Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 03 de dezembro de 2025

NA CAMPANHA AZUL (CORDEL DA MADRE SEPERIORA DALINHA CATUNDA)

NA CAMPANHA AZUL

Dalinha Catunda

O Brasil faz a campanha,
Desde o norte até o sul,
Para os homens se cuidarem
Nesse tal Novembro Azul.
Pro câncer não lhe matar
Só basta você levar…
Essa tal campanha a sério.

Ismael Gaião

A campanha é importante
E vem quebrando tabu
Não fiquem intimidados
Muito menos jururu
Pra você se prevenir
Basta apenas permitir…
Levar um dedo de prosa

Dalinha Catunda

A campanha é importante
Apóie o novembro azul
O toque é de prevenção
Pra todos nós e pra tu
Com a decisão tomada
Você tem examinada
A região do seu bom senso

Luiz Ademar


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 26 de novembro de 2025

UMA RODA DE GLOSAS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Mote de Dalinha Catunda

O tempo passa ligeiro
E você passou também
Deixei de ser o seu bem
Nosso amor foi passageiro
O meu coração matreiro
Logo fez a fila andar
Comecei a namorar
Vi você só ensaiando:
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Dalinha Catunda

Eu já paguei sem dever,
Já falei sem ser ouvido,
Já fui pai sem ser marido
E até briguei sem querer;
Já ouvi sem entender
Gente abestada falar
E para não desgostar
Simulei estar amando;
Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.

Joames

Só malha em ferro frio
Quem quer viver de ilusão,
Vai cerceando a razão
Torna a vida um desafio
Mina a água desse rio
Até seu leito secar
De resto, é imaginar
Gato por lebre comprando:
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Bastinha Job

Wellington Santiago
Por demais impaciente,
Eu sou mesmo desse jeito;
Sou o tipo do sujeito,
Apressado, simplesmente;
Me aborreço facilmente,
Com quem demora pagar.
E pra conversa encurtar,
Não vou ficar demorando;
Jamais fiquei esperando,
Quem não ficou de voltar.

Wellington Santiago

 

Não me iludo com besteira
Esperar falsas promessas
Vi meu mundo às avessas
E levei maior rasteira
Duma forma traiçoeira
Deixei – me foi tapear
Quem prometeu retornar
Acabou foi me largando
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Dulce Esteves

Foi bom enquanto durou
Mais tudo chega o final
Ela foi e não deu sinal
Nunca mais pra mim ligou
Só que a fila não parou
Outra pintou no lugar
Não fico a choramingar
Por cantos, só resmungando
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Jairo Vasconcelos

Sou um homem de atitude
E não suporto arrodeio;
– Nada presta pelo meio!
– Metade não tem virtude
Nem reverbera saúde
Pra quem deseja provar
Do fruto pra se esbaldar
Com seu néctar transbordando.
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Prof. Weslen

Muitas vezes me enganei
Por pura ingenuidade
Buscando a felicidade
Em outros, eu confiei
A minha cara, quebrei
E ficava a lamentar
Até um dia, acordar
E ver que eu estava errando
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Creusa Meira

Eu fiquei uma só vez
Num banco de uma praça
Triste sozinha e sem graça
Mas não perdi a altivez
Não duvidei em talvez
Achei bom ter que mudar
Mudar para melhorar
Não ter que ficar chorando.
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Vânia Freitas

Partiu deixando saudade,
ao longe acenou um adeus,
levou pensamentos meus,
no coração de maldade,
confiei a minha amizade,
relutei em não aceitar,
alguém que fui me entregar,
partiu dali me enganando,
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Joabnascimento

A Minha Mulher Falou
Vou na Casa De Papai
Eu Falei Você não Vai
Que não Fico Sem Calor
A Danada Viajou
Nem Lembra De Me Ligar
Me Danei A Namorar
A filha de Adriano
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Alberto Francisco

Eu sou cabra invocado
Queimo mau com quem demora
Empacou, meto a espora
Ando sempre avexado
Não dou prazo pra lesado
Pode até se esgoelar
Achou ruim, vá se lascar
Que não tô nem me lixando
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Giovanni Arruda

Não deu nem um até breve
Nem uma piscada de olho
Como não sou mais pimpolho
Sei esperar o que se deve
Enganar ninguém se atreve
Quando isto não vai dar
Boto a fila pra andar
Pois a senha tá clamando
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Rivamoura Teixeira

A nossa vida hoje em dia
é por demais apressada,
não se tem tempo pra nada,
é intensa a correria.
Isso há tempo não se via
nem podia imaginar
que o dia fosse chegar
da gente viver zanzando…
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

David Ferreira


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 19 de novembro de 2025

MAS A PONTE NÃO CAIU! (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)|

MAS A PONTE NÃO CAIU!

Dalinha Catunda

Mote de Braulio Tavares:

Mas a ponte não caiu!

Eu caí na gargalhada,
Quando ele caiu no choro,
Seu pinto por desaforo,
Não levantava por nada!
Aquela pomba minguada,
Tão fraca desmilinguiu…
De mim ele só ouviu:
Vou continuar no cio
E você a ver navio
Mas a ponte não caiu!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 12 de novembro de 2025

O CASTIGO DA SOGRA MALVADA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SEPERIORA DALINHA CATUNDA)

O CASTIGO DA SOGRA MALVADA

Dalinha Catunda

Capa de Roberto Braga

 

Eu vou contar uma história
Daquelas de antigamente
Que ouvi quando criança
E guardei na minha mente
Foi Tia Isa quem contou
E eu agora aqui estou
Passando a história a frente.

Sempre à boquinha da noite
Com cadeiras na calçada
Sentava-se minha tia
No meio da criançada
Que ouvia com atenção
Detalhes da contação
De cada história narrada.

Foi assim que me criei
E abraço essa tradição
Um ponto vou aumentando
No transcorrer da oração
Sem esquecer a magia
Das histórias de titia
Nas calçadas do sertão.

Pra não quebrar a magia
Desse jeito de contar
Vou imitar minha tia
No modo de iniciar
Descrever como ela fez
Repetindo: ERA UMA VEZ
Para a história começar.

Era uma vez uma mãe
Que bem moça enviuvou
Tinha somente um filhinho
Dele muito bem cuidou
Era a razão da sua vida
Para a criança querida
Carinho nunca faltou.

Um bom menino ele era
Sempre muito obediente
Auxiliava sua mãe
Não fugia do batente
Viviam em harmonia
Um do outro companhia
O que a deixava contente.

 

O tempo foi se passando
O bom menino cresceu
Seu mundo ficou maior
A mãe logo percebeu
E assim viviam em paz
Pois tornou-se um bom rapaz
O filho que Deus lhe deu.

Quando o filho já rapaz
Começou a namorar
Tirou da mãe o sossego
Por ela não aceitar
Mais uma mulher na vida
Da criança tão querida
Do seu menino exemplar.

E cada vez que o mancebo
Um namoro iniciava
A velha toda manhosa
Uma doença inventava
Ele muito preocupado
Não saía do seu lado
E sem namorar ficava.

Era um moço inteligente
Mas tinha uma mãe sagaz
Uma mulher egoísta
Que de tudo era capaz
Para o filho não perder
De tudo iria fazer
E roubou do moço a paz.

Para não aborrecer
Nem a mãe contrariar
Só namorava escondido
Coisa séria nem pensar
Mas quando chega a paixão
Quem fala é o coração
E ninguém pode empatar.

Com o filho da viúva
Foi isso que aconteceu
Um dia numa quermesse
Uma jovem conheceu
Passaram a namorar
A mãe quis atrapalhar
Mas resultado não deu.

Era moça bem-criada,
Donzela muito bonita
E tinha nome de Santa
Essa meiga senhorita
Foi batizada e crismada
Pelo pai foi registrada
A bela Maria Rita.

A viúva a contragosto
A donzela recebia
Porém não se conformava
Com tudo que acontecia
E até fez um juramento
Acabo esse casamento
Não vai demorar dizia.

Tratava a futura nora
Com desdém, com insolência
Maria Rita humilhada
Fez promessa e penitência
O casório aconteceu
Maria Rita venceu
Usando de paciência.

A velha engoliu o choro
Porém a vingança armava
Na sua cabeça insana
Dia a dia arquitetava
Um plano muito cruel
Com gosto amargo de fel
Com sua astúcia contava

O filho mesmo casado
Perto da mãe foi morar
Apesar dos contratempos
Não iria abandonar
A sua mãe tão querida
Mulher que lhe deu a vida
E que não deixou de amar.

O seu trabalho era ingrato
Viajava o tempo inteiro
Pois comprava e revendia
Couro pra fazer dinheiro
Deixava a mulher sozinha
Tendo a mãe como vizinha
Sempre ficava cabreiro.

Sempre que a sogra podia
Da nora falava mal.
Mas o marido dizia:
– Meu amor é especial!
– Pode ser que sim ou não,
Vamos ver quem tem razão.
Quem está certo afinal.

– Minha mulher é honesta
E tem um bom coração.
– Você acredita nisso?
– Porém eu não creio, não!
– E se você não me aprova
– Faça com ela uma prova
Vai ver que tenho razão.

– Arquitete uma viagem
– Porém volte do caminho
– De noite você vai ver
– O que sucede em seu ninho.
O rapaz mudou de cor
Seu olhar era de dor
Não queria ser mesquinho.

Entretanto resolveu
Fazer o que a mãe queria
Pois viver cheio de dúvidas
Ele não conseguiria
O ciúme lhe encharcava
Mas ao mesmo tempo achava
Que a mulher não merecia.

Arrumou a sua viagem
Como em outras vezes fez
E beijou a sua amada
Meio sem jeito, na tez
Pediu pra nossa Senhora
Proteção naquela hora
Pra não se perder de vez.

Com o coração partido
Ele deixava seu lar
Sem saber o que seria
Dele quando regressar
Pela fresta da janela
A sua mãe de sentinela
Confiante a vigiar.

A viúva nem pensou
Que Deus é onipotente,
Se o cão, atenta d’um lado,
Deus do outro está presente
Vestiu-se para sair
E seu plano concluir
De maneira inconsequente.

Não demorou muito tempo
Um homem apareceu
De terno e usando chapéu
E em sua porta bateu
O moço ficou gelado
Completamente abalado
E a tragédia aconteceu.

Correu pra cima do homem
Com uma arma na mão
Descarregou a pistola
Tinha perdido a razão
O homem caiu de bruços
Gritava o moço em soluços
Não aceito traição.

Irado arrombou a porta
E a mulher puxou sem tino
Arrastou pelos cabelos
Em completo desatino
Venha ver o seu amante
Que eu matei nesse instante
Você me fez assassino.

