Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)
Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.
O Globo terça, 25 de abril de 2023
CORRIDA ESPACIAL: JAPONESES TENTAM POUSAR PRIMEIRA SONDA DE EMPRESA PRIVADA NA LUA
Japoneses tentam pousar primeira sonda de empresa privada na Lua
Projeto da ispace carrega jipe-robô dos Emirados Árabes; espaçonave tem primeira chance de pouso nesta terça às 13h40
Por Rafael Garcia — São Paulo
Fotografia tirada pela Hakuto-R mostra a Terra aparecendo no horizonte lunarispace/divulgação
A empresa japonesa ispace tenta fazer na tarde desta terça-feira o primeiro pouso de uma sonda espacial da iniciativa privada na Lua. A espaçonave Hakuto-R tentará descer em superfície lunar com um módulo de aterrissagem e um pequeno jipe-robô, batizado de Rashid, construído por cientistas dos Emirados Árabes.
Se a missão for bem sucedida, o Japão será o quarto país do mundo a pousar um artefato em solo lunar, depois dos EUA, da China e da Rússia (ainda no período soviético). A Hakuto-R pode se tornar um marco importante da nova corrida lunar, que começou em 2013, com os chineses pousando a sonda Chang'e 3 na Lua, após 37 anos da última aterrissagem soviética.
Mas é nos últimos cinco anos que ocorreu um período intenso na órbita lunar. A China ainda aterrissou com mais mais duas sondas da série Chang'e no satélite, em 2018 e 2020. Dois outros países também enviaram módulos de aterrissagem à Lua, Israel e a Índia, mas falharam ao tentar pousar em 2019.
Enquanto o principal objetivo da ispace é obter o sucesso na trajetória de pouso em si, o jipe-robô Rashid tem como missão estudar a poeira lunar e entender suas propriedades dinâmicas.
O módulo de aterrissagem da Hakuto-R também carrega um experimento da Jaxa, a agência espacial do governo do Japão, batizado de Sora-Q. Esse equipamento, um pequeno robô que se desdobra como um "transformer", vai testar uma nova tecnologia de locomoção no solo lunar.
A Hakuto-R está na órbita da Lua há cerca de um mês esperando o momento melhor para tentar o pouso, com a espaçonave já estabilizada. A primeira tentativa deve ocorrer às 13h40 (hora de Brasília) desta terça-feira (25/4). No caso de adiamento, há outras duas janelas de oportunidade nas 12 horas seguintes. Caso a ispace decida por adiar ainda mais o pouso, há outras datas possíveis entre 1 e 3 de maio.
Imagem de concepção artística ilustra a Hakuto-R na superfície da Lua — Foto: ispace/divulgação
A empresa vai transmitir ao vivo o pouso da espaçonave a partir de seu site (www.ispace-inc.com), e a sonda está equipada com câmeras para registrar o momento. A ispace estava preocupada com capacidade de a missão sustentar energia, mas informa agora que as perspectivas são boas.
"Conforme nosso modulo de aterrissagem se aproxima da superfície lunar, a Lua ocupa mais do campo de visão dele. Isso faz com que o Sol fique bloqueado por mais tempo, o que representa um desafio para gerenciamento e geração de energia", afirmou em comunicado Sasha Hurowitz, um engenheiros que lideram o projeto. "Por meio de testes e análises cuidadosos, a equipe de engenharia da ispace se preparou para isso e conduziu com sucesso o módulo de pouso pelos períodos mais longos de eclipse com sucesso.”
Projeto milionário
A Hakuto-R partiu da Terra em um foguete Falcon 9, da SpaceX, que foi considerado o mais adequado para acomodar sua estrutura de 340 kg e cerca de 2,5 metros de diâmetro. O projeto da sonda tem como parceiras (e patrocinadoras) várias empresas japonesas tradicionais, incluindo Japan Airlines, Suzuki Motors e Citizen Watch (todas com seus logos estampados no corpo da espaçonave, tal qual um carro de fórmula 1).
A sonda está agora em uma órbita em forma de elipse bastante alongada, a 100 km de distância no ponto mais próximo, mas chegando a 6.000 km no ponto mais distante. Para pousar na Lua, a Hakuto-R vai acionar seus propulsores para encerrar esse movimento inercial.
"Usando uma série de comandos pre-configurados, o módulo de pouso vai ajustar sua orientação e reduzir velocidade para fazer uma aterrissagem suave na superfície lunar", afirma a spacex em comunicado de imprensa.
Não vai se passar muito tempo até que a empresa tenha notícia sobre o sucesso (ou fracasso) da missão. "Esse processo vai levar cerca de uma hora", diz o documento.
A ispace informou no meio do ano passado que já tinha levantado até aquele momento US$ 237 milhões em recursos, sem especificar quanto foi empregado especificamente na Hakuto-R.
O Globo segunda, 24 de abril de 2023
MINERAÇÃO: INDÍGENA QUE *BARROU* EXTRAÇÃO DE COBRE NO PARÁ GANHA PRÊMIO NOS EUA
Indígena que 'barrou' extração de cobre no Pará ganha prêmio nos EUA
Alessandra Munduruku vence Prêmio Goldman de Meio Ambiente por mobilizar aldeia contra projeto de mineradora em terra indígena
Por Alan Souza* — Rio de Janeiro
24/04/2023 07h00 Atualizado há 3 horas
Alessandra Munduruku mobilizou aldeia contra extração de cobre no ParáPrêmio Goldman de Meio Ambiente
A primeira vez que Alessandra Munduruku, de 39 anos, saiu da Aldeia Praia do Índio, em Itaituba (PA), foi para lutar pelos direitos do seu povo. Em 2015, ela foi a Brasília junto com os caciques para brigar pelo território onde viviam. Depois disso, não parou mais. Nesta segunda-feira, ela e outros cinco militantes vão receber o Prêmio Goldman de Meio Ambiente, o maior da categoria, pelo trabalho realizado em suas comunidades.
— Só basta estarmos vivos para lutar. Não é fácil largar o seu território para gritar na mesa de um deputado, presidente ou de qualquer empresa que queira violar nossos direitos — disse a indígena ao GLOBO.
Concedido desde 1989, a premiação baseada em São Francisco, nos Estados Unidos, já homenageou 219 ativistas. Neste ano, os vencedores foram: Chilekwa Mumba (da Zâmbia), Zafer Kizilkaya (Turquia), Tero Mustonen (Finlândia), Delima Silalahi (Indonésia) e Diane Wilson (Estados Unidos), além de Alessandra Munduruku, representando os países da América do Sul e Central.
A ativista ganhou o prêmio por ter organizado, no início de 2021, uma campanha de mobilização em sua aldeia para evitar que a empresa britânica de mineração Anglo American extraísse cobre dentro de territórios reservados. A ação de Alessandra também contou com auxílio de entidades como a Articulação dos Povos Indígenas (Apib).
Alessandra Munduruku — Foto: Prêmio Goldman de Meio Ambiente
“Povo vai continuar resistindo”, publicou a ativista em janeiro daquele ano em sua rede social. Na postagem, ela pedia a demarcação da terra indígena Praia do Índio, uma área de cerca de 28 mil hectares, na Floresta Amazônica, habitada pelo povo Munduruku.
Meses depois, em maio, a Anglo American se comprometeu formalmente em retirar os 27 pedidos de pesquisa feitos à Agência Nacional de Mineração (ANM) para extração de cobre em terras indígenas nos estados de Mato Grosso e Pará. Dos pedidos, 13 impactariam o território onde a indígena vivia com seu povo, de acordo com a Apib.
— Quem tem direito ao território são sempre aqueles caras que usam gravata, assinam os papéis e têm a caneta — observou. — Os não indígenas chegam fazendo um mapeamento e dizendo que a terra é deles, mesmo sabendo que não é. Só acreditam no papel deles, enquanto nós que vivemos lá há muito tempo não temos direito ao território. Sinto que os indígenas só têm direito a algo se não usarem roupa, não tiver acesso à internet nem educação.
Mas essa não foi a primeira vez que ela viu a terra da Aldeia Praia do Índio ser ameaçada. Alessandra contou ouvir, desde criança, “a cidade falando de garimpo” no território. De acordo com o relato, a floresta que rodeava o território onde vivia era derrubada, dando lugar a loteamentos.
Alessandra, no entanto, afirmou estar confiante com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, comandado por Sônia Guajajara. Porém, segundo ela, há muito a ser feito.
— Foi uma grande luta para termos um ministério, mas ainda é preocupante. Nossa parenta Sônia não está sozinha. Ela tem uma responsabilidade muito grande em consultar os povos indígenas. A gente sabe que esse ministério não é para nos silenciar — disse, lembrando que o governador do Pará Helder Barbalho (MDB) também adicionou uma pasta específica para o tema em seu secretariado.
Porém, a luta da ativista não parou quando ela e os Munduruku afastaram a hipótese de extração de cobre na terra. A briga agora é pela demarcação do território e garantia de direitos básicos como saúde e educação para seu povo, porque, segundo disse, “os povos indígenas merecem mais”.
Mesmo que demore, o sonho de Alessandra Munduruku é voltar para sua casa, na Aldeia da Praia do Índio, onde possa viver perto de seus parentes. Segundo ela, há bens que só se encontram no território de seu povo:
— Voltar é o que mais quero. Dá uma raiva de morar na cidade quando falta água, porque lá (na terra indígena) eu só preciso ir ao rio.
*Estagiário sob orientação de Daniel Biasetto
O Globo domingo, 23 de abril de 2023
BRASILEIRÃO 2023: INTERNACIONAL X FLAMENGO - ONDE ASSISTIR E AS PROVÁVEIS ESCALAÇÕES
Internacional x Flamengo: Onde assistir e as prováveis escalações
Jogo marca estreia do Inter no Beira-Rio pelo Brasileiro e primeiro adversário qualificado de Jorge Sampaoli no Flamengo
Por Redação do GLOBO — Rio de Janeiro
23/04/2023 09h19 Atualizado há uma hora
Jorge Sampaoli faz seu segundo jogo no comando do Flamengo, agora contra o Internacional, um rival mais qualificadoAlexandre Cassiano
O Internacional recebe o Flamengo, neste domingo, às 11h, em seu primeiro jogo no Beira-Rio pelo Campeonato Brasileiro de 2023. Do lado colorado, o duelo pode valer a primeira vitória no torneio. O time vem de um empate com o Fortaleza na estreia. Já para o rubro-negro carioca, que venceu o Coritiba há uma semana, representa mais um desafio neste início de trabalho de Jorge Sampaoli.
Depois de derrotar o frágil Ñublense-CHI, na última quarta, pela Libertadores, o treinador argentino terá seu primeiro adversário qualificado no comando do Flamengo. O Internacional de Mano Menezes também vem de vitória na competição continental: bateu o Metropolitanos-VEN, na última terça, em Porto Alegre.
Onde assistir
Transmissão: Premiere (exclusivo)
Prováveis escalações
Internacional: Keiller, Igor Gomes, Mercado, Vitão e Renê; Campanharo, Johnny e Alan Patrick; Pedro Henrique, Wanderson e Alemão.
Flamengo: Santos, Wesley, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Thiago Maia, Vidal, Gerson e Everton Ribeiro; Gabigol e Pedro.
O Globo sábado, 22 de abril de 2023
ARQUITETURA: RELÓGIOS ANALÓGICOS NO ALTO DE PRÉDIOS E TORRES CONTA A HISTÓRIA DA ARQUITETURA NO RIO
Relógios analógicos no alto de prédios e torres contam a história da arquitetura no Rio
Em plena era digital, os imponentes objetos com ponteiros ajudam a contar parte da história da arquitetura da cidade
Por Carmélio Dias — Rio de Janeiro
22/04/2023 04h30 Atualizado há 4 horas
Parado às 10h18: a fachada da histórica e abandonada Estação LeopoldinaMárcia Foletto/Agência O Globo
Testemunhas de um tempo que passou, os relógios analógicos no alto de edifícios emblemáticos do Rio sobrevivem como podem à indiferença de quem já não precisa deles para saber a hora certa do trabalho, do transporte ou daquele esperado encontro no fim da tarde. A concorrência é grande. Há muito, a função passou a ser exercida pelos onipresentes celulares — além de centenas de dispositivos digitais nas calçadas e, claro, dos relógios de pulso. Restou àqueles ponteiros a função de se destacar na paisagem com estilo e graça. Nas fachadas, ajudam a contar parte da história da arquitetura da cidade. Só que nem todos resistem marcando a hora com a precisão esperada.
Dos 11 percorridos pelo GLOBO na semana passada, seis mantinham a pontualidade. Era o caso do instalado no topo de uma torre de cem metros de altura no antigo prédio da Mesbla, em frente ao Passeio Público, no Centro. A peça, um símbolo da região, ganhou recentemente iluminação nova e moderna. Agora, sua luz é de LED.
Relógios do Rio: A arquitetura do tempo
12 fotos
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Peças de marketing
A mudança não ofuscou em nada o brilho do conjunto arquitetônico projetado pelo francês Henri Sajous na década de 1930, considerado uma referência do estilo art déco na cidade. Pelo contrário, trouxe ainda mais visibilidade ao prédio, algo coerente com os objetivos originais da construção.
— Os relógios foram muito populares nos prédios erguidos nas décadas de 1920, 1930 e 1940 porque eram uma forma inteligente de chamar a atenção. Além da beleza do edifício em si, muitos deles tinham empresas por trás, como a Mesbla. Com o relógio lá no alto, todo mundo olhava para o prédio e lembrava da marca. Podemos dizer que era um marketing utilitário — analisa a arquiteta e paisagista Francine Trevisan, cuja dissertação de mestrado teve como tema a obra de Henri Sajous no Brasil.
Perto do Passeio, outro relógio, de proporções mais discretas, se sobressai pela beleza. No topo do Edifício Standard — que também ficou conhecido como prédio da Esso — construção igualmente erguida em estilo art déco, segue no ritmo dos minutos com suas linhas retas e econômicas.
— É interessante notar como o desenho desses relógios é simplificado, com linhas retas. São geralmente bastante delicados, mostrando que a grande intenção era mesmo se comunicar com as massas e, de certa forma, estabelecer uma noção de controle do tempo, que antes era exercida por outras instituições, como as igrejas com seus sinos — observa Karolyna Koppke, professora de história da arquitetura e do urbanismo no Ibmec, que tem uma de suas unidades no Rio funcionando no Edifício Stantard.
Na Central, uma relíquia
Embora bastante presentes no art déco, relógios no alto dos prédios estão longe de ser exclusividade do estilo que viveu apogeu nos anos 1930. O Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal, na Cinelândia, por exemplo, foi erguido entre os anos 1919 e 1923, com os preceitos da arquitetura eclética. Em suas extremidades, dois adereços mostram a passagem do tempo: um deles informa as horas corretamente até hoje, mas o outro, dedicado a apontar o dia do mês, estava adiantado — marcava o dia 15 na tarde do dia 13.
Seguindo pela Avenida Rio Branco, o prédio no número 123, na esquina com a Rua do Ouvidor, tem um curioso relógio de ponteiros funcionando na fachada, poucos metros acima da marquise. No quesito originalidade, só perde para o equipamento de face dupla instalado no número 170 da Rua Camerino: cercado por casario antigo, o prédio, que aparenta estar abandonado, destoa do conjunto de sobrados preservados ao redor. Ele está fora de operação.
Não muito longe dali, fica um dos ícones do Rio, a atração principal no balanço das horas pelos topos de prédios do Rio. Instalado pela IBM, em 1943, no prédio de 32 andares da Central do Brasil, o relógio de quatro faces está sob responsabilidade da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) e, entre altos e baixos ao longo dos anos, tem apresentado bom funcionamento. O órgão informou que a manutenção preventiva e corretiva da máquina é realizada de forma periódica por “um especialista e um eletricista, orientados por um engenheiro mecânico, por conta das engrenagens”.
Não se pode dizer o mesmo do belo e maltratado relógio da antiga Fábrica de Gás, no número 2.610 da Avenida Presidente Vargas, na Cidade Nova. Cravado em uma estrutura cilíndrica, com quatro faces, o equipamento, de origem inglesa, remonta à época da Proclamação da República, em 1889. A lástima é que a máquina está parada e nem ponteiros tem mais. De acordo com a Naturgy, a última reforma no prédio foi realizada em 2016 e, “em razão de atos criminosos de vandalismo, o relógio encontra-se desativado”.
Outra antiguidade também enguiçada é o relógio da Estação Ferroviária Barão de Mauá, a Estação Leopoldina, na Avenida Francisco Bicalho desde a década de 1920. Segundo a SuperVia, um projeto de recuperação da estação chegou a ser apresentado, mas parou depois que a União demonstrou interesse na “retomada dos espaços que estão atualmente sob responsabilidade da concessionária”.
E tem ainda um caçula nessa lista de marcadores do tempo emperrados: o grande mostrador do prédio RB1, no começo da Avenida Rio Branco, estava parado na semana passada. Erguido na década de 1990, em estilo pós-moderno, o prédio reserva lugar de destaque para a peça em seu site: o texto informa que se trata do terceiro maior relógio da cidade, com 7,8 metros de diâmetro, superado só pelo da Central do Brasil (10m) e pelo da Mesbla (9m).
Farol da Hora
Por perto, na Praça Mauá, mais ponteiros se destacam no alto de torres, em cima de prédios art déco. O relógio na sede da Polícia Federal segue funcionando, mas o do Pier Mauá, inaugurado em 1926 e projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, está parado.
Já na Baía de Guanabara, fincada na ponta de um cais na Praia da Ribeira, na Ilha de Paquetá, surge uma surpreendente réplica, em escala reduzida, do relógio da Mesbla. A própria cadeia de lojas ofereceu à Marinha a construção da torre, com 9,45 metros de altura, projetada para funcionar também como farol para orientação de embarcações. A obra ficou pronta em meados dos anos 1960. O “irmão gêmeo” do relógio da Rua do Passeio cumpriu bem suas funções originais por muitos anos. Hoje, está inoperante, mas ainda funciona muito bem para compor a bela paisagem local.
O Globo sexta, 21 de abril de 2023
SAÚDE: POR QUE O CABELO FICA GRISALHO?
Por que o cabelo fica grisalho? Descoberta inédita pode levar à reversão do envelhecimento nos fios
Cientistas identificaram o defeito na célula tronco responsável pelo pigmento
Por Kate Golembiewski, The New York Times
21/04/2023 08h04 Atualizado há uma hora
Experimento detectou mau funcionamento em células-tronco adultasFreepik
Muitos dos sinais de envelhecimento são invisíveis, lentos e sutis – mudanças na capacidade de divisão celular, débito cardíaco e função renal não aparecem exatamente no espelho. Mas os cabelos grisalhos são uma das pistas mais óbvias de que o corpo não está funcionando como antes.
Nosso cabelo fica grisalho quando as células-tronco produtoras de melanina param de funcionar adequadamente. Um novo estudo em camundongos, mas com implicações para as pessoas, publicado na revista Nature, fornece uma imagem mais clara das falhas celulares que tornam os cabelos brancos.
“Este é realmente um grande passo para entender por que ficamos grisalhos”, disse Mayumi Ito, autora do estudo e professora de dermatologia na Grossman School of Medicine da Universidade de Nova York.
Ao contrário das células-tronco embrionárias, que se desenvolvem em todos os tipos de órgãos diferentes, as células-tronco adultas têm um caminho mais definido. As células-tronco de melanócitos em nossos folículos pilosos são responsáveis por produzir e manter o pigmento em nosso cabelo.
Cada folículo piloso mantém as células-tronco de melanócitos imaturas armazenadas. Quando são necessárias, essas células viajam de uma parte do folículo para outra, onde as proteínas as estimulam a amadurecer em células produtoras de pigmento, dando ao cabelo sua tonalidade.
Os cientistas assumiram que o cabelo grisalho era o resultado daquele pool de células-tronco de melanócitos que secou. No entanto, estudos anteriores com ratos fizeram Ito e seu co-autor, Qi Sun, se perguntarem se o cabelo poderia perder seu pigmento mesmo quando as células-tronco ainda estão presentes.
Para aprender mais sobre o comportamento das células-tronco ao longo das diferentes fases do crescimento do cabelo, os pesquisadores passaram dois anos rastreando e visualizando células individuais na pele do camundongo. Para sua surpresa, as células-tronco viajaram para frente e para trás dentro do folículo piloso, fazendo a transição para seu estado maduro de produção de pigmento e, em seguida, saindo dele novamente.
"Ficamos surpresos", afirmou Sun, que disse que ver um grupo de células-tronco alternando entre estados maduros e jovens não combina com as explicações existentes.
Mas com o passar do tempo, as células de melanócitos não conseguiram manter o duplo ato. Um cabelo caindo e voltando a crescer afeta o folículo e, eventualmente, as células-tronco param de fazer sua jornada e, portanto, param de receber sinais de proteína para produzir pigmento. A partir de então, o novo crescimento do cabelo não recebeu sua dose de melanina.
Os pesquisadores exploraram ainda mais esse efeito arrancando pelos de camundongos, simulando um ciclo de crescimento capilar mais rápido. Esse “envelhecimento forçado” levou a um acúmulo de células-tronco de melanócitos presas em seu local de armazenamento, deixando de produzir melanina. O pelo dos camundongos passou de marrom escuro a grisalho.
Embora o estudo tenha sido conduzido com roedores, os pesquisadores dizem que suas descobertas devem ser relevantes para como o cabelo humano ganha e perde sua cor. Além do mais, eles esperam que suas descobertas possam ser um passo para prevenir ou reverter o processo de envelhecimento.
Melissa Harris, bióloga da Universidade do Alabama em Birmingham, que não participou do estudo, disse que as descobertas ajudam a “confirmar” evidências anteriores que ela viu sugerindo que “nem todas as células-tronco de melanócitos são criadas iguais e, mesmo que ainda restem algumas acabou, eles podem não ser úteis.”
Harris disse que considera as descobertas do estudo sobre o “envelhecimento forçado” do pelo de camundongo “talvez com um pouco de cautela”, já que um pelo arrancado pode não se comportar da mesma forma que um cabelo naturalmente envelhecido. Mas ela achou o estudo valioso, não apenas porque uma cura para cabelos grisalhos poderia ser um sucesso entre o público; os insights sobre o comportamento das células-tronco podem ajudar os pesquisadores a entender coisas como câncer e regeneração celular.
“Acho que às vezes as pessoas não dão valor ao cabelo”, disse ela, “mas, de certa forma, torna-se realmente muito fácil para nós ver as possíveis maneiras pelas quais o envelhecimento ou outras perturbações afetam nossos corpos”.
O Globo quinta, 20 de abril de 2023
LIBERTADORES: FLAMENGO VENCE ÑUBLENSE POR 2 A 0
Quem foi bem e quem foi mal na estreia de Jorge Sampaoli no comando do Flamengo
Time rubro-negro venceu o Ñublense por 2 a 0 no primeiro jogo do novo treinador
Por O Globo
20/04/2023 09h42 Atualizado há 42 minutos
O jogo entre Flamengo e Ñublense foi a estreia de Jorge SampaoliMAURO PIMENTEL / AFP
Na estreia do técnico Jorge Sampaoli, o Flamengo espantou a crise e venceu sem sustos o Ñublense por 2 a 0, no Maracanã, pela segunda rodada da Libertadores. Embora ainda não tenha o time titular definido, o treinador argentino fez alguns testes durante o confronto e ganhou algumas dores de cabeça na hora de escalar o rubro-negro para os jogos futuros.
Quem foi bem
Pedro marcou os dois gols da partida contra o Ñublense — Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
Pedro: Após revelar um incômodo ao começar o último jogo do Flamengo na reserva, Pedro mostrou ao novo treinador que briga por uma vaga entre os titulares. Durante a partida, ele incomodou na frente a ponto de ser o artilheiro da noite, com dois gols. Além dos tentos, tentou outras finalizações e deu passes para os companheiros na frente — chegou a dar assistência para Everton Ribeiro marcar, mas o lance foi invalidado pelo VAR.
Marinho: Reserva desde que chegou ao Flamengo, Marinho, que quase deixou o clube na última janela de transferência, aproveitou bem a chance que Sampaoli o concedeu. Embora tenha tido dificuldades para recuar e formar uma das linhas de marcação, foi muito participativo na frente pela direita e coroou a boa atuação com duas assistências.
Wesley: Apesar da pouca idade, o lateral-direito de 19 anos mostrou suas credenciais para disputar a vaga de titular com Varela e Matheuzinho. Em uma partida segura, Wesley entrou para segurar o lado direito da defesa e cumpriu bem seu papel taticamente.
Everton Ribeiro: Everton Ribeiro começou o primeiro jogo de Jorge Sampaoli no banco de reservas. Entrou na segunda etapa e apesar do pouco tempo conseguiu manter o nível do ataque rubro-negro, fez boas jogadas pelo lado direito e até balançou as redes com um bonito gol, mas foi anulado pelo VAR por uma falta no início da jogada.
Quem foi mal
Gabigol fez uma partida pouco inspirada no Maracanã — Foto: Alexandre Cassiano
Trio de defesa (Léo Pereira, David Luiz e Fabrício Bruno): Defensivamente, o Flamengo fez uma partida segura e o trio de zagueiros não comprometeu. David Luiz principalmente, que mesmo voltando de lesão, melhorou o nível de atuação em relação às últimas partidas. No entanto, os três ganharam o voto negativo pela saída de jogo. Quando o time joga com alas mais adiantados, é importante que os zagueiros sejam bons passadores. E eles não foram.
Everton Cebolinha: O atacante rubro-negro entrou em campo aos 16 minutos do segundo tempo com a função de dar mais gás ao ataque, mas não conseguiu emplacar muitas jogadas. Além disso, nas poucas oportunidades que teve, errou bastante nas decisões. Em um dos lances, recebeu a bola na ponta esquerda, tinha Gerson e Gabigol livres, mas preferiu arriscar um chute, que saiu sem direção.
Gabigol: Dupla de Pedro no ataque do Flamengo, Gabigol foi exigido em uma função diferente da que atuou contra o Coritiba, no Brasileirão. Jogando mais como um segundo atacante, o ídolo rubro-negro criou poucas jogadas e fez uma partida pouco inspirada. Ele chegou a melhorar no segundo tempo, mas nada que mudasse seu destaque negativo.
O Globo quarta, 19 de abril de 2023
REI CHARLES III: SAIBA QUAIS SÃO OS 14 PAÍSES EM QUE O MONARCA BRITÂNICO SERÁ CHEFE DE ESTADO
Rei Charles III: Saiba quais são os 14 países em que o monarca britânico será chefe de Estado
Monarca britânico será coroado na Abadia de Westminster em 6 de maio, tornando-se oficialmente rei do Reino Unido e de outros países que integraram a Comunidade Britânica, conjunto de antigas colônias
Por O Globo
19/04/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
Príncipe Charles, do Reino Unido, durante visita a evento em Wadebridge, no sudoeste da InglaterraHUGH HASTINGS/AFP
Quando for coroado na Abadia de Westminster, em 6 de maio, o rei Charles III não estará assumindo apenas o trono britânico. O sucessor da rainha Elizabeth II herdará também a responsabilidade de ser chefe de Estado de outros 14 países (veja a lista ao fim da matéria).
Charles III vai reinar em antigos territórios do Império britânico, que conquistaram a independência, mas optaram por manter o monarca britânico como chefe de Estado. São eles: Austrália, Antígua e Barbuda, Bahamas, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Nova Zelândia, Ilhas Salomão e Tuvalu.
Pouco antes da morte de Elizabeth II, a lista de países era um pouco maior. Em novembro de 2021, Barbados, o pequeno país caribenho, rompeu com a monarquia britânica e tornou-se uma república. Na época, não houve resistência por parte da coroa — a rainha chegou a escrever uma mensagem a primeira presidente eleita, Sandra Mason, e deu os "parabéns" aos cidadãos do país.
Veja fotos das joias que serão usadas na coroação de Charles III
6 fotos
Coroação irá acontecer em maio de 2023, conforme anunciado por família real
Ainda que seja soberano, na prática, a função do monarca britânico nestes países fica restrita à participação em cerimoniais e outras formalidades, como a entrega de títulos de nobreza e a recepção a governantes estrangeiros.
Os países que ainda são chefiados pelo reinado também fazem parte de um grupo mais amplo, de 56 países das Américas, África, Ásia, Europa e Pacífico, a Comunidade Britânica. O conjunto de antigas colônias britânicas mantêm relações de cooperação, em torno de valores comuns, como a democracia e os direitos humanos.
Em que países Charles III será o chefe de Estado?
Austrália
Antígua e Barbuda
Bahamas
Belize
Canadá
Granada
Jamaica
Papua Nova Guiné
São Cristóvão e Nevis
Santa Lúcia
São Vicente e Granadinas
Nova Zelândia
Ilhas Salomão
Tuvalu
O Globo terça, 18 de abril de 2023
SAÚDE: POR QUE ANDAR CURA (QUASE) TUDO
Por que andar cura (quase) tudo
Novos ensaios clínicos e experimentos comprovam que caminhar traz inúmeros benefícios físicos e mentais, mesmo quando as caminhadas são curtas
Por Karelia Vázquez, El País
18/04/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
Caminhada de 8 mil passos ao menos uma vez na semana reduz risco de morte, diz estudoAna Branco / Agência O Globo
No século XXI, andar por aí começou a ser visto como algo positivo. Questionado sobre os benefícios de vagar sem rumo, o neurocientista Bruno Ribeiro, professor do Departamento de Anatomia Humana e Psicobiologia da Universidade de Múrcia,na Espanha, lista as boas razões que temos para andar por 20 a 30 minutos todos os dias.
— A caminhada tem dois aspectos, quando você a faz por lugares familiares e quando você passa por lugares novos. Se você caminhar por lugares que já conhece, os primeiros efeitos positivos são os da ativação cardiovascular: quem mexe as pernas, mexe o coração. Enquanto você caminha, você vira a cabeça: o campo visual muda e há estímulos visuais à direita e à esquerda. Desta forma, ambos os hemisférios cerebrais são ativados, a caminhada faz com que eles conversem entre si. Este é um exercício magnífico, porque no cérebro um hemisfério tende a dominar o outro.
Ribeiro explica que se for feito conscientemente "estando aqui e agora", a caminhada torna-se um ato meditativo.
— Para isso, você tem que se abstrair dos pensamentos do passado e do futuro e se concentrar no presente. É muito difícil, mas se conseguir, a caminhada terá todos os benefícios de uma meditação. Às vezes, as pessoas que têm dificuldade em fazer uma meditação clássica podem fazê-la durante uma caminhada.
Ainda mais coisas acontecem no cérebro quando caminhamos por lugares desconhecidos, segundo Ribeiro, como a liberação de dopamina, um neurotransmissor que marca a novidade no cérebro e serve para identificar o perigo ou para prestar atenção. Uma boa ingestão diária de dopamina aumentará outro neurotransmissor, a serotonina, responsável pelo humor. A caminhada ajuda a manter ambos os neurotransmissores em níveis elevados.
Os flâneurs,românticos caminhantes parisienses, foram identificados por Charles Baudelaire como "observadores diletantes da vida urbana". A princípio eram considerados pessoas preguiçosas, sem ofício ou proveito, homens de pouco lucro, dedicados a perder tempo. O Grande Dicionário Universal Larousse do século XIX de 1872 os descreveu de forma ambivalente, inquietos e preguiçosos em partes iguais. Mas nessa época também começaram a aparecer os defensores da arte de caminhar. O escritor e crítico literário Charles A. Sainte Beuve escreveu que flânerie era "o oposto de não fazer nada". E Balzac, aquela errância era "gastronomia para os olhos".
O que se sabe hoje sobre os benefícios da caminhada? Vários ensaios clínicos e experimentos mostraram que a divagação mental de quem caminha estimula a criatividade. A explicação é que, como não é necessário nenhum esforço consciente para caminhar, a atenção é liberada, ela se abre para novas imagens e associações, e a mente mistura tudo. É precisamente o estado perfeito para inovar. Isso foi verificado por dois professores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Marily Oppezzo e Daniel Schwartz, em uma série de estudos em 2014 que mediram como caminhar mudava os níveis de criatividade a cada momento. Nos quatro experimentos, 176 alunos tiveram que completar várias tarefas de pensamento criativo enquanto estavam sentados, andando em uma esteira ou andando pelo campus. Em um dos testes, eles tiveram que encontrar usos atípicos para objetos do cotidiano, como um botão ou um pneu. O que eles descobriram foi que, quando os alunos caminhavam, descobriram até seis vezes mais usos para esses objetos do que quando faziam o teste sentados. Porém, nos testes que exigiam uma resposta única e precisa, mais erros foram cometidos quando o grupo caminhava. Os pesquisadores concluíram que deixar a mente à deriva em um mar de pensamentos era bom para criar, mas não para encontrar uma solução única para um problema.
Onde andamos também importa. Caminhar por uma floresta não é o mesmo que caminhar por uma cidade. Um estudo da Universidade da Carolina do Sul,nos Estados Unidos, liderado pelo professor Marc Berman, descobriu que os alunos que caminharam por um bosque tiveram melhor desempenho em um teste de memória do que aqueles que caminharam pela cidade. Há poucas, mas consistentes pesquisas, que sugerem que vagar por espaços verdes pode redefinir recursos mentais que são rapidamente esgotados em ambientes urbanos construídos pelo homem. O argumento de seus autores é que a atenção é um recurso limitado que se esgota ao longo do dia. Uma esquina movimentada com barulho de trânsito, luzes e outdoors consumiria rapidamente nossa atenção, enquanto em uma caminhada pela natureza, em um ambiente sem grandes estímulos, a mente poderia vagar de uma experiência sensorial para outra e descansar.
As pessoas que esquecem as coisas com frequência também podem melhorar sua memória com uma curta caminhada rápida, mas, neste caso, a chave está na palavra rápida. Segundo Rong Zhang, professor de Neurologia do Peter O'Donnell Jr. Brain Institute da UT Southwestern, em Dallas, nos Estados Unidos, para melhorar o fluxo sanguíneo no cérebro devemos aumentar a frequência cardíaca durante a caminhada. Isso significa sentir alguma falta de ar e dificuldade para manter uma conversa. Em seu trabalho, um grupo de pessoas de meia-idade e idosos melhorou a memória e a função cognitiva caminhando por meia hora cinco dias por semana. Um ano depois, um estudo de acompanhamento corroborou esses resultados. Ambos os artigos sugerem que você precisa manter esses níveis de atividade por pelo menos um ano para começar a notar melhorias na memória e na cognição.
E se você é daqueles que fica preso em loops de pensamentos ruminantes, caminhar também é para você. Uma curta caminhada será suficiente para mudar o foco da obsessão. Em 2020, um estudo publicado no The Journal of Environmental Psychology mostrou que caminhar por 30 minutos era suficiente para quebrar uma espiral obsessiva de pensamento negativo. "A caminhada interrompe o ciclo e nos tira do loop do pensamento, seja porque a paisagem redireciona nossa atenção ou porque o exercício físico exige uma certa concentração", escreveram os autores.
Para obter benefícios cardiovasculares e proteção contra alguns tumores e doenças crônicas, as caminhadas não precisam ser muito longas. De acordo com os resultados recentemente publicados pelo British Journal of Sports Medicine, 75 minutos de atividade física moderada por semana, metade da recomendação clássica da Organização Mundial da Saúde (OMS), seriam suficientes para prevenir uma em cada 10 mortes prematuras. Depois de revisar 196 estudos envolvendo 30 milhões de pessoas, os pesquisadores descobriram que o exercício moderado versus não fazer nada reduziu a probabilidade de morte prematura por qualquer causa em mais de 30%, a mortalidade por doenças cardiovasculares em 29% e as mortes por câncer em 15%.
Outro estudo realizado em 11 centros de atenção primária na Espanha analisou o mínimo necessário para se beneficiar do exercício físico moderado e concluiu que 50 minutos por semana de caminhada em bom ritmo reduz a mortalidade em 30%. A importância dessa descoberta é que, para pessoas sedentárias há anos, os benefícios começam a ser sentidos com pequenos aumentos na atividade física. Se os 150 minutos recomendados não forem alcançados, caminhar 50 minutos por semana em um bom ritmo começaria a mudar a situação. Não há limite mínimo para obter benefícios, você sempre ganha caminhando.
O filósofo francês Frédéric Gross, autor do ensaio "Caminhar, uma filosofia", também acredita que para pensar bem é preciso levantar da cadeira e caminhar. "Para pensar livremente você tem que fazê-lo ao ar livre, leve, como o caminhante", escreve ele. Em seu livro ele narra as caminhadas, mais que amortizadas, de grandes pensadores como Nietzsche, Rousseau ou Montaigne. E não é que pensamos pior quando estamos inativos, mas ideias estáticas geralmente nos ocorrem. "As ideias vêm até você precisamente porque você não as procura", diz ele. Gross recomenda fazer anotações durante as caminhadas, no caderno ou no telefone, porque são boas ideias, diz ele, mas leves e frágeis, fáceis de esquecer. E seria uma pena porque, se ouvirmos Nietzsche, "só têm valor os pensamentos que nos vêm à mente enquanto caminhamos".
O Globo segunda, 17 de abril de 2023
SAÚDE E BEM-ESTAR: MAIS DE 80% DAS ESCOVAS DE DENTES VENDIDAS NO BRASIL PODEM TRAZER DANOS À SAÚDE BUCAL, DIZ ANÁLISE DA USP
Mais de 80% das escovas de dente vendidas no Brasil podem trazer danos à saúde bucal, diz análise da USP
Formatos das cerdas não atendem às normas brasileiras dos produtos, identificou o estudo
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
17/04/2023 04h30 Atualizado há 8 horas
Maioria das escovas de dente vendidas no Brasil não são adequadas, diz estudo.Unsplash
A maioria das escovas de dente disponíveis no mercado brasileiro não atendem às características necessárias para uma escovação segura. É o que aponta uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Segundo o estudo, mais de 82% dos itens analisado têm cerdas - os filamentos de nylon presentes no topo da escova - que não atendem às normas brasileiras para esses produtos.
Em comunicado, Sônia Pestana, pesquisadora do Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal (CECOL), ligado à FSP-USP, e responsável pela pesquisa, explica que as cerdas “são afiadas quando deveriam ser arredondadas para não representar riscos à saúde dos usuários”.
O trabalho analisou 345 modelos de escovas compradas em 26 municípios de diversas regiões do Estado de São Paulo. Desse total, 285 (82,16%) foram consideradas inadequadas para uso. Sônia explica que as pontas incorretas das cerdas “produzem micro ferimentos na gengiva e desgastes no esmalte do dente, o que representa risco para a saúde e um descumprimento das normas vigentes”.
Ela destaca, porém, que é difícil o consumidor identificar o problema. “A olho nu, é praticamente impossível averiguar o acabamento das cerdas, e o consumidor acaba ficando à mercê da honestidade do fabricante”.
Por isso, a pesquisadora enfatiza a importância da atuação das instituições públicas e dos órgãos de defesa do consumidor para exigir o atendimento das normas e dos requisitos técnicos necessários.
O Globo domingo, 16 de abril de 2023
SENHAS CONTRA O ASSÉDIO SEXUAL: BARES DO RIO CRIAM CÓDIGOS PARA AJUDAR PESSOAS EM RISCO
Senhas contra o assédio sexual: bares do Rio criam códigos para ajudar pessoas em risco
Por Roberta de Souza — Rio de Janeiro
16/04/2023 07h38 Atualizado há 3 horas
Senhas contra o assédio sexual: bares do Rio criam códigos para ajudar pessoas em riscoBrenno Carvalho
“Cadê a Angela?” Essa é a pergunta que uma mulher fará no bar do Coltivi, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, se estiver em situação de risco dentro do estabelecimento. A frase, como informa um recado dentro do banheiro feminino, é a senha para indicar que algo não vai bem, numa estratégia que vem sendo adotada em bares, restaurantes e casa s noturnas — cada lugar com sua versão — para facilitar denúncias de assédio, violência ou importunação. A comunicação por código ganhou popularidade após a promulgação de uma lei estadual, em 2019, que obriga estabelecimentos a prestarem auxílio para mulheres que se sintam em situação de risco.
Drinques fictícios
No Coltivi, o recado atrás da porta do banheiro diz: “Está em um encontro que está ficando estranho? Sente que não está em uma situação segura? Vá pelo bar e pergunte ‘Cadê a Angela’?”. A personagem fictícia foi importada de uma campanha contra assédio feita na Inglaterra, em 2016, que chegou ao conhecimento de Piero Colin, de 41 anos.
— Com essa era nova de encontros marcados por aplicativos, os riscos aumentaram — afirma o dono e fundador do Coltivi.
Yuri Evangelista, chefe do bar, lembra da única que vez em que uma mulher procurou pela “Angela”. Nervosa, a cliente utilizou o código e foi prontamente acolhida por Yuri, que a levou até o escritório do estabelecimento.
— Ela não quis entrar em detalhes, só disse estar nervosa e que só sairia quando o homem que a estava acompanhando deixasse o local. Eles tinham se conhecido em um aplicativo de relacionamento, e algo saiu do controle — conta Yuri.
A estudante de psicologia Maria Eduarda Lopes Cavaleiro, de 19 anos, já esteve em um encontro onde se sentiu “desconfortável” e “invadida”. E lamenta não ter um recurso como esse na época.
— Meu limite foi desrespeitado por esse rapaz, e fiquei sem reação. Acredito que, se essa ideia já estivesse em prática, teria sido bem útil, pois, após a primeira situação desconfortável, eu conseguiria ir embora. Na época, fiquei até o fim — lembra Maria.
No Rio de Janeiro, esse mecanismo de defesa inspirou a lei estadual 8.378, da deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), que estabelece que bares, casas noturnas e restaurantes são obrigados a adotar medidas para auxiliar mulheres em situação de risco nas dependências desses estabelecimentos.
A lei diz que a informação sobre o socorro disponível deve ser exposta em “cartazes fixados nos banheiros femininos ou em qualquer ambiente do local”. Também é obrigação do estabelecimento treinar e capacitar os seus funcionários para a aplicação das medidas previstas.
Sérgio Pires e Gustavo Paiva, empresários à frente do restaurante Bora!, em Campo Grande, na Zona Oeste, não conheciam a lei quando adotaram a tática do recado personalizado no banheiro feminino. Por lá, um cartaz orienta a cliente a ir até o bar e pedir o drinque “Bora Fora”.
— Se chegou ao nível de pedir ajuda, é porque a situação está muito fora da normalidade, é de perigo. Então, precisamos estar preparados para uma possível ocorrência — conta Pires.
No Zazá Bistrô, em Ipanema, a preocupação com a proteção das mulheres está presente desde o início. As donas, Zaza Piereck, de 54 anos, e Preta Moyses, de 46, mesmo antes da implementação da lei, já tinham um “drinque” indicado no banheiro como código para situações de risco.
— Como nunca tivemos nenhum caso, resolvi trocar o drinque por um recado mais claro. Fiquei com medo de não procurarem ajuda por algum mal-entendido — explica Zazá, que adotou um cartaz padrão do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro.
Para a delegada de Polícia Monica Silva Areal, a iniciativa pode salvar vidas.
— É muito comum ouvir o relato de mulheres que ficaram em situações desconfortáveis em encontros e não souberam como sair. Esse recado no banheiro pode salvar uma vida — garante.
O Globo sábado, 15 de abril de 2023
APÊNDICE, AMÍGDALAS E VESÍCULA: OS ÓRGÃOS SEM OS QUAIS PODEMOS VIVER
Apêndice, amígdalas e vesícula: os órgãos sem os quais podemos viver
A retirada destes órgãos não coloca em risco nossa saúde nem impacta o funcionamento do organismo; no entanto, existem outros sem os quais não podemos viver
Por O GLOBO — São Paulo
14/04/2023 13h57 Atualizado há 14 horas
Amígdalas. Foto: FreepikFreepik
O corpo humano possui 78 órgãos. Embora alguns, como o coração e o cérebro, sejam completamente vitais, existem outros que não são totalmente fundamentais e sem os quais podemos viver sem. Alguns exemplos são o apêndice, as amígdalas e a vesícula. Confira abaixo a lista de órgão, compilada pelo site especializado IFL Science, sem os quais podemos viver e por que.
Apêndice
O apêndice é uma bolsa com formato de tubo que fica localizado na região inferior direita da barriga. Em 2007 cientistas da Universidade Duke, nos EUA, descobriram que a função do apêndice é fabricar e servir como depósito de bactérias que auxiliam na digestão. Além disso, ele também possui células linfoides, que produzem anticorpos e ajudam nas defesas do organismo.
Entretanto, se a inflamação do órgão, conhecida como apendicite é uma emergência médica e demanda sua retirada. A bota notícia é que o apêndice definitivamente se enquadra na categoria de órgãos que podemos perder, então o tratamento usual para a apendicite é simplesmente retirá-lo.
Amígdalas (e adenoides)
As amígdalas estão localizadas na faringe. Elas desempenham um papel no sistema imunológico. Entretanto, em pessoas com amigdalite recorrente, ou seja, quando há inflamação constante do órgão, a decisão médica muitas vezes envolve a remoção das amígdalas. Em geral, a cirurgia envolve também a remoção das adenoides, uma área relacionada de tecido na parte de trás do nariz que podem causar problemas respiratórios durante o sono.
Embora haja uma discussão médica sobre a possibilidade da retirada das amígdalas dificultarem o combate a infecções, geralmente, elas são considerados outro tecido sem o qual podemos viver sem maiores complicações.
Rins e fígado
É verdade que não podemos viver sem o fígado. Por outro lado, a remoção de parte do órgão é perfeitamente possível sem riscos à saúde. O lobo esquerdo em crianças e o lobo direito em adultos podem ser doados para outras pessoas sem danos ao paciente.
O rim é outro órgão que pode ser doado de uma pessoa para outra em vida. Embora não possamos viver sem os rins, é perfeitamente possível viver com apenas um rim. Embora nenhuma cirurgia seja isenta de riscos, muitos doadores vivos não experimentam efeitos nocivos duradouros.
Vesícula biliar
Assim como apêndice, a vesícula biliar está localizada no abdômen. Esse órgão é responsável pelo armazenamento da bile que o fígado precisa para funcionar. Mas a boa notícia é que o sistema digestivo pode funcionar sem ele. A retirada do órgão é recomendada mediante o diagnóstico de cálculos biliares, um condição dolorosa.
Órgãos reprodutores
É definitivamente possível sobreviver sem os órgãos reprodutivos masculinos ou femininos. Entretanto, sua remoção não é isenta de efeitos para o corpo. Por exemplo, a retirada do útero não permite que a mulher engravide. Já a remoção dos ovários implica em uma menopausa imediata.
Nos homens, a remoção de apenas um testículo não altera a função sexual e a fertilidade. Já a remoção de ambos, sim. Portanto, viver sem esses órgãos é possível, mas dependendo do caso pode implicar em tratamentos adicionais para combater os "efeitos colaterais" dessa ação.
O Globo sexta, 14 de abril de 2023
DIA MUNDIAL DO CAFÉ: SETE TRUQUES PARA FAZER O CAFEZINHO PERFEITO
Dia Mundial do Café: sete truques para fazer o cafezinho perfeito
Qual a temperatura correta da água? O que é melhor, filtro de papel ou coador de pano? Especialista tira estas e outras dúvidas e dá dicas para deixar a bebida mais saborosa
14/04/2023 04h31 Atualizado há uma hora
Dia Mundial do Café: Como fazer o cafezinho perfeitoArquivo
Hoje é celebrada uma paixão comum nos quatro cantos do mundo: o café. Mas, quando o assunto é a bebida, não faltam dúvidas sobre a melhor forma de prepará-lo. Água fervendo? Colocar o pó do café direto no filtro? O barista Joshua Stavens, fundador da rede Café Cultura, dá dicas de como melhorar o café do dia a dia. Confira:
Sete truques para aprimorar o cafezinho do dia a dia:
Qual é melhor, filtro de papel ou coador de pano? O de papel. O coador de pano é mais difícil de limpar e fica com resíduos de cafés velhos, o que interfere no sabor final.
E se só tiver pano? Nesse caso, lave-o todo dia após o uso, com água e sabão. Após a lavagem, deixe-o no freezer, para não ter risco de mofar. O filtro de pano deve ser substituído todo mês.
Temperatura ideal da água: Jogar a água fervendo direto no pó de café deixa deixa a bebida mais amarga. Por isso, o ideal é que ela esteja entre 94º e 96ºC. Mas não é preciso recorrer a um termômetro: depois que levantar fervura, é só esperar um minutinho antes de passar o café.
Escaldar o filtro: Quando a água ferver, jogar um pouco no filtro de papel antes de colocar o pó, para que o gosto do papel não interfira no sabor. Também é bom passar uma água no coador de pano.
Umedecer o pó: Não coloque toda a água de uma vez. A dica é, no início, apenas molhar um pouco o pó e esperar por 30 segundos. Isso faz com que o sabor fique mais apurado. Em seguida, colocar o restante da água.
Pode mexer o café depois de colocar a água no filtro? É melhor não, pois o sabor fica mais uniforme. Mas se não conseguir resistir, mexa apenas uma vez.
E fazer o café cawboy, em que o café é colocado dentro da panela de água fervendo? O hábito é comum, mas, segundo o barista, este método reforça componentes do café que o deixam mais amargo.
XILAZINA: EUA DECLARAM REMÉDIO USADO COMO DROGA UMA *AMEAÇA* PARA O PAÍS
Xilazina: EUA declaram remédio usado como droga uma 'ameaça' para o país
Sedativo e analgésico de uso veterinário pode diminuir a respiração e os batimentos cardíacos das pessoas a níveis perigosos
Por AFP
12/04/2023 18h23 Atualizado há 15 horas
Mulher mistura cocaína e xilazina para usar como drogaHilary Swift/The New York Times
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira que designou a xilazina, também conhecida como "droga zumbi", como uma "ameaça emergente", para conseguir liberar fundos para combater esta substância que causa estragos no país.
— Esta é a primeira vez na história de nossa nação que uma substância foi designada como uma ameaça emergente — afirmou Rahul Gupta, diretor do escritório da Casa Branca encarregado do combate às drogas, em entrevista coletiva.
A xilazina, autorizada como sedativo e analgésico veterinário desde 1972 pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, é aprovada apenas para uso em animais. Seu consumo pode diminuir a respiração e os batimentos cardíacos das pessoas a níveis perigosos e causar infecções que podem levar à amputação de membros.
Entre 2020 e 2021, a detecção de xilazina pela agência antidrogas (DEA) dos EUA aumentou quase 200% no sul do país e mais de 100% no oeste.
A designação como uma ameaça emergente permitirá que os fundos solicitados pelo presidente Joe Biden ao Congresso sejam usados para o orçamento de 2024, disse Gupta.
— Precisamos do apoio do Congresso — implorou, para não ter que desviar dinheiro destinado a outras causas. — Não é um problema dos estados democratas ou republicanos, é um problema dos Estados Unidos — insistiu.
O governo é obrigado, em até três meses após a designação, a apresentar um plano de ação ao Congresso, que abordará diversas áreas: mais testes para detectar a droga e análises para entender melhor de onde ela vem, a fim de combater sua presença crescente no mercado ilegal.
A pesquisa médica é outra prioridade.
— Reuniremos especialistas nacionais neste campo para (...) identificar as abordagens mais promissoras para a estabilização clínica, gestão de abstinência e protocolos de tratamento — detalhou Rahul Gupta.
Além disso, "precisamos de um antídoto", acrescentou. A naloxona, aprovada pelo FDA no final de março, é usada para reanimar uma pessoa que sofreu uma overdose de opioides, como o fentanil, mas não é eficaz contra a xilazina.
Fentanil e xilazina, ambos sintéticos, são frequentemente tomados juntos, de acordo com o DEA.
Em fevereiro, as autoridades de saúde dos Estados Unidos emitiram um "alerta de importação" para controlar melhor o fornecimento de xilazina e garantir que seja destinada ao uso veterinário.
O Globo quarta, 12 de abril de 2023
SELEÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE FUTEBOL: VITÓRIA DO BRASIL SOBRE A ALEMANHA DÁ ÂNIMO EXTRA
Análise: Vitória do Brasil sobre a Alemanha dá ânimo extra em último teste antes da Copa do Mundo
Seleção vence as vice-campeãs europeias por 2 a 1, em Nuremberg, comprova evolução e mostra que pode mirar mais alto no Mundial
Por Tatiana Furtado
11/04/2023 14h59 Atualizado há 17 horas
Tamires comemora o primeiro gol do Brasil sobre a AlemanhaChristof STACHE / AFP
A exatos 100 dias do início da Copa do Mundo feminina, na Austrália e na Nova Zelândia, o Brasil deu motivos para se acreditar numa vida mais longa no Mundial. No último grande teste do ciclo, a boa vitória sobre a Alemanha por 2 a 1, nesta terça-feira, em Nuremberg, foi tão convincente quanto o empate diante da Inglaterra, na última quinta-feira, na Finalíssima, em Wembley — derrota nos pênaltis.
As duas atuações comprovam a evolução da seleção de Pia Sundhage no melhor momento possível. A três meses da Copa, a equipe encerrou um ciclo de sete jogos diante grandes times que estarão no Mundial. Foram três jogos diante do Canadá, atual campeã olímpica, além dos confrontos diante dos Estados Unidos (atual campeão mundial), Japão (forte seleção asiática), Inglaterra (campeã europeia) e a Alemanha (vice na Eurocopa).
Em julho, às vésperas da competição, ainda haverá tempo para amistosos, porém com adversárias de menor expressão — a CBF ainda não divulgou os possíveis confrontos. Fato é que o time ganhou confiança para enfrentar o grupo em que a França é tida como favorita. As francesas, no entanto, estão em momento complicado. Recentemente, houve saída em massa de jogadoras experientes que não concordavam com o trabalho da comissão técnica. A federação trocou o treinador — Hervé Renard, ex-Arábia Saudita — e as atletas reviram a decisão.
— Se olharmos para trás, jogamos com Japão, Canadá, Estados Unidos... Nós ganhamos confiança em muitas situações nos jogos — disse a técnica Pia Sundhage.
O acerto do time brasileiro é fundamental justamente para poder enfrentar a França em pé de igualdade, no dia 29 de julho, em Brisbane. O jogo, ao que tudo indica, decidirá o primeiro lugar do Grupo F, que ainda conta com Panamá e Jamaica. Único jeito de escapar da própria Alemanha, já nas oitavas de final — as alemãs são amplamente favoritas no Grupo H, com Colômbia, Coreia do Sul e Marrocos. Por mais animadora que seja a vitória brasileira desta terça-feira, as bicampeãs mundiais continuam com o favoritismo.
Ainda há outras boas notícias dessa data Fifa. Pia conseguiu mostrar um padrão de jogo e variações táticas de acordo com a adversária. Contra a Inglaterra, no primeiro tempo, por exemplo, optou por uma linha defensiva mais forte e conseguiu segurar o ímpeto das inglesas; no segundo, saiu para o jogo e alcançou o merecido empate.
Evolução técnica e tática
Diante da Alemanha, pressionou na marcação e teve as melhores oportunidades da partida. Os gols de Tamires, que aproveitou a confusão entre a goleira e a zagueira para pegar o rebote, e de Ary Borges, que acertou no gol um cruzamento da linha de fundo, ambos no primeiro tempo, não foram frutos do acaso. Foi um time que propôs o jogo, mostrou ritmo e capacidade física para recompor a marcação, mas ainda há que melhorar nessa transição. A desatenção nos acréscimos, quando saiu o gol de Jule Brand após rebote, é outro ponto a ser observado. Contra gigantes do futebol, a concentração deve ser 100% o tempo todo, como sempre cobra a técnica sueca.
— Saímos com pensamento positivo de que chegamos fortes para a Copa do Mundo. Ganhar de uma seleção como a alemã faz com que as pessoas voltem a olhar para o Brasil com um respeito muito maior — afirmou Ary Borges, autora do segundo gol.
Além disso, Pia, que não tem muitas dúvidas para a lista final, não pôde contar com nomes importantes que se recuperam de lesão. Marta, Debinha e Angelina, por exemplo, foram desfalques importantes, que podem acrescentar muito mais ao jogo brasileiro.
O Globo terça, 11 de abril de 2023
DROGAS EM MALAS TROCADAS: O QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA TER SUA BAGAGEM PROTEGIDA
Drogas em malas trocadas: o que você precisa saber para ter sua bagagem protegida de golpes nos aeroportos
Cuidados devem começar no momento de preparação da mala
Por O Globo — Rio de Janeiro
11/04/2023 05h02 Atualizado há uma hora
Malas foram trocadas no Aeroporto de Guarulhos por grupo criminoso que enviou 40 quilos de cocaína para a AlemanhaReprodução/TV Globo
O caso das duas brasileiras presas com drogas na Alemanha após terem suas malas trocadas no Aeroporto de Guarulhos levantou preocupações entre passageiros quanto a segurança de suas bagagens em viagens aéreas. Em entrevista ao GLOBO, o consultor de segurança da Inteligência em Segurança da Aviação Civil (InAVSEC) Jefferson Barbosa apresentou uma série de medidas que podem ser tomadas pelos passageiros que desejam reforçar a segurança das suas malas.
Segundo o delegado Bruno Gama, "a PF conseguiu comprovar que aquelas passageiras são inocentes. Indicando quem seriam realmente os culpados do fato do crime ocorrido". A declaração foi dada ao Fantástico. Apesar disso, as duas seguem presas preventivamente em Frankfurt, aguardando uma série de documentos relativos ao inquérito chegar nas mãos da Justiça alemã.
Conforme consta no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), "o operador aéreo deve garantir a proteção da bagagem despachada desde o momento de sua aceitação até o momento em que é devolvida ao passageiro no destino ou transferida para outro operador aéreo".
"O operador aéreo deve assegurar, em coordenação com o operador do aeródromo, que o acesso às bagagens despachadas, às suas áreas de consolidação e aos seus pontos de transferência mantenha-se restrito ao pessoal autorizado e credenciado, e impedir que qualquer bagagem seja violada com a intenção de estar sujeita à introdução de materiais passíveis de serem utilizados para atos de interferência ilícita", segue o documento.
Frente a casos comoo de Jeanne e Kátyna, o que os passageiros devem fazer para "reforçar" a segurança das suas bagagens? Ao GLOBO, Barbosa disse que os cuidados com a segurança começam na hora da preparação da mala, em casa ou no hotel.
— A aviação no geral tem um nível de segurança bem elevado. Porém, temos o ser humano que trabalha nessas operações, e ele pode fazer as coisas positiva ou negativamente. Pensando nisso, nós, enquanto usuários, temos que redobrar a nossa atenção. É preciso tomar algumas medidas — afirmou o especialista.
Passo a passo de uma mala segura
Sempre optar por uma bagagem que não seja de grife, que não chame atenção pela marca ou pelo valor elevado, o que pode ser motivo de violações e furtos.
Organizar os pertences dentro da bagagem. Tudo que for importante ou tiver um valor elevado deve ser escondido no fundo da mala, o que pode evitar o sumiço desses itens em caso de furto.
É bom tirar fotos dos itens organizados no interior da mala antes de fechá-la. Assim, caso mexam nela (tirem ou coloquem itens), as fotos comprovam como ela estava antes.
Coloque, na parte externa da bagagem, alguma coisa que caracterize que ela é sua: um adesivo, uma fita, um cartão e etc. Dessa maneira, ela será mais facilmente identificada, o que evita que alguém a pegue e facilita caso seja extraviada.
Em todo o trajeto, de casa até o momento da mala ser despachada, nunca abandoná-la ou deixá-la “desassistida”.
O cadeado é importante. Há bagagens, no entanto, que podem ser abertas e depois fechadas novamente, mesmo com cadeado. Uma maneira de dificultar essa violação é envolver a mala em plásticos ou com uma capa de segurança.
Na hora de despachar a bagagem, você deve registrar o peso que ela tem. Caso coloquem algo dentro dela, você pode descobrir sem nem mesmo abri-la.
Quando tiver conexão, sempre confira se suas bagagens foram violadas — caso você tenha acesso a elas nesse momento.
Repita essa ação no momento de pegar as bagagens na esteira do destino final. Se ela tiver sido revirada, trocada ou se tiver algo que não é seu dentro, você deve chamar algum funcionário da empresa ou um agente policial e avisá-lo da questão.
Modelos mais recomendados de mala e cadeado
Segundo Barbosa, o investimento em uma bagagem "diferenciada" é um custo que pode ser evitado. O especialista pontua que o modelo mais recomendado de mala, falando em segurança, é aquele em que os zíperes podem ser "unidos" com um lacre ou um cadeado que, preso a outra extremidade do item, impede que os zíperes "corram de um lado para o outro". Assim, a violação do zíper com o uso de uma simples caneta, por exemplo, que pode abri-lo e fechá-lo logo em seguida, é dificultada. Veja abaixo um exemplo disso:
Nessa foto, temos um exemplo de uma mala que está lacrada da maneira explicada pelo especialista — Foto: Arquivo pessoal Jefferson Barbosa
Para viagens internacionais, o especialista recomenda o uso do cadeado-padrão da Administração para a Segurança dos Transportes dos Estados Unidos (TSA, em sigla em inglês). As autoridades internacionais têm a chave mestra para abrir esse tipo de cadeado, o que garante que, caso elas precisem acessar as bagagens (um procedimento muito comum), elas não serão danificadas. Eles geralmente vêm acoplados nas malas.
Nos EUA, quando a TSA abre uma bagagem, ela deixa um bilhete oficial dentro dela, sinalizando o procedimento que foi realizado e garantindo a transparência do sistema de segurança.
Barbosa acrescenta que atualmente existe um sistema de rastreamento que pode ser colocado em diversos itens, inclusive nas bagagens, que podem ser monitoradas por um aplicativo de celular. Dessa maneira, o passageiro não fica "refém" do rastreamento da companhia aérea e pode, ele mesmo, fazer o seu próprio.
"A Polícia Federal investiga o caso e no decorrer das investigações, caso seja verificada alguma possibilidade de melhoria dos regulamentos da ANAC e/ou de procedimentos, essas sugestões serão encaminhadas pelo órgão de segurança e analisados pela equipe técnica responsável", afirma a Agência.
A ANAC reforça que a companhia aérea é responsável pela mala desde o momento em que é despachada até o seu recebimento pelo passageiro.
"Adicionalmente, os aeroportos que possuem Plano de Segurança Aeroportuária aprovado, como no caso de Guarulhos, são constantemente fiscalizados, inspecionados e testados com vistas a verificar a eficácia dos mecanismos de segurança atualmente implementados. Sempre que constatadas não conformidades, a Agência toma as providências cabíveis aos casos concretos, visando sempre garantir a segurança dos passageiros", explica a Agência ao GLOBO.
No Galeão, há seis anos, outro caso semelhante envolvendo funcionários de companhias aéreas
O Globo segunda, 10 de abril de 2023
CAMPEONATOS ESTADUAIS 2023: VEJA TODOS OS CAMPEÕES PELO PAÍS
Fluminense, Palmeiras, Athletico: Veja todos os campeões estaduais pelo país
Ao todo, oito clubes que disputam a Série A conquistaram o título de seu Estado
Por O Globo
10/04/2023 08h06 Atualizado há 2 horas
Campeonato Carioca - Final - Fluminense x Flamengo.Foto Guito Moreto
Após um intenso final de semana, diversas equipes conquistaram o título de seus respectivos campeonatos estaduais. Fluminense e Palmeiras, que perderam o primeiro jogo da decisão, revertaram os placares e conquistaram o Carioca e o Paulista, na devida ordem. Grêmio, Atlético-MG e Athletico também se sagraram campeões. Ao todo, oito equipes que disputam a Série A do Brasileirão começaram o ano com um troféu.
Veja a lista de campeões estaduais de 2023
Alagoano: CRB
Baiano: Bahia
Cearense: Fortaleza
Goiano: Atlético-GO
Maranhense: Maranhão
Mato-Grossense: Cuiabá
Mineiro: Atlético-MG
Paraibano: Treze
Paranaense: Athletico-PR
Carioca: Fluminense
Gaúcho: Grêmio
Catarinense: Criciúma
Paulista: Palmeiras
Tocantinense: Tocantinópolis
Estaduais sem definição
Acreano: Ainda está na primeira fase
Amazonense: Manauara e Amazonas se enfrentam na final
Amapaense: Terá início em maio
Brasiliense: Brasiliense e Real se enfrentam na final
Capixaba: Nova Venécia e Real Noroeste se enfrentem na final
Paraense: Ainda está nas quartas de final
Piauiense: Ríver e Fluminense se enfrentam na final
Pernambucano: Sport e Retrô se enfrentam na final
Potiguar: Ainda está na segunda fase
Rondoniense: Ainda está na semifinal
O Globo domingo, 09 de abril de 2023
AVIAÇÃO: HÉRCULES - AERONAVES DA FAB SERÃO DESATIVADAS ATÉ O FIM E 2024 E VIRAM ATRAÇÃO TURÍSTICA NO RIO
Hércules: Aeronaves da FAB, que serão desativadas até o fim de 2024, viram atração turística no Rio
Alguns dos aviões gigantes fogem do previsível destino de virar sucata e ganham sobrevida como peça de museu e até dentro de um hotel. Entre os admiradores do modelo, o clima já é de saudade
Por Geraldo Ribeiro — Rio de Janeiro
09/04/2023 06h00 Atualizado há 17 minutos
No Museu Aeroespacial (MUSAL) está exposto o Hércules C-130Fabio Rossi
Mesmo sem as asas, a carcaça de avião transportada sobre uma carreta parou o trânsito de duas pistas da Estrada do Galeão, na Ilha do Governador, no começo de março. A cena ilustra o fim de uma era: a dos Hércules C-130, gigantes da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). Em processo de aposentadoria, as aeronaves entraram para o imaginário da população por sua dimensão.
