
Maria Mãe de Jesus,
eu vos peço inspiração
para cantar as Marias,
no transcorrer da oração.
As Marias cordelistas
que, com as suas conquistas,
brilham na congregação.
E foi Maria das Neves,
a Batista Pimentel
que, usando nome de homem,
tirou o seu do papel.
Com o marido fez plano,
como Altino Alagoano,
deu autoria ao cordel.
Eu sou Maria de Lourdes,
meus versos têm tradição,
filha de Maria Neuza,
poetisa do sertão,
meu codinome é Dalinha,
e cordel “top de linha”
tenho em minha produção.
Maria Rosário Pinto,
essa mulher cordelista
vive no Rio de Janeiro,
do cordel é ativista,
é poetisa atuante
leva o cordel adiante,
tem sempre um projeto à vista.
A Maria Lindicássia
Nascimento, de Barbalha,
faz um grande movimento
e, de batalha em batalha,
o cordel vai propagando,
na Ciranda vai dançando,
se vira e não se atrapalha.
Maria Anilda, do Crato,
da ACC foi presidente,
nesta dita Academia
faz a mulher mais presente,
movimenta essa cultura
do cordel literatura
é defensora imponente.
Fátima Correia é
uma Maria completa
e, se é boa como atriz.
melhor é como poeta,
atua com alegria,
nos seus versos tem magia,
cumpre bem a sua meta.
A Maria Vânia Freitas
tem história especial,
pois ela é cordelista
e seu marido Pardal,
juntinhos nessa cultura
do cordel literatura
caminha firme o casal.
Josy Maria levou
nossa cultura além-mar,
é fiel representante
da cultura popular.
Não ficou chorando a sorte,
deu à mulher novo norte
para na arte avançar.
Maria Ilza Bezerra
escreve com devoção,
é cria do Piauí
e, na sua produção,
eu vejo com alegria,
que tem mais duma Maria,
marcando sua criação.
A Maria do Rosário
Lustosa, também da Cruz,
cordelista e oficineira,
que muito cordel produz,
sempre tem atividade,
nunca falta novidade,
como griô se conduz.
É a Maria do Carmo
também Ferreira da Costa,
a Madu Costa brilhante,
tem fundamento e proposta
e sempre atua em escola,
apresentou-se em Angola
para a cultura é disposta.
É Maria Mírian Teles
porta voz da tradição,
saberes da oralidade
ela traz no matulão.
Vai tirando da memória
e do caderno de história
para a nova geração.
Filha de Seu Liberato
é a Ângela Maria,
professora preparada,
escreve com maestria,
esculpe com seu cinzel
boas regras do cordel,
pois é mestra na poesia.
Temos Jacinta Maria,
a Correia cordelista,
faz um pouco de teatro,
atuando como artista,
nos temas de atuação,
traz cantos da tradição
com seu sorriso trocista.
Francisca Maria é
a simples Mana Cardoso,
gosta muito de cantar,
com seu jeitinho chistoso.
Faz cordel como ninguém,
é mulher que escreve bem,
seu folheto é valoroso.
Maria Socorro Brito,
Williana do cordel,
canta bem a Natureza,
fala de abelha e de mel,
capricha na produção,
escreve com precisão
às regras, ela é fiel.
Com a Maria Ivonete
seu tema forte é mulher,
dos assuntos femininos
ela faz o que bem quer.
É cordelista raiz,
que sabe sempre o que diz,
como a oração requer.
Em São Paulo, EdiMaria
promove seu movimento
voltado para mulher,
sempre tem bom argumento,
poeta de muito tino
que, no cordel feminino,
é voz em qualquer evento.
Grande Salete Maria,
professora e advogada,
defensora das mulheres,
é poeta premiada.
A notável cordelista,
importante feminista,
é grande na caminhada.
Tem Maria Luciene,
que pertence à Cecordel,
como Maria Bonita,
representa seu papel.
Ela é mais uma Maria
a propagar alegria,
neste mundo do cordel.
Da Maria Dulce Esteves
a escrita conheço bem,
faz trovas e faz sonetos,
é cordelista também.
Escrevendo, pinta e borda,
e qualquer tema ela aborda,
inspiração sempre tem.
A Maria Fabiana,
Família Gomes Vieira,
é poeta de cordel,
professora de carreira.
A cultura popular
está sempre a propalar,
levantando esta bandeira.
Nossa voz há de ecoar
se somos tantas Marias,
no Cordel Literatura,
cirandas e cantorias,
sabemos fazer bonito,
atuando em cada rito,
seja solo ou romarias.