A mulher sem entender
Apavorada gritava:
– Eu nunca tive um amante!
Mas ele não escutava
E seguia enlouquecido
Pra porta onde o falecido
Ensanguentado estava.

Quando chegaram a porta
Ele soltou a consorte
Desvirou o traidor
Que não escapou da morte
De susto ele desmaiou
Porque não acreditou
Na sua falta de sorte.

Pois naquela cena atroz
O corpo inerte no chão
De terno e com um chapéu
Lhe causava comoção
Era sua mãe querida
Mulher que lhe deu a vida
Caiu na própria armação

A pobre Maria Rita
Resolveu naquela hora
Abandonar o marido
Que o seu perdão implora
Mas ela com os seus ais
Voltou pra casa dos pais
Para sempre foi embora.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de novembro de 2025

RODA DE GLOSAS (POSTAGEM DA COLUNISTA DALINHA CATUNDA)

RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

Xilogravura de Carlos Henrique

Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Mote desta colunista

Quem visa agradecimento
Quando toma uma atitude
Com certeza só se ilude
É esse meu pensamento
E quem tem discernimento
Sabe que tenho razão
Não me falta inspiração
Para falar a verdade:
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Dalinha Catunda

Olhando o mundo nós vemos
Uma grande hipocrisia;
É comum, no dia a dia,
Belas palavras que lemos
E, de fato, percebemos
Em grande divulgação
Na net, televisão,
Sem a prática de verdade!
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Professor Weslen

Não espere de ninguém
Que reconheçam seus atos
Pois, nessas vias de fatos
Isso pouco lhes convém
Vão te tratar com desdém
Faça sem ter pretensão
Com amor no coração
O resto, deixe à vontade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Dulce Esteves

Dizer da boca pra fora
É fácil até demais
Pelas redes sociais
Agente ler toda hora
Lembro no tempo de outrora
Ninguém fazia coração
Era palavra e ação
Homens tinham lealdade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Jairo Vasconcelos

Voltar para agradecer
Dificilmente fazemos
Por isso o mundo que temos
Tá triste pra se viver
Vemos primeiro o ter
Mas nesta competição
Um dia vem a razão
Trazendo toda a verdade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Araquém Vasconcelos

O homem mais verdadeiro
não quer reconhecimento
pois seu grande alumbramento
é ser servil bem primeiro
como um grande justiceiro
vive de estender a mão
e ao socorrer seu irmão
em troca tem falsidade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Chico Fábio

Faça sem olhar a quem,
Não importa pra quem seja,
Que a outra mão não veja,
Nem fale nada também,
Recompensa logo vem,
Ligeiro em sua direção,
Rápido que nem avião,
Pra quem faz a caridade,
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Joab Nascimento

A quem usa essa palavra,
Se conhecido ou estranho,
O benefício é tamanho
Que o seu caminha destrava,
Porém a coisa se agrava
Se não vem do coração
Quem só recita o bordão
Mascara a realidade.
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Nilza Dias

O grato tem a grandeza
O dom de reconhecer
Por tudo que receber
Com generosa presteza
De alguém por gentileza
Que tem o bom coração
D’estender a sua mão
Pela generosidade.
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Francisco de Assis Sousa

Faça sempre o seu melhor,
Pois isto não é façanha,
Nem moeda de barganha.
Doe amor ao redor,
Não torne a vida pior.
Ofereça o coração,
Tire da vida lição.
Vivendo na caridade.
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Rosário Pinto


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 29 de outubro de 2025

UMA GLOSA - 31.12.2022 (CORDEL DO COLUNISTA JESUS DE RITINHA DE MIÚDO)

Mote desta colunista:

Só teme o peso da cruz
Quem já perdeu a esperança.

Não adianta chorar
A vida que foi já era
Os sonhos de primavera
Eu vi o inverno levar
Sem medo de me molhar
Vou seguindo minha andança
Em Deus tenho confiança
É ele quem me conduz
Só teme o peso da cruz
Quem já perdeu a esperança.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 15 de outubro de 2025

O VELHO DA LAGOA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

O VELHO DA LAGOA

Dalinha Caunda

Meu cordel lançado na FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty

 

Lá na ilha da Gigóia
Uma figura marcante,
Certo dia apareceu.
A roupa era extravagante,
Mas o sorriso no olhar,
Chegava para encantar,
Era doce seu semblante.

Era o Velho da Lagoa!
Não assustava criança,
Era um contador de história,
Que difundia esperança.
Quando o velho aparecia
A criançada sorria
Imaginando a festança.

Sua missão nessa terra
Era com toda certeza
Repassar para os mais novos
O valor da natureza
Vivia a perambular
Sempre disposto a falar
Da nossa maior riqueza.

Ele queria plantar
A semente da mudança
Alinhavava seu sonho
Direcionado a criança
E rogava inspiração
Para entrar logo em ação
Com fé e muita esperança.

 

A lagoa era sua vida
Gostava de navegar
Mas hoje tão poluída
Custoso era trafegar
Com tanta poluição
Não tinha mais condição
De se dispor a pescar.

Muitas vezes matutava
Lembrando de antigamente
Pois entre o mar e a floresta
A lagoa era um presente
Era a Barra da Tijuca
Uma praia sem muvuca
Deserta, naturalmente.

Os primeiros moradores
Tinham frutas à vontade
Bastava apenas colher
E não era novidade
Caranguejos não tem mais
Foram-se os animais
A lembrança o faz sofrer

Com os olhos marejados
Conta para a meninada
Da areia branca da ilha
E da floresta habitada
Das árvores tão frondosas
Hoje lembranças saudosas
A Ilha foi transformada.

Esse contador de histórias
Recorda seus habitantes
Macaquinhos capivara
Que já não tem como antes
Tucanos, garças biguás
Jacarés e até gambás
Daqueles tempos distantes.

E comove a criançada
Quando começa a falar
Das águas que eram límpidas
Próprias para se banhar
Onde menino e menina
Sem temer a sua sina
Lá aprendiam nadar.

Velha ilha da Gigóia
Ocupa seu pensamento
Ilha que já não é mais
O que fora antigamente
Na sua lembrança aflora
A fauna e a flora d`outrora
Mexendo com sua mente.

Pois a cidade chegou
Mudando a situação
E o griô viu progredir
Somente a destruição
Já não canta sua loa
Falando bem da lagoa
Lá da sua embarcação.

Lamenta esse crescimento
Que chegou desordenado
Cada esgoto dessa ilha
Lá na lagoa é jogado
E nada será como antes
Mas com cuidados constantes
O caos será evitado.

A lagoa está doente
Com tanta poluição
Vejo o velho da lagoa
Tentando uma solução.
De maneira singular
Trabalha para engajar
As crianças nessa ação.

Entre uma conversa e outra
Com sua fala macia
Repassa para as crianças
Com muita diplomacia
A responsabilidade
De escutar sua verdade
Cheia de sabedoria.

Apesar de falar sério
Tem um sorriso no olhar
E cada palavra dita
Carrega o dom de encantar
Pois tudo que o velho diz
Deixa a galera feliz
Com vontade de escutar.

Meus meninos e meninas
Prestem bastante atenção
O mundo está se acabando
Com tanta poluição
Entretanto a esperança
Paira na mão da criança
Que tem determinação.

Não jogue lixo na rua
Mostre sua educação
Não maltrate os animais
Deles tenha compaixão
Aposte num novo plano
E respeite o ser humano
Cuide do seu ancião.

Preserve nossas florestas
Cuide do meio ambiente
Não brinque nunca com fogo
Para evitar acidente
Cuide bem da natureza
Da nossa maior riqueza
Pra que seja permanente

Saiba respeitar as águas
Para o bem de toda gente
Cuide de grota e açude
Cuide de cada vertente
De riacho e ribeirão
De tudo que molha o chão
Nada de ser negligente.

Da cachoeira a cacimba,
do olho d`água, também
Do rio, lago e lagoa
De tudo que a gente tem
Dos imensos oceanos
Para não ter desenganos
Que com o descaso vem.

Dessa lição benfazeja
Fui criança a escutar
Ouvi dos meus ancestrais
E hoje estou a repassar
Geração a geração
Desejo a repetição
Para o mundo melhorar.

Segue o Velho da Lagoa
Firme em sua embarcação
Seguindo sempre seu Norte
Cumprindo a sua missão
Na bonita trajetória
Vai tirando da memória
Histórias pra contação…

Essa história que contei
Mano Melo me contou
É a sinopse de um filme
Que de fato me encantou
Adentrei nesse universo
Contando com rima e verso
O que a mente captou.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 08 de outubro de 2025

A ARTESÃ (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A ARTESÃ

Dalinha Catunda

Artesanato desta colunista

 

A destreza da mulher
No trabalho artesanal
É legado do passado,
Vindo do berço ancestral,
É motivo de alegria,
É sessão de terapia,
O bendito ritual.

Esse saber cultural
Tem arte tem tradição
É relíquia que artesã
Concretiza em sua mão,
O fruto dessa magia
Traz o pão de cada dia,
É base é sustentação.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 01 de outubro de 2025

HAICAI (POSTAGEM DA COLUNISTA MADRE SEPERIORA DALINHA CATUNDA)

HAICAI

Dalinha Catunda

Não tranquem a porta

Que pularei a janela

Voar me conforta.

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 24 de setembro de 2025

MONTANDO VERSOS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

MONTANDO VERSOS

Dalinha Catunda

Bastinha Job ao lado desta colunista

 

Já fui boa amazona
Gostava de cavalgar
Tinha um cavalo baixeiro
Elegante no trotar
Hoje não monto mais nada
Vivo de crina abaixada
E nem me atrevo a trepar.

Bastinha Job

Eu aprendi a trepar
Não escorrego nem caio
Me trepo até em jumento
Carregado de balaio
Aprendi lá no sertão
Monto sem cair no chão
Sem precisar de ensaio.

Dalinha Catunda

Tenho certeza que caio
MINHA querida Dalinha
A velhice é atestado
Dessa invalidez só minha:
Nas pernas não me sustento
Não trepo nem em jumento
Nisso você é rainha!

Bastinha Job

A idade não me aporrinha
Cansaço inda não bateu
Eu não vou cruzar as pernas
Monto um baio que é só meu
Meu sonho não é quimera
Renasce na primavera
Meu gosto não pereceu.

Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 21 de setembro de 2025

MEU CAJU, MEU CAJUEIRO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

MEU CAJU, MEU CAJUEIRO

Dalinha Catunda

 

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e longan

 

Pode ser uma imagem de maçã

 

1
O conhecimento eu tenho.
Peço a musa inspiração,
Pra falar do cajueiro,
Riqueza do meu sertão.
Versos trago no baú
Da castanha e do caju
Pra compor essa oração.
2
Vem do tupi-guarani
Este termo “aca-yu”,
Que é: Noz que se produz,
Dando origem ao caju.
Nosso caju brasileiro,
Que brota do cajueiro.
Faz rico nosso menu.
3
Tupis marcavam os anos
De maneira singular
Na colheita do caju,
Para a idade marcar
Usando sua façanha,
Guardavam uma castanha
Num pote para contar.
4
Chuvas do caju ocorrem
Em setembro no Ceará.
É a chuva da colheita.
Afirma o povo de lá.
Essa precipitação
É espaça no sertão
Na estação que seca está.
5
Tem o cajueiro anão
E tem gigante também.
Anão vai a quatro metros,
Mais de vinte o grande tem.
Porém o maior do mundo
De Natal é oriundo
De Pirangi grande bem.
6
Cantou Juvenal Galeno,
” Cajueiro Pequenino”.
Vou fazer como o poeta,
Nesse louvor genuíno.
Vou falar da serventia
Do caju com poesia
No meu cantar nordestino.
7
Primeiro quero informar
Nessa minha explanação,
Uma dúvida que existe,
E até causa confusão.
É que o fruto verdadeiro,
Que carrega o cajueiro,
É castanha, caju não!
8
Quero aqui falar da fruta.
Enaltecendo o sabor.
Falar da casca e da folha
Do aroma que solta a flor
Da sombra do cajueiro,
Onde meu amor primeiro
Declarou-me o seu amor.
9
O caju é o falso fruto,
Pedúnculo ou acessório,
Porém sua utilidade
Não tem nada de ilusório.
É sempre bem empregado
Na cozinha ele é usado
De modo satisfatório.
10
Tem caju, tem cajuí,
E caju banana tem.
Tem amarelo e vermelho,
Alaranjado também.
Caju tem variedade.
É fruta de qualidade,
Saudável e nos faz bem.
11
Do caju se faz um suco,
Nutritivo e refrescante.
E que além de saboroso,
Pra saúde edificante.
Na casa do nordestino
Enche o bucho de menino
É suco revigorante.
12
Vinhos feitos de caju,
Vêm dos nossos ancestrais.
Os indígenas faziam
Pra beber nos rituais.
Em cada celebração,
O gosto de tradição
Tinha os cerimoniais.
13
Em se tratando de doce
De caju tem variado:
Tem o doce de compota,
Em calda e cristalizado,
Doce liso tem também,
Do sabor pergunte alguém,
Que tenha deles provado.
14
Derivada do caju,
Também tem a cajuína.
Destaco a que já bebi,
Pras bandas de Teresina.
E no Cariri provei,
Da São Geraldo e gostei,
Que delícia nordestina!
15
Uma curiosidade
Confesso cansei de ver.
Foi o broto do caju
Dentro do litro crescer,
Depois da fruta crescida,
A cachaça era acrescida
No litro pra envelhecer.
16
No tempo da floração,
Emana do cajueiro,
Um cheiro peculiar,
Que o vento espalha ligeiro,
E desde os tempos da infância,
Eu sinto a mesma fragrância,
Que sentia em meu terreiro.
17
A flor além de cheirosa,
Também é medicinal.
Ela é anti-inflamatória,
Diurético natural.
Mezinha convidativa,
E sendo depurativa,
Ajuda sem fazer mal.
18
Usamos cascas e folhas,
Para um bom chá produzir.
Bom pra problemas de pele,
E pra parar de tossir.
Para catarro e fraqueza,
Esse chá é uma beleza!
Já vi mamãe consumir.
19
Que o caju rouba a cena
De fato, é realidade.
Mas a castanha entretanto,
É o fruto de verdade!
Convidativa e gostosa,
Nutritiva e saborosa,
E de muita utilidade.
20
Em terreiros e quintais,
A castanha era assada.
Fogueira e lata furada,
Nas farras da meninada.
Recordo dessa folia,
Eu repleta de alegria,
Curtindo a mesma jornada.
21
Eu sou cabocla nascida,
Criada no interior.
Comendo muita castanha,
Do caju trago o sabor.
Como boa nordestina,
Tomo suco e cajuína,
E até já tomei licor.
22
Quando é tempo de caju,
Eu toda assanhada fico.
Igualmente a passarinho,
Eu vivo melando o bico.
Com a vara de bambu,
Vou cutucando o caju,
E pego sem pagar mico.
23
Tenho paixão por caju,
Pelo gosto e cheiro agreste.
E o colorido que dá,
Às feiras lá do Nordeste.
No museu do caju sou,
A cabocla que cantou,
Esta riqueza campestre.
24
Tenho setenta cajus,
Nos passos da minha estrada.
Do caju quero o refresco,
A castanha quero assada.
E do cajueiro a sombra,
Pois idade não me assombra!
Continuo a caminhada.
Fim
Cordel de Dalinha Catunda

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 17 de setembro de 2025

HÁ JUDAS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA DATUNDA

HÁ JUDAS

Dalinha Catunda

Bastinha Job e Dalinha Catunda

 

* * *

Pois quem enche cu de judas
É molambo bem socado.

Mote desta colunista

Quem quer ser bem recebido
Aprende a receber bem
Jamais inventa porém
E não se mete a sabido
Quem só quer ser merecido
Não tem vaga do meu lado
Termina sendo enxotado
Eu não ofereço ajudas
Pois quem enche cu de judas
É molambo bem socado.

Dalinha Catunda

Tem muita gente se enchendo
Se julga acima do mal,
Etcétera, coisa e tal
Vai os farelos comendo
Entre porcos se metendo
Achando doce o mijado
Já está todo cagado;
Vai pra real,não te iludas:
Pois quem enche cu de judas
É molambo bem socado

Bastinha Job


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 10 de setembro de 2025

O VOO DA RETIRANTE! (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

O VOO DA RETIRANTE!

Dalinha Catunda

 

 

Eu sou mulher sertaneja!
Feminina e singular
O agreste me batizou
Mas fiz do mundo meu lar
Açoites patriarcais
Não me podaram jamais
Lutei pra me libertar.

Nunca fui igual a tantas
Aceitando imposição
Tinha o olhar aguçado
Tinha rumo e direção
Do meu jeito nordestino
Sem drama sem desatino
Segui cheia de razão.

Não fui mulher de ficar
Debruçada na janela
Eu queria muito mais
Vi que a vida dava trela
Na janela não fiquei
A porta eu escancarei
E joguei fora a tramela.

Uma estrada desenhei
Do jeitinho que eu queria
Nela pisei com firmeza
Distribuindo alegria
As veredas da tristeza
Enfrentei sem ter moleza
Recorrendo a rebeldia

 

Receio de ser feliz
Não provei no meu caminho
Fui ave de ribação
Trocando às vezes de ninho
longe do velho rincão
Eu desbravei novo chão
Sem sumir no torvelinho.

As pragas que me jogaram
Voltaram pra quem jogou
Eram tantas profecias
Nenhuma se confirmou
E hoje vou lhes dizer
Não parti pra me perder
Quem me viu depois notou.

Nunca fui desatinada
Era desobediente
A cruel hipocrisia
Era discurso presente
Mas fugi dessa verdade
Da podre sociedade
Jamais quis herdar corrente.

Eu nunca tive medo
De casar ou não casar
Sempre tive minha luz
Que acendi pra me guiar
Munida de inteligência
Não quis viver de aparência
Tive peito pra encarar.

A luxúria dos senhores
Fez filho no cabaré
O santo padre endeusado
Profanou a sua fé
Mas tudo era encoberto
O pecador era o certo
Na vida como ela é.

Eu vi a mulher do próximo
Nos braços do seu amante
Vi o próximo noutros braços
Situação semelhante
Mas tudo era abafado
O tal do patriarcado
Tinha o grito retumbante!

Vi esposas recebendo
No lar putas do marido
O homem podia tudo
Sempre era obedecido
E a mulher subjugada
Não podia falar nada
Seu orgulho era engolido.

Eu vi telhado de vidro
Querendo pedra atirar
Presenciei falsas virgens
Casando em frente ao altar
Noivo ganhando boiada
Pra assumir a desonrada
E o nome dela salvar.

O homem tinha direitos
Mas não os tinha a mulher
Se deixasse de ser casta
Viraria uma qualquer
De sua casa era expulsa
Sobrava-lhe só repulsa
E compaixão nem sequer.

Eu escrevi outra história
E fiz o sertão ferver
Fiz um filho sem casar
Começou meu padecer
E para meu desencanto
Não era do espírito santo
Foi difícil resolver.

A cidade jogou pedra
No meu lar não me cabia
Todos lavaram as mãos
Enquanto eu me despedia
Aceitei a minha cruz
Apeguei-me com Jesus
E com a Virgem Maria.

Não vou dizer que foi fácil
Porém não me entreguei.
O sangue de nordestina
Comigo eu carreguei
Trabalhei como ninguém
Pra consegui ir além
Eu nunca me desgracei.

Não tive pena de mim
Não chorei a pouca sorte
Resolvi virar o jogo
Meu orgulho me fez forte
Empinei bem o nariz
Vivo do jeito que quis
Eu mesma fui meu suporte.

Tangida ganhei o mundo
Sem esquecer minha aldeia
Lá voltei mais de mil vezes
Sem medo de cara feia
Não saí do meu lugar
Sem aprender a nadar
Para não morrer na areia.

E cada vez que eu voltava
Pra minha satisfação
Tinha nova mãe solteira
Em meu querido rincão
Eu vi que servi de exemplo
Só me falta agora um templo
Pra minha coroação.

Sou mãe de dois bons meninos
Que ao meu lado vi crescer
Dei casa, comida e estudo.
Criar bem foi meu dever
Os dois já estão formados
Todos dois bem colocados
Esse é meu maior prazer.

Sempre volto a Ipueiras
Onde vou veranear
Hoje me chamam Senhora
Chego quase a gargalhar
Mesmo tendo eira e beira
Continuo mãe solteira
Apesar de ter meu par.

Escorregando e caindo
Aprendi a levantar
Eu nunca deixei barato
Quando ousaram me afrontar
Sempre tomei atitude
Se muitas vezes fui rude
Foi pra ninguém me pisar.

Sou filha da intolerância
Conheci o preconceito
Guerreira que não se dobra
E pra flecha abri meu peito
De cada dardo escapei
Criei minha própria lei
Pois nutri esse direito

Agora sou poetisa
Não acho o mundo perverso
Eu dei a volta por cima
Essa história conto em verso
E digo com alegria
Eu sou mais uma Maria
Coragem nesse universo.