Agora, começam a construir uma nova história. O destino previsível para esse tipo de equipamento é virar sucata, mas alguns Hércules ganharam sobrevida: pelo menos um virou peça de museu, e outros três se tornaram atrações turísticas em Cantagalo, no interior do estado.
Despedida anunciada
Pelo cronograma da Aeronáutica, a desativação total da frota da FAB, que chegou a ter 29 desses aviões, deve ser concluída até o fim do ano que vem, com sua substituição por modernos KC-390, maiores e mais velozes, fabricados pela Embraer. Para admiradores do modelo, o clima já é de saudade.
Conheça o Hércules e outras raridades do Museu Aeroespacial
Localizado no Campo dos Afonsos, berço da aviação brasileira, museu guarda grandes relíquias
— O C-130 Hércules é uma aeronave excelente. Com um projeto básico de quase 70 anos, ainda é o rei. É um avião confiável, robusto, resistente e que suporta maus-tratos. Vai deixar saudades — lamenta Nelson During, editor do portal de notícias especializado DefesaNet.
Após a desativação completa da frota, para conhecer um Hércules basta visitar o Museu Aeroespacial. O espaço no Campo dos Afonsos, na Zona Oeste do Rio, já recebeu um exemplar, que está em exposição no acervo, ao lado de relíquias da aviação como as réplicas do 14-Bis e do Demoiselle, criações de Alberto Santos Dumont. A aeronave do museu tem prefixo FAB 2453 e foi incorporada à frota em 2014.
Outros desses enormes modelos, com quase 30 metros de comprimento e 40 de envergadura (da ponta de uma asa à outra), foram para Cantagalo. Na cidade, três dessas aeronaves arrematadas em leilão são as atrações principais do Hotel Fazenda Gamela Eco Resort, no Km 20 da RJ-160.
— As pessoas ficam encantadas. É o nosso diferencial. A principal curiosidade é saber como os aviões vieram parar aqui. Tem gente que acha que caíram e ficaram — conta o gerente-geral do estabelecimento, José Jorge da Silva Pinto, antes de explicar que, depois de arrematados, os três foram desmontados e levados em carretas da Base Aérea do Galeão até Cantagalo
Duas dessas aeronaves ficam numa área de acampamento, e os hóspedes podem dormir dentro delas. O amplo espaço interno já foi adaptado como boate e cenário para filme e luau. Uma das estrelas do Gamela Eco Resort chama atenção por um detalhe histórico: o FAB 2456, o primeiro a ser comprado pelo hotel, em 2016, teve participação importante no período da ditadura: em 6 de setembro de 1969, levou para o México 15 exilados trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por militantes que lutavam contra o governo militar. Aos 78 anos, o ex-deputado Vladimir Palmeira, um dos passageiros daquele voo, não guarda boas lembranças da viagem, mas aprovou a nova utilização do avião:
— Fico feliz de saber que está alegrando a criançada. Já cumpriu sua missão nos levando para o México.
Nesses tempos de polarização política, o Gamela prefere explorar apenas o charme do “Gordo”, apelido pelo qual o Hércules também se tornou conhecido. O terceiro modelo instalado no Gamela fica no alto de uma montanha, no meio da mata. Uma antiga rampa usada para saltos de paraquedas virou plataforma para os turistas se aventurarem na tirolesa que leva o nome do avião, chega a 152 metros de altura e tem 1.600 metros de extensão.
A carcaça do Hércules FAB 2474 que parou o trânsito na Ilha do Governador tinha sido leiloada em meados do ano passado. Na mesma ocasião, em outro lote estava o FAB 2466. Os valores de venda não foram informados, assim como a identidade de quem comprou. Mas, pelo site do leiloeiro, sabe-se que o lance mínimo para o primeiro foi de R$ 28.450, e a oferta do segundo partiu de R$ 30.800.
Sucata de alumínio
João Emílio, leiloeiro que fez as vendas, explica que é praxe passar a informação ao fabricante, que emite o end user (espécie de baixa) e dá orientações sobre cronograma de desmonte e padrão de corte, para que o avião não tenha mais condição de ser reutilizado em sua função original. Todos os componentes elétricos e eletrônicos são retirados, além do trem de pouso. Nem todos, diz o leiloeiro, têm o mesmo fim nobre dos que foram para o museu e o hotel fazenda:
—Muita gente compra com a finalidade de mandar a sucata de alumínio aeronáutico para o forno e, depois de derretida, transformá-la em lâminas para outros produtos.
A empresa americana Lockheed começou a fabricar os Hércules em 1954. Mais de 2.500 foram produzidos. A FAB iniciou o processo de desativação de nove aviões em 2016. Outros 12 se aposentaram há dois anos. A Aeronáutica informa que todas as unidades ainda em operação estão sediadas no Rio, mas não esclareceu quantas são.
O Globo sábado, 08 de abril de 2023
CAMPEONATOS ESTADUAIS DE FUTEBOL: FIM DE SEMANA TERÁ 12 CAMPEÕES
Fim de semana terá 12 campeões estaduais; veja curiosidades e marcas em disputa
Grêmio x Caxias e Ceará x Fortaleza são os destaques deste sábado; no domingo, finais de SP, Rio e Minas são os principais jogos
Por Redação do GLOBO — Rio de Janeiro
08/04/2023 02h00 Atualizado há 6 horas
O uruguaio Suárez é a atração da final do Gaúcho, entre Grêmio e CaxiasLucas Uebel/Grêmio
A uma semana do início do Brasileiro, o futebol nacional conhecerá uma boa parte dos seus campeões estaduais. Uma maratona de decisões que começou nas duas últimas semanas — com a definição dos títulos baiano (para o Bahia) e maranhense (para o Maranhão) — e que terá hoje e amanhã mais 12 equipes levantando a taça.
Mesmo não servindo como parâmetro para os títulos mais importantes da temporada, os Estaduais seguem valorizados pela rivalidade local. É o que motiva Grêmio e Fortaleza, hoje. Se o Caxias não representa um rival de peso, a chance de chegar a seis títulos consecutivos torna a vitória tão importante para a torcida tricolor, às 16h30. Seria a terceira vez na história que o clube conquistaria o hexacampeonato — e manteria viva a meta de alcançar a sequência de oito que só o Inter possui (entre 1969 e 1976).
— Título é título. Não importa se é no começo, no meio ou no fim do ano. Dá tranquilidade maior para os jogadores trabalharem. É sempre bom chegar nas duas competições nacionais conquistando o regional — afirmou o técnico gremista Renato Gaúcho.
12 Estaduais serão decididos neste fim de semana — Foto: Editoria de arte / O Globo
A conquista pode ficar marcada ainda por ser a primeira de Luis Suárez como capitão. O uruguaio, que já chegou no Grêmio sendo campeão da Recopa Gaúcha, não usava a braçadeira no primeiro título. Com a lesão de Kannemann, assumiu a função devido a sua liderança técnica e o bom relacionamento com o grupo.
No primeiro jogo, em Caxias do Sul, 1 a 1. Agora, o Grêmio conta com o fator casa para levar o hexa. Em caso de nova igualdade, a decisão será nos pênaltis.
Vantagem maior tem o Fortaleza, que faz uma final mergulhada na rivalidade. Se vencer ou empatar com o Ceará, às 16h, no Castelão, conquistará seu primeiro pentacampeonato cearense. Uma sequência só alcançada pelo rival nos primórdios do torneio (entre 1915 e 1919), o que só aumenta também a motivação do adversário para reverter a derrota por 2 a 1 no primeiro duelo.
— Creio que vai ser um espetáculo muito bonito, as duas torcidas vão fazer um grande show nas arquibancadas. E que nós, dentro de campo, possamos ter sabedoria para levar o clássico da melhor maneira. Vale um pentacampeonato. Todos nós sabemos que em 105 anos isso nunca aconteceu — comentou o meia Thiago Galhardo, do Fortaleza.
Como se a ameaça do penta do rival não fosse combustível suficiente, o Ceará ainda precisa evitar que o Fortaleza o ultrapasse como o maior colecionador de títulos estaduais. Com as últimas quatro conquistas, o Tricolor igualou o Vozão em 45 taças para cada um.
O único ponto a favor do Ceará na disputa de hoje é o aspecto físico. Enquanto pôde se preparar durante toda a semana, o Fortaleza estreou na Copa Sul-americana, na última quarta, diante do Palestino-CHI (goleada por 4 a 0, em casa).
— Para esse jogo, não vamos entrar como no primeiro. Entramos abaixo em relação aos outros clássicos. Agora, com todo mundo descansado, vai ser diferente. Não vai ser nem a 100 (quilômetros) por hora, vai ser a 200 — prometeu o volante Caíque, do Ceará.
Não é só no Cearense que os compromissos do meio de semana podem mexer com a decisão. Nos dois principais Estaduais do país — de São Paulo e do Rio, que serão decididos amanhã — eles viraram motivo de preocupação. Palmeiras, Flamengo e Fluminense viajaram para fora do país. E os dois primeiros praticamente abriram mão dos três pontos em suas estreias na Libertadores para guardar forças para as decisões do fim de semana. O que mostra como a rivalidade local ainda é muito levada em consideração pelas duas maiores potências do país.
Derrotado pelo Água Santa (2 a 1) na primeira partida da final do Paulista, o Palmeiras foi com um time quase todo reserva para altitude de La Paz-BOL, onde acabou superado pelo Bolívar. O mesmo fez o Flamengo em Quito-EQU após vencer o Fluminense (2 a 0) no jogo de ida da decisão do Carioca. Resultado: sofreu sua primeira derrota numa estreia na Libertadores depois de nove anos.
Dos 24 finalistas de hoje e amanhã, dez jogaram no meio da semana. Destes, quatro fora do país. Ao contrário de Fla e Palmeiras, o Athletico e o Fluminense não atuaram com time reserva. Ambos jogaram em Lima-PER, pela Libertadores. Enquanto os tricolores venceram o Sporting Cristal, os paranaenses arrancaram um empate com o Alianza Lima. Voltaram ao Brasil mais cansados, é verdade. Mas também mais motivados.
O Globo sexta, 07 de abril de 2023
CHOCOLATE DE PÁSCOA: 4 RECEITAS DE BRIGADEIROS FEITOS PELA DOCEIRA JULIANA MOTTER
Páscoa: 4 receitas de brigadeiros feitos pela doceira Juliana Motter
A criadora da Maria Brigadeiros, em SP, primeira loja especializada no doce do Brasil, revela seus segredos de família e tipos diferentes do doce mais consumido do país
Por Eduardo F. Filho — São Paulo
07/04/2023 04h31 Atualizado há 6 minutos
A doceira Juliana Motter produz o próprio chocolate para fazer brigadeirosMaria Isabel Oliveira/ Agência O Globo
Para muita gente brigadeiro é sinônimo de festa de criança, mas para Juliana Motter, criadora e proprietária da marca Maria Brigadeiro, em São Paulo, a primeira casa especializada no doce do Brasil, é muito mais do que isso. É uma visita à infância, é ter a avó presente nas lembranças e levar encantamento para as pessoas.
Juliana tinha seis anos quando fez seu primeiro brigadeiro sob supervisão de sua avó, Ignes. ‘Vó Ignes’, como era carinhosamente chamada, lavava roupas para fora. Com o dinheiro ajudava no orçamento familiar. Fazia também doces para vender, todos com ingredientes do quintal, feitos por ela. O leite condensado, por exemplo, era leite com açúcar engrossado na panela.
— Era inspirador, transformar esses pequenos afazeres numa fonte de renda, uma verdadeira alquimia. Desde pequena quis seguir os passos dela. Como não tínhamos dinheiro e eu gostava muito de fazer brigadeiro, nas festas da escola, sempre levava de presente brigadeiros caseiros e as crianças começaram a me chamar de maria brigadeiro. Era um bullying que acabou virando a minha marca — diz Juliana em entrevista ao GLOBO.
A menina dos brigadeiros cresceu, se formou em jornalismo, mas nunca abandonou a sua paixão pelo doce. Sempre que podia tentava experimentar ingredientes novos e mudar a receita.
— Até pouco tempo, não se ousava mexer na receita do tradicional doce de criança: achocolatado, margarina, leite condensado e granulado. Mas eu sabia que tinha futuro ali, que ele poderia se transformar em um doce para o paladar adulto, com algumas singelas mudanças — explica.
A mudança de chave ocorreu com o falecimento da mãe. A perda a fez ver que ela estava seguindo por um caminho que não queria no jornalismo. Motter então fez um curso de gastronomia para aprender técnicas e se aperfeiçoar no assunto e começou a ter contato com ingredientes, como chocolate belga, pistache, baunilha e avelã.
Em vez de preparar os doces que os professores sugeriam, ela aprimorava seus brigadeiros.
Após fazer alguns testes em festas de filhos de amigos, decidiu abrir seu próprio negócio e assim nasceu, na garagem de sua própria casa, a primeira loja Maria Brigadeiro.
Uma das grandes características da Maria Brigadeiro é a qualidade na produção da matéria-prima. Juliana tem um acordo com uma fábrica de pequeno porte na Bahia que produz o cacau de forma artesanal, que cresce na mata fechada, com sombreamento natural. O chocolate é todo produzido por ela e é feito com 100% da manteiga de cacau, ou seja, não tem gordura alternativa, corante e conservante. A massa do brigadeiro é feita com chocolate 75% cacau, o que faz ele ter menos açúcar. E o leite condensado que ela usa, é o mesmo caseiro que a avó dela a ensinou fazer aos seis anos de idade.
— Não se trata de gourmetizar o brigadeiro, mas acabar com o preconceito de que ele é um doce para criança. Essa imagem dificultou o ingresso do doce em outros lugares, como num casamento, por exemplo. Brigadeiro feito com carinho sempre fica bom, eles têm uma energia que encanta qualquer um — diz.
Hoje a doceira conta com uma loja charmosa de sucesso em Pinheiros, em São Paulo, de onde saem mais de 12 sabores diferentes de brigadeiro, entre eles: maracujá, fava de baunilha com cookies, doce de leite, coco fresco, limão e cupuaçu. Juliana, entretanto, não pensa em crescer porque não quer perder a “qualidade e essência”.
— Meus brigadeiros são todos feitos na hora. Nunca vendi um brigadeiro do dia anterior — orgulha-se.
Há muitas teorias sobre o surgimento do brigadeiro, a versão mais divulgada é a de que o doce teria se popularizado em um contexto político: mais precisamente nas eleições de 1945, no processo de redemocratização do Brasil, após a ditadura do Estado Novo. Um dos candidatos que disputava as eleições presidenciais era o brigadeiro Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional (UDN) e seu slogan de campanha era “ vote no brigadeiro que é bonito e é solteiro”.
Comitês de senhoras da sociedade carioca promoviam encontros em prol da candidatura do brigadeiro galã e serviam um docinho ainda anônimo, feito com leite condensado, achocolatado e margarina, e confeitado com chocolate granulado. A guloseima teria caído no gosto das eleitoras de Eduardo e ficado conhecida como o doce do brigadeiro. O político perdeu as eleições, mas o brigadeiro herdou — e honrou — a sua patente, se tornando um dos doces mais emblemáticos da culinária nacional.
A pedido do GLOBO, Juliana Motter selecionou 4 receitas de diferentes sabores do doce para fazer em casa durante a Pascoa. Confira:
Brigadeiro Tradicional
O brigadeiro tradicional é o carro chefe da doceria localizada em Pinheiros em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Agência O Globo
Rende: 30 unidades
Ingredientes:
1 lata de leite condensado (395G)
1/2 lata de creme de leite (150g)
½ xícara de chocolate intenso picado, com mínimo de 70% de cacau (45g)
1 colher (sopa) de cacau em pó (6g)
1 pitada de sal
Para confeitar: 100g de chocolate ao leite em raspas
Modo de fazer: coloque todos os ingredientes em uma panela média, de fundo grosso, e misture com um batedor de arame. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre com uma espátula de silicone, por 8 minutos ou até desgrudar do fundo da panela. Transfira imediatamente o brigadeiro para um recipiente untado com manteiga, para interromper o cozimento. Cubra com plástico filme e deixe a massa descansar na geladeira. Com as mãos untadas com manteiga, faça bolinhas de brigadeiro de 12g e passe em raspas de chocolate ao leite. Sirva em seguida em forminhas de papel número 4.
Brigadeiro de limão cravo
A calda de limão preparada na hora é o grande diferencial dessa receita — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Agência O Globo
Rende 30 brigadeiros
Ingredientes:
1 lata de leite condensado (395g)
1 colher (sopa) de manteiga com sal
raspas da casca de 1 limão cravo
½ lata de creme de leite (150g)
calda de limão cravo (receita abaixo)
Para a calda de limão:
20 ml de caldo de limão cravo peneirado
20 g de açúcar
Para confeitar: 100 g de chocolate branco em raspas
Modo de fazer: prepare a calda de limão: numa panela pequena, coloque o caldo de limão e o açúcar e leve para cozinhar em fogo baixo por 5 minutos, ou até reduzir. Apague o fogo e reserve. Numa panela média coloque o leite condensado, a manteiga e leve para cozinhar em fogo baixo, mexendo com uma espátula de silicone até ferver, por cerca de 5 minutos.
Adicione o creme de leite e continue mexendo, fazendo movimentos circulares com a espátula, até a massa de brigadeiro engrossar e começar a desgrudar do fundo da panela, de 8 a 10 minutos). Para saber se está no ponto certo de enrolar, faça o teste da espátula: pegue um pouco de massa com a espátula, levante e solte, ela deve cair em blocos.
Desligue o fogo e misture a calda e as raspas de limão. Transfira o brigadeiro para a travessa e deixe esfriar na geladeira por pelo menos 1 hora, coberto com filme plástico. Unte as mãos com manteiga. Com uma colher de chá retire uma porção de brigadeiro e enrole formando uma bolinha de aproximadamente 12 g. Passe cada brigadeiro nas raspas de chocolate branco e acomode em forminhas de papel número 4. Sirva em seguida.
Brigadeiro de 3 leites
A receita tem este nome porque o preparo conta com leite em pó, creme de leite e leite condensado — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Agência O Globo
Rende: 30 brigadeiros
Ingredientes:
1 lata de leite condensado (395g)
1 colher (sopa) de manteiga com sal (20g)
½ lata de creme de leite (150g)
2 colheres (sopa) de leite em pó integral (20g)
Para confeitar: 100g de leite em pó
Modo de fazer: dissolva o leite em pó no creme de leite e reserve. Numa panela média coloque o leite condensado, a manteiga e leve para cozinhar em fogo baixo, mexendo com uma espátula de silicone até ferver, por cerca de 5 minutos. Retire do fogo e adicione o creme de leite com o leite em pó e misture bem com um batedor de arame até incorporar bem à massa. Volte a panela ao fogo e continue mexendo, fazendo movimentos circulares com a espátula, até a massa de brigadeiro engrossar e começar a desgrudar do fundo da panela – isso leva de 8 a 10 minutos).
Para saber se está no ponto certo de enrolar, faça o teste da espátula: pegue um pouco de massa com a espátula, levante e solte, ela deve cair em blocos. Desligue o fogo e transfira o brigadeiro para uma travessa untada com manteiga e deixe esfriar na geladeira por pelo menos 1 hora.
Se tiver tempo, o ideal é deixar o brigadeiro na geladeira de um dia para o outro, para aderir melhor o confeito. Enrole os brigadeiros: unte as mãos com manteiga e com uma colher de chá pegue uma porção de brigadeiro e enrole formando uma bolinha de aproximadamente 15 g. Passe cada brigadeiro no leite em pó e acomode em forminhas de papel número 4. Sirva em seguida.
Brigadeiro de especiarias
Canela, cacau, cardamomo e cravo são alguns dos ingredientes para este brigadeiro — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Agência O Globo
Rende: 30 unidades
Ingredientes:
1 lata de leite condensado (395G)
1/2 lata de creme de leite (150g)
½ xícara de chocolate intenso picado, com mínimo de 70% de cacau (45g)
1 colher (sopa) de cacau em pó
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de cardamomo em pó
1 colher (café) de cravo em pó
1 pitada de sal
Para confeitar: 100g de cacau em pó
Modo de fazer: coloque todos os ingredientes em uma panela média, de fundo grosso, e misture com um batedor de arame. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre com uma espátula de silicone, por 8 minutos ou até desgrudar do fundo da panela. Transfira imediatamente o brigadeiro para um recipiente untado com manteiga, para interromper o cozimento. Cubra com plástico filme e deixe a massa descansar na geladeira. Com as mãos untadas com manteiga, faça bolinhas de brigadeiro de aproximadamente 3 cm (14g) e passe no cacau em pó. Sirva em seguida em forminhas de papel número 4.
O Globo quinta, 06 de abril de 2023
FAXINA: COZINHA, BANHEIRO E QUARTO - COM QUE FREQUÊNCIA DEVEMOS LIMPAR A CASA?
Cozinha, banheiro e quarto: com que frequência devemos limpar a casa? A diferença entre os cômodos é grande, entenda
Deixar de higienizar o fogão, o vaso sanitário e tirar os lençóis da cama no momento certo leva à proliferação de fungos, bactérias e vírus causadores de doenças como asma, diarreia e até pneumonia
Por Eduardo F. Filho — São Paulo
06/04/2023 04h30 Atualizado há uma hora
Limpeza da casa pode ajudar a evitar infecções por bactérias e fungos perigososArte de André Mello
Algumas pessoas afirmam que ficamos mais “paranoicos” em relação a limpeza após a pandemia de coronavírus. Além do excesso de álcool em gel nas mãos, era necessário lavar as sacolas plásticas, assim como as embalagens que ficavam expostas no mercado. Os sapatos e chinelos deveriam ficar ao lado da porta, ou na área de serviço para não levar bactérias, fungos e sujeiras para o restante da casa.
Apesar dos números da Covid-19 terem diminuído, essas ações devem continuar para manter a casa limpa e visando o bem estar da saúde de quem reside no interior da residência. Os microrganismos estão em todos os ambientes, ao pisar com o tênis no chão do apartamento, por exemplo, você está levando para dentro de casa, todas as sujeiras e bactérias.
Eles são os causadores de doenças respiratórias, como asmas, pneumonia, ou infecções intestinais, como diarreias e até mesmo doenças de pele, como dermatites.
A imagem do banheiro do Big Brother Brasil viralizou na internet ao mostrar o chão do box imundo. Se não o lavar direito e com certa frequência, o cômodo se torna um dos principais agentes de infecções da casa, juntamente com o quarto e a cozinha.
Mas com que frequência deve-se limpar essas partes? E como fazer para impedir a proliferação de bactérias, vírus e fungos? O GLOBO conversou com especialistas para saber exatamente essas respostas. Confira:
Banheiro
Limpar o banheiro é uma tarefa que poucas pessoas gostam e preferem procrastinar a limpeza ao máximo, porém é um hábito necessário e importante para a saúde das pessoas, visto que, é o lugar onde depositamos dejetos, fluidos orgânicos e realizamos a higiene pessoal e íntima.
A área exige mais cuidados com a limpeza do que muitos outros locais da casa de forma geral. Segundo um estudo realizado pelo Centro de Higiene e Saúde em Casa e Comunidade, do Simmons College, localizado em Boston, EUA, em uma banheira há mais bactérias que causam infecções na pele do que em uma lata de lixo — foram encontrados 25% de bactérias como essas no espaço do box, em comparação a 5% identificado na lata de dejetos.
— O banheiro é um local onde a fonte de proliferação de fungos e bactérias é muito alta, sendo ideal a sua limpeza completa com desinfetantes específicos e água sanitária ao menos uma vez por semana — afirma Gabriela Castro, microbiologista da Richet Medicina & Diagnóstico.
Porém algumas partes específicas dentro do cômodo merecem uma atenção ainda maior. O vaso sanitário, por exemplo, deve ser limpo de duas a três vezes por semana com agentes desinfetantes, dependendo de quantas pessoas usam a privada normalmente. As banheiras ou box também devem ser limpas de acordo com a frequência de uso, mas se pensar que uma pessoa toma de uma a dois banhos por dia, deve ser lavado de uma vez por semana a pelo menos a cada 15 dias.
As pias, por terem contato direto com fluidos da boca e nariz, também devem ser lavadas duas vezes por semana, enquanto os pisos, azulejos e armários (parte interna e externa), precisam ser higienizados uma vez por semana.
— Para minimizar a proliferação de bactérias e fungos algumas medidas podem ser adotadas. A ação de dar a descarga com a tampa fechada minimiza muito a formação de aerossóis, que são mecanismos pelos quais as bactérias e fungos são dispersadas no meio ambiente podendo ficar em suspensão no ar por até 2 horas, sendo fonte potencial de contaminação — explica Castro.
Cozinha
Alguns estudos internacionais apontam o espaço da cozinha como uma das áreas mais problemáticas da casa quando o assunto é a proliferação de bactérias e fungos — muitas vezes até mais do que o banheiro. Isso porque o espaço recebe todo o tipo de alimento cru, como carnes e frangos, e até mesmo verduras e legumes não lavados que podem conter larvas. E que se não forem lavados ou manuseados corretamente, infectam as pessoas diretamente.
— A esponja que faz a limpeza da louça, pia, geladeira, com atenção especial nas gavetas dos vegetais, o fogão e os botões de ligar o forno, bem como a alça da porta dele, são alguns dos lugares que mais encontramos bactérias e fungos, com ambiente propicio para a proliferação e desenvolvimento deles, ou seja, calor e umidade — diz o infectologista da Fiocruz, José Cerbino.
Especialistas afirmam que o normal seria lavar as principais partes da cozinha e as mais usadas, como a pia e o fogão, por exemplo, enquanto a comida é feita e preparada. Pois o acumulo de lixo e utensílios sujos pode atrair moscas, baratas e proliferação de microrganismos patogênicos.
— O grande vilão na cozinha é a contaminação cruzada. Usar os mesmos utensílios para coisas diferentes. Ou seja, usar a faca que cortou o frango cru, para cortar os legumes e verduras. As bactérias que estavam naquela carne, agora estão nos legumes e verduras. A faca precisa ser limpa muito bem antes de ser usada para cortar qualquer outro alimento — explica o Chef e consultor da Escola Wilma Kövesi de Cozinha, Carlos Siffert.
Entre as principais bactérias patogênicas encontradas na cozinha estão a Campilobacteriose, Criptosporidiose, Ciclosporíase, encontradas em carnes e alimentos contaminados, que não foram preparados adequadamente, e causam infecção alimentar, como diarreia, náuseas e vômitos. A Salmonella também é uma bactéria que pode ser encontrada na cozinha que se não tratada pode provocar graves infecções e até mesmo a morte.
— Muita dessas bactérias e parasitas que encontramos na cozinha também podem estar no banheiro, pois elas são eliminadas na evacuação e podem contaminaram o ambiente com gotículas que se dissipam ao usarmos o vaso sanitário. Por isso os dois cômodos precisam ter uma atenção maior. Uma limpeza mais detalhada, higienizando o chão e a geladeira, por exemplo, deve ser feita pelo menos uma vez por semana — afirma Pedro Peloso, microbiologista do Laboratório Richet Medicina & Diagnóstico.
— Não pode se esquecer dos cantinhos da pia, em baixo do fogão e atrás da geladeira, por exemplo, que é um lugar quente, perfeito para as baratas procriarem e fazer ninhos ali. Sempre tem alguns restos de comida que é esquecida ou varrida para debaixo desses lugares. Uma dica também é olhar os alimentos, ver se eles não estão com uma aparência velha, ou se eles não têm algum buraco que pode ter sido criado por vermes e larvas antes de ingeri-los, e, claro, só comprar o que for consumir, para não estocar alimentos e auxiliar na deterioração do alimento — diz Siffert.
Quarto
Passamos quase um terço de nossas vidas na cama. Não há nada melhor que, depois de um dia cheio e cansativo, encostar a cabeça em um travesseiro macio, deitar em um lençol limpo e se cobrir com um edredom cheiroso.
Uma pesquisa feita no Reino Unido, pela YouGov, mostrou que ao menos 4 em cada 10 pessoas menores de 30 anos esperam até quase dois meses para lavar seus lençóis. O que não é nada bom, visto que, a cama acumula restos de pele, suor e sujeira. Segundo o estudo, nós perdemos cerca de 3,9 quilos de células de pele ao longo de 365 dias e grande parte disso inevitavelmente acaba nas camas.
Elas também têm um ambiente quente e úmido que pode favorecer a proliferação de fungos e bactérias como o ácaro, que pode ter parasitas como a sarna e que causam doenças alérgicas como rinite e pioram o quadro de pacientes com asma, bronquite e outras doenças respiratórias.
Isso significa que eles começam não só a cheirar mal, como podem hospedar micróbios prejudiciais à saúde, como por exemplo, a Staphylococcus aureus, que pode causar desde acne até pneumonia. E. coli é outro culpado comum que, se exposto às partes erradas do corpo, pode desencadear uma infecção urinária ou no peito.
No verão, em especial em noites muito quentes e de muito suor, a recomendação é trocar os lençóis com ainda mais frequência, a cada quatro dias, por exemplo.
— A recomendação é que haja uma limpeza de roupa de cama e troca de lençóis pelo menos duas vezes na semana. Durante a lavagem, é importante checar se a água está quente, pois ela facilita a eliminação desses microrganismos que podem estar na roupa de cama, e usar sabão em pó que elimina vírus, bactérias e parasitas — afirma Peloso.
Uma das dicas de especialistas, por incrível que possa parecer, é que manter o ar condicionado ligado pode ser uma boa alternativa contra o ácaro. Isso porque ele resseca e esfria o ambiente, o que impede a proliferação desses parasitas. Porém, para surtir efeito, o ar condicionado, bem como seus filtros, devem ser limpos com frequência maior, ao menos uma vez por semana.
— Muitas pessoas acreditam que colocar o colchão no sol ajuda a diminuir os ácaros, mas é ao contrário, porque o calor ajuda na proliferação. Para a redução deles, deve-se colocar o colchão em capas impermeáveis. Na limpeza do quarto, precisa evitar o uso de vassoura, para não aumentar e dissipar a poeira. Prefira um aspirador de pó potente, um desinfetante sem cheiro e um pano úmido — afirma Fábio Kuschnir, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
O Globo quarta, 05 de abril de 2023
CLAUDIA MOTA: PRIMEIRA BAILARINA DO THEATRO MUNICIPAL DO RIO SE DESPEDE DOS CLÁSSICOS NOS PALCOS
Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio se despede dos clássicos nos palcos: 'Chegou a hora de virar a curva'
Claudia Mota interpreta 'Giselle', pela última vez, antes de se dedicar à dança contemporânea: 'Quero que o Brasil tenha orgulho de mim, pois fiz muito por esse país'
Por Gustavo Cunha — Rio de Janeiro
05/04/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
Claudia Mota, primeira bailarina do Theatro Municipal, em cena de 'Giselle'Divulgação/Daniel Ebendinger
Bailarinos devem ter os pés no chão para entender o momento certo de pular fora. É mais ou menos isso o que aponta Claudia Mota ao explicar a maneira pela qual coreografará sua carreira daqui em diante. Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a carioca do bairro da Tijuca, na Zona Norte da cidade, decidiu dar adeus aos espetáculos clássicos — marca da maior companhia de balé da América Latina — após quase três décadas de dedicação total a obras do gênero, como “Carmen”, “O quebra-nozes” e “O lago dos cisnes”, para citar só alguns. Será um recomeço.
— É importante saber que chegou a hora de virar a curva e pensar em outro futuro — afirma. — Cheguei a um determinado ponto em que preciso abrir novos caminhos.
Cenas de 'Giselle', balé que marca despedida de Claudia Mota dos grandes clássicos
Primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro se dedicará a espetáculos de dança contemporânea
O “outro futuro”, ela indica, está logo ali. Amanhã, Claudia embarca para Nova York, onde apresentará — na próxima terça-feira, no Lincoln Center — o espetáculo de dança contemporânea “Le parc”, do francês Angelin Preljocaj. A intenção, a partir daí, é mergulhar num repertório embalado por linguagem moderna e “com mais liberdade”, como diz.
Nos EUA, ela subirá ao palco ao lado de Constantine Allen, primeiro bailarino do Balé Nacional da Holanda, em evento que celebrará os 25 anos do Youth American Grand Prix (YAGP), responsável por uma das maiores premiações de dança no mundo. Aliás, a partir deste ano, a brasileira rodará o planeta como uma das novas representantes artísticas da organização.
Antes disso, Claudia se despedirá, é claro, do estilo que a consagrou, voltando a encenar a primeira peça em que atuou como protagonista, há 20 anos. Hoje, às 19h, a bailarina abre a nova temporada de “Giselle”, clássico com coreografia original de Jean Coralli e Jules Perrot, no Theatro Municipal. A montagem segue em cartaz — com outras artistas revezando-se no papel-título — até o dia 16. No dia 15, já de volta ao Brasil, Claudia faz, enfim, sua derradeira apresentação. Mas sem abandonar o lugar que a projetou. Assim como Márcia Jaqueline e Juliana Valadão, ela se mantém firme e forte no posto de primeira bailarina da casa, mas com foco integral nas produções contemporâneas.
Ordens do corpo
Claudia reforça, repetidas vezes, que está tranquila com a escolha. E acrescenta que aceitou bem “as ordens do corpo”, algo que, uma hora ou outra, precisaria encarar. Hoje, antes de riscar os tablados do Theatro Municipal, ela emplastará as unhas dos pés com uma pomada de xilocaína, substância anestésica para o alívio da dor. Esses ossos do ofício — algo que empilha desde criança —, ela quer, sim, enterrar.
— Já falei para a minha unha: “Segura sua onda, porque não é hora de dar ruim.” Há muito amor no balé. Mas também existe muito sacrifício. Chega uma hora que o desgaste emocional e a rotina rigorosa cansam — admite ela, que diariamente se dedica a ensaios, aulas com preparadores físicos e treinos com exercícios específicos de acordo com o espetáculo em cartaz. — O balé clássico exige sempre uma busca incessante pela perfeição. Em vésperas de temporada, entro numa clausura. É como se deixasse minha vida em segundo plano para viver outra. Muita gente não imagina, mas é como uma rotina de atleta. A interrupção, agora, é natural.
Claudia Mota, em cena de 'Giselle', no Theatro Municipal do Rio de Janeiro — Foto: Divulgação/Daniel Ebendinger
Serena, Claudia só muda o tom ao ser questionada sobre sua idade. De uns tempos para cá, a carioca que resolveu ser bailarina aos 4 anos, em fins da década de 1970, prefere deixar os números da certidão de nascimento sob a penumbra. Ela se justifica:
— O problema, para mim, é a mentalidade do brasileiro. Não sabemos diferenciar idade e capacidade. Decidi então que nunca mais falarei sobre isso. Da última vez que abordei o tema, as pessoas só diziam a mesma coisa: “Nossa, mas você está tão bem para a sua idade.” Ou então ouvia o seguinte: “Meu Deus, mas você ainda está dançando!?” Essas colocações me deixam revoltada. Como as pessoas se prendem a uma pequenez dessa? — questiona-se. — Acho que isso não deveria ser a cereja do bolo.
Fato é que o tema, em geral, ainda representa uma pedra no meio do caminho de bailarinos. Há, sim, uma validade determinada na profissão daqueles que se dedicam a pliés e frappés, da mesma maneira que se vê entre quem é esportista. Mas quando, afinal, aposentar as sapatilhas? Não há resposta certa para a pergunta.
— Cada bailarina tem que ter essa noção. Claro que há gente que continua dançando, dançando, dançando... Não discrimino, porque há aí um estado de felicidade. Se não está tirando o lugar de ninguém, maravilha! — opina ela. — Mas acho que realmente precisamos respeitar o nosso corpo. E são as lembranças boas que quero carregar para a minha vida, sabe? Não quero entrar em cena e falar: “Caramba, fazia melhor isso daqui, e agora não consigo mais.”
Por mais que vislumbre um horizonte além-mar — a bailarina engatilha agora uma série de projetos na Europa e nos EUA, sempre com ênfase em dança contemporânea —, Claudia mantém firme uma certeza: quer aplaudir mais brasileiros que, como ela, construíram uma carreira em solo nacional, apesar das dificuldades com patrocínio, atraso de salários, baixa frequência de espetáculos...
— Quero muito que o Brasil tenha orgulho de mim, porque fiz muito por este país. Sinto que, cada vez mais, estamos perdendo talentos — lamenta. — Temos muitos bailarinos no exterior que usam o Brasil para que sua imagem seja alavancada. E eles não dançam aqui! Não estou falando, é claro, daqueles que não tiveram oportunidades e precisaram viajar por isso. Quero deixar um exemplo digno de que é possível, sim, fazer carreira por aqui, apesar dos problemas.
O Globo terça, 04 de abril de 2023
TÊNIS DE CORRIDA: O QUE VOCÊ PRECISA (E NÃO PRECISA) NESSE TIPO DE CALÇADO
O que você precisa (e não precisa) em um tênis de corrida; especialistas dão as dicas certas
O modelo certo irá ajudá-lo a correr mais rápido e evitar lesões. Muitas vezes eles vêm com recursos desnecessários
Por Cindy Kuzma, The New York Times
04/04/2023 04h31 Atualizado há 20 minutos
Tênis de corrida tradicionais são projetados para atenuar o impacto do pé no chão e fornecer traçãoFreepik
Os seres humanos correm há centenas de milhares de anos, a maioria sem o benefício de calçados confortáveis e coloridos. Mas, basta dar uma volta em uma loja de artigos esportivos ou navegar por um site para encontrar uma variedade surpreendente de opções. Alguns prometem velocidade, outros conforto e redução de lesões — e quase todos são caros.
Para ajudar a separar os fatos da moda — e os sapatos de estabilidade dos supersapatos —pesquisadores e especialistas no assunto foram consultados.
O que faz de um tênis de corrida um tênis de corrida?
Os tênis de corrida tradicionais são projetados para atenuar o impacto de bater com o pé no chão e fornecer tração, explica o fisiologista esportivo do Comitê Olímpico e Paraolímpico dos Estados Unidos, no Colorado Springs, Geoff Burns.
Assim como outros calçados esportivos, os tênis de corrida são feitos de tecido, espuma e borracha, mas são projetados para atender às demandas específicas do esporte. Por exemplo, eles são normalmente mais leves e flexíveis do que os tênis de basquete, que são projetados para proteger o pé durante os movimentos laterais de "para-e-começa".
A maior diferença na maioria dos tênis de corrida está na entressola, feita de espuma macia. Outros tipos de tênis esportivos têm espuma na região mas há mais em tênis de corrida, além dos fabricantes dizerem que ela é afunilada na frente do tênis para facilitar o movimento para frente, afirma Burns.
Além disso, a maioria dos tênis de corrida tem recursos integrados na parte superior — as partes de tecido que compõem a parte superior do tênis — destinadas a manter o pé seguro, explica o fisioterapeuta, professor assistente do Programa de Doutor em Fisioterapia da Universidade da Costa Oeste e fundador do site e podcast “Doctors of Running”, Matthew Klein. É possível notar um pedaço rígido de papelão ou plástico na parte do calcanhar, por exemplo, ou tiras extras de tecido, chamadas sobreposições, que percorrem a parte superior.
Os tênis de corrida especializados realmente cumprem o que prometem?
As empresas de calçados investem muito dinheiro em pesquisa biomecânica, diz a professora associada de cinesiologia e pesquisadora de biomecânica na Universidade de Indiana, Allison Gruber.
No entanto, os departamentos de marketing e os vendedores de loja costumam exagerar em certos recursos, especialmente para os iniciantes no esporte, ressaltam Klein e Kevin Vincent, fisiatra e diretor da Clínica de Medicina e Saúde da Universidade da Flórida.
Sapatos de estabilidade e controle de movimento, por exemplo, são populares entre os corredores e dizem que evitam lesões ao corrigir a pronação excessiva — quando o tornozelo colapsa muito para dentro durante a caminhada ou a corrida. Alguns modelos têm postes rígidos que reduzem o movimento de um lado para o outro, embora muitos dos lançamentos mais recentes usem sistemas mais sutis, como tornar o sapato mais largo na parte inferior do que na parte superior, destaca Klein.
Mas as evidências atuais não confirmam seus benefícios protetores. A pronação em si é uma parte natural da marcha.
— É assim que seu corpo dissipa a força — explica Vincent.
A correção excessiva pode causar dores no joelho e no quadril, bem como impedir o uso e o fortalecimento adequado dos músculos do pé e da perna.
A pronação excessiva também pode representar problemas, mas é parcamente definida.
— O que pode ser excessivo para uma pessoa não é necessariamente excessivo para outra — afirma Gruber.
Em outras palavras, os tênis podem apresentar uma solução para um problema que um corredor pode não ter, além de que, segundo Vincent, a maioria das pessoas ficaria melhor se permitisse que seus pés se movessem com mais naturalidade.
Sapatos maximalistas, que têm solas grossas para amortecer melhor o impacto dos pés, são outra categoria popular. Alguns também têm fundos de balanço, curvados na frente e atrás, que guiam o pé para a frente. Mas, enquanto o amortecimento pode suavizar o impacto, ter mais espuma nem sempre é melhor, diz o fisiatra.
Vincent explica que, devido à espessura mais grossa de espuma entre o pé e o chão, o cérebro recebe menos informações sobre como o corpo está interagindo com a superfície abaixo. Isso pode tornar a pessoa mais propensa a balançar ou até mesmo a pisar no chão com mais força do que com um tênis menos confortável. Parte do impacto é absorvida pela espuma, mas o restante sobe para outras áreas, incluindo o joelho e o quadril, piorando potencialmente qualquer dor prevalente nessas áreas.
Em última análise, o argumento de que qualquer tênis de corrida pode evitar machucados não é sustentável. As taxas de lesões relacionadas ao esporte, como dores na canela e fraturas por estresse, permaneceram altas nos últimos 40 anos — apesar da evolução da tecnologia de calçados. A Cochrane também publicou um estudo, em 2022, que avaliou 11.240 corredores em 12 ensaios clínicos randomizados, a maioria dos quais comparou diferentes tipos de tênis de corrida entre si. A análise não encontrou nenhuma evidência de que tênis de corrida, ou determinados tênis prescritos para isso, tenha propriedades de prevenir lesões.
Há também os supersapatos, tênis de corrida da moda com placas rígidas de fibra de carbono e espuma ultraleve e responsiva. Vários estudos sugerem que, ao usá-los, atletas profissionais correm mais rápido, melhorando sua economia de corrida — ou a quantidade de oxigênio necessária para correr em um determinado ritmo.
Mas os supersapatos não funcionam para todos: em um pequeno estudo conduzido por Burns e seus colegas, os supersapatos funcionaram para melhorar a economia de corrida para alguns corredores em velocidades não-profissionais, embora cerca de um terço tenha apresentado pior economia de corrida usando-os. Não há muita pesquisa sobre supersapatos e lesões, mas muitos especialistas acreditam que, embora eles não aumentem necessariamente o risco de lesões em comparação com outros tipos de calçados, eles podem mudar a maneira como os corredores se machucam, adverte Klein.
É por isso que ele e outros especialistas recomendam evitar os supersapatos quando se está começando.
O que você deve procurar em tênis de corrida?
A maioria dos corredores, incluindo aqueles que estão correndo pela primeira vez, deve considerar optar pelo que é, de acordo com Klein, conhecido para um treino neutro diário. Esses sapatos não tentam mudar a maneira como o pé interage com o solo — apenas colocam um pouco de amortecimento entre os dois.
Mas há algumas razões para considerar outras opções. Embora sapatos especializados, como tênis maximalistas e de estabilidade, não pareçam prevenir lesões de corrida, médicos como Klein e Vincent afirmam que às vezes os recomendam a pacientes que já estão lidando com certos tipos de dor ou contusões.
Se, por exemplo, a pessoa tem artrite, fascite plantar ou outro tipo de dor nos pés, sapatos maximalistas — especialmente aqueles com fundo de balanço — podem ajudar, já que há algumas evidências de que podem diminuir a pressão nos pés e as demandas sobre os tendões e tornozelos. Nesses casos, é importante consultar um profissional de medicina esportiva, que poderá orientar sobre tratamento e prevenção.
E se a pessoa percorre regularmente longas distâncias em terrenos escarpados, lamacentos ou íngremes, Vincent indica que os sapatos de trilha adicionam tração para melhor aderência, especialmente em descidas. Alguns também têm uma placa rígida embutida na entressola para proteger os pés de pedras afiadas.
O fisiatra acrescanta que, acima de tudo, é importante certificar que os sapatos são confortáveis. Conforto, mais do que adequar o calçado ao andar ou ao tipo de pé, é o que manterá a pessoa correndo a longo prazo, defende Klein.
Tênis de corrida são caros. Com que frequência devo realmente substituí-los?
A maioria dos tênis de corrida de marca custa mais de US$ 100 (por volta de R $500 reais), e os supersapatos especiais podem custar mais de US$ 200 (por volta de R $1.000). Também podem ser comprados outros tênis por cerca de US$ 50 (cerca de R $250) com desconto ou em loja de artigos esportivos — embora muitos corredores sintam que não são tão acolchoados ou confortáveis porque, segundo Burns, provavelmente usem pouca espuma ou uma de qualidade inferior.
Estudos realizados em laboratório e com evidências do mundo real sugerem que os tênis de corrida perdem quantidades significativas de absorção de impacto entre 480 a 800 quilômetros, se não antes. Isso dá cerca de três a cinco meses, se a pessoa correr todo dia, ou talvez cerca de nove a 12 meses, se estiver correndo algumas vezes por semana, explica Hiruni Wijayaratne, maratonista de elite e treinador de corrida certificado. Bruns acrescenta, porém, que não está claro quando esse colapso começa a causar problemas para seus pés ou pernas.
Depende muito do corredor e do sapato, diz o fisiologista esportivo. Corredores de quilometragem mais alta, aqueles que treinam em superfícies mais duras ou acidentadas, ou pessoas com padrões de marcha irregulares podem ter que substituir os sapatos mais cedo, enquanto os supertênis tendem a quebrar mais rapidamente do que os tênis neutros.
Quem está acostumado a correr pode sentir quando seu sapato está quase se aposentando — talvez sua canela doa um pouco, ou ainda, seus joelhos ou calcanhares. Sinais visíveis de danos, como rachaduras ou borracha desgastada, também indicam que é hora de trocar, ressalta Vincent.
Bruns explica que a vida útil de um tênis pode ser prolongada se for usado apenas para correr e não para outros treinos ou ir ao supermercado. E, se a pessoa tiver dinheiro, alternar entre pares também ajuda, dando pelo menos 24 horas para a espuma recuperar sua forma. Há também algumas evidências de que usar mais de um modelo — seja de uma categoria diferente ou de um estilo semelhante de outras marcas — reduz o risco de lesões, talvez porque varie ligeiramente o estresse repetitivo no corpo.
Burns tranquiliza e diz que encontrar o tênis certo pode parecer assustador, mas que não há necessidade de conseguir um par perfeito. Em vez disso, deve-se reconhecer que provavelmente há uma variedade de sapatos que funcionarão — e pesquisar faz parte dessa corrida.
O Globo segunda, 03 de abril de 2023
REVISTA PLAYBOY: MINISTRA FRANCESA CAUSA POLÊMICA AO POSAR PARA A PUBLICAÇÃO
Ministra francesa causa polêmica ao posar para a Playboy; veja as fotos
Para a primeira-ministra, Élisabeth Borne, a aparição na revista erótica é "totalmente inadequada" no atual contexto de tensão devido a uma impopular reforma da previdência
Por AFP — Paris
03/04/2023 06h26 Atualizado há 3 horas
Ministra francesa Marlène Schiappa, responsável pela Economia Social e Solidária e Vida AssociativaInstagram / Reprodução
A ministra francesa Marlène Schiappa, responsável pela Economia Social e Solidária e Vida Associativa, gerou polêmica após posar para a revista erótica Playboy, considerada pelos críticos como “inadequada” no atual contexto de conflito social no país.
Schiappa, de 40 anos, também autora de livros eróticos, aparece de vestido branco e, na entrevista da edição da revista para adultos que sai na quinta-feira, fala sobre direitos da mulher, política e literatura.
Fotos polêmicas da ministra francesa Marlène Schiappa para a Playboy
4 fotos
Na entrevista da edição da revista para adultos divulgada em abril de 2023, Schiappa fala sobre direitos da mulher, política e literatura
"Defender o direito da mulher de dispor de seu próprio corpo é feito sempre e em qualquer lugar. Na França, a mulher é livre", postou ela no Twitter neste fim de semana.
O Globo domingo, 02 de abril de 2023
CARIOCÃO 2023: VITÓRIA DO FLAMENGO PASSA PELOS ACERTOS DE VÍTOR PEREIRA CONTRA UM FLUMINENSE QUE NÃO ESTÁ MOSRTO
Análise: Vitória do Flamengo passa pelos acertos de Vítor Pereira contra um Fluminense que não está morto
Rubro-negro colhe frutos da insistência em uma estratégia que funcionou, mas não é irreal pensar que o tricolor pode recuperar um resultado de 2 a 0. Por isso não está morto
02/04/2023 04h00 Atualizado há 2 horas
Primeiro jogo da final entre Flamengo x Fluminense no Maracanã. Vítor Pereira e DinizFoto Alexandre Cassiano
As estatísticas da final do Campeonato Carioca são curiosos. O Fluminense levou a melhor em posse de bola (53% a 47%) e finalizações (16 a 13). Mas foi superado no que mais importava — o placar. O Flamengo venceu por 2 a 0 e abriu uma boa vantagem na decisão. Triunfo que passa por dois nomes em especial: Ayrton Lucas e Vítor Pereira.
A numeralha destacada tem função importante para entender o que aconteceu no jogo. O placar só foi possível porque o Flamengo foi fiel a uma ideia e estilo de jogo que se mostrou muito eficiente. Mesmo que isso significasse não ter o domínio da partida, bem diferente do que os rubro-negros se acostumaram a ver dentro de campo.
Extremamente criticado pelos torcedores rubro-negros, Vítor Pereira merece créditos — desta vez. Teve peito para mudar a forma da equipe jogar, barrar medalhões e foi premiado com uma vitória importantíssima. Se Ayrton Lucas foi o grande destaque, também passa por ele, que evoluiu e tem sido um dos melhores jogadores do Flamengo na temporada.
É natural que o torcedor torça o nariz quando viu que Gabigol e Everton Ribeiro estavam no banco de reservas — ainda mais sem ter Arrascaeta. Mas a escolha funcionou. O Flamengo optou por jogadores mais velozes e móveis, para pressionar a saída de bola tricolor e explorar os contra-ataques. Foi uma tônica da partida: a cada erro de bola tricolor, uma avalanche de jogadores rubro-negros aproveitavam o contra-ataque.
O primeiro gol do Flamengo nasce da insistência de uma jogada treinada e buscada dezenas de vezes durante a partida. David Luiz (ou qualquer outro zagueiro) tenta um lançamento longo nas costas de Alexsander, que tem estatura e físico inferior a maioria dos atletas rubro-negro. Superado, a bola sobra para Pedro, que pode finalizar ou chutar. Ele assistiu Ayrton Lucas, que abrir o placar. No segundo, brilhou o talento individual do lateral-esquerdo.
Relembre grandes camisas 10 da história do Flamengo
Com a aposentadoria de Diego Ribas, Gabigol trocará a camisa 9 pela histórica 10 de Zico no Flamengo. Relembre grandes nomes que usaram o número.
Não foi um Fla-Flu de domínio absoluto de nenhuma das partes. O Fluminense foi superior no primeiro tempo e teve pelo menos três chances claras quando o placar ainda estava empatado. Arias vai se lamentar a semana inteira pela oportunidade desperdiçada cara a cara com Santos. Se tivesse feito, a final seria outro. Mas 'se' não entra em campo.
Apesar dos pesares, esse, inclusive, é um dos motivos que faz o Fluminense não sair morto do Maracanã. Não é irreal achar que a equipe de Fernando Diniz pode buscar um 2 a 0. Claro, se tratando de final e com o Flamengo como rival, é bastante complicado. Mas o tricolor não está morto.
Subir escada, fazer atividades domésticas: basta muito pouco para ter os benefícios da atividade física; entenda
Apenas 15 minutos por dia de atividade moderada pode reduzir o risco de morte precoce em 10%, em comparação a pessoas sedentárias
Por Ana Lucia Azevedo — Rio de Janeiro
01/04/2023 04h31 Atualizado há 4 horas
Atividade inclui andar ou pedalar para o trabalho, realizar tarefas domésticas triviais, como varrer a casa, e momentos de lazer, como passear com o cachorroFreepik
Melhor do que qualquer medicamento para evitar doenças, a atividade física é um remédio amargo para muita gente. Não se trata de esporte, mas de manter o corpo em movimento. Ainda assim, se livrar do sedentarismo parece missão impossível para milhões de pessoas que têm arrepios só de imaginar um exercício. Especialistas dizem, porém, que se manter ativo é bem mais fácil do que a maioria imagina.
A pandemia de sedentarismo é tão séria que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 30% das mulheres e 25% dos homens não se mexem nem o mínimo necessário.
A OMS preconiza que, por semana, um adulto deve praticar entre 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada ou 75 a 150 minutos de atividade intensa. E para quem tem mais de 65 anos, a OMS diz que o treinamento de força é uma necessidade.
É consenso que essas recomendações ainda são insuficientes. Porém, os níveis de sedentarismo globais são tão grandes, que mesmo pouco já faz diferença.
E não é preciso frequentar academias nem praticar esportes para conseguir uma dose de atividade física suficiente para se manter saudável. A atividade inclui andar ou pedalar para o trabalho, realizar tarefas domésticas triviais, como varrer a casa, e momentos de lazer, como passear com o cachorro.
Uma pesquisa da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, com 130 mil pessoas em 17 países mostrou que ir andando para o trabalho ou varrer a casa pode reduzir o risco de morte precoce, seja por doenças cardiovasculares ou câncer, em 28%. Porém, é preciso garantir os 150 minutos semanais, não importa em que combinação de atividade.
A atividade física evita quatro milhões de mortes por ano no mundo, segundo um estudo das universidades de Cambridge e Edimburgo em 168 países, publicado na revista Lancet Global Health.
Gary O’Donovan, da Faculdade de Ciência do Exercício de Loughborough, diz que há benefícios mesmo para os chamados atletas de fim de semana. São beneficiadas aquelas milhões de pessoas que não dispõem de tempo ou disposição para se exercitar, nem que seja limpando a casa de segunda à sexta-feira, mas usam o sábado e domingo para tirar o atraso.
Um estudo do grupo de O’Donovan, que analisou dados de 63 mil pessoas durante 18 anos, mostrou que os atletas de fim de semana tinham basicamente a mesma redução de risco de morrer precocemente de doenças cardiovasculares e câncer que as pessoas que praticavam o tempo mínimo de atividade distribuído ao longo da semana. O importante é se mexer, frisa O’Donovan.
De acordo com ele, mesmo as pessoas que além de só praticarem atividade no fim de semana, ainda fazem menos que os 150 minutos, estão em vantagem relação aos sedentários.
Pouco é melhor do que nada, salientaram Chi Pang Wen e seus colegas num estudo publicado na Lancet. Eles acompanharam por oito anos os níveis de atividade física de 400 mil pessoas em Taiwan.
O resultado impressiona. Apenas 15 minutos por dia de atividade moderada, como caminhar depressa, subir escadas ou pedalar, pode reduzir o risco de morte precoce em 10%, em comparação a pessoas completamente sedentárias.
Chi acrescentou que se a pessoa trocar a atividade moderada por 5 minutos de uma intensa, como correr ou pedalar a maior velocidade, o mesmo benefício é obtido. Não é pedir muito para evitar problemas graves, salientou. Embora, frise, o ideal seja ter uma atividade regular moderada superior a 150 minutos para obter benefícios ainda maiores.
Dados da OMS não deixam margem para dúvida. Adultos ativos por 100 ou mais minutos por dia têm risco de morte precoce 80% menor que os sedentários.
Isso acontece porque o nosso corpo evoluiu para o movimento. Por milênios, o ser humano precisou andar por horas e quilômetros por dia para comer e não ser comido. Povos que mantém um ritmo de vida semelhante ao dos primeiros humanos, como os Hadza, da Tanzânia, se mantém ativos _ intensa ou moderadamente _ cerca de duas horas por dia. Não é muito _ bem menos do que faz qualquer atleta amador.
Os Hadza estão entre os povos mais estudados do mundo justamente por seu modo de vida muito semelhante aos dos primeiros caçadores-coletores. Eles costumam chegar aos 70 anos livres de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e continuam com a musculatura forte. Uma pesquisa da Universidade do Arizona revelou que têm provavelmente o coração mais saudável do mundo.
Estão longe da rotina de atletas, mas também se distanciam de quem passa o dia sentado. Embora duas horas de atividade possam parecer uma eternidade para um sedentário, não são muito se a pessoa passar a se locomover para suas atividades rotineiras a pé ou de bicicleta, evitar passar muito tempo sentada e fazer tarefas domésticas, por exemplo. Não se trata de tempo contínuo, mas da soma dos momentos de atividade.
David Raichlen, líder do estudo do Arizona, explica que mesmo não sendo muito é 14 vezes mais que a média de um americano.
O cientista diz que a quantidade ideal de atividade necessária é semelhante à dos Hadza. Isso equivale a cerca de 15 mil passos por dia _ 50% a mais que os míticos 10 mil passos supostamente recomendados como o ideal.
Na verdade, 10 mil é um “número mágico”, arbitrário, sem base científica e de origem incerta. O cientista Elroy Aguiar, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Massachusets (EUA), diz que uma pessoa que more em cidade dá em média 6 mil passos por dia, o que é pouco. Para ele, os 10 mil surgiram de um palpite do que seria o adequado. Já são bastante coisa e trazem benefícios para quem não faz nada. Mas não são o ideal.
Porém, pessoas que passam muito tempo sentadas precisam encontrar formas de compensação. Uma pesquisa australiana publicada no Journal of American College of Cardiology com 150 mil pessoas indicou que uma hora por dia de exercício intenso, como corrida, ciclismo ou natação, é capaz de compensar os danos causados pelo tempo sentadas.
O ideal é chegar a duas horas ou 15 mil passos, mas um pouco é melhor do que nada e é muito fácil de conseguir, frisou O’Donovan.
O Globo sexta, 31 de março de 2023
GASTRONOMIA: HAMBÚRGUER BOVINO OU VEGETARIANO? QUAL É O MAIS NUTRITIVO?
Hambúrguer bovino ou vegetariano? Qual é o mais nutritivo? A resposta é surpreendente
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor comparou 6 compostos e a conclusão é que eles são praticamente iguais
Por Beatriz Coutinho*
31/03/2023 04h30 Atualizado há 57 minutos
Entre as poucas diferenças entre os dois alimentos estão as fibras, substâncias que contribuem para o bom funcionamento do intestino e o colesterol.Freepik
Lado a lado, a escolha parece óbvia: hambúrguer vegetal é mais saudável que o preparado com carne animal. Por sua vez, o vegetal perde de longe em relação à quantidade de proteína. Mas será mesmo? A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, a Proteste, derrubou inúmeros mitos ao testar seis marcas do alimento vegetal (feitos à base de soja, ervilha, arroz e lentilha) e comparar os resultados com os valores nutricionais do bovino. As surpresas ocorreram em praticamente todos os componentes, das taxas de gordura, proteína à fibra e calorias: eles são praticamente idênticos.
A começar pelas calorias: com fama de ser mais engordativo, o bovino tem 171 kcal, apenas 17 a mais que o vegetal.
No caso das proteínas, o vegetal tem menos do que o bovino, embora a diferença seja pouca: 11g para 14g, respectivamente. Os valores próximos podem levantar questões sobre substituições, principalmente em dietas restritivas quanto ao consumo de produtos animais. A pesquisadora estimula a prática, mas pede cautela, pois a qualidade dos aminoácidos é diferente.
— Os alimentos de origem animal têm todos os aminoácidos essenciais, que o corpo não consegue produzir e, por isso, são adquiridos na alimentação. Os de origem vegetal são chamados de aminoácidos limitantes (quando um aminoácido está em menor quantidade), e sempre falta algum aminoácido para completar os recomendados diariamente, destaca.
Taveira explica que, nesses casos, os próprios fabricantes costumam utilizar diferentes proteínas vegetais no hambúrguer para fazer esse complemento, “igual arroz com feijão”. O hambúrguer de soja, por exemplo, tem carência da lisina, um aminoácido essencial, e, por isso, é misturado à proteína da ervilha. Juntas, apresentam todos os aminoácidos essenciais.
As combinações também valem no prato. Hambúrguer de ervilha, que não apresenta o aminoácido metionina, vai bem com semente de abóbora (na frigideira, ficam crocantes), soja, castanha do para e até arroz integral. No de soja, o ideal é combinar com feijão, lentilha e ervilha. Dessa forma, a pesquisadora observa que “o consumidor vegetariano ou vegano vai estar consumindo todos os aminoácidos essenciais que o organismo precisa.”
E se os componentes do hambúrguer vegetal em muito se assemelham ao bovino, não seria diferente em compostos como o sódio, por exemplo. A análise da Proteste mostrou que os lotes do alimento vegetal apresentaram 400 miligramas de sódio, enquanto, segundo a tabela nutricional, os de origem animal têm 580 mg. O mesmo vale para as gorduras totais, em que a diferença foi pouca: 10g no hambúrguer vegetal e 12 no bovino. Nenhum dos dois, porém, mostrou gorduras trans.
Entre as poucas diferenças entre os dois alimentos, estão as fibras, substâncias que contribuem para o bom funcionamento do intestino, o controle da glicemia e do colesterol e aumento da saciedade. Em um hambúrguer vegetal de 80 gramas, há 3 gramas de fibras. Os bovinos nem chegam a apresentar o composto.
A nutricionista Fernanda Taveira, responsável pelo teste, revela que os vegetais, com tal quantidade, representam em torno de 12% da recomendação diária de consumo. Os carboidratos também são encontrados em maior quantidade neste tipo de hambúrguer. Quando comparados aos de carne bovina, os hambúrgueres vegetais apresentam o dobro da substância: 4 gramas.
— É de se esperar ter mais carboidrato e fibras porque o hambúrguer vegetal leva, claro, vegetais, cereais, como beterraba em pó, farinha de grão de bico. Isso tudo faz com que aumente o teor de fibras, favorecendo o controle dos níveis de açúcar, a diminuição do colesterol e a prevenção de doenças cardiovasculares, trazendo esse benefício no consumo, pontua.
Quanto à questão de aditivos, a pesquisadora explica que são encontrados em ambos os produtos. O bovino apresenta pelo menos 14, enquanto o de vegetais tem entre três e quatro. Todos esses aditivos são permitidos pela legislação, embora um produto mais próximo ao natural seja sempre a melhor escolha, os famosos “clean label”, ou rótulo livre, em português — rótulos com poucos ingredientes e sem nomes complicados.
Além da composição nutricional, a análise também realizou um teste mais amplo, que avaliou se o hambúrguer vegetal é seguro para o consumo, se tem bactérias ou fungos causadores de doença (e que podem levar ao câncer e à morte), e se apresentam metais pesados. Nesses sentidos, todos os lotes são de excelente qualidade, mas exigem conservação redobrada:
Afinal, qual é o melhor? A resposta para essa pergunta é “não há um melhor em relação a nutrientes”. A escolha certa depende dos princípios e estilo de vida individuais. A nutrição garante a qualidade de ambos.
O Globo quinta, 30 de março de 2023
PAPA FRANCISCO: SAÚDE DO SUMO-PONTÍFICE *MELHORA PROGRESSIVAMENTE*, E ELE TRABALHA DO HOSPITAL
Saúde do Papa 'melhora progressivamente' e ele trabalha do hospital, diz Vaticano
Pontífice, de 86 anos, permanecerá internado por alguns dias devido a uma infecção respiratória
Por AFP — Roma
30/03/2023 05h22 Atualizado há uma hora
O Papa Francisco durante missa na Catedral de São Sebastião, no Rio de Janeiro em 27 de julho de 2013LUCA ZENNARO / AFP
A saúde do Papa Francisco "melhora progressivamente" depois de passar a noite no hospital Roman Gemelli, em Roma, onde "leu alguns jornais e voltou ao trabalho", informou a assessoria de imprensa do Vaticano nesta quinta-feira. O Pontífice, de 86 anos, foi internado na quarta-feira por uma infecção respiratória.
"Sua Santidade, o Papa Francisco, descansou bem durante a noite. O quadro clínico melhora progressivamente e os tratamentos previstos continuam. Esta manhã, depois do café da manhã, leu alguns jornais e voltou ao trabalho", afirmou em um comunicado o porta-voz do Pontífice, Matteo Bruni.
Os próximos compromissos do líder da Igreja Católica foram cancelados. O Vaticano informou que Francisco permanecerá hospitalizado por vários dias para receber tratamento. No Twitter, Francisco disse estar "comovido" com as mensagens de carinho.
Mais cedo, uma fonte do Vaticano tinha afirmado à agência Ansa que o Pontífice passou uma noite "tranquila" no hospital e os funcionários que o atendem estavam "muito otimistas".
Fontes do hospital também afirmaram que é possível que o Pontífice possa comandar a missa do Domingo de Ramos no Vaticano, "salvo imprevistos". A missa abre as celebrações da Semana Santa, que tem como ponto máximo o Domingo de Páscoa, a data mais importante do cristianismo. O Vaticano, no entanto, já teria um plano B: o vice-decano do Colégio de Cardeais, Leonardo Sandri, estaria sendo preparado para celebrar a missa caso seja necessário.
O anúncio de sua inesperada hospitalização provocou muitas perguntas sobre o estado de saúde do primeiro Papa latino-americano da história. Na quarta, depois de afirmar que a internação era motivada por "exames programados", o porta-voz do Vaticano finalmente anunciou, após várias horas de silêncio, que o Papa sofria de uma "infecção respiratória".
