mudou para pontos corridos há 19 anos e continua a mesma coisa: quem forma o árbitro são as federações, não é a CBF. Você tem o árbitro apitando o campeonato estadual, que é fraco, e ele é emprestado para apitar o da CBF, que é forte — opina Spinola, para quem também é preciso que fiquem mais claros os critérios de quando o VAR deve ou não intervir. — O Brasil vai para a quarta temporada com a tecnologia e ainda não chegou a uma definição de critério.
Mudança no apito
Na última quinta, a CBF anunciou Wilson Seneme como novo chefe da Comissão de Arbitragem. Ele deixou a Conmebol para assumir o setor palco da maior crise da última edição do Brasileiro, que resultou na queda do então responsável pela área (Leonardo Gaciba) com o campeonato em andamento.
Seneme fala em investir na capacitação dos árbitros feita pela própria CBF e no fortalecimento de uma filosofia em que o VAR seja utilizado apenas em último caso. O excesso de tempo em que as partidas ficam paralisadas é outro alvo.
O Globo sexta, 08 de abril de 2022
FUTEBOL: EM PROTESTO NO NINHO, TORCIDA DO FLAMENGO COBRA JOGADORES E XINGA MARCOS BRAZ
Em protesto no Ninho, torcida do Flamengo cobra jogadores e xinga Marcos Braz
Posicionados na entrada do centro de treinamentos, rubro-negros esperam carros de jogadores
O Globo
08/04/2022 - 10:13 / Atualizado em 08/04/2022 - 10:49
Torcedores protestam no Ninho do Urubu Foto: Reprodução
No dia seguinte à desmarcação de uma reunião do elenco do Flamengo com torcedores organizados planejada pelo vice-presidente de futebol Marcos Braz, rubro-negros foram à porta do centro de treinamentos Ninho do Urubu, em Vargem Grande, fazer cobranças ao elenco. Uniformizados com as vestes de uma organizada do clube, eles aguardam os jogadores e membros da comissão técnica chegarem para fazer cobranças.
O Globo quinta, 07 de abril de 2022
RIO SHOW - EXPOSIÇÃO DE VAN GOGH, ESGOTADA, TERÁ INGRESSOS EXTRAS
Exposição de Van Gogh, esgotada, terá ingressos extras
Mostra imersiva, que abre esta quarta (6) na Casa França-Brasil, tem entrada gratuita às terças e quartas
Por Carmem Angel
06/04/2022 04h30 Atualizado há 16 horas
Exposição 'Van Gogh e seus contemporâneos', na Casa França-Brasil — Foto: Gabi Carrera/Divulgação
Depois de estrear em Florença, na Itália, a exposição multimídia “Van Gogh e seus contemporâneos” abre hoje na Casa França-Brasil, no Centro, com todos os 38 mil ingressos inicialmente disponibilizados já esgotados. Por isso, a produção abrirá, a partir do dia 10, novos horários até o fim da mostra, em 5 de junho.
A linguagem imersiva da mostra — com projeções HD em 360°, do teto ao chão, e cerca de 60 minutos de duração — propõe um mergulho na obra de um dos precursores do expressionismo, além de exibir trabalhos de artistas como Cézanne, Gauguin e Toulouse-Lautrec, destacando semelhanças e diferenças em relação ao pintor holandês.
— A exposição tem entretenimento, mas também uma função educativa — diz a produtora da exposição, Marisa Mello.
Veja como é a mostra imersiva dedicada a Van Gogh
6 fotos
Na entrada, uma sala reproduz cenograficamente o ambiente do célebre “Quarto em Arles” (1888). Há ainda um quadro gigante em 3D no qual é possível se sentir dentro da tela “Doze girassóis numa jarra” (1888), e um painel do clássico “A noite estrelada” (1889). “Autorretrato” (1889) e “Campo de trigo com corvos” (1890) são algumas das pinturas em foco.
'Van Gogh e seus contemporâneos': Casa França-Brasil. Rua Visconde de Itaboraí 78, Centro. Ter a dom, 10h às 18h. Até 5 de junho. Grátis (ter a qui) e R$ 20 (qui a dom). Novos ingressos: dia 10, às 10h, no site Eventim.
O Globo quarta, 06 de abril de 2022
FUTEBOL - FLUMINENSE: POR QUE A SUL-AMERICANA MERECE A EMPOLGAÇÃO DA TORCIDA
Fluminense: Por que a Sul-americana merece a empolgação da torcida
Tricolor inicia sua caminhada em busca do título contra o Oriente Petrolero, da Bolívia, no Maracanã
Rafael Oliveira
06/04/2022 - 04:46
O técnico Abel Braga passa as últimas orientações antes da estreia Foto: Mailson Santana/Fluminense FC
O Fluminense iniciou 2022 sonhando em ir longe em sua segunda participação seguida na Libertadores. A eliminação para o Olimpia, ainda na fase preliminar, foi uma ducha de água fria que atingiu jogadores e torcedores. Neste cenário, natural que a Sul-Americana acabasse vista como uma consolação incapaz de suprir as expectativas iniciais. Mas os tricolores têm motivos para se envolver nesta caminhada, que começa às 19h15 contra o Oriente Petrolero-BOL, no Maracanã. E eles não são poucos.
O principal é o fato do time viver seu melhor momento na temporada. E não apenas pela conquista do Campeonato Carioca, o que por si só já seria um grande estímulo. Afinal, desde 2012, quando venceram o Estadual e o Brasileiro, os tricolores não conquistavam uma taça de relevância. Mas porque, para ganhar a decisão, os comandados de Abel Braga jogaram seu melhor futebol no ano e deram a impressão de ter encontrado a formação ideal.
O Fluminense que levou a melhor sobre o Flamengo apresentou mais criatividade no meio de campo, o que vinha sendo um problema até então, e soube se defender sem atuar muito recuado. Uma evolução possível graças a mudanças feitas por Abel, que inseriu um meia de criação na equipe (Paulo Henrique Ganso) sem abrir mão dos três zagueiros. Para comportar o armador, o técnico abdicou do trio de ataque. Acertou ainda ao escolher Willian para sair em vez do colombiano Jhon Arias.
Evolução tática
De quebra, esta novidade mostrou que os tricolores possuem variação tática, o que será importante não só ao longo da Sul-Americana como do Brasileiro e da Copa do Brasil. Pode jogar mais recuado e apostando na transição rápida — como a torcida está mais acostumada — e também com suas linhas mais adiantadas e valorizando a construção em toques curtos.
Independentemente do bom momento, é inegável que, dos três compromissos, a Sul-Americana é o caminho mais curto até o título. Como clube que vem da Libertadores, o Fluminense enfrentará adversários em sua maioria de menor nível técnico do que nos outros campeonatos. Importante destacar, contudo, que nas oitavas de final o torneio receberá outra leva de eliminados da principal competição continental.
A maior perspectiva de brigar pelo título pode representar o fim da longa busca dos tricolores por uma inédita conquista continental. O Fluminense tenta voltar a vencer um torneio internacional desde a Copa Rio de 1952. Já chegou à decisão duas vezes: na Libertadores de 2008 e na Sul-Americana do ano seguinte.
De lá para cá, o mais longe que chegou foram as semifinais da própria Sul-Americana de 2018 e as quartas da Libertadores do ano passado. Mas nesta temporada possui um time mais qualificado do que nas anteriores.
— Perdemos a confiança depois desse jogo contra o Olimpia. Agora retomamos isso. Serviu a experiência, para não fazermos a mesma coisa na Sul-Americana. O time está com muita confiança. Acho que o Fluminense vai brigar muito na Sul-Americana. Porque queremos esta taça também — disse Cano, que se firmou na posição durante a ausência de Fred e, agora, com o camisa 9 novamente à disposição, deixou Abel Braga com um problema para resolver.
Estímulo no Brasileiro
Um sucesso na Sul-Americana ainda poderia servir como incentivo para a campanha no Brasileiro, onde mais uma vez os tricolores tentarão ficar na parte de cima. Ainda mais agora, que passaram com autoridade pelo Flamengo e viram que podem jogar bem contra as equipes dos clubes de maior investimento.
— Vamos enfrentar todas as competições da melhor maneira possível. Temos um time muito bom para conquistar mais taças. A equipe está ligada para brigar por tudo e acho que seria muito bom conquistar as coisas que sonhamos — concluiu Cano.
O Globo terça, 05 de abril de 2022
LIBERTADORES: BRASILEIROS TÊM DOMÍNIO MAIOR QUE OS DE INGLESES E ESPANHÓIS NA CHAMPIONS
Com Palmeiras, Flamengo e Galo, brasileiros na Libertadores têm domínio maior que os de ingleses e espanhóis na Champions
Mudança no formato, com torneio disputado nos dois semestres, é ponto de virada para aumento do desequilíbrio
Rafael Oliveira
05/04/2022 - 04:00 / Atualizado em 05/04/2022 - 11:03
O Palmeiras de Raphael Veiga e o Flamengo de Gabigol disputam a Libertadores 2022 Foto: Editoria de arte / O Globo
Quando a bola rolar, às 19h15, para Caracas x Athletico e Olimpia x Cerro Porteño, terá sido dada a largada para a fase de grupos da Libertadores. Para muitos torcedores, é quando o torneio de fato começa. Para outros, a disputa já se desenrola desde fevereiro, com as eliminatórias preliminares. O que parece ser cada vez mais consenso é como o campeonato irá terminar. O desequilíbrio de forças entre países cresceu tanto nos últimos anos que já não é exagero dizer que para argentinos e, principalmente, brasileiros estas seis rodadas funcionam como aquecimento para o mata-mata.