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 03 de setembro de 2025

ÁGUA É VIDA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DAQLINHA CATUNDA

ÁGUA É VIDA

Dalinha Catunda

Versifico meu apelo
Meu grito vivo de alerta
Cada verso é incisivo
Indicando a rota certa:
Águas que contam histórias
Que fazem as trajetórias
Pra vida não ser deserta.

Bastinha Job

Cada rio, cada fonte.
É vida pro cidadão
Mas que desatentamente
Motiva a poluição
Porém sem raciocinar
Acaba por provocar
A própria destruição.

Dalinha Catunda

 

Bastinha e Dalinha


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de agosto de 2025

CARTAS NA MESA SEMPRE (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SEPERIORA DA DALInHA CATUNDa

CARTAS NA MESA SEMPRE

Dalinha Catunda

CARTAS NA MESA SEMPRE

Quem põe as cartas na mesa
Não causa desilusão
Não golpeia uma amizade
Não fere um coração
Não mancha seu nome à toa
Não engana, não magoa
Pois marca sua posição.

Quem joga limpo na vida
Porta aberta sempre deixa
Demostra ter hombridade
Não deixa brecha pra queixa
Preza o nome que carrega
Não finge não escorrega
No estilo não desleixa.

Amizade é coisa rara
Que se deve conservar
Mas quando fica arranhada
É difícil cultivar
É como um vaso quebrado
Que mesmo sendo colado
As marcas irão ficar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 13 de agosto de 2025

UMA GLOSA - 01.04.2023 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Faz parte da brincadeira
Entrar na glosa e mentir

Mote desta colunista

Com vontade de trepar,
Trepei num mandacaru,
Depois num pé de caju,
E trepei, sem me arranhar!
Conto sem pestanejar,
Sem tremer pra garantir,
Pois sou mulher de assumir,
Como já fez Zé Limeira:
Faz parte da brincadeira
Entrar na glosa e mentir.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 16 de julho de 2025

AS MARIAS DO CORDEL (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

AS MARIAS DO CORDEL

Dalinha Catunda

Maria Mãe de Jesus,
eu vos peço inspiração
para cantar as Marias,
no transcorrer da oração.
As Marias cordelistas
que, com as suas conquistas,
brilham na congregação.

E foi Maria das Neves,
a Batista Pimentel
que, usando nome de homem,
tirou o seu do papel.
Com o marido fez plano,
como Altino Alagoano,
deu autoria ao cordel.

Eu sou Maria de Lourdes,
meus versos têm tradição,
filha de Maria Neuza,
poetisa do sertão,
meu codinome é Dalinha,
e cordel “top de linha”
tenho em minha produção.

Maria Rosário Pinto,
essa mulher cordelista
vive no Rio de Janeiro,
do cordel é ativista,
é poetisa atuante
leva o cordel adiante,
tem sempre um projeto à vista.

 

A Maria Lindicássia
Nascimento, de Barbalha,
faz um grande movimento
e, de batalha em batalha,
o cordel vai propagando,
na Ciranda vai dançando,
se vira e não se atrapalha.

Maria Anilda, do Crato,
da ACC foi presidente,
nesta dita Academia
faz a mulher mais presente,
movimenta essa cultura
do cordel literatura
é defensora imponente.

Fátima Correia é
uma Maria completa
e, se é boa como atriz.
melhor é como poeta,
atua com alegria,
nos seus versos tem magia,
cumpre bem a sua meta.

A Maria Vânia Freitas
tem história especial,
pois ela é cordelista
e seu marido Pardal,
juntinhos nessa cultura
do cordel literatura
caminha firme o casal.

Josy Maria levou
nossa cultura além-mar,
é fiel representante
da cultura popular.
Não ficou chorando a sorte,
deu à mulher novo norte
para na arte avançar.

Maria Ilza Bezerra
escreve com devoção,
é cria do Piauí
e, na sua produção,
eu vejo com alegria,
que tem mais duma Maria,
marcando sua criação.

A Maria do Rosário
Lustosa, também da Cruz,
cordelista e oficineira,
que muito cordel produz,
sempre tem atividade,
nunca falta novidade,
como griô se conduz.

É a Maria do Carmo
também Ferreira da Costa,
a Madu Costa brilhante,
tem fundamento e proposta
e sempre atua em escola,
apresentou-se em Angola
para a cultura é disposta.

É Maria Mírian Teles
porta voz da tradição,
saberes da oralidade
ela traz no matulão.
Vai tirando da memória
e do caderno de história
para a nova geração.

Filha de Seu Liberato
é a Ângela Maria,
professora preparada,
escreve com maestria,
esculpe com seu cinzel
boas regras do cordel,
pois é mestra na poesia.

Temos Jacinta Maria,
a Correia cordelista,
faz um pouco de teatro,
atuando como artista,
nos temas de atuação,
traz cantos da tradição
com seu sorriso trocista.

Francisca Maria é
a simples Mana Cardoso,
gosta muito de cantar,
com seu jeitinho chistoso.
Faz cordel como ninguém,
é mulher que escreve bem,
seu folheto é valoroso.

Maria Socorro Brito,
Williana do cordel,
canta bem a Natureza,
fala de abelha e de mel,
capricha na produção,
escreve com precisão
às regras, ela é fiel.

Com a Maria Ivonete
seu tema forte é mulher,
dos assuntos femininos
ela faz o que bem quer.
É cordelista raiz,
que sabe sempre o que diz,
como a oração requer.

Em São Paulo, EdiMaria
promove seu movimento
voltado para mulher,
sempre tem bom argumento,
poeta de muito tino
que, no cordel feminino,
é voz em qualquer evento.

Grande Salete Maria,
professora e advogada,
defensora das mulheres,
é poeta premiada.
A notável cordelista,
importante feminista,
é grande na caminhada.

Tem Maria Luciene,
que pertence à Cecordel,
como Maria Bonita,
representa seu papel.
Ela é mais uma Maria
a propagar alegria,
neste mundo do cordel.

Da Maria Dulce Esteves
a escrita conheço bem,
faz trovas e faz sonetos,
é cordelista também.
Escrevendo, pinta e borda,
e qualquer tema ela aborda,
inspiração sempre tem.

A Maria Fabiana,
Família Gomes Vieira,
é poeta de cordel,
professora de carreira.
A cultura popular
está sempre a propalar,
levantando esta bandeira.

Nossa voz há de ecoar
se somos tantas Marias,
no Cordel Literatura,
cirandas e cantorias,
sabemos fazer bonito,
atuando em cada rito,
seja solo ou romarias.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 09 de julho de 2025

CORDEL WE TEATRO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

CORDEL E TEATRO

Dalinha Catunda

Santini e eu

O Santini é uma lenda,
Nas páginas do cordel.
Canta, conta tudo em versos,
Com ares de menestrel.
A galera fica atenta,
Ao pandeiro e a vestimenta,
Que dão vida ao seu papel!

Dalinha Catunda

Minha amiga Dalinha
Catunda, grande poeta,
Puxando verso na linha,
Tem na mente grande meta:
Fazer o verso entoar
Sua fala, ecoar …
Na rima que se completa

Edmilson Santini

Saiba mais sobre Edmilson Santini clicando aqui


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 02 de julho de 2025

A FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO

Dalinha Catunda

 

A Feira de São Cristóvão
É para quem tem memória.
Começou com retirantes
A suada trajetória.
Foi o bravo nordestino,
Quem a feira deu destino,
Plantou e colheu história.

Essa feira que era livre,
Um dia foi confinada.
Agora querem que a feira,
Seja, já, privatizada!
Lá se vai nossa cultura…
E se a luta não for dura!
Dela não vai sobrar nada.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 25 de junho de 2025

MÃE (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUERIORA DALINHA CATUNDA)

MÃE

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Mãe, precursora da luz
Que nossa vida alumia

São nove meses gestante,
São dias de muita espera,
No palácio ou na tapera,
A mulher é importante!
Se a vida segue adiante,
Tem ela nessa magia,
Parindo feito Maria!
A Santa Mãe de Jesus:
Mãe, precursora da luz
Que nossa vida alumia.

* * *


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 18 de junho de 2025

O PROTESTO DA GALINHA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

O PROTESTO DA GALINHA

Dalinha Catunda

Poetas e poetisas, como vocês ficaram enternecidos com o fiofó da galinha, eu resolvi editar e postar a penosa ciranda de versos.

 

* * *

Um dia uma galinha
Com pena do fiofó
Pediu suplicou a Deus
Que dela tivesse dó
Em tom de lamentação
Fez sua reclamação
Com seu cocorococó:

Senhor Jesus, me socorra
Pois estou numa pior
Meu fiofó é pequeno
Não podia ser menor
Quero ver se lhe comovo
Diminua o meu ovo
Ou me dê um cu maior.

Dalinha Catunda

Então, Jesus respondeu:
Tenha santa paciência!!!
O ovo tem que sair
Não venha pedir clemência
Pois quando o galo te pega
O seu cu no dele esfrega
Não sente dor, nem ardência.

Lindicássia Nascimento

O cão como é entremetido
Entrou na conversa toda
Disse: eu não tenho pena
Dona galinha “gaitoda”
Deixe de lamentações
Eu, nas minhas orações
Peço que você se fôda.

Paulo Filho

Jesus não pode atender
Bem difícil tal pedido
Outro cu mandar fazer
Maiorzinho, pois duvido
Faria tudo de novo
Pra sair melhor um ovo
Limpinho não espremido.

Dulce Esteves

Quando o pinto nasce grande
Galinha fica feliz
Porém quando é o ovo
Pobrezinha, se maldiz
Quieta dona galinha
Pois foi assim que Deus quis

Euza Nascimento

A galinha era esperta
O galo era um carijó
Ela disse hoje eu não quero
Fazer o cocoricó
Fingiu que tava doente
Mas o galo botou quente
Pois ela era o seu xodó

Foi enorme o rebuliço
Corre-corre no terreiro
Carijó já foi dizendo
Sou chefe do galinheiro
Armo o maior quiproquó
Mas só quero um fiofó
E saiu bem sorrateiro.

Rivamoura Teixeira

Jesus falou irritado,
Você vai compreender,
Se você quiser trocar,
Eu vou já lhe atender,
Seu ovo com avestruz,
A galinha disse: Jesus,
Eu só vim agradecer.

Joab Nascimento

Dona penosa queria
Ser grande como uma vaca
Foi rejeitado o pedido
Da pintadinha babaca
Pra acabar a agonia
Tem que fazer cirurgia
Pra dilatar a cloaca

Araquém Vasconcelos

A galinha teve inveja
Da codorna, sua vizinha
Mas seu pedido não foi
Atendido, pois não tinha
A tal possibilidade
Porque Deus quis na verdade
Que ela nascesse galinha.