"Nos últimos dias ele reclamava de dificuldades respiratórias e foi submetido a exames médicos durante o dia", disse Bruni em comunicado. "O diagnóstico de Covid-19 foi descartado, mas Francisco precisará de vários dias de tratamento médico hospitalar adequado".
As cerimônias, no entanto, são longas e cansativas para uma pessoa que passou vários dias internado. Francisco tem uma viagem programada para a Hungria no fim de abril, à cidade de Budapeste, para acompanhar o encerramento de um Encontro Eucarístico Internacional.
A hospitalização surpreendeu a opinião pública, ainda mais porque na quarta-feira o Papa participou de maneira normal da tradicional audiência geral na Praça de São Pedro, durante a qual apareceu sorridente e saudou os fiéis do "papamóvel".
A manchete desta quinta-feira do jornal La Stampa — "Papa: O grande medo" — descreveu momentos dramáticos, depois que o Pontífice revelou "uma forte dor no peito", o que levou os auxiliares a chamarem uma ambulância com urgência e decidirem pela internação imediata.
Francisco, que utiliza uma cadeira de rodas desde maio de 2022 devido à artrite em um joelho, passou por uma cirurgia no cólon em julho de 2021 no mesmo hospital de Roma, onde permaneceu internado por 10 dias. O Papa já afirmou que a operação deixou "sequelas" devido à anestesia e que, por este motivo, descartou uma nova cirurgia no joelho.
Os problemas médicos o obrigaram a cancelar várias audiências em 2022 e a adiar uma viagem à África, o que provocou muitos questionamentos sobre uma possível renúncia. Em várias entrevistas concedidas nos últimos meses, Francismo mencionou a possibilidade de renunciar, assim como fez em 2013 seu antecessor, Bento XVI, que faleceu em dezembro de 2022.
— É verdade que escrevi a minha renúncia dois meses depois de minha eleição (em março de 2013)... Eu fiz isso para o caso de ter algum problema de saúde que me impeça de exercer meu ministério — revelou Francisco, embora depois tenha esclarecido que ainda não havia pensado em renunciar ao cargo.
Em julho do ano passado, ele confessou que já não podia viajar no mesmo ritmo de antes e declarou que poderia optar pelo afastamento. No mês passado, o Pontífice voltou a abordar o tema para explicar que a renúncia de um Papa "não deve virar uma moda" e destacou que a ideia "não estava em sua agenda no momento".
Francisco é atendido com frequência por uma equipe de médicos e enfermeiros, seja no Vaticano ou durante as viagens ao exterior. No ano passado, ele foi admitido na mesma Policlínica Gemelli para fazer uma operação pré-agendada para tratar de uma diverticulite — uma inflamação na parede do intestino grosso que causa espessamento da parede do órgão, que fica mais estreito.
A saúde de Francisco, cujo Papado completou 10 anos no último dia 13, tem gerado preocupações mais acentuadas recentemente. Francisco tem dificuldade para andar devido a um problema inoperável no joelho, que o vem obrigando a se locomover com muletas ou cadeiras de rodas. Ele também teve de cancelar ou reduzir as atividades várias vezes nos últimos meses devido à dor.
O Papa sofre de osteoartrite, também chamada de artrose, do joelho direito. A idade avançada certamente contribuiu para essa situação, mas, segundo informações da imprensa italiana, a doença estaria associada à postura errada. O problema postural o levou a descarregar mais peso na articulação do joelho direito, o que levou ao seu enfraquecimento ao longo do tempo e provocou um desgaste severo do ligamento.
O religioso também não tem parte de um pulmão, que foi retirada quando ele tinha em torno de 20 anos e morava em Buenos Aires, o que não impede suas atividades normais.
O Globo quarta, 29 de março de 2023
LONGEVIDADE: CAMINHADA DE 8 MIL PASSOS UMA VEZ NA SEMANA REDUZ RISCO DE MORTE, DIZ ESTUDO
Caminhada de 8 mil passos uma vez na semana reduz risco de morte, diz estudo
Fazer a atividade mais dias da semana aumentam ainda mais a longevidade
Por AFP
29/03/2023 05h03 Atualizado há 5 horas
Caminhada de 8 mil passos ao menos uma vez na semana reduz risco de morte, diz estudoAna Branco / Agência O Globo
Caminhar 8 mil passos, ou cerca de 6,4 quilômetros, um ou dois dias por semana pode reduzir significativamente o risco de morte prematura, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira. Embora o exercício regular seja conhecido por reduzir o risco de mortalidade, o estudo publicado na revista JAMA Network Open analisou os benefícios para a saúde de caminhar intensamente apenas alguns dias por semana.
Para o estudo, os pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisaram dados de 3.100 adultos americanos. Eles descobriram que aqueles que caminhavam 8 mil passos ou mais um ou dois dias por semana tinham 14,9% menos probabilidade de morrer em um período de 10 anos do que aqueles que nunca atingiram essa marca.
Para aqueles que caminharam 8 mil passos ou mais de três a sete dias por semana, o risco de mortalidade foi ainda menor: 16,5%. Os benefícios para a saúde desse hábito mostraram-se ainda maiores para os participantes com 65 anos ou mais.
"O número de dias por semana dando 8 mil passos ou mais foi associado a um menor risco de mortalidade por todas as causas e cardiovascular", disseram os pesquisadores. “Essas descobertas sugerem que os indivíduos podem obter benefícios substanciais para a saúde caminhando apenas alguns dias por semana.”
Para o estudo, os pesquisadores usaram contagens diárias de passos de participantes em 2005 e 2006 e examinaram seus dados de mortalidade 10 anos depois. Entre as pessoas analisadas, 632 deram 8 mil passos ou mais zero dias por semana, 532 deram 8 mil passos ou mais um a dois dias por semana e 1.937 deram 8 mil ou mais passos três a sete dias por semana.
O americano médio caminha de 3 mil a 4 mil passos por dia, de acordo com a Mayo Clinic, que afirma que caminhar regularmente pode reduzir o risco de doenças cardíacas, obesidade, diabetes, pressão alta e depressão.
O Globo terça, 28 de março de 2023
GERASCOFOBIA: SAIBA MAIS SOBRE O MEDO EXAGERADO DE ENVELHECER QUE ATINGE OS JOVENS
Gerascofobia: saiba mais sobre o medo exagerado de envelhecer que atinge os jovens
Pesquisa aponta que pessoas na faixa dos 18 aos 24 anos têm visões negativas sobre a velhice
Por Laís Rissato — São Paulo
28/03/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
Gerascofobia é o medo exacerbado de envelhecerShutterstock
Aos 29 anos, Amanda Mendes tem pressa. Gerente de um escritório de arquitetura, ela decretou uma verdadeira batalha contra o tempo, transformando-o em seu pior inimigo, e entendendo ser tarde demais para certas conquistas, como casar-se ou comprar um imóvel. “Já queria estar casada, ter um carro, um apartamento, ou pelo menos pagando por essas coisas, e não pensando em começar”, avisa. “Então, parece que estou atrasada. Me acho velha e pronto”, conta.
No espelho, as marcas no rosto também são motivo de ansiedade. “Já faço botox há um ano e meio. Com qualquer ruguinha, fico desesperada”, diz. A terapia, conta, tem servido para amenizar os efeitos emocionais de algo que é inevitável, o envelhecimento. De acordo com pesquisas divulgadas nos últimos anos, como a da Sociedade Real para a Saúde Pública do Reino Unido, feita em 2018, 40% dos entrevistados entre os 18 e 24 anos tinham visões negativas sobre a velhice. Outro estudo encomendado pela Pfizer em 2015 afirma que 90% da população brasileira tem medo de envelhecer. E esse medo tem nome: gerascofobia.
Para Valmir Moratelli, pesquisador sobre envelhecimento e doutor pela PUC-Rio, a lógica que enaltece os jovens surge no final do século XVIII, com a Revolução Industrial, em um momento em que os corpos velhos são “descartados” por não terem tanta agilidade e maior capacidade de produção. “O jovem é visto como aquele que é capaz de mover a economia, e essa visão fica ainda mais exacerbada com a tecnologia. Tudo o que é moderno é atrelado ao jovem e a valores capitalistas muito ligados à produtividade. Então, envelhecer faz a gente ter medo de sofrer consequências”, explica.
A estudante Renata Queiroz, de 35 anos — Foto: Arquivo pessoal
Muito desse pânico tem a ver com as redes sociais. “É um faz de conta, uma válvula de escape para burlar essa noção de temporalidade que chega para todos”, diz o pesquisador. Não à toa, a dependência dos filtros que melhoram a pele e a aparência atinge cerca de 84% dos jovens, de acordo com levantamento feito pela empresa Edelman Data & Intelligence em 2020. No aplicativo Tik Tok, o filtro “Como um adolescente”, que “revive” a aparência do usuário nessa fase da vida, já tem quase quatro milhões de vídeos.
Para as mulheres, os efeitos da passagem do tempo são, socialmente, mais cruéis, e os maiores exemplos vêm da indústria do entretenimento. Em 1986, ao fazer 40 anos, a atriz e cantora Cher, de 76, ouviu que era “velha demais e nada sexy” para integrar o elenco do filme “As Bruxas de Eastwick”. Aos 33 anos, em 2015, Anne Hathaway declarou em entrevista sentir estar perdendo papéis para atrizes na faixa dos 20. Desde que a cerimônia do Oscar foi criada, em 1929, só 30 atrizes com mais de 50 anos foram premiadas com a estatueta. Entre os homens, esse número dobra.
“O que é crítico nessa conversa é que a mulher é sempre velha para alguma coisa, seja para brincar de boneca ou fazer uma tatuagem. Estamos perenemente condenadas a um relógio que faz alusão ao biológico”, explica Iza Dezon, CEO da agência de previsão de tendências Dezon. Ela afirma que o nosso confronto com a imagem o tempo todo nas redes, selfies e videochamadas piora o problema. Pela primeira vez em muito tempo a estudante Renata Queiroz não comemorou seu aniversário. Ao completar 35 anos em fevereiro, teve uma sensação diferente. “Eu realmente não sabia se estava feliz. Minha família e meus amigos se espantaram por eu não querer a casa cheia. Amava fazer aniversário”, lamenta ela.
A preocupação com a idade já a faz pensar em ir para a mesa de cirurgia. “Fiz mamoplastia e coloquei prótese por causa da amamentação, mas queria também uma lipo na papada. Além disso, faço drenagem, massagem modeladora e uso produtos cosméticos de uso contínuo. Tenho receio de não ser mais tão nova e bonita”, afirma Renata, mãe de dois rapazes, um de 18 e outro de 15 anos. “Ter a aparência da sua idade é muito ruim”, acredita. Outro medo constante é chegar aos 40 e perder a vitalidade. “Sempre tive boa mobilidade e hoje vejo que algumas coisas me causam cansaço físico. As limitações me assustam”.
O consultor de investimentos Allysson Moraes — Foto: Arquivo pessoal
Se para as mulheres vale (quase) tudo para barrar a ação do tempo na pele, para os homens, questões como a solidão, o medo de morrer e a falta de perspectivas no mercado de trabalho parecem ser mais importantes. “A sociedade ocidental não está preparada para encarar a finitude. A tendência é a gente negar a morte”, fala o analista de dados Igor Carvalho, 39 anos. “Estou tentando não surtar (risos). A velhice é um conjunto de perdas. Pensar na possibilidade de não ter amparo em um momento em que precisamos de apoio é uma realidade difícil de encarar”, continua ele.
A falta de representatividade na moda e em outros mercados de consumo também traz desconforto e ansiedade para Igor. “Outro dia, passei em frente a uma loja e me assustei, porque não me reconheci naquelas roupas. Parece que há 10, 15 anos, eu podia mais. A figura do jovem é sempre mais atraente, mais carregada de valor e de potência”. O consultor de investimentos Allysson Moraes, de 35 anos, faz coro e afirma que, além de mentir a idade quando questionado, perde o sono quando pensa na passagem do tempo. “Não consigo dormir, é um sofrimento diário, me consome. Graças a Deus, aparento ser mais jovem”, desabafa. Os efeitos também são sentidos em processos seletivos de emprego. “Sei que sou considerado velho para o mercado. Aniversário, eu nem comemoro mais”, pontua.
Mas o que fazer, já que é impossível parar o tempo? A psiquiatra e psicogeriatra Salma Ribeiz diz ser essencial exercitar a arte de viver no presente. “Cultivar amizades, ter disposição para aprender algo novo e ver as mudanças positivas, e não apenas negativas, que a passagem do tempo traz, como mais experiências, segurança e regulação emocional”, afirma. Para estudiosos do tema, a velhice deveria ser entendida como um ganho, afinal, é um privilégio envelhecer com dignidade em um país desigual como o Brasil, uma vez que nem todos têm esse direito. “Ir em busca de um propósito de vida também norteia e facilita a aceitação do envelhecimento”, finaliza Salma.
O Globo segunda, 27 de março de 2023
ESPIRITUALIDADE NA MEDICINA: *FÉ NÃO GARANTE CURA,MAS SEM ELA FICA MAIS DIFÍCIL*, DIZ GERIATRA
Espiritualidade na medicina: ‘Fé não garante cura, mas sem ela fica mais difícil’, diz geriatra
Para Fábio Nasri, coordenador de grupo focado no tema do Hospital Albert Einstein, pesquisas mostram que tratamento de pacientes deve considerar também suas crenças
Por Elisa Martins — São Paulo
27/03/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
O geriatra Fábio NasriMaria Isabel Oliveira
Desde os tempos dos “primeiros médicos”, os xamãs e curandeiros, espiritualidade e medicina caminharam juntas. Depois, se separaram, como se fossem opostas. A relação tem sido resgatada recentemente, no Brasil e no mundo, puxada por pesquisas que mostram a influência da espiritualidade em desfechos favoráveis de saúde.
No mês passado, o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, criou um grupo médico-assistencial focado no tema. O objetivo é aprofundar os conhecimentos na combinação entre espiritualidade e medicina, e em como ela pode aumentar o bem-estar de pacientes, inclusive levando líderes religiosos para os leitos, quando solicitados.
Em entrevista ao GLOBO, o coordenador do grupo, o geriatra Fábio Nasri, é enfático: “Quando o paciente entra no hospital, não pode entrar só o coração, o apêndice. É preciso considerar toda a dimensão dele, inclusive a espiritualidade. Ela pode ser mais uma ferramenta poderosa de saúde”.
Por muito tempo a medicina foi tida como uma área objetiva e direta, e a espiritualidade, como algo subjetivo, quase como se uma fosse impeditiva da outra. Afinal, elas combinam?
A espiritualidade é parte das pessoas. Mesmo quem não tenha uma fé, crença ou religião, interage com a natureza, com o clima, com o sol. Não podemos negligenciar essa dimensão nas pessoas, seria apartar algo intrínseco ao cuidar da saúde delas. Houve uma separação no passado. Mas a tendência hoje no Brasil e no mundo é de juntar esses valores novamente. Não há como atender um paciente, dar a notícia de que ele tem um câncer, dizer que ele vai fazer uma cirurgia complicada ou que tem uma doença crônica sem atendê-lo como um ser completo. E a espiritualidade não pode ficar de fora. Pode, inclusive, ser ferramenta adicional no arsenal terapêutico.
Os “primeiros médicos” eram líderes espirituais, os xamãs. Como se deu essa separação?
Vem de muito tempo. Desde a teoria da razão de (René) Descartes, houve interesse também da Igreja de que houvesse essa separação. Como se fosse um acordo do tipo: "Olha, vocês ficam com o corpo, a gente fica com a alma". Ao mesmo tempo, a Ciência começou a se desenvolver, e houve uma espécie de materialização das sensações. A medicina seguiu um curso reducionista.
O que levou à reaproximação?
Começaram a acontecer fatos que chamavam a atenção, em vários campos da Ciência médica. Primeiro as experiências de quase-morte, em que pessoas que passavam por períodos de morte momentânea e retornavam relatavam experiências de encontrar entes queridos. Outros pesquisadores começaram a publicar casos de lembranças de vidas passadas. Existem relatos impressionantes de crianças que em idade muito tenra lembravam de vidas pregressas. Ao mesmo tempo, tornaram-se mais conhecidos desfechos favoráveis de saúde em pessoas com a espiritualidade mais presente. Elas iam melhor em uma série de quesitos.
Que efeitos a espiritualidade produzia nesses pacientes?
Passavam melhor pelas doenças, pelo pós-operatório. Não falo de cura, mas de vivência do processo, de como atravessam um período duro. Pesquisas ao longo do tempo mostram que quem realmente acredita, tem fé, tem uma evolução melhor. Isso chamou atenção, e os estudos aumentaram. É um caminho sem volta.
A Ciência comprova esses benefícios?
Diversos artigos mostram isso. Quando uma pessoa faz uma prece, independentemente da religião, a frequência cardíaca tende a diminuir, a pressão cai. Há uma série de fenômenos pensando em neurotransmissores e estimulação cerebral que fazem bem às pessoas que têm a espiritualidade intrínseca. Diminui a atividade do sistema simpático, responsável por aumentar a pressão e a frequência cardíaca. Melhora a perfusão cerebral. Ativa sensações ligadas a prazer e bem-estar libera ocitocina, serotonina. E não necessariamente precisa de um templo para isso. A pessoa pode admirar música, o pôr do sol, meditar, fazer yoga. Normalmente quem segue esses preceitos acaba sendo mais saudável, por questão de conduta. Mas também existe um outro lado.
Quando a espiritualidade pode fazer mal à saúde?
Existem pessoas que se dizem religiosas, mas não incorporam esses valores em suas vidas. Então não colhem os benefícios. Existem também as que acham que só a crença vai curá-las. E desistem do tratamento. Ou vão a outros lugares onde entendem que vão ser curadas, mas não são espaços de índole adequada. É preciso cuidado também. O que vemos na medicina é que não dá para sair dizendo que a fé é garantia de cura. Mas dá para dizer que sem ela é mais difícil.
A delicadeza do tema explicaria por que médicos ainda são receosos de abordá-lo em consulta?
Existem pesquisas que mostram que os pacientes gostariam que os médicos abordassem esse tema no consultório. E existem pesquisas entre médicos, inclusive no Brasil, que é líder de estudos na área, que indicam que eles gostariam de falar mais sobre isso com os pacientes. Mas há médicos que receiam que os pacientes achem que eles querem levá-los para a igreja deles. Além disso, numa consulta em que o médico tem de verificar pressão, colesterol, tratar câncer, avaliar a memória etc, nem sempre sobra tempo. Mas o principal motivo é que os médicos não têm treinamento para isso. Não é só sair perguntando: “E aí, você tem alguma religião?” Há uma estratégia, e poucas escolas brasileiras oferecem aulas sobre isso.
A pandemia reforçou a importância da espiritualidade em momentos críticos?
Outro dia, cheguei no hospital cedinho para ver pacientes e me surpreendi quando vi a equipe que estava pegando o plantão formar uma roda e fazer uma prece para que tudo corresse bem, para que pudessem ser instrumento de auxílio aos doentes. Vi depois que era prática em vários momentos no hospital. E isso talvez seja um efeito pós-pandemia. Um dos maiores pesquisadores dessa área já preconizava os benefícios de que médicos orassem junto com os pacientes antes de uma cirurgia ou procedimento. Mas ainda não é algo muito difundido.
Para que lado caminham as pesquisas?
Muitos estudos mostram a associação positiva entre espiritualidade e bons desfechos em saúde. Várias sociedades médicas brasileiras já incorporaram esse tema. O pulo do gato é como isso acontece. É fácil explicar e a pessoa entender que no momento em que ora, medita ou vai a uma cachoeira isso traz benefícios para os sistemas endócrino, cardiovascular, etc. O problema é como isso acontece no nível da célula. Qual é a proteína? Como essa energia entra? É algo do DNA? Não sabemos. Precisamos abrir a cabeça. Ainda vai demorar para descobrir.
O Globo domingo, 26 de março de 2023
DIRVERSÃO: ÚLTIMA LOCADORA DE VÍDEO DO RIO RESISTE À ERA DO STREAMING
Última locadora de vídeo do Rio resiste à era do streaming conquistando idosos e cinéfilos com acervo raro
Clientes cadastrados na loja, em Ipanema, têm até sete dias para devolver títulos de DVDs de filmes e séries alugados por R$ 7
Por Geraldo Ribeiro
26/03/2023 06h30 Atualizado há 4 horas
Acervo. Na Storm, José Carlos Menezes guarda 25 mil DVDs de filmes identificados por gêneros e diretores. Ele aposta em títulos difíceis de achar no streamingFabio Rossi
Quem entra na Galeria Castelinho, na Rua Gomes Carneiro, entre Ipanema e Copacabana, na Zona Sul do Rio, e atravessa a portinha de uma de suas pequeninas lojas acaba mergulhando em um verdadeiro túnel do tempo. As muitas estantes que formam corredores estreitos no interior do estabelecimento acomodam 25 mil DVDs de filmes identificados por gêneros e diretores.
Elas também mostram que, na contramão do avanço da tecnologia digital, ali funciona um tipo de comércio que muita gente já julgava extinto: a locação de vídeos. A Storm resiste bravamente como a última locadora da cidade de que se tem notícia. Pelo menos funcionando nos moldes tradicionais, com direito a clientes cadastrados que têm até sete dias para devolver títulos alugados por R$ 7, apesar das facilidades oferecidas pelas plataformas de streaming.
É um negócio movido a nostalgia, com muita dedicação e amor à Sétima Arte, por parte do proprietário José Carlos Alves Menezes, de 61 anos, que em 1992 abandonou o emprego na área de informática em uma empresa de engenharia para comandar o negócio aberto cinco anos antes por dois irmãos dele. Na época, vivia-se ainda a febre dos videocassetes, e alugar suas fitas era um programa familiar. A substituição pelos DVDs veio no começo dos anos 2000. Pouco mais de dez anos depois, a oferta de filmes pelo streaming fez a demanda pelas locadoras cair vertiginosamente, provocando o fechamento desses estabelecimentos.
A Storm se valeu da derrocada das concorrentes para se fortalecer e se manter viva. A cada loja que fechava, José Carlos ia atrás e arrematava o estoque. Com isso, construiu um acervo invejável, com grandes clássicos do cinema, filmes cult e obras de grandes diretores.
Metade sebo
Hoje, a locadora explora um nicho, oferecendo a seus clientes títulos que não se encontra facilmente no streaming. São filmes de cineastas como Ingmar Bergman, Pier Paolo Pasolini e Luis Buñuel, ou então obras produzidas por diretores de países como Irã, Uruguai e Vietnã. A clientela é composta basicamente por idosos, estudantes de cinema e cinéfilos.
A locadora que, nos tempos de glória, alugava mais de quatro mil filmes por mês, atualmente vê deixar suas prateleiras no mesmo período pouco mais de 400. O cenário só não é mais desfavorável por causa da fidelidade de clientes como a figurinista Maria Lúcia Areal, a Lulu, de 72 anos, moradora de Ipanema. Ela contou que descobriu o estabelecimento de José Carlos há cerca de dez anos, quando a locadora que frequentava, na Praça General Osório, sucumbiu aos novos tempos e fechou as portas. Nunca mais abandonou a nova loja e se tornou amiga do dono.
— Ele tem um acervo deslumbrante. Muita coisa que você não encontra por aí, nem no streaming, onde só colocam os títulos mais importantes de determinados cineastas e atores. Na locadora do José Carlos, você tem a obra completa desses artistas, incluindo os títulos mais obscuros. Se um dia a loja fechar, vai ser uma perda irreparável — diz a cliente, que ainda tem em casa dois aparelhos para reprodução de DVDs, e cujo último filme alugado, na semana passada, foi “Retorno a Howard’s End”, dirigido em 1992 por James Ivory e estrelado por Anthony Hopkins.
A figurinista, assim como a jornalista aposentada Maria Cristina Monteiro, de 81, fazem parte do perfil clássico de clientes da locadora. Gente que viveu o auge deste tipo de estabelecimento comercial e continua a alugar filmes, seja por saudosismo ou necessidade de buscar títulos que não estão disponíveis nas plataformas digitais.
Na contramão desse público está o estudante Samuel Valadares, de 21 anos. Frequentador da locadora dos 10 aos 15, quando o ramo já havia entrado em decadência, aos 16, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça — como nos tempos do Cinema Novo — , começou a filmar a saga de José Carlos, que resultou no filme “Storm Vídeo”, disponível na Globoplay desde dezembro de 2021.
— Minha ideia não era contar a história da locadora, mas mostrar a relação de José Carlos com a loja, os clientes e com um funcionário que foi demitido e voltava lá todos os dias, além de abordar a forma como ele lidava com esse comércio que estava morrendo — contou o rapaz, quehoje é estudante de direção teatral na UFRJ.
Para garantir a sobrevida do seu negócio, José Carlos resolveu diversificar as atividades e, hoje, metade da loja virou um sebo. Mas ele assegura que boa parte da renda ainda vem do aluguel e venda de DVDs. O faturamento, segundo garante, é (quase sempre) suficiente para bancar o negócio.
— Sei que o ramo está com os dias contados. Mas pode ser que tenha uma reviravolta, como aconteceu com os vinis — sonha.
Outro “herói da resistência” no ramo das locadoras foi a Cavideo, que sucumbiu durante a pandemia, quando fechou a loja na Cobal do Humaitá. Com o acervo de mais de 27 mil títulos de filmes e 20 mil livros de cinema acumulados ao longo de 30 anos, o dono, Cavi Borges, fechou parceria com a prefeitura do Rio, que cedeu gratuitamente um espaço nas Casas Casadas, em Laranjeiras, onde instalou o Espaço Cultural Cavídeo. Lá os filmes não são mais alugados e sim emprestados.
O Globo sábado, 25 de março de 2023
ABDOMINAIS: OS 4 ERROS MAIS COMUNS QUE AS PESSOAS COMETEM
Abdominais: os 4 erros mais comuns que as pessoas cometem
Fazer centenas de abdominais, abaixar ou levantar muito o quadril durante a prancha: erros podem não dar resultados e até acarretar lesões
Por Victoria Vera Ziccardi, La Nacion
25/03/2023 04h30 Atualizado há 3 horas
Músculos do abdômen não podem ser pensados e treinados de maneira isoladaFreepik
“Tonifique o abdômen”, “reduza a barriga”, “reduza o risco de doenças metabólicas”, “tenha um corpo semelhante ao de personalidades como Cristiano Ronaldo e Jennifer Lopez”. Essas são algumas das frases que se repetem nos consultórios de médicos do esporte ou nas conversas com o personal trainer na academia a respeito do abdômen ideal que se deseja alcançar.
No entanto, na maioria dos casos, o tempo passa e essas pessoas percebem que os dias e as sessões de exercícios não trouxeram resultados: o abdômen não achata, nem a barriga diminui. O motivo? Segundo o pediatra, médico do esporte e diretor da Diplomatura en Medicina Deportiva Pediátrica de la Universidad Favaloro, Santiago Kweitel, o problema está ligado a diversos fatores, e não com um problema particular.
Para que serve o abdômen?
— O abdômen é importante porque é formado por músculos posturais e, sem o seu trabalho ou tratamento adequado, pode produzir um aumento da curvatura da coluna vertebral a nível lombar, denominado hiperlordose, que se afasta dos índices normais da postura desta parte do corpo, explica o professor de Educação Física, Luciano Aguilera.
Neste contexto, o profissional acrescenta que esses músculos acompanham a maior parte dos gestos que as pessoas fazem no dia a dia: espirrar, tossir, levantar objetos, urinar, sentar e levantar. Por isso, não são relevantes apenas por motivos estéticos, como a popular “barriga trincada” ou o “abdômen de aço”. Esta parte do corpo também é fundamental quando se trata de saúde geral e mobilidade diária.
Por sua vez, Kweitel afirma que, a princípio, os músculos do abdômen não podem ser pensados e treinados de maneira isolada.
— Eles fazem parte do core, que é uma espécie de caixa com quatro lados: o diafragma em cima, o assoalho pélvico embaixo, os músculos do abdômen na parte inferior, e os músculos paravertebrais e lombares nas costas, detalha.
Por isso, o funcionamento correto do abdômen é fundamental, já que o core aciona diferentes funções, como a estabilidade do tronco, da pélvis, da coluna, a respiração correta, a proteção das vísceras, o retorno venoso e o controle da pressão.
Erros mais comuns ao fazer abdominais
Ambos os especialistas enfatizam que existem certos enganos que se repetem ao fazer abdominais e que é necessário conhecê-los para evitar erros no futuro e atingir os objetivos desejados.
1. Sempre fazer exercícios que envolvem o iliopsoas (músculo flexor da articulação do quadril)
Exercícios que implicam na exigência dessa parte do corpo são as abdominais em dobradiça ou em "V", além de outros que envolvem o movimento das pernas e sua elevação.
— Hipertrofiar (crescimento das células e aumento do tecido formado por elas, portanto) esse músculo pode trazer alterações posturais, pois ele é responsável por motivar movimentos como caminhar, correr e flexionar o quadril, explica Aguilera.
O professor de Educação Física acrescenta que uma alternativa é variar os movimentos e colocar os joelhos a 90° em diferentes exercícios abdominais para conseguir bloquear o músculo psoas (que se conecta da lombar ao fêmur) e, dessa forma, trabalhar os restantes músculos que compõem o abdômen.
2. Fazer rotações com o tronco nos exercícios oblíquos
— Quando trabalhamos os oblíquos, devemos evitar a todo custo que as rotações partam do tronco, destaca Aguilera.
Essa recomendação é feita porque a coluna não está preparada para fazer curvas sozinha, podendo ser prejudicada com um movimento errado. Para evitar isso, recomenda-se fazer exercícios do tipo alpinista, cruzando levemente as pernas e tentando manter o tronco o mais reto possível ou minimizando o seu movimento.
3. Acreditar que fazer centenas de abdominais é mais eficaz
— Conquistar o abdômen perfeito não acontece apenas fazendo abdominais. Você deve acrescentar outros exercícios, como cardio, treinamento de força e uma dieta saudável, esclarece Kweitel. Segundo o médico, realizar tudo isso em conjunto deixa o abdômen mais liso.
— Não dá para estabelecer a meta de ter o físico ou fazer prancha abdominal como um atleta de elite, porque a população em geral não é um atleta de alto rendimento. Quando as pessoas percebem isso, surge uma grande frustração por não atingir esse objetivo irreal, afirma.
4. Abaixar ou levantar muito o quadril ao fazer prancha
Segundo os especialistas, ao fazer o exercício de prancha é preciso evitar que o quadril caia no chão ou fique muito levantado.
— O quadril tem que estar na mesma linha que o corpo todo, ensina Aguilera.
Se feito de maneira errada, este exercício pode causar curvatura lombar excessiva ou retroversão deficiente do quadril, que pode levar a lesões.
Ambos os profissionais concordam que, se o objetivo é reduzir a gordura abdominal, o essencial é reduzir os níveis de cortisol (hormônio do estresse), já que quanto mais cortisol, mais o corpo aumenta o armazenamento de gordura. Além disso, recomendam ingerir pouca quantidade de carboidratos e açúcares, junto com uma alimentação saudável. Por fim, para manter-se saudável e obter resultados permanentes, o ideal é aliar as abdominais às sessões de treinamento de alta intensidade do resto corpo, mantendo a consistência e a rotina.
O Globo sexta, 24 de março de 2023
SAÚDE: A COMIDA QUE ESTÁ NOS ADOECENDO
A comida que está nos adoecendo
Estudo mostra que alimentos ultraprocessados estão relacionados a diversos tipos de câncer
Por Daniel Becker
24/03/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
Batatinha chips é alimento ultraprocessadoUnsplash
Mais um estudo, entre muitos, que reafirma os riscos dos ultraprocessados para a saúde humana.
A pesquisa foi desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) e pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Uiversidade de São Paulo (FMUSP), utilizando os dados do European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC), um projeto gigantesco que acompanhou 521.324 pessoas entre 18 de março de 1991 e 2 de julho de 2001, em dez países europeus. A publicação do grupo brasileiro saiu na revista científica Lancet Planetary Health, dia 6/3, e evidenciou a associação entre o consumo de ultraprocessados e o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
Os participantes foram divididos em grupos de acordo com seu consumo diário de ultraprocessados. O de maior consumo chegou a um quarto da sua alimentação diária a base desses produtos.
Cerca de 10% dos 450.111 participantes analisados apresentou algum tipo de câncer. Através de cálculos estatísticos, o estudo mostrou que a substituição de apenas 10% de alimentos ultraprocessados por uma mesma quantidade de alimentos naturais ou minimamente processados, foi associada a uma redução significativa no risco de câncer em geral e especificamente para câncer de cabeça e pescoço, esôfago, cólon e reto, fígado e mama.
Um outro estudo baseado no EPIC mostrou que o consumo de frutas e vegetais protege contra o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como os de cólon, mama, pulmão e próstata.
Mais uma vez, um esforço mínimo de trocar o refrigerante por água geladinha (que pode ser saborizada com frutas), o macarrão instantâneo pelo de verdade, o salgadinho do lanche por um sanduíche, o biscoito recheado por um bolinho caseiro saudável, o hambúrguer com batata frita por um prato de arroz com feijão, é um investimento que rende enormemente para a saúde de crianças e adultos. Gera bem estar no curto prazo, e no longo, vai reduzir o risco não só de câncer, mas de infarto, derrame, depressão e outras. E a alimentação saudável pode ser prazerosa também.
Precisamos de políticas públicas que aumentem a taxação de ultraprocessados, que são mais disponíveis e baratos que os alimentos naturais, para apoiar a agricultura familiar e tornar a comida saudável mais barata e acessível, especialmente para a população mais pobre, a maior vítima da publicidade enganosa da indústria alimentícia.
BEBIDA ALCOÓLICA, COCHILO: OS 5 MITOS SOBRE UMA BOA NOITE DE SONO
Bebida alcoólica, cochilo: os 5 mitos sobre uma boa noite de sono
Seis a cada dez brasileiros dormem mal, especialmente as mulheres. Quantas horas você deve dormir de acordo com a sua idade? Calcule
Por Melanie Shulman, La Nacion
23/03/2023 04h30 Atualizado há 2 horas
Uma boa noite de sono garante qualidade de vida e promete um ótimo desempenho nas atividades diurnasFreepik
É através do descanso que o cérebro e o corpo se recuperam do estresse acumulado durante o dia, os tecidos neurais são reparados e a memória é consolidada. No entanto, cada um tem sua realidade: alguns conseguem ter um sono de qualidade durante toda a noite, enquanto outros podem chegar a passar longas horas sem "pregar o olho".
Mas, é inegável que uma boa noite de sono garante qualidade de vida e promete um ótimo desempenho nas atividades diurnas. Pelo contrário, quando não se dorme bem, no dia seguinte pode-se parecer sonolento e desatento, e, com o tempo, a predisposição para desenvolver doenças aumenta.
Em contraste com essa realidade, dados colhidos entre 2018 e 2019 pela Associação Brasileira do Sono (ABS), mostram que a população brasileira está dormindo menos. De 6,6 horas por dia em 2018, a quantidade de horas de sono por dia caiu para 6,4, em 2019.
Acontece que nos últimos tempos, “o sono perdeu prestígio”, segundo a médica neurologista especializada em sono da Unidad de Medicina del Sueño de Fleni, Agustina Furnari. Hoje, dorme-se entre uma e duas horas a menos do que há 50 anos. E o motivo tem a ver com a mudança de estilo de vida.
— Questões relacionadas com a adrenalina diária, com a carga de trabalho exigida e com uma vida social ativa, fazem com que tenhamos menos horas para descansar, afirma a especialista.
E esta situação é claramente evidente na sociedade brasileira. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Sleep Epidemiology (Epidemiologia do Sono, em tradução do inglês), cerca de 66% dos brasileiros dormem mal e, entre esses, as mais afetadas são as mulheres, que podem ter um sono até 10% pior do que o dos homens.
Na mesma linha, mas na Argentina, estudos realizados pelo Conicet e pelo Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA) revelaram que 14,8% dos argentinos dormem menos de seis horas por dia. Segundo o levantamento, esses números referem-se principalmente a pessoas entre 35 e 50 anos que vivem em grandes cidades. Os dados são alarmantes: o resultado está abaixo do índice recomendado pela Sleep Foundation dos Estados Unidos, que sugere que para maiores de 18 anos o ideal é dormir no mínimo sete horas.
Dormir é uma necessidade universal e inevitável, mas vários fatores devem ser levados em conta para promover ou não um bom descanso.
Curiosidades
1) Como surgiu a cama?
Os registros indicam que a primeira cama remonta à Idade da Pedra, há 227.000 anos. Esses dados foram revelados pela revista Science. Uma investigação descobriu que em Border Cave, uma caverna na África do Sul, havia indícios do uso de camas. Os pesquisadores estimam que essas comunidades buscavam um local para se proteger de insetos e pragas, enquanto tentavam manter a ordem no espaço. Essas camas foram construídas com grama e cinzas.
Mais tarde, os gregos e os romanos adotaram as camas e deram-lhes um caráter multifuncional: não só dormiam, como também comiam. Nos tempos medievais, na Europa, já era costume dormir reclinado sobre algum artefato: as pessoas de baixa renda o faziam sobre palha e feno, enquanto os ricos mandavam construir camas grandes, como símbolo de luxo. Naquela época, independentemente da classe social, as camas eram comunitárias: ali também descansavam famílias inteiras e, às vezes, hóspedes.
Os anos foram passando e alguns hábitos, mudando. Nos tempos modernos, as camas passaram a ser usadas por uma ou duas pessoas, e eram sinônimo de opulência e riqueza. Os monarcas, como por exemplo Luís XIV, da França, as encomendavam com designs luxuosos e enormes. O material preferido era a madeira, mas, ao longo dos anos e por questões de higiene, esse material foi gradualmente substituído pelo ferro.
Atualmente, as camas fazem parte do mundo privado das pessoas e são vistas como um espaço de descanso, confortável e que gera prazer.
2) Quantas horas de sua vida uma pessoa dorme?
— Cada faixa etária tem a quantidade de horas recomendada, mas, em média, recomenda-se que os adultos durmam em média oito horas por noite. Isso significa que uma pessoa dorme um terço de toda a sua vida.
3) Como não caímos da cama?
Ao longo da vida desenvolve-se a propriocepção: o cérebro aprende a tomar consciência do corpo e da dimensão dos espaços.
— Assim, inconscientemente, sabemos até onde vai a cama e como se movimentar para não cair, explica Furnari.
4) É bom dormir com protetor de ouvidos e máscara?
Para Furnari, embora seja um hábito válido, adotado por um grande número de pessoas, principalmente as que moram em grandes cidades e são sensíveis à luz e ao som, "o ideal é manter as condições naturais na hora de dormir e adaptar o quarto para evitá-lo”. E acrescenta que o importante é garantir um local adequado para descansar bem: fresco e escuro.
Mitos
“Alguns copos de álcool para relaxar antes de dormir”
Embora o álcool possa ajudar a adormecer mais rapidamente, já que pode ter um efeito sedativo, a verdade é que a longo prazo "gera um sono de má qualidade, superficial e fragmentado", alerta a médica neurologista do Hospital Italiano e presidente da Associação Argentina de Medicina do Sono, Stella Valiensi.
— Em pessoas com apneia ou com tendência a roncar, esses problemas vão piorar, porque a via aérea relaxa, destaca.
Acontece que esses tipos de bebida, segundo Furnari, “são predadores do sistema nervoso central”. Ela explica que, nas primeiras horas da noite, quando ainda há álcool no sangue, o mais provável é que a pessoa adormeça profundamente, mas sem sonhar. Isso porque, o álcool age sobre o ácido gama-aminobutírico, um neurotransmissor que inibe os impulsos entre as células nervosas e promove a calma. Porém, quando o nível de álcool no sangue cai, o cérebro começa a acelerar e a qualidade do sono é perdida.
Furnari também conta que o álcool funciona como um diurético. Sendo assim, o consumo em excesso pode fazer com que a pessoa acorde no meio da noite com a bexiga cheia. A especialista em sono sugere ingerir pouco líquido e concentrado. Por sua vez, recomenda alimentos ricos em triptofano, componente que gera a melatonina, o hormônio do sono. Entre eles cita o kiwi, a banana e o leite.
"Eu assisto TV até pegar no sono"
De acordo com as especialistas consultadas, o quarto deve ser reservado para dormir e que o restante das atividades deve ocorrer fora dele.
— O ideal é desligar os aparelhos eletrônicos uma hora antes de dormir, pois as telas emitem uma luz que suprime a secreção de melatonina, esclarece Furnari.
Porém, "para muitas pessoas, a televisão funciona como um remédio para dormir", aponta Valiensi. Apesar disso, a neurologista recomenda tomar cuidado com o conteúdo que se assiste, porque quando se trata de violência ou terror, "pode alterar e gerar adrenalina”, sugerindo que o melhor é assistir a filmes ou séries calmas e relaxantes.
“Fico na cama mesmo tendo insônia”
Rolar na cama por não conseguir dormir é comum. No entanto, as especialistas revelam que é preciso levantar.
— Se você ficar na cama sem dormir, pode gerar uma associação negativa com a cama e o quarto —, afirma Furnari. A neurologista diz que o normal é adormecer em 20 ou 30 minutos. — [Quando ultrapassado esse tempo] sugere-se mudar de espaço e ir para um local confortável, onde se possa relaxar e fazer alguma atividade para induzir o sono novamente.
Isso inclui ler com pouca luz, ouvir música suave ou realizar uma técnica de relaxamento e, quando o sono voltar, "já pode voltar para a cama", afirma Furnari.
“Eu adio o alarme por mais cinco minutos”
Essa circunstância que parece agradável, no final é contraproducente. Acontece que o sono é composto por duas fases: a conhecida como "não-REM", onde o sono é leve, e depois a "REM", onde há sono profundo e o movimento rápido dos olhos. Todo o processo dura entre 80 e 100 minutos e estima-se que sejam realizados de quatro a seis ciclos por noite. Portanto, o problema de adiar o alarme é que a pessoa entra novamente no processo do sono, e interrompê-lo “faz com que ele não siga seu curso normal e a pessoa acorde mais cansada”, destaca Furnari .
Nesse contexto, outra questão é descrita por Valiensi como “o perigo de continuar a dormir”, já que “esses cinco minutos podem transformar-se em uma hora”. Por isso, ela insiste na importância de manter uma rotina na quantidade de horas de sono e de permanecer na cama.
Para a neurologista, há também o “jet lag social”.
— As pessoas são muito ativas durante a semana e aos fins-de-semana tentam compensar as horas de sono, mas a verdade é que o descanso é uma rotina e não se deve ultrapassá-lo duas horas extras compensatórias, porque nosso cérebro não está acostumado a dormir tanto, então, para algumas pessoas, essas horas podem fragmentar o sono, diz Valiensi.
“Eu ronco porque durmo profundamente”
Para as especialistas, o ronco ocasional é universal. Porém, quando é persistente, intenso e impacta o dia-a-dia, “é motivo para acender o alerta”, aponta Valiensi. A neuro explica que, às vezes, o ronco pode ser ocasionado por patologias como apneia do sono ou microdespertares.
Nessa linha, a neurologista aconselha dormir de lado, principalmente o esquerdo. Assim, haverá menos colapso da via aérea e haverá melhor drenagem linfática do cérebro e motilidade gastrointestinal. Ela revela ainda que “a pessoa ronca mais quando dorme de barriga para cima”.
Dessa forma, existem muitos fatores que entram em jogo durante o sono. Combiná-los para dormir de maneira saudável e bem-sucedida evitará desconforto no dia seguinte e garantirá uma ótima qualidade de vida.
O Globo quarta, 22 de março de 2023
JORGE BEN JOR: QUANTOS ANOS TEM CANTOR? NOVOS LIVROS DECIFRAM ESSE E OUTROS MISTÉRIOS
Quantos anos tem Jorge Ben Jor? Novos livros decifram este e outros mistérios de um dos maiores nomes da MPB
Aniversariante desta quarta-feira, o arquiteto da MPB segue na ativa, esquivando-se de perguntas, fascinando os estudiosos com seus enigmas e inspirando livros
Por Silvio Essinger — Rio de Janeiro
22/03/2023 00h30 Atualizado há 10 horas
O cantor e compositor Jorge Ben Jor, em show no festival Rock The Mountain, em novembro de 2022Divulgação/Reginaldo Teixeira
Esta quarta-feira, Jorge Ben Jor — um dos arquitetos da moderna música popular brasileira, que estreou em LP em 1963 com o divisor de águas “Samba esquema novo” — chega aos 84 anos de idade ainda envolto em uma série de mistérios.
Mas ao menos um deles foi desvendado: o da idade. Para quem já o ouviu dizer ter nascido em 1942, 1945, 1947 e, mais recentemente, 1949 (ano passado, o jornalista Pedro Só trombou com Jorge na fila da quarta dose da vacina contra Covid e o flagrou dizendo à enfermeira que tinha 73 anos), a revelação pode surpreender. Mas está amparada numa certidão de nascimento obtida por Kamille Viola, autora do livro “África Brasil: um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver” (Edições Sesc, 2021).
— Tim Maia e Erasmo Carlos (amigos de Jorge na célebre Turma da Tijuca, do fim dos anos 1950) sempre faziam piada sobre isso, porque teve uma época em que o Jorge começou a dizer que tinha nascido em 1942. E, na minha pesquisa, vi até que, algumas vezes, ele dava um dia diferente de nascimento, 23 de abril, dia de São Jorge — conta Kamille.
Com a pulga atrás da orelha, a jornalista resolveu pesquisar a certidão do cantor nos registros públicos, de 1942 para trás, com a ajuda do seu irmão mais velho, advogado. Num processo de “tentativa e erro”, ela descobriu nos arquivos um documento de 1939 que batia em tudo — nome do pai, data de nascimento —, mas não no nome da mãe. Depois que o e-book da obra saiu, duas pessoas que conheciam Jorge a procuraram para garantir que o registro era mesmo do esquivo astro.
E agora, enquanto Kamille enfim edita em papel o seu livro, finalista do Prêmio Jabuti, e planeja noites de autógrafos no Rio e em São Paulo, outros escritores se debruçam sobre os mistérios de Ben Jor — que continua fazendo shows e driblando o assédio da imprensa. Tom Cardoso, autor de biografias de figuras tão diversas quanto o jogador Sócrates, o jornalista Tarso de Castro e o encalacrado ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho, começou uma investigação biográfica acerca do cantor que será publicada em livro, ainda sem data de lançamento, pela editora Planeta. E admite:
— “Tárik (de Souza, jornalista), mestre de todos nós, meu guia (escrevi a biografia da Nara Leão também a partir de uma conversa com ele), foi quem cantou a bola: “A história musical de Jorge Ben é a mais fantástica da MPB. É um enigma. Uma esfinge.” E é isso mesmo: quanto mais eu pesquiso sobre Jorge, menos eu sei sobre ele!
Enigma é um termo que o mestre e doutor em Cultura e Educação pela USP, pesquisador bolsista de pós-doutorado, historiador e escritor de ficção Allan da Rosa usa com alguma frequência para se referir ao atual Ben Jor. Ele e o pesquisador Deivison Faustino (um dos maiores especialistas no Brasil na obra de Frantz Fanon, célebre intelectual negro anticolonialista antilhano) lançam em julho o livro “Balanço afiado — Estética e política em Jorge Ben”, num projeto dividido pelas editoras Fósforo e Perspectiva.
Oriundos da literatura de favela e do movimento negro, os escritores adiantam esta semana, em rodas de conversa com jovens e professores em diferentes espaços da periferia de São Paulo, os resultados dos dois anos de pesquisa para o livro. Que começou quando Allan, hipnotizado pela música de Jorge Ben que ouvia deitado no quintal de casa, resolveu chamar o amigo de mais de 20 anos para embarcar numa investigação que ele define como “livre, mas fundamentada” sobre o artista.
— Jorge Ben está para ser decifrado. Mas, sem a pretensão de dissecar e encerrar o enigma, o que queremos mesmo é elevar a crítica cultural — diz o historiador.
Em suas análises sob a perspectiva da negritude, os autores se propõem a ir além do deslumbramento acrítico e mesmo do racismo mal disfarçado com que, acreditam, a obra de Jorge estava sendo tratada pela intelectualidade acadêmica. A intenção deles, com seus estudos e escritos, foi a de desafiar os muitos lugares-comuns acerca do artista, como o de que ele é um intuitivo, desprovido de erudição (sendo que ele chegou ao ponto de citar títulos de livros de Dostoiévski na música “As rosas eram todas amarelas”) ou, então, um ser apolítico (que, por sinal, lançou em 1971 o LP “Negro é lindo”, bem no calor da ditadura militar que oprimia os movimentos negros).
— Jorge Ben é um estudioso profundo da alquimia, passou pelo canto gregoriano... Ele é um artista de grande sofisticação, que teve uma formação eclética, mas muito estudiosa. Ele tem muitos fundamentos espirituais e mundanos. Ele é um cientista — afirma Allan da Rosa. — Suas músicas trazem mensagens cifradas que muitas pessoas não conseguiram entender. São coisas que ele malandramente colocou nas canções e que até hoje não se esgotaram.
Negritude na MPB
Para Allan, a produção artística de Jorge Ben ainda tem uma grande virtude, que é a de ampliar a presença da negritude na música popular brasileira.
— O (sociólogo e grande estudioso das questões negras do Brasil) Muniz Sodré diz que João Gilberto faz um samba tão perfeito que deixa de ser samba. Jorge Ben põe o fervo nessa história — analisa. — Ele aprofunda a ideia do território negro, um território da justiça e da alegria. Sua música é circular, ele repete a mesma frase, mas cada vez de uma forma diferente. Ele renova a circularidade da música com pequenos detalhes.
Autora do livro que parte da história de um dos discos de mais marcada negritude da carreira de Jorge Ben (“África Brasil”, de 1976) para esquadrinhar vida e obra do artista, Kamille se afina com o discurso de Allan e Deivison em “Balanço afiado”.
— Jorge faz o resgate da ancestralidade negra, de uma história que não começou e nem terminou com a escravidão. Ele exalta a cultura negra de uma forma que não era feita na MPB — diz ela, para quem “faltou sensibilidade entre a intelectualidade branca” para entender as músicas e a interpretação do cantor e compositor.
Sem entrevista
Na feitura de seu livro, ela insistiu e conseguiu entrevistar Ben Jor algumas vezes. Os autores do “Balanço afiado” nem tentaram.
— Jorge sempre optou muito pela discrição, e creio que nos comunicamos com ele pelo seu maior fruto, que são suas músicas. Acabamos o livro, mas continuo a ouvir Jorge Ben dez horas por dia — admite Allan, que promete um volume “apaixonado”, todo escrito a quatro mãos, com um formato fluido, onde se misturam cartas para os personagens das canções (como Hermes Trismegisto, Maria Conga e o Zagueiro), diálogos, contos e até partituras.
E enquanto todas as palavras são ditas sobre ele, Jorge Ben Jor toca a vida adiante com uma agenda que inclui shows em Campinas (dia 1/4, no Expo Dom Pedro) e nos festivais MITA (27/5, no Jockey Clube do Rio de Janeiro) e Turá (24/6, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo).
Visto pelo que apresentou recentemente em apresentações no Rock The Mountain, no Festival Village e no Copacabana Palace (onde mora há alguns anos), ele passará pelos clássicos (“Chove chuva” , “País tropical”, “A Banda do Zé Pretinho”), pela cultuada “O homem da gravata florida” (em arrepiante versão piano-e-voz) e a pop “Quero toda noite”, que gravou em 2011 com Fiuk. Com sorte, rola a música inédita sobre Copacabana, bairro onde ele morou também por volta de 1963.
Para decifrar Jorge Ben Jor
Em pesquisa nos arquivos públicos, a jornalista Kamille Viola encontrou um documento no qual consta que Jorge nasceu em 1939 e tem, portanto, 84 anos.
Críticos da obra de Jorge chegaram a afirmar que ele é desprovido de erudição, mas os pesquisadores Allan da Rosa e Deivison Faustino afirmam que o compositor é um estudioso que chegou ao ponto de citar títulos de livros de Dostoiévski na música “As rosas eram todas amarelas”)
Alan e Deivison também afirmam que a fama de apolítico não é real, Jorge, afinal, lançou em 1971 o LP “Negro é lindo”.
Jorge é um estudioso de formação eclética: passou pela alquimia e o canto gregoriano.
Para a jornalista Kamille Viola, Jorge também exalta a cultura negra de uma forma que não era feita na MPB. Os pesquisadores afirmam que Jorge aprofunda a ideia de um território negro de justiça e alegria.
O Globo terça, 21 de março de 2023
FLAMENGO X FLUMINENSE: QUEM É FAVORITO NA FINAL DO CARIOCA?
Flamengo em evolução x Fluminense em alta performance: quem é favorito na final do Carioca?
Trabalho mais longevo de Fernando Diniz credencia o tricolor à melhor perspectiva na decisão, mas o rubro-negro mostra eficiência nas semis
Por Vitor Seta
21/03/2023 05h03 Atualizado há 5 horas
Cano e Pedro são os artilheiros de Fluminense e Flamengo, que se enfrentam na decisãoLucas Tavares
O quarto Fla-Flu consecutivo a decidir o Campeonato Carioca equilibra, no panorama geral, um cenário de favoritismo que rondou o Estadual do Rio nos últimos anos. Se em 2020 e 2021 um Flamengo mais sólido entrava mais forte contra o Fluminense, o tricolor, atual campeão, assumiu essa boa perspectiva na edição 2022. O que deve se repetir a partir do primeiro final de semana de abril.
As finais, marcadas para 1º ou 2 de abril e 8 ou 9 do mesmo mês ,no Maracanã, terão um tricolor no auge da performance do trabalho de Fernando Diniz, que tem tudo para completar um ano de trabalho nas Laranjeiras no próximo mês. Os 7 a 0 sobre o Volta Redonda na semifinal são a as melhores credenciais.
Na comparação com o rival, o tricolor fica mais com a bola, faz mais gols e leva menos. Mas enfrentará um rubro-negro que, apesar das dificuldades e dos três meses de trabalho de Vítor Pereira, parece estar em franca evolução física e técnica— como nos intensos confrontos com o Vasco na semifinal, nos quais os rubro-negros aliaram a velocidade e a efetividade para eliminar os cruz-maltinos.
— O Fluminense tem a passagem de ano mais bem resolvida entre os grandes do Rio e deu uma resposta contundente à derrota para o Volta Redonda com a goleada . O trabalho do Fernando Diniz está mais maduro, e ele começa a fazer algumas alterações no jeito de o time jogar. Pode não ter mais recursos técnicos do que o Vítor, mas os jogadores sabem exatamente o que ele quer. Agora, é favoritismo de clássico, que raramente passa de uma relação de 60/40 — avalia o colunista do GLOBO Marcelo Barreto, que ainda não vê tantos avanços no Fla.
Um dos principais trunfos do rubro-negro é o poder técnico. Nomes como Arrascaeta e Ayrton Lucas vivem bom momento e têm conseguido chamar a responsabilidade após um início de ano conturbado por quedas sucessivas em decisões. Pedro, artilheiro do Flamengo no Carioca (oito), tem feito a diferença — foram três gols do camisa 9 na semifinal, que travará duelo particular com o goleador da competição Cano (14).
Para o comentarista do ge e e autor do blog Painel Tático Leonardo Miranda, o trabalho mais longevo de Diniz o coloca o tricolor à frente na decisão, assim como o desempenho:
— O Fluminense fez jogos melhores que o Flamengo no ano. O Fla teve dois bons, com três tempos excelentes, contra o Vasco. Está crescendo, só que o Fluminense mostrou, não apenas na goleada, mas no campeonato inteiro, que tem uma equipe que assimila melhor as ideias de seu treinador. Por isso leva vantagem.
O Globo segunda, 20 de março de 2023
GABRIELA DUARTE: ATRIZ ESTÁ DE SAÍDA DA GLOBO, APÓS 35 ANOS
Gabriela Duarte está de saída da Globo
Por Anna Luiza Santiago
20/03/2023 05h31 Atualizado há 5 horas
Gabriela DuarteDivulgação
Gabriela Duarte está de saída da Globo depois de 35 anos. Como vem acontecendo na emissora, não houve renovação de contrato de prazo longo.
Sua primeira novela foi "Top model". Depois veio "Irmãos coragem". Em "Por amor'", a atriz fez o papel de maior destaque de sua carreira, a mimada Eduarda, filha de Helena, vivida por Regina Duarte, sua mãe na vida real.
Em seguida, as duas dividiram o papel de Chiquinha Gonzaga na minissérie que levava o nome da compositora. Gabriela esteve ainda em "Esperança'", "América" e "Passione". Seu trabalho mais recente na TV foi em "Orgulho e paixão", de 2018.
Atualmente, Gabriela trabalha num livro autobiográfico junto com a jornalista e escritora Brunna Condini.
O Globo domingo, 19 de março de 2023
BELA GIL: *CARREGO POUCOS TABUS*
Bela Gil: 'Carrego poucos tabus'
No 'Saia justa', lançando livro e com projeto de reality, chef e apresentadora diz que sua liberdade assusta, agradece por memes terem lhe projetado, revela desejo de entrar na política e explica por que demorou a se reconhecer mulher negra: 'Não me sentia no direito'
Por Maria Fortuna — Rio de Janeiro
19/03/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
Bela Gil: 'Percebi que meu comportamento natural é assustador ou surpresa para muitos'Maria Isabel Oliveira
Bela Gil está on. A expressão resume bem o momento intenso e prolífero que vive a chef de cozinha, apresentadora e escritora de 35 anos. No campo profissional, ela lança, dia 13, o livro “Quem vai fazer essa comida?” (editora Elefante), acaba de estrear no time do programa “Saia justa”, do GNT, toca seu restaurante em São Paulo, desenvolve projetos de reality de sobrevivência e de documentário sobre a exploração sofrida por mulheres.
Na vida pessoal, terminou a relação não monogâmica de 19 anos (com João Paulo Demasi), anda namorando quem tem vontade e lidando bem com a fluidez sexual da filha. O modo como dá de ombros para pudores tem feito Bela alcançar posição além do lugar de referência que conquistou como guru da boa alimentação. Ela vem se tornando inspiração para mulheres. Mas reconhece que sua liberdade ainda espanta alguns.
— Carrego poucos tabus. Mas percebi que meu comportamento natural é assustador ou surpresa para muitos. É algo estrutural da sociedade que, com a maturidade e a exposição, aprendi que não posso tratar as coisas como dadas, desdenhar. Quero ser cada vez mais eu, verdadeira, mas jamais arrogante ou petulante. Reconhecer que sou diferente me dá o filtro de não achar que meu modo de ver a vida é comum para todo mundo — diz ela nesta entrevista, em que também conta como os memes impactaram sua vida e revela desejo de entrar para a política.
Bela Gil: 'Uma crítica que chegou com a separação: 'foi abrir o relacionamento, olha no que deu.’ As pessoas só leem manchete, se fossem além saberiam que foram 19 anos de relação não monogâmica bem-sucedida” — Foto: Maria Isabel Oliveira
Saia Justa
"Quatro mulheres de personalidades diferentes e pensamentos antagônicos conversando, se ouvindo e se respeitando é uma mensagem muito importante. Porque as pessoas não conseguem mais dialogar. Viram inimigas e imediatamente divergem. Parece que as pessoas buscam a polaridade. Essa interação mostra que a gente pode pensar diferente, mas, ainda sim, dialogar. São mulheres inteligentes, com bagagem que, muitas vezes, nos fazem até mudar de opinião. No programa cabem opiniões formadas e aberturas de pensamento".
Livro
"Em 'Quem vai fazer essa comida?' relaciono alimentação, feminismo e trabalho doméstico, que não é remunerado. A gente sabe que alimentação de verdade previne doenças. Li um estudo que mostra a correlação direta entre consumo de produtos ultraprocessados e mortes. Cinquenta e sete mil pessoas morrem no Brasil. Mas quem faz a comida de panela? É mais barato e prático abrir um pacotinho ou pegar uma lasanha congelada. Principalmente para uma mãe que tem duas jornadas de trabalho e tem que alimentar três crianças. Cozinhar dá trabalho, não dá para romantizar. Mas esse fardo não pode recair novamente no colo das mulheres. É preciso redistribuí-lo. Não só em relação à questão de gênero em casa, mas com a sociedade. Precisamos de mais cozinhas comunitárias, de boa alimentação escolar. Políticas públicas são fundamentais. Discuto isso no livro. Quero que todo mundo coma bem sem sobrecarregar a mulher. É um livro denso, diferente de tudo que já lancei. Trabalha com questões profundas que tocam em feridas da sociedade".
O novo livro de Bela Gil, que sairá pela Editora Elefante: R$ 60 — Foto: reprodução
Relação aberta e separação
"Foi uma resolução boa em termos de convivência, companheirismo. O nosso amor permanece e é o maior presente. Eu e JP nos alinhamos muito nesse lugar de que nos fazemos bem ao outro, da amizade. A gente nunca quis perder isso. Continuamos firmes na parceria profissional e como pais. Uma crítica que chegou quando postei sobre a separação, foi: 'Isso que dá, foi abrir o relacionamento olha no que deu'. O problema é que as pessoas só leem manchete, se não saberiam que foram quase 20 anos de uma relação não monogâmica bem sucedida. Há casais monogâmicos que duram um ano. Tempo não é minha régua para dizer se foi um bom relacionamento ou não. Foi bom independente do tempo em que a gente ficou junto".
Namoros e tabus
"Não converso com a Flor sobre isso (sobre Bela namorar) porque é algo natural na minha educação e na educação que recebi. Carrego poucos tabus da sociedade. A própria sexualidade da Flor... Ela é super aberta, nunca teve que falar nada para mim. Segue a vida dela do jeito que quiser, fica com quem quiser. É muito gostoso compartilhar esse momento da vida dela, a descoberta da adolescência e como ela se apaixona. Ela diz: 'Mamãe, o que eu faço com fulano, com fulana?'. A gente tem uma cumplicidade muito legal'. Outro dia, perguntaram no Instagram se ela era gay. Ela respondeu: 'Por que escolher um se você pode ter todos?'.
Sapiosexual
"Nunca me cobrei estar no físico desejável porque esse não é o meu lugar de desejo. A beleza, a estética, o corpo, não são de suma importância para eu me apaixonar. Obviamente, a gente quer se sentir desejada e acho que a maior parte das mulheres hoje acham que só serão se estiverem em um padrão estético vigente. Quando você não cai nessa armadilha... Acho sempre que a pessoa vai gostar de mim pelo que sou e não pelo que aparento. Até posso me atrair fisicamente por alguém, mas seria difícil manter uma relação. Já poderia ter algo longo com alguém por quem me atraio intelectualmente. Para mim, ler um livro é como se eu estivesse pegando peso na academia, como se eu estivesse me alimentando. Porque vou ter mais coisa para falar, dá tesão na vida, amo".
Política
"Não consegui aceitar o convite para assumir a Secretaria Especial da Alimentação Saudável (do Governo Lula) por questões pessoais e profissionais. Mas estou colaborando como consultora técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Meu espaço como comunicadora ainda é muito forte, talvez possa alcançar mais gente e fazer mudanças talvez mais tangíveis na vida das pessoas de uma maneira mais eficiente. Mas meu objetivo de vida é democratizar a boa alimentação, fazer com que a comida saudável, agroecológica, orgânica chegue no prato de todos. Tenho vontade de entrar para a política de maneira mais formal, de exercer a política parlamentar. Daqui a 4 ou 8 anos pode ser que isso aconteça. Por que não vejo outra saída para a democratização da alimentação e o combate à fome se não por meio dos programas sociais. O primeiro objetivo é fazer com que todo mundo tenha comida".
Reality de sobrevivência
"É uma mistura do perrengue do ‘No limite’ com um pouco do conforto e das intrigas de convivência do ‘Big Brother’. Mas a mensagem do programa é que a Humanidade se dá melhor na cooperação que na competição. Há provas e conceitos sustentáveis: as pessoas aprenderiam a plantar sua comida, cozinhá-la, fazer produtos de limpeza, composteira. Práticas que se pode levar para a vida. A gente não quer que quem esteja assistindo se sinta culpado porque não faz nada daquilo e nem se sinta de mãos atadas diante de práticas impossíveis".
Documentário
“Linka a economia do cuidado com a caça às bruxas, que nada mais é do que o apagamento da mulher e de todo conhecimento esotérico que havia e foi literalmente queimado porque servia de obstáculo para a implementação do capitalismo. O trabalho assalariado não era uma coisa normal, tipo 'começou assim e sempre foi assim'. Houve uma resistência muito forte. Domesticaram mulheres. Disseram ‘agora você vai parir, cozinhar cuidar da casa’. Nos colocaram para fazer todo trabalho necessário para que qualquer outro existisse. Porque ninguém pode filosofar, tocar música ou estudar medicina se a cozinha está suja e a criança, sem banho. O documentário vai mostrar que esse trabalho gera 13% do PIB mundial, ou seja, o maior subsídio do capitalismo, porque se a gente tivesse que remunerá-lo, a conta não fecharia”.
Memes
"Eu super agradeço aos memes, eles me fizeram muito bem. Se não fossem eles, metade da população que me conhece, não me conheceria. Tem esse papel de ser rápido, divertido, que chega na boca do povo. Bem ou mal, se as pessoas vêm pelo churrasco de melancia, pela placenta, pela cúrcuma ou pelo inhame, entendem um pouco sobre a importância de uma alimentação boa. Pode achar bom ou ruim, mas sabe minha bandeira. Mas há lados ruins. Como uma mulher preta fazendo churrasco de melancia virei meme, mas se fosse um homem branco chef, seria 'nossa, que ideia, você é um gênio'. E tem a coisa de ser raso. Ninguém aprofunda nada com meme e isso não é bom em tempos de proliferação de fake news".