Se na fase de grupos todos os membros da Conmebol estão representados de acordo com seu peso dentro do futebol sul-americano, à medida que a Libertadores afunila a gangorra pesa. Na lista dos últimos cinco campeões o desequilíbrio é evidente: foram quatro conquistas de brasileiros e uma argentina.
Mas esse desequilíbrio começa antes. A partir das oitavas, são 15 duelos até a definição do título. Como cada um deles envolve duas equipes, ao todo são 30 “vagas”. Levando em conta os últimos cinco anos, foram 150. Destas, 64 foram preenchidas por brasileiros — 42,6% do total. Os clubes argentinos vêm em segundo, mas bem abaixo: 48 presenças em duelos decisivos. Equivale a 32%. Ou seja: juntos, os dois países correspondem a 74,6% dos times que disputam os jogos de mata-mata.
Equador e Paraguai, com 8,6% cada, lideram o grupo restante, que inclui ainda Uruguai, Bolívia, Chile e Colômbia. Peru e Venezuela não tiveram nenhum representante na fase decisiva nos últimos cinco anos.
Esta assimetria é maior do que na Europa, onde o futebol também apresenta uma concentração de forças em poucos países. Nas últimas cinco edições completas da Liga dos Campeões mais a atual, em andamento, foram 174 “vagas” nos duelos decisivos. Destas, 47 (27%) ficaram com ingleses, 41 (23,5%) com espanhóis e 27 (15,5%) com alemães.
São também estas as três nacionalidades campeãs no período. Foram duas taças para os clubes da Premier League, duas para os da La Liga e uma para a Bundesliga. Juntas, as três ligas representam 66% da presença nos confrontos das oitavas até a final. Uma concentração menor do que a de Brasil e Argentina na América do Sul.
Tanto na Liga dos Campeões quanto na Libertadores, este desequilíbrio acompanha o poder econômico dos clubes. A questão é que, na América do Sul, a distância entre a força econômica do futebol brasileiro e a dos demais países é bem maior do que entre Inglaterra e Espanha e o restante da Europa.
É nítido o momento em que o fator financeiro passou a pesar tanto. Quando a Libertadores passou a ser disputada ao longo de todo o ano, os clubes dos demais países se tornaram meros coadjuvantes. Entre 2012 e 2016, as cinco últimas edições no formato antigo, o cenário foi diferente. A começar pelos títulos: dois brasileiros, dois argentinos e um colombiano. Já os confrontos das oitavas até a final tiveram 27,3% de presença brasileira e 26% argentina, o que dá pouco mais que a metade: 53,3%.
Outro sinal de perda de equilíbrio: enquanto as finais de 2012 a 2016 contaram com clubes de Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Equador e México, as cinco decisões seguintes só tiveram times dos dois primeiros países — sendo as duas mais recentes monopolizadas pelos brasileiros. Números que podem deixar torcedores de Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Bragantino, América-MG e Athletico ainda mais otimistas.
O Globo segunda, 04 de abril de 2022
RIO SHOW - GASTRONOMIA: RIO GASTRONOMIA 2022 JÁ TEM DATA CONFIRMADA
Rio Gastronomia 2022: evento já tem data confirmada
Festival reunirá chefs renomados em espaço a céu aberto no Jockey Club do Rio, repetindo o sucesso de 2021
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
31/03/2022 20h51 Atualizado há 3 dias
Em 2022, Rio Gastronomia voltará ao espaço que ocupou em 2021, no meio das pistas de corridas do Jockey Club — Foto: Alex Ferro
Maior evento de gastronomia do Brasil, o Rio Gastronomia já tem data marcada em 2022. O festival voltará a ocupar uma área externa no Jockey Club do Rio, na Gávea, entre os dias 11 a 21 de agosto — sempre de quinta-feira a domingo..
A edição deste ano promete repetir o sucesso da última, com aulas ministradas por chefs renomados, shows de grandes nomes da MPB, feiras de pequenos produtores, atividades para a criançada e, é claro, a presença dos melhores bares e restaurantes da cidade, que montarão cardápios especiais para o evento.
Rio Gastronomia: edição de 2021 foi um sucesso
4 fotos
Evento aconteceu em área a céu aberto no Jockey Club do Rio
O ambiente a céu aberto, emoldurado pelo Cristo Redentor — e que contou com roda-gigante em 2021 —, voltará a ser cenário para selfies. Entre 2012 e 2015, a farra gastroetílica aconteceu no Píer Mauá, na Zona Portuária. Em breve, os detalhes dessa festa serão divulgados por meio do site do Rio Gastronomia.
O Globo domingo, 03 de abril de 2022
TURISMO: CRISTO REDENTOR RECEBE NOVA ILUMINAÇÃO
Com patrocínio da Enel, nova iluminação do Cristo Redentor tem redução de 68% no consumo de energia
Investimentos vão garantir aumento da nitidez e melhor definição nas cores nas projeções realizadas na estátua
O projeto “90 Anos de Luz” contempla o novo sistema luminotécnico do monumento. Foto: Antonio Pinheiro / Divulgação Enel
Os cariocas e turistas que visitam a Cidade Maravilhosa ganharam um presente especial e transformador. Com patrocínio da Enel Distribuição Rio, o Cristo Redentor recebeu em março um novo sistema de iluminação que reduz em 68% o consumo de energia em relação ao anterior.
Lançado oficialmente no dia 17 de março de 2022 em cerimônia no Morro do Corcovado, a primeira fase do projeto “90 Anos de Luz” contempla o novo sistema luminotécnico do monumento, que vai garantir maior definição das imagens projetadas na estátua, além de permitir o uso de novas cores, ser inovador e sustentável.
Para o country manager da Enel no Brasil, Nicola Cotugno, o patrocínio à iluminação do Cristo reafirma a conexão entre Itália e Brasil e a ligação entre a empresa e a cidade do Rio de Janeiro, que passou a abrigar, no segundo semestre de 2021, os escritórios da empresa no Estado, localizados na região portuária.
"O monumento do Cristo foi iluminado pela primeira vez em 1931, a partir de um impulso elétrico disparado de Roma, a 10 mil quilômetros de distância, onde fica a sede do Grupo Enel. Para nós, este patrocínio ao Cristo Redentor é muito simbólico e renova a conexão entre os dois países. É um abraço no Rio que se estende a todo o Brasil, especialmente aos mais de 18 milhões de clientes da Enel”, afirma Nicola.
A nova iluminação faz parte de uma série de homenagens e benfeitorias que vem celebrando os 90 anos do monumento desde o ano passado. O número de refletores foi reduzido de 280 para 142, com um aumento da eficiência luminosa, o que garante maior produção de luminosidade e estabilidade da luz. Ao todo, o consumo do novo parque de iluminação será de 9.900 watts, uma redução de 68% em relação ao anterior.
“Tornar mais eficiente uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno reafirma o nosso compromisso em contribuir para a eletrificação das cidades. Queremos seguir contribuindo para que as cidades sejam cada vez mais sustentáveis e inteligentes”, destaca o country manager da Enel no Brasil.
Eficiência energética para um mundo sustentável
Nas cidades, projetos luminotécnicos direcionados aos patrimônios históricos favorecem o turismo e ajudam a promover o desenvolvimento social e econômico.Em tempos de construções de cidades inteligentes, a iluminação inteligente e eficiência energética são essenciais para diminuir o consumo de energia, aumentar a durabilidade dos projetos e promover maior sustentabilidade ambiental.
Outro recurso utilizado para evitar desperdícios no consumo de energia é um software que gerencia os horários para ligar e desligar a iluminação de forma automática. Além disso, a tecnologia com a utilização de LED aplicada é mais sustentável, uma vez que componentes como alumínio e chips eletrônicos podem ser reciclados em mais de 90% da sua composição. Essa solução contribui para o aumento da eficiência energética e sustentabilidade da cidade do Rio de Janeiro.
O gerenciamento do novo sistema permite que o controle da iluminação seja realizado tanto do próprio monumento, quanto remotamente, por um smartphone. Isso torna possível, por exemplo, a programação do acionamento da iluminação do Cristo em uma série de ações culturais, religiosas e temáticas integradas ao projeto “90 Anos de Luz”, como as campanhas “Outubro Rosa”, “Novembro Azul” e "Dia Internacional da Mulher", que já se tornaram datas aguardadas pelos moradores da cidade.
O Globo sábado, 02 de abril de 2022
COPA DO MUNDO 2022: QUEM SÃO OS TRÊS JOGADORES DO BRASIL QUE PODEM FAZER A DIFERENÇA NA PRIMEIRA FASE
Copa do Mundo 2022: Quem são os três jogadores do Brasil que podem fazer a diferença na primeira fase
Thiago Silva, Fred e Vini Jr terão papel importante contra Sérvia, Suíça e Camaraões, respectivamente
Bruno Marinho e Diogo Dantas
02/04/2022 - 03:24
Fred, Vini Jr. e Thiago Silva são destaques do Brasil Foto: Arte
O sorteio da Copa do Mundo revelou os adversários da seleção brasileira na primeira fase, e o trabalho do técnico Tite começa com a análise de como passar por Sérvia, Suíça e Camarões no Catar. Nesse sentido, O GLOBO preparou uma projeção e escolheu um jogador que terá papel preponderante nos duelos contra cada uma dessas equipes.
Thiago Silva terá 38 anos em novembro quando encarar Vlahovic, atacante da Sérvia de 22, na estreia da Copa do Mundo do Catar. Destaque da sólida defesa do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas, o veterano e sua experiência serão importantes no primeiro desafio da Seleção.