Vivaldo Araújo

Rejeitado seu pedido
A coitada da galinha
Com fiofó distendido
Sofria ela sozinha
Botar ovos todo dia
Era grande à agonia
Da penosa de Dalinha.

Dulce Esteves

Vai ver que a galinha quer
Se transformar em codorna
Só assim para o seu fundo
Tudo mais fácil se torna.
Mas a codorna tadinha
Nunca quer ser uma galinha
O ovo não sai retorna!

Gerardo Carvalho Pardal

Mas Jesus, mestre dos mestres,
Como sempre, ensinando,
Convenceu tanto a galinha,
E ela ficou escutando…
Agora vive feliz,
De nada mais se maldiz,
Dá o cu e sai cantando.

Anilda Figueiredo

Quantos cus tem a galinha,
Pra suportar tanta dor?
Agora tá explicado
Porque faz tanto clamor;
É a dor do ovo duro
Ao sair pelo seu furo
Sem ter lubrificador.

Arimatéa Sales.

Não sou de meter o dedo
Onde eu não sou chamado
Mas no tema do franzido
É preciso ter cuidado
Vai que nessa confusão
Deus nos bote na questão
E o nosso for trocado?!

Giovanni Arruda

Foi o jeito eu editar
Pra obra ficar completa
O fiofó da galinha
Animou cada poeta
E eu aqui com cu na mão
Para fazer a edição
Não pude tirar da reta!

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 11 de junho de 2025

O PICÃO ROXO TRADUZIDO EM LIBRAS (CRÔNICA DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Amigos e amigas, eis aqui o meu poema O Picão Roxo, traduzido em libras por Pablo Amorim, que gentilmente aceitou o meu convite para essa empreitada.

Registro feito por Fernando Assumpção .

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 04 de junho de 2025

CARREIRÃO DOS NAMORADOS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

CARREIRÃO DOS NAMORADOS

Dalinha Catunda

No banco da praça

Quem não namorou?

Recordo o passado

Que o tempo levou

Doce juventude

Lembrança ficou

Tertúlias dançantes

Saudades deixou

Velhas serenatas

Quem não escutou

Cantigas marcando

Quem tanto amou.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 28 de maio de 2025

GLOSAS PARA SANTO ANTÔNIO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

GLOSAS PARA SANTO ANTÔNIO

Dalinha Catunda

Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Mote de Dalinha Catunda

De venta acesa a viçar
Distante da pouca idade
Era bem grande a vontade
Da fruta amada provar
Doidinha para casar
Apelei para heresia
O santo numa bacia
Por muito tempo boiou:
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Dalinha Catunda

Foi na festa de São João,
Que meu amor lhe entreguei,
Por ela me apaixonei,
Conquistou meu coração,
Sem fazer objeção,
Com ela me casaria,
O seu nome era Maria,
Com ela não mais estou,
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Joabnascimento

Por não ser a bonitona
Não casei com vinte e cinco
Fechei a porta com o trinco
Ao Santo pedi carona
Mesmo assim fiquei na lona
Mas não perdi a alegria
E fiz trinta e cinco um dia
Deste dia não passou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Vânia Freitas

Eu vivia aperreada
Rezando muita novena
Nenhum santo tinha pena
Da jovem desenganada
De noite, de madrugada
Rezava mais que dormia
Até que num certo dia
O meu destino mudou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Creusa Meira

 

Até hoje sou casado
Com a mesma nordestina
Não sei se foi sorte ou sina
Pra viver tão dominado
É um ciúme danado
Dia e noite, noite e dia
Que tira minha alegria
Mas sincero sei que sou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

José Walter Pires

Estava desesperada
Sem arrumar um marmanjo
Pensei baixo: já arranjo
Fiz promessa redobrada
Numa festa fui chamada
Um rapaz pra mim sorria
Fiquei todinha alegria
Meu coração conquistou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Dulce Esteves

Fiz muito voto poético
Lambi o pau da bandeira
De quatro, subi ladeira
Fiz tratamento energético
Pedido escalafobético
Meditação, terapia
Pra ver se o santo escolhia
Qual deles mais se agradou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Giovanni Arruda

Lá na festa de Barbalha
Fui pegar no pau do santo
Peguei e apertei tanto
Mas a pegada foi falha.
Fraca igual fogo de palha
Pegada sem empatia;
Dulce Esteves com magia
O jeitinho me ensinou:
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Bastinha Job

Como fui feioso moço
E vivia sempre só
Com medo do caritó
Sacudi Antônio no poço
Atado pelo pescoço
E numa oração pedia
Faça eu casar com Maria
E santo desencalhou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Jairo Vasconcelos

Fui menina recatada
Morando no interior,
E se o assunto era amor
Vivia preocupada,
Mas fui bem orientada
Por minha vó que dizia
Se quiser casar um dia
Se espelhe em quem já passou:
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Nilza Dias

Disseram a Ana vieira
Isso é coisa sem ter falha
Tu tens que ir pra Barbalha
Pegar no pau da bandeira
Ela deixou de ser freira
Hoje diz com alegria
Fiz monte de simpatia
Mas a sorte não falhou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Gerardo Carvalho Pardal
Rivamoura Teixeira

Quando eu pensava em casar
Não encontrava ninguém
Alguém pra chamar de bem
Que passasse a me amar.
Passei a vida a pelejar
E toda mulher fugia
Apelei até pra magia
Mas só o santo me salvou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Gerardo Carvalho Pardal

Eu peguei no pau do santo
Quis arranjar casamento
Alisei, fiz juramento
Não funcionou e eu garanto
Mas uma coisa adianto
Me lasquei na profecia
Tomei o chá da magia
Que a solteirona ensinou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Lindicássia Nascimento

Como não cumprir promessa
Logo, logo o tal pedido
Foi bancar de esquecido
Pagou com juro à beça
Não render a uma dessa
É entrar em uma fria
Tantos maridos daria
Só Deus sabe o que passou
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

F. de Assis Sousa

Doidinho pra chamegar
Sentir cheiro feminino,
Tarado, desde menino
Vivia, a se preservar.
Começou a procurar
Solução, para agonia,
Mas, foi grande a alegria
Quando a receita, encontrou,
Santo Antônio me casou
Só depois da simpatia

Alberto Quintans

* * *

Dalinha Violeira. Xilogravura de Cícero Lourenço


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 21 de maio de 2025

A ROLA DE JOVELINA CEARÁ (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A ROLA DE JOVELINA CEARÁ

Dalinha Catunda

Minha amiga Jovelina
Acertou na loteria
Foi uma pomba avoada
Que causou sua alegria
Ela ficou bem contente
Só fala neste presente
Que chegou feito magia.

Amiga vou lhe dizer
É bom você escutar
A rola que chega assim
Veio mesmo pra ficar
Aproveite a ocasião
Vá logo passando a mão
Que a danada vai gostar.

A visita duma rola
É uma coisa singela
Tem muita gente querendo
Chamando até se esgoela
Você é abençoada
A rola chega do nada
Entrando pela janela.

Mas caso você não queira
Com essa rola ficar
Aqui tenho condições
E posso a pomba adotar
Em caso de desistência
Eu lhe peço a preferência
Pois de rola sei cuidar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 14 de maio de 2025

v=UMA RODA DE GLOSAS - 18.07.2023 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIODA DALINHA CATUNDA)

UMA RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

Xilogravura de Cícero Lourenço

 

Mote desta colunista: 

Dos tempos de antigamente
Confesso, sinto saudade.

O namoro na pracinha
Caminhando de mãos dadas
As românticas jornadas
Que outrora a gente tinha
Com beijo com louvaminha
No coreto da cidade
Foi minha realidade
Porém hoje é diferente:
Dos tempos de antigamente
Confesso, sinto saudade.

Dalinha Catunda

A retreta na avenida
A TV tomou lugar
A praça só fez mudar
Abrindo grande ferida
Tirando a graça da vida
E a beleza da cidade
Murchou a felicidade
E a sombra se fez presente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Vânia Freitas

Corrupio, bola de gude;
Minhas cédulas de cigarro;
Munição feita de barro,
Pra caçar preá no açude.
Vesti camisa no grude,
Passada e posta na grade;
E na feira, vi novidade,
Arrodeado de gente;
Dos tempos de antigamente,
Confesso, sinto saudade.

Wellington Santiago

As minhas recordações
Na memória, registradas
Uma a uma evocadas,
Jorram hoje aos turbilhões,
São tantas as emoções
Registradas, de verdade,
Suprema felicidade
Vivida intensamente:
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Bastinha Job

Caderno de confidência
Na turma, compartilhado
Piquenique com guisado
No tempo da adolescência
Sentia que a existência
Era a eterna mocidade
Plena em felicidade
No sentido permanente
Dos tempos de antigamente
Confesso, sinto saudade.

Creusa Meira

Fui criança no Cobé,
Nas terras de Mundo Novo
– Bahia – onde meu povo
Tem princípio, luz, arché,
Boa educação e fé
Que Mãe Véa, de verdade,
Deixou – sob santidade –
E carrego no presente.
Dos tempos de antigamente,
Confesso: – sinto saudade!

Professor Weslen

De namorar na praçinha
E brincar de bambolê
Ver um filme na Tv
Comendo uma pipoquinha
Quermesses com barraquinha
Procissões pela cidade
Político falar verdade
Ajudando muita gente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Dulce Esteves

Armar foge e arapuca
Se esconder da meninada
Brincar de peia-queimada
Jogar baralho e sinuca
Na roça matar mutuca
Namoro sem liberdade
Fazer coisa sem maldade
Cada qual mais inocente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Jerismar Batista

Água fria era de pote
Viajava-se de trem
Namorado era meu bem
Muita gente era magote
Prejuízo era calote
Gente nova, pouca idade
Ir na rua, ir na cidade
Outras tantas tenho em mente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Giovanni Arruda

Das Tertúlias com vitrola
Tocando trio nordestino
Do velho chitão junino
Com abaju e bandeirola
Nas tardes o jogo de bola
As meninas da cidade
Mostrando felicidade
Gritavam o nome da gente
Dos tempos de antigamente
Confesso, tenho saudades.