Negritude
"Nunca me senti confortável em me reconhecer como uma mulher negra porque sofri muito menos racismo ou preconceito que uma mulher preta mais retinta, mais pobre ou da periferia sofreu. Por isso, demorei a me reconhecer nesse lugar. A geografia, o status social e a pele mais clara me deram privilégios que outras não tiveram. Então, não me sentia no direito. Como se tivesse que sofrer mais para estar nesse lugar. O que é um pensamento muito errado. Poxa, tem que sofrer para se reconhecer preto? Aí, quando o próprio movimento negro me dá o aval dizendo "Bela, é importante que uma mulher preta bem-sucedida como você se reconheça assim, a gente precisa dessas influências positivas", eu falei 'ah, então, tá'".
Influência do pai
"Meu pai me influenciou sem saber, porque ele comia aquelas comidas macrobióticas. Comecei a praticar ioga na adolescência, ele me deu o livro 'Autobiografia de um iogue", que mudou minha percepção não só da alimentação como de mundo. Com a prática, mudei a minha alimentação. Nada forçado, mas meu corpo falando, uma experiência de autoconhecimento. Quando vi, estava comendo as coisas que ele comia, o arroz integral que eu achava estanho. Lembro que a pessoa para quem eu mais amava cozinhar quando comecei, era meu pai. Porque ele não só entendia porque eu estava fazendo aquelas escolhas, como conhecia e podia dizer se estava bom, se não, como podia melhorar. Gostava de receber as críticas dele porque eram certeiras. Hoje, o prato que ele mais pede no meu restaurante é meu macarrão ao pesto. Ama. Adora queijo parmesão. Mas o meu é vegano. Uso rama de cenoura. Ele disse: 'O que tem aqui de diferente?'. E começamos a elocubrar sobre rama de cenoura (risos)".
Veia artística
"Sempre tive a consciência do meu 'não dom' para cantora. Respeitei e fui tocar panela. É lindo ver a Flor desabrochando nesse lugar. Meu pai tem uma relação especial com ela, acho que é por ser a primeira neta e também porque, dos filhos e netos que trabalham com música, ela foi a primeira a despontar tão nova".
Preta Gil
“Ela está recheada de amor. Temos nosso grupo de Whatsapp porque a família vive espalhada. Preta está fazendo quimioterapia a cada 15 dias, a gente se divide na presença. Ela me pediu aconselhamentos sobre alimentação e indiquei uma nutricionista. Entendeu que alimentação é muito importante para a saúde, principalmente, no caso dela. Pode ajudar junto com o tratamento medicinal alopático. Ela mudou os hábitos, disse que nunca comeu tão bem na vida, está entendendo tudo de rótulos. Digo: ‘Nossa, quem diria’”.
Ativismo
“Com certeza, muita gente me acha chata, mas não ligo, vou continuar aqui. Desculpa, não tenho paciência. Mas nunca fui de apontar dedos, olhar o prato de alguém e dizer, ‘isso aí tá ruim’. Só falo com quem me pede. Respeito a individualidade de cada um. Me meto na educação dos meus filhos, aí sim, sou mãe chata”.
Mãe chata
“Postei a merenda da Flor e virou uma chacota na internet, com pessoas dizendo: ‘Que mãe chata, não deixa nada, a criança vai crescer e se revoltar’. Se um adulto dissesse ‘parei de comer açúcar, mudei minha alimentação e estou me sentindo melhor’, as pessoas dariam os parabéns. Já a criança é ‘ah, coitadinha’. É preciso mudar essa cultura de que comida de criança é sinônimo de besteira. Na minha casa não entra porcaria e eu jamais vou oferecer fast food. Mas se minha filha vai a um aniversário, come brigadeiro. Se está com a avó, eu não fico enchendo o saco. Mas a gente tem que ser firme em alguns pontos como educador, impor limite. Talvez meu limite para besteira seja menor do que o da maior parte da população. Minha filha é muito feliz. Meu filho (Nino), outro dia, comeu uma sopa de legumes dizendo, ‘nossa, mamãe, está com gosto de sorvete’. Eles têm gosto para comer legumes, salada, e ficam pouquíssimo doentes. Chegar em casa cansada e minha filha dizer ‘fiz o jantar’ é o maior presente. Não me arrependo de nada. Seria essa mãe chata todas as vezes”.
Mais filhos?
"Tenho vontade. Amo ficar grávida parir, amamentar. Nasci para ficar prenha. Mas não estou pronta para passar pela privação de sono de novo. É a única coisa que tenho a reclamar da maternidade".
As escolhas de Bela:
Prato preferido: “Farofa… como com tudo e qualquer coisa.”
Livro de culinária de cabeceira: “‘Cozinhar’, do Michael Pollan. Ampliou o meu olhar sobre o ato de cozinhar.”
Programa de entrevistas: “‘Amigos, sons e palavras’. Não é só porque o meu pai apresenta, mas amo como as conversas se dão de maneira muito natural.”
Ingrediente que não vive sem: “Limão. Acho que conserta qualquer prato mais ou menos"
Música de que mais gosta: “O disco inteiro ‘Verde-anil-amarelo-cor-de-rosa e carvão’, da Marisa Monte. Foi um dos que mais escutei na vida e sou apaixonada pela faixa ‘Balança pema’. Me remete a muitos momentos alegres da infância.”
O Globo sábado, 18 de março de 2023
GOJI BERRY: FRUTA EXPLODE NO TIKTOK E É RECONHECIDA COMO *ELIXIR DA JUVENTUDE"
Goji berry: fruta explode no TikTok e é reconhecida como ‘elixir da juventude’; veja os benefícios
Com origem na China antiga, o pequeno alimento vermelho concentra grandes quantidades de antioxidantes
Por Melanie Shulman, La Nacion
18/03/2023 04h30 Atualizado há 3 horas
A fruta vermelha é conhecida por fortalecer o sistema imunológico e prevenir o envelhecimento celularPixabay
Apelidado de "o fruto da eterna juventude", o goji berry (ou baga de goji, em portugês, sendo baga a designação para fruta carnosa com sementes) é um sucesso entre os alimentos nutritivos e saudáveis. É uma pequena fruta vermelha desidratada, semelhante às passas, e com um sabor doce, conhecida por fortalecer o sistema imunológico e prevenir o envelhecimento das células do corpo. Por esses motivos, nos últimos anos seu consumo viralizou entre os adeptos de um estilo de vida mais saudável.
Alimento milenar, a fruta é originária da China, onde era utilizada para fins medicinais, para melhorar a longevidade e para tratar problemas respiratórios e cardiovasculares.
O goji berry desembarcou no ocidente, no século XIX, e sua popularidade vem aumentando devido aos seus diversos benefícios estéticos e físicos. A hashtag #berryasdegoji acumula 217,1 milhões de visualizações na plataforma de vídeos Tik Tok. Lá, usuários de todo o mundo postam vídeos experimentando a fruta e listando os seus inúmeros benefícios.
Considerado um superalimento, o goji berry, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, ganhou relevância mundial significativa há duas décadas devido ao seu alto índice de componentes bioativos, essenciais para a promoção da saúde.
— É um produto natural, livre de processos industriais e conservantes artificiais — afirma Estefanía Beltrami, nutricionista.
A fruta vem de uma planta conhecida como Lycium barbarum, um tipo de arbusto característico de climas temperados, que cresce de maneira selvagem no Himalaia e nas regiões do Tibete e da Mongólia, na Ásia.
Quais os benefícios que o goji berry fornece?
O goji berry contém propriedades fundamentais para o corpo. Para Beltrami, sua composição química é totalmente completa.
— Tem todos os macronutrientes de que precisamos e que são responsáveis por gerar energia e manter os tecidos vitais do corpo: 65% são carboidratos, 15% proteínas, que neste caso inclui todos os aminoácidos essenciais, e 10% de gorduras insaturadas, diz a nutricionista.
Por sua vez, também são fontes de micronutrientes. Analía Yamaguchi, especialista em nutrição clínica do Hospital Italiano, explica que a fruta contém minerais como potássio, cálcio, zinco, magnésio e ferro. Componentes antioxidantes e anti-inflamatórios que retardam o envelhecimento celular e protegem a microbiota intestinal, grupo de microrganismos alojados no cólon, responsáveis por regular as funções do organismo e mantê-lo em equilíbrio.
À lista, unem-se também as vitaminas do grupo B e C, necessárias para fortalecer o sistema imunológico e prevenir o desenvolvimento de doenças e infecções. A esse respeito, Yamaguchi acrescenta que, quando a vitamina C é ingerida após o almoço ou jantar, “o ferro é melhor fixado, principalmente em vegetarianos”.
Além disso, a fruta ainda é aliada da visão, pois possui carotenoides: pigmentos orgânicos que dão cor aos alimentos – como no caso da cenoura, do tomate e da gema do ovo –, ajudando os músculos oculares e evitando sua deterioração. Além disso, graças à presença de flavonoides, compostos naturais que fazem parte das plantas, o cérebro e o coração também ficam protegidos.
Diante desse cenário, o MedlinePlus, site mantido pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, menciona que, graças às suas substâncias, o goji berry é usado para tratar doenças como diabetes, auxilia na perda de peso e no cuidado da pele. Porém, enfatizam que ainda não há boas evidências científicas que respaldem esses usos.
Como o goji berry é consumido?
Esta fruta apresenta-se em diferentes formatos: recheada, crua, em pó e em suplementos, podendo ser consumida de muitas maneiras e adaptada ao gosto pessoal. A nutricionista Beltrami esclarece que uma das opções é combinar a fruta em pratos doces.
— Pode ser misturada com iogurte, em preparações para pudins e pão-de-ló, ou, por exemplo, como cobertura de panquecas.
Já os adeptos dos sabores agridoces “podem adicionar esta fruta a saladas ou sopas”, indica a nutricionista, explicando que outra alternativa é batê-la ou usar o pó para fazer sucos, batendo bem para misturar em diferentes bebidas e realçar o gosto.
Sobre a dose recomendada para ser ingerida, um relatório do MedlinePlus afirma que, para um consumo seguro, a quantidade diária não deve exceder os 15 gm. No entanto, os pesquisadores sugerem que é melhor consumir a fruta por um curto período de tempo, pois não se sabe ao certo se pode gerar efeitos colaterais a longo prazo.
Por se tratar de um produto específico e um tanto exótico, o goji berry pode ser encontrado embalado em lojas de produtos naturais e dietéticos.
O consumo de goji berry tem contraindicações?
Yamaguchi destaca que, embora seja um alimento natural com grandes propriedades, não deve ser atribuída nenhuma qualidade mágica, já que seus benefícios só são obtidos dentro de uma dieta saudável.
Alguns grupos, além disso, devem ter mais cuidado para não exagerar na quantidade. Entre eles, Beltrami cita aqueles em tratamento anticoagulante e que tomam medicamentos com a propriedade.
— Nesses casos, o goji berry pode interferir e anular os efeitos da medicação — esclarece.
Uma declaração do MedlinePlus também sugere que pessoas com alergias, bem como mulheres grávidas ou lactantes, devem evitar a fruta, pois ainda não se sabe ao certo se pode ter um impacto negativo.
Sem dúvida, este alimento antigo está ganhando espaço entre os fiéis seguidores de um estilo de vida natural: aqueles que retornam às raízes e reivindicam os hábitos de culturas ancestrais, que consumiam produtos orgânicos recém-colhidos e sem qualquer tipo de intervenção, prometendo qualidade de vida e um caminho longe de doenças crônicas e estresse.
O Globo sexta, 17 de março de 2023
ADÇANTES: QUAL O MELHOR PARA A SAÚDE?
Stevia, sacarina, sucralose, aspartame, xilitol: qual é o melhor adoçante para saúde? Médicos respondem
E nem todos são bons em altas temperaturas, nem adoçam da mesma maneira
Por Beatriz Coutinho*
17/03/2023 04h30 Atualizado há 2 horas
Para evitar as doenças que o consumo em excesso do açúcar traz, o uso de adoçantes tem sido cada vez maior
Uma colherada no café, alguns sachês no suco, principalmente quando a fruta é cítrica: o açúcar faz parte da alimentação dos brasileiros. Segundo Pesquisa de Orçamentos Familiares, 85,4% da população adiciona o produto em alimentos e bebidas no país. Mas, para driblar as doenças que o consumo em excesso comprovadamente traz, a substituição pelos adoçantes tem sido cada vez maior -- estima-se que os adoçantes estejam presentes em 13,4% das mesas brasileiras, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos. Os maiores consumidores são as mulheres, sobretudo do Sudeste e Nordeste, da classe econômica A/B.
Do natural ao artificial, as opções adoçam com pouquíssimas calorias. O Globo procurou especialistas para detalhar as diferenças entre eles, da origem à melhor função de cada um na cozinha – e o impacto na saúde.
— Os adoçantes têm origens completamente diferentes. Eles podem vir da cana-de-açúcar e de aminoácidos, enquanto outros são produzidos quimicamente. Têm dulçor maior que o açúcar, sendo 200, 300 e ou até 500 mais potentes. Então, por exemplo, 1 grama de aspartame adoça 200 vezes mais que 1 grama de açúcar — explica Daniel Magnoni, nutrólogo do Hospital do Coração, em São Paulo.
Para quem busca perder peso, produtos adoçados com adoçantes podem ser uma alternativa, desde que associados a uma dieta hipocalórica e à atividade física.
— Em uma recente revisão sistemática, o uso de bebidas açucaradas com adoçantes como substituto para bebidas adoçadas com açúcar resultou em uma pequena melhora em fatores de risco cardiometabólicos (risco de diabetes e doenças cardíacas) – afirma a vice-presidente do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Melanie Rodacki.
Mas os benefícios não anulam os riscos. O ciclamato, por exemplo, um dos principais adoçantes de alguns refrigerantes, teve sua comercialização proibida pela Federal Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos na década de 80, pelo risco de câncer de bexiga em ratos. No Brasil, em contrapartida, o ciclamato é um dos 17 edulcorantes autorizados para uso em suplementos alimentares pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
— A indústria alega que os trabalhos foram feitos em animais e não em humanos. Realmente, 1 grama de ciclamato para um rato é muito mais do que para um humano, por isso que precisaria de mais trabalho, de mais pesquisa. Mas falo para meus pacientes evitarem o ciclamato – diz o nutrólogo Magnoni.
O médico sugere cautela também com a sucralose em algumas situações. Estudos recentes indicam que o composto pode liberar substâncias tóxicas quando exposto a temperaturas maiores que 120° (deve-se evitar levar ao forno, portanto). Outro alerta importante é para o uso de aspartame por quem tem fenilcetonúria, doença congênita na qual a pessoa não consegue metabolizar a fenilalanina (o excesso exerce ação tóxica em vários órgãos).
Quanto aos impactos no organismo, a endócrino Rodacki pontua que evidências mais recentes mostram um possível impacto dos adoçantes artificiais na microbiota intestinal, além de aumentarem o apetite.
— Em trabalhos com ratos, o consumo de adoçantes artificiais aumentou o desejo de alimentos adoçados com açúcar e peso corporal. Um estudo em homens com peso normal indicou que a ingestão de bebidas adoçadas com adoçante induziu maior vontade de comer e menor sensação de plenitude, diz a médica.
Pesquisa conduzida pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a pedido da Organização Mundial da Saúde, chegou à conclusão que adoçantes artificiais e de baixa caloria podem não ajudar na perda de peso.
— Estudos de longo prazo são necessários para avaliar os efeitos sobre o sobrepeso e a obesidade, o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e doenças renais —, ressaltaram os pesquisadores responsáveis, em publicação na British Medical Journal.
Os melhores produtos para a saúde, de acordo com os especialistas, são os de origem natural, como stevia, xilitol e eritritol. Têm segurança estabelecida e costumam conferir dulçor semelhante ao açúcar, além de apresentar poucos efeitos colaterais e serem estáveis à temperatura do cozimento. Mas os médicos são unânimes em afirmar que o ideal mesmo é o alimento com seu próprio sabor, sem adição de açúcares, seja o natural ou o artificial.
Confira as especificações dos adoçantes
Sacarina: Tem doçura 300 a 500 vezes maior que o açúcar, sendo necessária pouquíssima quantidade, portanto. É resistente à temperatura de cozimento dos alimentos, possui um sabor residual metálico e nesse sentido, normalmente é utilizada junto com outro tipo de adoçante.
Ciclamato: Resistente à temperatura, tem doçura 30 a 40 vezes maior que o açúcar. Pode ser combinada com a sacarina, fornecendo sabor mais doce. Na década de 80, foi proibido nos Estados Unidos em decorrência de estudos em animais que associaram sua ingestão ao desenvolvimento de câncer de bexiga. É permitido no Brasil.
Acessulfame de potássio: Tem doçura 200 vezes maior que o açúcar. De todos é o que possui melhor sabor. Estável na pasteurização e esterilização.
Aspartame: Tem doçura 200 vezes maior que o açúcar. Quando submetido a temperaturas maiores que 180ºC, adquire sabor amargo. É contraindicado para portadores de fenilcetonúria (doença congênita na qual a pessoa não consegue metabolizar a fenilalanina – o excesso exerce ação tóxica em vários órgãos).
Sucralose: Tem doçura 600 vezes maior comparado ao açúcar. Não possui sabor residual e é estável ao aquecimento. Apesar disso, estudos recentes mostram que quando submetido a temperaturas maiores que 120º podem liberar substâncias tóxicas. Apesar de vir da cana-de-açúcar, não é natural, porque sofre reações químicas.
Stevia: Tem doçura 300 vezes maior que o açúcar e pode ir ao fogo. Extraído da planta Stevia rebaudiana, planta nativa da América do Sul, comum na região Sul do Brasil. Tem sabor um pouco amargo, que muitas vezes limita o uso. Está entre os melhores para a saúde.
Eritritol: Praticamente sem caloria alguma: 0,2 por grama. Tem ingestão bem tolerada e é mais usado na indústria alimentícia (é estável no calor). Tem doçura 300 a 400 vezes maior que o açúcar. Estudos mostram que 90% do composto é eliminado pela urina, o restante é fermentado pelas bactérias intestinais. É natural, extraído da cana-de-açúcar. Tem sabor muito parecido com o açúcar.
* estagiária sob supervisão de Adriana Dias Lopes
O Globo quinta, 16 de março de 2023
DIA DE SÃO PATRÍCIO: SAIBA ONDE COMEMORAR A DATA, 17 DE MARÇO, UMA DAS MAIORES CELEBRAÇÕES CERVEJEIRAS DO MUNDO
St. Patrick´s day: saiba onde comemorar a data com muito chope verde
St. Patrick’s Day, ou Dia de São Patrício, é celebrado no dia 17 de março
Por Marina Gonçalves
16/03/2023 08h07 Atualizado há 2 horas
Chopp verde no DowntownDivulgação
O St. Patrick’s Day, ou Dia de São Patrício, comemorado no dia 17 de março é uma das maiores celebrações cervejeiras do mundo. E no Brasil, a tradição ganhou força nos últimos anos. Veja onde comemorar:
O festival acontece de 17 a 26 de março, de sexta a domingo, das 12h às 23h, na Praça Central do Shopping Downtown, na Barra, com entrada franca e pet friendly. Serão dois fins de semana de festa, com dez cervejarias já confirmadas e shows que vão do rock clássico à música tradicional, passando pelo folk punk à irlandesa.
St. Patrick´s day do Downtown — Foto: Divulgação
Em torno da Praça Central, os estandes reúnem marcas de peso como Old School, Farra Bier, Kumpel, Antuérpia, Sampler, Labirinto, Criatura Craft Beer, Brewpoint, Cerveza Guapa, Dr. Duranz, Hocus Pocus, Mistura Clássica, Noi, Víquim, Vehrs Bier, Búzios e Odin, que, além do tradicional chope verde de São Patrício, traz a novidade de seu hidromel.
Além das cervejas, o St. Patrick´s Downtown terá drinques da 021 Batidas Premium e gastronomia do Gustô, da Tasquinha do Portuga e da Vulcano Sandwich.
Os Imortais
O bar Os Imortais, em Copacabana, vai comemorar o Saint Patrick’s Day nesta sexta-feira, dia 17, com chope verde, brindes, drinques e petiscos. Das 18h à 1h, a cada cinco chopes verdes (pilsen, 300ml – R$9), o cliente ganha um brinde exclusivo, como a disputada cartola característica da festa. O bar promove o evento desde a abertura da casa, há dez anos, e segue mantendo a tradição: além de decoração temática, quem for a caráter ganha um chope verde.
Para quem não é fã de cerveja mas quer participar da festa, foram criados drinques exclusivamente para a data: o coquetel Patrício, que leva gim, suco de limão, xarope de maçã verde, tônica e espuma de gengibre com espirulina e folhas de hortelã; e o Drink de Ouro, preparado com gim, xarope de maçã verde, tônica e folhas de ouro (R$ 28,90).
St. Patrick´s day do Imortais — Foto: Divulgação
Para forrar o estômago, além dos petiscos clássicos do bar, como os bolinhos de arroz ou feijão recheados e as famosas Coxinhas da Vovó, a dica é experimentar as novidades. Entre elas, o Mickey Mouse (seis palitos de queijo mussarela empanados servidos com molho de tomate caseiro, R$ 32,90); e a Pipoca de Quiabo (porção de quiabo empanado, R$ 16,50).
Rio Tap Beer
O bar, no Flamengo, comemora a data de quarta a domingo, com muito chope verde, comida típica, banda de rock e gincanas. O prato especial é uma entradinha Irlandesa, a Irish’s Starter, um fiambre artesanal acompanhado de picles de pepino, crispy de shitake, molho de mostarda e melaço e um pãozinho de pretzel.
Na quinta, tem show ao vivo da banda Dry-Rocking, de Niteroi que tem um dos sócios do bar, Igor Figueiredo, como integrante. No sábado 18/03 é a vez de Gui Lopes, tocando o melhor do rock.
E tem promoção, o cliente que tirar foto com o tema St Patrick’s Day, postar em suas redes sociais e marcar a Beerhouse ganha um half de Pilsen.
Uptown
Banda irlandesa Tailen — Foto: Divulgação
De sexta a domingo (17 a 19/3), acontece a 1ª edição do St. Patrick's Festival na área de eventos do Uptown Barra. A entrada é franca. O evento conta com diversos expositores de gastronomia, apresentações de grupos de música e dança celta, além de bandas com rock nacional e internacional. O chopp verde, marca registrada da comemoração, está garantido. Serão mais de 50 torneiras de diversos estilos, servidos pelas principais cervejarias artesanais do Rio, como: Hocus Pocus, Noi, Antuérpia, Farra Bier, Mistura Clássica, Cervejaria Roter, entre outras.
Entre os expositores de comida, estão: Adega do Pimenta, Kabana do Alemão, Fritas, Looping, Vulcano, Dulcara (pão de alho) entre outros de gastronomia diferenciada. Para completar, área kids e área de jogos para a criançada ,além de oficinas.
Noi
Nos bares e restaurantes da Noi a comemoração já começou na segunda, com um combo especial que conta com uma caldereta exclusiva e chope pilsen verde por R$ 34. A promoção vai até o fim de março ou enquanto durarem os estoques.
Cerveja da Noi — Foto: Divulgação
Hocus Pocus DNA
No bar, em Botafogo, a casa toda ganhará luzes verdes e irá servir uma releitura da clássica cerveja Orange Sunshine, uma das mais vendidas da marca, só que na cor verde: a Green Sunshine (R$ 16 copo/ R$ 52 o Growler). E quem comprar cinco chopes ganhará o green sunshine fidelidade que dará direito a um tirante.
Para comer, receitas exclusivas para a data, como o St. Patrick's Sandwich (R$ 38): sanduíche de filé de lombo suíno à milanesa, banhado pelo molho Pomodoro de tomates cereja feito na casa, queijo mussarela, folhas fresquinhas de rúcula e uma finalização da maionese verde. Outra pedida é o Fish n' Chips (R$ 34): tiras de tilápia fritas no tempurá de cerveja alma combinadas com Chips de batatas asterix temperadas com páprica, sal e ervas acompanhado de maionese de salsa artesanal.
Bewteco
A rede aproveita a data para comemorar seus 10 anos, de 17 a 19 de março, com uma programação especial em cada unidade do Brewteco e três chopes especiais: a Brew Helles St Patrick’s (R$ 14): uma Helles com corpo médio e um leve toque de biscoito e lúpulos florais; Brew Pé Sujo Lime e Pepper (R$ 16), uma American Pale Ale bem equilibrada com aromas cítricos de lúpulo americanos e adição de limão siciliano e pimenta malagueta; e a Brew Traçado Tropical (R$ 18), com adição de flor de laranjeira, tangerina, limão, maracujá e abacaxi. Uma explosão de aromas cítricos.
São Patrício Smash do Brewteco — Foto: Divulgação
Outra pedida é o São Patrício Smash, com Gin london dry, manjericão, vermute seco, maçã verde e mix de cítricos.
Hilton Barra
O hotel entra no clima da festa irlandesa com show de rock, comidas e bebidas típicas na sexta-feira, no Plaza, espaço ao ar livre, localizado no andar térreo. Além da decoração com elementos típicos da cultura irlandesa, como trevos de três folhas, moedas de ouro e uma iluminação especial verde, haverá show ao vivo com muito rock, chopp verde e coquetéis com Johnnie Walker Blonde.
Para acompanhar, mini burguers verdes, pratos típicos irlandeses, como o repolho refogado com linguiça, e uma estação de pães e pastas (R$ 149 + 10% de serviço, por pessoa). O evento é aberto a não hóspedes mediante a reserva antecipada.
O Globo quarta, 15 de março de 2023
EVANDRO MESQUITA: ASTRO LEMBRA BASTIDOR COM BOB MARLEY, E MUITO MAIS
Evandro Mesquita lembra bastidor com Bob Marley, fala da família e diz como lida com a passagem do tempo: 'Não estou na fase de demonização facial'
Por Thayná Rodrigues
15/03/2023 06h55 Atualizado há 22 minutos
Evandro Mesquita com Andreia Coutinho e, à direita, Chico Buarque e Bob Marley, com quem dividiu bastidor inusitado no futebolFotos de divulgação e Instagram
Evandro Mesquita é um baú de histórias divertidas e emblemáticas, tenham elas nascido no cenário da música brasileira ou no da interpretação. Por essas e outras, documentários e séries de que o ator e cancionista participa volta e meia entram em plataformas de streaming e na TV fechada: "Blitz, o documentário" (no Curta!); "A grande família" (Viva e Globoplay); os filmes inspirados em Asdrúbal Trouxe o Trombone (grupo de teatro do qual também fizeram parte Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães) e em festivais musicais daquela época (entre eles "Dunas do barato", na Netflix).
Blitz, a banda que o ator integra há décadas, também está sob holofotes. Além de batizar um filme de ficção em desenvolvimento, uma turnê do grupo de Evandro, Rogério Meanda (guitarra), Alana Alberg (baixo), Andréia Coutinho (backing vocal) e Nicole Cyrne (backing vocal) tem emocionado fãs antigos e as novas gerações. No Rio, eles se apresentarão no Qualistage, na Barra, dia 25 de março, semanas depois de tocarem para o público de Belo Horizonte.
— Esse retorno está emocionante, sabia? É um reencontro depois daquelas frias lives da pandemia. Quando a gente acabava as músicas, era aquele silêncio, não via ninguém. Mas era o que dava pra fazer para manter a chama acesa. Agora, esse reencontro... Neste ano a gente começou a "Turnê sem fim", apelido que demos, no Circo Voador (no Centro do Rio). Foi maravilhoso o encontro com o público carioca. Só que foi numa época de fim de ano, com o Rio em festa com cariocas do Brasil inteiro. Aí esses dias fomos a "Beagá", tocamos no Palácio das Artes, com lotação esgotada. A gente tem sentido o olho do público brilhando com os encontros, com as lembranças que a música traz, mostrando coisas que a gente já fez e que a gente está fazendo — alegra-se Mesquita.
Por conta da turnê, ele não pôde rodar um filme entre fevereiro e março, mas diz querer conciliar a interpretação com a carreira musical. Paulão da Regulagem, personagem que viveu em "A grande família", é lembrado por fãs saudosos e por ele nas redes sociais:
— Se as histórias forem boas, eu tenho vontade de fazer outras séries e filmes. Se não forem, eu não tenho. Paulão eu fiquei nove anos fazendo. O programa teve 15. E foi muito legal porque todo mundo era craque. Era um jazz. Tinha o tema, mas a gente improvisava em cima. Passava a bola, vinha a bola redonda. Sempre fiz teatro e tinha essa troca de sintonia que é tão sutil, difícil de achar. E quando acha fica muito prazeroso. Tenho isso com Andréa Beltrão, Fernanda Torres, com todos do Asdrúbal. É uma prazer quando tem um diretor que entende essa linguagem e nos dá essa liberdade. Foi muito legal, divertido pra caramba fazer.
Também escritor (ele é autor de "Xis-Tudo", da Editora Rocco, de 2007), Evandro tem uma série pronta e quer negociá-la com produtoras e/ou plataformas. Trata-se da história de dois homens que enfrentam confusões com os vizinhos de um prédio. Ele pensa ainda em escrever um novo livros de memórias.
— Fiquei muito envolvido com o livro do Luiz Fernando Guimarães. E me deu uma certa vontade e uma certa preguiça de levantar essa lebre toda. Tem passagens muito legais. Fico às vezes contando para algumas pessoas e tal. Tem fatos históricos muito bacanas (de que Evandro participou). Eu chegando com uma fitinha cassete na Odeon Records, mal gravada, pedindo para gravar, quando a Blitz já fazia sucesso com uma ou duas músicas. E tem a vez em que a gente foi receber Papai Noel no Maracanã. Aquilo era uma coisa que eu, como peladeiro (queria viver). Pisar naquela grama em que Pelé, Garrincha e tantos ídolos jogaram. Como amante do futebol, foi maravilhoso ver o Maracanã inteiro cantando — recorda-se.
O futebol deu a Evandro também a chance de bater bola com Bob Marley. A situação, descrita brevemente no seu livro, tem mais bastidores curiosos. Questionado sobre uma metáfora que passou batida em entrevistas por vídeo no YouTube (Evandro disse que Bob, jamaicano, "não passava a bola"), ele se diverte:
— Bob Marley não dividia, não passava a bola (risos). Graças a Deus, tinha outra bola, e a gente teve essa honra de celebrar esse ritual com o mestre, né? Foi sensacional.
Leia na íntegra a entrevista com Evandro Mesquita.
Com a Blitz, além do Rio, você vai tocar em outras capitais?
Vamos ao Teatro Bradesco, em São Paulo, mas a gente está viajando muito. A formação da banda está superlegal agora. Dá para ver, pela estrada, e vamos relembrando coisas, mostrando coisas novas. Na pandemia, como tenho um estúdio aqui em casa, a gente produziu cinco discos. Uns 85% estão prontos. Tem o Blitz Hits, com regravação dos sucessos com a tecnologia de hoje; o Lado B, Lado Blitz, com músicas que a gente adora, mas não tiveram tanta exposição... Esse tem volumes 1 e 2 ; e tem o Supernovas, de inéditas. Tem também um apelidado de "Blitz no dos outros", com interpretações Blitz de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Belchior, Paulo Diniz, Gilberto Gil. Tem umas coisas inusitadas e muito legais.
Você chegou a conversar com Erasmo sobre essas faixas?
Nos falamos. Eu disse: "Quero te mandar". Acabou que não conseguimos mandar a música masterizada como está agora. Mas é um parceirão. E tenho a honra de ter sido parceiro dele numa música. Foi uma grande perda mesmo. A gente gravou "Sentado à beira do caminho". Essa música vai estar no "Blitz no dos outros". É demais. Para esse disco, também convidamos o Ximbinha, aquele guitarrista. Tem uma pegada carimbó, um suingue diferente, bem legal. A gente foi fazendo com calma, vinha um, vinha outro...
Aos 71 anos, como está seu condicionamento nesta volta às turnês?
Estou fissurado. Muito bem, graças a Deus. E louco para estar na estrada. A estrada me alimenta. O show autoral me alimenta muito. Tem uma coisa nossa, emocionando as pessoas, nos emocionando. É fantástico. É a vida mesmo.
Como está a pré-produção do filme de ficção da Blitz?
Fiquei afastado da produção. Teve uma hora que eu queria me envolver mais, dar palpites no roteiro... Depois eu deixei rolar e não sei como está isso, não. Sugeri uns nomes e tal, mas não estou sabendo, não. Tem o documentário da Blitz, que passa no Curta!, no Now, é muito legal. Umas pessoas comentam, falam que não viveram essa época e ficam espantadas com como foi forte, e não tinha rede social nem nada disso. Se tivesse... Foi um fenômeno.
Você tem um livro lançado, mas há histórias saborosas ainda pouco exploradas, né? A do futebol com Chico Buarque e Bob Marley, por exemplo... Os bastidores...
Tem uma resenha dessa no Museu da Pelada. O Paulo Cézar Lima (PC Caju, jogador de futebol) me convidou. O que aconteceu foi que eu estava na praia com a Regina Casé e com a Patricya Travassos. Sempre fui bom de futebol. Jogava com Paulo Cézar, Pintinho, Nei Conceição. Ele disse que estava indo à casa do Chico jogar bola com Bob Marley. E eu pensei: "Meu Deus do céu, olha o convite. Jogar bola com Bob Marley, com Paulo Cézar na casa do Chico". A gente tinha um ensaio importante (com a galera do teatro). E expliquei para as meninas como foi forte esse convite. Nesse meu livro eu conto essas passagens, dando umas dribladas nas coisas que posso falar.
Uma das coisas de que não pode falar é que ele era jamaicano e não dividia a bola?
Bob Marley não dividia, não passava a bola (risos). Graças a Deus, tinha outra bola, e a gente teve a honra de celebrar esse ritual com o mestre, né (risos)? Foi sensacional.
No Instagram, você posta vídeos e montagens divertidas. É uma forma de levar leveza às pessoas?
É a única brincadeira digital que eu curto. Não gosto de Facebook nem de coisas assim. Faço uma curadoria de vídeos. Para refletir, para sorrir, para gargalhar, para discordar, para protestar. Porque é um instrumento.
Essa é uma rede em que celebridades e personalidades ostentam ali seus procedimentos, suas mansões... Esta não é sua onda, né?
Não é a minha onda mesmo. Eu sou de outra onda (risos). E ainda não estou na fase de "demonização facial". Eu acho que as rugas contam histórias de uma vida. Então, sigo nessa filosofia dos Rolling Stones. Quando me perguntam quantos anos eu tenho, eu falo que tenho menos do que tinha a Gloria Maria (risos). Idade dá um peso. Já vem um peso assim... Sem olhar no espelho, acho que estou com 48. Mas, quando olho, caio na realidade. Fico pensando. Sem dizer, fico mais tranquilo.
Você tem filhas de 16 e 33 anos (Alice e Manuela, filhas de Iris Bustamante e de Andréia Coutinho). Elas são de diferentes gerações. Como são as conversas?
A de 33 mora sozinha desde os 18 anos. E agora estou acompanhando de perto a de 16. É incrível a troca. Tento acompanhar... E mostrar coisas também. É muito interessante, mas o mundo vai numa velocidade incrível, né? Às vezes eu tento passar para elas umas coisas de que eu gostava, que eu gostaria que curtissem também. Elas têm a sensibilidade de pescar. Uma discute mais do que a outra. É aquele choque de gerações. Os filhos de cada um vão pegando as melhores conversas, para a personalidade. Isso alimenta as minhas filhas também.
Masculinidade e feminismo são temas dessas conversas?
Claro. Com as duas falamos sobre isso. Elas me alertam bastante. Eu caio em armadilhas. Prestar atenção nisso sempre é legal. Mas cresci no teatro, comecei a fazer peça com 19 anos, vivia de rock, com o pessoal do Teatro Ipanema. A gente foi descobrindo o teatro, a vida, digamos assim. Tem uma coisa de gerações harmônicas comigo. Minha mãe é muito presente. Perdi meu pai (Marcos Porciúncula de Mesquita) com 18 anos. E ele me ensinou bastante também. Era vegetariano, fazia ioga, falava em macrobiótica quando eu nunca tinha ouvido ninguém falar, de ligação com a natureza... Eu tive a sorte de ter pais muito presentes enquanto estiveram aqui. Minha mãe (Samira Nahid Mesquita) foi a primeira decana mulher da UFRJ. Foi muito atuante. Em feiras culturais, falava com cantadores de embolada, cordelistas, poetas... Sempre teve esse olhar atento à cultura, à literatura também. Venho de ambientes com pessoas sem preconceito. Minha mãe levava a esses eventos professoras homossexuais, professores também. Convivi naturalmente com isso, por conta dela e do teatro.
Vez ou outra saem matérias com fotos de sua família. Na sua rede, elas são pouco publicadas. Por quê?
Sou discreto. Mesmo com a Andréia (Coutinho, que faz parte da Blitz) fico meio assim... Penso em não botar (na web) porque internet é uma terra de ninguém. A gente sabe como é perigoso. Eu boto poque é aniversário, e como não colocar ali a família? Em outras datas, fico mais reservado.
Como você reage quando vê matérias ou usuários da internet chamando suas filhas de gatas?
Eu vejo pouco isso. Quando tem, procuro ver o perfil do cara que está elogiando. Mas acho que elas têm armas para se defender, têm personalidade. Claro que estou sempre presente, observando, mas conto com isso. Elas sabem se defender.
Voltando à turnê da Blitz, aos álbuns que vai lançar e aos planos que tem para a interpretação: como conciliar tudo isso?
A gente sempre abre um espaço na agenda para coisas de que eu goste muito. Depois de um certo tempo, quero fazer coisas que me dão prazer. Com atores, diretores, texto... Isso é bem legal. Estar com a Blitz é um prazer tão grande, a turma está tão boa agora, que tem sido gostoso. Tem um lado emocional da Blitz que mexe comigo. Mas a gente abre vaga para o que for bacana.
Evandro Mesquita: veja fotos da Blitz, de sua carreira e de sua família
O Globo terça, 14 de março de 2023
ALIMENTAÇÃO: SAL ROSA, LIGHT, MARINHO OU REFINADO - QUAL É O MELHOR PARA A SAÚDE?
Sal rosa, light, marinho ou refinado: qual é o melhor para a saúde?
Ao GLOBO, a nutricionista Daniele Mello esclarece os mitos e as verdades de cada tipo do alimento e explica para quem eles são indicados
Por O Globo — Rio de Janeiro
14/03/2023 05h01 Atualizado há 3 horas
Segundo o estudo, o sal light reduz os riscos de morte precoce por qualquer causa em até 11%, doenças cardiovasculares em 13% e os riscos de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral por 11%Freepik
O baixo consumo de sal costuma estar associado a um ideal de vida saudável. Assim, o alimento — principalmente o comum, de cozinha, refinado — acaba se tornando um vilão. Para fazer frente a ele, as opções são muitas. Entre elas: sal rosa do Himalaia, light e marinho. Entretanto, até que ponto o sal refinado pode ser colocado nesse papel de vilão? Evitá-lo ao extremo pode ser tão perigoso quanto o seu uso excessivo, é o que esclarece ao GLOBO a nutricionista Daniele Mello.
— O sal, em si, não faz mal à saúde. Ele é importante e necessário. O que faz mal é o seu consumo em excesso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o consumo de até 5 gramas de sal por dia por pessoa. O brasileiro tem um consumo médio de 14 gramas. É três vezes o indicado e pode causar aumento de pressão, doenças cardiovasculares, hipertensão e sobrecarga renal, algumas das doenças que mais matam no mundo. Tão errada quanto o excesso, também, é a alimentação completamente livre de sal, que pode provocar desmaios, fraqueza, tonteira, perda de consciência e perda neurológica — afirma Daniele.
Essas consequências que vêm com a falta de sal se devem ao fato de o consumo do alimento ser crucial para os impulsos nervosos, a contração muscular, o equilíbrio líquido das células, e também para a regulação da quantidade de iodo que ingerimos, entre outras funções. O iodo, um micronutriente em abundância no sal, é usado na síntese dos hormônios produzidos pela tireoide e pode prevenir diabetes, problemas cardíacos e infartos.
Os tipos de sal e para quem são indicados
Se o sal é importante e necessário, então qual usar? Daniele costuma indicar tipos diferentes para cada paciente. Ao GLOBO, ela desmistifica o suposto "poder" do "queridinho das famosas", como ela diz, que virou sinônimo de um estilo de vida e, portanto, um objeto de desejo de consumo, mais do que qualquer coisa: o sal rosa do Himalaia.
— Não costumo indicar o sal rosa para os meus pacientes porque o custo é alto e os benefícios são poucos, se comparados com os outros tipos. Não existe nenhum estudo científico demonstrando o benefício do uso dele a médio e longo prazo em relação ao sal refinado. A diferença de composição nutricional entre os dois é insignificante. Fora o custo do rosa, que é de quatro a cinco vezes maior que o refinado. Esse investimento não se justifica por uma diferença nutricional tão pequena. Não há benefícios — afirma Daniele.
— Outra questão importante é que, pelo fato do sal rosa ter um 'poder de salgar' muito menor, por causa da composição do solo, as pessoas acabam colocando muito mais sal nas comidas. Ou seja, a quantidade de sódio e o custo aumentam — completa a nutricionista.
Confira abaixo uma lista com três tipos de sal que são recomendados pela profissional, sempre, é claro, dentro da quantidade estipulada pela OMS de 5 gramas ao dia:
Sal comum (de cozinha): para pessoas saudáveis, sem problemas de saúde que impliquem cuidados, o sal comum pode ser usado sem preconceitos.
Sal light: tem um sabor mais suave que o de cozinha. Por ter menos sódio que o comum, é indicado para quem é hipertenso. Por ter mais potássio que o comum, não é indicado para quem tem problema renal, com risco de sobrecarregar os rins.
Sal marinho: por não passar pelo processo químico do sal comum, o marinho tem uma quantidade menor de aditivos químicos como conservantes e corantes — associados ao desenvolvimento de câncer. Ele mantém maior quantidade de minerais como cálcio, potássio, ferro, zinco e iodo. É o mais recomendado por ela para quem necessita de ajuste na quantidade de sódio ingerida.
O importante é dosar a quantidade
Já que não temos vilões, nenhum tipo de sal é necessariamente ruim e passível de ser evitado completamente. O segredo está, justamente, na dosagem. Na hora de tentar reduzir o consumo de sal para se adequar à quantidade estabelecida pela OMS (5g/dia), é preciso ter dois cuidados principais, alerta Daniele.
O primeiro, é prestar atenção nos produtos ditos "light" ou "diet". O segundo, e igualmente importante, é ficar ciente do fato de que o sal está onde menos esperamos. A dica a ser seguida à risca é sempre ler atentamente os rótulos dos produtos, que costumam ser "repletos de pegadinhas".
— Se você deixa de botar sal na salada no almoço para diminuir o consumo e à noite come batata chips pronta, você troca um pelo outro. O impacto no organismo é o mesmo ou até pior. Por isso ler o rótulo é bem importante. O refrigerante diet, por exemplo, eles tiram o açúcar e, para 'compensar' no sabor, colocam mais sódio — diz a especialista.
— Os alimentos ditos 'light', também, não são sinônimos de 'menos sal'. 'Light' é qualquer alimento que tenha 25% a menos de qualquer componente (como gordura, por exemplo). Ele pode ser assim e ter o triplo de sódio. O sódio também está em grande quantidade nos biscoitos e até mesmo nas bolachas doces — completa.
Alimentos doces com alto teor de sódio
Refrigerantes: em média 48 mg de sódio em uma lata de 350 ml
Bolacha doce recheada: 490 mg de sódio em um pacote
Pós para sucos: cerca de 32 mg de sódio em 1/2 colher de sopa
Mistura para bolo: em média 179 mg de sódio em 3 colheres de sopa
O Globo segunda, 13 de março de 2023
CARIOCÃO 2023: FLEMENGO X VASCO - ONDE ASSISTIR E ESCALAÇÕES PARA A SEMIFINAL
Flamengo x Vasco: onde assistir e escalações para a semifinal do Campeonato Carioca
Times se enfrentam pela primeira partida do mata-mata da competição estadual
Por O Globo
13/03/2023 10h10 Atualizado há 20 minutos
Marlon Gomes fez sua estreia pelo Vasco este ano no clássico contra o FlamengoDaniel Ramalho/CRVG
Flamengo e Vasco entram em campo no Maracanã, às 21h10 (de Brasília) pelo primeiro jogo da semifinal do Campeonato Carioca, em busca de uma vaga na final da competição. Os vascaínos possuem a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Eles já se enfrentaram no Estadual e o time cruz-maltino conseguiu vencer com um golaço do lateral-direito Pumita Rodríguez.
Flamengo x Vasco
Horário: 21h10
Estádio: Maracanã
Transmissão: Band e BandSports
Arbitragem:
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa e Thayse Marques Fonseca
VAR: Rodrigo Nunes de Sá
Provável escalação - Flamengo: Matheus Cunha; Fabrício Bruno, Rodrigo Caio e Pablo; Matheuzinho, Vidal, Thiago Maia e Ayrton Lucas; Arrascaeta, Gabigol e Pedro.
Provável escalação - Vasco: Léo Jardim, Pumita, Capasso, Léo, Lucas Piton; Rodrigo, Andrey, Jair, Alex Teixeira, Gabriel Pec e Pedro Raul.
O Globo domingo, 12 de março de 2023
SOPHIE CHARLOTTE: ATRIZ FALA SOBRE FILME EM QUE VIVE GAL, E MAIS
Sophie Charlotte fala sobre filme em que vive Gal e casamento com Daniel de Oliveira: 'O entendimento do desejo é uma dinâmica de espaço e tempo'
Mãe de Otto, de 6 anos, atriz deseja ter mais um filho: 'Estou pensando em congelar os óvulos'
Por Marcia Disitzer
12/03/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
A atriz Sophie CharlotteMariana Maltoni
A icônica afirmação de Simone de Beauvoir — “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher” — sintetiza o turbilhão de transformações e descobertas pelas quais Sophie Charlotte, de 33 anos, vem passando nos últimos tempos. A atriz, que nasceu em Hamburgo, na Alemanha, veio para o Brasil aos 8 anos e despontou para o grande público em 2007, em “Malhação”, da TV Globo, avançou na carreira e rompeu limites profissionais, sem abrir mão de um traço quase palpável da sua personalidade: a responsabilidade.
Sophie Charlotte: top Rodrigo Evangelista, tanga Gustavo Silvestre, calça vintage New Division, colar Victor Hugo Mattos e sandálias Alexandre Birman — Foto: Mariana Maltoni
Para falar sobre os filmes que lançará este ano — “O rio do desejo”, com direção de Sérgio Machado, baseado em conto do escritor amazonense Milton Hatoum e estreia marcada para 23 de março; “Meu nome é Gal”, dirigido por Dandara Ferreira e Lô Politi, que será lançado dia 21 de setembro, aniversário da cantora baiana; e “The killer”, de David Fincher, que chegará à Netflix em novembro — e também sobre a segunda temporada da novela “Todas as flores” (Globoplay), foram necessários dois encontros por meio de chamadas de vídeo. Em ambos, Sophie enfatizou palavras como “processo”, “revolução” e “potência”. Além de projetos profissionais, a atriz também discorreu sem rodeios sobre o casamento com o ator Daniel de Oliveira, a potência da maternidade e o desejo de aumentar a família. “É difícil essa escolha, mas eu quero (um segundo filho, ela já é mãe de Otto, de 6 anos). Porém, acompanho mulheres com mais de 35 que levaram um susto (por não conseguirem engravidar), que poderiam ter congelado os óvulos se tivessem tido mais informações. Deveríamos falar mais sobre esse assunto, debatê-lo. Ainda não congelei meus óvulos, mas penso nisso. Farei 34 e tenho muito trabalho em 2023”, conta.
A seguir, os melhores trechos da entrevista.
Como foi interpretar a Gal?
Para além das voz de cristal, é um farol para todas nós, mulheres. Como artista e também pela revolução a qual ela se propôs, tantas vezes, durante a carreira. Também me impactou muito resgatar aquele
Top Adriana Degreas na NK Store, saia Ateliê Mão de Mãe e colar Sauer — Foto: Mariana Maltoni
tempo histórico, que é o recorte do longa (o filme retrata as vivências da cantora no final dos anos 1960 e início da década de 1970). Gal segurou a bandeira do tropicalismo enquanto Gil e Caetano estavam exilados, viveu a liberdade na contenção da ditadura. Fez uma revolução na praia, com o corpo livre sob o sol. Esse desbunde foi ligado a um contexto específico. Foram quatro anos de pesquisa em que a conheci, aproximei-me ainda mais de Salvador, vi de perto o bairro da Graça, assisti a todos os seus shows e ouvi compulsivamente seus discos. Gal é tão múltipla, ela tornou-se um farol na minha vida. Sou outra: nunca mais falarei do feminino da mesma maneira.
Você citou o tempo histórico do filme, que foi a época do desbunde, do corpo livre, de drogas, das dunas da Gal. Você já desbundou?
A minha geração está aprendendo com a que está chegando agora, que tem algo que se aproxima mais da geração da Gal. A minha é muito careta (risos). Sempre fui muito responsável e ligada ao trabalho. Não sei se me dei esse espaço. Mas também acredito que não seja algo, necessariamente, ligado aos 18 anos. Dá para viver o desbunde em qualquer época da vida.
Quais gavetas a Gal abriu dentro de você?
A atriz Sophie Charlotte usa vestido Paco Rabanne para NK Store, sandálias Valentino e bracelete Laura Cangussu — Foto: Mariana Maltoni
Muitas e continuará abrindo. Provocou um exercício de entendimento e desconstrução do que se espera do feminino. Mulheres como ela são absolutas, isso vem naturalmente. Outras vão evoluindo para se tornarem exatamente quem são e se tornarem sua máxima potência. Estou me repassando nessa conversa quase de análise (risos)... Talvez o meu desbunde ainda chegue.
Já fumou maconha?
Claro! Minha relação com as drogas é muito suave, nenhuma delas me pegou. Mas faço questão de falar sobre esse assunto de maneira responsável porque a adicção química é muito arriscada e grave. Tenho amigos que, por vários motivos, não fizeram um caminho tão legal. Na minha vivência, foi tudo certo.
Antes de “Meu nome é Gal”, chega aos cinemas o filme “O rio do desejo”, rodado na amazônia. É uma trama densa (a personagem de Sophie se envolve com três irmãos). Como foi a experiência?
Vestido Gustavo Silvestre, cinto Victor Hugo Mattos, brincos Sauer e sandálias Alexandre Birman — Foto: Mariana Maltoni
É uma tragédia amazônica. A força do filme é relacionar-se com o que existe de mais humano em nós, tem uma crueza que não passa por filtros do Instagram. A régua da minha personagem, Anaíra, é a do desejo, ela é uma mulher desejante e não objeto de desejo desses irmãos. E como é importante voltar os olhos do audiovisual para áreas menos retratadas do Brasil. A Floresta Amazônica é tão valiosa, precisamos defender os povos originários. Retomar as rédeas dessa democracia ativa com possibilidade ética, para mim, é voltar a respirar. Estou feliz pelo fato de o filme estrear neste momento do país.
Tem ainda a sua estreia no mercado internacional e a segunda temporada de “Todas as flores”.
Já filmamos “The killer”. Saí três vezes do Brasil para isso. É uma personagem com poucas cenas, mas foi um sonho trabalhar com o David (Fincher). Fui recebida com muito carinho por todos. Sobre a novela, que encontro massa tive com a Letícia (Colin) e a Regina (Casé). É lindo quando se estabelece o momento cênico entre atrizes, amo as duas.
Você contracena com Daniel (de Oliveira) em “O rio do desejo”. Como é trabalhar junto?
m desafio. Nossos encontros em cena são sempre muito potentes, mas temos jeitos diferentes de atuar. Sempre fui muito do estudo, da disciplina. Na novela “O rebu”, a gente ensaiava e, quando começava a rodar, ele parecia outra pessoa. Cada ator tem um processo. Não fico o dia inteiro dentro da personagem, mas tirar todas as “peles” é árduo, me demanda suor físico e emocional.
Vocês estão casados desde 2015 e tem um filho, Otto, de 6 anos. Como lidam com as crises?
Depois deste tempo todo, o mais legal é desdobrar os vínculos que temos. Daniel é meu parceiro amoroso, pai do Otto, pai dos meninos (Raul, de 15 anos, e Moisés, de 12, do casamento com Vanessa Giácomo), meu roomate... São muitas relações e cada uma delas tem suas questões. No decorrer da vida, é necessário entender qual precisa de ajustes. Já passamos por crises brabas, mas faz parte. O entendimento do desejo é uma dinâmica de espaço e tempo. Há momentos de aproximação, outros de afastamento. O importante é se escutar, manter a admiração e a vontade de estar perto.
Você é ciumenta?
Sou. Mas entendi bem nova que, se deixasse meu ciúme solto, isso seria um gatilho. Fui conseguindo afrouxá-lo. Faço terapia desde os 29 anos.
O que a maternidade mudou na sua vida?
Vestido Raquel de Carvalho e corset Minha Vó Tinha — Foto: Mariana Maltoni
Foi como atravessar um portal. O amor materno, para mim, foi absoluto. Ninguém me contou sobre a paixão, inversamente diferente da romântica, que cresce de acordo com o desenvolvimento da criança, por meio da nossa troca. Tive uma gestação potente, meu parto foi avassalador, domiciliar e sem anestesia, derrubou pilares e levantou novas fundações. É também um processo solitário, ninguém passa por você. Tive um pouco de baby blues, mas estava muito bem amparada.
Já fez aborto?
Não, só engravidei uma vez, de Otto. Mas sou absolutamente a favor do direito das mulheres nessa decisão.
Desejam ter um segundo filho?
É difícil essa escolha. Eu quero. Porém, acompanho mulheres com mais de 35 anos que levaram um susto (por não conseguirem engravidar), que poderiam ter congelado os óvulos se tivessem tido mais informações. Deveríamos falar mais sobre esse assunto, debatê-lo. Ainda não congelei meus óvulos, mas penso nisso. Farei 34 anos e tenho muito trabalho em 2023.
A atriz Sophie Charlotte — Foto: Mariana Maltoni
Como é educar um menino hoje?
Meu objetivo é dar uma educação antirracista, falar abertamente sobre a questão de gênero. É um exercício constante desconstruir o imaginário misógino. Minha relação com o meu pai (o cabeleireiro paraense José Mário da Silva, que morreu, em 2021, aos 62 anos) foi muito forte e linda. A referência dele me ilumina por meio de memórias, momentos, cartas e também da genética, quando olho para o meu filho. Penso, muitas vezes, qual seria o conselho que ele me daria na educação de Otto. Isso não significa, necessariamente, que eu o seguiria porque vivemos outro tempo. E isso não é deixar de amar: é saber seguir.
Assistentes de fotografia: Gabriel Yoneya e Pedro Bodick. Beleza: Dindi Hojaj. Assistente de beleza: Raquel Teixeira. Assistência de moda: Maju Bergamaschi e Ottavia Delfanti.Produção de moda: Gabriel Saraiva.Produção executiva: Kariny Grativol. Assistente de produção: Rosely Grativol. Tratamento de imagem: Bruno Rezende. Camareiras: Linda Soares e Gabi. Agradecimento: Estúdio Damas.
O Globo sábado, 11 de março de 2023
FACE OZEMPIC: AS DIETAS COM REMÉDIOS QUE REJUVENESCEM O CORPO, MA DEIXAM O ROSTO DESPENCADO
'Face Ozempic': as dietas com remédios que rejuvenescem o corpo, mas deixam o rosto despencado
Ao perder gordura muito rapidamente, o organismo direciona nutrientes para onde eles são mais necessários, isto é, os órgãos vitais
Por Ana Lucia Azevedo — Rio de Janeiro
11/03/2023 04h30 Atualizado há 3 horas
Medicamentos que provocam emagrecimento rápido afetam gordura subcutânea do rostoArte de Andre Mello
O corpo dos sonhos pode vir acompanhado por um rosto de pesadelo, descobriram usuários da classe de drogas que promove uma revolução no tratamento da obesidade. A pessoa emagrece muito e depressa. Mas o rosto desaba junto com o ponteiro da balança. Se o corpo rejuvenesce, com o rosto o efeito, por vezes, é o contrário. O problema ganhou até nome, segundo o New York Times, cunhado pelo dermatologista americano Paul Jarrod Frank: face de Ozempic, em alusão ao mais conhecido desses medicamentos.
No Brasil e no mundo, a hashtag #ozempicface acumula dezenas de milhões de visualizações e milhares postagens em redes sociais — já se aproximam de cem milhões só no Tik Tok. Famosos e anônimos unidos pela mesma cara. E o problema nada tem a ver com o Ozempic nem algum dos outros remédios propriamente ditos. Eles não fazem o rosto cair.
Isso acontece porque levam a uma perda de peso expressiva e rápida — em alguns casos cerca de 10% do peso corporal. Os primeiros resultados, muitas vezes, já podem ser observados em cerca de uma semana. Mas, como já dizia Catherine Deneuve, “após uma certa idade você precisa escolher entre o seu rosto e a sua bunda”.
O rosto de Ozempic não surpreendeu dermatologistas especializados em estética, já acostumados a atender pessoas que emagrecem muito. O que diferente agora é a quantidade de pessoas e o ritmo em que o rosto fica com a aparência de ter sido chupado.
Para quem tem carteira gorducha, há solução. Mas é cara, assim como as medicações, cujo custo mensal pode ultrapassar facilmente R$ 1.000. O wegovy (semaglutida) , por exemplo, pode chegar a R$ 6 mil.
As drogas são chamadas de mimetizadores de incretina ou remédios baseados em GLP-1. Isso porque são compostos por uma proteína sintética chamada semaglutida, que imita o efeito do hormônio GLP-1 associado à sensação de saciedade. O GLP-1 diz ao cérebro que o corpo está satisfeito. Ou seja, tira a vontade de comer.
Há ainda a droga tizepartida, que atua sobre o GLP-1 e o GLP, hormônio também ligado ao apetite e à saciedade. Nos EUA, a tizepartida foi aprovada com o nome comercial de mounjaro e há expectativa que seja aprovada este ano no Brasil.
Esses medicamentos foram originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes do tipo 2, mas se mostraram mais eficientes do que qualquer outra droga conhecida para diminuir o peso. Eles chegam a levar à redução superior a um quinto da massa corporal. Mas precisam ser tomados, a princípio, para sempre. E, claro, acompanhado de dieta e atividade física.
É um alto preço que milhões de pessoas têm se disposto a pagar. No Brasil são aprovados pela Anvisa os injetáveis Ozempic (mas apenas para a diabetes, o uso contra a obesidade é “offlabel”) e Wegovy e o Rybelsus (comprimidos).
O impacto no mercado, na medicina e no comportamento tem sido comparado ao do valium contra a ansiedade nos anos 80, ao do prozac contra a depressão nos anos 80 e ao do viagra contra a impotência no fim dos anos 90.
As drogas com semaglutida já movimentam um mercado de US$ 23 bilhões por ano somente contra diabetes. As projeções são de que o uso contra a obesidade faça esse montante chegar a US$ 100 bilhões nos próximos anos.
Mas como não existe, literalmente, almoço grátis para quem quer emagrecer muito e depressa, a conta para recuperar o rosto é pesada.
A partir dos 30 anos, faz parte do processo de envelhecimento perder gordura no rosto. E, por ter menos gordura subcutânea que outras partes do corpo, o rosto fica desproporcionalmente mais magro quando se perde peso, explica a dermatologista Luiza Guedes.
E é por isso que emagrecer muito depressa pode fazer o rosto despencar. A meta pode ser perder gordura no abdômen, no quadril, nas coxas e nas nádegas, mas o ritmo do corpo é outro e o rosto afina primeiro. O efeito é mais acentuado em pessoas que já têm naturalmente o rosto alongado.
A gordura subcutânea dá sustentação à face. Com menos gordura, a pele cai. Fica flácida e a pessoa ganha uma aparência envelhecida e de permanente cansaço. Guedes diz que isso acontece não apenas com a pele, mas também com os cabelos, que podem se tornar mais finos e menos volumosos. O corpo, ao perder gordura, direciona nutrientes para onde são mais necessários, isto é, os órgãos vitais.
— O rosto fica esvaziado, lipodistrófico. Isso costuma ocorrer com quem faz cirurgia bariátrica. O que vemos acontecer agora é o aumento desse problema porque mais pessoas estão tendo acesso a tratamentos que proporcionam emagrecimento rápido — explica Guedes.
Quanto mais velha a pessoa, pior será o efeito no rosto. A cor da pele também influencia. Pessoas negras têm mais gordura subcutânea na pele e são menos afetadas.
Guedes diz que preencher a gordura perdida não basta. A recomendação é usar ultrassom para reposicionar os tecidos e dar mais firmeza ao rosto. A isso se soma o uso de bioestimuladores, para acelerar a produção de colágeno e repor a elasticidade e de preenchimento, evitando neste último a aplicação de metacrilato, que é mais barato, mas pode ter resultado desastroso e permanente.
— O rosto caído e esvaziado de quem emagrece muito é um clássico da dermatologia. Mas as pessoas precisam saber que mesmo se mantiverem o peso, perderão gordura subcutânea no rosto à medida que envelhecerem. Se fizerem regime, isso vai se acelerar — destaca Guedes.
O Globo sexta, 10 de março de 2023
NEYMAR: CRAQUE DESEMBARCA NO CATAR PARA PASSAR POR CIRURGIA NO TORNOZELO DIREITO
Neymar desembarca no Catar para passar por cirurgia no tornozelo direito
O atacante de 31 anos, craque do Paris Saint-Germain, ficará afastado dos gramados por três a quatro meses após se lesionar em 19 de fevereiro contra o Lille
Por AFP — Doha
10/03/2023 09h53 Atualizado há 9 minutos
Neymar, do Paris Saint-Germain, durante partida contra o Mônaco no estádio Louis II em 11 de fevereiro de 2023Valery Hache / AFP
Neymar desembarcou em Doha nesta sexta-feira (10) para passar por uma cirurgia no tornozelo direito, o que o impedirá de jogar até o final da temporada, informou a agência de notícias oficial do Catar.
O atacante de 31 anos, craque do Paris Saint-Germain, ficará afastado dos gramados por três a quatro meses após se lesionar em 19 de fevereiro contra o Lille.
Neymar já sofreu um problema na mesma articulação na primeira partida da Copa do Mundo no Catar contra a Sérvia e só conseguiu voltar a jogar pela Seleção nas oitavas de final.
"Neymar chegou a Doha para ser operado no hospital Aspetar", notou a agência de notícias Qatar.
O renomado especialista James Clader e Pieter D'Hooghe, especialista em cirurgia de tornozelo do Aspetar Hospital, serão os responsáveis pela operação.
Neymar já foi tratado no Aspetar, por Calder, em janeiro de 2019. O jogador prometeu "voltar mais forte" após a intervenção.
Afetado pela decepção com a Copa do Mundo, diante da eliminação da seleção brasileira nas quartas de final contra a Croácia nos pênaltis, o jogador não vinha apresentando o ótimo desempenho exibido na primeira parte da temporada nos últimos jogos, mas continuou sendo um dos principais argumentos ofensivos Paris SG de Christophe Galtier com seus 13 gols e 11 assistências na Ligue 1 nesta temporada.
Abalado por lesões, caso não volte a jogar nesta temporada, desde sua chegada ao PSG em 2017 em uma transferência recorde de 222 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão na cotação atual), Neymar terá disputado apenas 49% dos jogos da Ligue 1 (112 de 228) , um saldo ruim para o jogador de futebol mais caro da história.
O Globo quinta, 09 de março de 2023
LARANJA: POR QUE DEVEMOS EVITAR TOMAR O SUCO DA FRUTA?
Laranja: por que devemos evitar tomar o suco da fruta? Entenda
É saudável tomar todos os dias? As vitaminas vão embora se não for consumido logo depois de espremido? As principais dúvidas da bebida preferida do café da manhã do mundo todo
Por Victoria Vera Ziccardi, La Nacion
09/03/2023 04h30 Atualizado há 23 minutos
O suco de laranja divide opiniões entre especialistasFreepik
Embora existam cada vez mais opções de sucos saudáveis de fruta, verduras ou vitaminas para começar o dia, o suco de laranja continua sendo uma das bebidas preferidas para “começar com tudo”. Os tempos estão mudando, a cultura sobre a importância nutricional e o conhecimento sobre como os alimentos consumidos influenciam na saúde estão aumentando. Mas no caso do popular suco cítrico, o costume de tomá-lo remonta a décadas e, inclusive, atravessa gerações.
Pode-se abandonar uma bebida cujo consumo foi cultivado pelos pais desde a infância? Parece difícil. E a verdade é que existe um grande questionamento acerca dos benefícios do suco de laranja. O assunto, por si só, gera discórdia entre os profissionais de saúde e da nutrição. Há quem incentive seu consumo, e quem, por outro lado, alerte que a prática pode ser prejudicial à saúde.
– Se falarmos dos nutrientes que a laranja fornece ao corpo como uma fruta inteira, encontramos muitos, mas se destacam principalmente os carboidratos simples e a vitamina C – explica Juliana Gimenez, nutricionista. Na mesma linha, ela acrescenta que a laranja contém grandes quantidades de fibras e, em menor quantidade, fornece potássio, folatos e cálcio.
Gimenez destaca que, graças aos nutrientes mencionados, a laranja apresenta benefícios como: aumento da função imunológica devido à vitamina C, melhora da digestão devido ao seu alto teor de fibras, e produz melhorias no sistema cardiovascular devido à sua alta contribuição de compostos antioxidantes que ajudam a reduzir a inflamação e o estresse oxidativo. Porém, a nutricionista esclarece que essas propriedades são efetivas quando a fruta é consumida inteira e não como suco.