Com 49 gols em 108 partidas na Fiorentina, Vlahovic iniciou o ano de 2022 vendido para a Juventus por 80 milhões de euros. Do alto de seu 1,90 m, é perigoso na jogada aérea, mas tem mobilidade. Canhoto, faz bem o pivô e tem potência para arrancar em velocidade contra os zagueiros.
O defensor brasileiro foi o autor de um dos gols na vitória do Brasil sobre a Sérvia na Copa da Rússia. Na ocasião, Vlahovic ainda não era uma realidade na equipe principal. Agora, está em ascensão no futebol europeu.
Em seu mapa de calor, o atacante sérvio dá sinais de que alia força à intensidade, ao ocupar não apenas o centro do ataque, mas também com movimentação lateral e o recuo até o meio do campo para ajudar a abrir espaços e criar situações. Vai dar trabalho para o Monstro. Seu último gol pela Sérvia foi na goleada sobre o Catar.
Thiago Silva vem de sucessivas temporadas com média de mais de 30 jogos na Europa. Mas pela questão física precisará dosar os botes no adversário, e também ficar atento ao domínio de bola de costas que Vlahovic faz muito bem, quando gira a arremata para o gol.
A Sérvia está longe de ser um oponente tranquilo. Em novembro, na última rodada do Grupo A das Eliminatórias Europeias, conseguiu uma virada no minuto final contra Portugal em pleno Estádio da Luz e terminou em primeiro lugar da chave, carimbando um lugar direto no Catar. Os gols foram de Tadic e Mitrovic.
A Sérvia terminou as Eliminatórias invicta, com seis vitórias e dois empates. O último resultado do time, no entanto, não foi positivo. Em Copenhagen, os sérvios foram goleados pela Dinamarca por 3 a 0, com direito a gol de Eriksen. O técnico da Sérvia, Dragan Stojkovi, mostrou respeito à seleção brasileira e disse que o Grupo G da Copa do Mundo do Catar será complicado.
— Quando as pessoas falam de futebol a primeira coisa que a gente pensa é o Brasil. O Brasil é muito importante. Eu respeito muito o Brasil, é um dos favoritos. O grupo é muito difícil. Brasil, Suíça, Camarões... É difícil. O Brasil é favorito e passará. No mesmo tempo é um grande desafio e eu gosto de grandes desafios — afirmou.
A Suíça que se classificou para a Copa do Mundo como primeira colocada em um grupo que contava também com a Itália tenta dar um passo adiante em termos ofensivos desde que Murat Yakin assumiu como técnico. Foram 15 gols marcados em oito jogos.
Mas a grande virtude segue sendo a defesa. Nas duas partidas contra os italianos, campeões da Euro meses antes, abriu mão da posse de bola, recuou o time e segurou dois empates em 0 a 0. Os suíços tentam diversificar as opções de jogo, são mais versáteis do que já foram no passado recente, mas seguem fazem uma linha de cinco atrás como ninguém. O técnico Tite tem planos para lidar com isso.
Fred é peça-chave nessa estratégia. Tite enxerga na igualdade ou até na superioridade numérica uma maneira de furar defesas com cinco. Cabe ao segundo volante, quando o Brasil tem a bola, avançar pelo meio, mirando espaços que os atacantes de lado, bem agudos, abrem, e a movimentação de Lucas Paquetá e Neymar. O jogador do Manchester United vive grande fase. Seu reserva imediato, Bruno Guimarães, tem ainda mais recursos, para finalizar ou dar o último passe.
Contra a fortaleza suíça, são até mais os volantes do que os atacantes que podem fazer a diferença. Se não funcionar, Tite deve fazer uso até mesmo dos avanços de um dos laterais para colocar seis na linha ofensiva. Com tantos homens na frente, espera ter condições de trocar passes e chegar ao gol suíço. Em contrapartida, terá de se preparar para suportar os contra-ataques que os europeus tentarão encaixar.
Quatro anos atrás, Brasil e Suíça se enfrentaram na primeira rodada da Copa da Rússia. A partida terminou empatada em 1 a 1. Philippe Coutinho abriu o placar no primeiro tempo. Na segunda etapa, o gol de empate foi marcado por Zuber, em um lance em que os brasileiros reclamaram de falta. Foi um jogo de poucas chances de gols, muito por causa da qualidade defensiva dos suíços. Daqueles 23 jogadores convocados para o Mundial de 2018, Sommer, Freuler, Zakaria, Gravanovic, Schar e Shaqiri estiveram na goleada da Suíça sobre a Bulgária, que confirmou a classificação do país para o Catar.
O grupo está renovado e rejuvenescido. Breel Embolo é um dos nomes de maior destaque. O atacante de 25 anos defende o Borussia Monchengladbach e viverá uma situação curiosa na competição. Ele é nascido em Camarões, mas naturalizado suíço. Enfrentará a seleção do país africano na primeira fase.
CONHEÇA EM DETALHES O ESTÁDIO LUSAIL, O LOCAL DA FINAL DA COPA DO MUNDO DO CATAR
Mais de 40 mil trabalhadores participaram das obras do estádio e da cidade Foto: GABRIEL BOUYS / AFPHomem trabalha na parte externa do estádio: detalhe de sua estrutura Foto: GABRIEL BOUYS / AFPVista geral dos assentos do estádio Foto: PAWEL KOPCZYNSKI / REUTERSBanho de luz no gramado: plantação e instalação do gramado foi concluída em setembro de 2021 Foto: GABRIEL BOUYS / AFPVisão geral: Estádio Lusail foi o último, dos oito restádios da Copa, a ser concluído Foto: PAWEL KOPCZYNSKI / REUTERS Vista de fora do estádio: estádio que começou a ser erguido em 2017 Foto: GABRIEL BOUYS / AFPDentro do estádio: são cerca de 80 mil lugares Foto: PAWEL KOPCZYNSKI / REUTERSImagem de setembro de 2018: quando cidade e estádio estavam no início das obras. Foto: HANDOUT / Reuters
Convite para as jogadas individuais de Vini Jr
Camarões se classificou aos trancos e barrancos para a Copa do Mundo. Vive mudanças na comissão técnica a sete meses do começo da competição. É prato cheio para os atacantes do Brasil se sobressaírem.
O ponto mais fraco na linha defensiva é a lateral direita. Faltam jogadores de maior qualidade no setor. Nos jogos decisivos pelas Eliminatórias, Collins Fai foi titular. Aos 29 anos, joga no Al-Tai, da Arábia Saudita. Destoa de um grupo com a maior parte dos jogadores atuando na Europa.
A fragilidade pode facilitar a vida de Vini Jr., cuja principal virtude é o duelo direto com o marcador, no um contra um. Ao levar a vantagem nas jogadas, o atacante brasileiro desmontará o sistema defensivo e deixar[a o adversário em um dilema: ou um segundo jogador de Camarões chegará para fazer a cobertura e fatalmente desmarcará algum outro brasileiro, ou dará liberdade para o atacante do Real Madrid seguir na direção do gol.
Seleções africanas costumam se lançar ao ataque, mesmo contra adversários tecnicamente mais fortes. Isso, para o Brasil, pode ser precioso. Quando consegue fazer a transição rápida, a seleção de Tite é ainda mais perigosa do que diante de retrancas bem montadas. E esse tipo de ataque costuma ser o que mais favorece o jogo de Vini Jr., baseado nas arrancadas em velocidade. É assim que ele mais se destaca sob o comando de Carlo Ancelotti.
O jogador do Real Madrid deve disputar seu primeiro Mundial na condição de coadjuvante, com a maior parte das preocupações adversárias recaindo sobre Neymar. Se o Brasil souber explorar isso, Vini Jr. pode aparecer com menos marcação na frente.
O jogo será o último da primeira fase. Dependendo dos outros resultados, o Brasil entrará em campo já classificado. Se não, vai precisar buscar o resultado para conseguir não apenas a ida para as oitavas de final, como também, eventualmente, a posição como primeiro do grupo. Isso pode fazer toda a diferença no decorrer da competição.
Entre as seleções africanas classificadas para a Copa do Mundo, Camarões desponta como um das mais limitadas tecnicamente. A classificação saiu com um gol nos acréscimos, contra a favorita Argélia. Os Leões Indomáveis estão a caminho do Catar pela força da camisa — é a seleção africana com mais participações na competição, oito. Mas isso não deverá pesar nos confrontos pelo Grupo G. Seu principal destaque é Choupo-Moting, atacante do Bayern de Munique.
O Globo sexta, 01 de abril de 2022
CULTURA: MASP GANHA MOSTRA COM TELAS GIGANTES QUE REPENSAM A HISTÓRIA DO BRASIL
Masp ganha mostra com telas gigantes que repensam História do Brasil
“Luiz Zerbini: a mesma história nunca é a mesma” reúne 50 obras e tem abertura marcada para esta sexta
Mariana Rosário
01/04/2022 - 04:30 / Atualizado em 01/04/2022 - 09:05
Luiz Zerbini: obra Rio das Mortes.2021 (1).jpg Foto: Reprodução
SÃO PAULO – “Eu adoraria que você viesse aqui e a gente ficasse conversando sobre pintura, como era há muitos anos. Falaríamos sobre arte, coisas assim. Mas não tenho como ignorar isso, existe uma necessidade de falar sobre esses assuntos” disse à reportagem do GLOBO o artista plástico Luiz Zerbini, que inaugura nesta sexta-feira uma exposição individual no Masp, a primeira em um museu de São Paulo — sua terra natal.