Jairo Vasconcelos


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 07 de maio de 2025

CARREIRÃO DA AMIZADE (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

CARREIRÃO DA AMIZADE

Dalinha Catunda

Amigo é coisa sagrada
Não é só adulação.
Muito mais do que palavras
É traduzida em ação.
É telefone atendido
Nas horas de precisão.
Jamais mensagem enviada
Fala sem sustentação.
Amizade é lealdade
É coisa do coração.
Difícil de se quebrar
Sendo mútua a relação.
Amigo por interesse
Na vida tem de montão.
Mas com o tempo se aprende
Quem é bom amigo ou não.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 30 de abril de 2025

UMA RODA DE GLOSAS - 27.07.2023 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

Xilo de Cicero Lourenço

Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei

Mote de Dalinha Catunda

Periquito bem cuidado?
Eu tenho e não nego, não,
Mas vive numa prisão,
E por isso é revoltado,
Porém é muito assanhado…
E prender é contra a lei.
Fui lá no mato e soltei,
Dele tive caridade:
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Dalinha Catunda

Duplo sentido? – Talvez!
Vi o verso explicativo,
E – também – convidativo,
Não perdendo minha vez;
Nunca gostei de escassez
Sobre o dom que cultivei
De libertar, porque sei
Que voar mostra a verdade:
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Professor Weslem

Meu periquito assanhado,
Teima em não se aquietar,
Todo instante quer trepar,
Em um alçapão armado,
Um fogo descontrolado,
Desde quando ele, ganhei,
Até quando vai, não sei,
Sua libidinosidade,
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Joabnascimento

Parecia um papagaio
Era fora da bitola
Mas vivia na gaiola
E dizia daqui eu saio
Vou dar o prazo até maio
E gritava ei ei ei
Vou descobrir o que sei
E vou mentir na verdade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Rivamoura Teixeira

Tô glosando aqui e agora
Com mote do periquito
Um macho muito bonito
Que comigo não mais mora
Pedia para ir embora
Com pena nunca deixei
Enfim, o bicho mandei
Procurar felicidade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Vânia Freitas

Há tempos, na minha casa
Um periquito vivia
Numa gaiola sombria
Cantando e batendo asa
Soltei-o, dizendo: vaza
Nesse momento, notei
Outros chegando, pasmei
E ali, ficaram à vontade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Creusa Meira

Não quis prender o bichinho
Pra viver numa prisão
Deu – me muita compaixão
Abri tudo ligeirinho
Libertei meu passarinho
A melhor coisa, pois, sei
Vê-lo livre eu adorei
Fiz sua felicidade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Dulce Esteves

Faça como eu e liberte
Também o seu Passarinho,
Gaiola não é o ninho
Mais ideal que se oferte,
Me imite, não fique inerte
Siga o exemplo que dei
Viva de acordo com a lei
Prender é pura maldade:
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Bastinha Job

Já tá quase em extinção
Este querido” bichim”
Que mora em um cupim
Faz sua alimentação
De frutinhos de pinhão
Certo dia lhe tranquei
Mas por pena liberei
E desfiz toda maldade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Araquém Vasconcelos

Quando peguei pra criar
O periquito era novo
Mas aprendeu com o povo
Chamar nome pra danar
Antes do Ibama chegar
Vou soltar o que achei
Se no Brasil tem a lei
Vou cumprir sem falsidade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Jerismar Batista

Meu periquito vivia
Muito triste, acabrunhado
Mas ficou todo animado
Cantando de alegria
A partir daquele dia
Quando a rola lhe mostrei
Ninguém sabe nem eu sei
No que deu tal amizade
Pra viver em liberdade
Meu periquito soltei.

Giovanni Arruda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 23 de abril de 2025

UMA RODA DE VERSOS SOBRE GONZAGÃO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Luiz Gonzaga – Wikipédia, a enciclopédia livre

 

O canto do rei Gonzaga
É sagrado é oração
É um canto envolvente
Enaltecendo o sertão
O povo traz na memória
E não esquece a história
Do grande rei do baião.

Dalinha Catunda

Filho ilustre de Exu
Região Araripina
Rebento de Januário
O mestre da concertina
Salve o rei Gonzagāo
Nossa maior expressão
Da cultura nordestina

Araquém Vasconcelos

Ninguém jamais vai calar
A linda voz de Gonzaga
O nosso ” Rei do baião “
Garantiu, pois sua vaga
Plantou semente tão linda
E Deus deu – lhe verve infinda
Da memória não se apaga.

Dulce Esteves

Ele cantou – Acauã,
Como se fosse poema,
E Samarica parteira,
Dramatizada em cinema.
Sobrando sempre talento,
Fez homenagem ao jumento;
Luiz se fez nosso emblema.

Wellington Santiago

Luiz Gonzaga o sertão
Sente você no cantar
Das aves e dos bons ventos
Da sanfona a soluçar
Na música o seu verso
Foi levado pro universo
Forró, sertão e luar.

Vânia Freitas

Mestre Chico César disse
Coisa com a qual concordo.
– A Santíssima Trindade
Da música, conforme abordo,
Contém Jackson do Pandeiro,
Gonzagão – gênio primeiro –
E João do Vale a bordo.

Prof. Weslen

Da música nordestina
Foi o grande embaixador
Divulgou nosso forró
Até no exterior;
Salve, salve GONZAGÃO,
Eterno Rei do Baião
Meu preito e o meu louvor!

Bastinha Job

O cantor Luiz Gonzaga
Percorreu o mundo inteiro
Cantando em todo lugar
Foi um grande pioneiro
Para toda a mocidade
Nos deixou muita saudade
Este grande sanfoneiro

Euza Nascimento

Luís Gonzaga marcou
A música brasileira.
Altos voos ele alçou.
Fez sucessos em fileira.
Famoso “Rei do Baião”,
Valorizando o Sertão.
Muitos seguem sua esteira.

Rosário Pinto

Luiz é luz é sertão
No compasso o mais mió
É a voz do nordestino
Com ele ninguém tá só
É tum tum do coração
Luiz Gonzaga é baião
Xote e xaxado… é forró .

Rivamoura Teixeira

Quem cunhou a Asa Branca
Como marca do sertão
Quem as letras de Zé Dantas
Transformou em oração
Foi o maior cancioneiro
Desse sertão brasileiro
Que se chama Gonzagão

Giovanni Arruda

Seja em sala de reboco
Ou salão imperial
Luiz Gonzaga é o rei
E a atração principal
Brilha no palco e na rua
Sua voz se perpetua
Sua fama é sem igual.

Josenir Lacerda

O seu canto inda ecoa,
Em todo sertão do agreste,
Nas asas do passarinho,
No coração do nordeste,
No solo quente rachado,
Ou no coração xonado,
Do caboclo do sertão,
Na mente da cirandeira,
Ou da cabrocha faceira,
Que escuta o Gonzagão.

Joabnascimento

Luiz Gonzaga cantou
Nossas dores e tristeza
Cantou também, alegria
Chuva trazendo beleza
Levou no seu matulão
Xote, xaxado e baião
Que lhe deram a realeza

Creusa Meira

Quando ouvi Luiz Gonzaga
Cantando Triste Partida
Eu senti a perfeição
Entre a letra e a batida
Um cenário de emoção
Que o mais rude coração
Cai por terra, sem guarida.

Arimatéa Sales

Autêntico, celebrizado
Nobre músico Gonzagão
Do xote malevolente
E o xaxado de Lampião
Destes dois ele criou
O estilo que o consagrou
Eterno Rei do Baião.

Francisco De Assis Sousa

Luiz Gonzaga encantou
Até o povo europeu
Com Samarica Parteira
Asa Branca e Pense Neu
Esse grande nordestino
Foi autêntico e genuíno
Que nem morrendo morreu.

Jerismar Batista

E foi Luiz Rei do Baião
A Majestade singular
Que com a sua sanfona
Fez seu fole pratear
Orgulho do brasileiro
Do Nordeste, seu terreiro
Onde sempre irá reinar.

Lindicassia Nascimento


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 16 de abril de 2025

DIA DOS PAIS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

DIA DOS PAIS

Dalinha Catunda

Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Mote de Dalinha Catunda

Pai é a grande figura
Nos ensina a caminhar
Seu conselho salutar
É que nos molda a postura
Com censura ou com brandura
Ele nos chama atenção
Ralha e oferece a mão
Aquele pai consciente:
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Dalinha Catunda

Ter um ” PAI ” nas nossas vidas
Que benção maior do mundo
Um amor assim profundo
Com proteções garantidas
São esteios, são guaridas
Nosso porto e direção
Segurando nossa mão
Por jamais ficar ausente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Dulce Esteves

Mesmo já sendo velhinho
De pijama e de bengala
Numa cadeira na sala
Solitário sentadinho
Ele me mostra o caminho
O rumo e a direção
Sua sábia opinião
É algo bem pertinente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Araquém Vasconcelos

Eu ainda era criança
Quando meu pai se encantou
Só o vazio ficou
Enchendo minha lembrança;
Bons exemplos, por herança,
No meu dia a dia estão
Registro com emoção
Da saudade compungente:
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Bastinha Job

Todo pai é um dosador
Dos desafios da vida
Ora sopra a ferida
Ora briga com vigor
Ora é forte protetor
Mas castiga e dá sermão
Ora é pura emoção
Noutra finge que nem sente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Giovanni Arruda

Sabia compartilhar
O ser presente, meu pai
Eu vou, você também vai
Dizia vamos somar
Construindo o verbo amar
Arquitetada em razão
Na busca da solução
Sensata e consciente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Rivamoura Teixeira

O meu pai foi um professor.
Me ensinou tudo que sei,
O que sou e sempre serei.
Não tinha anel de doutor.
Foi grande batalhador.
Tinha grande coração.
Estendia sempre a mão.
Sempre foi um homem decente.
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Rosário Pinto

Ser pai é missão Divina,
Missão mandada por Deus,
Pra cuidar dos filhos seus,
De ser pai, é a sua sina,
Todo dia o pai ensina,
Aos filhos, cada missão,
Tornar-se bom cidadão,
E ser um homem decente,
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Joab Nascimento

Minha prenda estimável
De imensurável valor
Tesouro do criador
Mil vezes admirável
Ser único incomparável
Dono da minha afeição
Meu guia de formação
De corpo está ausente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Francisco de Assis Sousa

Pai, é sim Porto seguro
É essência de Tutor
Expressão maior do amor
Uma luz em todo escuro
Meu amor por ele eu juro
É repleto de afeição
Mesmo em outra dimensão
Amarei eternamente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Pedro Sampaio

Viva Papai todo dia
E jamais só em agosto
Do seu amor faça posto
Abrace com alegria
Seu exemplo faça guia
Ele é sua proteção
Um amigo, feito irmão
Tem conselho previdente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Pedro Sampaio

Lembro meu pai, outro dia
Tocando seu bandolim
Na sala, quarto ou jardim
Dedilhando a melodia
No choro só de alegria
Hoje é de recordação
Passos lentos, solidão
Não diz, mas sei que sente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Creusa Meira

O meu pai cedo partiu
Dele ficou a lembrança
Do meu tempo de criança
Muito pouco ele curtiu
Na lida ele construiu
Pros filhos sua canção
Cheio de amor e união
Deixou plantada a semente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Vânia Freitas

Pai tive dois pela vida,
Adotivo e biológico
O destino não foi lógico
Ao fazer sua investida,
Deixando-me entristecida,
Os levou pra imensidão,
Mas para sempre farão
Morada na minha mente.
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Nilza Dias


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 09 de abril de 2025

O CÉU MÁGICO DE AURORA – Um Cordel Infantil (CORDEL DA DOLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

À musa peço licença
para essa história contar,
que venha a inspiração,
pois em versos vou narrar,
com argumentos que tenho,
rimas não irão faltar.