Faz bem tomar suco de laranja todos os dias?
Segundo Gimenez, é importante ter em mente que ao consumir a laranja na forma de suco, são consumidas duas ou três unidades da fruta. Dessa forma, há uma maior concentração de açúcares, o que acaba afetando os níveis de açúcar no sangue, tornando-se algo perigoso, principalmente para pessoas com diabetes. Da mesma maneira, acrescenta que em pessoas com azia frequente deve-se avaliar a tolerância, pois, como a bebida contém grandes quantidades de ácido cítrico, aumenta a acidez do estômago e pode gerar sintomas de desconforto.
Além disso, a nutricionista e diretora da Nutrim, Mariana Patrón Farias explica que existem duas grandes diferenças entre consumir diariamente o suco de laranja e consumir a fruta inteira. Como ponto principal, ela destaca a saciedade.
– O suco não requer mastigação como a fruta. Assim, beber não sacia. Por outro lado, se você comer a fruta, vai se sentir saciado graças ao rico teor de fibras”, afirma.
Como segundo ponto, Farias destaca o índice glicêmico.
– O suco concentra cerca de 10% de açúcares provenientes da fruta, valor semelhante à de um refrigerante comum, embora de origem diferente e com excesso de aditivos neste último caso – observa. Posteriormente, justifica que ao desperdiçar a fibra da laranja transformando-a em suco, após seu consumo, ocorre um aumento da glicemia (glicose no sangue).
Um estudo publicado na revista JAMA Network mostra que por não conter nenhum nutriente que sacia e que desacelera a digestão, o suco de laranja pode provocar um pico e uma queda de açúcar no sangue, o que a longo prazo pode acarretar em um aumento do peso.
E, como se não bastassem tais afirmações, o médico americano e especialista em obesidade, Robert Lustig, autor de “Fat Chance: The Bitter Truth About Sugar”, estabelece em seu livro que beber suco de fruta é pior do que beber refrigerante. De acordo com Lustig, descartar a fibra da fruta depois de espremê-la aumenta a absorção de frutose e diminui a presença de nutrientes, principalmente da vitamina C.
Sobre se vale a pena substituir o suco de laranja pelo suco de outra fruta, Gimenez adverte:
-- Considerando a questão da perda de fibras e dos picos de açúcar no sangue, a situação seria a mesma com outras frutas. Por isso, o que deve mudar é o modo de consumo.
Por último, a nutricionista acrescenta que, se for consumir de vez em quando, o suco de laranja deve ser tomado imediatamente após ser feito, já que, ao entrar em contato com o oxigênio, ele oxida e perde nutrientes.
O Globo quarta, 08 de março de 2023
CULINÁRIA: RODRIGO HILBERT REVELA OS TEMPEROS QUE NÃO PODEM FALTAR EM SUA COZINHA
Rodrigo Hilbert revela os temperos que não podem faltar em sua cozinha; saiba quais são
Apresentador completa 10 anos à frente do programa 'Tempero de família', do GNT
O apresentador Rodrigo Hilbert volta às telinhas no próximo dia 16 de março com a estreia da nova temporada de "Tempero de família", programa de gastronomia do GNT que completa 10 anos em 2023.
Ao longo da nova temporada, o apresentador receberá casais comemorando bodas de casamento. Na dinâmica, ele sempre cozinhará com o membro do casal que tem menos habilidade nesta área, preparando um jantar romântico para o parceiro.
Em entrevista ao GLOBO, Rodrigo fala detalhadamente sobre o tempero que não pode faltar em sua cozinha.
— Eu ia falar um clichêzão e responder: amor. Mas não, vou falar um tempero de verdade. Tenho cozinhado muita carne e eu uso um dry rub seco que eu faço em casa. Eu uso várias especiarias. É uma porção de açúcar mascavo, uma porção de sal, páprica defumada, páprica picante, cúrcuma, cebola em pó, alho em pó e as especiarias que quiser — diz o apresentador de 42 anos, famoso pelos dotes culinários. — Outra coisa que faço muito é temperar meu próprio sal. Não uso sal fino refinado. Eu pego o sal grosso, passo no processador. Às vezes coloco um alecrim, um tomilho, fica sempre um salzinho temperado.
Rodrigo Hilbert durante a gravação da nova temporada de "Tempero de família" — Foto: Divulgação/Lucas Rangel
Já sobre sua vida pessoal, Rodrigo conta que "oxigênio" é o tempero insubstituível.
— Respiração não pode faltar em minha vida. Qualquer coisa que me tire do sério, que me tire do centro, preciso de 15 minutos de respiração para voltar para o foco. É impressionante o poder da oxigenação, o poder do respirar. Faço competições longas de mountain bike. Fiz uma prova de 700 km ao longo de sete dias, acampado em barraca. No meio da prova, no meio do momento mais difícil, a única coisa que te resta para se concentrar e não desistir é respirar. A respiração movimenta montanhas.
O Globo terça, 07 de março de 2023
BEM-ESTAR: RESPIRAR DA FORMA CORRETA MEHORA A SAÚDE
Respirar da forma correta melhora a saúde e bem-estar; aprenda exercícios
Segundo especialistas, respiramos muito rápido e superficialmente aumentando o estresse
Por Alisha Haridasani Gupta, The New York Times
07/03/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
Respirar com narinas alternadas ajuda a melhorar o focoFreepik
Nós inspiramos e expiramos aproximadamente 25 mil vezes por dia. E, apesar disso, segundo especialistas, incluindo pneumologistas e psiquiatras, a maior parte de nós está fazendo isso errado — respirando muito rápida e superficialmente.
Ao longo das últimas décadas, pesquisas começaram a confirmar o que culturas ancestrais por muito tempo acreditaram: exercícios respiratórios, a prática de corrigir e controlar a respiração através de métodos simples, podem melhorar a saúde e o bem-estar.
Em repouso, o ritmo respiratório deve ser devagar e constante, entre 12 e 20 respirações por minuto. Desacelerar, conscientemente para cinco a sete por minuto pode ajudar a reduzir a pressão arterial, regular os batimentos cardíacos e melhorar o humor. Pesquisadores têm dito que respirar lentamente pode reduzir a dor crônica, o estresse e a depressão, além de melhorar a forma física e os níveis de energia.
Um estudo, publicado em abril do ano passado, descobriu que os exercícios respiratórios ajudaram pacientes em recuperação da Covid-19 a retomar um ritmo saudável. E um outro estudo, publicado em novembro, mostrou que essas práticas — incluindo as de atenção plena — foram tão efetivas quanto remédios para tratar transtorno de ansiedade.
Quando doentes, estressadas ou ansiosas, muitas pessoas começam a respirar apressadamente com a parte superior do peito, o que ativa o sistema nervoso simpático do corpo, explica a pesquisadora de neurobiologia na Universidade de Stanford e co-autora de um estudo sobre como exercícios de respiração podem ser usados para melhorar o humor, Melis Yilmaz Balban. Respirar dessa maneira aumenta os batimentos cardíacos, inibe a digestão e eleva a tendência do cérebro de detectar perigos, sejam eles reais ou imaginários.
Muitas pessoas acham difícil desacelerar a respiração, mesmo quando a ameaça ou a fonte do estresse diminuem, e podem acabar desenvolvendo hábitos de respiração não saudáveis a longo prazo. Para autor do livro “Breath in, Breath out” (“Inspira, Expira, em tradução livre), Stuart Sandeman, quando a respiração, o pulso e a pressão arterial permanecem elevadas:
— Dias estressantes tornam-se semanas estressantes, e semanas estressantes tornam-se meses estressantes — alerta Sandeman.
O mecanismo que torna esse controle eficaz para a melhora da saúde mental, emocional e física, é que ele desacelera de maneira forçada a respiração, explica o pneumologista da Universidade do Sul da Califórnia, Raj Dasgupta, que usa exercícios respiratórios em pacientes com doenças pulmonares crônicas ou insônia. Ele ressalta os benefícios de uma respiração mais tranquila:
— O sistema parassimpático, que chamamos de sistema de ‘repouso e digestão’, assume o controle e ajuda você a se acalmar.
Dasgupta observa que, mesmo que a pessoa tenha condições de saúde que afetem a respiração, é seguro tentar aprofundá-la e desacelerá-la pouco a pouco.
Sobre a pesquisa recente que fala acerca de segurar a respiração, Sandeman diz:
— É o que praticantes de yoga e meditação têm falado há milhares de anos. Essas tradições mais antigas sabiam os benefícios de se respirar bem.
— Com qualquer tipo de exercício respiratório, somos forçados a prestar atenção na nossa respiração e no nosso interior —acrescenta Balban. —Isso traz você para o agora.
Respiração 4-4-8
Tente este exercício se você estiver se sentindo ansioso ou assustado.
O que fazer: Inspire por quatro segundos, prenda sua respiração por quatro segundos e, então, expire contando até oito. Repita.
Por que funciona: Diversos estudos apontam que ampliar propositalmente a expiração por mais tempo do que a inspiração — a proposta deste exercício —pode rapidamente diminuir a frequência cardíaca e a pressão sanguínea. Balban explica que estender a expiração é também algo que o corpo tende a fazer naturalmente a cada cinco minutos.
—Meio que para reiniciar o ritmo da respiração e consequentemente se acalmar.
Alternar a respiração entre as narinas
Esse exercício, emprestado das práticas da yoga, pode ajudar a melhorar o foco.
O que fazer: Feche sua narina direita e inspire através da sua narina esquerda contando até quatro. Agora, feche a sua narina esquerda e expire com a sua narina direita também contando até quatro.
Porque funciona: os antigos ensinamentos hindus diziam que cada narina era responsável por diferentes funções na mente e no corpo, e alternar intencionalmente entre elas poderia balancear esses dois sistemas e trazer mais foco, clareza mental e calma.
Estudos mais recentes encontraram evidências limitadas para embasar esse exercício, segundo Balban, demonstrando que a narina direita está conectada com o sistema simpático — nosso modo de luta ou fuga —enquanto a narina esquerda está conectada com o sistema parassimpático, mais calmo. Dessa forma, conscientemente alternar entre as duas narinas ajuda a desligar os pensamentos acelerados e a focar no agora.
Respiração box
Os Seals da marinha americana usam esta técnica para se preparar para treinamentos e até mesmo antes do combate, já que pode ajudar a melhorar o foco cognitivo.
O que fazer: inspire por quatro segundos, prenda a respiração por quatro segundos, exale contando até quatro e prenda a respiração novamente por quatro segundos.
Por que funciona: com tempos iguais, você força a respiração a entrar em ritmo constante, explica Sandeman, mantendo o corpo em alerta e energizado, em vez de levá-lo a um estado de completo relaxamento.
O Globo segunda, 06 de março de 2023
SAÚDE: CONHEÇA OS ALIMENTOS E BEBIDAS QUE CONTÊM UMA QUANTIDADE SURPREENDENTE DE ÁLCOOL
Conheça os alimentos e bebidas que contêm uma quantidade surpreendente de álcool
Produtos que passam por fermentação ou que contenham muito açúcar podem apresentar resíduos alcoólicos
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
06/03/2023 04h30 Atualizado há 3 horas
Pão é um dos alimentos que pode ter resíduos alcoólicos por conta da fermentaçãoFreepik
Se você foi eleito o motorista da rodada, deve evitar a todo custo produtos à base de álcool. Isso significa que você pode, no máximo, tomar uma cerveja zero álcool. Drinques alcoólicos, vinho, chope? Hoje não! Mas talvez seja maneirar no consumo de outras bebidas e alguns alimentos que, aparentemente, são inofensivos, mas que possuem certo teor de álcool.
No Brasil, são considerados produtos não alcoólicos aqueles com menos de 0,5% de álcool por volume. A cerveja zero álcool, por exemplo, deve ter até esse limite para evitar que os motoristas sejam pegos na Lei Seca.
Veja abaixo alguns produtos com os quais você deve ter atenção:
Pão
À primeira vista, faz sentido que o pão seja alcoólico. Ele usa quase exatamente os mesmos ingredientes da cerveja (exceto o lúpulo), que passam por um processo de fermentação antes do cozimento. Se você sentir o cheiro de um pão enquanto ele cresce, pode perceber o aroma familiar de álcool. A diferença da cerveja, porém, é que ela entra no forno, onde a maior parte do álcool evapora junto com o restante da água da massa. Um relatório de 1926 chamado The Alcohol Content of Bread analisou doze diferentes tipos de pães e descobriu que o teor alcoólico deles variava entre 0,04% a 1,9% de álcool por volume. Pães com tempo de fermentação longos tendem a ter um teor alcoólico mais alto, pois o período assando no forno é insuficiente para fazer evaporar toda a quantidade de álcool produzida.
Suco de laranja e de outras frutas
Com seu alto teor de açúcar, o suco de laranja é relativamente alcoólico, assim como vários sucos de frutas que não são rotulados como tal. É amplamente conhecido que o suco de laranja pode conter até 0,5% de álcool por volume, ficando no limite da legislação brasileira.
Em um feito por pesquisadores da Universidade de Kaiserslautern, na Alemanha, sobre o teor alcoólico de sucos de frutas, os autores descobriram que muitas bebidas frequentemente dadas a crianças podem conter uma quantidade substancial de álcool, principalmente suco de laranja, maçã e uva. A maior quantidade registrada foi de 0,77 gramas/litro de etanol, enquanto os pães doces e outros produtos de panificação também registraram até 1,2 gramas/100 gramas.
Não é apenas o suco, porém, que é alcoólico — a própria fruta pode ser também. Bananas maduras têm até 0,5% de álcool, que varia dependendo de quão madura a banana está. Aquelas que estão prontas para serem consumidas normalmente têm cerca de 0,2%, mas as bananas com manchas começam a ficar mais alcoólicas, chegando até 0,5%.
Segundo os cientistas, mesmo que uma quantidade significativa desses alimentos seja ingerida, não é como tomar uma dose de bebida alcoólica, pois fica abaixo dos 0,5%, sendo classificado como não alcoólico. Ainda assim, eles recomendam não exagerar — mas as quantidades seguras não são especificadas no estudo.
O molho de soja, um condimento salgado feito do grão, é o item mais alcoólico da lista, tente entre 1,5% e 2% de álcool por volume. Este molho é feito a partir de um processo de fermentação natural semelhante ao vinho ou à cerveja. O amido dentro do trigo, que faz parte dos ingredientes, se decompõe à medida que fermenta, transformando-se em etanol e dando ao molho de soja parte de seu sabor característico. Como resultado, alguns molhos de soja são quase tão fortes quanto uma cerveja fraca, apesar de não serem rotulados como tal, e podem ter um impacto em grandes quantidades.
O Globo domingo, 05 de março de 2023
VASCO X FLAMENGO: SETE EPISÓDIOS MAIS MARCANTES DA RIVALIDADE, QUE FAZ 100 ANOSDA
Sete episódios mais marcantes da rivalidade entre Flamengo e Vasco, que faz 100 anos
Da eleição do time mais querido do Brasil à carreata de título em frente à sede do rival, Clássico dos Milhões é repleto de causos extracampo
Por Bruno Marinho — Rio de Janeiro
05/03/2023 04h00 Atualizado há 7 horas
Delegação do Vasco passa em frente à sede do Flamengo para comemorar título em 2000Arquivo O Globo
Uma grande rivalidade entre dois times de futebol precisa ser recheada de partidas históricas, mas tem a cobertura de grandes causos fora das quatro linhas. O clássico entre Flamengo e Vasco, que completa 100 anos em 2023, é um desses. É uma grande gama de episódios, personagens, que ajudaram a construir a mística em torno do duelo. Confira sete passagens que ilustram por que o Clássico dos Milhões é um dos de maior rivalidade no Brasil.
O mais querido do Brasil
Quatro anos depois da primeira partida entre Flamengo e Vasco, os dois times se enfrentaram numa disputa que seria definidora de um dos rivais. Era 1927 e o Jornal do Brasil, ao lado de uma marca de água mineral da época, decidiu eleger o time mais querido do Brasil. Os votos precisavam ser escritos no rótulo da água mineral e entregues na redação do jornal.
Rubro-negros e vascaínos foram os que mais se engajaram. Reza a lenda que a colônia portuguesa mobilizou recursos para comprar o maior número de garrafas de água mineral possíveis. Os rubro-negros resolveram sabotar a estratégia vascaína: se disfarçaram de torcedores do time da Colina, recolheram parte dos votos que eram direcionados para o cruz-maltino e o jogaram no lixo.
No fim das contas, quem venceu a eleição foi o Flamengo, que passou a ostentar a alcunha de "time mais querido do Brasil". A frase pegou e ajudou a fama a se tornar realidade, com o rubro-negro sendo a equipe com mais torcedores do país.
Título de concurso de 1927 está até hoje escrita na sede do Flamengo — Foto: Jorge William
O lado do Maracanã
Em 1950, o Maracanã seria inaugurado e passaria a ser a casa do futebol carioca. Mas havia uma questão aberta: em que lado do estádio as torcidas ficariam? A questão fazia diferença, uma vez que todas preferiam ficar no lado das arquibancadas onde fazia sombra nos jogos que começavam à tarde, à direita das tribunas de imprensa.
O Flamengo já tinha a maior torcida àquela altura, influência para fazer valer sua vontade, mas não teve como: ficou definido que quem vencesse o Campeonato Carioca daquele ano teria o direito de escolher o lado em que sua torcida ficaria no Maracanã. Deu Vasco e, daquela conquista até 2013, sempre que o Vasco jogou no Maracanã, sua torcida ficou no mesmo lado.
O vice-campeão foi o América, mas nem por isso o time teve o direito de ficar com o outro lado. Os rubro-negros fizeram do lado esquerdo das tribunas do Maracanã seu lugar cativo até hoje.
Jogo do Vasco no Maracanã na década de 1950 — Foto: Arquivo
Na calada da noite
Uma das transferências que mais chocaram o futebol brasileiro foi a de Bebeto para o Vasco, em 1989. Ele era o melhor jogador do Flamengo, clube que o havia revelado e que o tratava como sucessor de Zico.
O jogador foi convocado para a seleção brasileira para a disputa da Copa América e pedia uma renovação de contrato com o rubro-negro. As negociações não avançavam.
Diante disso, durante a competição, os dirigentes vascaínos começaram a agir nos bastidores, aproveitando a entrada que tinham na CBF - Jorge Salgado, hoje presidente vascaíno, era dirigente da entidade.
Depois de 28 dias de negociação, convenceram Bebeto. O jogador foi para seleção como ídolo do Flamengo e voltou da Copa América como reforço do cruz-maltino.
No primeiro clássico pelo Vasco, contra o Flamengo, em 1989, Bebeto perdeu e foi expulso — Foto: Arquivo O Globo
Torcida casada
Em 1998, o Vasco vivia a melhor fase de sua história. Havia sido campeão da Libertadores no ano do centenário e se preparava para a disputa do Mundial Interclubes contra o Real Madrid.
Até que torcedores do Flamengo tiveram a ideia de fundar uma torcida, a Fla-Madrid. Em tempos bem anteriores às redes sociais, a iniciativa viralizou o quanto pode, com camisas sendo produzidas.
Na manhã em que o Vasco foi derrotado pelo Real Madrid, centenas de torcedores da Fla-Madrid comemoraram o resultado pelas ruas de Copacabana.
Torcedores do Flamengo fazem a festa com a derrota do Vasco para o Real Madrid — Foto: Cezar Loureiro
Meu malvado favorito
Um dos maiores responsáveis por inflamar a rivalidade entre Vasco e Flamengo foi Eurico Miranda, por décadas vice-presidente de futebol e presidente do cruz-maltino.
Eurico fazia questão de provocar o rubro-negro e seus torcedores não deixavam por menos: por anos o dirigente foi o vascaíno mais xingado nos clássicos entre os times, mais do que qualquer jogador em campo.
Em 2000, apareceu na Gávea, levado por torcedores, um troféu feito em homenagem ao dirigente vascaíno. Tratava-se de uma corneta e na placa Eurico Miranda era lembrado da perda dos dois títulos mundiais, em 1998 e 2000, e dos Cariocas de 1999 e 2000.
Troféu feito especialmente para Eurico Miranda na sede do Flamengo, na Gávea — Foto: Ivo Gonzales
Festa na porta da casa
Depois de emplacar vice-campeonato mundial, do Torneio Rio-São Paulo e do Carioca, o Vasco foi à forra no segundo semestre de 2000. O time foi campeão brasileiro e da Mercosul.
Arte — Foto: Arte
Na volta de São Paulo, onde venceu o Palmeiras por 4 a 3, a equipe desembarcou no Santos Dumont e logo em seguida começou carreata em cima do carro do corpo de bombeiros.
O destino era São Januário, mas a carreata sofreu um desvio na rota. O caminhão foi para o outro lado e fez questão de passar bem em frente à sede do Flamengo, na Gávea.
Torcedores vascaínos provocam rubro-negros após título da Libertadores — Foto: Luís Alvarenga
Homenagem da discórdia
Em fevereiro de 2019, dez jovens jogadores do Flamengo morreram, vítimas de um incêndio no alojamento onde dormiam no Ninho do Urubu.
A tragédia abalou o país e Vasco resolveu fazer uma homenagem: jogaria a partida seguinte com uma bandeira do Flamengo estampada no uniforme, passando por cima de uma rivalidade histórica.
A iniciativa deixou alguns conselheiros de Vasco insatisfeitos. Houve protestos nas redes sociais a respeito. Acabou que a condolência foi feita e a camisa passou a ser exposta no museu rubro-negro, como forma de retribuir a iniciativa três anos atrás.
O Globo sábado, 04 de março de 2023
CULTURA: CONHEÇA AS 4 RELÍQUIAS DESCOBERTAS OR PESQUISADORES NO REAL GABINETE PORTUGUÊ DE LEITURA
Conheça as 4 relíquias redescobertas por pesquisadores no Real Gabinete Português de Leitura
A instituição fundada por imigrantes portugueses foi incluída em uma lista das dez bibliotecas mais bonitas do planeta
Por Jéssica Marques — Rio de Janeiro
04/03/2023 04h30 Atualizado há uma hora
Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do RioFabio Rossi
A arquitetura de estilo neomanuelino — que em Lisboa, capital de Portugal, enfeita estrelas do patrimônio histórico local como a Estação do Rossio — também se destaca na paisagem do Centro do Rio, representada pelo imponente Real Gabinete Português de Leitura. O prestígio do endereço carioca, no entanto, vai além dos limites da cidade e do tempo: a instituição foi incluída, no dia 30 de janeiro, em uma lista das dez bibliotecas mais bonitas do planeta. E, recentemente, a surpresa: durante um trabalho de reorganização dos arquivos (o acervo atual reúne mais de 350 mil volumes), pesquisadores descobriram obras esquecidas, verdadeiros tesouros que, devidamente catalogados, vão engrossar a seção de preciosidades da biblioteca.
Conheça as 4 relíquias redescobertas
Gravuras de ‘Os Maias’: o romance de tintas trágicas “Os Maias”, de Eça de Queiroz, foi lançado em 1888. Foram encontradas gravuras que retratam personagens e cenas da história de amor proibido entre os irmãos Carlos e Maria Eduarda.
Uma carta do arquiteto do Real Gabinete: de julho de 1872, ano seguinte ao da aquisição do imóvel, o arquiteto português Rafael da Silva e Castro, fornece de próprio punho mais informações sobre o trabalho.
A gravura francesa de Camões: do século XIX, a imagem retrata o autor de “Os lusíadas”.
Tributo à aviação e assinatura de Santos Dumont: o memorial inclui partes do avião em que Sacadura Cabral estava quando morreu em um acidente aéreo, em 1924
O ranking montado pela Civitatis, empresa de distribuição on-line de visitas guiadas e excursões, inclui, entre outras, a Biblioteca Pública de Nova York, nos Estados Unidos, e a Trinity College, em Dublin, na Irlanda. Em 2014, o Real Gabinete Português de Leitura já havia sido lembrado em seleção semelhante publicada pela revista “Time”.
As riquezas do Real Gabinete Português
12 fotos
Obras inéditas encontradas revelam detalhes desconhecidos de artistas anônimos do século XV
As estrelas da coleção, que vem sendo reunida desde o século XIX, incluem tesouros como um exemplar de “Os lusíadas”, do poeta Luís de Camões, de 1572. Entre os achados mais recentes identificados no arquivo estão uma carta escrita em 1872 pelo arquiteto Rafael da Silva e Barros, autor do projeto do prédio, uma gravura francesa que retrata o poeta Camões, nome maior da literatura portuguesa, uma assinatura do brasileiro Alberto Santos Dumont, o pai da aviação, e um conjunto de retratos de personagens do romance “Os Maias”, obra mais conhecida de outra estrela da literatura portuguesa, Eça de Queiroz. A seguir, saiba mais sobre as “novidades” encontradas no Real Gabinete Português.
Gravuras de ‘Os Maias’ com o devido destaque
Gravuras de ‘Os Maias’ no Real Gabinete Português de Leitura — Foto: Fabio Rossi
Clássico maior do autor de “A relíquia”, “O Crime do Padre Amado” e “O primo Basílio”, o romance de tintas trágicas “Os Maias”, de Eça de Queiroz, foi lançado em 1888. Na reorganização do acervo realizada no fim do ano passado, pesquisadores do Real Gabinete Português de Leitura encontraram gravuras que retratam personagens e cenas da história de amor proibido entre os irmãos Carlos e Maria Eduarda.
A coleção de imagens, de autoria do arquiteto Wladimir Alves de Souza, foi concebida por ele em 1963, como parte das atividades do “Club do Eça”, formado por admiradores do escritor português. As gravuras ainda serão alvo de mais estudos promovidos pelos pesquisadores da instituição, mas já ocupam lugar de destaque na “sala queiroziana”, dedicada ao recorte do acervo do Real Gabinete Português de Leitura mais ligado à obra de Eça de Queiroz (1845-1900).
A propósito: este é um dos ambientes reservados do palacete na Rua Luís de Camões. O prédio abre para o público de segunda a sexta, das 10h às 17h, mas os visitantes têm circulação restrita ao grande salão nobre do térreo.
Uma carta do arquiteto do Real Gabinete
Uma carta do arquiteto do Real Gabinete Português de Leitura — Foto: Fabio Rossi
Em carta com data de julho de 1872, ano seguinte ao da aquisição do imóvel na Rua da Lampadosa (atual Luís de Camões) onde viria a ser construída a sede do Real Gabinete, o autor do projeto, o arquiteto português Rafael da Silva e Castro, fornece de próprio punho mais informações sobre o trabalho.
O documento centenário encontrado nos arquivos da biblioteca foi armazenado junto a outros tesouros da tradicional “sala dos diretores” (espaço também fechado ao público). A carta de Silva e Castro agora divide atenções com a “colher de pedreiro” usada por dom Pedro II no lançamento da pedra fundamental do edifício, em 1880, o manuscrito original do “Dicionário da língua Tupi”, de Gonçalves Dias, e um exemplar da peça de teatro “Tu só tu, puro amor”, encomendada pelo Real Gabinete a Machado de Assis e autografada pelo autor.
Também são destaques da “sala dos diretores” a capa, a espada e o chapéu usados pelo escritor João do Rio em sua posse na Academia Brasileira de Letras, e um raro volume de “História universal, sagrado e profano”, de 1736, atingido por estilhaços durante um bombardeio na Revolta da Armada, em 1890.
A gravura francesa de Camões
A gravura francesa de Camões — Foto: Fabio Rossi
Camilo Castelo Branco (1825-1890), renomado romancista e dramaturgo português, também é homenageado no Real Gabinete com um espaço exclusivo, a “sala camiliana”.
O ambiente ainda guarda obras de Luís de Camões e do pintor José Malhoa. A aquisição mais recente desta seção do acervo histórico da centenária instituição é uma gravura de origem francesa, do século XIX, que retrata o autor de “Os lusíadas”.
A obra, encontrada na mais recente reorganização dos arquivos, foi restaurada. A diretora cultural e do Centro de Estudos do Real Gabinete, Gilda Santos, observa que a imagem apresenta um brasão, no seu canto esquerdo, onde se vê a imagem de uma ave conhecida como “camão”.
— Esse brasão é bem original. A história conta que a ave teria inspirado o nome do poeta. É um registro raro e muito curioso, deve ser mais estudado — afirma Gilda.
Do mais recente mergulho nos arquivos da casa também resultou o descobrimento de dois desenhos do pintor português Columbano Bordalo Pinheiro: os “achados” foram colocados ao lado de duas obras já conhecidas do mesmo artista.
Tributo à aviação e assinatura de Santos Dumont
Tributo à aviação e assinatura de Santos Dumont — Foto: Fabio Rossi
Os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, responsáveis pela primeira travessia aérea do Atlântico Sul, partiram de Lisboa em 30 de março de 1922 e, após algumas escalas, chegaram ao Rio de Janeiro no dia 17 de junho.
O feito da dupla de pilotos foi celebrado recentemente no Real Gabinete Português com peças do acervo ligadas ao tema. O memorial inclui partes do avião em que Sacadura Cabral estava quando morreu em um acidente aéreo, em 1924, e um documento com assinaturas de autoridades como o Papa Pio XI, Dom Manuel I (rei de Portugal), Afonso XIII da Espanha e o príncipe Alberto da Bélgica. Em meio a esses ilustres jamegões, foi encontrada recentemente a assinatura do brasileiro Santos Dumont, pai da aviação.
Outra peça rara é o retrato do então presidente Epitácio Pessoa, em traje de gala, ao lado dos pilotos Sacadura Cabral e Gago Coutinho, em pleno Palácio do Catete. A imagem, que enquadra de maneira informal um pássaro em uma gaiola e um cão, atraiu a curiosidade de Gilda Santos:
— O espantoso é que o fotógrafo não mandou tirar a gaiola e nem o cachorro. Não sei se foi para passar alguma mensagem — diz ela.
O Globo sexta, 03 de março de 2023
RIO DE JANEIRO: SAIBA COMO SERÁ A TIROLESA DE 755 METROS NO PÃO DE AÇÚCAR
Saiba como será a tirolesa de 755 metros no Pão de Açúcar, cartão-postal do Rio
A nova forma de vivenciar as maravilhas do Rio, segundo os idealizadores do projeto, ressignificará o turismo com um convite a uma aventura segura, sustentável e acessível a todos
Por Rafael Galdo — Rio de Janeiro
03/03/2023 04h30 Atualizado há uma hora
Bondinho do Pão de Açúcar vai ganhar tirolesa de 755 metros -Roberto Moreyra
Será um salto que partirá de 395 metros de altitude, entre o Pão de Açúcar e o Morro da Urca. Radical? Com certeza! E também uma experiência completamente diferente para admirar as belezas cariocas. É o que promete ser a tirolesa do Parque Bondinho Pão de Açúcar, já em construção e com previsão de ser inaugurada no início do segundo semestre deste ano.
Como será a aventura no Pão de Açúcar ?
A tirolesa terá 755 metros e a velocidade máxima será de 100 km/h
Serão quatro vias de descidas paralelas, com partidas e chegadas em plataformas próximas às estações do teleférico.
De capacete e proteção facial, o aventureiro vai se acomodar numa cadeirinha de tecido ultrarresistente, presa por equipamentos de ponta aos cabos.
Nenhum objeto solto será permitido, para não haver risco algum de que caia lá de cima. Óculos, carteiras e chinelos serão guardados numa mochila acoplada à cadeirinha da tirolesa.
O passeio será acessível a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
A capacidade da tirolesa não passará de 100 pessoas por hora.
Serão 52 empregos diretos gerados.
Na futura atração, os visitantes vão percorrer 755 metros pelos ares, içados por cabos, numa descida de aproximadamente 50 segundos, podendo atingir a velocidade máxima de 100km/h. A nova forma de vivenciar as maravilhas do Rio, segundo os idealizadores do projeto, ressignificará o turismo com um convite a uma aventura segura, sustentável e acessível a todos.
Há críticos da interferência no monumento natural. Mas o CEO do parque, Sandro Fernandes, assegura que todas as licenças necessárias foram obtidas junto a órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com os impactos do empreendimento estudados e debatidos. Ele detalha que a tirolesa, um investimento de R$ 50 milhões, terá quatro vias de descida paralelas, com partidas e chegadas em plataformas próximas às estações do teleférico. Os cabos, diz o executivo, serão quase imperceptíveis na panorâmica da cidade, com 15 milímetros de diâmetro, bem menos que os 50 milímetros que sustentam o bondinho. Já as sensações provocadas por essa viagem pelo cartão-postal devem ser daquelas que ficarão marcadas para sempre na memória.
— Lá do alto, vai se descortinar a cidade mais linda do mundo, com suas praias e montanhas. Será uma imersão também no ambiente da Mata Atlântica, que na década de 1970 já não existia no parque, mas que reflorestamos. Fizemos uma simulação com drone, e posso garantir: será um passeio tranquilo e suave — afirma Fernandes sobre a descida, que terá controle magnético da velocidade.
Segurança nas alturas — Foto: Editoria Arte
Segurança reforçada
Ele conta que, antes da diversão nas alturas, os visitantes ouvirão explicações sobre o Pão de Açúcar e a atividade integrada à natureza, receberão instruções de segurança e, por fim, vão se paramentar para a descida. O capacete, com um toque de ficção científica ou das altas performances olímpicas, inclui proteção facial. O aventureiro, em seguida, vai se acomodar na cadeirinha de tecido ultrarresistente, presa por equipamentos de ponta aos cabos da tirolesa. Estará tudo pronto, então, para se lançar à coragem.
— Vamos trazer esse esporte a um outro patamar, com o mesmo nível de segurança reconhecido há 110 anos no bondinho — diz Fernandes. — Um sistema eletrônico-digital, com sensores, jamais permitirá que uma pessoa parta da rampa no Pão de Açúcar enquanto a que desceu anteriormente não tiver saído da via — exemplifica o CEO.
Há ainda outra medida essencial para proporcionar a curtição sem sobressaltos. Nenhum objeto solto será permitido, para não haver risco algum de que caia lá de cima. Óculos, carteiras, bonés, chinelos e qualquer outro pertence serão guardados numa mochila acoplada à cadeirinha da tirolesa. Isso inclui, claro, câmeras fotográficas e celulares. Mas não se preocupe: a experiência não deixará de fora aquelas fotos para registrar o momento e postar nas redes sociais. Está nos planos a instalação de câmeras na saída e na chegada das plataformas. Imagens da jornada poderão ser obtidas em seguida.
Fernandes ressalta também que o passeio será acessível a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Uma empresa especializada em acessibilidade foi contratada para não deixar escapar qualquer detalhe, com o objetivo de que a tirolesa ofereça equidade a quem quiser viver a atração.
Pesquisa com visitantes
Mesmo que, em um primeiro momento, a ousadia de descer do Pão de Açúcar ao Morro da Urca pendurado por cabos possa significar frio na barriga, e até vertigem para alguns, uma pesquisa encomendada à empresa QWST apontou que a maioria aprova a ideia. De outubro de 2021 a novembro de 2022, 10.563 visitantes do Parque Bondinho Pão de Açúcar responderam se topariam a aventura da tirolesa, caso tivessem a oportunidade. No final, 57% garantiram que sim. Outros 19% disseram que talvez. E só 24% responderam que não gostam de atividade radical.
Um grupo que inclui montanhistas, porém, tem se oposto à obra, com argumentos como a interferência na paisagem e a alegação de que faltariam informações suficientes sobre o projeto. As contestações deram origem a um abaixo-assinado. “Será que o número de turistas atraídos compensa o impacto ambiental na unidade de conservação? E o impacto na vizinhança, foi avaliado? A própria estrutura de transporte para o topo comporta o impacto do público?”, questiona o documento.
Anteontem, um ofício da Secretaria municipal do Ambiente e Clima (Smac) chegou a determinar que parte da obra — a perfuração de rochas — fosse paralisada até que seja obtido um nada a opor da Geo-Rio. O Parque Bondinho Pão de Açúcar reitera que “apenas uma das atividades foi suspensa para análise de informações complementares”. Já a secretária da pasta, a arquiteta Tainá de Paula, explica que, desde o início de janeiro, cinco vistorias foram realizadas no local. Circunstancialmente, nas mais recentes, verificaram-se perfurações que não estavam previstas no projeto. Por isso, diz ela, foi pedido um novo laudo.
— Redobramos a fiscalização da Patrulha Ambiental. E vamos acompanhar com rigor obras num patrimônio tão emblemático para o Rio — afirma Tainá. — Do ponto de vista urbanístico, as obras estão de acordo com os parâmetros da prefeitura.
Até cem pessoas por hora
Sobre preocupações da vizinhança a respeito da poluição sonora da tirolesa, a secretária lembra que o projeto promete capacetes acústicos para reduzir ruídos dos gritos dos visitantes, enquanto se espera que o barulho da operação do maquinário não se distingua do que ocorre hoje com os bondinhos. Além disso, lembra que a supressão de vegetação para as obras não é significativa, mas que, em compensação, está em curso um processo de reflorestamento e recuperação ambiental no local.
Já o CEO Sandro Fernandes ressalta que a capacidade da tirolesa não passará de cem pessoas por hora, o que não significaria um aumento de fluxo no parque. Hoje, esclarece Fernandes, os bondinhos carregam até mil pessoas por hora montanha acima — ou seja, dez vezes mais do que suportará a tirolesa. Ele destaca ainda que o processo para que a novidade começasse a sair do papel durou anos. E que, além do Iphan, foram emitidas licenças de outros quatro órgãos, entre eles, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e a própria Smac.
— No IRPH, por exemplo, uma banca eclética de representantes da sociedade civil participou das discussões. A Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio também esteve nesse trâmite, e as secretarias municipais aprovaram. Causa estranheza agora que alguns grupos digam que não sabiam de detalhes do projeto — diz ele.
Muito pouco está por definir, segundo Fernandes. O preço do tíquete para a atração é um desses pontos. Ele não tem dúvidas, porém, do quanto a novidade significará para o turismo na cidade, onde uma tirolesa faz sucesso nas edições do Rock in Rio, mas com poucas opções permanentes para as descidas radicais.
— Serão 52 empregos diretos gerados. Mas tenho certeza de que toda a cadeia do turismo será beneficiada — conclui ele.
O Globo quinta, 02 de março de 2023
FLAMENGO: SEIS MOTIVOS QUE EXPLICAM POR QUE O CLUBE NÃO DEMITE VÍTOR PEREIRA
Seis motivos que explicam por que o Flamengo não demite Vítor Pereira
Técnico segue no cargo após não conquistar nenhum dos três títulos em disputa em 2023
Por Diogo Dantas
02/03/2023 04h25 Atualizado há uma hora
Vitor PereiraFlamengo
A decepção com os três títulos em disputa na temporada 2023 minaram a confiança do torcedor do Flamengo no trabalho do técnico Vítor Pereira, mas o português ainda conta com o prestígio junto ao elenco e à diretoria rubro-negros. Com contrato até o fim da temporada, o comandante foi trazido para o lugar de Dorival Júnior e em dois meses indicou o seu potencial, apesar dos resultados.
Mas afinal, quais os motivos para o Flamengo não demitir o treinador:
Multa alta: O Flamengo acertou com Vítor Pereira que em caso de demissão o técnico receberia todo o seu contrato, válido por um ano, e com custo total de R$ 25 milhões. Logo, se for desligado após dois meses, a rescisão implicaria em uma multa de cerca de R$ 18 milhões
Bom relacionamento: Vítor Pereira chegou ao Flamengo com a preocupação de não bater de frente com as estrelas do elenco. Apresentou suas ideias, entendeu que precisaria de tempo de adaptação, e faz tudo sem sobressaltos, mesmo com as cobranças por desempenho. A postura o ajudou a cair nas graças dos jogadores, ainda que não seja exatamente simpático.
Conceitos: As ideias de jogo apresentadas por Vítor Pereira no Flamengo partem de um objetivo simples de dar ao time maior consistência, e não ficar refém do talento individual. Ao buscar essas soluções no dia a dia e apresentar alguns avanços, o treinador ganhou pontos com o elenco e com a diretoria. Falta agora implementar as ideias no campo.
Bagagem: A experiência de Pereira com elencos internacionais e na disputa de grandes competições têm sido enfatizada no Flamengo. Não à toa o técnico resiste bem à pressão após um início conturbado, e sem dar motivos para cobranças além do desempenho em campo. É nessa casca que a diretoria aposta para que o técnico consiga extrair o melhor do elenco.
Mea-culpa: A direção do Flamengo apostou alto na troca de Dorival por Vítor Pereira e não quer dar o braço a torcer de que tomou a decisão errada. Para não fazer mea-culpa, também insiste com o trabalho ainda que os resultados estejam longe do esperado. A ideia é esticar a corda ao menos até o fim do Campeonato Carioca para que o técnico dê a "liga" necessária.
Falta de opções: Hoje no mercado o Flamengo não tem uma sombra ao trabalho de Vítor Pereira. Jorge Jesus, o treinador dos sonhos do torcedor a todo ano, só fica livre do Fenerbahce da Turquia no meio do ano. No mercado brasileiro, as alternativas são consideradas de nível inferior. Tite, ex-seleção, seria a exceção, mas o nome não é debatido no Flamengo.
O Globo quarta, 01 de março de 2023
RIO, 458 ANOS: FOTOS DO NASCER DO SOL MOSTRAM A BELEZA DA CIDADE
Nos 458 anos do Rio, fotos do nascer do sol mostram a beleza da cidade
Fotógrafo do GLOBO, Custodio Coimbra tem registros do alvorecer em várias partes da cidade: 'Por paixão e por ofício, tornei-me cúmplice de personagens e paisagens'
Por Custódio Coimbra* — Rio de Janeiro
01/03/2023 04h30 Atualizado há 2 horas
O nascer do sol na Praia de BotafogoCustodio Coimbra
Sempre gostei de acordar cedo. Na redação, a ideia de produzir registros da cidade ao amanhecer ganhou forma, em um primeiro momento, como uma maneira de atualizar o site do jornal, ao abrir cada dia com uma cena das primeiras horas da manhã. A fotografia, curiosamente, tem o poder de estancar um momento para sempre. E, por outro lado, é um processo em que tudo acontece num átimo, em um brevíssimo espaço de tempo. O amanhecer acrescenta mágica a essa receita: nas primeiras horas do dia a gente vê o tempo passar, o sol subir, a luminosidade aumentar, as tonalidades mudarem. Toda essa dança acontece diante dos nossos olhos.
Veja o amanhecer em diferentes pontos do Rio pelo olhar do fotógrafo Custodio Coimbra
22 fotos
E aí entra o Rio de Janeiro, o aniversariante de hoje, cuja paisagem é considerada patrimônio da Humanidade. Sempre morei aqui. Por paixão e por ofício, tornei-me cúmplice de personagens e paisagens da cidade. Na rotina pesada do jornalismo diário, fui buscando cada vez mais pautas de história e meio ambiente: com a idade, e a chegada dos meus quatro filhos, a cobertura de tiroteios, incursões policiais e crimes em geral deu lugar a outros interesses. Ainda faço, claro, por dever profissional (no meu último plantão houve uma chacina terrível em Magé).
Mas sou um carioca orgulhoso: nasci em uma cidade que, embora maltratada ao longo desses 458 anos, também acumulou muitas boas histórias. É isso que me anima a pegar a câmera e ir para a rua a cada novo amanhecer.
* Em depoimento a Pedro Tinoco
De que ponto do Rio se vê o Cristo Redentor neste registro?
Onde se vê o nascer do sol junto à estátua de Chopin?
Onde fica esta passarela?
Em que águas cariocas os reflexos do sol aparecem?
Caçula dos cinco filhos da dona de casa Maria e do comerciante português Emygdio Antunes Coimbra, Custodio Coimbra cresceu nas ruas de Quintino, bairro da Zona Norte carioca, batendo bola com, entre outros vizinhos, seu primo Arthur — que depois viria a ser mais conhecido como o craque rubro-negro Zico.
Incentivado pelos irmãos, Custodio começou a frequentar clubes de fotografia aos 11 anos — no curso de graduação em Belas Artes, acalentou a ideia de seguir carreira como artista plástico, mas foi capturado pelo fotojornalismo: passou pelas redações da Última Hora e do Jornal do Brasil. É fotógrafo do GLOBO desde 1989.
Em 2021, teve 410 imagens adquiridas pelo Instituto Moreira Salles, principal acervo de fotojornalismo do país. Sua obra divide espaço com a de fotógrafos como Marc Ferrez, Walter Firmo e Evandro Teixeira.
Com quatro filhos e quatro netos, Custodio participou de diversas exposições e tem, entre outros livros publicados, “Rio de cantos 1000” (2009) e “Guanabara, espelhos do Rio” (2016), ambos em parceria com sua mulher, a jornalista Cristina Chacel (1959–2020). Imagens do fotógrafo já renderam menção honrosa no IV Prêmio Vladimir Herzog, em 1994, e o Prêmio Esso de Contribuição à Imprensa, concedido pela série “Retratos do Rio”, publicada em 2001, no GLOBO.
Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, o fotógrafo já ultrapassou 1,2 milhão de imagens guardadas. Sua vasta coleção vai de episódios históricos a futebol e outros esportes, passando por registros da natureza e do Rio de Janeiro, suas duas maiores paixões.
O Globo terça, 28 de fevereiro de 2023
SHAKIRA: APÓS DIVÓRCIO, CANTORA DÁ PRIMEIRA ENTREVISTA A CANAL MEXICANO
Após divórcio, Shakira dá primeira entrevista a canal mexicano: 'agora me sinto completa'
Colombiana falou sobre as críticas que recebeu ao lançar a Music Session #53 com Bizarrap e destacou que parceria é fruto de uma sugestão de seu filho Milan
Por O Globo — Rio de Janeiro
28/02/2023 06h00 Atualizado há uma hora
Shakira em entrevista ao jornalista mexicano Enrique Acevedo, do programa 'En Punto'Reprodução
A cantora Shakira falou pela primeira vez em uma entrevista após a separação com o ex-jogador Gerard Piqué e todas as polêmicas de traições e divórcio. A entrevista aconteceu no canal de televisão Las Estrellas, do México, e no streaming N+.
Shakira também falou sobre as críticas que recebeu ao lançar a Music Session #53 com o produtor argentino Bizarrap, que traz provocações a Piqué e a atual Clara Chia. Ela destaca que deve haver sororidade entre o gênero feminino. "Há um lugar no inferno reservado para todas as mulheres que não apoiam as outras."
— Estou no centro, acho que também comprei a história de que uma mulher precisa de um homem para se completar e ter uma família, também vivi aquele sonho de que os filhos tenham pai e mãe sob o mesmo teto. Nem todos os sonhos se realizam na vida, mas a vida procura uma maneira de te compensar, e comigo tem feito isso mais do que com meus filhos — afirma a colombiana que acrescenta:
—Também descobri nesta fábula que precisava de um homem, mas sempre fui emocionalmente independente, já me apaixonei pelo amor e acho que consegui entender esta história de outra perspectiva e sinto que sou suficiente para eu mesmo.— afirma.
Shakira disse ainda que se sente fortalecida.
— Quando você aprende com suas fraquezas, você aceita sua vulnerabilidade, essa dor, o oposto da depressão, é a expressão. Eu me basto e agora me sinto completa, tenho dois filhos que dependem de mim e tenho que ser mais forte que uma leoa.
Veja registros de Shakira postados no Instagram
8 fotos
Cantora colombiana teve um relacionamento amoroso com o jogador de futebol Gerard Piqué entre 2010 e 2022 e se instalou em Barcelona, onde ele joga
Em outro trecho da entrevista, Shakira revelou seus filhos Shasa , de 11 anos, e Milan , de 9 anos, são fundamentais tanto em sua vida pessoal quanto profissional. A artista garante que eles têm uma sensibilidade especial e os escuta. Ela afirmou ainda que um de seus filhos foi quem a motivou a trabalhar com Bizarrap, e sobre o debate que isso gerou, disse:
— Eles têm uma participação bastante ativa na minha carreira, porque têm boas ideias. Eles têm muito critério, opiniões, eu sempre os ouço, eles sempre têm algo a dizer — explicou a cantora.
A parceria com Bizarrap é fruto de uma sugestão de seu filho Milan.
— Ele me disse 'mamãe você tem que fazer algo com Bizarrap, que é o Deus argentino e eu disse a ele olha quem me escreveu. Além disso, gravei um áudio do Milan no qual ele diz ao meu empresário Jamie que você tem que fazer minha mãe cantar com o Bizarrap, porque também foi ele quem me apresentou sua música, é bom ter filhos pequenos — confessa Shakira.
O Globo segunda, 27 de fevereiro de 2023
FIFA THE BEST: JORNAL CRITICA AUSÊNCIA DE VINI JR. ENTRE MELHORES ATACANTES EM PREMIAÇÃO DE JOGADORES
Jornal critica ausência de Vini Jr entre melhores atacantes em premiação de jogadores: 'Neymar e CR7 merecem mais?'
Títulos da LaLiga e da Champion's pesam a favor do jogador do Real Madrid
Por O Globo
27/02/2023 08h11 Atualizado há uma hora
Mesmo com gol na final da Champions, Vini Jr não entrou na lista dos melhores atacantes do ano segundo jogadores de futebolAFP
Nesta segunda-feira, a partir das 17h, o prêmio anual da Fifa irá decidir, entre outras categorias, quem foi o melhor jogador da temporada. Enquanto Messi, Mbappé e Benzema disputam o título principal no The Best, outra premiação foi motivo de crítica por parte do jornal espanhol Marca. É que o atacante Vini Jr, destaque do Real Madrid, sequer ficou entre os melhores da posição na eleição da FIFPro, espécie de sindicato dos jogadores e que elabora uma votação paralela.
De acordo com os membros da FIFPro, Benzema, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Haaland, Neymar, Messi e Lewandowski são os seis melhores atacantes da temporada. O jornalista Feix Días traz uma série de perguntas sobre as escolhas. "Um jogador que foi decisivo para a conquista da Liga dos Campeões e da Liga pelo Real Madrid tem vaga? O debate está aberto. Dúvidas surgem em torno do mérito de um e de outro. A lógica diz que, se Messi, Benzema e Mbappé lutam para serem os melhores do mundo, o seu lugar deve estar assegurado, mas nem sempre é assim. Cristiano Ronaldo ou Neymar alcançaram mais méritos durante 2022 do que Vinicius? Aí está a dúvida."
Ele também cita o fato do goleiro Yassine Bounou, sensação do Marrocos na Copa do Mundo do Catar e jogador do Sevilla, que também não recebeu uma indicação na categoria de melhor goleiro no Fifpro, mas concorre hoje ao The Best.
O treinador do Real Madrid, Carlo Ancelotti, já criticou a entidade por deixar o brasileiro de fora, e o prêmio é alvo de polêmica no clube, que não listou o evento como uma data oficial do clube, apesar de ter dois jogadores (Benzema e Courtois, concorrendo a melhor goleiro) na premiação.
O Globo domingo, 26 de fevereiro de 2023
CINEMA: FERNANDO MEIRELLES
Morando em Los Angeles para dirigir séries, Fernando Meirelles diz não acreditar na retomada das salas de cinema
Diretor de 'Cidade de Deus' e produtor de 'Marighella', entre outros filmes, ele explica a guinada na carreira: 'Eu tirei a produção da frente e fazer cinema ficou gostoso de novo’
Por André Miranda
26/02/2023 04h31 Atualizado há 2 horas
Fernando MeirellesDivulgação/ Jairo Goldflus
Após 40 anos como diretor de cinema, Fernando Meirelles resolveu dar uma “guinada de carreira”. A mudança parece sutil, mas é tão significativa quanto a transformação de Dadinho em Zé Pequeno. Meirelles, ele diz, quer voltar a ser apenas diretor de cinema. Só isso, nada mais.
Foi o diretor Meirelles que levou às telas filmes como “Cidade de Deus” (2002), “O jardineiro fiel” (2005), “Ensaio sobre a cegueira” (2008) e “Dois papas” (2019). Mas também foi ele, em seu papel de produtor, que ajudou a lançar obras variadas e bem-sucedidas, como “Marighella” (2019, de Wagner Moura) e “O banheiro do papa” (2007, de César Charlone). Agora, ele pretende focar mais em seus projetos do que nos dos outros.
De Los Angeles, onde dirige duas séries para streaming — “Sugar” (Apple TV+) e “The Sympathizer” (HBO Max) —, ele conversou com O GLOBO por videoconferência. Na entrevista, avaliou o mercado brasileiro, disse que não acredita mais na retomada das salas de cinema, revelou detalhes sobre a série spin-off de “Cidade de Deus” e contou que não votou no Oscar porque se esqueceu de pagar a anuidade.
Seu primeiro longa-metragem como diretor, “Menino Maluquinho 2: A Aventura”, foi lançado há 25 anos. Seus primeiros curtas-metragens são de 1983, foram lançados há 40 anos...
Pô, eu tô velho, não publica isso, não (risos). Eu comecei com vídeo independente, acho que em 1982 eu já fazia vídeos e ganhei uns prêmios. Já estou na estrada há um tempinho.
Você ainda sente a mesma paixão pelo cinema?
Eu sinto. Esse meu tempo fazendo streaming em Los Angeles me mostrou que o que eu gosto de fazer é dirigir. Gastei muito tempo da minha vida produzindo um monte de coisa. E só caiu a ficha quando eu cheguei aqui em Los Angeles no ano passado. É muito gostoso: vou para o set, falo com os atores, penso onde fica a câmera, depois como monta, que música usar.... É isso que gosto de fazer. Não vou falar que me arrependo de alguma coisa, mas posso dizer que estou numa guinada de carreira: quero ser só diretor, não quero mais produzir. Estou aqui, isolado, sem todos os problemas de sempre, só focado em dirigir. Como a vida fica boa. Adoro isso. A paixão não morreu. Eu tirei a produção da frente, e ficou gostoso de novo.
Há quanto tempo você está em Los Angeles?
Ano passado fiquei do meio de maio até o fim de novembro, filmando “Sugar”. É uma série com o Colin Farrell, e talvez a Apple aproveite para lançar logo caso ele ganhe o Oscar (Farrell concorre por “Os banshees de Inisherin”). Depois voltei para cá, para fazer um episódio de “The Sympathizer”, com o Robert Downey Jr.. O roteiro é em cima do livro (do escritor Viet Thanh Nguyen, publicado no Brasil como “O simpatizante”), e a história é sobre comunidades vietnamitas de Los Angeles, em 1977. Quem me convidou foi o Niv Fichman, que é meu amigo e produziu “Ensaio sobre a cegueira”. Estou há dois meses e meio, fico sozinho num apartamentinho. Acho bom, saio um pouco da minha vida, penso em algumas coisas, observo o Brasil de longe.
Como você vê o mercado do cinema brasileiro hoje?
O Brasil viveu uma situação há poucos anos em que nem o agronegócio crescia tanto quanto o audiovisual. A gente saiu de oito, dez filmes nacionais lançados por ano, para mais de cem. Nenhuma área da economia do Brasil teve esse crescimento. Mesmo recentemente, quando acabou o dinheiro público para o cinema, a atividade não foi reduzida porque entrou o dinheiro das plataformas, foram elas que passaram a financiar o audiovisual. E, agora, há uma tendência de o dinheiro público entrar de novo. A Ancine está se reestruturando, o Ministério da Cultura está se reestruturando. Então nós teremos as plataformas e o dinheiro público para a construção de projetos.
As plataformas sentiram o peso da crise mundial e frearam o altíssimo investimento que vinham fazendo. Isso tem afetado a produção?
Sim, elas não estão produzindo tanto, deram uma segurada. Os comentários em todo o mundo é que os orçamentos das plataformas ficaram mais restritos do que eram anos atrás, e no Brasil não é diferente. Mas elas ainda estão investindo. O importante é que tem muita gente pensando cinema, o que aumenta a chance de termos filmes geniais. O audiovisual é um espelho do país, e isso está em alta.
E quanto às salas de cinema? Elas voltarão a ter o público que tinham antes da Covid?
Aí não, as salas de cinema não vão se recuperar, não vamos ter de novo os números que tínhamos. Pessoalmente, eu prefiro assistir a um filme numa sala, mas o hábito das pessoas mudou. Antes era mainstream: assim que estreava um filme, todo mundo ia. Agora só vão alguns. Isso não significa que a sala de cinema vai acabar, mas ela caminha para ser um nicho. Quando inventaram a fotografia, falaram que acabaria a pintura. Depois, na época do vídeo, disseram que acabaria a fotografia. Não acabaram. A sala de cinema será um nicho, mas não vai acabar.
Todos os seus projetos engatilhados hoje são de séries para streaming. Você se vê mais distante de voltar a fazer um filme?
Eu tinha um projeto para a Netflix aprovado, com roteiro pronto, ia começar a viajar para ver locação. Era um projeto de adolescentes sobre a crise no clima. Só que a Netflix interrompeu. Aí eu fiquei frustrado, liguei para o meu agente, e ele me falou sobre umas séries em Los Angeles.
No ano passado, a HBO anunciou uma outra série com sua participação, a partir dos personagens de “Cidade de Deus”. Como será?
É criada pelo Sérgio Machado (diretor de “Cidade Baixa”) e dirigida pelo Aly Muritiba (de “Deserto particular”). Sou produtor com a Andrea Barata Ribeiro, da O2. Ela traz de volta alguns personagens, 20 anos depois, num momento em que as milícias começam a controlar algumas áreas no Rio. Apesar de haver drama, a intenção é mostrar as comunidades como potência e não mais como carência, como nos ensinou Preto Zezé (o presidente da Central Única das Favelas).
Como você bem sabe, “Cidade de Deus” é um dos filmes brasileiros mais celebrados de todos os tempos. O que é tão marcante nele?
Apesar de o filme ter sido dirigido por um playboy branquelo como eu — e, para piorar, de São Paulo —, ele tem essa verdade que toca quem o assiste. Acho que conseguimos isso por termos nos apoiado muito no elenco que conhecia aquela realidade melhor do que a equipe. Claro que partiu de um livro também muito autêntico (“Cidade de Deus”, de Paulo Lins). Mas, para ser honesto, não entendo bem onde acertamos.
Você considera “Cidade de Deus” seu melhor filme?
Por várias circunstâncias acabei tendo que financiar “Cidade de Deus” sozinho. Na verdade foi uma besteira que, por sorte, deu certo, já que eu não tinha que prestar contas de nada a ninguém. Fiz exatamente o que queria. Nunca fui tão autoral na vida nem antes e nem depois disso. Por esta razão, “Cidade de Deus” é o filme com o qual tenho maior ligação. Agora, se é o melhor ou o pior, não sei dizer, até porque nunca mais assisti ao filme. E aqui um furo para você: este mês todo o material de “Cidade de Deus” está vindo para Los Angeles, para ser remasterizado. A qualidade vai melhorar muito. Tecnicamente, o “Cidade de Deus” é precário porque foi o primeiro filme no Brasil rodado em cinema e finalizado em vídeo. Agora vai ficar bonitão, espero.
Você votou no Oscar neste ano?
Perdi a votação porque esqueci de pagar a anuidade da Academia, mas vou acertar as contas. De qualquer maneira, votaria em “Bardo”, do Alejandro Iñárritu, para quase todas as categorias, só que a Academia não o indicou. E votaria no Colin Farrell para melhor ator. O cara é mesmo extraordinário, além de ser muito sangue bom. Vai merecer se levar.
Diretor virá para o Rio2C
Fernando Meirelles virá ao Rio de Janeiro para uma palestra no Rio2C, festival de inovação que acontece entre os dias 11 e 16 de abril, na Cidade das Artes, Barra da Tijuca. O diretor brasileiro ocupará o palco principal ao lado do canadense Niv Fichman, seu parceiro de longa data, produtor do longa-metragem “Ensaio sobre a cegueira” e da série inédita “The Sympathizer”.
O Rio2C terá ainda convidados como o casal alemão criador da série “Dark”, Baran bo Odar e Jantje Friese; a cantora Ludmilla; o futurista Brett King; a CEO de Mercados Internacionais e Licenciamento Mundial da Paramount, Pam Kaufman; e outras centenas de profissionais da indústria criativa. A última edição do evento, em 2022, reuniu 37 mil pessoas ao longo de seis dias.
Para este ano, são previstos mais de 500 painéis em 11 palcos, sobre temas como cinema, música, streaming, games, meio ambiente, publicidade e design. Os ingressos estão à venda no site www.rio2c.com.
O Globo sábado, 25 de fevereiro de 2023
CARNAVAL: GRITO FINAL - BLOCOS DE RUA E DESFILE DAS CAMPEÃS NA SAPUCAÍ
Último fim de semana de carnaval tem blocos de rua e desfile das campeãs na Sapucaí
Nesse ano, a festa trouxe 20% mais gente para a cidade do que em 2019
Por Camila Araujo e Roberta de Souza — Rio de Janeiro
25/02/2023 04h30 Atualizado há 2 horas
Bloco Vem Cá Minha Flor esquentou o Centro do Rio com música ao vivo e fantasias inusitadasFabiano Rocha
É como, infelizmente, diz a música: todo carnaval tem seu fim. O maior espetáculo da terra movimentou o Rio, trazendo turistas de vários lugares do Brasil e do mundo, lotou as ruas em mais de 400 blocos e atraiu milhões de olhares para a Apoteose durante os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Mas, mesmo que oficialmente a festa tenha acabado na Quarta-Feira de Cinzas, ainda tem folia espalhada pela cidade. Para a programação do fim de semana, a previsão é de mais 34 blocos saírem às ruas, além do desfile das campeãs na Marquês de Sapucaí neste sábado.
Sapucaí recebeu grande público para os desfiles das escolas do Rio — Foto: Brenno Carvalho
Com ingressos esgotados para frisas e arquibancadas, restam apenas alguns camarotes para quem quiser assistir às seis primeiras colocadas do carnaval 2023 desfilarem a partir das 22h deste sábado. Em ordem descrescente de colocação, voltam à avenida as agremiações Grande Rio, Mangueira, Beija-Flor, Vila Isabel, Viradouro e a campeã Imperatriz Leopoldinense. Os ingressos variam entre R$ 2 mil e R$ 4.500.
Para fechar com chave de ouro o carnaval de rua do Rio, Anitta e Monobloco confirmaram cortejos em um fim de semana com 34 blocos oficiais, ou seja, ainda tem muita opção para quem quer curtir a cidade. A RioTur projeta um público de mais de 455 mil pessoas nas ruas se despedindo do carnaval.
Neste sábado, o Bloco da Anitta planeja arrastar cerca de 100 mil pessoas da Rua Primeiro de Março até Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro do Rio. Com concentração às 11h, o Quizomba espera 10 mil pessoas para curtir a folia com músicas que vão do samba ao rock, na Lapa.
No domingo, o tradicional Monobloco desfila com expectativa de público de 300 mil pessoas. Mas para curtir um dos maiores blocos do país tem que acordar cedo: a concentração será às 7h, na Rua Primeiro de Março, 66.
Turistas no carnaval carioca
Pelas ruas da cidade, idiomas de diversos lugares se misturaram. Um estudo feito pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) mostrou que o carnaval do Rio foi o mais disputado entre os turistas, superando as festas de Salvador e São Paulo.
Buscando curtir os blocos oficiais e o desfile das escolas de samba na data tradicional, os quartos dos hotéis de luxo da cidade ficaram lotados no período de carnaval, de acordo com levantamento feito pela Secretaria estadual de Turismo.
Os principais cartões postais da cidade, como Pão de Açúcar e Corcovado, tiveram crescimento de 20% de público em comparação a 2019, segundo o Rio Convention & Visitors Bureau.
— Esse foi o primeiro carnaval após as restrições sanitárias e tivemos um fluxo de turistas muito satisfatório para a nossa cidade. Foi lindo ver todos os equipamentos turísticos da cidade repletos de pessoas que escolheram o Rio como destino para passar esses dias de folia. Além de pular carnaval, muitos aproveitaram para visitar os principais pontos turísticos e celebrar a data com amigos em bares e hotéis — disse Roberta Werner, diretora-executiva do Rio CVB/VisitRio.
O Globo sexta, 24 de fevereiro de 2023
SÁBADO DA CAMPEÃS: QUEM SÃO AS RAINHAS DE BATERIA QUE VOLTAM NO SÁBADO
Evelyn Bastos, Paolla Oliveira, Maria Mariá, Sabrina Sato... Quem são as rainhas de bateria que voltam no Sábado das Campeãs
'Monarcas' das seis escolas de samba que melhor se classificaram na apuração dos votos desfilam novamente na Marquês de Sapucaí neste final de semana
Por Ricardo Pinheiro — Rio de Janeiro
24/02/2023 05h02 Atualizado há 36 minutos
Evelyn Bastos no desfile da Estação Primeira de MangueiraGabriel Monteiro / Riotur
Nas seis escolas de samba que voltam para a Marquês de Sapucaí no Sábado das Campeãs, neste final de semana, as rainhas de bateria são um show à parte. Algumas são estreantes no posto e, outra, já carrega esse título de monarca há dez anos. Suas idades variam de 16 a 42 anos.
Famosas apostaram em figurinos que tapam apenas áreas estratégicas
Veja abaixo a lista com as seis rainhas que desfilarão novamente neste sábado, da campeã até a sexta colocada:
Maria Mariá (Imperatriz Leopoldinense)
Maria Mariá, rainha de bateria da Imperatriz — Foto: Divulgação/Riotur/Alex Ferro
Estreante na Avenida no posto de rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, Maria Mariá, de 20 anos, recebeu conselhos do carnavalesco Leandro Lima poucos minutos antes de pisar na Avenida, fazendo assim sua estreia, que, com o campeonato da escola, é mais do que pé quente.