Os tais assuntos urgentes e inadiáveis que o impediam de falar sobre a interessante justaposição de cores e elementos naturais na obra “Massacre de Haximu (2020)”– que se refere ao genocídio de ianomâmis em 1993 — são justamente as alarmantes notícias do espraiamento do garimpo sobre terras indígenas. Em 2020, no ápice da pandemia, o garimpo avançou 30% neste pedaço de terra entre os estados do Amazonas e Roraima. Atento às notícias, mas também interessado em retratar o passado, Zerbini empunhou lápis e papel para preparar o que seria uma espécie do projeto da grandiosa obra a ser vista no museu paulistano, com quase 4 metros de altura.
— Estamos vivendo o momento mais grave, mas esse processo (de violência contra os povos originários) aconteceu desde sempre. A verdade é que esses problemas estão, sim, muito agravados por conta do Bolsonaro, mas fazem parte da história do Brasil (desde sempre)— teoriza Zerbini.
A sensação de que a história — e, neste caso, a tragédia — brasileira está em ritmo de repetição é o fio condutor da exposição “Luiz Zerbini: a mesma história nunca é a mesma”, com cinquenta obras disponíveis. Abre a mostra a monumental “A Primeira Missa”, cuja concepção, em 2014, relê o episódio religioso e histórico sob um outro olhar, os dos indígenas. Para criar a composição, o artista observou fotografias do povo Krenak e delas partiu como um guia para sua composição. Nesse jogo, a postura corporal de uns ou o olhar penetrante de outros ganharam versão em tinta sobre tela, numa dança entre a realidade e sua observação.
– É como se os indígenas observassem a chegada de outras pessoas aqui, no Brasil. Isso aqui é um nó. A primeira missa é um pretexto para falar de um nó, da impossibilidade dessas duas civilizações conviverem — comenta.
Guilherme Giufrida, curador da exposição ao lado de Adriano Pedrosa diretor artístico do museu, tem na ponta da língua as referências e anos de concepção de cada item na mostra. Ao lado do artista, avalia que a obra da missa inicial ressoa nos humores da atualidade, momento em que há uma “reinvenção de imaginários”. Se antes caía bem observar representações da cerimônia religiosa, realizada em 26 de abril de 1500, com indígenas escanteados,” vulnerabilizados”, hoje faz mais sentido dar luz a outras visões, cuja função central é deixar claro que esse momento da fundação do país é permeado de violência.
— A Primeira Missa do Luiz Zerbini tem 8 anos e já foi incluída em livros didáticos e provas de vestibular. Ela tem impacto recente, justamente por trazer a ideia de repensar a história do Brasil a partir de novas cenas — analisa.
A exposição está de acordo com o interesse do museu em retratar “Histórias Brasileiras”, cordão umbilical que une as atividades da casa entre 2021 e 2022. O convite para a atual mostra foi feito a Zerbini ainda em 2019, com o pedido de que o artista realizasse pinturas comissionadas pelo museu. A ideia era apresentar pinturas de grande dimensão – em geral, chegando aos 4 metros de altura – com episódios históricos revisitados. Giufrida, o curador, explica que os tamanhos impressionantes das obras — que observadas bem de pertinho agrupam saborosos detalhes em cores e traços — não são ao acaso: a imponência é ferramenta para dar status de releitura histórica àquelas peças. Um convite para que perdurem.
Uma das imagens exclusivas da exposição é a "Rio das Mortes (2021)", em que há uma interessante representação de uma uma bromélia gigante que parece brotar da tela em direção aos visitantes. Completa a imagem uma espécie de andaime, sobre as àguas, onde um garimpeiro parece ter acabado de encerrar o expediente. Na água poluída que banha a cena há uma profusão sinuosa de cores. Uma faca, um pratinho, uma caixa de fósforos com alguns palitos queimados, estavam no ateliê do artista no momento da pintura e ganharam representação na imagem. Os objetos “originais” também podem ser observados na lateral da exposição.
Completam a seleção de imagens, dezenas de monotipias da série Macunaíma (2017), que acompanharam uma edição do romance “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade (1893-1945).
– A exposição faz sentido. Incorporar esses episódios relacionados à natureza como fatos mal contados — diz o artista com certo despreendimento em falar sobre seu processo de composição. — As explicações limitam muito o que há no processo. Há muita loucura também em tudo isso.
O Globo quinta, 31 de março de 2022
CARIOCÃO: FLU SAI NA FRENTE - VITÓRIA É PRÊMIO PARA UM FLUMINENSE QUE SE MANTEVE FIEL AO SEU ESTILO
Análise: Vitória é prêmio para um Fluminense que se manteve fiel ao seu estilo e para a chuva de acertos de Abel Braga
Treinador manteve o esquema de três zagueiros, acertou em escalar Ganso como titular e Arias no segundo tempo. Tricolor tem a vantagem para o jogo de volta da final do Carioca
Marcello Neves
31/03/2022 - 04:00
Cano fez dois na vitória sobre o Flamengo Foto: Alexandre Cassiano
Sim, o Fluminense mereceu vencer o Flamengo. Não porque teve mais posse de bola ou qualidade técnica, mas porque foi fiel ao seu estilo de jogo do início ao fim da partida. Contou com dois erros individuais para ficar com a vitória? Sim, mas até eles foram forçados pelo Fluminense.
Abel Braga, tão criticado nas redes sociais e arquibancadas, merece ser elogiado quando acerta. Acertou em colocar Willian Bigode como titular e deixar Jhon Arias para o segundo tempo, onde costuma entrar melhor pegando defesas adversárias cansadas. Foi ele quem forçou o erro de Léo Pereira no primeiro tento tricolor.
Abel Braga acertou ao manter a formação com três zagueiros, que foi pensada exatamente para jogos como o desta quarta-feira. A solidez defensiva tão procurada foi vista, apesar de não ter sido perfeita — Fábio ainda fez grandes defesas para salvar o Fluminense. Aliás, a escolha do arqueiro como titular foi mais um acerto. Este dividindo méritos com o preparador de goleiros André Carvalho.
Abel Braga acertou em colocar Felipe Melo em campo mesmo que ainda aparentando não estar 100% fisicamente. Acertou que colocar Paulo Henrique Ganso para dosar a posse de bola nos momentos de maior pressão do Flamengo. Assim, evitou que a bola batesse e voltasse como foi com o Botafogo.
No jogo de volta, o Fluminense terá diante de si o momento mais importante da temporada. Vencer um título diante do maior rival é daqueles momentos que salva o ano. Mas Abel Braga e Willian Bigode já falaram o óbvio: nada está definido.
Mas lembra dessas preocupações sobre segurar vantagem? Isso conversamos durante a semana. Agora, o torcedor tem o direito de comemorar.
Afinal, apenas 90 minutos separam o tricolor do título do Campeonato Carioca.
O Globo quarta, 30 de março de 2022
CULTURA: MOSTRA NO CCBB COM 140 OBRAS DESTACA LEGADO DO MOVIMENTO ARMORIAL, CRIADO POR ARIANO SUASSUNA EM 1970
Mostra no CCBB com 140 obras destaca legado do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna em 1970
Exposição reúne trabalhos de nomes como Francisco Brennand, Gilvan Samico, J. Borgese o próprio Suassuna, incluindo acervo que nunca havia saído de Pernambuco
Nelson Gobbi
30/03/2022 - 04:30
Óleo sobre tela 'Figura com três animais', de Fernando Lopes da Paz Foto: Divulgação
Idealizado em 1970 pelo dramaturgo, poeta, ensaísta e artista visual Ariano Suassuna (1927-2014), o Movimento Armorial propôs o cruzamento entre o erudito e a cultura popular a partir de uma produção genuinamente brasileira, que abarcasse diferentes práticas, como a música, o teatro, a dança, a literatura e as artes visuais. Pensada para celebrar o cinquentenário da iniciativa, mas atrasada a por conta da pandemia de Covid-19, a mostra “Movimento Armorial — 50 anos” é aberta hoje ao público do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio, buscando sintetizar em 140 obras a essência desta produção, incluindo nomes como Francisco Brennand, Gilvan Samico, Miguel dos Santos, J. Borges, Fernando Lopes da Paz e o próprio Suassuna.
Com curadoria de Denise Mattar e consultoria do artista visual Manuel Dantas Suassuna (filho de Ariano) e de Carlos Newton Júnior, professor da Universidade Federal de Pernambuco e especialista na obra do dramaturgo, a exposição inclui obras do acervo da UFPE que saíram de Pernambuco pela primeira vez.
VEJA OBRAS DA MOSTRA 'MOVIMENTO ARMORIAL — 50 ANOS'
Xilogravura 'O senhor do dia' (1986), de Gilvan Samico, do Acervo Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (PE) Foto: DIEGO ROCHA / DivulgaçãoMatriz da xilogravura 'Dança de zabumba', de J. Borges Foto: DIEGO ROCHA / DivulgaçãoIluminogravura assinada por Ariano Suassuna Foto: DIEGO ROCHA / DivulgaçãoIluminogravura assinada por Ariano Suassuna Foto: DIEGO ROCHA / DivulgaçãoTapeçaria de 1986, assinada por Zélia Suassuna Foto: DIEGO ROCHA / Divulgação
Figurino recriado do longa 'A Compadecida' (1969) Foto: DIEGO ROCHA / Divulgação'Lápide' (1987), iluminogravura em papel cartão Foto: DIEGO ROCHA / Divulgação'Metamorfose da Onça Caetana', litografia sem data de Zélia Suassuna Foto: DIEGO ROCHA / Divulgação
— Quando o Ariano foi secretário de Educação e Cultura de Pernambuco, na década de 1970, ele adquiriu para a UFPE estas obras da primeira fase do movimento, chamada Experimental, incluindo trabalhos que fizeram parte do evento inaugural, em 18 de outubro de 1970 — explica Denise, para quem Ariano criou um conceito que evidenciou elementos já presentes na produção de outros artistas. — O Samico, por exemplo, já desenvolvia algumas destas temáticas, mas a partir de conversas com Ariano ele explorou mais o imaginário fantástico ou as referências ibéricas.