Vou falar neste cordel
de um céu sempre presente
na vida duma menina
curiosa e inteligente
que, olhando para o céu,
deu asas a sua mente.

Por ter nascido bem cedo,
no momento da alvorada,
seu nome foi escolhido
em homenagem à chegada,
e, com o nome de Aurora
ela assim foi batizada.

Aurora ainda criança
ouvia sua mãe cantar
diferentes acalantos
para o seu sono embalar,
de tanto ouvir, aprendia
as cantigas de ninar.

A cantiga do gatinho
ela tinha decorado:
“desce já, desce, gatinho,
lá de cima do telhado,
para ver se essa menina
dorme um sono sossegado”.

 

Quando sua mãe dizia:
“ô dona lua, ô luar,
pega aqui a minha Aurora
para ajudar-me a criar”,
Aurora olhava pro céu
e via a lua a brilhar.

Olhando pro céu, Aurora
se pegava a imaginar
nas alvas nuvens do céu,
carneirinhos a pastar,
para dormir inventou
de carneirinhos contar.

A menina foi crescendo,
olhando para o infinito
e, querendo desbravar
aquele mundo bonito,
onde cada aparição
desenhava um novo rito.

O céu era com certeza
o seu mundo encantado,
da janela do seu quarto,
podia ser alcançado,
novidade não faltava
no horizonte renovado.

Um dia, Aurora acordou
e viu o céu estrelado,
a lua vestindo prata,
deixava o céu prateado,
viu a rainha da noite
deslumbrante em seu reinado.

A lua chamava atenção,
mas as estrelas também,
tinha de grande a pequena,
piscando como ninguém,
feliz sorria Aurora,
com tudo que do céu vem.

Lá no meio das estrelas,
viu uma bem diferente,
brilhava com intensidade,
como era reluzente,
descobriu a Estrela Dalva,
Vênus, para muita gente.

Viu três estrelas juntinhas,
e queria saber mais.
A mãe logo respondeu
para não ouvir seus ais.
Elas são As Três Marias,
não se separam jamais.

Olhando a lua no céu,
noites e noites, ficava
perdida em contemplação,
das formas se admirava,
sem entender as mudanças,
à sua mãe perguntava:

Minha mãe, por que a lua
Nasce, às vezes, diferente?
– A lua tem quatro fases,
são: lua nova e crescente,
a lua cheia e minguante,
disso fique bem ciente.

Gostava da lua cheia
com o clarão do luar,
gostava da lua nova,
era um barquinho no ar,
gostava tanto da lua,
que aprendeu desenhar.

Um dia, Aurora acordou
bem antes do sol raiar,
ficou de boca aberta,
sem querer acreditar
naquele céu colorido,
diante do seu olhar.

Abriu mais sua cortina,
escancarou a janela,
para ver no horizonte
aquela paisagem bela,
a natureza pintando
no céu a mais linda tela.

Um painel bem colorido
tomava todo o arrebol,
fazendo os preparativos
para a chegada do sol,
e assim retirava Aurora
do aconchego do lençol.

As cores foram sumindo,
mudando a tonalidade,
no céu do amanhecer,
prenúncio de claridade,
Aurora testemunhava,
cheia de felicidade.

Raios chegaram primeiro,
o sol em seguida chegou,
os passarinhos cantaram,
bem longe, o galo cantou,
quando o sol rompeu o dia,
a luz celeste brilhou.

O tempo foi se passando,
mas Aurora não perdia
o interesse pelo céu.
a sua grande mania,
na escola se interessava
por aulas de astrologia.

A origem do seu nome
a sua mãe lhe contou:
Deusa do Amanhecer,
porque quando o sol raiou,
trazendo luz e calor,
Aurora, você chegou!

No Céu Mágico de Aurora,
sempre cabe mais criança
pra brincar de ser feliz,
com respeito e confiança,
celebrando a alegria,
cultivando a esperança.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 02 de abril de 2025

A LENDA DA YARA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDAo

A LENDA DA YARA

Dalinha Catunda

Artesanato desta colunista

 

Era uma vez uma índia
Uma guerreira valente
Dona de grande beleza
Vivia livre e contente
E por ser muito invejada
Quase foi assassinada
Mas escapou felizmente.

Os seus irmãos invejosos
Resolveram se vingar
E aquela bela guerreira
Decidiram por matar
A forte guerreira então
Lutou matou cada irmão
Para poder escapar.

Depois da luta sangrenta
Com medo de ser punida
A tão valente guerreira
Fugiu em grande corrida
Se jogou no igarapé
Lá encontrou o Pajé
Sentiu que estava perdida.

O pajé era seu pai
E naquela ocasião
Sofrendo a morte dos filhos
Tomou uma decisão
Não podia desculpar
Precisava castigar
Sua filha sem perdão.

Naquele momento o Pajé
Com ânsia de se vingar
Pegou a índia no colo
Para no rio jogar
E sem hesitar jogou
Quando a guerreira afundou
Ele saiu do lugar.

Mas a valente guerreira
Teve a sua salvação
Os peixes sentiram pena
E entraram logo em ação
Transformaram em sereia
A índia daquela aldeia
Que gostou da solução.

Ela é metade peixe
Outra metade é mulher
É a rainha das águas
Como a magia requer
É a sereia que encanta
Quando solta a voz e canta
Do jeitinho que ela quer.

Nos rios da Amazônia
Yara passou a viver
Como uma linda Sereia
Com seu canto e com poder
Lá o homem que chegar
Ela atrai para afogar
O povo vive a dizer.

Segundo a Lenda de Yara
Quem conseguir escapar
Termina ficando louco
E se quiser se tratar
Precisa ter muita fé
E procurar o Pajé
Só ele pode curar.

Essa história da Sereia
Repleta de fantasia
Muitos contaram em prosa
Enfeitando com magia
Hoje eu canto este universo
Na rima de cada verso
Nas estrofes da poesia


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 26 de março de 2025

CIRANDA DAS FLORES (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDAo

CIRANDA DAS FLORES

Dalinha Catunda

 

A primavera chegou
Trazendo sua magia,
Com fartura brotam flores,
Que cada olhar contagia.
Me diga qual é a flor,
Que você mais aprecia?

Minha flor especial
É graciosa e bonita
E recorda minha infância
Por isso é a favorita
De moça velha é chamada
E também por Benedita

Dalinha Catunda

Ter uma flor preferida
É bem difícil afirmar
Pois gosto de todas elas,
Mas pra não contrariar
Vou citar a Rosa Dália
Que tem beleza sem par.

Nilza Dias

Floresta da minha infância,
No meu torrão Ceará.
Bela rosa predileta,
Que perfumava o meu ar.
Até hoje respiro aromas,
Dá flor do maracujá.

Jairo Vasconcelos

De todas aquelas flores,
Que vejo no meu jardim.
Tenho a minha preferida,
Que é a flor de jasmim.
Eu queria para sempre,
Todas juntinhas a mim.

Euza Nascimento

Cada flor tem seu encanto
Sua cor, sua textura
Seu perfume, seu frescor
Sua própria arquitetura
Mas a rosa, meu senhor,
Exagera em formosura.

Giovanni Arruda

A flor tem sua beleza,
Nenhuma boto em questão
A flor do mandacaru,
Tem linda composição,
Sou nordestino e adoro
Este símbolo do sertão!

Zé Salvador

Quem dera poder plantar
Mil flores no meu jardim
Deixar tudo bem florido
Pros beija- fĺores chegar
Eu gosto de todas elas
Mas , amo ” Rosas – carmim ” !!!

Dulce Esteves

Eu adoro à primavera.
Aquece meu coração
As manhãs têm alegria
Trazendo mais emoção
Suas flores perfumadas
Me trazem inspiração

Erinalda Villeneve

As plantas do meu jardim
Seguem comigo na vida
Sempre que eu cuido delas
Deixam a varanda florida
Gosto de todas, porém
Eu escolho a margarida.

Creusa Meira

No jardim da minha casa
Tem vários tipos de flores
Cada qual mais colorida
Exalando seus odores
Gosto da copo de leite
Encanto dos beija flores .

Jerismar Batista

As belas flores de jaca
Conseguem ser muito mais
Do que singelas belezas
Campestres bem ancestrais.
– São imponentes essências
Dos sêmens mais divinais!

Prof. Weslen

É o cravo a minha rosa
Que nasceu na natureza
Para enfeitar meu jardim
Com toda sua beleza
Se veste toda de branco
De candura e de pureza.

Vânia Freitas

Alma-nova é o meu nome,
Ou também, copo-de-leite;
Minha essência é leve e calma,
No cabelo eu sou enfeite;
Sou branquelinha bonita,
E entre as flores sou deleite.

Wellington Santiago

Brasília, Flor do cerrado!
Logo que te conheci
Nunca pensei que um dia
Me encantaria por ti
Foram muitos os prazeres
No tempo que lá vivi.

Rosário Pinto

Se a flor tem o espinho
É o dom da natureza
É o forte do carinho
Procurando a destreza
E o forte da emoção
Chega quando o coração
Encontra sua certeza

Rivamoura Teixeira

A minha flor preferida
É um verdadeiro encanto,
Vai do nascente ao poente
Sem arredar do seu canto,
Buscando os raios do sol,
Uns a chamam girassol,
Eu a chamo de helianto.

Joames


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 19 de março de 2025

UMA GLOSA - 26.02.2025 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.

Você se diz cabra macho
Valentão e coisa e tal
Que me leva no bornal
Só para apagar meu facho
Eu querendo lhe despacho
Porém não fujo da rinha
Se souber levar Dalinha
O duelo acaba em nada
Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 12 de março de 2025

ANIVERSÁRIO DE LUIZ GONZAGA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

INSTITUTO CULTURAL RAÍZES: Música de Luiz Gonzaga permanece mais viva do que nunca

 

Hoje, dia 13 de dezembro, é a data de nascimento de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que veio ao mundo em 1912, na cidade de Exu-PE.