— Eu disse a ela para se divertir, se encantar, realizar o sonho dela, só viver aquilo, sem pressão — contou ele antes de fazer também sua estreia no grupo especial com a agremiação (ele foi campeão com a escola na série ouro e era o titular da mangueira no Especial).
Uma das rainhas que dominaram o carnaval no Rio este ano, Maria disse que não sentiu o peso de substituir a cantora Iza.
— Não sinto o peso de não ser famosa. Tenho muito respeito por esse posto, pela minha comunidade e por esse lugar — garante ela.
Erika Januza (Unidos do Viradouro)
A rainha de bateria da Viradouro, Erika Januza — Foto: Domingos Peixoto
Em seu segundo ano à frente da bateria da Unidos do Viradouro, Erika Januza, de 37 anos, veio com uma fantasia prateada e com lentes que deixaram seus olhos amarelos. A atriz misturou samba no pé com interpretação ao homenagear "Rosa Maria Egipcíaca", ou Rosa Courana, considerada a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil.
— Que alegria estar com a Viradouro trazendo luz para a história de Rosa Maria, a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil. Tanta gente não sabia disso, inclusive eu. Feliz demais das pessoas estarem a conhecendo. E que ela vá para os livros, porque realmente faz parte da nossa história — disse Erika, em entrevista à TV Globo minutos antes do desfile começar.
Sabrina Sato (Vila Isabel)
A rainha de bateria da Vila, Sabrina Sato — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Sabrina Sato, de 42 anos, passou como um furacão pela Marquês de Sapucaí, à frente da bateria da Vila Isabel no segundo dia de desfiles do grupo especial do carnaval do Rio. Com uma fantasia repleta de flores e muito colorida, a apresentadora chamou a atenção dos amigos famosos, como Anitta, Larissa Manoela e Lexa.
"Eu vou procurar palavras pra descrever e volto .... passada", disparou Anitta. "Nunca vi nada igual em toda minha vida, eu to passada. Pouco depois, ainda nos comentários, ela escreveu: "CA-RA-LHOOOOOO".
O enredo da Vila Isabel foi desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. Em "Nessa festa eu levo fé", misturam-se a alegria e as festividades que têm ligação com a religiosidade, como o próprio carnaval, bem como festas típicas Brasil afora, ou até internacionais. Sabrina explicou para os seus seguidores o conceito da fantasia, dizendo que as flores são a demonstração máxima da beleza da natureza, simbolizando a fertilidade e a vida.
"Iluminadas pelo sol e nutridas pelo solo, são o mais lindo presente de Deus a renascer gloriosamente toda primavera. Hoje minha fantasia homenageia as flores das festas caipiras, dos mais lindos e tradicionais rituais brasileiros. Vamos pedir, agradecer e celebrar! Viva nossa @unidosdevilaisabel! 🌺🌸🌷🌼💐", escreveu Sabrina.
Lorena Raissa (Beija-Flor de Nilópolis)
Lorena Raíssa, 16 anos, estreia como rainha de bateria da Beija-Flor — Foto: Domingos Peixoto
Vice-campeã em 2022, a Beija-Flor de Nilópolis promoveu algumas mudanças em sua equipe para este ano. A rainha de bateria Raíssa Oliveira, detentora de oito títulos em 20 anos de escola, deu lugar à jovem Lorena Raissa, de 16 anos, eleita em um concurso que teve no juri nomes como a própria Raíssa, além de outras majestades, como Sônia Capeta e Neide Tamborim.
Quando foi eleita como rainha de bateria da escola de samba, Lorena compartilhou em seu perfil no Instagram: “'Essa bateria tocava para você antes mesmo de você nascer'. O sonho se tornou realidade!"
Lorena é a monarca mais jovem do Grupo Especial. Estudante do ensino médio, a jovem pensa em cursar faculdade de medicina.
Evelyn Bastos (Mangueira)
Evelyn Bastos durante desfile, na madrugada de segunda, à frente da bateria da Mangueira — Foto: Mauro Pimentel / AFP
À frente da bateria da Mangueira há dez anos, Evelyn Bastos, de 29 anos, ganhou, na manhã desta Quarta-Feira de Cinzas, o destaque do público do Estandarte de Ouro, com 57,37% dos votos. Cria da comunidade, a sambista representou, no desfile na Marquês de Sapucaí, Oxum, orixá das águas doces e da fertilidade. A fantasia dourada trouxe elementos que remetem à divindade, como o abebé — espelho utilizado por Oxum e Iemanjá — e o filá, adorno usado pelos orixás femininos.
— Ganhar o Estandarte de Ouro é a realização de um sonho, uma premiação de louvor que representa muito para mim e para toda a comunidade. E, quando vem das mãos do povo, de uma força coletiva, tem um peso ainda maior. Me sinto honrada, presenteada, lisonjeada. Foi um desfile marcante, que fala do ancestral feminino e que trouxe representações impactantes. A Mangueira está em festa, todo mundo com a televisão na rua esperando o resultado — disse Evelyn, ao GLOBO
Paolla Oliveira (Grande Rio)
Paolla Oliveira, rainha de bateria, desfilou com fantasia representando o orixá Ogum — Foto: Domingos Peixoto
Paolla Oliveira, de 40 anos, é rainha de bateria da Grande Rio, campeã do último ano, quando homenageou o orixá Exu. Neste ano, a escola falou sobre vida e obra de Zeca Pagodinho.
A atriz publicou uma notícia sobre ter chorado durante a apresentação e escreveu: "Obrigada a todos que vibraram comigo, me acompanharam na Avenida e postaram. Recebi muito carinho. Me emociono mesmo, é uma explosão de emoções e muita dedicação para fazer uma entrega à altura de vocês e do espetáculo que é o carnaval". Depois, postou um registro ao lado do namorado, o cantor Diogo Nogueira: "Tudo feito com amor é mais legal!".
— Foi lindo demais. A cada ano sinto mais essa energia. E esse em especial tinha algo diferente. Acredito que seja a autoconfiança e a sensação de liberdade renovados pelo o momento que estou vivendo — contou a soberana, que desfilou próxima do namorado Diogo Nogueira, um dos compositores deste ano da Tricolor de Caxias.
O Globo quinta, 23 de fevereiro de 2023
FLAMENGO: DIFICULDADE FAZ VÍTOR PEREIRA VIVER SINA DE PAULO SOUSA
Dificuldade do Flamengo de cumprir ciclos que inicia faz Vítor Pereira viver sina de Paulo Sousa
Clube não conseguiu até agora ver sucesso em trabalhos que se iniciam com a temporada
Por Diogo Dantas
23/02/2023 03h49 Atualizado há 5 horas
Vítor PereiraMarcelo Cortes/Flamengo
O sucesso esportivo do Flamengo desde 2019 até agora se deu com trabalhos iniciados no meio da temporada. Todos os treinadores contratados para um planejamento do zero no início do ano perderam o emprego antes do fim. Vítor Pereira vive até aqui a mesma sina de Paulo Sousa, ao se deparar com um elenco montado que precisa se ajustar para implementar suas ideias. O português atual não tem conseguido traduzir a teoria na prática e cultiva pior aproveitamento que o compatriota anterior nos primeiros dez jogos.
Com o ‘doping’ do Estadual, onde o Flamengo obteve cinco vitórias e um empate, Vítor Pereira soma um total de seis vitórias, um empate e três derrotas, com um aproveitamento de 63,3%. Sob o mesmo recorte, Paulo Sousa teve sete vitórias, dois empates e uma derrota, com 76,6% de aproveitamento. O mesmo de Abel Braga, o outro profissional a comandar a equipe em um começo de temporada, a primeira da gestão Rodolfo Landim. Turbinado pela campanha no torneio regional, o aproveitamento engana, e faz os três superarem até Jorge Jesus em seus primeiros dez jogos. Jesus obteve 60% dos pontos em seu início.
A paciência com Jesus e outros treinadores que chegaram no meio do ano foi maior mesmo com aproveitamento pior. O momento pós-Estadual era de disputas mais complicadas, como Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Dorival Júnior teve 60% dos pontos (6 vitórias e 4 derrotas) antes de rumar para os títulos das duas últimas competições. Após a saída de Jesus, Domènec Torrent teve 56,6% de aproveitamento (cinco vitórias, dois empates e três derrotas), que culminaram com demissão após as oitavas de final da Libertadores.
Mudanças de métodos
Veio Rogério Ceni, que começou com quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas (53,3%), ficou até o fim da temporada 2020, e levou o Brasileiro em meio à pandemia. Mesmo assim, não emplacou a temporada 2021. Foi substituído por Renato Gaúcho, que começou avassalador. No meio do ano, teve impressionantes nove vitórias e apenas uma derrota, com 90% de aproveitamento. Assim como Dorival, terminou a temporada com queda de desempenho, e sem nenhum título, o que o fez chegar a um acordo com a diretoria para não seguir.
No eterno ciclo vicioso do Flamengo, veio Paulo Sousa, com métodos diferentes ao dos técnicos brasileiros, e dificuldade de implementar ideias junto ao elenco. E a cena se repete agora com Vítor Pereira. Quatro jogos, três derrotas e uma vitória, com aproveitamento de 25%. Esse é o desempenho do Flamengo fora das fronteiras do Estadual em 2023. Na hora que o rubro-negro tem sido mais exigido no começo de temporada, deixa claro que o trabalho no começo do ano paga um preço. Que começa pela falta de convicção da diretoria — por enquanto, sem sinais de abalo.
O Globo quarta, 22 de fevereiro de 2023
CHAMPIONS LEAGUE: COM DOIS DE VINI E TRAPALHADAS DOS GOLEIROS, REAL MADRID VIRA E GOLEIA O LIVERPOOL
Com dois de Vini e trapalhadas de goleiros, Real Madrid vira e goleia o Liverpool em Anfield, pela Champions
Time espanhol não se intimidou com 2 a 0 e contou com grande noite do brasileiro e de Benzema
21/02/2023 18h56 Atualizado há 15 horas
Vinícius brilhou em goleada do Real Madrid sobre o Liverpool na InglaterraPaul Ellis/AFP
Até um placar de 2 a 0 pode ser perigoso para quem enfrenta o Real Madrid na Champions League, competição vencida pelos espanhois por 14 vezes. Nesta terça-feira, o Liverpool viu isso acontecer na prática. Com eficiência em alta, os comandados de Carlo Ancelotti contaram com dois gols de Vinicius Junior, dois de Benzema e um de Militão para virar uma desvantagem de dois gols e golear os ingleses por 5 a 2 em pleno Anfield, na reedição da última final da competição, dessa vez pelas oitavas.
Os ingleses bem que tentaram sufocar os espanhois no seu melhor estilo de marcação no campo adversário. Abriram o placar com um golaço do criticado Darwin Núñez, de letra. Depois, contaram com a primeira trapalhada dos goleiros na noite: Courtois se atrapalhou em bola recuada, tentou sair jogando com os pés e deixou Salah à feição para empurrar para o gol e fazer 2 a 0.
Mas Vini mostrou que os elogios do técnico Jurgen Klopp antes da partida não foram gratuitos. Inspirado, encontrou um espaço entre três marcadores na ponta esquerda e bateu no canto de Alisson. O goleiro brasileiro retribuiria o presente de Courtois, chutando bola em cima de Vinicius, que acabou entrando contra seu próprio gol.
No segundo tempo, saíram de cena os goleiros e brilhou a inexplicável conexão do Madrid com a competição. Eder Militão apareceu de cabeça para virar o jogo e tranquilizar de vez a partida.
Um já parcialmente nocauteado Liverpool assistiu Benzema, até então sumido da partida, tornar o placar elástico e a tarefa de tentar reverter a vantagem no jogo de volta ainda mais difícil: primeiro, em tabela com Rodrygo, finalizou com desvio em Joe Gomes que matou Alisson. O quinto veio em boa jogada de Vinicius, que terminou ainda melhor com um drible do francês sobre o goleiro.
O Globo quarta, 22 de fevereiro de 2023
CARNAVAL 2023: MAMILOS À MOSTRA
Mamilos à mostra no carnaval: com política contra assédio, mulheres se sentem mais livres na folia do Rio
Símbolos de liberdade e autonomia, adesivos decorados se consolidam como tendência nos blocos de rua
Por Taís Codeco, Luana Reis e Giovanna Durães
21/02/2023 15h31 Atualizado há uma hora
Tapa-seios: o acessório se mistura ao posicionamento político durante a foliaFabiano Rocha/Agência Globo
Depois de dois anos de privação, nos blocos de 2023 só se fala em uma coisa: liberdade. Em meio às fantasias elaboradas , apenas uma hot pant e um tapa-mamilo, que estão em alta entre as mulheres, foram capazes de expressar a alegria desse momento. Não se sabe ao certo quando o adereço tomou conta dos cortejos, mas se tornou uma verdadeira tendência. Os acessórios lembram aqueles usados pelas dançarinas em espetáculos burlescos nos séculos XIX. Se antes remetia a sensualidade feminina, hoje foi ressignificado como um símbolo de autonomia do próprio corpo.
É a primeira vez que Luciana Abud, 35 anos, de São Paulo, está saindo de casa para pular carnaval usando somente um pequeno pedaço de fita colante nos seios, a hot pant, uma peça que há vários carnavais virou hit. Ela conta que, a princípio, se sentiu insegura, e até levou uma blusa, mas depois o sentimento de liberdade foi tomando conta. O seu maior medo era o assédio, mas Luciana se surpreendeu com o respeito das pessoas nos espaços.
— Está sendo uma experiência muito legal. Todo mundo olha, isso é inevitável, até mesmo mulheres. Mas não me incomoda. Sinto que isso gera uma curiosidade — conta.
FOTOS: Com política contra assédio, mulheres se sentem mais livres na folia do Rio
Sua amiga, Lorena Ribeiro, advogada de 28 anos e também de São Paulo, aderiu a um visual parecido, com uma blusa de renda transparente e sem nenhuma outra peça tapando os mamilos.
— É óbvio que os caras olham, mas eu acho que há 10 anos seria muito pior. Eu sinto que a gente venceu, mesmo que um pouquinho, mas só de conseguir andar pela orla sem ser importunado já é uma vitória. Isso para mim também é uma evolução pessoal, tanto mulher quanto como feminista, considero até mesmo uma licença poética — diz Lorena. Elas concordam que o visual é mais confortável, ainda mais em meio ao calor e à multidão dos blocos.
Um ponto que não passou despercebido pelas paulistas, é que o assédio está muito mais presente no dia a dia nas ruas e nos transportes públicos do que no carnaval. Este ano o governo do estado do Rio lançou a campanha ‘Ouviu um não? Respeite a decisão’, contra o assédio sexual em meio aos blocos de carnaval. As amigas parabenizaram a ação e disseram ter visto distribuição de informativos e incentivo às denúncias de violência.
Mamilos: Jhenifer apostou em um biquíni transparente, hot pants e uma saia de fitas para compor o visual — Foto: Taís Codeco/Agência O Globo
A estudante Jhenifer Gonçalves, de 22 anos, veio de Macaé pular carnaval em terras cariocas. A jovem apostou em um biquíni transparente, com apenas algumas flores tapando os mamilos.
— Carnaval pode tudo! Por enquanto tem sido bem tranquilo, ninguém veio mexer comigo, mas eu também estou em um grupo grande e vim de carro, acho que isso ajuda. Se tivesse que vir de ônibus ou metrô acho que me sentiria mais insegura — conta.
Mamilos: Mariane Nóbrega e Laís Castro, de Fortaleza, se divertem em bloco no Rio — Foto: Ana Branco/Agência O Globo
Mariane Nóbrega e Laís Castro, de Fortaleza, adoram frequentar os blocos no Rio de Janeiro e, mesmo com os seios à mostra e uma hot pant que mostra parte do bumbum, também não tiveram problemas com assédio e se surpreenderam com a segurança.
— Sentimos que, depois da pandemia, as pessoas estão mais animadas. A gente adora carnaval e esse é um momento de felicidade. Estamos nos sentindo bem respeitadas, não houve nenhum assédio nem violência por estarmos vestidas assim — conta Laís.
Mamilos: Foliã mostra adesivos de mamilo que comprou para o carnaval — Foto: Giovanna Durães/Agência O Globo
A tendência do adesivo de seios não cativou apenas as cariocas e brasileiras. Após curtir seus primeiros blocos, a norte-americana Melanie Gaunt também aderiu aos adesivos. Visitando o Rio de Janeiro pela primeira vez, ela decidiu se jogar de vez no carnaval, embalada pela sensação única de liberdade, que afirmou nunca ter vivenciado em sua terra natal.
— Assim que vi meninas usando fiquei encantada. Decidi ir ao Saara e comprar um monte desses adesivos para usar ao longo do feriado. A cada dia uso um diferente e ainda deixo dentro da pochete para ter de reserva - conta Melanie.
O Globo terça, 21 de fevereiro de 2023
CARNAVAL 2023: BEIJA-FLOR CONQUISTA O ESTANDARTE DE OURO
Beija-Flor conquista o Estandarte de Ouro de melhor escola do carnaval 2023
Paraíso do Tuiuti conquistou quatro prêmios; levaram dois: Beija-Flor, Portela e Imperatriz
Por Carolina Callegari e Vera Araújo — Rio de Janeiro
21/02/2023 06h48 Atualizado em 56 minutos
Beija-Flor desfilou na segunda noite do Grupo EspecialDomingos Peixoto/Agência O Globo
A Beija-Flor foi eleita a melhor escola do Grupo Especial, pelo júri do Estandarte de Ouro deste ano. O desfile, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues, foi um grande "ato cívico" pelo protagonismo do povo brasileiro. O melhor mestre-sala é o da escola de Nilópolis, Claudinho.
A melhor bateria é a do Paraíso do Tuiuti. A escola abriu o segundo dia de desfiles e conquistou ainda outras categorias: samba-enredo e comissão de frente, além de melhor puxador, Wander Pires.
Carnaval 2023: veja fotos do desfile da Beija-Flor
22 fotos
O abre-alas da Mocidade foi o destaque no Prêmio Fernando Pamplona, entregue à escola que fezz o melhor trabalho com poucos recursos.
A Imperatriz Leopoldinense venceu com melhor enredo. A escola teve também a melhor ala, a Chopinho de Olaria, que levou para a Avenida as “Paisagens sertanejas Mandacaru”.
A melhor ala das baianas é da Grande Rio.
Portela: inovação e personalidade
Já os drones da Portela foram o destaque de inovação. A ex-porta-bandeira Irene conquistou o prêmio de personalidade, em deferência ao centenário da Portela.
O Estandarte de Ouro é apresentado por FIT Combustíveis, com patrocínio de Invest.Rio e realização dos jornais O GLOBO e Extra. Desde 1972, o prêmio contempla a renovação, a criatividade e a emoção.
O júri é formado por Juliana Barbosa (professora da Universidade Federal do Paraná); Bruno Chateaubriand (empresário e jornalista); Haroldo Costa (ator de cinema e de TV, produtor e escritor); Luis Filipe de Lima (violonista e pesquisador); Odilon Costa (percussionista); Angélica Ferrarez de Almeida (historiadora, pesquisadora e professora); Alberto Mussa (escritor); Felipe Ferreira (professor da Uerj e escritor); Leonardo Bruno (jornalista e escritor); Luiz Antônio Simas (escritor e historiador) e Maria Augusta (professora e ex-carnavalesca), além do próprio Marcelo de Mello.
A Unidos do Porto da Pedra foi eleita a melhor escola da Série Ouro pelos jurados do Estandarte de Ouro. A vermelho e branco de São Gonçalo, que se apresentou na madrugada do último domingo na Sapucaí, trouxe o enredo "A invenção da Amazônia", do carnavalesco Mauro Quintaes, mostrando a exuberância da floresta e fazendo um apelo pela sua preservação.
O Estandarte de melhor samba-enredo da série foi para a Lins Imperial, com “Madame Satã: resistir para existir”, dos compositores Paulo Cesar Feital, Claudio Russo, Mateus Pranto, Naldo, Genésio, Kiko Vargues, Jefferson Oliveira e Samuel Gasman.
O Globo segunda, 20 de fevereiro de 2023
CARNAVAL 2023: MANGUEIRA ENCERRA 1º DIA DO GRUPO ESPECIAL EM GRANDE ESTILO
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No Salgueiro, mestre-sala e porta-bandeira 'atletas' usam método de preparo físico especial para a Avenida
Sidclei Santos e Marcella Alves: garra e beleza com o pavalhão do Salgueiro na Sapucaí (Foto: Divulgação Riotur / Foto de Alex Ferro)
Prestes a comemorar três décadas de parceria, o casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, Marcella Alves e Sidclei Santos, brilhou na Sapucaí não só devido a sua dança, mas também pelo preparo físico apresentado durante o desfile. Marcella, que é bailarina e professora de Educação Física, conta que desenvolveu um método específico para a passarela como projeto de conclusão de curso na faculdade. Nos últimos anos, além de aplicá-lo para si mesma, tem feito escola, com adesão de outros casais às atividades físicas.
Quer saber como é o treinamento do casal? Clique aqui
Agora
No gargarejo e vestimenta completa da Guarda Real: os Beatles no carnaval do Rio
Folião vai de guarda real para o Bloco do Sargento Pimenta (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)
Se o carnaval é plural, o bom e velho rock n' roll não pode faltar. E há uma década um dos destaque é o Bloco do Sargente Pimenta, que mistura a folia carioca com o som dos garotos de Liverpool. Os foliões estão no Aterro de Flamengo desde o início da manhã, com destaque para Lia Palga, que há 10 anos sempre chega cedo pra ficar no gargarejo do bloco.
Lia Palga, que há 10 anos sempre chega cedo pra ficar no gargarejo do Bloco Sargento Pimenta (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)
E se tem Beatles, tem Guarda Real. Nem o calor carioca intimidou Álvaro Soares, internacionalista que mora na Alemanha. que vem ao Brasil para o carnaval. Com o traje típico, ele aguarda o início do bloco, que pouco antes das 9h começa a se aquecer.
O engenheiro civil Caio Laport e o advogado Renan Gonzalez recorreram ao improviso para o Sargento Pimenta (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)
E vale de tudo para ir fantasiado. O biquíni de fita isolante foi a escolha para o engenheiro civil Caio Laport e o advogado Renan Gonzalez. Encontraram em casa o que precisavam, com direito a saia de tuli.
Criatividade para driblar o baixo orçamento
Rodolfo Annechino se fantasiou de Axel Rose, numa versão baixo orçamento, e Pollyanna Serrao resolveu sair de bonita. (Foto: Ana Branco/Agência O Globo)
Com recursos ou com orçamento baixo, os foliões do Bloco Virtual investiram nas fantasias. Tem quem quer sair bem na foto — ou fazer bons registros. O fotógrafo Patrick Sister, de 42 anos, sempre dá um jeito de sair com uma câmera . Para o desfile, o escolhido é uma figura que virou meme: Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do presidente Lula.
— Hoje a meta é achar a Janja. Já encontrei o Lula em outros blocos, mas hoje quero fotografar a primeira dama — brinca o folião.
O fotógrafo Patrick Sister, de 42 anos, homenageia o também fotógrafo Ricardo Stuckert (Foto: Ana Branco/Agência O Globo)
Com uma blusa estampada com o rosto de Alcione, Rodolfo Annechino se fantasiou de Axel Rose, numa versão baixo orçamento, brincou ao lado de Pollyanna Serrao, que resolveu sair de bonita.
E se a preocupação é com a saúde, a dupla Gisela Guarienti e Marília Chaves brinca de imunizar os foliões com mate batizado de rum, distribuído em gotinhas.
(Tais Codeco)
Há 1 min
Mar Vermelho inspira os foliões do Bloco Virtual
O biólogo Daniel Oliveira Melo no Bloco Virtual embarca no tema do Mar Vermelho (Foto: Ana Branco/Agência O Globo)
É segunda-feira! E o bloco segue na rua. O Virtual já ocupa o Leme desde as 7h30, início da concentração. O Mar Vermelho é o tema desse ano, e, no embalo das ondas, é fonte de inspiração, como para o biólogo Daniel Oliveira Melo, acompanhado por uma tartaruga.
— É legal essa temática para conscientizar as pessoas da importância dos mares. Falar do mar e das necessidades do Rio em momentos de diversão e descontração também é importante — diz o biólogo de Niterói.
Maitê Lacerda, do Rio, e o marido alemão, Till Pupak, curtem o Bloco Virtual, no Leme (Foto: Ana Branco/Agência O Globo)
A folia encanta. Maitê Lacerda, do Rio, e o marido alemão, Till Pupak, que mora no Brasil há 15 anos, gostam do bloco por ser engajado. Empolgado com o carnaval carioca, Till costurou a própria fantasia.
— Sempre gostei de ir a blocos, ainda mais os que trazem temas de relevância. Viemos em 2020 quando o tema foi águas. Carnaval é um momento de se expressar — conta Maitê.
(Tais Codeco)
Há 28 minutos
Os destaques da primeira noite de desfiles do Grupo Especial
Mangueira desfila enredo sobre as Áfricas da Bahia (Foto: Alexandre Cassiano)
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí, na madrugada de domingo para segunda-feira, teve emoção do início ao fim, com grandes homenagens abrindo a noite e a Mangueira encerrando a apresentação.
Segunda noite do Grupo Especial do Rio tem Tuiuti, Portela, Vila Isabel, Imperatriz, Beija-Flor e Viradouro
Portela completa 100 anos em 2023 e levará enredo sobre a escola para a Avenida. Tia Surica, integrante da velha guarda, é um dos personagens marcantes da escola (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)
A escola levantou a Avenida do começo ao fim com o cortejo afro do enredo "Áfricas que a Bahia canta". A comissão de frente trazia uma saudação dos orixás e um elemento cenográfico em formato de uma árvore, no alto do abre-alas, de onde saiam os componentes.
Há 4 horas
Mangueira encerra desfile já com dia claro e levanta o público, que invade a Avenida
Desfile da Mangueira (Foto: Gabriel de Paiva)
A Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio já com o dia claro, mas quem disse que o público já estava cansado? Ao fim da apresentação, uma multidão invadiu a Avenida e seguiu a Verde e Rosa, que emocionou quem estava no Sambódromo.
Público invade a Avenida após o desfile da Mangueira no carnaval 2023 (Foto: Camila Araujo)
O Globo domingo, 19 de fevereiro de 2023
CARNAVAL 2023: TUDO SOBRE OS DESFILES DE ESCOLAS E BLOCOS NESTE COMINGO
Carnaval 2023: tudo sobre os desfiles das escolas de samba no Rio e em São Paulo e os blocos deste domingo
Veja os destaques dos desfiles e acompanhe a folia pelas ruas do país
Destaques
Portela levará cortejo de rainhas para a Sapucaí no centenário da escola
Histórias de Zeca Pagodinho e Arlindo vão cruzar a Sapucaí na noite deste domingo
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Quinho, a voz tradicional do Salgueiro, busca novos talentos
Quinho, que luta contra um câncer, agradece pela homenagem que receberá: “Emoção vai estar aflorada” (Foto: Guito Moretto/Agência O Globo)
“Arrepia Salgueiro!!!” O grito de guerra que se tornou marca registrada do intérprete Quinho vai ecoar neste domingo na abertura do desfile da vermelha e branca, mas como uma homenagem. Em seguida, ele passará o microfone para o intérprete Emerson Dias.Enfrentando um dos maiores desafios de sua trajetória — está se recuperando de um câncer de próstata —, ele teve o contrato renovado até o fim da atual gestão da escola, assim que descobriu a doença. Também ganhou uma estrela na calçada dos bambas de um bar temático da Tijuca, batizou com o seu nome o carro de som da escola e elabora com a diretoria da agremiação um projeto para descobrir novos talentos do microfone.
Agor
Xurras da Jogada mostra remelexo com hit 'Lovezinho' no Bangalafumenga (Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo)
'Sequência de lovezinho'
O Rio de Janeiro não é para amadores, principalmente em tempo de Carnaval. O médico Felipe Maia se fantasiou do fenômeno do TikTok "Xurras da jogada". Só que ele também teve que se dedicar a aprender as dancinhas para entrar no personagem.
— Fiquei vendo os vídeos do YouTube para aprender cada passinho — conta Maia.
No meio da multidão do Bangalafumenga, no Aterro, ele deu uma palinha da coreografia.
A inspiração foi o fenômeno Xurrasco, ou Xurras da Jogada. Com um cabelo loiro surfista, óculos escuros, blusa apertada e muitas dancinhas, o influenciador Gabriel Luiz de Souza Andrade, de 17 anos, se tornou o fenômeno do momento nas redes. Xurras viralizou a partir da coreografia de 'Lovezinho', da cantora Treyce. O jovem de Bangu, na Zona Oeste, soma mais de 3 milhões de seguidores nas redes sociais.
(Ana Clara Galante).
Prefeito de Salvador reage à 'fogueira' de Ivete: ' Veveta querendo me complicar!'
Ivete brinca com prefeito de Salvador depois que Anitta o chamou de 'delícia' (Foto: Reprodução)
Depois que Anitta elogiou o prefeito da capital baiana Bruno Reis, chamando de 'delícia', foi a vez da cantora Ivete Sangalo deixar um recado ao político do alto do trio elétrico, durante a apresentação no Bloco Coruja, do circuito Dodô.
"É Bruno Reis que está ali? Rapaz...eu vi tudo pela televisão. Cabra, pulaste uma fogueira, macho. Abre seu olho, rapaz", brincou.
O momento foi compartilhado no perfil das redes sociais do prefeito que respondeu: 'Olha pra Veveta querendo me complicar! Deixa baixo isso, mainha'.
Ivete ainda continuou a brincadeira com o prefeito, ao comentar que ele também cresceu em Juazeiro (BA), cidade natal dela. “Eu sei a história de Bruno, mas não vou dizer porque ele é prefeito. Esse homem pegava é gente”.
Salgueiro vai falar sobre a valorização da liberdade de expressão, com homenagem a Joãosinho Trinta
Operário retoca alegoria do Salgueiro (Foto: Alexandre Cassiano)
Penúltima escola a entrar na Marquês de Sapucaí neste domingo de carnaval, o Salgueiro buscará o décimo título de sua história no ano em que completará sete décadas de existência. Para isso, a vermelho e branco aposta tudo no enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.
A escola vai falar sobre a valorização da liberdade de expressão, com homenagem a Joãosinho Trinta, além de mostrar que cada um constrói o seu próprio paraíso. Um dos grandes ícones do carnaval carioca, Joãosinho chegou ao Rio em 1951, onde montou peças como “O Guarani”, de Carlos Gomes, e “Aida”, de Giuseppe Verdi.
Portela levará cortejo de rainhas para a Sapucaí no centenário da escola
Edcléa, Luiza, Bianca, Sheron e Adriane no ensaio técnico: prévia do encontro histórico que marcará o desfile da Portela em seu centenário (Foto: Divulgação)
Mais de três décadas de majestade estarão representadas no desfile da Portela, no fim da noite de segunda-feira. O momento, que gerou expectativas no ensaio técnico, promete ser um dos mais emocionantes do Grupo Especial. O desfile de centenário da azul e branco de Madureira exaltará rainhas de bateria que fizeram história na escola, com a participação de Adriane Galisteu, Edcléa Nunes, Luiza Brunet e Sheron Menezzes, além de Bianca Monteiro, que ocupa a posição desde 2017. Elas estarão juntas, sem competir, para contar uma história.
Amigos se reúnem no Boitatá fantasiados como poeta Gentileza, na Praça XV (Foto: Marcia Foletto/Agência O globo)
Palavras de Gentileza
Um grupo de amigos que se reúne há 15 anos para curtir o Cordão do Boitatá decidiu apostar numa fantasia conjunta homenageando o poeta Gentileza. A ideia, segundo deles, veio com a divisão que o país vive nos últimos anos.
O Boitatá foi fundado em 1996, e atrai milhares de apaixonados por pular carnaval, com bateria e orquestra de sopros em apresentações que chegam a durar sete horas, sempre no domingo de carnaval.
Agora
Da política para a folia: sátiras ganham os blocos de rua no carnaval do Rio
No Prata Preta, foliona usa máscara de Janja, com o bonequinho Lula. Alusões e homenagens à primeira-dama foram comuns nos blocos (Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo)
As sátiras bem-humoradas aos personagens políticos tomaram os blocos cariocas deste ano. Nas fantasias, muitas coloridas pelas camisas amarelas da seleção brasileira e algemas como adereços, os foliões criticaram e ironizaram os atos antidemocráticos e os “patriotários”, referência aos seus apoiadores. Entre os homenageados, destaque para a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. O atual contexto político inspirou muitos foliões, como no Céu na Terra, Prata Preta, Cordão da Bola Preta e Amigos da Onça.
Histórias de Zeca Pagodinho e Arlindo vão cruzar a Sapucaí na noite deste domingo
Zeca Pagodinho diz não estar ansioso para o desfile (Foto: Leo Martins/Agência O Globo)
Nos caminhos que Zeca Pagodinho passou, Arlindo Cruz esteve. E faz umas quatro décadas que a recíproca é verdadeira. Porque nos sambas até de manhã de Arlindo, Zeca sempre bateu ponto “com cerveja pra comemorar”. Quiseram os deuses do carnaval que esses dois compadres de longa data virassem enredo na Sapucaí no mesmo ano e, para melhorar, num desfile após o outro, na abertura do Grupo Especial do Rio esta noite. Primeiro, o Império Serrano toca seus agogôs para saudar Arlindo — que leva a verde e branco no coração.
Arlindo Cruz, que se recupera de um AVC, passou por exames para estar na Avenida (Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo)
Depois, é a Acadêmicos do Grande Rio que se carregará de axé para aclamar Zeca. Pronto! A patota de bambas estará formada para reverenciar os irmãos de vida que, de tanto andarem juntos, colecionaram apelidos como Cosme e Damião, o Gordo e o Magro e o Preto e o Branco. Leia a reportagem completa.
O Globo sábado, 18 de fevereiro de 2023
CARNAVAL 2023: TOM MAIOR, ROSAS DE OURO E GAVIÕES SE DESTACAM NA PRIMEIRA NOITE DE DESFILES EM SÃO PAULO
Tom Maior, Rosas de Ouro e Gaviões se destacam na primeira noite de desfiles em São Paulo
Sambódromo do Anhembi teve homenagem à Glória Maria, Nossa Senhora ‘gigante’ e Sabrina Sato fantasiada de dragão de São Jorge
Por Gustavo Schmitt e Mariana Rosário
18/02/2023 07h38 Atualizado em 53 minutos
Gaviões da Fiel: sonho do quinto títuloMariana Rosário
A primeira noite de desfiles das escolas de samba do grupo especial de São Paulo foi marcada por sambas-enredo engajados, pouca chuva — apesar dos camarotes alagados — e rostos conhecidos na avenida. A escola de samba Independente Tricolor foi a primeira a abrir os desfiles. A agremiação apresentou o enredo “Samba no pé, lança na mão. Isso é uma invasão”, baseada na Guerra de Troia e na escola da agremiação.
Os 1,6 mil componentes da escola trouxeram para a avenida paulistana referências gregas, com deuses e mitos. Um grandioso Poseidon apontava para a avenida no segundo carro. A alegoria trazia o Deus do Mar rodeado de dois dragões que pareciam flutuar sobre as águas. Emocionados, os componentes relembravam batalhas próprias dentro da agremiação: em 2018, a escola com 12 anos de existência enfrentou o primeiro rebaixamento. Em 2019, um incêndio atingiu o barracão da escola, destruiu carros alegóricos e impediu a competitividade do grupo em 2020. Um dos momentos marcantes do desfile foi a paradinha da bateria no final da noite, quando o público cantou junto com os instrumentistas o refrão do samba à capela: “Um guerreiro valente eu sou/ se preciso for, eu vou/além do infinito defender você/sou independente até morrer”.
Independente: primeira apresentação da noite agitou o Anhembi — Foto: Gustavo Schmitt
Na sequência, a Acadêmicos do Tatuapé, com 2,2 mil componentes, ganhou a avenida com uma homenagem à cidade histórica de Paraty, com um enredo que, em diversas ocasiões, fez referência ao fundo do mar e às belezas naturais. Uma das primeiras figuras a aparecer na avenida foi a madrinha da escola Leci Brandão. A cantora e compositora afirmou estar recuperada de um problema de saúde que a impediu de sambar, mas mesmo assim permitiu que caminhasse por todo o percurso. A apresentação pela escola, disse, foi a realização de um sonho de sua mãe, Dona Lecy de Assumpção, morta em 2019.
A primeira alegoria da escola contava com uma seleção de tecidos ornamentais que faziam as vezes de ondas. Os componentes, por sua vez, exibiam cabeças de peixe. Chamou a atenção do público um carro alegórico com uma seleção de crianças trajadas como indígenas. Outra alegoria graciosamente espalhou bolhas de sabão pela avenida.
Chuva e engajamento
O primeiro sinal de chuva ocorreu logo no início do desfile da Barroca Zona Sul, que iniciou a passagem pela avenida após 1h da manhã. O enredo homenageou os indígenas guaicurus, que, por mais de 300 anos, defenderam seu território das tentativas de invasão estrangeira. Para tanto, os carros fizeram alusões às expedições espanholas e ao Pantanal. Nas redes sociais, a agremiação foi homenageada pelo teor político.
Por volta das 2h10, a escola passou a enfrentar pancadas de chuva e ventos mais fortes. A intempérie, porém, não foi capaz de estragar carros e fantasias. O mesmo não se pode dizer dos camarotes, nos quais poças d'água, incomodavam os foliões.
Na sequência, tomou a avenida a Unidos de Vila Maria — e seus 2,5 mil componentes. Na apresentação, foi preciso adaptar parte do desfile por conta da pista molhada. Bailarinas que deveriam usar patins para deslizar pelo piso do Anhembi desistiram do apetrecho por conta do alto risco de queda. Encararam, portanto, a avenida de sapatilhas.
A escola apresentou um samba-enredo que saudou a história do bairro da Zona Norte paulistana que batiza agremiação, que comemora 69 anos. O desfile foi permeado com referências dos anos 1950 — ano em que a escola de samba foi fundada – e trouxe combinações insólitas num mesmo desfile: havia uma alegoria dedicada à Nossa Senhora Aparecida, outra à Maçonaria e até Ayrton Senna foi relembrado (ele teve uma casa na Vila).
Rosas de Ouro: Pelé e Glória Maria entre os homenageados — Foto: Mariana Rosário
Com discurso forte, a Rosas de Ouro apresentou a luta do povo negro contra o racismo e por justiça. A escola trouxe imagens fortes que remeteram ao período da escravidão no Brasil. O carro que mais chamou atenção trazia em sua dianteira uma placa com a frase que o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, disse quando assumiu o cargo no atual governo Lula: “'Vocês existem e são valiosos para nós”. O carro prestou homenagens, por meio de fotos, a Glória Maria, Pelé, Seu Jorge e Leci Brandão.
A escola trouxe ainda a estreante no carnaval paulista Karol Conká e mais o apresentador Manoel Soares. A comissão de frente impressionou por um barco pendulante no qual bailarinos faziam acrobacias no ar, trajados como vítimas de navios negreiros.
Mães pretas ancestrais
Seguindo na temática da representatividade racial, a escola Tom Maior homenageou as “mães pretas ancestrais”, e sua relação com as religiões de matriz africana, com um samba enredo que levantou a arquibancada mesmo após mais de sete horas de desfile e com o sol começando a nascer. Chamou a atenção uma ala grandiosa organizada de maneira vertical, que coloria a avenida como um arco-íris, onde cada fileira de componentes representava um orixá — e combinava com o carro alegórico logo atrás, levando a um belo efeito visual. Nossa Senhora Aparecida também foi lembrada no desfile.
Tom Maior: mães pretas ancestrais como matriarcas da sociedade e das religiões — Foto: Gustavo Schmitt
A noite foi encerrada por Gaviões da Fiel e seus 2 mil componentes. Celebrando a liberdade religiosa, a escola fez referência a Chico Xavier e a Jesus Cristo. A agremiação contou com um empurrãozinho importante: a arquibancada cantava a plenos pulmões o samba-enredo e o público do Anhembi foi tomado por um clima de comoção.
Sabrina Sato, rainha de bateria mais celebrada da noite e há dezenove anos na Gaviões, surgiu trajada de dragão de São Jorge. Nos bastidores da festa, disse que não teve tempo para treinar pesado na academia antes do Carnaval, mas garantiu que estava pronta.
— A verdadeira preparação para o Carnaval é a vida — garantiu.
O Globo sexta, 17 de fevereiro de 2023
DIA MUNDIAL DO GATO CONHEÇA FAMOSOS QUE SÃO APAIXONADOS POR SEUS FELINOS
No Dia Mundial do Gato, conheça famosos que são apaixonados por seus felinos
Carolina Dieckmann, Grazi Massafera e Taylor Swift adoram mostrar momentos fofos com seus pets; confira quem mais está na lista!
Por O GLOBO
17/02/2023 03h00 Atualizado há 6 horas
Grazi Massafera, Taylor Swift e Carolina Dieckman: paixão por gatosReprodução/Instagram
Hoje, 17 de fevereiro, é o Dia Mundial do Gato, e não há quem resista a um felino gordinho, fofinho e peludo. Prova disso são esses famosos que adoram mostrar seus pets nas redes sociais. Confira abaixo quem são eles.
Carolina Dieckmann
A atriz da novela "Vai na Fé" é apaixonada pela raça maine coon, que tem gatos considerados "gigantes". Chili é o atual pet de Carol, que também teve outro bichinho antes dele, da mesma raça e mesma cor, chamado Kibe. Os fãs apontam sempre que Chili e atriz são muito parecidos. Você também acha?
Taylor Swift
A cantora tem três gatinhos: Meredith, Olivia Benson e Benjamin, da raça Scottish Fold. Olivia, aliás, foi avaliada em 97 milhões de dólares, o equivalente a mais de 506 milhões de reais, segundo o site The Ultimate Pet Rich List. Quanto poder, hein?
Grazi Massafera
A atriz e a filha, Sophia, são donas da gatinha Sol, da raça. O pet foi um presente da menina, fruto da relação de Grazi com Cauã Reymond. Parecida com um tigre, com manchinhas pelo corpo. Quando namorava com Caio Castro, ganhou de presente um filhote da mesma raça de Sol, que foi batizado como Brownie.
Leo Jaime
O cantor adotou a gatinha Lola em 2019, e desde então, ela aparece frequentemente em suas redes sociais. "Lola fazendo charminho", escreveu, em um vídeo em que a felina aparece se rolando no chão de barriga pra cima
Jão
Pai de três gatos, Santiago, Chicória e Vicente, o cantor considera os felinos como seu amuleto da sorte. “Os fãs já nem querem saber de mim. Só deles (risos)", falou Jão, certa vez, em entrevista.
O Globo quinta, 16 de fevereiro de 2023
CARNAVAL 2023: 4 RECEITAS DO CHEF RODRIGO OLIVEIRA PARA CAIR NA FOLIA COM ENERGIA E PRAZER
Carnaval: 4 receitas criadas pelo chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, em SP, para cair na folia com energia e prazer
Uma boa alimentação é a chave para dar energia, tanto para quem vai desfilar na avenida quanto para os amantes dos blocos de rua
Por Giulia Vidale — São Paulo
16/02/2023 04h30 Atualizado em 41 minutos
Chef Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó (SP). Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo.Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
O carnaval exige muita saúde e disposição dos foliões. São quatro dias de muito samba, diversão, pouco sono e horas em pé, em baixo de sol e calor. Embora muitas vezes seja deixada em segundo plano, uma boa alimentação é a chave para dar energia, tanto para quem vai desfilar na avenida quanto para os amantes dos blocos de rua.
A pedido do GLOBO, o chef Rodrigo Oliveira, à frente do premiado restaurante Mocotó, na capital paulista, preparou um menu com quatro pratos leves que ao mesmo tempo que fornecem toda a energia necessária para o carnaval. São eles:
Ceviche de beijupirá, leite de tigre de umbu e chips de cará;
Salada de abóbora assada, queijo de cabra, pesto de coentro e rúcula;
Moqueca de caju, arroz vermelho e farofa de coco;
Pavlova de frutas amarelas e mel de uruçu.
— Todos esses pratos são frutados, doces ricos e nutritivos, mas sem ser pesados. Quando pensamos em uma salada, você não imagina que ela pode ser provocante e a salada de abóbora tem isso. O ceviche, como já se imagina, é muito fresco, muito leve, provocante e picante, como deve ser o carnaval. A moqueca é um prato suntuoso e verdadeiramente inclusivo. Além de ter referências de todo o país em uma panela, ela não tem glúten nem lactose e funciona muito bem para quem come carne e para quem não come. Já a pavlova é uma ode à leveza, uma apelação total. Meu pai fala “se só mistura coisa boa, tem que ficar bom mesmo”. Além de ter o açúcar, que tem tudo a ver com carnaval — diz Oliveira.
Segundo o chef, todas as receitas são de fácil preparo, com nível de dificuldade “três de dez”, e adaptáveis. O preparo do ceviche, por exemplo, não precisa de fogão de nada, apenas de uma faca para cortar os peixes e o vegetais e o “resultado final é um prato lindo”.
— Para quem não gosta ou não tem queijo de cabra, a salada fica incrível com ricota. Para o ceviche, a gente sugere chips de cará e beijupirá, que é um peixe abundante na região nordeste, e umbu. Mas você pode trocar o peixe por outro que você encontrar no supermercado. Os chips podem ser feitos com babata doce ou outras batatas e de diversas maneiras — diz Oliveira.
O chef cravou seu nome na história da gastronomia brasileira ao mostrar a riqueza da culinária sertaneja. Segundo ele, de todos os deliciosos pratos desse “cardápio de carnaval”, a moqueca é o que mais representa a cozinha de “comida de panela”, como ele mesmo diz, que aprendeu com seu pai.
— Hoje, é difícil você ver uma exaltação a essa comida de panela, que tem um “que” de cozinha doméstica, mas que tem uma construção de sabor e uma técnica tão fina por trás para pegar um ingrediente comum e preparar com tanta maestria e cuidado de forma que isso se transforme em uma iguaria. A moqueca tem esse símbolo dessa cozinha que depende muito da sensibilidade do cozinheiro porque, muitas vezes, você não tem nenhuma grande estrela. É o conjunto da obra que faz o negócio acontecer — diz Oliveira.
Confira abaixo as receitas do chef Rodrigo Oliveira, e o modo de preparo de cada prato.
Ceviche de beijupirá
Ceviche de beijupira, leite de tigre de umbu, chips de cará, pelo chef Rodrigo Oliveira. Foto: Carol Gherardi/Divulgação — Foto: Carol Gherardi/Divulgação
Rendimento: 3 a 4 porções
Tempo de preparo: 15 minutos
Ingredientes
360g de beijupirá
100g de cebola roxa
10 folhas de coentro fresco
2g de pimenta dedo de moça
40ml de suco de limão
2g de sal refinado
45g de coco fresco
250g de leite de tigre (veja a receita abaixo)
100g de chips (veja a receita abaixo)
Modo de preparo
Corte o peixe em cubos médios. Corte as pimentas em lâminas e a cebola roxa em tiras. Tempere o peixe com suco de limão e sal e deixe descansar por 5 minutos. Adicione a cebola, as pimentas e o leite de tigre e misture bem. Finalize com as lâminas de coco fresco e as folhas de coentro. Sirva com os chips de cará.
Ingredientes para o leite de tigre
15g de salsão
80g de aparas de peixe
150g de polpa de umbu
100ml de água
50g de gelo
2g de gengibre
Modo de preparo do leite de tigre
Processe todos os ingredientes no liquidificador por 2 minutos. Coe em uma peneira fina e reserve.
Ingredientes para os chips de cará
200g de cará inteiro e sem casca
200ml de óleo de milho
1g de sal refinado
Modo de preparo dos chips de cará
Fatie o cará em tiras finas. Aqueça o óleo em uma frigideira e ao chegar à temperatura de 180ºC frite as fatias, sem sobrepor, até que elas comecem a ficar douradas. Retire os chips do óleo e deixe escorrer em uma tigela forrada com papel toalha.
Salada de abóbora
Salada de abóbora assada, queijo de cabra, pesto de coentro e rúcula, pelo chef Rodrigo Oliveira. Foto: Carol Gherardi / Divulgação — Foto: Carol Gherardi / Divulgação
Rendimento: 3 a 4 porções
Tempo de preparo: 45 minutos
Ingredientes
40g de rúcula
250g de abóbora cabotiá
60ml de creme de leite
12 unidades de tomate cereja
40g de queijo de cabra
20g de castanha caramelizada
40g de pesto de coentro (veja o preparo abaixo)
1g de sal
Modo de preparo
Asse a abóbora cabotiá em cubos grandes, enrolada no papel alumínio, em forno pré-aquecido a 200ºC por 20 minutos ou até ficar macia. Com um fouet, misture a abóbora cozida com o creme de leite e sal. Sirva a salada com o creme de abóbora no fundo do prato, coloque metade do queijo, o pesto e a rúcula. Finalize com as castanhas caramelizadas quebradas, o tomate cereja cortado ao meio e o restante do queijo de cabra e pesto de coentro em cima da salada.
Ingredientes para o pesto de coentro
15g de coentro
15ml de azeite
5g de queijo de coalho
5g de castanha de caju
1 unidade de dente alho
1g de sal
15ml de óleo de milho
Modo de preparo do pesto de coentro
Com a ajuda de um processador, bata todos os ingredientes e use na salada.
Moqueca sertaneja de caju
Moqueca de caju, arroz vermelho e farofa de coco, pelo chef Rodrigo Oliveira. Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo. — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo.
Rendimento: 3 a 4 porções
Tempo de preparo: 45 minutos
Ingredientes
120g de maxixe pré-cozido em água por 8 minutos e cortado em cubos grandes
200g de caju cortado em cubos grandes
50g de vagem holandesa branqueada e cortada em três partes
200g de banana da terra cozida em água por 12 minutos e cortada em rodelas
80g de pimentão verde
80g de pimentão vermelho
80g de pimentão amarelo
8g de cebola branca
10ml de azeite de dendê
20ml de azeite de oliva
2g de colorau
8 folhas de ora-pro-nóbis
450 ml de molho de moqueca (veja a receita abaixo)
8 tomates cereja
10 folhas de coentro
Modo de preparo
Corte os pimentões e a cebola em cubos pequenos. Refogue-os no azeite de oliva, no dendê e no colorau. Adicione o maxixe, a vagem, o caju e a banana da terra, refogue tudo por 2 minutos. Acrescente o molho de tucupi e deixe cozinhar até reduzir um pouco, garantindo que os legumes estejam bem quentes. Adicione o molho de moqueca e deixe cozinhar por 8 minutos, até encorpar. Finalize no recipiente com folhas de ora-pro-nóbis, coentro e tomate cereja.
Finalização da moqueca sertaneja. Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
Ingredientes do molho da moqueca sertaneja
50g de cebola branca
1 unidade de dente de alho
50g de alho-poró
60g de tomate em cubos
20g de salsão picado
20ml de azeite
50g de cenoura em cubos
400ml de tucupi
200ml de leite de coco
10ml de extrato de tomate
1g de sal
5g de gengibre
Moqueca Sertaneja pelo chef Rodrigo Oliveira. Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo. — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo.
Modo de preparo do molho da moqueca sertaneja
Corte todos os legumes em cubos pequenos e, em uma panela, aqueça o azeite e refogue a cebola, salsão, cenoura, alho-poró, tomate, gengibre e o dente de alho. Adicione o tucupi e deixe cozinhar em fogo baixo por 1 hora. Coe o molho e volte à panela com o leite de coco e o extrato de tomate. Mexa bem e deixe cozinhar até levantar fervura. Acerte o sal e reserve.
Ingredientes para o mix de arroz
25g de cebola branca
20ml de azeite
120g de arroz vermelho
170g de arroz cateto
60ml de vinho branco
720ml de água
1 unidade de folha de louro
5g de sal
Modo de preparo do mix de arroz
Em uma panela, refogue a cebola, em cubos pequenos, no azeite. Junte a mistura de arroz cateto e arroz vermelho e refogue por 2 minutos. Adicione o vinho branco e cozinhe até secar todo o líquido. Acrescente a água quente, a folha de louro e o sal e deixe cozinhar com a panela tampada por 25 minutos ou até os grãos ficarem macios. Desligue o fogo, tampe e deixar descansar por pelo menos 5 minutos.
Ingredientes da farofa de coco e castanha
15m de óleo de canola
15 ml de azeite
25g de coco seco
25g de castanha de caju picada
140g de farinha de mandioca
1g de sal refinado
Modo de preparo da farofa de coco e castanha
Em uma panela, adicione o azeite e o óleo de canola. Doure o coco seco e a castanha de caju misturando sempre para não queimarem. Adicione a farinha de mandioca.
Pavlova de frutas amarelas
Pavlova de frutas amarelas e mel de uruçu, pelo chef Rodrigo Oliveira. Foto: Ricardo D'Angelo/Divulgação — Foto: Ricardo D'Angelo/Divulgação
Rendimento: 3 a 4 porções
Tempo de preparo: 2 horas
Ingredientes
1 unidade de merengue assado (veja a receita abaixo)
60ml de creme de leite fresco
100g de manga fresca cortada em cubos
80g de caju cortada em cubos grandes
80g de polpa de maracujá com sementes
100g de carambola em rodelas
10 unidades de poejo ou hortelã
Modo de preparo
Bata o creme de leite fresco com um mixer ou batedeira, o ponto deve ficar levemente firme. Reserve na geladeira. Transfira a pavlova fria para a louça de sua preferência, coloque o creme batido no meio e depois a polpa de maracujá. Finalize com as frutas e folhas por cima.
Ingredientes para o merengue assado
75g de clara de ovo
140g de açúcar
5g de polvilho doce
8ml de vinagre de caju
1g de sal
1 amburana
Modo de preparo do merengue assado
Aqueça uma panela com água - ela servirá de banho maria. Ligue o forno a 125ºC. Junte o açúcar com as claras numa mesma tigela e leve para o banho maria. Com um auxílio de um fouet, bata por alguns minutos. Deixe cozinhar, mexendo aos poucos. O ponto correto se dá quando os grãos de açúcar desapareceram por completo e a mistura estiver líquida. Transfira a mistura líquida de claras e açúcar para o bowl da batedeira e bata na velocidade máxima por 15 minutos, até o merengue ficar brilhoso. Adicione o polvilho e bata por mais 2 minutos. Adicione o vinagre de caju ao merengue e bata o suficiente para incorporar. Transfira o merengue para uma forma forrada com papel manteiga, centralizando toda a massa e fazendo um círculo com a espátula, começando pelo centro e depois bordas, deixando-as um pouquinho maior. Rale a semente de umburana em cima do merengue e nas bordas, leve ao forno pré-aquecido e asse por 15 minutos. Após esse tempo, diminua a temperatura para 95ºC e asse por 1 hora. Deixe esfriar no forno desligado.
O Globo quarta, 15 de fevereiro de 2023
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Por Bruno Marinho — Rio de Janeiro
15/02/2023 04h00 Atualizado há 5 horas
Halls tem 23 anos e apenas cinco jogos como profissional do VascoDaniel Ramalho/CRVG
É daquelas chances que acontecem uma vez na vida de um jogador de futebol. Na de um goleiro, então, é mais rara ainda. Impossibilitado de escalar Léo Jardim, Ivan e Thiago Rodrigues, o Vasco deve enfrentar o Botafogo amanhã, clássico importante para o time da Colina se manter na briga por uma vaga na semifinal do Estadual, com o goleiro Halls.
Os três goleiros não foram inscritos a tempo na Ferj para participarem do jogo, válido pela terceira rodada do Campeonato Estadual e adiado para amanhã a pedido do cruz-maltino, que queria mais tempo para treinar. Talvez não contasse com esse pequeno detalhe burocrático.
Com isso, caberá a Halls defender o gol. Aos 23 anos, deve fazer sua sexta partida como titular dos profissionais do cruz-maltino. Já teve períodos emprestado ao Náutico e ao Boa Esporte, onde também não jogou com regularidade. É a chance para deixar boa impressão em meio à posição, tão disputada, com dois goleiros contratados para 2023, Léo Jardim e Ivan.
— É um jogo com responsabilidade grande, mas ele já está há algum tempo no profissional, é um rapaz muito trabalhador, acredito que esteja preparado — afirmou o treinador Marcus Alexandre.
Ele fala com conhecimento de causa. Foi quem levou Halls para o Vasco, ainda no sub-17. Alexandre lembra como Halls sempre foi meio que azarão na Colina:
— Ele não era tido como um dos goleiros que chegaria ao profissional. Tinha o Alexsander, que era titular, e mais novo do que ele, o Lucão, de seleção, com muita mídia. Mas Halls soube crescer. É muito trabalhador.
O Globo terça, 14 de fevereiro de 2023
COMA SEM CULPA: 10 ALIMENTOS COM POUCA CALORIA PARA COMER SEM MEDO DE ENGORDAR
Tomate, ovo, abobrinha: 10 alimentos com pouca caloria para comer sem medo de engordar
Eles ainda são ricos em nutrientes, pobres em gordura, auxiliam na diminuição da ansiedade e fornecem energia
Por La Nacion
14/02/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
O peixe, por exemplo, é rico em proteínas e ácidos graxos ômega-3 e pobre em gorduraFreepik
Começo do ano e semana pré-carnaval é o principal momento de as pessoas realizarem dietas. Comida sob medida, poucas calorias, exercícios horas a fio na academia, entre outras alternativas para eliminar aqueles quilos indesejados.
Mas tem alimentos que são nutritivos, ajudam na ansiedade, mantém a sensação de fome sob controle e ainda tem pouca caloria, ou seja, você pode comer sem medo de engordar. Entre eles estão o ovo, maça e até mesmo alguns caldos. No entanto, é importante saber que você não deve se alimentar exclusivamente com base nesses nutrientes, mas sim combiná-los para obter uma alimentação completa e saudável.
Confira 10 alimentos que vão ajudar a manter a fome e o peso sobre controle para este pré-carnaval:
Caldos
A sopa pode fornecer até 80% mais calorias do que outros alimentos. Apesar disso, as sopas de caldo são escolhidas em vez das sopas de creme, pois contêm menos calorias e causam menos inchaço. Uma sopa à base de caldo é uma ótima alternativa para quem quer se sentir saciado por mais tempo depois de comê-la, além de ser extremamente saborosa.
Ovos
Comer ovos é uma ótima maneira de incluir uma dose de proteína em sua dieta. Os ovos são reconhecidos como alimentos saudáveis, apesar de sua péssima reputação no passado. Eles também são fonte de triptofano, além de possuírem vitaminas, gorduras boas e nutrientes essenciais para o corpo. Tudo isso contribui para o aumento de energia no corpo. O bom disso tudo é que pode consumi-los no café da manhã, almoço ou jantar.
Peixe
O peixe é rico em proteínas e ácidos graxos ômega-3 e pobre em gordura, sendo uma opção muito saudável. Comê-los pode melhorar a saúde do cérebro e a capacidade de concentração.
Maçã
As maçãs contêm um tipo de fibra conhecida como pectina, que é benéfica para a digestão, tem muitos nutrientes, além de conter um alto índice de saciedade.
Abobrinha
É pobre em calorias e, em comparação com a quantidade de água acessível, há excesso de oferta de sal, sendo que este último ingrediente traz benefícios a longo prazo para a saúde digestiva e intestinal humana.
Leguminosas
As leguminosas são ricas em proteínas e fibras que o mantêm saciado por mais tempo. Em certos casos, as leguminosas são mais benéficas do que os carboidratos amiláceos para ajudar a reduzir o peso.
Morangos
Morangos são perfeitos para comer entre uma hora e outra. Eles fornecem muita fibra e baixa carga glicêmica. São super saciantes e é a fruta que contém mais vitamina C em comparação com as demais.
Batatas cozidas
A quantidade de carboidratos que as batatas possuem é muito significativa. Batatas incluem uma alta concentração de vitaminas e fibras. Vale a pena mencionar que as calorias fornecidas pelo amido são uma melhoria significativa em relação às calorias fornecidas pelo amido normal. Elas também podem ser consumidas de diversas formas.
Melancia
Comer frutas ajuda a perder peso e, ao mesmo tempo, melhora sua saúde e bem-estar geral. A melancia contém 92% de água e tem apenas 30 calorias por porção. Tem a mesma quantidade de minerais e vitaminas que o resto das frutas. Contém arginina, que ajuda a reduzir os níveis de gordura corporal.
Tomate
Os tomates são pobres em gordura, calorias, potássio, cromo, ácido fólico e fibras, entre outros minerais. Comer tomate ajuda a perder peso, reduzindo a ingestão de calorias, o que é benéfico.
O Globo segunda, 13 de fevereiro de 2023
SUPERCOPA FEMININA: CORINTHIANS CONQUISTA O BICAMPEONATO EM GOLEADA SOBRE O FLAMENGO
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Supercopa Feminina: Corinthians conquista o bicampeonato em goleada sobre o Flamengo
Com atuações de gala de Millene e Tamires, as Brabas venceram as rubro-negras por 4 a 1 na Neo Química Arena
Por Laís Malek — Rio de Janeiro
12/02/2023 12h17 Atualizado há 20 horas
Corithians venceu o Flamengo e se tornou bicampeão da Supercopa FemininaRodrigo Gazzanel/Corinthians
Se no futebol praticado por homens o Flamengo venceu o Corinthians em uma disputa acirrada na Copa do Brasil em 2022, na modalidade das mulheres a situação foi bem diferente. O clube paulista não teve dificuldades para vencer as visitantes em uma goleada por 4 a 1 na Neo Química Arena, sob os olhares de mais de 25 mil torcedores. Os gols das campeãs foram marcados por Millene e Tamires, que balançaram as reds suas vezes cada uma, e Daiane descontou para o Fla.
E o show do Corinthians começou, literalmente, no primeiro minuto da partida. Na primeira vez que as Brabas chegaram na área adversária, Vic Albququerque chutou forte e a goleira Bárbara não conseguiu segurar. Na sobra, Isabela rolou para Tamires, que abriu o placar antes mesmo do relógio chegar na marca dos dois minutos de bola rolando.
Aos 28 minutos, Gabi Portilho fez bom cruzamento para Vic Albuquerque, que foi derrubada na área por Bárbara. A juíza advertiu a goleira com um cartão amarelo e marcou o pênalti para o time da casa.Millene errou a primeira cobrança, mas a árbitra mandou repetir e na segunda tentativa a bola entrou, com um chute no canto direito da goleira aos 35 minutos. O time continuou pressionando e teve a chance do quinto com Bellinha, mas Bárbara defendeu.
No final da primeira etapa, já aos 48 minutos, Millene brilhou mais uma vez. Depois de uma falha de Daiane ao tentar desviar um cruzamento, a bola sobrou para Vic Albuquerque, que tocou para a atacante marcar o segundo dela na partida e o terceiro do Corinthians. O Flamengo pouco produziu durante o primeiro tempo, e não se encontrou no jogo para se defender e nem para atacar.
Na volta do intervalo, o Corinthians podia apenas segurar o resultado, mas foi além. Aos 11 minutos, Gabi Portilho fez bela jogada e deixou Tamires de cara para o gol, e a lateral precisou apenas empurrar para o fundo das redes. O Flamengo conseguiu descontar com uma bela cabeçada de Daiane depois de uma cobrança de escanteio aos 23 minutos, mas não foi suficiente para esboçar de fato uma reação.
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, esteve presente na Neo Química Arena para assistir a final. Mais cedo nesta semana, ele anunciou que até 2027 todos os clubes que disputam as séries A a D do Brasileirão terão, obrigatoriamente, times de futebol feminino. Ele parabenizou o Corinthians e também mandou um recado para o Flamengo.
— Parabéns ao Corinthians por mais essa conquista no futebol feminino. O clube é um exemplo de gestão também no feminino. Parabéns também aos torcedores do Corinthians, que estão sempre apoiando as Brabas. Elas encheram novamente a arena. Quero também parabenizar o Flamengo por ser um adversário que abrilhantou muito o campeonato. Queremos cada vez mais os grandes clubes envolvidos no futebol feminino.
Do mesmo jeito que começou 2022, o Corinthians iniciou mais um ano vencendo, de maneira invicta, a Supercopa Feminina e demonstrando dentro de campo porque é a principal força do país no futebol feminino. A diferença, desta vez, está no prêmio: além do troféu, as Brabas levam para casa R$ 500 mil como premiação, enquanto o rubro-negro fica com R$ 300 mil.
O Globo domingo, 12 de fevereiro de 2023
XUXA: ATRIZ, QUE FARÁ 60 ANOS, ABRE QUESTÕES DE IDADE E MUITO MAIS
Xuxa, que fará 60 anos, abre questões da idade, detalha encontro com Marlene Mattos e cita dor com a perda da irmã
Por Patrícia Kogut
12/02/2023 07h00 Atualizado há 2 horas
A apresentadora XuxaDivulgação
Em suas mais de quatro décadas de carreira, Xuxa se dirigiu sobretudo aos “baixinhos”. Mas, fenômeno pop gigantesco, acertou o Brasil inteiro. Depois, conquistou um público numeroso em outros países também. Em 27 de março, ela completará 60 anos mostrando que sua presença ainda é poderosa na televisão, no cinema, no streaming e até em alto-mar. E não se trata de força de expressão. Ela passará a data a bordo de um cruzeiro que zarpará de Santos em 24 de março. O roteiro será orientado pela meteorologia: a embarcação vai navegar na “direção do Sol”. O Navio da Xuxa só atracará de volta em Santos dia 27, o do aniversário. Os muitos shows, projeções e confraternizações com os fãs a bordo serão transmitidos pelo Multishow num especial. Em 4 de março, o Canal Viva relançará 17 episódios do “Xou da Xuxa”. A Rainha também é tema de uma série documental dirigida por Pedro Bial para o Globoplay, ainda sem data para estrear. E estrela “Tarã”, uma ficção para o Disney+, e o reality“Caravana das drags”, para o Prime Video da Amazon. No meio do ano, chegará aos cinemas o longa “Uma fada veio me visitar”, adaptado de um livro de Thalita Rebouças. Nesta conversa de quase duas horas, ela fez um balanço da carreira, falou das agruras do envelhecimento, de Marlene Mattos, do desejo de ser avó e de política. Tudo com a espontaneidade e o peito aberto que conserva intocados desde os primórdios.