A exposição — que já passou pelo CCBB de Belo Horizonte (MG) entre dezembro de 2021 e o início deste mês, e do Rio vai seguir para Brasília e São Paulo — também terá uma programação musical e seminários entre 31 de maio a 13 de junho (mês em que Suassuna completaria 95 anos), com curadoria do músico e maestro Antônio Madureira, integrante do Quinteto Armorial. Outra interseção entre as artes proposta pelo movimento que será apresentada ao público da mostra é a recriação do figurino do longa “A Compadecida” (1969), primeira adaptação para o cinema de “Auto da Compadecida” (1955), de Suassuna, filmado por George Jonas em Brejo da Madre de Deus, no agreste pernambucano.
— Na pesquisa, encontramos uma das vestes originais, o manto de Nossa Senhora, e decidimos recriar algumas peças do figurino, que foi assinado pelo Francisco Brennand (1927-2019). Ali já havia muitos elementos da cultura popular inseridos, como no figurino de Jesus Cristo (vivido por Zózimo Bulbul), que era inspirado nos caboclos de lança do maracatu — observa Denise.
A mostra é dividida em quatro seções, incluindo as duas fases do movimento, uma dedicada à vida e à obra de Suassuna e outra voltada às referências que definiram a estética armorial. Nesta última se destaca o universo do cordel, uma das maiores influências do dramaturgo.
— O Ariano dizia que o cordel continha todo o conceito por trás do Armorial, por ser uma arte completa. Há a literatura no romanceiro nordestino, as artes visuais contempladas nas xilogravuras das capas e ilustrações e a música e a dança presentes nas apresentações dos cantadores, quando transformam em canções aquelas histórias — comenta a curadora.
Manuel Dantas Suassuna diz que a mostra foi uma oportunidade de se aprofundar na obra do pai, da qual precisou se afastar no início de sua carreira.
— Quando comecei nas artes plásticas, optei por sair de casa e ficar um pouco longe da referência do meu pai, para buscar a minha própria identidade — lembra Dantas. — Mas também não fui para muito longe, fui para Taperoá (PB), que é o berço da nossa ancestralidade.
Anos depois, pai e filho voltaram a dividir projetos, como a “Ilumiara Jaúna”, um monumento esculpido em baixo relevo na fazenda da família em Taperoá, inspirado nas inscrições rupestres da Pedra do Ingá, localizada no agreste paraibano. Com a proximidade do “encantamento” do dramaturgo, como Dantas chama a morte do pai, os laços ganharam mais força.
— Em 2013, ele chamou a mim e ao Carlos (Newton Júnior) para dizer o que ele gostaria que fosse feito de sua obra, com coisas que ainda estavam pendentes, como seu último livro (“Romance de Dom Pantero no palco dos pecadores”, publicado postumamente). Ele terminou de escrever pouco antes de se encantar, e nós cuidamos da capa e toda a parte visual — conta Dantas.
Além de celebrar os 95 anos que o pai faria com a exposição no CCBB do Rio, Dantas destaca uma coincidência na programação do centro cultural, que também exibe a mostra “Marc Chagall: sonho de amor”, inaugurada no último dia 16.
— Meu pai gostava muito de Chagall, era um de seus artistas preferidos. Me lembro de uma conversa lá em casa, quando estava começando a me interessar por artes plásticas, com ele falando sobre o Chagall e o Francisco Brennand defendendo o Picasso — diz Dantas. — É importante ver como essa geração partiu destas referências de fora para desenvolver uma arte com identidade nacional, olhando para a cultura popular. E ver como movimentos como o Armorial ou a Semana de 1922, que propuseram uma arte genuinamente brasileira, ainda mantém sua força entre nós.
Onde: CCBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Quando: Qua a sáb, 9h às 21h. Dom, 9h às 20h. Abertura hoje. Até 6 de junho. Quanto: Grátis, mediante agendamento pelo site Eventim. Classificação: Livre.
O Globo terça, 29 de março de 2022
OSCAR 2022: NO RITMO DO CORAÇÃO, VENCEDOR DE MELHOR FILME; CRÍTICA
No ritmo do coração', vencedor do Oscar de melhor filme; crítica
Versão americana do longa francês 'A família Bélier' também levou estatuetas de ator coadjuvante e roteiro adaptado; Bonequinho aplaude
Mario Abbade
27/03/2022 - 13:32 / Atualizado em 28/03/2022 - 01:21
"No ritmo do coração". Foto: Divulgação
Com as premiações dos sindicatos dos atores, dos roteiristas e dos produtores, “No ritmo do coração” chegou ao Oscar como a grande aposta para a estatueta de melhor filme. E acabou levando, não só o prêmio principal mas também os de ator coadjuvante, para Troy Kotsur, e roteiro adaptado. O longa foi lançado sem muita pretensão e passou discreto no circuito, mas isso não impediu que o filme fosse um sucesso nos festivais, com 137 indicações (três delas as merecidíssimas de ator coadjuvante, roteiro adaptado e filme no Oscar) e 55 vitórias.
Na trama, Ruby é adolescente e única ouvinte numa família de surdos, o que nos EUA leva o nome de “Coda” (“child of deaf adults”, filha de adultos surdos), título original do filme. Todo dia, antes da escola, ela precisa trabalhar no barco de pesca da família para ajudar os pais como intérprete. Ao mesmo tempo, Ruby descobre seu dom de cantar e é incentivada pelo professor do coral do colégio a se inscrever numa escola de música de prestígio. E fica numa encruzilhada: ajudar os pais ou ter um futuro como cantora?
“No ritmo do coração” é a refilmagem de “A família Bélier” (França/Bélgica, 2014), de Éric Lartigau, que foi adaptado e dirigido pela americana Sian Heder. Apesar de tratar dos mesmos temas, como amadurecimento e as dúvidas adolescentes em relação a escola, família, amigos, amor e lugar no mundo, Heder, em sua versão, evita o sentimentalismo e consegue equilibrar drama e humor sem ser piegas, superando o filme original.
Apesar de, num primeiro momento, o longa poder incomodar por se encaixar no nicho remakes americanos de produções não faladas em inglês, Sian Heder entregou um filme melhor tanto tecnicamente como dramaturgicamente, de extrema sensibilidade e com um elenco em estado de graça. Algo que lembra o que Martin Scorsese fez com “Os infiltrados”, remake do chinês “Conflitos Internos” (2002) que ganhou o Oscar de melhor filme em 2007. Pode ser que a história se repita.
Onde: Prime Video, Google Play e Apple TV.
O Globo segunda, 28 de março de 2022
FUTEBOL - CRISTIANO RONALDO EM 2026?
Cristiano Ronaldo em 2026? Craque nega que Qatar possa ser sua última Copa: 'Quem manda sou eu'
Jogador tenta levar Portugal ao Mundial em duelo contra a Macedônia do Norte, nesta terça-feira
O Globo
28/03/2022 - 08:52 / Atualizado em 28/03/2022 - 09:27
Cristiano Ronaldo durante a entrevista coletiva Foto: MIGUEL VIDAL / REUTERS
É difícil cravar o futuro de Cristiano Ronaldo, que segue jogando em altíssimo nível e é estrela do Manchester United aos 36 anos. Nesta segunda-feira, o craque tratou de tornar o tema ainda mais quente. Em conversa com jornalistas, o camisa 7 frisou que a Copa do Mundo do Qatar, em novembro, pode não ser a sua última.
— Já começo a ver que muitos de vocês fazem a mesma pergunta. Quem vai decidir o meu futuro sou eu, mais ninguém. Se me apetecer jogar mais, jogo. Se não me apetecer jogar mais, não jogo. Quem manda sou eu, ponto final.
A declaração foi dada em entrevista coletiva antes da partida entre Portugal e Macedônia do Norte, nesta terça-feira. A partida pela repescagem das eliminatórias europeias vale a vaga na Copa do Mundo às equipes que eliminaram Turquia e Itália nas semifinais, respectivamente.
Cristiano Ronaldo jogou quatro Copas do Mundo pela seleção de Portugal. Ele esteve em campo nos Mundiais de 20006, 2010, 2014 e 2018. Pela equipe, tem um título de Eurocopa e outro de Liga das Nações da Uefa.
Se chegar ao quinto Mundial da carreira, CR7 igualará os recordistas Antonio Carbajal e Rafa Márquez (México), Lothar Matthaus (Alemanha) e Gianluigi Buffon (Itália).
O Globo domingo, 27 de março de 2022
COPA DO MUNDO 2022: BRASIL COMPLETA TRÊS ANOS SEM ENFRENTAR EUROPEUS
Brasil completa três anos sem enfrentar europeus e irá ao Qatar sem fazer testes que Eliminatórias não oferecem
Confrontos até o início do Mundial estão descartados; calendário da Uefa e pandemia foram empecilhos
O Globo
26/03/2022 - 04:00
Tite já pediu por confrontos com europeus, mas pedido não será atendido Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Cruzar com europeus no mata-mata virou a grande barreira para o Brasil nas últimas Copas. Em 2006, caiu para a França. Quatro anos depois, para a Holanda. Em 2014, o atropelo para a Alemanha. Por fim, em 2018, a queda para a Bélgica. Por isso, são inevitáveis os questionamentos sobre o quanto a seleção está preparada para enfrentá-los. Nos Mundiais anteriores, foi possível chegar com alguma noção. Desta vez, Tite está no escuro. Chega ao Qatar tendo feito só um jogo com rivais do Velho Continente em todo ciclo: contra a Repúblico Tcheca, que completa hoje três anos.
Tite já manifestou sua preocupação com a falta de confrontos com europeus. Em mais de uma vez, suplicou por uma oportunidade de medir forças com adversários do outro lado do Atlântico. Mas ela não deve ser atendida até o Qatar. O calendário de seleções da Uefa praticamente inviabilizou qualquer possibilidade. Os jogos pela Eurocopa (incluindo fase qualificatória) e pela Liga das Nações preencheram as datas Fifa. As poucas que ainda poderiam ser aproveitadas foram perdidas com a prorrogação das Eliminatórias continentais devido à pandemia. Um cenário que deixa a dúvida: o quanto este hiato pesará na preparação?
— Faz muita falta (não jogar contra europeus). Em 1993, 1994, a gente fazia partidas na Europa. Jogava contra Inglaterra, Alemanha... — opina Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção nos Mundiais de 1994 e de 2006. — É um intercâmbio para ver a intensidade, velocidade, as características de seleções que a gente enfrenta na Copa.
A maioria dos jogadores da seleção atua na Europa e está acostumada a jogar contra os atletas que enfrentarão no Qatar. A principal perda é coletiva. O time de Tite ataca como os principais rivais europeus: com cinco homens (às vezes, seis), sendo dois alargando o máximo possível os lados do campo. E, justamente por essa mecânica já ser padrão por lá, as defesas também são mais preparadas para neutralizá-la. Um exemplo disso foi dado esta semana pela surpreendente Macedônia do Norte, que resistiu à pressão da Itália e deixou a atual campeã da Eurocopa fora de sua segunda Copa seguida.
— As seleções da Europa são pensadas para neutralizar as amplitudes dos dois pontas. E também o jogo entre linhas, como as tabelas do Neymar e do Paquetá — analisa Leonardo Miranda, responsável pelo blog Painel Tático, do site GE. — São defesas melhor postadas do que as daqui da América. Seria uma chance para o Tite aprimorar seu estilo de jogo com a bola.
O Globo sábado, 26 de março de 2022
TURISMO: SAIBA COM O BURACO AZUL VIROU ATRAÇÃO TURÍSTICA NO CEARÁ
Saiba como o Buraco Azul virou atração turística no Ceará
Combinação de natureza e interferência humana deu origem ao lugar no litoral oeste do estado, pertinho de Jericoacoara
Por O GLOBO
24/03/2022 16h16 Atualizado há um dia
Buraco Azul, no Ceará, onde turista se afogou — Foto: Reprodução
À primeira vista, o Buraco Azul - onde um turista em visita ao Ceará se afogou nesta segunda-feira (21) - parece uma beleza natural como tantas outras que o próprio planeta Terra é capaz de formar. Mas foi uma interferência do homem que fez com que ele surgisse neste pedacinho do litoral oeste do estado, em Caiçara, distrito do município de Cruz, a cerca de 20km da disputada Jericoacoara.
Tudo começou com o trabalho de escavações e retirada de terra para a construção de uma rodovia, a CE-182. Parte da terra, por exemplo, foi usada para pavimentação desta via, num trecho de 13km de extensão, ligando a CE-85, até então a principal estrada entre Fortaleza e Jericoacoara, até a chamada Praia do Preá, na mesma cidade de Cruz (e hoje um dos principais acessos à Jeri). A repaginada CE-182 foi inaugurada em 2018 e facilitou muito o acesso de carros de passeio até Jeri, que, afinal, é a grande estrela turística da região.
Buraco Azul da Caiçara, que virou atração no litoral oeste do Ceará — Foto: Reprodução
As escavações deixaram grandes áreas abertas nas imediações, como a que acabou se transformando no Buraco Azul, que chega a ter 7m de profundidade em alguns trechos. E aí, sim, entra uma mãozinha da natureza. Foi em 2017, depois do período mais chuvoso no Ceará - de fevereiro a maio - que o lugar teve sua primeira cheia. No ano seguinte, novas chuvas ajudaram a elevar o nível de água, que acumulou também graças ao que é proveniente de lençóis freáticos. Mas foi somente em 2019, quando a estação chuvosa foi mais intensa na região, que a cheia no lugar chegou a seu limite máximo, chamando ainda mais a atenção de moradores e comerciantes locais, já atentos à possibilidade de o lugar virar um ponto turístico. Nascia então uma lagoa, mais tarde batizada de Buraco Azul.
O grande chamariz está explícito no nome: a água de cor azul turquesa. Visto do alto, o Buraco Azul parece uma imensa piscina, mas cercada de vegetação como cajueiros e com as bordas branquinhas. Seria o fundo branco, aliás, combinado com a incidência do reflexo da luz solar e a qualidade da água (com pouco material em suspensão, sem bactérias para absorver a cor) que ajudaria a dar o azul intenso à lagoa.
Criança salta no Buraco Azul, point no Ceará — Foto: Reprodução
Não demorou para que o lugar realmente virasse um point, por onde já passaram famosos como Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Não sem antes registrar certa confusão. Como o local é privado, proprietários chegaram a cercar a área, temendo invasão e afogamentos. Não adiantou. Muita gente derrubava a cerca e atravessava para um mergulho, e o donos resolveram abrir o lugar ao público. No início de 2020, nem havia cobrança de entrada. Passados dois anos, a entrada pode chegar a R$ 20, e o lugar funciona sob a administração de um restaurante de mesmo nome.
Depois da morte de um turista, a Prefeitura Municipal de Cruz divulgou nota dizendo que "Considerando o acidente ocorrido na tarde de segunda-feira, 21 de março de 2022, que vitimou fatalmente um turista no empreendimento 'Buraco Azul' em razão de afogamento, vem por meio desta nota esclarecer que o Buraco Azul é um empreendimento turístico de natureza privada, possuindo Alvará de Funcionamento e Alvará Sanitário vigentes, no que diz respeito às condicionantes ora existentes na legislação municipal. Ressaltamos, ainda, que é o primeiro caso de acidente fatal que nos fora relatado junto referido estabelecimento (...)". Sobre a qualidade da água, na época em que o lugar começou a entrar no roteiro turístico, em 2019, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) informou a veículos de comunicação do estado que não podia atestar se era própria para banho ou não, já que se tratava de propriedade particular.
Agora famoso por conta da tragédia com o turista, o Buraco Azul de Caiçara não é o único no litoral oeste do Ceará. Também por conta da repaginação da estrada CE-182, surgiu outra lagoa de azul turquesa perto dali, esta na região de Castelhano, no município de Acaraú. O Buraco Azul de Acaraú logo ganhou fama, com infraestrutura de restaurante, antes mesmo de sua homônima entrar no circuito de guias locais, que levam turistas a outros pontos famosos como a Pedra Furada, cartão-postal de Jeri, a Árvore da Preguiça e a Lagoa Paraíso.
A natureza foi generosa no Ceará, mas no caso do Buraco Azul, foi mesmo a ação do homem que deixou ali sua marca.
O Globo sexta, 25 de março de 2022
ELIMINATÓRIAS: QUARTETO DA SELEÇÃO É APROVADO
Análise: Quarteto da seleção é aprovado, mas pede ajustes que passam por Neymar
Atacante deve ser meia de ligação que equipe precisa em etapas do jogo
Bruno Marinho e Diogo Dantas
25/03/2022 - 02:00
Neymar comemora gol sobre o Chile no Maracanã Foto: Foto Lucas Figueiredo/CBF / Agência O Globo
Em tempos de posições extremadas e certezas absolutas sobre tudo, a goleada do Brasil no Maracanã, sobre um adversário apenas mediano como é o Chile, foi do tamanho exato do estágio de evolução dessa seleção, a oito meses da Copa do Mundo do Qatar. Quem foi ao estádio pré disposto a sentir raiva — como os muitos que vaiaram o técnico Tite antes de a partida começar —, deixaram o estádio certamente frustrados. Talvez de mãos dadas com aqueles mais ufanistas, que exigiam atuação espetacular do quarteto ofensivo, formado por Antony, Vini Jr, Lucas Paquetá e Neymar.
A formação cumpriu bem seu papel nos 4 a 0. Entretanto, deu sinais de que correções precisam acontecer. Duas boas notícias: há tempo para isso, até a estreia no Oriente Médio. E parte depende justamente do jogador com mais recursos da seleção, o camisa 10.
Uma das principais lições no Maracanã foi a de que o Brasil precisará encontrar maneiras de sair jogando desde o campo de defesa quando for pressionado na saída de bola. Alguns dos maiores apuros da seleção ocorreram quando o Chile conseguiu subir a marcação. Com quatro jogadores muito avançados, os defensores ficaram com poucas opções de passe no meio de campo. Uma alternativa para corrigir isso é pedir para Neymar dar uns bons passos na direção da intermediária defensiva. Basta que ele consiga girar com a bola dominada para ter três opções de passe e um adversário que se desarrumou para tentar marcar com pressão. Cenário perfeito.
Além disso, existiu um gargalo nas fases do jogo em que o Chile conseguiu se postar bem na linha defensiva. Ao jogar com tantos homens talentosos na linha de ataque — em muitos momentos, Fred se juntou aos quatro da frente —, o Brasil se torna mais dependente da qualidade de passe de Casemiro e dos laterais. Nem sempre houve a bola esticada tão qualificada, a visão de jogo mais aguçada. Daniel Alves, neste caso, talvez seja uma alternativa melhor do que Danilo. Mesmo que isso obrigue recuar Arana.