Vejo este momento por dois aspectos. Um, de mulher realizada com o homem que eu amo. Chegar aos 60 com um cara que te ama como o Ju (Junno Andrade) me ama faz a minha vida íntima ser redondinha. Minha filha é independente e me manda mensagem todos os dias, de manhã e de noite e sempre envia uma foto em que está sorrindo. Estou no auge que um ser humano pode alcançar como amante, como mulher, como mãe. Mas olho minha pele enrugadinha e é um outro lado da idade. O colágeno não existe. Minha pele é castigada do sol, que continuo pegando, porque adoro. Por mais que eu use os melhores cremes, me olho no espelho e não me vejo como antes. Ju fica dizendo que sou linda e gostosa. Mas eu trabalho com a imagem desde jovem e sei que não é igual. É difícil. Me olho e falo: nunca mais terei aquele corpo, aquela cinturinha.
A dor da cobrança nas redes
As pessoas me cobram: “A Xuxa tá velha”. Não fico magoada. Eu tenho espelho em casa. Eu sei. Eu entendo elas. Eu sei me olhar com o olhar delas. Mas meus fãs de antigamente também envelheceram. E não querem se ver desse jeito. Muitas dessas pessoas, pelo visto, não têm maturidade para curtir essa fase. Moramos num país onde “velha” vem como um negócio pesado. Colocam uma coisa ruim ao lado da experiência que a maturidade traz. Eu sou uma privilegiada, se você puser a minha história ao lado das de tantas outras mulheres. Não sofri preconceitos ao longo da minha carreira. E continuo trabalhando aos 60.
O documentário
Pedro Bial é meu amigo. Uma das primeiras grandes entrevistas dele na Globo foi comigo. Ele me mostrou as imagens. Foi em 86/87. Ele foi até a nossa casa em Coroa Grande (na Zona Litorânea do Rio, onde ela cresceu). Eu era garota e dizia assim: “Quero ser uma velhinha chocante”. Eu disse a ele que não queria mesmo fazer algo chapa branca, tipo “Xuxa, eu te amo. E eu me amo”. Ele me botou em saias justas. Reencontrei o ator de “Amor estranho amor”(Marcelo Ribeiro. O filme é de em 1982, quando ele era criança). E a Marlene, com quem não falava havia 15 anos. Eu acho que ela foi meio armada, achando que era “meu documentário, feito pelo meu amigo Pedro”. Já chegou de um jeito assim: “Se vocês acham que vou pedir desculpas, não vou”. Ela não mudou nada. Isso me deixou chocada. Eu mudo quase diariamente.
Vacinação
Com a música “Ilariê” a gente já conseguiu que 96% das crianças brasileiras se vacinassem. Campanha de vacinação é um negócio assim que dá uma alegria... Agora estamos lá em baixo. Como pode? Eu que me ofereci para ser embaixadora da Campanha de Vacinação do Ministério da Saúde. Procurei descobrir o telefone da Janja (a primeira-dama) e me pus à disposição. Eu fiz isso com todos os ex-presidentes do Brasil. Menos com aquele que chamo de tudo, menos de gente (ela se refere a Jair Bolsonaro). Quero voltar a trabalhar ao lado do Zé Gotinha. Mostrar a carteirinha de vacinação da minha filha. Já pedi autorização a ela, porque Sasha é discreta e não gosta de aparições públicas. Ela topou.
Bolsonaro
Nunca fui petista, pelo contrário. Mas fui contra esse homem desde o início. Mas antes eu era contra o genocida. Só que depois que o Bozo falou aquilo de “pintou um clima” para se referir a meninas adolescentes, tive muito nojo. Queria muito fazer uma campanha chamada “Pintou um crime”. Contra velhos babões que olham para crianças de 12, 13, 14 anos. Como eu fui olhada quando era criança. Crianças dessa idade não se prostituem, são exploradas. A gente tem que mostrar que isso está muito errado. Não podem passar a mão na cabeça. No mínimo, ele deveria ter chamado a polícia, se achou que havia algo errado ali.
A morte da irmã
Esses dias, perdi minha irmã (a pedagoga Mara Meneghel morreu de embolia pulmonar em Barcelona, onde vivia). Ela era saudável, uma pessoa de grande coração, que ajudava todo mundo. Estava com viagem marcada para o Brasil. Acordou com um resfriado e acabou assim. É um grande aviso para as pessoas não fazerem o que eu fiz: eu estava sem falar com ela. Foi por divergência política. Ela ficava me mandando uns vídeos com fake news. Falei para parar. Não parou e eu bloqueei ela. Não tem amanhã garantido, nem para quem está com saúde.
Falar de amor
Eu era uma pessoa incapaz de falar de afeto. Nunca disse ao Ayrton (Senna, seu ex-namorado) que gostava dele. Eu era uma idiota. Não falava o que sentia. Hoje falo isso toda hora. Ao Ju, digo o dia todo o quanto amo ele.
Filha e netos
Sasha é um orgulho. Se formou em moda, tem sucesso no caminho dela. Queria muito ser avó. Eu pressiono ela. Mando vídeos de crianças fofas, brinco e sempre encerro a mensagem dizendo: “Sem pressão”. Ela ri.
Cuidados
Tenho muita energia. Se subir na esteira, ando cinco, seis quilômetros e só paro porque tenho um ossinho quebrado no pé que dói. Mas não sinto cansaço. Me cuido, sou vegana, nunca fumei, tenho intolerância ao álcool, faço reposição hormonal. Está tudo certo. Não tenho vontade de fazer plástica no rosto, fiz na barriga há pouco tempo, mas não ficou como eu imaginava, tanquinho.
‘Xou da xuxa’ no Viva
Estou receosa com a estreia dos programas antigos. A gente fazia brincadeiras naquela época que hoje seriam justamente consideradas erradas. Estou com medo de como as pessoas vão receber, de virar meme. Eu falei coisas que hoje não falaria.
Xuxa — Foto: Blad Meneghel
Marlene Mattos, Pedro Bial e Xuxa durante as gravações da série documental sobre a apresentadora para o Globoplay — Foto: Divulgação
Marlene Mattos e Xuxa gravam série documental sobre a apresentadora para o Globoplay — Foto: Divulgação
O Globo sábado, 11 de fevereiro de 2023
ONDA DE CALOR: UM GUIA COMPLETO PARA EVITAR OS DANOS À SAÚDE CAUSADOS PELAS ALTAS TEMPERATURAS
Onda de calor: um guia completo para evitar os danos à saúde causados pelas altas temperaturas
O que comer, vestir, mudar na casa e quem são os grupos mais vulneráveis aos efeitos do super aquecimento ocorrido nos últimos dias
Por Ana Lúcia Azevedo
11/02/2023 04h30 Atualizado há 2 horas
Mulher usa um leque para se proteger do sol na Avenida Vicente de Carvalho, no Rio de Janeiro. Foto de Márcia FolettoFoto de Márcia Foletto
O corpo se livra do calor de duas maneiras. A primeira é por meio dos vasos sanguíneos. Eles se dilatam para levar mais sangue até a pele, para que o calor possa ser irradiado para fora do corpo. O segundo é suando. Isso refresca por evaporação. Quando esses meios não funcionam, morremos.
Quando está quente, o hipotálamo redireciona o sangue para a pele, para dissipar o calor. Porém, isso prejudica a irrigação de outros órgãos. Eles recebem menos oxigênio e o organismo começa a liberar moléculas tóxicas. As células sofrem danos devido a lesões térmicas e químicas e isso afeta o funcionamento dos órgãos.
Em dias quentes, uma pessoa pode suar até dois litros e desidrata. O sangue se torna viscoso. E isso afeta o funcionamento de rins e coração, que precisam fazer esforço extra. A desidratação provoca vasoconstrição, que traz risco de trombose e de derrame. No calor extremo, o cérebro deixa de receber oxigenação suficiente e começa a falhar no controle do corpo e na própria defesa contra o calor.
O calor elevado altera a pressão e isso gera efeito dominó nos órgãos. Os sintomas vão de desmaios até, nos casos graves, um choque térmico letal. Quando o termômetro passa de 39ºC, 40ºC, enzimas fundamentais para o metabolismo sofrem uma queda abrupta na velocidade das reações químicas e o metabolismo entra em pane.
Proteja-se
EM CASA: A OMS recomenda que se fique no cômodo mais fresco da casa, principalmente à noite. Se possível, meça a temperatura entre 8h e 10h, às 13h e depois das 22h. A temperatura máxima suportável deve ficar abaixo de 32ºC durante o dia e 24ºC à noite.
JANELAS: Portas e janelas devem ficar abertas, principalmente durante as horas mais frescas, se o ar-condicionado não for usado. Use cortinas ou persianas para tapar a luz solar nas horas mais quentes. Toalhas molhadas podem ajudar a aliviar a temperatura ambiente.
AR-CONDICIONADO: Embora ele mesmo seja um fator de aquecimento do planeta, especialistas dizem que, enquanto não se inventa algo melhor, são essenciais para proteger as pessoas nos dias quentes. Se sua casa não tiver ar refrigerado, e a maior parte da população não tem, a OMS recomenda que se passe de duas a três horas do dia em lugares refrigerados, como prédios públicos e shoppings.
EVITE: Só saia ao ar livre nas horas mais quentes (das 10h às 17h) se for realmente necessário, diz a OMS.
EXERCÍCIOS: Evite atividades ao ar livre nos dias quentes. E se for fazer, opte pelo horário mais fresco, das 4h (da manhã!) às 7h.
SOMBRA: Busque sempre a sombra e procure os lugares mais arborizados, a copa das árvores pode reduzir em até cerca de 10ºC a temperatura.
CRIANÇAS: Não as exponha ao calor nem as deixe em ambientes sem ventilação. Menos ainda em carros fechados.
HIDRATAÇÃO: Se mantenha o tempo todo hidratado. Mas evite álcool, cafeína e bebidas doces.
COMIDA: A OMS recomenda fazer pequenas e mais frequentes refeições e evitar alimentos ricos em proteína.
BANHOS: Mantenha o corpo frio e tome o maior número de banhos para refrescar, sempre que possível.
TOALHAS: Use toalhas ou outros tecidos molhados para aliviar o calor do corpo.
ROUPAS: Evite roupas escuras (elas absorvem mais calor), prefira as claras, soltas e em fibras naturais.
ACESSÓRIOS: Chapéu e óculos escuros são indispensáveis.
Assistência médica
SINTOMAS: Tonteira, dor de cabeça, fraqueza e sede intensa são sinais de que é preciso se abrigar num lugar fresco e tirar a temperatura. É preciso se hidratar. Espasmos musculares demanda repouso imediato e a OMS recomenda bebidas com eletrólitos, água de coco é excelente. Se câimbras e espasmos durarem mais de uma hora, é melhor buscar ajuda médica.
PERIGO: Pele seca, delírio, convulsão e inconsciência precisam de socorro urgente. Enquanto a assistência médica não chega, coloque a pessoa num lugar fresco, em posição horizontal e eleve seu quadril e pernas. Tire a roupa da pessoa e coloque toalhas frias ou sacos com gelo no pescoço, nas axilas e na virilha. Pode aspergir água em temperatura ambiente pelo corpo. Não dê paracetamol ou ácido acetilsalicílico. Mantenha a pessoa consciente e não a deixe só.
Proteja seu animal de estimação
CÃES: Jamais passeie com ele nos horários mais quentes. Saia apenas no início da manhã e depois do anoitecer. Você pode não perceber, mas ele entrará em sofrimento. Os cães estão mais próximos do chão, têm má regulação térmica (não controlam a respiração e a temperatura, como nós). A sola das patas pode parecer grossa, mas não suporta sem dor e danos a temperatura do chão que pode superar 60ºC facilmente. Eles ficam sem ar, entram em hipertermia e sofrem queimaduras. Seu cãozinho pode morrer num passeio em dia quente ou sofrer muito. Nunca o faça lhe acompanhar enquanto pedala. Mesmo que você não saiba, isso é uma crueldade em dias quentes. Nunca deixe um cão trancado num carro. Ele morrerá sufocado.
GATOS E AVES: Jamais os deixe expostos ao sol ou confinados em lugares fechados. Pode matá-los.
RÉPTEIS: Eles não têm controle de temperatura e podem morrer se expostos ao calor excessivo.
Os grupos de risco
Toda pessoa sofre com o calor. Porém, pessoas obesas (a gordura retém calor), mulheres (têm maior composição de gordura), crianças (o sistema de regulação da temperatura é imaturo), idosos (a regulação térmica se torna ineficiente), diabéticos, cardíacos e pacientes renais são mais sensíveis.
GESTANTES: São especialmente suscetíveis. Elas já dividem o sangue com o feto e, além disso, têm o sangue mais concentrado. Ficam mais vulneráveis à trombose.
HIPERTERMIA E INSOLAÇÃO: São terríveis e temidas, mas não são as principais formas de matar do calor. Em geral, explica Paulo Saldiva, o calor mata porque agrava condições preexistentes. Atletas e trabalhadores ao ar livre (garis, operários, camelôs, policiais etc.) estão sujeitos à hipertermia.
SINAL DE ALERTA: A cor da urina é um bom indicador da hidratação. Quanto mais escura, pior. Idosos e crianças, que têm naturalmente maior dificuldade de regulação térmica, precisam de especial atenção.
SEDE: Não é preciso sentir sede para estar desidratado. É preciso se hidratar sempre, mesmo sem sede.
Sinal de perigo
CARNAVAL: O bloco nem precisa ser grande para alguém passar mal num dia quente. O efeito da temperatura do ar piora devido à aglomeração - sim, existe calor humano - combinada à movimentação dos foliões, que faz suar, sobrecarrega o organismo. O corpo perde líquido no momento em que mais precisa. O resultado pode ir de desmaios ao agravamento de condições preexistentes, principalmente em quem tem problemas renais, hipertensão, doença cardíaca, diabetes e câncer. O risco de hipertermia é grande. Hidratação sem álcool é fundamental.
CERVEJA: Ela até começa a hidratar, mas à medida que se sua cada vez mais, vai sendo eliminada. A hidratação funciona por cerca de uma hora, até duas. Mas depois disso, a sobrecarga térmica e o efeito do álcool causam diurese osmótica que, em termos gerais, faz com que a pessoa perca mais líquido do que ingeriu. O resultado é passar mal.
O Globo sexta, 10 de fevereiro de 2023
CARIOCÃO: FLUMINENSE X VASCO - DINIZ E BARBIERI BUSCAM JOGO OFENSIVO POR CAMINHOS DIFERENTES
Fluminense x Vasco: Diniz e Barbieri buscam jogo ofensivo por caminhos diferentes
Treinadores tiveram desavença quando ainda tentavam despontar no futebol e voltam a se enfrentar no Maracanã
Por Bruno Marinho e Marcello Neves — Rio de Janeiro
10/02/2023 03h00 Atualizado há 6 horas
Diniz fez grande ano com o Fluminense; Barbieri tenta brilhar com o VascoMontagem sobre fotos de Marcelo Gonçalves e Daniel Ramalho
Um dos momentos em que Fernando Diniz e Maurício Barbieri deram as costas à beleza do futebol foi quando se enfrentaram pelo Campeonato Paulista de 2016. O Audax do hoje técnico do Fluminense venceu o Red Bull Brasil do agora treinador do Vasco, mas o resultado ficou em segundo plano depois que os dois discutiram asperamente na saída do gramado, gerando uma grande confusão até os vestiários.
Fora esse episódio feio, os dois tentam olhar sempre para o que há de mais bonito no jogo — o futebol ofensivo, a busca constante pelo gol. Ainda que com estilos um pouco diferentes. E essa promessa de partida boa de se assistir é um dos principais atrativos do clássico de domingo, no Maracanã.
Talvez por terem esse aspecto em comum, os dois deixaram a briga para trás. Quando enfrentou o Red Bull Bragantino ano passado, pela última rodada do Brasileiro, Fernando Diniz fez questão de elogiar Barbieri, mesmo com o técnico já fora da equipe do interior paulista, demitido na rodada anterior:
— Conheço bem o pessoal aqui, está todo mundo de parabéns. Barbieri fez um trabalho de primeiro nível. Em determinado momento neste ano, o time não conseguiu vencer seus jogos, mas é um dos times com futebol mais estruturado no país.
Do tempo em que ambos eram técnicos de times do interior paulista até os jogos pelo Brasileirão, foram seis partidas, com três vitórias de Diniz, dois empates e um triunfo de Barbieri.
Ano passado, o técnico do Fluminense levou a melhor, mas, em janeiro de 2021, o cenário foi o contrário. Os treinadores se enfrentaram pela Série A e o Red Bull Bragantino conseguiu vitória incontestável sobre o São Paulo de Fernando Diniz: 4 a 2, fora o domínio com a bola rolando.
— Não foi o São Paulo que perdeu, e sim o Red Bull que venceu, com muito mérito. E o placar não reflete o jogo. Poderíamos ter vencido com mais gols.
Intensidade é ponto chave
Eles vivem momentos diferentes na carreira. Diniz está consolidado na primeira prateleira depois de 2022, e já chegou a ser cogitado na seleção brasileira. Barbieri fez grande trabalho no Bragantino, mas ainda precisa de bons resultados à frente de um clube grande — a oportunidade de assumir o Vasco já no contexto de SAF pode ser o que falta.
O primeiro privilegia mais a posse de bola, a troca de passes. O outro procura mais verticalização rumo ao gol. Tanto que nos quatro jogos em que se enfrentaram pelo Brasileiro, independentemente do resultado, as equipes de Diniz sempre tiveram mais tempo com a bola.
O que há de comum é o jogo com intensidade no campo de ataque. E a falta disso neste começo de temporada tem incomodado Fernando Diniz no Fluminense.
Nas vitórias que teve sobre Maurício Barbieri, a palavra intensidade esteve presente na maioria de suas análises. Este ano, o treinador admitiu que muitos atletas ainda estão longe do físico ideal. O planejamento da comissão técnica é que o ritmo só seja atingido nas semifinais do Carioca e próximo do início da Libertadores. O problema é que, com clássicos pelo caminho, há a chance de cobrar caro. Como foi diante do Botafogo.
Já o Vasco vê esse aspecto, de intensidade, crescer a cada partida. Nas vitórias sobre Resende e Nova Iguaçu, houve momentos em que o time conseguiu impor grande volume de jogo. Falta ao time da Colina o entrosamento que o Fluminense já possui e isso foge do controle do treinador vascaíno. Será preciso paciência para que o conjunto se fortaleça. O clássico contra um dos melhores times do Brasil em 2022 será uma ótima chance para medir o nível atingido neste início de trabalho.
O Globo quinta, 09 de fevereiro de 2023
MUNDIAL DE CLUBES: REAL MADRID VENCEU AL AHLY POR 4 A 1 E VAI DECIDIR O TÍTULO CONTRA O AL HILAL, NO SÁBADO
Ancelotti confirma idas de Benzema e Militão ao Marrocos e volta a elogiar Vini Jr.: 'fantástico'
Real Madrid venceu o Al Ahly por 4 a 1 e vai decidir o título contra o Al Hilal, no sábado.
Por AFP — Rio de Janeiro
08/02/2023 21h19 Atualizado há 12 horas
Vini Jr. durante vitória do Real Madrid no Mundial de ClubesFadel Senna/AFP
O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, disse nesta quarta-feira que Karim Benzema e Éder Militão, que haviam ficado na capital espanhola para se recuperarem de suas lesões, vão se juntar ao elenco nesta quinta-feira para a disputa do Mundial de Clubes, com vistas para a final de sábado, contra o Al Hilal. Os merengues venceram o Al Ahly por 4 a 1, em Rabat, pela semifinal do torneio.
— Não estão plenamente recuperado, mas Karim está bastante bem, Militão com mais dúvidas. Vão treinar na sexta-feira na véspera da partida e tomaremos as decisões. Também voltarão (Dani) Carvajal que estava com febre e (Marco) Asensio que tinha uma sobrecarga — disse Ancelotti.
O campeão europeu venceu com gols dos brasileiros Vinícius Junior, Rodrygo, Valverde e Sergio Arribas, enquanto o Al Ahly diminuiu com um pênalti cobrado pelo tunisiano Ali Maaloul.
— O Vinícius gosta de jogar futebol, onde quer que esteja. Fez um jogo muito completo, fez um gol fantástico, sempre foi perigoso, foi o Vinícius que você vê muitas vezes — disse ao ser perguntado sobre o brasileiro, que foi o centro das atenções devido a controvérsias na Espanha nas últimas semanas.
Triunfo contra egípcios
Ancelotti se mostrou descontente com o fato de seu time ter perdido o controle da partida quando vencia por 2 a 0, afirmando que "é um jogo em que há muito a perder e pouco a ganhar". No estádio Príncipe Moulay Abdallah, a maioria dos torcedores torceu pelo time branco.
— O ambiente tem sido bom para o Real Madrid, quero agradecer aos torcedores, também foi um bom jogo, o adversário jogou bem, tentaram de tudo — disse o treinador, antes de tratar sobre o Al Hilal. — Temos de respeitá-lo, tem qualidades individuais e um bom coletivo, eles vão estar empolgados por jogar a final, mas nós também.
O Globo quarta, 08 de fevereiro de 2023
BEM-ESTAR: OS 3 MELHORES EXERCÍCIOS PARA TONIFICAR OS BRAÇOS DEPOIS DOS 50 ANOS
Os 3 melhores exercícios para tonificar os braços depois dos 50 anos
Quanto antes começar, melhor, pois com o passar dos anos
Por Victoria Vera Ziccardi, La Nacion
08/02/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
Flexões estão entre as opções práticas de exercícios, sem equipamento envolvidoFreepik
Aos 49 anos, a rainha Letizia da Espanha tornou-se uma referência fitness depois de usar roupas que revelam seus braços tonificados. A verdade é que treinar essa parte do corpo ao entrar na casa dos 50 anos se torna um desafio e, ao mesmo tempo, uma obsessão estética.
Os braços se tornaram o novo desafio tanto para mulheres quanto para homens. Se eles ainda não são definidos, é melhor começar o quanto antes, pois a deterioração é maior com o passar do tempo sem treinar.
— Todo músculo é treinável, você não vai conseguir aos 50 anos o mesmo resultado que um jovem de 20 anos consegue. Qualquer músculo que você não movimenta atrofia e se lesiona com o tempo, mas você reduz a probabilidade de ter lesões se se acostumar a fazer exercícios físicos — revela a médica do esporte Alejandra Hintze.
A especialista aponta que existem locais do corpo onde se acumula mais tecido adiposo do que em outros. Nas mulheres isso acontece nos quadris e tríceps, enquanto que nos homens é no abdômen.
— A questão é que nos homens a gordura intra-abdominal pode se tornar perigosa se for muito excessiva, por outro lado, nas mulheres a questão dos braços é algo puramente estético — esclarece.
Como tonificar os braços?
Para a profissional existem dois elementos essenciais a se levar em conta quando se pensa em treinar os braços: a gordura localizada e a forma correta de tonificar os músculos.
— Aquela frase que diz que quanto mais tonificados os músculos, mais a gordura diminui é um mito. Se fizer muito exercício de braço vai tonificar mas não diminuir — explica Hintze.
Da mesma forma, a médica diz que para perder gordura o que você tem que fazer um balanço energético negativo, ou seja, consumir menos calorias do que você gasta diariamente.
Por outro lado, se o que você realmente quer é tonificar e não reduzir a gordura dos braços, é recomendável fazer exercícios localizados para trabalhar essa área do corpo.
— O receio de ficar com os braços do Hulk é outro mito que existe com o treino. Um braço de algumas pessoas só fica gigante a esse ponto porque elas complementam o treinamento com outras coisas como proteínas especiais, anabolizantes ou simplesmente são pessoas que se dedicam ao fisiculturismo. Entre as pessoas comuns, quando o braço incha após o treino, é porque há uma maior concentração do sangue na região após exercitá-la — afirma Francisco Piperatta, um treinador conhecido como Oso Trainner.
Em relação a exercícios específicos de braços para fazer na academia ou em casa, Piperatta sugere os três a seguir:
1) Flexões
Saiba como fazer duas modalidades de flexões — Foto: Editoria de Arte
Estas podem ser feitas com o seu próprio peso e sem a necessidade de elementos externos. Tem duas posições: com os braços abertos para fora como um "sapo" para trabalhar o esterno e o peito; ou faça estilo fechado, onde a linha dos ombros segue os braços e trabalha tríceps e peito.
2) Paralelo
Conheça duas versões do exercício para os tríceps — Foto: Editoria de Arte
Este exercício trabalha tríceps e bíceps e pode ser praticado em academia ou em casa. Neste último caso, a elevação é feita colocando os pés em cima de uma cadeira e os braços, voltados para trás, em outra cadeira, então a pessoa fica "sentada" no ar e se inclina para baixo e faz força para subir, em forma de "L".
3) Rosca de bíceps
Para fazer rosca bíceps e elevação de ombro você vai precisar de um elástico — Foto: Editoria de Arte
Como o próprio nome indica, apenas o bíceps é trabalhado, mas de forma concentrada. É um exercício muito prático e eficaz, grandes resultados são alcançados se feito corretamente. O exercício é feito com elásticos longos.
— Você pisa nele com os dois pés e braços junto ao corpo e os alonga de baixo para cima, chegando até o ombro — detalha o treinador.
Segundo Piperatta, é bom treinar sem o auxílio de máquinas porque isso ajuda a fibra a trabalhar melhor e o sangue a dilatar mais.
— Quando você não usa pesos, tira o máximo proveito do seu próprio corpo — salienta.
Ele acrescenta que esportes como a natação, o tênis ou o ciclismo são excelentes para alternar com o treino de braços porque oxigenam o sangue e melhoram a resistência.
O Globo terça, 07 de fevereiro de 2023
CAMPEONATO CARIOCA: CANO, PEDRO RAUL E TIQUINHO DESENCANTAM
Artilheiros aliviados: Cano, Pedro Raul e Tiquinho desencantam e renovam esperanças de Fluminense, Vasco e Botafogo
Após começo de ano sem gols, Germán Cano, Tiquinho Soares e Pedro Raul fazem as pazes com as redes e ajudam a Fluminense, Botafogo e Vasco a reencontrarem caminho das boas atuações na atual temporada
07/02/2023 04h00 Atualizado há 5 horas
Cano, Pedro Raul e Tiquinho desencantam e renovam esperanças de Fluminense, Vasco e BotafogoEditoria de Arte
Ao marcar três vezes diante do Audax, domingo, no Maracanã, Germán Cano tirou um peso das costas e trouxe esperança para o Fluminense. Além de ter interrompido uma sequência de duas derrotas seguidas, o tricolor viu seu artilheiro reencontrando o caminho das redes após viver o maior jejum de gols com com a camisa do clube. Mas não foi apenas a equipe das Laranjeiras que viveu esta situação em 2023. Três dos quatro grandes do Rio também viram as secas de seus artilheiros — além de Cano, Pedro Raul (Vasco) e Tiquinho Soares (Botafogo) chegarem ao fim nos últimos jogos do Estadual, o que pode representar um futuro melhor na competição e no restante da temporada.
Cano precisou de cinco jogos para anotar seus primeiros gols no ano. Ele abriu a “porteira” com atuação de gala: foram logo três contra o Audax. O jejum ficou para trás e ele alcança números melhores do que o início de 2022. No ano passado, quando marcou 44 gols, o argentino precisou de 481 minutos para balançar as redes três vezes. Nesta temporada, atingiu a marca em 435 minutos.
— Sabia que em algum momento eu ia marcar gol. Não tenho problema com isso. Confio nas minhas condições — disse Cano.
O argentino não é fundamental apenas para o Fluminense marcar gols, mas para a construção das jogadas, ao lado de Jhon Arias e Paulo Henrique Ganso, principalmente. Se está mal, é uma engrenagem do esquema do técnico Fernando Diniz que não funciona. Bem marcado, pouco conseguiu construir nas rodadas inciais, o que coincide com as atuações ruins da equipe. Em seu melhor jogo, ajudou o Fluminense a conseguir uma vitória convincente.
O domingo também foi de gols e alívio para Tiquinho Soares. O centroavante alvinegro ficou quatro jogos sem marcar até desencantar contra o Boavista, marcando duas vezes na goleada de 4 a 0, em Brasília.
O planejamento do Botafogo, porém, já amenizava uma possível pressão sobre o atacante. O clube optou por escalar um time B nas rodadas iniciais do Carioca. Contra Madureira e Nova Iguaçu, Tiquinho entrou apenas no segundo tempo. Como titular, ele passou em branco diante do Volta Redonda e em um clássico, contra o Fluminense.
Tiquinho também foi importante para o alvinegro em 2022, na arrancada que fez o clube sonhar com uma vaga na Libertadores. Não falta crédito com a arquibancada para um dos nomes de confiança do técnico Luís Castro.
Pedro Raul havia sofrido com a seca de gols, mas se livrou do jejum um pouco antes, marcando duas vezes na quinta-feira, quando o Vasco goleou o Resende.
Principal reforço da 777 Partners, grupo que adquiriu o controle da SAF do Vasco, o centroavante se tornou uma das contratações mais caras da história do cruz-maltino. Ele foi adquirido por 2 milhões de dólares (cerca de R$ 10,5 milhões), pagos à vista ao Kashiwa Reysol. E nos primeiros jogos, incluindo os amistosos de pré-temporada nos Estados Unidos, passou em branco — com direito a um pênalti perdido no caminho, na derrota diante do Volta Redonda. As pazes com a torcida foram feitas nos 5 a 0 sobre o Resende, em São Januário.
O Globo segunda, 06 de fevereiro de 2023
GRAMMY: COM QUATRO TROFÉUS, BEYONCÉ DOMINA A FESTA DE PREMIAÇÃO EM 2023
Com quatro Grammys, Beyoncé domina a festa de premiação em 2023
Cantora perdeu, no entanto, o gramofone dourado de álbum do ano para o inglês Harry Styles
A cantora americana também foi a grande vencedora desta edição, com quatro gramofones dourados: os de melhor performance de r&b tradicional (por “Plastic off the sofá”), melhor música de r&b (“Cuff it”), melhor gravação de dance music eletrônica (“Break my soul”) e melhor disco de dance music eletrônica (“Renaissance”).
“Estou tentando não ser muito emotiva, estou tentando apenas receber esta noite”, disse Beyoncé, bastante emocionada, ao receber seu Grammy de número 32, por melhor álbum dance music eletrônica.
“Quero agradecer a Deus por me proteger. Obrigada, Deus. Gostaria de agradecer ao meu tio Johnny, que não está aqui, mas está aqui em espírito", continuou ela. "Gostaria de agradecer meus pais: meu pai, minha mãe, por me amarem e me incentivarem. Gostaria de agradecer ao meu lindo marido e as minhas três lindas crianças que estão em casa assistindo. Gostaria de agradecer à comunidade queer por seu amor e por inventar esse gênero”.
Kendrick Lamar recebe de Cardi B o Grammy de melhor álbum de rap — Foto: Getty Images/AFP
Grande vencedor da noite foi também o rapper Kendrick Lamar, que ganhou os Grammys de melhor canção e performance de rap (por “The heart part 5) e melhor álbum de rap (“Mr. Morale & The Big Steppers”). Em discurso, ele agradeceu sua família por lhe dar a "coragem e vulnerabilidade" para contar suas histórias, assim como seus fãs, por confiarem nele e nas suas histórias.
A cantora carioca Flora Purim, de 80 anos, que concorria ao prêmio de melhor álbum de jazz latino por “If you will” (disco que planejava ser o último de sua carreira) foi derrotada por “Fandango at The Wall In New York”, de Arturo O'Farrill & The Afro Latin Jazz Orchestra com The Congra Patria Son Jarocho Collective.
A noite começou com festa latina caliente comandada pelo astro do reggaeton Bad Bunny, que levou o prêmio de melhor disco de música urbana por "Un verano sin ti" - primeiro trabalho em espanhol a concorrer a álbum do ano.
Sua apresentação foi seguida pela da cantora country Brandi Carlile, que pouco antes vencera dois Grammys preliminares justamente por melhor performance de rock e melhor canção por “Broken horses”.
Os cantores Smokey Robinson e Stevie Wonder em homenagem à Motown no Grammy — Foto: Valerie Macon/AFP
E o palco pegou fogo logo depois com as participações de Stevie Wonder e de Smokey Robinson em uma homenagem à Motown, cantando clássicos como “Tears of a clown” e “Higher ground”, com a guitarra envenenada e os vocais do astro country Chris Stapleton.
No meio da festa, o prêmio Dr Dre de impacto global dado... a ao DJ e produtor Dr Dre foi a senha para o início de um grande espetáculo em homenagem aos 50 anos do rap.
Participaram nomes históricos como LL Cool J, Salt-N-Pepa, Public Enemy, Rakim, De La Soul, Scarface, Ice-T, Queen Latifah, Method Man, Big Boi, Busta Rhymes, Missy Elliott, Nelly e Too $hort, além de artistas de gerações mais novas como Lil Wayne e Glorilla.
Boas surpresas foram as vitórias dos veteranos Bonnie Raitt (73 anos, que levou o prêmio de música do ano, pela tocante “Just like that”) e Willie Nelson (89 anos, melhor álbum de country por “Live forever”). Ganhadora do Grammy de gravação do ano por “About damn time”, a cantora Lizzo explodiu de felicidade, aproveitando o discurso para dedicar o prêmio a Prince e derramar-se por Beyoncé.
O Globo domingo, 05 de fevereiro de 2023
CARNAVALESCO EDSON PEREIRA: *COMO SE ESTIVESSE RETRIBUINDO TUDO O QUE O CARNAVAL FEZ POR MIM*
Edson Pereira: ‘Como se estivesse retribuindo tudo o que o carnaval fez por mim’
Ex-morador de rua, carnavalesco estreia este ano no Salgueiro com enredo em que sua trajetória de vida acaba entrelaçada aos temas que serão abordados na Sapucaí
Por Rafael Galdo — Rio de Janeiro
05/02/2023 07h00 Atualizado há 52 minutos
Edson no barracão do Salgueiro: trajetória no carnaval iniciada em meados dos anos 1990Hermes de Paula
Em “Delírios de um paraíso vermelho”, enredo do Salgueiro deste ano, o carnavalesco Edson Pereira percebeu seu inconsciente ganhando forma de alegoria e fantasia. O desfile vai propor a folia como um éden da liberdade de expressão, de um basta aos preconceitos e à miséria, onde não é pecado ser feliz. Sem que ele premeditasse, criou um lugar onírico que, na versão da vida real, o acolheu ainda adolescente, quando foi morador de rua. Posto para fora de casa aos 13 anos por pais que não entendiam sua personalidade artística, o garoto de Bangu, na Zona Oeste do Rio, pediu emprego no barracão da União da Ilha do Governador. Como ele mesmo afirma, virou um “filho do carnaval”.
Eram meados dos anos 1990, e a primeira oportunidade veio como pintor da arte, na equipe do carnavalesco Chico Spinoza. Trabalhava para, à noite, voltar à sarjeta. Até que o porteiro da escola — Wilson, de quem ele não esquece o nome — se deu conta de que o novato não tinha para onde ir após o expediente. Ofereceu que Edson dormisse escondido no barracão. Eram mãos estendidas para que o jovem construísse seu caminho, ganhasse independência, virasse figurinista, com diploma na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, e se transformasse no carnavalesco reconhecido pela suntuosidade na Sapucaí.
— Eu era invisível para a sociedade. E me tornei visível. Sinto como se estivesse retribuindo tudo o que o carnaval fez por mim — diz Edson, hoje com 45 anos.
Ele conta que foi somente em sessões de terapia que atentou para o fato de estar tratando um pouco de si no enredo de sua estreia no Salgueiro. As fantasias de duas alas, diz Edson, evidenciam mais essa identificação: as dos miseráveis e as do moleques de rua — temática que, pela primeira vez, ele vai abordar em seus desfiles.
— Aos 7 anos eu trabalhava fazendo carreto na porta de mercados. Já em situação de rua, não tinha vergonha de esperar alguém terminar de comer para pedir o que sobrava. Mas, no carnaval, eu tive referências. E, do mesmo jeito que cheguei aonde estou, devemos agir para que crianças e jovens que perambulam pelas ruas tenham esperança no futuro — diz Edson.
Os encontros de suas experiências com os paraísos da vermelho e branco, no entanto, vão além. Para este ano, a inspiração nos enredos mais devaneadores de Joãosinho Trinta também estabelece esse diálogo: Edson trabalhou como figurinista do lendário carnavalesco em três carnavais da Unidos do Viradouro, entre eles o campeonato da agremiação em 1997. A mesma função exerceu com Milton Cunha, cuja tese “Paraísos e infernos na poética do enredo escrito de Joãosinho Trinta” esteve na base do desenvolvimento do espetáculo salgueirense que será visto daqui a duas semanas na Sapucaí.
Criatividade é luxo
Remonta ainda ao passado de Edson a opção por um carnaval mais sustentável em termos de materiais que vão parecer luxo na Avenida. Vai ter muito uso de produtos alternativos para “tirar da cabeça o que não se tem no bolso”. Serão quatro alas produzidas com cinco mil metros de sacos de lixo, decorados com lantejoulas, pintura de arte, placas de acetato reaproveitadas e restos de tecidos de carnavais anteriores.
Já no acervo do Salgueiro foram encontradas boias náuticas do campeonato da escola de 1993, com “Peguei um Ita no Norte”, do famoso samba “Explode coração”. Elas vão voltar ao Sambódromo este ano, como adereços na alegoria da Barca de Caronte. Na mitologia, explica Edson, a embarcação levava ao submundo os recém-mortos condenados pela sociedade, por exemplo, por se prostituirem ou serem homossexuais. Em seu desfile, os foliões na barca serão todos “descondenados”.
— Cada um pode ser o que quiser. Por que se preocupar com a religião do próximo? Gays não devem ser julgados, héteros também não. Quem diz o que é ou não é pecado? São questionamentos que estarão no desfile. Esse é um enredo de todos nós — afirma o artista, que é gay.
O “pecado original”, por exemplo, estará no abre-alas. Nele, Adão e Eva serão negros — historicamente, a causa contra o racismo é uma das mais caras ao Salgueiro —, representados pelo coreógrafo Carlinhos Salgueiro e pela musa Dandara Mariana. Nos bastidores, conta Edson, a escolha de Carlinhos para o personagem chegou a uma controvérsia que vai justamente no caminho contrário do que reivindica o enredo. Episódio, no entanto, que reforçaria a necessidade de se bater na tecla de questões sociais no carnaval.
— Chegaram a me dizer coisas como: ‘Vai botar o Carlinhos ali? Mas o Carlinhos é tão gay para ser o Adão’ — relata, com indignação, o artista.
Crimes homofóbicos, por sinal, estarão em pauta em outra alegoria do desfile, em que vão ser abordados vários tipos de violência, como a crescente onda de feminicídios.
— Não queria transformar o desfile numa coisa política. No entanto, o carnaval em si é uma manifestação política, mas não a suja — destaca Edson, exaltando o poder da celebração da Sapucaí no debate de temas que borbulham no dia a dia.
Nessa festa, além de pintor de arte e figurinista, o artista trabalhou na escultura, na carpintaria e na ferragem. Sua primeira chance como carnavalesco foi na Unidos de Padre Miguel, para o desfile de 2006, quando a escola ainda estava na quarta divisão da folia carioca. Entre idas e vindas, na última década ele assinou apresentações marcantes na vermelho e branco da Zona Oeste do Rio, muitas vezes apontadas pela crítica como carnavais de porte de Grupo Especial na Série Ouro, o atual grupo de acesso da Sapucaí. Neste ano de 2023, ele se divide entre o Salgueiro e a Padre Miguel, onde terá o enredo “Baião de Mouros”. Na Série Ouro, o artista foi ainda campeão pela Viradouro, em 2018.
Além disso, em 2020 e 2022, Edson foi carnavalesco em São Paulo, na Mocidade Alegre. No Grupo Especial do Rio, por sua vez, ele assinou desfiles de agremiações como a Renascer de Jacarepaguá, a Mocidade Independente e, de 2019 a 2022, a Vila Isabel.
Nessa trajetória, a grandiosidade das alegorias foi uma de suas principais marcas. Em 2019, seu abre-alas na Vila impressionou com 60 metros de comprimento. Em 2020, ele aumentou a aposta na abertura da azul e branco: eram três carros acoplados, totalizando 90 metros.
O Globo sábado, 04 de fevereiro de 2023
FUTEBOL: VINI JR. RESCINDE CONTRATO COM A NIKE E JOGA DE CHUTEIRA TODA PRETA
Vini Jr rescinde contrato com a Nike e joga de chuteira toda preta
Atacante do Real Madrid entrou com ação antes da Copa do Mundo
02/02/2023 17h25 Atualizado há 22 horas
Vini Jr de chuteira preta antes da partidaAFP
Vinicius Júnior rescindiu com a Nike. O atacante do Real Madrid e da seleção brasileira entrou em campo contra o Valênica de chuteiras pretas, sem a marca, nesta quinta-feira. A informação foi trazida pela ESPN.
O vínculo de Vinicius Junior com a Nike iria até 2028. A alegação do atacante foi de um tratamento injusto. Por exemplo, o fato de usar a chuteira mercurial da coleção antiga. O atacante também não participou de alguns eventos da empresa.
A ação foi movida antes da Copa do Mundo. No primeiro semestre de 2022, Vini Jr. já estava jogando a reta final da Liga dos Campeões com a chuteira antiga. A reportagem será atualizada mediante ao posicionamento da Nike. A equipe de Vinicius Júnior não quis se manifestar.
Uma das principais armas do Brasil na Copa do Mundo, Vinicius Junior está em alta no mercado publicitário. O jovem chegou recentemente a 12 patrocínios pessoais e foi um dos atletas da seleção brasileira com mais campanhas do Mundial do Catar.
O contrato mais recente foi assinado com o Zé Delivery, que se juntou com outras 10 marcas que já apoiavam Vinicius: Nike, EA Sports, Vivo, Casas Bahia, BetNacional, OneFootball, JetEngage, Golden Concept e Royaltiz e Pepsi.
O Globo sexta, 03 de fevereiro de 2023
CARNAVAL: LEXA ABRE TEMPORADA DE MEGABLOCOS DO CARNAVAL CARIOCA - VEJA A PROGRAMAÇÃO
Lexa abre temporada de megablocos do carnaval carioca, que terá mais de 50 blocos neste fim de semana; veja a programação
A cidade se prepara para dois dias intensos de atividade e terá rotina modificada para receber foliões em todas as regiões. Calendário ainda terá eventos e shows fechados
Por Carolina Callegari — Rio de Janeiro
03/02/2023 04h30 Atualizado há 55 minutos
Bloco da Lexa no Carnaval 2020 em São Paulo reuniu 500 mil pessoasRafael Cusato/Arquivo
Ainda faltam duas semanas para o carnaval — ao menos oficialmente — mas já tem bloco na rua, e não é de hoje. E nesse fim de semana não vai ser diferente. Apenas no calendário oficial da Riotur, mais de 40 cortejos vão animar todas as regiões da cidade. O grande destaque é o Bloco da Lexa, que estreia na folia carioca e, segundo estimativa da pasta, pode reunir 500 mil pessoas. Ele será o responsável por abrir a temporada dos megablocos, que teve alterações no calendário na última quarta-feira.
Lexa é quem abre o domingo, às 7h, no Centro do Rio, com concentração na Rua Primeiro de Março antes de percorrer a Avenida Presidente Vargas. Sucesso em São Paulo, onde reuniu 500 mil pessoas em 2020, o bloco chega à cidade carioca este ano, com hits antigos e novos da cantora, além de convidados especiais. O planejamento inicial era que Carrossel de Emoções abrisse a programação dos oito megablocos no sábado, mas, na última quarta-feira, a assessoria de Preta Gil anunciou o cancelamento do bloco da cantora, que estava programado para passar pelo Centro no dia 12. A data foi ocupada pelo Carrossel.
Nos próximos dois dias tem programação para todos os gostos e tipos, com blocos parados, temáticos, tradicionais e LGBTQIAP+. A promessa é que todo mundo se reúna — mesmo! Na Tijuca, na Zona Norte, o cortejo dogfriendly do blocão marca território mais uma vez. O tédio será combatido pelos super-heróis do Desliga da Justiça, no Centro. E a animação entra em pauta na passagem do Imprensa que eu Gamo, em Laranjeiras, na Zona Sul.
Quem não quiser deixar de ver a banda passar precisa ter atenção porque tem mudanças. Um dos que está com novo endereço é o Calma Amor, em Irajá, um dos destaques da Zona Norte do Rio.
E que tal curtir o desfile com vista para o mar? A Praia da Barra recebe o Carnaeco no sábado; os Amigos da Barra, que pode somar 20 mil foliões, se reúnem no domingo.
Na programação ainda há espaço para ensaio, como o das Carmelitas, que descem as ladeiras de Santa Teresa para ocupar a Praça Tiradentes, no Centro. Aos que preferem eventos em lugar fechado, há encontros em bar e até exibição de minidocumentário. Confira a programação:
O festival oferece, em seu primeiro dia, oficina de Make para carnaval (10h), Brincos Carnavalescos (14h) e Customização de Camisetas e Jeans (16h). Já a mostra de cinema e palestras terá , na sessão 1, “Pele de Pássaro” e “20 anos de suvaco” (16h); Palestra “Do folclore ao metaverso – o processo criativo no carnaval” com Milton Cunha e Leonardo Bruno (17h); e, na sessão 2, “Fantasias” e “Coração do Samba" (18h).
Carnaval de Bolso
Hora: a partir das 19h
Onde: Botequim Restaurante (Rua Visconde de Caravelas, 22), Botafogo, Zona Sul
O show tem um repertório de marchinhas e sambas carnavalescos comandado pelo quarteto Pedro Paulo Malta (voz), Henrique Cazes (cavaquinho), Luís Filipe de Lima (violão de sete cordas) e Beto Cazes (percussão). Eles integraram o elenco do premiado musical “Sassaricando – e o Rio inventou a marchinha”, que, com direção musical de Luís Filipe de Lima, ficou em cartaz por mais de uma década e cumpriu turnês nacionais e internacionais. Reservas pelo WhatsApp (21) 99166-1134. Couvert artístico R$ 40.
Sábado, dia 4
Banda da Rua do Mercado
Hora: concentração às 14h; início às 16h
Onde: Rua do Mercado, 23, Centro, Região Central
A banda foi fundada em 1998 para homenagear os trabalhadores do Centro do Rio e, desde o início, estiveram presentes profissionais de diferentes profissões, como jornalistas, operadores do mercado financeiro, comerciantes, profissionais liberais e estudantes.
Blocão da Tijuca
Hora: concentração às 9h; início às 10h
Onde: Praça Saenz Peña, Tijuca, Zona Norte
Surgiu em 2014 a partir de uma vontade de promover um "carnaval animal". Totalmente dogfriendly, o bloco é uma alternativa para quem gosta de levar o bichinho em todos os passeios de família.
Bloco da Praia
Hora: concentração às 18h; início às 20h
Onde: Rua Barros de Alarcão, 464, Pedra de Guaratiba, Zona Oeste
O encontro reúne principalmente os moradores do entorno.
Calma amor
Hora: concentração às 16h; início às 20h
Onde: Aenida. Monsenhor Félix (Rua dos Bancos), Irajá, Zona Norte
Um dos grupos de destaque da Zona Norte, agora tem novo endereço no Centro de Irajá.
Carnaeco
Hora: concentração às 13h; início às 14h
Onde: Av. Lucio Costa 3.360 (Posto 5), Barra da Tijuca, Zona Oeste
Fundado em 2013, volta às ruas da Barra após três anos sem desfilar.
Carnavraaau
Hora: concentração às 16h; início às 17h
Onde: Rua Ladeira do Livramento, 51, Saúde, Região Central
O bloco leva seu batuque para o berço do samba na cidade do Rio, o bairro da Saúde, na Zona Portuária.
Cordão do Prata Preta
Hora: concentração às 17h; início às 17h
Onde: Praça da Harmonia, Gamboa, Região Central
O cortejo foi fundado em 2004 para reviver o carnaval de rua da Zona Portuária do Rio, ao ficar concentrado na Praça da Harmonia, na Gamboa.
Desliga da Justiça
Hora: concentração às 8h; início às 10h
Onde: Praça Tiradentes, Centro, Região Central
Heróis, heroínas, vilões e personagens do cortejo vão combater o tédio com super-poderes da folia em novo endereço para esse carnaval, no Centro da cidade.
Fala meu louro
Hora: concentração às 15h; início às 17h
Onde: Rua Waldemar Dutra, 19, Santo Cristo, Região Central
Seu início se deu por conta de uma brincadeira da Banda do Louro, composta por amigos que se reuniam com instrumentos e fantasias improvisadas durante o carnaval.
GB Bloco
Hora: concentração às 13h; início às 15h
Onde: Rua General Glicerio, 206, Laranjeiras, Zona Sul
Laranjeiras vai ficar verde e laranja com o bloco criado por um grupo de amigos para exaltar o carnaval do Rio. O desfile é um convite para as famílias, que sempre dão o tom da festa, que também foi inspirada na folia de Pernambuco.
Gordelícia
Hora: concentração às 13h; início às 17h
Onde: Rua Leopoldina, 3, Piedade, Zona Norte
A bateria Pegada Suburbana promete levar os foliões para um passeio pelo bairro, acompanhado por um trio elétrico.
H Romeu Pinto
Hora: concentração às 14h; início às 17h
Onde: Rua Carumbé, 326, Realengo, Zona Oeste
O bom humor dá o tom do desfile, que percorre as ruas de Realengo, na Zona Oeste da cidade, no bloco que já se tornou tradicional.
Imprensa que eu Gamo
Hora: concentração às 13h; início às 15h
Onde: Rua Gago Coutinho, 51, Laranjeiras, Zona Sul
Há 28 anos, o bloco formado por jornalistas desfila pelas ruas das Laranjeiras, da Gago Coutinho até o Mercadinho São José.
Já comi pior pagando
Hora: concentração às 16h; início às 16h
Onde: Rua Leite de Abreu, 10, Tijuca, Zona Norte
Com público de todas as idades, o bloco privilegia as marchinhas de diferentes épocas.
Lambabloco
Hora: concentração às 8h; início às 9h30
Onde: Praça dos Estivadores, Centro, Região Central
O bloco mata a saudade depois de dois anos longe da folia e promete não deixar os foliões parados trazendo de volta uma nostalgia e a agitação das aulas de lambaeróbica que foram febre nas academias.
Liga de Blocos e Bandas da Zona Portuária
Hora: concentração às 10h; início às 11h
Onde: Rua Ladeira do Livramento, 51,Centro, Região Central
A folia de rua é celebrada em um dos pontos mais tradicionais da cidade, na histórica Ladeira do Livramento, na Zona Portuária do Rio.
Minha Raiz
Hora: concentração às 8h; início às 9h
Onde: Rua Visconde de Intamarati, 42, Maracanã, Zona Norte
O tricolor das Laranjeiras vai ser homenageado no Maracanã, mas, no lugar de bola rolando, bloco na rua. O grupo foi criado por torcedores do Fluminense para exaltar a história do time.
Mistura de Santa
Hora: concentração às 17h; início às 18h
Onde: Mirante do Rato Molhado, Santa Teresa, Região Central
No sobe e desce das ladeiras de Santa Teresa, o bloco vai aparesentar o enredo “Tambores de Ogum, Mistura abre os caminhos”.
Panela Preta de Curicica
Hora: concentração às 16h; início às 17h
Onde: Rua João Bruno Lobo, 38, Curicica, Zona Oeste
Com influência de escolas de samba e nomes de destaque da música brasileira, como Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Beth Carvalho, o desfile ganha as ruas de Curicica, na Zona Oeste do Rio, com uma programação para toda família.
Seu Kuka é eu do Grajaú
Hora: concentração às 16h; início às 18h
Onde: Praça Professor Francisco Daurea, Grajaú, Zona Norte
Como já é tradição, a Bateria Doidona tocará também composições criadas pelos integrantes do bloco, fundado em 2006.
Spanta Neném
Hora: concentração às 11h; início às 13h
Onde: Ciclovia da Lagoa (Av. Epitácio Pessoa), Lagoa, Zona Sul
A Lagoa Rodrigo de Freitas vai ficar mais uma vez colorida com a passagem do bloco. Na rua há 20 anos, foi criado para exaltar o carnaval carioca e a bela vista da lagoa. Com mistura de ritmos, o bloco virou até evento, se tornando um festival de música, para ter muitos mais dias de carnaval na cidade.
Vizinhos de Noel
Hora: concentração às 14h; início às 16h
Onde: Rua Felipe Camarão, 12, Vila Isabel, Zona Norte
Filho das ruas de Vila Isabel, o bloco comanda os corações dos foliões com a nostalgia trazida pelo bairro. Tudo isso, ao som do samba, característico dos bambas da região.
Vou treinar e volto já
Hora: concentração às 15h; início às 17h
Onde: Rua Martins Pena, Tijuca, Zona Norte
Criado pelo Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ), o bloco une os amantes dos esportes.
Bloco Barbas
Hora: às 16h
Onde: CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, Centro)
Exibição do minidocumentário “Barbas: o bar que virou bloco”, sob a direção de Bruno Caetano. Faz parte da mostra de Filmes sobre Carnaval/Samba do Casa Bloco 2023.
Carmelitas
Hora: início às 18h; término às 22h
Onde: Casarão do Firmino (Rua da Relação, 19, Centro, Região Central)
O tradicional bloco desce as ladeira de Santa Teresa e ocupa a casa para um ensaio antes do desfile oficial.
Que Merda é Essa?
Hora: início às 18h; término às 22h
Onde: Bar Paz e Amor (Rua Garcia D`Ávila, 173, Ipanema, Zona Sul)
Ensaio do bloco que foi ganhando força no carnaval desde o seu primeiro desfile, em 1995. Bom humor e irreverência fazem parte da brincadeira.
Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou!
Hora: início às 14h; término às 18h
Onde: Rua do Lavradio, 20, Centro, Região Central
Comemoração dos 18 anos do bloco no Rio Scenarium e lançamento da camisa oficial
A Rocha da Gávea
Hora: a partir das 14h
Onde: Pedra do Sal (Rua Tia Ciata, Saúde)
O bloco sai da Gávea, na Zona Sul, para ocupar o bairro da Saúde em um ensaio aberto do bloco. Fundado por ex-alunos do curso de Geografia da PUC há 21 anos, virou um bloco de amigos com amigos dos amigos, com sambas-enredo e algumas músicas em ritmo de carnaval.
Bloco aí sim
Hora: a partir das 14h
Onde: Ponto de Cultura Escambo Cultural (Av. Albérico Diniz, 1657, Jardim Sulacap, Zona Oeste)
O bloco faz uma homenagem à banda de rock Forfun, mas em ritmo de caranval, claro.
O Bloco do Zeca
Hora: a partir das 15h
Onde: Praça do Samba, Glória, Zona Sul
O bloco criado em homenagem a Zeca Pagodinho faz um ensaio na Glória no dia do aniversário do artista. O grupo estreia neste carnaval.
Só Toca Bloco
Hora: a partir das 15h
Onde: Pedra do Leme, Leme, Zona Sul
O grupo faz seu ensaio aberto com vista privilegiada para o mar do Leme. Fundado pelo músico percussionista Fábio Florêncio em 2019 com o propósito de unir todas as tribos através da música.
NossoBloco
Hora: a partir das 15h
Onde: Rua do senado, 47, Centro, Região Central
Às 13h, começa a ser servida a feijoada e, em seguida, para gastar a energia, vem a festa do bloco no pré-carnaval.
Órfãos do Brizola
Hora: a partir das 16h
Onde: Rua do Teatro (ao lado do Teatro João Caetano), Centro, Região Central
O bloco faz seu primeiro ensaio no mês de fevereiro, levando a política e a crítica social para as ruas.
Noites do Norte
Hora: a partir das 17h
Onde: Quiosque Ginga, na Praia do Leme, Leme, Zona Sul
O grupo faz um ensaio aberto em homenagem a Yemanja, de frente pra praia.
Me chama de Carnaval
Hora: a partir das 23h
Onde: no Centro, local a definir
O primeiro encontro do evento vai reunir diferentes grupos para animar até o fim da madrugada de domingo. Vão se apresentar, Saymos do Egyto, Bunytos de Corpo, Carla Ferraz (Minha Luz é de Led), Gui Serrano (residente) e GRES Academicos da Rocinha. R$ 25 (segundo lote)
Festival CasaBloco
Hora: das 20h às 4h
Onde: Clube Monte Líbano (Av. Borges de Medeiros, 701), Lagoa, Zona Sul
A programação do dia é típica do carnaval, com o tema "Abre Alas: o baile". As atrações são: Filhos de Gandhi, Sambotica, Juliana Linhares, Baile da Orquestra Imperial com Fernanda Abreu e Gaby Amarantos, Bloco Quizomba e DJ Marcelinho da Lua. Ao mesmo tempo será realizada a feira “A RUA é nossa!”. Classificação: 18 anos. Ingresso: a partir de R$ 70 (meia entrada)
O Globo quinta, 02 de fevereiro de 2023
GLÓRIA MARIA SE ENCANTOU: JORNALISTA E APRESENTADORA MORRE AOS 73 ANOS
Morre a jornalista e apresentadora Glória Maria
Ela estava internada na zona Sul do Rio, tratando um câncer, e deixa duas filhas
Por O Globo — Rio de Janeiro
02/02/2023 08h56 Atualizado em 31 minutos
Glória Maria (1949-2023)Divulgação / TV Globo
Morreu na manhã desta quinta-feira (2), aos 73 anos, a jornalista e apresentadora Glória Maria, em decorrência de um câncer no cérebro. Ela estava internada no hospital Copa Star, na zona Sul do Rio. Glória deixa duas filhas, Maria e Laura.
Em 2019, Gloria Maria foi diagnosticada com um câncer de pulmão. Depois, sofreu metástase para o cérebro e teve de passar por uma cirurgia. A apresentadora vinha fazendo tratamento com radioterapia e imunoterapia.
A jornalista estava afastada do "Globo Repórter" há mais de três meses, por conta do tratamento. O último programa apresentado por ela foi a edição do dia 5 de agosto de 2022. Ela trabalhava no "Globo Repórter" há 12 anos.
Precursora
Nascida em Vila Isabel, zona Norte do Rio, filha do alfaiate Cosme Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta, Glória Maria Matta da Silva se formou em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e entrou na TV Globo como rádio-escuta na editoria Rio da emissora. Mais tarde, foi efetivada como repórter. Sua primeira entrada ao vivo foi em 1971, na cobertura do desabamento do Elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro. Ela também foi a primeira repórter a entrar ao vivo na primeira matéria a cores do "Jornal Nacional", em 1977.
Relembre momentos de Glória Maria
Entrevistas icônicas e lugares exóticos
Mais tarde, ela virou âncora de programas como "RJTV", "Jornal Hoje", "Bom dia Rio" e "Fantástico". Este último, aliás, ela apresentou por um longo período, de 1998 a 2007, embora já fizesse parte da equipe desde 1986. No "Fantástico", Glória Maria entrevistou diversas personalidades como Michael Jackson, Harrison Ford, Nicole Kidman, Leonardo Di Caprio e Madonna.
Também ficou conhecida por matérias especiais em lugares exóticos, tendo visitado mais de 100 países, e participou de coberturas históricas como a guerra das Malvinas (1982), a invasão da embaixada brasileira do Peru por um grupo terrorista (1996), os Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e a Copa do Mundo na França (1998), entre outras.
Em 2007, ao lado do repórter cinematográfico Lúcio Rodrigues, ela bateu outra marca, realizando a primeira transmissão em HD da televisão brasileira. Foi uma reportagem para o "Fantástico" sobre a Festa do Pequi, fruta de cor amarela reverenciada pelos índios Kamaiurás, no Alto Xingu.
Coberturas importantes de Glória Maria
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O Globo quarta, 01 de fevereiro de 2023
BEM-ESTAR: COMO FAÇO PARA PERDER 40 KG?
Como faço para perder 40kg?
Pense em mudar o estilo de vida aos poucos, um dia de cada vez, um quilo de cada vez. Escolha a atividade física que você vai conseguir dar regularidade
Por Marcio Atalla
01/02/2023 04h30 Atualizado em um minuto
A musculação pode ser utilizada como uma atividade terapêuticaUnsplash
Recebi uma mensagem com a seguinte pergunta: “Tenho 121 kg, 1,79 de altura e sou sedentário. É possível perder 40 kg fazendo exercícios?”
Adorei essa pergunta, porque percebo que as pessoas associam a questão do emagrecimento com “ter fazer dieta”, cortar alimentos, passar fome, sofrer. Então eu respondo: sim, só é possível emagrecer fazendo exercícios, na verdade. Calma, pessoal!! Claro, que a alimentação tem um papel importante, mas não é mais importante que o exercício.
E vou explicar o porquê. Quando fazemos exercícios ativamos nosso corpo e aumentamos nosso gasto calórico, não apenas durante o momento da atividade física, mas também em repouso. Esse gasto em repouso, o chamado metabolismo basal, que é a quantidade de calorias que precisamos apenas para nos manter vivos, vai aumentando ao passo que nos tornamos fisicamente ativos e que vamos ganhando massa muscular. A massa magra consome 4 vezes mais energia que a massa gorda, logo, trocar gordura por músculos é um ótimo caminho para emagrecer. Os exercícios aeróbicos também são eficientes, sobretudo nesse primeiro momento. Eles promovem uma queima calórica mais imediata, diferentemente do gasto calórico que a musculação vai gerar, que acontece num prazo mais longo.
Do contrário, fazer dieta pode jogar nosso metabolismo pra baixo, porque reduzir o consumo de calorias é entendido pelo nosso corpo como privação, e ele passa a trabalhar mais lentamente para gastar menos, efeito exatamente contrário que o exercício físico promove. Por isso, fazer apenas dieta, na maior parte das vezes, não funciona. Além de que pode gerar compulsão, irritação, e até mesmo, transtornos alimentares. O importante é ter uma atenção na escolha dos alimentos, procurando se alimentar com comida de verdade (arroz, feijão, carnes, grãos, legumes, verduras, laticínios) e reduzir as quantidades em cerca de 10%. E sempre manter a regularidade no exercício físico.
Voltando à questão de ganhar músculos, não é fácil e nem rápido, e o exercício de força resistida é a melhor opção, como a musculação, por exemplo. O consumo de proteína adequado também vai fazer a diferença. Isso não significa que quanto mais proteína, melhor! Existe uma quantidade ótima de proteína que o corpo absorve e não acumula. A conta é simples: para cada 1kg de peso corporal, entre 1,2 a 1,6 gramas de proteína. Para uma pessoa que pesa 120 kg, por exemplo, será necessário consumir entre 150 e 190 gramas de proteína por dia. Mas atenção: essa quantidade deve ir reduzindo conforme for acontecendo a perda de peso e de gordura.
De volta à atividade física, o exercício melhora muitas funções do nosso corpo e os principais benefícios estão relacionados com a saúde mental e emocional. Melhora o estresse, ansiedade, humor, sono, autoestima, até mesmo raciocínio, foco e cognição. Parece que estou jogando palavras para fazer a “propaganda” do bem que o exercício físico faz, mas cada uma dessas palavras que estão nas linhas acima, foram cientificamente comprovadas com ganhos extremamente importantes, ainda mais significativos que a própria saúde física. Então, fazer algo que melhora todo o funcionamento do corpo e mente não seria melhor do que focar apenas em soluções que geram privação e limitação?
Mas emagrecer exige calma e determinação. Pense em quanto tempo você levou para ganhar os quilos que quer perder. Então tem que ser aos poucos para dar certo. Não adianta fazer 100 abdominais e levantar a camisa no espelho esperando ver a barriga “trincada”. E quando não achar essa imagem, ficar frustrado e querer desistir. Isso seria mágica. E mágicas não acontecem.
Acho que uma dica valiosa para quem quer iniciar um processo de emagrecimento é deixar um pouco de lado o número: no caso, aqui, seriam quarenta quilos. Pense em mudar o estilo de vida aos poucos, um dia de cada vez, um quilo de cada vez. Escolha a atividade física que você vai conseguir dar regularidade. Pense melhor ao escolher os alimentos e a quantidade das próximas refeições. Tente dormir bem e pelo menos 7 horas por noite. O mais importante nesse processo é criar os novos hábitos que farão parte da sua vida.
O Globo terça, 31 de janeiro de 2023
ELTON JOHN: TURNÊ DE DESPEDIDA DO ASTRO BATE RECORDE DE MAIOR BILHETERIA DE TODOS OS TEMPOS
Turnê de despedida de Elton John bate recorde de maior bilheteria de todos os tempos
Desde 2018, 'Farewell yellow brick road' já passou por 278 estádios e arenas pelo mundo
Por O Globo — Rio de Janeiro
31/01/2023 10h18 Atualizado em 37 minutos
Elton JohnAgência O Globo
Elton John está se despedindo dos palcos em grande estilo. Batizada de "Farewell yellow brick road", a última turnê do astro bateu o recorde de maior bilheteria de todos os tempos. Foram arrecadados até agora mais de 664 milhões de libras — cerca de R$ 4,1 bilhões.