Pontas brilham
O que mais funcionou no Maracanã foram os dois extremos, Vini Jr e Antony. O primeiro foi o mais acionado. Leva vantagem por jogar muito próximo de Neymar. Como o camisa 10 é procurado por todos, o atacante do Real Madrid é privilegiado por tabela. Justamente quando trocou passes com Neymar, o eterno xodó da torcida do Flamengo foi muito produtivo. Deixou o jogador do Paris Saint-Germain duas vezes em ótima condição de marcar. Neymar deve se preparar para isso acontecer mais vezes e ser mais efetivo na área.
Vini Jr. é peça fundamental no Real Madrid por deixar Benzema bem situado para marcar os gols. O francês não costuma desperdiçar e o camisa 10 do Brasil precisa resgatar um espírito artilheiro que tinha mais latente no começo da carreira. Se habituar a ser o homem do último toque.
Os dois gols de bola rolando sobre o Chile e as jogadas que terminaram nos dois pênaltis saíram de lances que demandaram menos trocas de passes envolventes, algo que praticamente não existiu na seleção no Maracanã. Foram momentos em que a defesa do Chile não estava tão bem organizada. O bom de ter quatro atacantes em campo é que, com eles, essas brechas dadas pelos adversários tendem a ser mais mortais.
O que o jogo no Maracanã mostrou é que a torcida brasileira está disposta a abraçar Neymar, em má fase no PSG. Sua atuação contra o Chile foi apenas razoável, mas ainda assim o Brasil conseguiu funcionar ofensivamente. Um sinal de que, diferentemente de outros tempos, a equipe de Tite não está tão dependente do talento de seu principal jogador.
Cada vez menos propenso às arrancadas que foram sua marca registrada no início da carreira, Neymar pode ajudar mais a seleção usando seu talento para armar o jogo e finalizar. Isso quer dizer soltar mais a bola. Ser mais coletivo. Menos virtuoso e mais objetivo. A companhia ao redor tem qualidade, merece esse voto de confiança.
O Globo quinta, 24 de março de 2022
RIO SHOW: O BAÚ DE INÉDITAS DE PIXINGUINHA - GRUPO APRESENTA 21 CANÇÕES NO CCBB
O baú de inéditas de Pixinguinha: grupo apresenta 21 canções no CCBB
Entre os músicos que participam do show, estão Henrique cazes, Silvério Pontes e Carlos Malta
Ricardo Ferreira
23/03/2022 - 04:30
SC EXCLUSIVO / Pixinguinha como nunca, espetáculo com 26 obras inéditas do compositor no CCBB. Na foto, o Sexteto do Nunca Foto: Divulgação/ MARILIA FIGUEIREDO / Divulgação
Acredite: em pleno ano de 2022, ainda há muito o que se descobrir na obra deixada por Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973), o Pixinguinha. Prova disso é que hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil, o espetáculo musical “Pixinguinha como nunca” apresenta 21 músicas inéditas de um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos. No palco, um time de prestígio formado por Henrique Cazes (cavaquinho), Marcelo Caldi (sanfona), Carlos Malta (flauta e sax), Silvério Pontes (trompete e flugelhorn), Marcos Suzano (percussão) e João Camarero (violão de 7 cordas) — o Sexteto do Nunca — interpreta canções de Pixinguinha que nunca foram gravadas como “Paraibana”, uma valsa escrita por ele pouco antes de morrer, em 1973. O grupo repete o espetáculo no CCBB na próxima quarta-feira e no dia 6 de abril, antes de seguir para as unidades do centro cultural em Brasília e Belo Horizonte.
As canções inéditas foram peneiradas junto ao rico acervo do músico que está em posse do Instituto Moreira Salles desde 2000. Já foram encontradas mais de 50 músicas inéditas, das quais 26 serão tocadas nos shows do grupo no CCBB do Rio (eles trocam duas a cada apresentação). Há choro, samba, polca e tango, num repertório que abraça sete décadas de trabalho de Pixinguinha. Em maio, o projeto entra em estúdio para virar quatro discos: “Pixinguinha na roda”, “Pixinguinha virtuose”, “Pixinguinha canção” e “Pixinguinha internacional”. Para Henrique Cazes, diretor musical do espetáculo, alguns fatores contribuíram para que tantas canções estivessem escondidas do público por todo esse tempo, como o alto volume de produção de Pixinguinha, as circunstâncias culturais do final da década de 1930 e um quê de racismo.
— Ele produzia muito. Uma vez ficou internado e compôs mais músicas do que os dias que ficou no hospital, fez uma pro médico, outra pra enfermeira, outra pra neta da enfermeira que havia nascido. Era algo muito natural— afirma Cazes, que também assina os arranjos do show. — No final da década de 30, no auge da carreira dele, com a chegada daquela onda de propaganda norte-americana, das big bands, acabaram passando Pixinguinha da vanguarda pra velha guarda, sem escalas. Ele ficou deslocado. Não existe até hoje um livro falando sobre a técnica que ele usava na orquestração, uma coisa que deveria estar na base da música brasileira. Existe uma camada de racismo, sim, de não enxergar um preto como superior.
O ator e cantor Marcelo Vianna, neto de Pixinguinha, assina a direção artística do show e participa cantando algumas músicas. Ele trabalhou com Henrique Cazes entre 2015 e 2017, no projeto “Pixinguinha: as 5 estações”, uma série de aulas-espetáculos. Ali, os dois tiveram a ideia que toma forma hoje no palco do CCBB. Vianna compartilha do discurso do colega, sugerindo que falta aceitar “esse protagonismo preto”, diz que planeja montar um bloco de carnaval e um documentário em torno da obra do avô e dá uma noção do tamanho do acervo, do qual outras canções podem vir à luz:
—São mais de 800 arranjos nesse acervo, e cada arranjo é um calhamaço de papel. Sabemos que tem coisa perdida, outras que não foram gravadas — conta Vianna, mostrando a empolgação com o início do projeto. —Fico muito feliz de estar com esses caras. O Baden Powell falava com propriedade que Pixinguinha foi o maior compositor de todos os tempos. É uma obra moderna, um compositor que nos deu quase tudo. Ouvir Pixinguinha é entender o Brasil.
Serviço
CBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Qua, às 19h30. Até 6 de abril. R$ 30. Livre.
O Globo quarta, 23 de março de 2022
VIAGEM: PASSEIO ESPECIAL EM HOLAMBRA MOSTRARÁ OS BASTIDORES DA PRODUÇÃO DE FLORES
Passeio especial em Holambra mostrará os bastidores da produção de flores
Roteiro Estufas Abertas passará por seis fazendas da cidade, que fica no interior de São Paulo
Por Eduardo Maia
22/03/2022 17h24 Atualizado há 17 horas
Flores na estufa do Rancho Raízes, produtor de crisântemos em Holambra, no interior de São Paulo — Foto: Divulgação
A primavera é a alta estação do turismo em Holambra, no interior de São Paulo. Mas é possível admirar as cores da maior produtora e exportadora de flores do Brasil o ano todo. Em abril, por exemplo, o passeio Estufas Abertas levará visitante aos bastidores dos locais onde as flores são plantadas e desenvolvidas.
O evento, que acontecerá nos dias 2 e 3 de abril, é inspirado no “Kom in de kas!” (“Entre na estufa!”), uma tradição em diversas regiões da Holanda desde a década de 1970. Nele, os produtores de Holambra voltarão a abrir suas fazendas e ranchos para os visitantes interessados no cultivo de flores e plantas ornamentais.
A partir de três roteiros diferentes, os visitantes poderão conhecer todo o processo produtivo – do plantio à colheita – de seis propriedades e também as instalações da Faculdade de Agronegócios de Holambra (Faagroh), do Grupo Unieduk. O passeio será feito a bordo de um ônibus especial, que passará por duas fazendas por circuito. Os visitantes poderão escolher o tempo de permanência em cada parada, e também alterar a programação, se quiserem, já que os veículos passarão de tempos em tempos.
As fazendas escolhidas para esta edição cultivam plantas ornamentais (Brumado e Giardino de Cozi), kalanchoes e calandivas (Joost van Oene), crisântemos (Rancho Raízes), azaleias (Sleutjes) e antúrios (Symphony). Os visitantes poderão passear entre os canteiros para observar, fotografar ou filmar de perto as flores e plantas em todas as fases de suas vidas. Os grupos serão acompanhados pelos próprios produtores, que explicarão sobre as técnicas de cultivo e sua evolução ao longo dos anos, desde a chegada dos primeiros colonos holandeses à região.
As saídas acontecerão nos dias 2 e 3 de abril de 2022, das 9h às 17h. O embarque será feito no estacionamento do Parque da Expoflora (Rodovia SP 107), em frente ao Moinho Povos Unidos, onde os visitantes poderão deixar seus veículos até o final do passeio.
Os ingressos custam R$ 100 (ou R$ 80, se comprados até 31 de março), com meia entrada garantida por lei e . As vendas acontecem pelo site ingressorapido.com.br e mais informações podem ser obtidas pelo e-mail estufasabertasholambra@gmail.com.
O Globo terça, 22 de março de 2022
RIO SHOW: MARC CHAGALL GANHA MOSTRA COM 186 OBRAS NO CCBB
Marc Chagall ganha mostra com 186 obras no CCBB
Maior exposição dedicada ao artista russo naturalizado francês destaca seu olhar sobre amor e a esperança
O Globo
16/03/2022 - 05:30
Detalhe da tela “Os amantes com asno azul” (1955), que está na mostra dedicada a Marc Chagall no CCBB Foto: Divulgação
A vida e a obra do russo naturalizado francês Marc Chagall são destaque da exposição “Marc Chagall: sonho de amor”, que inaugura nesta quarta-feira (16) no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio. Com 186 trabalhos, a mostra é a maior já realizada no Brasil sobre o artista, cuja obra é reconhecida mundialmente como uma ode ao amor e à esperança, e encanta o público com seu universo onírico.
A mostra é dividida em quatro seções que abrangem os principais temas de sua produção, como as memórias de infância na Rússia, a religião e a espiritualidade, a relação com a escrita e as representações do amor. Além dos diferentes momentos de sua carreira, a exposição destaca as muitas técnicas e suportes explorados por Chagall, como óleos, guaches e pastéis, em pinturas, desenhos e litografias.
A seleção traz obras de coleções de várias partes do mundo, incluindo empréstimos de instituições brasileiras, a exemplo das telas “O vendedor de gado” (1922), do acervo do Masp, “O violinista apaixonado” (1967) e “Cidade cinzenta” (1964), da Coleção Nemirovsky, em comodato com a Pinacoteca do Estado de São Paulo.
No dia da inauguração, a historiadora da arte e curadora da exposição Lola Durán Úcar fará uma palestra gratuita, às 18h30, no auditório do CCBB, em que guiará os visitantes pelo universo de Chagall, passando por seus processos artísticos e os momentos históricos que marcaram sua trajetória pessoal. Os ingressos para o encontro com a curadora devem ser reservados pelo site da Eventim — onde também se retiram as entradas para a mostra — ou diretamente na bilheteria.
'O vendedor de gado' (1922) vem do acervo do Masp Foto: Fotos de divulgação/Chagall, Marc/AUTVIS, Brasil, 2022
Serviço 'Chagall: sonho de amor'
CCBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Qua a sáb, 9h às 21h. Dom, 9h às 20h. Até 6 de junho. Grátis, mediante agendamento pelo site Eventim. Livre.
O Globo segunda, 21 de março de 2022
LIVROS: HISTÓRIAS DOS BASTIDORES DO PASQUIM SÃO RETRATADAS EM NOVO LIVRO
'Rato de redação': Histórias dos bastidores do Pasquim são retratadas em novo livro
‘Realmente era a diversão de que falam’, diz Sérgio Augusto, um dos integrantes do Pasquim, que tem história contada em livro
Bernardo Araujo, especial para O GLOBO
21/03/2022 - 04:30
O Pasquim (1969-1991) Foto: Reprodução
Certa feita, o Pasquim, famoso por suas entrevistas regadas a uísque, chamou Rita Lee e Tim Maia para um papo. Os dois astros da música, ainda jovens, em 1970, foram entrevistados juntos porque os jornalistas acharam que um dos dois sozinho não renderia uma das famosas “entrevistas do Pasquim”. Eles estavam certos, até demais.
— Nem Tim nem Rita gostavam muito de beber na época, e a entrevista acabou saindo fraquinha — conta o jornalista gaúcho Márcio Pinheiro, 55 anos, autor de “Rato de redação: Sig e a história do Pasquim” (Matrix Editora), biografia do revolucionário tabloide ipanemense (1969-1991) que terá lançamento no Rio no próximo dia 31, às 18h30, na Livraria Argumento, no Leblon.
Há décadas historiador da imprensa brasileira e colecionador do Pasquim, Pinheiro baseou o livro em seu farto material e em conversas com Sérgio Augusto, Martha Alencar e Reinaldo Figueiredo, três ex-titulares do tabloide. A ideia original do autor era aproveitar o cinquentenário do periódico, em 2019, para contar a história da redação que uniu nomes como Henfil, Ivan Lessa, Tarso de Castro, Paulo Francis, Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral e tantos outros.
— Achei que meu livro seria um dentre vários que surgiriam com a efeméride — conta ele, que ficou surpreso ao ver que foi o único que teve a ideia, ou que a levou adiante, em um momento “entre empregos”. — Além de tudo o que eu já tinha em casa, o Pasquim está inteirinho digitalizado pela Biblioteca Nacional. Minha ideia foi mesmo contar a história em cima do arquivo.
Cara de pau
De fato, é só dar um pulo no acervo digital da instituição (memoria.bn.br) que lá estão Ibrahim Sued dizendo que era um imortal sem fardão, Chico Buarque explicando por que é tricolor e os desenhos de Jaguar (que, aos 90 anos, mandou um exclusivo para Márcio festejando o livro). “O Pasquim surge com duas vantagens: é um semanário com autocrítica, planejado e executado só por jornalistas que se consideram geniais e que, como os donos de jornais não reconhecessem tal fato em termos financeiros, resolveram ser empresários”, diz o editorial cara de pau da edição de estreia, de 26 de junho de 1969.
— O livro é muito fiel ao que acontecia naquela redação, principalmente na época em que era um prédio na Rua Clarice Índio do Brasil, no Flamengo — conta Sérgio Augusto. —E realmente era a diversão toda de que as pessoas falam. Eram figuras muito engraçadas, como o Francis, com seu mau humor e seus sambas e marchinhas, e o Ivan Lessa, um moleque com idade mental de 12 anos, que passava o tempo fazendo bullying com a Nelma, nossa secretária.
A figura mais perene dos 22 anos de Pasquim foi Sérgio Jaguaribe, o Jaguar, cartunista e criador do rato Sig (de Sigmund Freud, o pai da psicanálise).
— Sig era filho meu e do Ivan Lessa — lembra Jaguar, de sua casa na serra. — Ele era responsável por uma espécie de editorial, fazia comentários e destacava trechos dos textos, em desenhos por cima das páginas já diagramadas. E, quando o Pasquim acabou, aconteceu o contrário do ditado: foi o navio que deixou o rato.
No auge, o debochado tabloide chegou a vender mais de 200 mil cópias por semana, superando publicações como as revistas Veja e Manchete, onde, aliás, alguns dos pasquinenses também escreviam.
Além da competência do staff (“Tarso era o dínamo que tocava a redação, ‘o mais louco de todos’, segundo Jaguar”; “Sérgio Augusto tem texto e memória maravilhosos, as coisas dele não envelheceram até hoje”), o autor do livro aponta os métodos pouco ortodoxos como parte da razão do sucesso. A vivência nas redações (e botequins) pelo Brasil ajudaram o jornal a ter colaboradores que iam de Chico Buarque, correspondente em Roma na época do exílio, a Carlos Drummond de Andrade.
— O Drummond subia a pé a Rua Saint-Roman, no pé do Pavão-Pavãozinho, para levar os textos que saíam no Pasquim, na época em que a redação era lá — lembra Jaguar. — Ele, na verdade, estava paquerando a Nelma. Sorte a nossa.
Entre seções e textos simplesmente batizados com os nomes de seus autores, o Pasquim entrou para a história pelas entrevistas, algumas históricas, como as de Leila Diniz, Ibrahim Sued (que antecipou ao jornal o então futuro presidente do Brasil, Médici, que se seguiu a Costa e Silva) e de políticos como Leonel Brizola.
Combate à censura
Por trás (ou na frente, ou no meio) de toda a galhofa, o Pasquim tinha como motor central o combate à ditadura e à censura. Isso rendeu a famosa prisão de boa parte da redação, no fim de 1970. Sérgio Cabral estava em Campos, no Norte Fluminense, quando recebeu um telefonema da mulher, a museóloga Magaly Cabral.
— Ele ficou preocupado, pensou que era algum problema com o filho, Serginho (o ex-governador do Rio, atualmente preso) — conta Márcio. — Quando ela disse que os agentes da ditadura tinham ido lá para prendê-lo, ele ficou aliviado: “Graças a Deus!”.
Quando Sérgio Cabral voltou ao Rio, tomou umas cervejas e se entregou, junto com Jaguar e o dramaturgo Flávio Rangel.
— Eu nunca me diverti tanto quanto naquela cela — lembra Jaguar, às gargalhadas. — No Natal, o Antonio’s (tradicional bar da boemia da Zona Sul do Rio) nos mandou uma ceia, ficamos comendo, bebendo vinho e oferecendo aos guardinhas, que não acreditavam no que estava acontecendo.
Apesar de o cárcere ter sido relativamente leve para os profissionais do Pasquim, o episódio foi um racha na redação:
— Tarso brigou com o Millôr, acusando-o de covardia por se esconder e não acompanhar os colegas na prisão — conta Márcio Pinheiro.
A partir da metade dos anos 1970, segundo o autor, o jornal se tornou mais politizado, principalmente com a Anistia, no fim da década, que trouxe de volta do exílio figuras importantes da política como Brizola, Miguel Arraes, Fernando Gabeira, Darcy Ribeiro e Luiz Carlos Prestes, todos eventualmente entrevistados nas páginas do Pasquim. Foi na primeira metade daquela década que o jovem Reinaldo apareceu na redação com um desenho e foi imediatamente contratado.
— Minha temporada lá foi fundamental para o que aconteceu depois —diz o Seu Casseta, fundador também do Planeta Diário. — Foi no Pasquim, quando era o editor de humor, que comecei a experimentar muita coisa, junto com Hubert e Cláudio Paiva. Isso foi uma espécie de laboratório para a criação do Planeta Diário.
Com o fim da ditadura e uma debandada dos jornalistas para outras redações, que exigiam exclusividade, o semanário foi morrendo.
— Na eleição de 1986, quando Moreira Franco se tornou governador do Rio, ele já estava morto —avalia Márcio. — Jaguar seguiu tocando até 1991 como aquele japonês da Segunda Guerra, que ficou escondido anos numa floresta sem saber que o conflito tinha acabado.