A turnê derradeira do músico britânico estreou em setembro de 2018, mas foi interrompida pela pandemia e retornou em janeiro do ano passado. Até aqui, foram 278 shows nos Estados Unidos, Europa e Oceania. Antes, a marca de maior bilheteria de uma turnê era de Ed Sheeran, que faturou 630,5 milhões de libras com "The divide tour". Sheeran, por sua vez, havia ultrapassado o U2, antigo dono do posto com "The 360° tour".
Inicialmente, a "Farewell yellow brick road" previa cerca de 300 shows pelo mundo. Em 2018, numa coletiva em Nova York, Elton John anunciou que se aposentaria dos palcos definitivamente para cuidar dos filhos — ele é pai de Zachary (de 11 anos) e Elijah (de 9), frutos de seu casamento com o diretor de cinema canadense David Furnish.
À época do anúncio, Elton John afirmou que gostaria de continuar produzindo, compondo e gravando discos. "Não quero deixar a cena com um gemido, mas com uma grande explosão", prometeu o cantor. "Espero ser criativo até a morte."
O Globo segunda, 30 de janeiro de 2023
MC CABELINHO: RAPPER DO PAVÃO-PAVÃOZINHO DOMINA A INTERNET COM O ÁLBUM *LITTLE LOVE*
MC Cabelinho: ‘Tá na hora de curtir, de mostrar mesmo que venci’
Rapper do Pavão-Pavãozinho domina a internet com o álbum ‘LITTLE LOVE’, atua na novela ‘Vai na fé’, prepara música com Anitta e sonha com carreira no exterior: ‘Quero experimentar cantar em inglês’
Por Silvio Essinger — Rio de Janeiro
30/01/2023 04h51 Atualizado há 4 horas
O MC CabelinhoGuito Moreto
A maior inspiração artística, o MC Cabelinho não se contentou em tatuar apenas uma vez – ele tem nada menos que quatro representações da cantora inglesa Amy Winehouse (1983-2011) espalhadas pelo corpo. No antebraço esquerdo, há o rosto de uma Amy adulta e um outro da artista aos cinco anos de idade. Pouco abaixo da orelha esquerda, está escrito “Amy”. E do lado esquerdo do peito, salta aos olhos a imagem de uma Marge Winehouse – improvável fusão da trovadora dos corações dilacerados com a matriarca do desenho animado “Os Simpsons”.
— A Amy escreveu sobre tudo que ela viveu, tudo que ela falava nas músicas era real. Ela era muito autêntica, é a voz mais original que eu ouvi até hoje. Eu me identifiquei muito com a Amy, ela não tinha vergonha de falar do sentimento dela nas músicas. Acredito até que o “LITTLE LOVE” tenha influência dela — admite o carioca de 26 anos, fazendo referência ao disco que lançou no apagar das luzes de 2022, e que teve a melhor estreia de um álbum de rap na história do Spotify Brasil.
Sexta maior estreia geral de álbum na plataforma no país, com 5,4 milhões de streams, “LITTLE LOVE” ainda fez história no trap nacional ao emplacar 11 de suas 13 faixas no Top 50 Brasil do Spotify. Depois do sucesso com o álbum “LITTLE HAIR”, de 2021 (que teve os hits “Essência de cria” e “X1”), o MC Cabelinho não sossegou e acabou lançando o novo álbum exato um ano depois do anterior.
— Depois que terminei o “LITTLE HAIR”, percebi que eu estava escrevendo várias love songs. No meio do ano, eu já estava com oito músicas prontas, e até dezembro, quando resolvi lançar o disco, apareceram outras — conta ele. — Eu tinha terminado meu antigo relacionamento e depois disso fiquei com várias minas. Tava solteiro, enfim, e tive experiências que me fizeram escrever o “LITTLE LOVE”. Ele é um disco de amor pequeno, de amor de fim de noite, aquele amor que acaba rápido.
Educação sentimental
Espécie de “Back to black” (o clássico álbum de Amy Winehouse) versão Cabelinho, o disco fala, em suas músicas, de tudo um pouco: do sexo matinal (“é o bagulho depois das resenhas”, explica) e dos casos inconsequentes (“prazer te receber na minha casa / a foda certa com a pessoa errada”, canta o MC em “Sexy”) às fraquezas emocionais (“eu sou maluco, neurótico e possessivo”, confessa em “Valho nada”) e os cuidados a se tomar enquanto pessoa pública (“não vamos falar, postar aquilo que rola entre a gente / melhor viver, saber aproveitar tudo intensamente”, sugere ele em “Grifinória”):
—Eu me envolvia com várias pessoas nas festas e todo mundo tava com celular na mão. Não queria que ficasse saindo bagulho meu em site de fofoca, mas saiu algumas vezes. O tanto que eu podia me prevenir, eu me preveni.
Mas na última faixa do disco, “A minha cura”, a coisa muda de figura. “Quem diria que o Cabelinho uma hora ia falar de amor?”, canta ele na romântica canção – a única do disco inspirada pela atriz Bella Campos, a Muda de “Pantanal" e agora protagonista de "Vai na fé", com a qual namora há quatro meses.
O Globo domingo, 29 de janeiro de 2023
BEM-ESTAR: DOR NO NERVO CIÁTICO - OS 5 MELHORES EXERCÍCIOS PARA ALIVIAR O PROBLEMA
Dor no nervo ciático: os 5 melhores exercícios para aliviar o problema
Fortalecimento da lombar e do abdômen ajuda a prevenir problema
Por Melanie Shulman, La Nacion
29/01/2023 04h30 Atualizado há 6 horas
Rotação da lombar pode ajudar a prevenir e aliviar a dor do nervo ciático.Pexels
A dor ciática não costuma passar. Ouvir alguém dizer que sofre desse desconforto tornou-se comum nos tempos atuais, situação que leva à perda de qualidade de vida e à limitação na realização de diversas atividades. É um mal intenso, produzido pela inflamação do nervo ciático, que se localiza desde a parte inferior da coluna, mais especificamente na região lombar, até os dedos dos pés.
Mas, quais são os motivos que desencadeiam essa patologia? Alejandra Hintze, médica do esporte e membro do conselho de administração da Associação Argentina de Médicos do Esporte, explica que é consequência de uma hérnia de disco, vértebra deslocada, tumor "ou qualquer coisa que comprima a raiz do nervo" .
Quando isso ocorre, mais de uma resposta pode ser gerada e seus sintomas incluem dor aguda que pode dificultar a postura ou o andar, dormência em uma das pernas e sensação de formigamento e queimação que desce por uma das pernas. A intensidade é relativa, varia de pessoa para pessoa.
— O nervo é formado por duas partes: A parte motora, que é central, e a parte sensitiva, que fica na periferia e atua como protetora. Então, uma alteração em qualquer uma dessas áreas vai gerar um desequilíbrio — detalha Hintze.
E embora em alguns casos esse quadro possa ser complicado ou mesmo ser o gatilho para diversos problemas colaterais, a verdade é que costuma ser algo temporário e pode durar alguns dias ou semanas. De acordo com Hintze, as pessoas mais predispostas a sofrer com isso são os idosos, pois seu sistema ósseo está enfraquecido, e os que estão acima do peso e sofrem alterações na coluna.
A vida laboral é um fator que tem grande incidência nesta patologia. O fato de ficar tanto tempo sentado na mesma posição faz com que a carga corporal se localize na região ciática, assim como o fato de passar muitas horas ao volante dirigindo. Por fim, a médica destaca o diabetes como outro possível fator de risco:
— A forma como o corpo utiliza o açúcar durante essa doença aumenta o risco de alterações nos nervos.
Mas uma notícia animadora é que existe uma série de orientações que podem ser realizadas, que atuam como prevenção.
— A inflamação do nervo ciático é evitada cuidando da postura, ao caminhar, sentar, até ao dormir — afirma Gaby Galvé, criadora do método "Bem-estar em movimento".
E para proteger a região, ela recomenda a prática de atividade física, principalmente aquelas práticas nas quais é necessário desenvolver a consciência corporal “para estarmos mais atentos às nossas posturas nos movimentos diários”, acrescenta Galvé.
O fundamental é fazer questão de fortalecer o corpo, mais especificamente a região do core, ou seja, os músculos entre os ombros e a pelve, porque para evitar esse mal a chave é ter uma musculatura abdominal sólida para suportar o peso do corpo, comenta Hintze.
Portanto, esta área deve ser protegida previamente para evitar o desenvolvimento da dor no ciático. Para isso, Galvé recomenda estar atento aos movimentos do corpo e não carregar muito peso.
— Caminhe com a coluna reta e mantenha uma tensão abdominal mínima, durma com um travesseiro entre as pernas se dormir de lado ou sob os joelhos se dormir de costas, dobre as pernas ao lavar a louça se a pia for muito baixa e também para tirar o peso do chão — aconselha.
Como prevenir e aliviar a dor
Embora existam várias causas e ainda não exista uma fórmula mágica para prevenir a dor no nervo ciático, exercícios simples e dinâmicos podem ser usados para cuidar dessa área do corpo e restaurar a vitalidade. A seguir, Galvé oferece cinco atividades para fazer três séries de dez repetições cada:
Exercício de pernas
Deite-se com o rosto para cima.
Estenda uma perna e dobre a outra em direção ao peito.
Repita com a perna oposta.
Mantenha a postura por 20 segundos.
Exercício alivia a dor do nervo ciático — Foto: Pexels
Flexão do joelho
Deite-se de costas com os joelhos dobrados.
Coloque o tornozelo direito no joelho esquerdo.
Segure esse joelho com as duas mãos e tire o pé esquerdo do chão, aproximando as pernas do peito.
Repita o movimento com a perna oposta.
Mantenha a postura por 20 segundos.
Alongamento diminui a dor lombar — Foto: Freepik.com
Isquiotibiais (posterior de coxa)
Sente-se no chão com as costas retas e as pernas esticadas.
Incline-se suavemente para a frente até agarrar os pés.
No caso de não chegar, pode-se buscar auxílio em uma toalha, por exemplo, colocando-a na sola dos pés.
Mantenha a postura por 30 segundos.
Abrace os joelhos e mantenha-os próximo ao peito — Foto: Freepik.com
Joelhos juntos perto do peito
Deite-se de costas com as pernas dobradas e os braços apoiados nos joelhos.
Mova suavemente para os lados.
Faça devagar.
Rotação lombar para aliviar dor de nervo ciático — Foto: Pexels
Rotação de lombar
Sente-se no chão com os pés esticados à sua frente.
Dobre uma perna e cruze a outra sobre ela.
Gire o corpo ao contrário da perna dobrada.
Mantenha a posição por 10 segundos.
Repita os movimentos com a outra perna.
O Globo sábado, 28 de janeiro de 2023
SUPERCOPA DO BRASIL: PALMEIRAS X FLAMENGO - VENCEDOR LEVARÁ R$ 10 MILHÕES PARA CASA
Flamengo e Palmeiras: vencedor da Supercopa do Brasil levará R$ 10 milhões para casa
Com premiação mais alta da história do torneio, os clubes vão se enfrentar no estádio Mané Garrincha, em Brasília, neste sábado
Por Leonardo Nogueira — Rio de Janeiro
27/01/2023 20h37 Atualizado há 10 horas
Taça da Supercopa do BrasilLucas Figueiredo/CBF
Com premiação mais alta da história do torneio, Flamengo e Palmeiras vão se enfrentar, neste sábado, pela Supercopa do Brasil e o vencedor vai levar R$ 10 milhões para casa. Já o vice, ficará com R$ 5 milhões. Os valores somam mais que o dobro de 2022, ano em que o Atlético Mineiro foi o campeão.
A premiação histórica conta também com o reconhecimento financeiro da Conmebol, que distribuirá 1 milhão de dólares (R$ 5 milhões na cotação atual) para compor o fundo que premia os clubes campeões das entidade filiadas.
A competição, que foi criada em 2019 com o objetivo de marcar de forma simbólica a abertura da temporada do futebol brasileiro, é disputada pelos campeões da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.
Em 2022, o Atlético Mineiro ganhou um valor em torno de R$ 5 milhões por vencer a competição nos pênaltis em cima do Flamengo, que ficou com o vice-campeonato, e levou R$ 2 milhões.
Além da bolada em dinheiro e como o maior simbolismo da competição, o campeão da Supercopa também fatura a tradicional taça em prata e 50 medalhas douradas para jogadores, comissão técnica e dirigentes. O segundo colocado levará apenas medalhas prateadas.
O Flamengo é o único clube que jogou todas as edições da Supercopa. Na primeira, ganhou do Athletico-PR; na segunda, derrotou o Palmeiras e, na última, foi vencido pelo Atlético-MG.
O Globo sexta, 27 de janeiro de 2023
FUTEBOL: PRESENÇA DE JOGADORES ESTRANGEIROS QUALIFICA O FUTEBOL BRASILEIRO
Presença de jogadores estrangeiros qualifica o futebol brasileiro
É preciso adequar as regras ao que o mercado já consolidou como realidade: o Brasil é um destino atraente tanto para jovens promissores como para veteranos consagrados
Por Martin Fernandez
27/01/2023 03h30 Atualizado há 5 horas
O uruguaio Luis Suárez comemora gol pelo GrêmioLUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
Chegou a hora de a CBF rever um ponto específico de seu Regulamento Geral de Competições, para permitir que os clubes inscrevam mais jogadores estrangeiros. Hoje este limite é de cinco, que podem ser distribuídos em qualquer proporção entre os jogadores em campo e no banco de reservas. A última alteração ocorreu em 2013, quando o limite aumentou de três para cinco.
Nos últimos dez anos a situação mudou muito. O Brasil se consolidou como um mercado comprador. Estão aqui os melhores jogadores sul-americanos que não atuam na Europa. O continente que concentra a elite do jogo está saturado, como prova a grande quantidade de jogadores muito jovens que estão voltando ao Brasil depois de alguma experiência por lá (é um absurdo falar em “fracasso”, mas isso é tema para outra coluna).
Assim como aconteceu entre os treinadores, a presença de jogadores estrangeiros qualifica o mercado brasileiro. A reserva de mercado não faz sentido para nenhuma das duas categorias. Luiz Felipe Scolari, que trabalhou em Portugal, Inglaterra e outros países, resumiu bem a situação numa entrevista recente para a Rádio Gaúcha: “Nós saímos do Brasil tantas vezes e tiramos o lugar de tantos, não podemos querer agora cercear o direito de um estrangeiro trabalhar aqui. É bom? Traz. Tanto faz a nacionalidade”.
O Brasil costuma liderar as estatísticas de transferências internacionais e de nacionalidades mais presentes na maior competição de clubes da Europa, a Champions League. O futebol brasileiro produz jogadores em quantidade e qualidade suficientes para poder prescindir dessa reserva de mercado, que cria situações que não deveriam ocorrer.
No último domingo, quando enfrentou o Palmeiras, o São Paulo escalou Ferraresi (Venezuela), Arboleda e Méndez (Equador) e Calleri (Argentina) como titulares, e deixou Orejuela (Colômbia) no banco. Após o jogo, Rogério Ceni explicou que “não conseguiu completar o banco de reservas” porque não podia escalar mais estrangeiros. Ficaram fora Gabriel Neves (Uruguai), Alan Franco e Galoppo (Argentina). O Grêmio, com seis estrangeiros, vai enfrentar situação semelhante.
A ideia de aumentar o limite de estrangeiros não é defendida aqui para resolver o problema pontual de um ou outro clube. Até porque os dirigentes que resolveram contratar mais estrangeiros do que a regra permite já sabiam disso e do risco que corriam.
Mas é preciso adequar as regras ao que o mercado já consolidou como realidade: o Brasil é um destino atraente tanto para jovens promissores como o argentino Fausto Vera (22 anos, Corinthians) quanto para veteranos ultra consagrados como o uruguaio Luis Suárez (36 anos, Grêmio).
É evidente que nada disso significa que os estrangeiros sejam superiores. Ninguém produz jogadores de futebol como o Brasil. Mas a presença de atletas de outros países estimula a concorrência, puxa para cima o nível dos brasileiros. Foi o que aconteceu nas principais ligas europeias, com uma óbvia influência positiva no futebol de seleções desses países. O Brasil já fez esse favor ao resto do mundo. Está na hora de permitir que, pelo menos em parte, esse favor seja devolvido.
O Globo quinta, 26 de janeiro de 2023
TURISMO: O QUE FAZER EM KISSIMMEE, A VIZINHA DE ORLANDO QUE É MAIS QUE UMA *CIDADE DORMITÓRIO!
O que fazer em Kissimmee, a vizinha de Orlando que é mais que uma 'cidade-dormitório'
Destino na Flórida oferece passeios por pântanos, tirolesa em bosques e caminhadas pelo charmoso centro da cidade
Por Eduardo Maia — Kissimmee, Flórida
26/01/2023 04h30 Atualizado há 4 horas
Kissimmee é um bom destino para quem gosta de atrações ao ar livre e contato com a natureza, como os passeios de airboat nos pântanos do Wild FloridaEduardo Maia
Quando alguém diz que vai alugar uma casa em Orlando nas férias, muito provavelmente o endereço será em Kissimmee. A cidade, coladinha à terra dos parques temáticos da Flórida, consolidou-se como base para este tipo de hospedagem, muito valorizada por quem viaja em família ou grupo de amigos. Os imóveis, geralmente espaçosos e em condomínios fechados, são suas atrações mais conhecidas, mas não as únicas. Com boas opções de passeios em meio à natureza ou em seu charmoso Downtown, Kissimmee está longe de ser apenas uma cidade-dormitório.
A fama, porém, é justificada em números. Bem ao estilo americano, Kissimmee se considera a “capital mundial do aluguel por temporada”. São mais de 50 mil imóveis para locação, segundo os dados oficiais da cidade. Um deles, por exemplo, é a mansão de oito quartos (incluindo um com decoração inspirada nos Minions, de “Meu malvado favorito”) do lutador José Aldo, onde está hospedado o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flórida: conheça Kissimee, a vizinha de Orlando que é mais que uma cidade-dormitório
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Conhecida por suas casas de aluguel por temporada, cidade tem boas opções de passeios fora dos parques temáticos
A popularidade das casas de Kissimmee tem explicações tanto históricas quanto práticas. Como até julho de 2021 a locação por temporada era proibida em Orlando, os condomínios para turistas encontraram na cidade vizinha um terreno fértil para florescer. As casas amplas permitem acomodar mais gente de uma só vez que um quarto de hotel, e as cozinhas equipadas, abastecidas pelos ingredientes comprados em megastores como Target, deixam a estadia mais barata.
A localização é outro fator importante. Kissimmee fica ao sul de Orlando, e muitos condomínios ficam a poucos quilômetros do complexo Walt Disney World (que, tecnicamente, também não fica em Orlando, e sim nas cidades de Bay Lake e Lake Buena Vista). É o caso, por exemplo, do Encore Resort, de José Aldo, e do Magic Village — este, de tão popular entre brasileiros, tem até ruas batizadas com nomes como Pantanal e Brasília. A cidade também está no caminho para os parques de Tampa, como Busch Gardens e Legoland, ao mesmo tempo em que não é tão distante dos parques da Universal e dos principais outlets de Orlando.
Passeios em pântanos e tirolesas
Durante o passeio pelos pântanos, é possível avistar diversos animais, como os famosos aligátores — Foto: Eduardo Maia
Ainda que seja desprovida de montanhas-russas ou simuladores de última geração, Kissimmee tem bastante a oferecer a seus visitantes. Especialmente àqueles que buscam atrações para aproveitar na natureza. A cidade é um dos melhores lugares, por exemplo, para fazer os tradicionais passeios por pântanos e áreas alagadas a bordo de airboats, balsas movidas por uma espécie de ventilador gigante na parte traseira.
Este é um dos passeios oferecidos pelo parque natural Wild Florida. Com o vento no rosto e o sol sobre as cabeças, os visitantes deslizam sobre uma vasta área alagada observando a fauna local, que vai de pássaros (muitas garças e patos) a aligátores, o famoso “primo” americano do nosso jacaré e que é o animal símbolo da Flórida. Num dia bom, perde-se a conta de quantos desses bichos se consegue avistar. E mesmo os menores, quando passam perto da balsa, costumam impressionar.
Outra atração do parque é o safári feito de carro, no qual se pode ver mais de cem animais selvagens, tanto nativos do país (como veados-de-cauda-branca e bisões), quanto exóticos (como zebras e antílopes). Há até um posto suspenso de onde se pode alimentar girafas. O safári custa US$ 34 e o airboat, US$ 35 (wildfloridairboats.com).
No Orlando Tree Trek, em Kissimmee, a imersão na natureza vem em forma de cinco circuitos de arvorismos — Foto: Eduardo Maia
Para quem quer emoções mais fortes, um bom programa é o Orlando Tree Trek (que, sim, fica em Kissimmee), parque instalado num bosque de 60 mil metros quadrados. O som da tranquilidade só é quebrado pelos gritos de quem desliza pelos cabos da tirolesa, de 15 metros de altura e 130 metros de comprimento.
Também há cinco circuitos de arvorismo (cada um para um nível de habilidade), em que os candidatos a Tarzan percorrem pontes suspensas, escalam paredes de cordas e se penduram em cabos até alcançarem o topo das árvores, a mais de 15 metros do chão. O ingresso custa US$ 59,95 por pessoa (orlandotreetrek.com).
Um passeio por Downtown
O Monument of States, formado por tijolos e pedras de todos os cantos dos Estados Unidos, é um marco no centro de Kissimmee, na Flórida — Foto: Eduardo Maia
Quem se hospedar em Kissimmee e quiser conhecer um pouco da vida real da Flórida, fora dos parques, pode se programar para um passeio por Downtown, um charmoso centro urbano com (acredite se puder) calçadas, construções com cara de antigas e paredes cobertas por grafites bem coloridos.
Cor é o que não falta no Monument of States, uma espécie de pirâmide meio torta, formada por tijolos e pedras vindas de todo o país em 1943. A ideia era simbolizar a união nacional após os ataques à base de Pearl Harbour, durante a Segunda Guerra. Ele fica em frente ao Kissimmee Lakefront Park, área verde às margens do Lago Tohopekaliga, ótima para caminhadas no fim da tarde.
A maior parte dos restaurantes e das lojas ficam nas ruas Emmett, Main e Broadway, mas vale a pena se perder nas transversais. Se a fome bater, considere parar no Big Jonh’s Rockin’ BBQ, restaurante voltado para a típica culinária sulista dos Estados Unidos, com direito a cortes de carne como brisket (o peito bovino) e costelinhas suínas acompanhados de sides clássicos, como mac & cheese e purê de batata doce. Para a sobremesa, desbrave o interminável menu da Abracadabra Ice Cream Factory, uma sorveteria que fabrica os mais inusitados sabores usando técnicas como congelamento por hidrogênio líquido.
À noite, o Estefan Kitchen, restaurante da cantora Gloria Estefan, é uma opção animada em Kissimmee — Foto: Eduardo Maia
Bons restaurantes também estão no Promenade at Sunset Walk, um calçadão comercial a céu aberto que reúne opções gastronômicas das mais diversas. O maior destaque talvez seja a unidade local do Estefan Kitchen, a rede de restaurantes da cantora Gloria Estefan. No cardápio, claro, brilham os sabores latinos, especialmente os de Cuba, Porto Rico e México. Tudo harmonizado com música também latina, afinal, a dona do lugar tem um nome a zelar.
O calçadão faz parte do Margaritaville Resort Orlando, mas é aberto a não hóspedes. O hotel tem 265 quartos, além de parque aquático, restaurantes, espaços para eventos e um condomínio fechado de casas para alugar. Afinal, o nome diz Orlando, mas fica em Kissimmee.
Eduardo Maia viajou a convite do Experience Kissimmee
O Globo quarta, 25 de janeiro de 2023
SAÚDE: OS 13 SINTOMAS QUE INDICAM DEFICIÊNCIA DE FERRO NO ORGANISMO
Os 13 sintomas que indicam deficiência de ferro no organismo
Mais de 30% da população mundial é anêmica, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
Por La Nacion
25/01/2023 04h30 Atualizado há 2 horas
Cansaço e falta de ar são sintomas da falta de ferro.FreePik
Você costuma se sentir cansado, com falta de ar? Ou seus amigos comentaram que você parece muito pálido? Se sim, você pode estar sofrendo de deficiência de ferro ou anemia por deficiência de ferro, o distúrbio nutricional mais comum do planeta.
Mais de 30% da população mundial é anêmica, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta é uma condição na qual o corpo carece do mineral nos glóbulos vermelhos, o que significa que menos oxigênio chega às células.
A anemia por deficiência de ferro não deve ser autodiagnosticada nem tratada por conta própria, com automedicação. Os sintomas podem indicar a existência de outra doença e sobrecarregar o corpo com ferro pode ser perigoso, pois o acúmulo excessivo desse elemento pode danificar o fígado e causar outras complicações.
Portanto, você deve consultar um médico se sentir os seguintes sintomas:
Os sintomas descritos acima são os mais comuns de acordo com a Mayo Clinic e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), embora existam outros menos comuns, como:
Dores de cabeça, tonturas ou vertigens
Inchaço ou dor na língua
Perda de cabelo — observe mais cabelo saindo ao escovar ou lavar
Desejos de comer substâncias não alimentares, como papel ou gelo, uma condição conhecida como alotriofagia
Feridas abertas dolorosas (úlceras) nos cantos da boca
Unhas em forma de colher ou quebradiças
Síndrome das pernas inquietas, um distúrbio que causa um forte desejo de mover as pernas
Existem vários fatores diferentes que podem levar à anemia por deficiência de ferro, incluindo gravidez, falta de ferro na dieta, crescimento rápido, menstruação e condições de saúde que afetem a absorção de ferro.
O nosso corpo não é capaz de produzir ferro. Se você quiser manter os níveis desse mineral adequados — seja por meio da alimentação natural ou da ingestão de alimentos fortificados — é preciso saber que nem todo ferro está em uma forma que seu corpo consegue absorver.
Existem dois tipos de ferro: heme e não-heme. O ferro heme vem de fontes animais, que é mais facilmente absorvido pelo organismo. Ele é encontrado em carne vermelha, fígado, ovos e peixes.
Há boas fontes de ferro em vegetais folhosos verde-escuros, como couve e espinafre, e legumes como ervilhas e lentilhas. No entanto, esses minerais são do tipo não-heme, o que significa que você não absorve tanto ferro de fontes vegetais quanto de origem animal.
Além disso, há como consumir ferro a partir de pães fortificados e cereais matinais, embora essa não seja uma forma que promova uma alta absorção do mineral.
O que você come influencia na absorção
A maneira como você prepara sua comida e o que você bebe também podem alterar a quantidade de ferro que você absorve. Para demonstrar isso, o cientista e nutricionista Paul Sharp, do King's College London, fez algubs experimentos para imitar a digestão humana.
Os testes imitaram o efeito das enzimas envolvidas na digestão dos alimentos e a reação química que ocorre nas células intestinais humanas para mostrar quanto ferro seria absorvido.
Sharp mostrou que se você beber suco de laranja com seu cereal matinal fortificado, você absorve muito mais ferro do que quando come apenas o cereal, porque o suco de laranja contém vitamina C, o que facilita a absorção do ferro dos alimentos.
Mas, infelizmente, se você tomar café com sua tigela matinal de cereal, isso significará que você absorverá significativamente menos ferro. Segundo Sharp, isso ocorre porque o café está cheio de substâncias químicas chamadas polifenóis que são muito eficientes em ligar o ferro e torná-lo menos solúvel.
Portanto, se um cereal fortificado é o seu café da manhã preferido, beber um copo pequeno de suco de laranja ou comer laranja ajudará a aumentar sua ingestão de ferro. Assim como também fará com que você espere pelo menos 30 minutos para tomar sua xícara de café após comer, para não prejudicar a absorção de ferro.
Fontes vegetais
O repolho cru é uma boa fonte de ferro disponível, mas cozinhá-lo no vapor reduz a quantidade de ferro disponível, enquanto fervê-lo diminui ainda mais. Isso porque, assim como a laranja, o repolho é rico em vitamina C e, ao fervê-lo, a vitamina C é liberada na água do cozimento.
Portanto, se você deseja obter o máximo de nutrientes do repolho, coma-o cru ou no vapor. O mesmo vale para outros vegetais que contêm ferro e vitamina C, como couve, brócolis, couve-flor e agrião.
Mas, curiosamente, o espinafre é completamente diferente. Sharp descobriu que o espinafre fervido liberava 55% mais ferro "biodisponível" do que o cru.
— O espinafre tem compostos, chamados oxalatos, que basicamente prendem o ferro. Quando cozinhamos o espinafre, o oxalato é liberado na água de cozimento e, portanto, o ferro que sobra estará mais disponível para absorção — explica o nutricionista.
O Globo terça, 24 de janeiro de 2023
OSCAR 2023: COMO ESTÃO WILL SMITH E CHRIS ROCK, UM ANO APÓS O TAPA POLÊMICO?
Oscar 2023: como estão Will Smith e Chris Rock, um ano após tapa polêmico?
Ator retoma carreira no cinema, apesar de temer reações do público e da indústria; comediante estrela primeira transmissão global em plataforma de streaming
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
24/01/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
O ator Will Smith (à esquerda) e o comediante Chris RockAFP
Foi um tapa cinematográfico. Mas real, bem real, e movido por raiva, ódio, dor. Um ano após o polêmico tabefe que o ator Will Smith tascou no rosto do comediante Chris Rock — em plena cerimônia do Oscar, em 2022 —, os artistas seguem sem se falar. Sim, até hoje, ambos não conversaram sobre o assunto. E não devem trocar qualquer palavra tão cedo, de acordo com pessoas próximas aos dois, como relata parte da imprensa americana.
Suspenso da Academia do Oscar, grupo que elege os vencedores das categorias da premiação de Hollywood, Will Smith se desculpou pela agressão, por meio de um vídeo publicado no Instagram, em setembro do último ano, seis mês após o fato. "Passou um tempo... Nos últimos meses, eu pensei muito e trabalhei muito em mim mesmo. Falo diretamente a você, Chris. Peço desculpas a você. Meu comportamento foi inaceitável e estou aqui se estiver pronto para conversar", ressaltou o ator.
A resposta não veio. Will Smith, aos poucos, tenta retomar a carreira, apesar de deixar claro seu temor com as reações do público e da própria indústria cinematográfica. Não deixa de ser simbólico que, em seu primeiro trabalho pós-vexame global por bater em alguém, ele seja agredido na tela como nunca antes — e olhe que Smith já foi um boxeador em "Ali" (2001) e comeu o pão que alienígenas amassaram nos três filmes da franquia "Homens de preto" (1997, 2002 e 2012).
Veja os ganhadores do Oscar 2022
4 fotos
Em "Emancipation: uma história de liberdade", que estreou em dezembro de 2022, o ator interpreta um personagem verídico, Peter Gordon, um homem escravizado que fugiu de uma fazenda no estado de Luisiana, nos EUA, durante a Guerra Civil Americana. O trabalho do artista vem sendo elogiado, e ele pode até ser indicado à categoria de Melhor Ator. Com uma ressalva: caso ganhe, está impedido de subir ao palco para receber a estatueta, devido às restrições impostas pela Academia.
Chris Rock quebrou o silêncio sobre o tema também seis meses depois de receber o tapa. Num dos shows de comédia que ele apresenta, o humorista contou que a agressão "doeu para caralh*". "O filho da put* me bateu por causa de uma piada de merda, a piada mais legal que já contei", desabafou o artista.
O ator Will Smith dá um tapa no ator Chris Rock durante a 94ª premiação do Oscar, em Hollywood, Califórnia, em 27 de março. — Foto: Robyn Beck / AFP
Profissionais na equipe de Chris Rock relatam que ele não desculpará Will Smith, e que o diálogo entre os dois não deve acontecer. "Will fingiu ser uma pessoa perfeita por 30 anos, e ele arrancou sua máscara e nos mostrou que é tão feio quanto o resto de nós. Quaisquer que sejam as consequências... Espero que ele não coloque a máscara novamente e deixe sua verdadeira face respirar. Me vejo em ambos os homens", afirmou Rock, num de seus espetáculos de stand-up comedy.
Os shows de comédia do artista seguem a pleno vapor, com ingressos esgotados. Aliás, uma semana antes do Oscar 2023, no próximo dia 4 de março (às 23h59, no horário de Brasília), o humorista estrelará a primeira transmissão global e ao vivo da plataforma Netflix. Intitulada "Selective outrage" ("Indignação seletiva", em tradução livre), a produção é o primeiro grande trabalho do profissional após a polêmica. O assunto, claro, será abordado.
O Globo segunda, 23 de janeiro de 2023
GASTRONOMIA: RECEITA DE CEVICHE VEGANO, CO MANGA E CHCHU, IDEAL PARA O VERÃO
Aprenda a receita de ceviche vegano, com manga e chuchu, ideal para o verão
No lugar dos peixes, a fruta e o vegetal dão o sabor e a textura
23/01/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
Ceviche de chuchu com mangaDivulgação
Dias de verão merecem clássicos refrescantes. Um preparo muito fácil e rápido é o ceviche, receita peruana feita tradicionalmente com peixe. Mas há também versões vegetais, igualmente levinhas.
Aprenda a que leva chuchu e manga, que fica com uma combinação de sabor e textura ótima. O leite de tigre caseiro também dá o toque mais que especial. A dica é da chef e apresentadora Rita Lobo, do Panelinha.
LEITE DE TIGRE
Ingredientes:
1 pedaço de gengibre de cerca de 6 cm
3 talos de coentro
¼ de xícara (chá) de caldo de limão
1 cebola-roxa pequena
Como fazer:
Descasque, fatie a cebola em meias-luas finas e transfira para uma tigela. Cubra com ½ xícara (chá) de água e mantenha imersa por 10 minutos, enquanto separa os outros ingredientes. A cebola vai perder um pouco do ardor e a água vai ganhar sabor para ser usada no leite de tigre.
Descasque e corte o gengibre em cubos – assim ele bate melhor no liquidificador. Lave e seque o coentro, vamos usar os talos e as folhas.
Sobre uma tigela, escorra a cebola fatiada numa peneira. Reserve a cebola para o preparo do ceviche e transfira a ½ xícara (chá) da água de cebola para o liquidificador.
Junte os ingredientes restantes ao liquidificador e bata bem.
Sobre uma tigela, passe o leite de tigre por uma peneira, apertando bem com uma colher para extrair todo o caldo. Reserve.
CEVICHE
Ingredientes:
1 chuchu (cerca de 1 ¾ xícara (chá) em cubos)
1 manga madura mas ainda firme (cerca de ¾ xícara (chá) em cubos)
1 pimenta dedo-de-moça
1 colher (chá) de folhas de coentro picadas
a cebola-roxa fatiada
sal a gosto
Como fazer:
Descasque, lave sob água corrente e seque bem o chuchu com um pano de prato limpo – assim ele não escorrega na hora de cortar.
Corte o chuchu ao meio. Com uma colher, descarte o miolo com a semente. Corte cada metade em cubos de 1,5 cm. Descasque e corte a manga em cubos de 1 cm.
Lave e seque a pimenta-dedo-de-moça. Corte ao meio no sentido do comprimento. Com uma colher, raspe as sementes e descarte. Corte cada metade em cubinhos. Dica: para evitar acidentes com dedos apimentados nos olhos, passe óleo ou azeite nas mãos depois de cortar as pimentas — a capsaicina, substância responsável pelo ardor, é lipossolúvel. Depois, lave as mãos com sabonete para tirar o óleo.
Numa tigela, coloque o chuchu, a manga, a cebola e a pimenta dedo-de-moça. Tempere com sal, regue com o leite de tigre e misture bem. Leve à geladeira por pelo menos 10 minutos antes de servir – nesse tempo, a manga e o chuchu absorvem os sabores do leite de tigre e o ceviche fica mais saboroso.
Na hora de servir, misture as folhas de coentro e sirva com chips de mandioca.
O Globo domingo, 22 de janeiro de 2023
MARCOS NANINI: *TORNEI-ME TAMBÉM UM LEITOR DE MIM*
Em biografia, Marco Nanini abre intimidades: ‘Tornei-me também um leitor de mim’
Ator de 74 anos conta que sente uma 'tensão doida e sofrida' a cada novo trabalho e relembra namoro com Marília Pêra, que completaria 80 anos neste domingo
Por Gustavo Cunha
22/01/2023 04h30 Atualizado há um minuto
Marco NaniniHermes de Paula
Marco Nanini avisa que ainda está aprendendo a interpretar. Embora tenha mais de cem obras no currículo — e seja povoado por toda a sorte de tipos brasileiros —, o ator de 74 anos sente uma “tensão doida e sofrida” a cada novo trabalho. Sob a pele de um homem comum, desses que não fosse a fama passaria despercebido, o artista guarda um fascínio pela própria capacidade de ser muitos.
Marco Nanini fala do último trabalho com a atriz Camilla Amado, que morreu de câncer:'Fomos até o fim'
— Há muita gente dentro de mim. Penso nisso o tempo todo. E adoro viajar nessa ideia. Tenho total consciência de que a fantasia é eterna dentro de mim — afirma o ator.
Parte dessa multidão é retratada no livro “O avesso do bordado”, escrito pela jornalista e roteirista Mariana Filgueiras, com lançamento no dia 1º de fevereiro. Editada pela Companhia das Letras, a biografia segue a cartilha de obras do gênero: revisita a infância e acompanha o crescimento profissional do ator, rosto de sucessos no teatro, na TV e no cinema.
Infância nômade
Condicionado a uma vida nômade devido à profissão do pai, gerente de hotéis de luxo — ele peregrinou por Recife, onde nasceu, João Pessoa, Salvador, Manaus e Belo Horizonte, antes de se fixar no Rio de Janeiro —, o pequeno Nanini era daqueles que não perdia a chance de tomar autógrafos de misses, figurões da sétima arte e presidentes (JK e Castelo Branco, entre eles), num caderninho conservado até hoje.
Nas páginas biográficas, estão intimidades pouco abordadas, como as primeiras grandes amizades (com nomes como Pedro Paulo Rangel e Ary Fontoura), os namoros — de Wolf Maya a Marília Pêra —, a cumplicidade inusitada com Renato Russo e a antiga dependência de Mandrix, sedativo que, associado ao álcool, causava um transe. Febre nos anos 1970 até ser proibida na década seguinte, a droga fez com que Nanini desmaiasse ao volante, o que o levou a abandonar o vício.
Esses são pormenores que ajudam a construir o quadro de um artista complexo, que percebeu uma mudança significativa com o passar do tempo. Antes um jovem expansivo, Nanini se define hoje como um senhor retraído.
— Já me exponho tanto no palco. Para que ficar me exibindo? Quando era mais moço, me soltava, contava piada... De uns tempos pra cá, entendi que não era mais jovem. E aí falei: tenho que parar um pouco com essa infantilidade de brincar. Decidi sossegar um pouco.
Num primeiro momento, a decisão de realizar uma biografia — e foi o próprio biografado quem escolheu e procurou a biógrafa — pode soar surpreendente. Não se trata de um aceno nostálgico, mas da afirmação de uma história que o ultrapassa.
— Há coisas que havia esquecido completamente, e lembrei com carinho. Mas o que passou, passou — diz o ator, que está terminando de folhear as derradeiras páginas do livro. — Tornei-me também um leitor de mim. Tomara que possa me lembrar de mais tempos daqui pra frente.
A bem da verdade, a corajosa decisão de se expor já aconteceu outras vezes. Em 2011, Nanini revelou publicamente a homossexualidade. À época, interpretava Lineu, o popular patriarca de uma tradicional família brasileira, no seriado “A grande família”. Há 36 anos, é casado com o produtor Fernando Libonati. Os dois não pensam em filhos:
— Gosto de criança dos outros, com o pai e a mãe do lado. Comigo sozinho, vai cair da minha mão. Ficaria em pânico. Aí desisti disso, mas com muita certeza e segurança.
Nando e Nanini, como são chamados pelos amigos, também são parceiros profissionais e vivem em casas vizinhas, com uma passagem entre os muros, na companhia de seis cachorros.
— Conheço tantos casais de todos os jeitos: mulheres e homens bissexuais, transexuais, pansexuais. Chegou uma hora em que falei: tenho que normalizar, para não ficar me escondendo. — recorda ele, que se espanta com o avanço do conservadorismo no país, inclusive entre colegas como Regina Duarte e Cássia Kis. —Não compreendo essas pessoas. Não é nem uma questão de política. É uma questão de moral. Nunca poderia acreditar que certas pessoas fossem tão conservadoras a ponto de não suportar a homossexualidade, o negro, o pobre. Fico assustado. Acho fascista. Não imaginaria nunca essa corrente forte. Tanto é que eu estou comprando um monte de livros sobre fascismo para entender como é que isso nasceu e cresceu.
Mais esperançoso com os rumos da cultura no país, Nanini se anima ao comentar novos projetos (leia mais na próxima página), mas não demonstra empolgação semelhante ao falar de seus 75 anos, celebrados em maio:
— Não pretendo fazer nada. Já fiz muita festa. Acho que vou ficar quieto. No máximo, uma coisinha pequena, um jantar... Mas isso também dá muito trabalho — diz ele, que abriu uma conta fake no Instagram só para espiar vídeos engraçados com crianças e bichos, algo que lhe serve de inspiração para o ofício artístico. — Os animais e as crianças fazem coisas tão irreverentes que absorvo um pouco essa energia deles. Mas não sei mexer em computador. É difícil, mas tento. Não sei nem o que é “stop” (ele se refere aos Stories, recurso de vídeos e fotos instantâneos do Instagram).
'Muitas afinidades' com Marília Pêra
Foi com Marília Pêra que Marco Nanini realizou dois dos seus maiores sucessos. No teatro, ela o dirigiu em “Irma Vap”, peça na qual o ator contracenava com Ney Latorraca e consagrada no “Guinness” como o espetáculo que ficou mais tempo em cartaz com o mesmo elenco, de 1986 a 1997. Na TV, a dupla formou uma parceria impagável na novela “Brega & chique” (1987). E haveria um novo reencontro, se Marília tivesse aceitado o convite para interpretar Dona Nenê em “A grande família”, papel que depois coube a Marieta Severo.
Marília Pêra e Marco Nanini na novela “Brega & chique” (1987) — Foto: Divulgação
De acordo com a biografia de Nanini, logo após o término “Irma Vap”, houve um desentendimento entre os dois, algo jamais superado. Ao ser perguntado sobre as memórias que cultiva acerca da atriz, que hoje completaria 80 anos, Nanini frisa:
— A gente foi muito amigo, a ponto de ter um caso rápido. Eram muitas afinidades. Mas em “Irma Vap” houve um problema, e a gente rompeu. Ali foi o fim. Fiquei sentido, claro. Teve uma brigalhada danada. Mas é assim: na vida, tudo acaba — afirma ele, que manteve o distanciamento até a morte de Marília, em 2015, e que hoje prefere não entrar em detalhes sobre o imbróglio. — Não ficou nada para resolver, porque falamos tudo. Dali em diante, não houve clima. Foi uma discussão fortíssima. A gente teve reunião com advogados. Foi tudo muito pesado, então foi definitivo mesmo. Mas continuo a admirando e tendo o prazer das lembranças de todos os encontros.
Para Nanini, as relações de trabalho e amizade sempre se embaralharam. Ele se emociona ao lembrar do amigo Pedro Paulo Rangel, morto em dezembro, e com quem iniciou a carreira num grupo de teatro amador, na igreja de Santa Teresinha do Menino Jesus, no bairro carioca de Botafogo.
— Essa coisa de ir perdendo os amigos é difícil. Sinto que vai embora um pedaço de mim — lamenta. — A finitude é uma surpresa. É um golpe. Fico me lembrando de tudo... Mas não com saudosismo. Até porque não tem jeito, né? Um dia termina a missa.
O Globo sábado, 21 de janeiro de 2023
GASTRONOMIA: O QUE COMER NO DIA SEGUINTE DE UMA NOITE MAL DORMIDA
Banana, kiwi e ovo: o que comer no dia seguinte de uma noite mal dormida para recuperar a disposição
Alimentos ajudam a proporcionar maior bem-estar e elevam energia
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
21/01/2023 04h30 Atualizado há 5 horas
Kiwi, banana e outras frutas devem ser comidas após uma noite de sono mal dormidaFreepik.com
Uma noite mal dormida influencia diretamente na disposição do dia seguinte. Todos sabemos que é durante o sono que recuperamos as energias. Portanto, se esse descanso não foi suficiente, você vai para o próximo dia com menos bateria que o necessário. No entanto, alguns alimentos podem ajudar você a enfrentar o dia seguinte, aumentando a disposição e o melhorando o humor.
Não descansar o suficiente durante a noite afeta diretamente o humor, aumentando o risco de se sentir irritado, deprimido ou ansioso. Um estudo feito por pesquisadores da da Universidade de Oxford, no Reino Unido, comprovou que a perda de sono causa mudanças emocionais.
Frutas
A banana, por exemplo, é rica em triptofano — um aminoácido essencial para o corpo e fundamental na produção de serotonina "conhecida como o hormônio da felicidade". Este neurotransmissor ajuda na sensação de bem-estar (muito afetada após uma noite mal dormida) e regula o sono da próxima noite.
O kiwi também é uma fonte de serotonina, o que ajuda a manter a disposição durante o dia e contribui para uma noite de sono reparadora.
Frutas vermelhas, maçã e abacate também possuem compostos bioativos que proporcionam um descanso pronfundo durante o sono.
Ovos
Os ovos também são uma fonte de triptofano, além de possuírem vitaminas, proteínas, gorduras boas e nutrientes essenciais para o corpo. Tudo isso contribui para o aumento de energia no corpo.
Alimentos com fibras
As fibras são encontradas em frutas, verduras, legumes e cereais integrais. Elas ajudam no funcionamento e equilíbrio do trato gastrointestinal — promovendo o aumento de bactérias benéficas e ajudando na formação do bolo fecal. A serotonina é, em sua maioria, produzida no intestino. Por isso, o bom funcionamento intestinal é fundamental para regular o sono e melhorar o humor.
Leguminosas
As leguminosas, como ervilha, feijão e soja, possuem triptofano e ajudam na produção de serotonina. Por conta disso, elas contribuem para uma noite de sono mais tranquila e reparadora.
Água
Quem dormiu pouco à noite, tende a ficar com dor de cabeça durante o dia seguinte, devido ao excesso de fatores estressores ao cérebro. O sono reparador elimina toxinas nocivas ao principal órgão do corpo humano. Manter-se hidratado — consequentemente hidratando também as células cerebrais — diminui as chances de dores de cabeça. Além disso, o corpo precisa de água suficiente para funcionar adequadamente, inclusive para produzir hormônios como a serotonina.
Alimentos e bebidas estimulantes
Você deve estar se perguntando: e o café? Sim, para quem precisa de energia após uma noite de sono mal dormida, bebidas com cafeína podem ajudar. Guaraná, chá mate, chá verde, chá preto e chocolate também são bons estimulantes e podem contribuir na melhoria da disposição.
Mas é preciso ter cuidado no consumo dessas bebidas e alimentos. Evite consumi-los à noite, pois podem prejudicar seu próximo sono. Especialistas remendam que produtos que contenham cafeína sejam ingeridos até oito horas antes do momento de ir para a cama, já que cada organismo tem seu próprio ritmo metabólico e elimina a substância de maneira diferente.
O Globo sexta, 20 de janeiro de 2023
GASTRONOMIA: FAZ MAL TOMAR CAFÉ DE ESTÔMAGO VAZIO?
Faz mal tomar café de estômago vazio?
Estudo com mais de 8 mil pessoas não encontrou associação entre o consumo da bebida e a formação de úlceras estomacais e intestinais, mas aumenta a acidez
Por Trisha Pasricha*, The New York Times
20/01/2023 04h30 Atualizado há 4 horas
Café reduz risco de morte em até 31%; veja quanto e como é necessário para issoUnsplash
Para muitas pessoas, desfrutar de uma xícara de café feito naquela hora, logo pela manhã, é uma maneira inegociável de começar o dia. Mas a ideia de que tomar um gole sem comer nada junto pode prejudicar seu intestino — ou contribuir para outros males como inchaço, acne, perda de cabelo, ansiedade ou problemas de tireoide, como algumas pessoas alegam nas mídias sociais — conquistou tanta popularidade quanto incredulidade.
Pesquisadores têm investigado os benefícios e malefícios de beber café, especialmente no que se refere ao intestino, desde a década de 1970, comenta Kim Barrett, professora de fisiologia e biologia de membranas na Universidade da Califórnia, Davis School of Medicine, e membro do conselho de administração da American Gastroenterological Association. Felizmente, o estômago pode suportar todos os tipos de irritantes, incluindo o café.
— O estômago tem muitas maneiras de se proteger — afirma Barrett.
Por exemplo, ele secreta uma espessa camada de muco que cria um poderoso escudo entre o revestimento do estômago e tudo o que você ingere. Esse escudo também protege o estômago de seu próprio ambiente ácido natural necessário para decompor os alimentos, explicou ela.
Você teria que consumir uma substância muito dura “para que as defesas do estômago fossem rompidas, porque ele está constantemente em um ambiente muito adverso e prejudicial”, diz a especialista.
Como o café afeta o intestino?
Irritantes como álcool, fumaça de cigarro e anti-inflamatórios não esteróides — como ibuprofeno ou naproxeno — são bem conhecidos por alterar os mecanismos naturais de defesa do estômago e ferir seu revestimento, afirma Byron Cryer, chefe do medicina interna no Baylor University Medical Center, em Dallas.
Seu laboratório de pesquisa é especializado em entender como diferentes medicamentos e outras substâncias químicas podem prejudicar o estômago e o intestino delgado. Embora certos irritantes possam tornar o estômago mais vulnerável a ácido e formação de úlcera, vários grandes estudos descobriram que esse não é o caso do café. Um estudo feito por pesquisadores do Kameda Medical Center Makuhari, no Japão, com mais de 8 mil pessoas que vivem no país, por exemplo, não encontrou associação significativa entre o consumo de café e a formação de úlceras no estômago ou no intestino — mesmo entre aqueles que bebiam três ou mais xícaras por dia.
— O café, mesmo em forma concentrada, provavelmente não causa dano objetivo ao estômago — pontua Cryer. — E muito menos nas doses típicas das bebidas habituais.
No entanto, o café tem um efeito sobre o intestino — pode acelerar o cólon e induzir a evacuação, e o café aumenta a produção de ácido no estômago.
Fora do intestino, a cafeína do café é bem conhecida por aumentar a frequência cardíaca e a pressão sanguínea. E se você beber muito perto da hora de dormir, pode atrapalhar seu sono. Mas essas mudanças são temporárias, esclarece Cryer.
O aumento do ácido estomacal causará algum problema?
É improvável que beber café com o estômago vazio cause algum dano ao estômago, mas teoricamente pode provocar azia, diz Barrett.
Sabemos que o café desencadeia a produção de ácido estomacal, mas se você tiver comida no estômago ou se tomar café com leite ou creme, isso ajudará a criar um tampão que ajuda a neutralizar esse ácido. Portanto, beber café, especialmente se for preto, sem uma refeição pode reduzir o pH do estômago mais do que se você o bebesse com leite ou acompanhado de uma refeição, aconselhou Barrett.
Embora um pH ligeiramente mais baixo não seja problema para o revestimento do estômago, pode representar um problema para o revestimento do esôfago, porque é muito mais vulnerável a danos causados pelo ácido. Além disso, alguns estudos mostraram que o café pode relaxar e abrir o esfíncter que conecta o esôfago ao estômago, o que hipoteticamente poderia permitir que o ácido do estômago espirrasse mais facilmente para o esôfago e causasse sintomas desagradáveis de azia.
Mas mesmo aí, os dados são mistos. Uma revisão feita por pesquisadores da Coreia do Sul de 15 estudos na Europa, Ásia e Estados Unidos não encontrou nenhuma ligação entre o consumo de café e os sintomas de azia, enquanto, em contraste, um estudo de pesquisadores americanos usando dados de mais de 48mil enfermeiras encontrou um risco maior de sintomas de azia entre os bebedores de café.
Para entender como o café pode afetar o esôfago, os cientistas também estudam uma condição chamada esôfago de Barrett, que ocorre quando o esôfago é danificado pela exposição crônica ao ácido estomacal, como em pessoas com problemas de refluxo ácido de longa data. Com essa condição, as células que revestem o esôfago se transformam em células mais resistentes, semelhantes ao estômago, para se protegerem do ácido. Essas alterações podem aumentar o risco de câncer de esôfago, especialmente se você tiver histórico familiar da doença ou se fumar. Mas, de forma tranquilizadora, um estudo com veteranos nos Estados Unidos não encontrou relação semelhante com o consumo de café. Os autores concluíram que, para o esôfago de Barrett, evitar o café provavelmente não seria útil.
Então, o que eu deveria fazer?
Na prática, como gastroenterologista, costumo dizer aos meus pacientes para observarem seus sintomas. Se eles notam constantemente uma dor ardente no peito ou um gosto amargo na boca depois de beber café, eles podem querer reduzir a quantidade — ou devem considerar um antiácido. Adicionar um pouco de leite ou dar uma mordida em alguma comida enquanto toma seu café matinal também pode ajudar. Mas se você não está percebendo nenhum sintoma, provavelmente é alguém que não sente refluxo significativo após o café e pode continuar bebendo em paz.
Cryer gosta regularmente de tomar cappuccino ou seu café como latte — o leite vaporizado reduz o amargor, justifica ele. E, em geral, acrescentou, beber café tem muitos benefícios para a saúde: ajunda na longevidade, traz menor risco de doença cardiovascular e proteção contra muitos tipos de câncer, incluindo câncer de fígado, próstata, mama e colorretal .
— Há muito mais evidências para os benefícios do café do que para os danos — afirma Cryer.
*Trisha Pasricha é gastroenterologista no Hospital Geral de Massachusetts.
O Globo quinta, 19 de janeiro de 2023
VERA FISCHER: *VIVI COISAS DEMAIS"
Vera Fischer: 'Vivi coisas demais, mas não estou pronta. Nem como atriz, nem como mulher'
Atriz encena peça no Rio, lembra de sua transição de Miss Brasil para os palcos e diz que está ansiosa com o novo governo: 'Espero uma cultura plural'
Por Renato Lemos; Especial Para O GLOBO — Rio de Janeiro
19/01/2023 04h30 Atualizado há 4 horas
Vera Fischer encena “Quando eu for mãe, quero amar desse jeito”: “Quem espera ver uma Helena do Manoel Carlos se surpreende ao ver a minha versão serpente no palco”Leo Aversa
Aos 71 anos, Vera Fischer tem uma peça para entrar em cartaz amanhã, um medalhão de São Jorge pendurado no pescoço, olhos azuis que se enchem de água quando fala dos filhos, um gatinho para dividir a casa, orquídeas para regar na varanda, uma pilha de livros na cabeceira da cama, uma baita fé no governo que está iniciando, e planos, planos e mais planos — Vera Fischer tem um longo caminho pela frente:
— Eu não estou pronta. Vivi muitas coisas, vivi coisas demais, mas não estou pronta. Nem como atriz, nem como mulher. E isso é bom, é sinal que tenho muito pra experimentar, pra aprender — diz a atriz, sentada em uma poltrona azul na plateia do Teatro Prudential, no bairro carioca da Glória. — Te digo uma coisa: tenho zero problema com a minha idade. Tenho 71 anos, sim, e tô muito de boa com isso. Com 20 anos eu era mais velha, hoje sou uma garota cheia de energia.
“Quando eu for mãe, quero amar desse jeito” é a peça com que, depois de circular por várias cidades do país, Vera volta ao Rio, nesta sexta. Escrita por Eduardo Bakr e dirigida por Tadeu Aguiar, a peça mostra a relação quase nunca fácil — quase sempre violenta e cruel — entre Dulce Carmona (Vera), uma mãe possessiva, seu filho (Mouhamed Harfouch) e sua nora (Marta Paret). Vera diz que a personagem não é exatamente como ela, mas vê muitos pontos comuns entre as duas:
— Ela tem ironia, sarcasmo, humor, pode ser selvagem ou dócil, é uma mulher imprevisível. Gosto de pensar que posso ser assim também — conta a atriz, que tem surpreendido um público que muitas vezes espera ver no teatro a Vera romântica das novelas de televisão. — Quem espera ver uma Helena do Manoel Carlos, ou aquela mulher gostosa e sedutora dos filmes do cinema, se surpreende ao ver a minha versão serpente no palco. Eu precisava dessa serpente.
‘Tinha que ser ela’
O autor da peça, Eduardo Bakr, diz que Vera reinventou o papel que ele mesmo criou:
— Eu escrevi imaginando uma mulher mais velha, fizemos testes com atrizes assim, mas, quando a Vera leu o texto pela primeira vez, com toda aquela energia, deu uma outra face à personagem. Tinha que ser ela.
A peça deveria estrear em maio de 2020, e a pandemia chegou quando os cenários já estavam prontos. Encaixotaram tudo. Ficou para janeiro de 2022. Entre uma data e outra, Vera fez lives encenando textos clássicos, se meteu na cozinha (onde experimentou receitas malucas que misturam abacate e gorgonzola), leu à beça, fez um filme a convite de Cleo (“Me tira da mira”), cuidou dos filhos (Rafaela do casamento com Perry Salles e Gabriel do casamento com Felipe Camargo), cuidou da casa, cuidou das plantas, cuidou de si — incluindo aí uma artrose nos quadris e nos joelhos, fruto de muitos ensaios e treinamentos em 55 anos de carreira.
— Isso eu posso botar na conta da Deborah Colker — diz ela, rindo, contando que a coreógrafa é uma parceira querida e constante em suas preparações. — Ela “fubrecou” meu joelho.
O joelho fubrecado é uma espécie de medalha da entrega da atriz a seus personagens. Joelho, pé, coluna, pescoço. Ossos do ofício. Estreou no teatro em 1983 com “Os desinibidos”, peça de Roberto Athayde encenada por Aderbal Freire-Filho. Tremeu no início, teve pavor de chegar ao centro do palco, mas arrumou coragem para ficar. Comeu pelas beiradas. Não saiu mais. Fez Shakespeare, O’Neill, Tennessee Williams. Sempre no centro.
A vida inteira foi assim. Quando decidiu sair de casa, em Blumenau, para disputar concursos de miss, já foi assim. Centrada. Chegou a Miss Brasil em 1969. Quando topou fazer pornochanchadas, a mesma coisa. “A superfêmea”, de 1973, estourou as bilheterias. Vera aparecia hipnótica em cartaz desenhado pelo craque Benício que hoje é peça de colecionador. Foi parar na TV, em que estreou em 1979, com “Espelho mágico”.
— Eu tinha que fazer bem feito, tinha que me garantir, as pessoas desconfiavam daquela garota que tinha sido Miss Brasil e feito pornochanchada. Fiz cinema, televisão, até chegar no palco. Ali eu me encontrei. No palco eu adquiri outras propriedades, percebi que tinha voz, entendi o poder da minha voz — conta a atriz, que, depois de décadas, não tem mais contrato fixo com a Globo.
‘A cultura brasileira é outro patamar'
“Quero uma cultura plural, políticas que deem emprego a ator, marceneiro, figurinista, bilheteira, iluminador, produtor”, diz Vera Fischer — Foto: Leo Aversa
A independência é também a marca da nova peça. Pensada, produzida e encenada em época de vacas magras para a cultura, o espetáculo não tem patrocínio. Vera diz que encarou o desafio como deu. Transformou elenco e produção em família. Fez café na coxia. Carregou caixa. Pendurou cortina. Pagou transfer do próprio bolso. Ajudou a pregar tábua no cenário. Fez de “um tudo” — mas espera que a partir de agora as coisas sejam um pouco diferentes.
— Estou ansiosa com o novo governo. Eu vi o povo brasileiro, em toda sua pluralidade, colocar a faixa no presidente. É isso que eu espero. Um Brasil plural, uma cultura plural, políticas que deem emprego a ator, marceneiro, figurinista, bilheteira, iluminador, produtor. Tudo. A cultura é uma indústria que gera emprego, paga imposto, movimenta a economia muito mais que outros setores — diz a atriz, que aposta na força da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo para alavancar novos projetos. — Ter o Ministério da Cultura de volta, ter um presidente que fala em cultura em seus discursos, isso já é uma imensa alegria. A cultura brasileira é outro patamar.
Vera se levanta de sua poltrona azul, esquece do joelho fubrecado, e começa a fazer alongamento no chão de carpete do teatro com a desenvoltura e elasticidade de uma contorcionista de circo. Ela conta que está sempre desse jeito, se alongando, preparada e aquecida para cada passo em sua vida. No mais, quer que o futuro seja vibrante, quente e cheio de tempero.
— Não gosto de nada morno, não gosto de nada sem tempero. Sou da pimenta. A vida pode estar nos pequenos detalhes. Quando preparo um gim tônica, por exemplo, sempre dou um jeito de colocar uma pimentinha ali. As coisas ficam bem melhores com pimenta, sabe como é?
O Globo quarta, 18 de janeiro de 2023
FUTEBOL: IMPRENSA INTERNACIONAL REPERCUTE PRIMEIRO JOGO DE SUÁREZ PELO GRÊMIO: *ESTREIA METEÓRICA*
Imprensa internacional repercute primeiro jogo de Suárez pelo Grêmio: 'Estreia meteórica'
Uruguaio marcou três gols contra o São Luiz e conquistou seu primeiro título no Brasil
Por O Globo
18/01/2023 08h49 Atualizado há 14 minutos
Luis Suárez marcou três gols na estreia pelo GrêmioLUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
O atacante Luis Suárez chegou ao Grêmio com seu faro de artilheiro atiçado. O uruguaio de 35 anos fez sua estreia, na última terça-feira, contra o São Luiz, pela Recopa Gaúcha, e de quebra marcou três gols em 37 minutos, ajudando o tricolor a ficar com a taça. Sua atuação rodou o mundo e alguns jornais estrangeiros destacaram seu primeiro jogo no Brasil.
Jornal As repercute estreia de Suárez pelo Grêmio — Foto: Reprodução/As
O jornal As, da Espanha, destacou a estreia de Suárez pelo Grêmio como meteórica. O portal ainda afirma que com os três gols que deram o primeiro título da temporada ao clube gaúcho, o Brasil se rendeu ao uruguaio com uma atuação galática.
Jornal Marca destaca hat-trick de Suárez — Foto: Reprodução/Marca
Também na Espanha, o Marca exaltou o hat-trick de Suárez em 38 minutos e apontou que o atacante não se cansa de fazer gols, seja na Holanda, Inglaterra, Espanha, Uruguai ou Brasil.
L'Équipe
Jornal francês L'Équipe destaca os três gols de Suárez — Foto: Reprodução/L'Équipe
Na França, o jornal L'Équipe disse que a história entre Luis Suarez e o Grêmio parece o início de um romance. E ainda relembrou que o último Hat-Trick do atacante em 45 minutos havia sido em 2013, quando ainda atuava no Liverpool.
A Bola
Jornal A Bola também exaltou o rápido hat-trick de Suárez — Foto: Reprodução/A Bola
Em Portugal, o jornal A Bola disse que Suárez não poderia ser melhor em sua noite de estreia pelo Grêmio. Com seu Hat-Trick, que não marcava desde 2018, ele ajudou o time gaúcho a conquistar o primeiro troféu.
Olé
Jornal argentino repercute estreia de Suárez — Foto: Reprodução/Olé
Assim como os demais portais, o jornal argentino Olé destacou o primeiro jogo, gol e título de Luis Suárez pelo Grêmio. Ainda afirmou que o atacante levou os torcedores gremistas ao delírio com seu hat-trick.
O Globo terça, 17 de janeiro de 2023
GINA LOLLOBRIGIDA SE ENCANTOU: ATRIZ MORRE AOS 95 ANOS
Morre Gina Lollobrigida, atriz italiana, aos 95 anos
Musa do neorrealismo, artista foi símbolo sexual nos anos 1950 e 1960, consagrou-se como estrela de Hollywood e trabalhou com Frank Sinatra
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
16/01/2023 09h59 Atualizado há 22 horas
A atriz Gina Lollobrigida acena para multidão no Festival de Cannes, em 1991Jacques Demarthon/AFP
Morreu, nesta segunda-feira (16), aos 95 anos, a atriz italiana Gina Lollobrigida, musa do neorrealismo e símbolo sexual em filmes lançados na década de 1950. A informação foi confirmada pelo advogado da artista. Segundo jornal "Corriere della sera", Gina estava internada num hospital em Roma.
Gina alcançou a fama nos anos 1950, ao representar o renascimento italiano após a Segunda Guerra Mundial. A atriz foi dirigida por nomes como Vittorio De Sica, Mario Monicelli e Pietro Germi e esteve em filmes como "O diabo riu por último" (1953), em que contracena com Humphrey Bogart, "O corcunda de Notre Dame" (1956), "Quando setembro vier" (1961), "Mar louco" (1963) e "Noites de amor, dias de confusão" (1968). Gina entrou para a calçada da fama, em Hollywood, em 2018.
Ao longo da carreira, sua imagem esteve associada à sensualidade, algo que lhe rendeu o apelido "maggiorata", termo para se referir às belas e voluptuosas atrizes italianas das décadas de 1950 e 1960. Em "Quando explodem as paixões" (1959), atuou ao lado de Frank Sinatra.
Gina Lollobrigida, à esquerda, e Marylin Monroe conversam na entrada de um teatro de Nova York, em 1954 — Foto: AFP
Ao se afastar do cinema, tornou-se fotógrafa e escultora. Recentemente, a artista também tentou ingressar na arena da política. Em 1999, ela se candidatou pela primeira vez a uma vaga no Parlamento italiano. Em 2022, poucas semanas após completar 95 anos, candidatou-se ao Senado.
Gina Lollobrigida era uma poucas divas remanescentes da era de ouro de Hollywood. De acordo com o jornal "Corriere della serra", a artista estava internada desde setembro do ano passado, devido a uma fratura exposta no fêmur direito.