Uma homenagem  à grande figura da nossa música.

Mote e glosa desta colunista:

“Luiz Gonzaga cantou,
Como ninguém o sertão!”

O Rei do Baião nasceu,
Dia de Santa Luzia.
No forró foi mestre e guia,
Do começo ao apogeu.
A todos embeveceu,
Cantando xote e baião,
Cantigas de São João,
Sua voz eternizou:
“Luiz Gonzaga cantou,
Como ninguém o sertão!”


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de março de 2025

ANO QUE VAI, ANO QUE VEM (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

ANO QUE VAI, ANO QUE VEM

Dalinha Catunda

 

Um ano está indo embora
Para novo ano chegar
A vida é sempre a mesma
Amigo pode apostar,
Cantilena de Ano Novo,
Pode mexer com o povo
Mas não chega a me embalar.

Não me passe simpatias,
Pois eu não vou aderir,
Não me diga a cor da roupa
Que eu devo ou não vestir
Posso até ir pra janela
Pois pra fogos eu dou trela
Nunca deixo de assistir.

Os abraços verdadeiros,
Eu sempre vou aceitar.
Aos amigos boa sorte
Eu sempre vou desejar.
Lamento, mas sou assim,
E quem não gosta de mim,
Não precisa me aturar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 26 de fevereiro de 2025

A JUREMA É PRA CARVÃO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A JUREMA É PRA CARVÃO

Dalinha Catunda

 

Estaca não me ofereça,
Que não tenho precisão.
Quando cerquei meu roçado
Eu cerquei foi com mourão!
E pra você não pular
Na cerca mandei plantar
Muita urtiga e cansanção.

Aqui na minha fazenda
Tem angico e imburana,
Não me falta sabiá,
Só não quero é pé de cana…
Não venha com: ora poxa!
Pois sua jurema roxa
Aqui não é soberana.

Para falar a verdade
E acabar a discussão,
A tal da jurema roxa
Só serve para carvão.
Eu não tenho fogareiro,
E só uso marmeleiro!
A lenha do meu fogão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 19 de fevereiro de 2025

VOU SAIR NO BOLA PRETA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

VOU SAIR NO BOLA PRETA

Dalinha Catunda

Foi no carnaval passado,
Que você embriagado
Rasgou minha fantasia.
Eu fiquei amargurada,
Ressentida e chateada
Com mais essa covardia.

Jurei, no próximo ano
Sozinha sem desengano
Noutro bloco eu sairia.
Durante um ano inteiro
Eu juntei o meu dinheiro
E fiz nova fantasia.

Cansei-me de tanta treta
Aliei-me ao Bola Preta
Bloco que tem tradição.
Vestida de preto e branco
Levo meu sorriso franco
Pra brincar em seu cordão.

Fique com sua cachaça
Curtindo sua arruaça
Que eu vou cuidar de mim.
Vá tocar o seu pandeiro
Em bloco de cachaceiro
Na porta de botequim.

Vá nas asas da loucura,
Ao bloco da pinga pura,
E beba em minha intenção.
Pois no bloco dos contentes
Arreganhando meus dentes,
Vou buscar nova paixão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 12 de fevereiro de 2025

UMA GLOSA - 21.02.24 (CORDEL DO COLUNISTA JESUS DE RITINHA DE MIÚDO)

UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

“Poeta aprenda juntar
Essência com poesia.”

Não faço verso perdido,
Escrevo com coerência,
Da rima tenho ciência,
Pois com regras sempre lido.
Atendo qualquer pedido,
Repleta de galhardia,
Se gloso com ousadia,
É só porque sei glosar!
“Poeta aprenda juntar
Essência com poesia.”


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de fevereiro de 2025

A DAMA-DA-NOITE (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A DAMA-DA-NOITE

Dalinha Catunda

Foto desta colunista

 

 

Tão plena em sua brancura
Tendo o vento como açoite
Ontem a dama-da-noite
Abrolhou com formosura
Encantamento em fartura
Exibiu na ocasião
Vem provocando paixão
E realmente me apraz
Tão bonita, mas fugaz
Essa Dama em explosão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 29 de janeiro de 2025

NO COCO COM MARIA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

NO COCO COM MARIA

Dalinha Catunda

Pra dançar coco comigo
Aticei minha Maria
Ela foi logo dizendo
Que coco não dançaria
Sem alimentar arengas
Peguei logo duas quengas
Pra dançar naquele dia.

Maria ficou zangada
Com a minha decisão
Sentada num tamborete
Me espiava no salão
Da casinha de reboco
Enquanto eu dançava coco
Sapateando no chão.

Sem soltar as duas quengas
Fiz barulho pra dançar
Maria mudou de ideia
E acabou por se achegar
Cantou coco, dançou coco
Junto com o seu “caboco”
E fez a roda girar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 22 de janeiro de 2025

NÃO ME AVEXE NÃO! (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

NÃO ME AVEXE NÃO!

Dalinha Catunda

De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.

Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.

Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência

Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 15 de janeiro de 2025

CANTE LÁ QUE CANTO CÁ (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Segue minha homenagem a Patativa do Assaré, pelo seu aniversário no último dia 5 de março.

É canto do nosso irmão
Que cantou magistralmente
Tudo que envolve o sertão
Patativa do Assaré
É bardo que boto fé
No pé de cada oração.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 08 de janeiro de 2025

O CORDEL SEM A MULHER (CLRDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

O CORDEL SEM A MULHER

Dalinha Catunda

O cordel sem a mulher

É Adão sem sua Eva

É o planeta sem o sol

Onde tudo é breu e treva

É comida sem ter sal

Amigo não leve a mal

É serra que nunca neva


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 01 de janeiro de 2025

O CORNO FOFOQUEIRO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

O CORNO FOFOQUEIRO

Dalinha Catunda

Quem vive de propagar
Que o seu fulano é corno
As vezes causa transtorno
Nem chega a desconfiar
Que chifres vive a levar
Sem que venha perceber
Faz chacota com prazer
Mas devia ficar mudo
Pois continua o chifrudo
Sendo o último a saber.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 25 de dezembro de 2024

UMA RODA DE GLOSAS - 20.03.24 (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNSTA DO ALMANAQUE RAMUNDO FLORIANO)

UMA RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

* * *

Se suspiro apaixonada
É porque adoro a vida
Não vivo desiludida
Sempre adorno a caminhada
Não sou mulher mal-amada
E nesse meu versejar
Monto palco pra atuar
Com coragem e atitude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Dalinha Catunda

Tenho forte coração
poesia no carinho
Vou seguindo meu caminho
Repleto de emoção
Afinando o violão
Lindo sem desafinar
Conjugando o verbo amar
Com o s da saúde
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Rivamoura Teixeira

Na minha vida serei
Um eterno apaixonado
Vou deixando o meu legado
Pelo mundo onde passei
Sei que amar é maior lei
Amarei, jardins, pomar,
O povo, montanha e mar
Porque tal mal não me ilude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Jairo Vasconcelos

É efêmera a mocidade
Mas o amor nunca passa
Viver feliz é uma graça
Pra amar não tem idade
Amo com intensidade
Nunca paro de sonhar
Flutuo leve no ar
Sem temer a altitude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Araquém Vasconcelos

Desde a minha adolescência
O meu coração suspira
O sentimento me inspira
E alimenta em mim, a essência
A paixão é consequência
Desse intenso ”mal” de amar
Hoje vivo a suspirar
Pelo amor em plenitude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Creusa Meira

Aquele amor que foi chama
Que nem bombeiro apagava,
Que ardia, que rolava
Que quebrava toda cama,
Se entrelaçava na trama,
Hoje é só folha a boiar,
Vivo só de recordar
Que triste decrepitude:
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Bastinha Job

Já passaram tantos anos
Desde que nos conhecemos
Cada dia acrescemos
Graças por esses planos
Fizeram – se soberanos
Tu serás sempre meu par
E nada fará mudar
Espero que nada mude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Dulce Esteves

Quando moço era um estouro
Eu vivia apaixonado
Hoje, todo remendado
Ergo o beiço qual um touro
Quando o cheiro do namoro
É trazido pelo ar
Mas na hora de arrochar
Não dá cola nem dá grude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Giovanni Arruda

Gosto de viver a vida
Com carinho e alegria,
Fazer amor com poesia,
No Sol, no mar, na avenida;
Com prazer cuido da lida,
Sem esquecer de beijar
Meu amor, ao me abraçar,
Seu carinho é o que me ilude.
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Chica Emídio

Todo amor quero viver
Do presente e de outrora
Segundo, minuto e hora
E jamais quero esquecer
Faço o que for pra fazer
No tempo que me restar
Tudo quero aproveitar
Gozo de boa saúde
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

F. de Assis

Uma página da vida
Duas três e sei lá quantas
De histórias já são tantas
Talvez alguma perdida
Eu não sei se a mais doída
Mas são muitas pra lembrar
São tantas com o verbo amar
Que coloquei no ataúde
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Vânia Freitas

Lembro da melhor idade
dos meus vinte e mais anos,
com meus direitos humanos
recheados de vontade…
Vivi minha mocidade
sem ter do que reclamar,
fui do vinho ao caviar
e não me faltou saúde…
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

David Ferreira


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 18 de dezembro de 2024

ELE QUERIA MEU PIX (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

ELE QUERIA MEU PIX

Dalinha Catunda

Eu nasci no Ceará
Sou cabocla experiente
Eu sou metida a gaiata
Porém sou mulher decente
E pra falar a verdade
Não gosto de intimidade
Com macho que é indecente.

Mensagens eu recebi
Nesse tal de celular
E parece que o sujeito
Queria me conquistar
Ô sujeitinho safado
Cabra metido a tarado
Não sou mulher de aturar.

Começou a pedir Nudes
Perguntei: Que diabéisso?
Nem deixei ele explicar
Pois eu tenho compromisso
Já estava quase explodindo
E o ente me perseguindo
Nem gosto de falar nisso.

A bate-boca esquentou
Eu xinguei o cidadão
Se eu tivesse cara a cara
Tinha lhe sentado a mão
E até vergonha me deu
Pois o corno resolveu
Entrar na esculhambação.

Acredite minha gente
No que agora vou falar
O cínico me pediu
E queria me forçar
Você é uma senhora
Mas quero seu PIX agora
Nem diga que não vai dar.

É claro que não vou dar
Sujeitinho descarado
O meu PIX já tem dono
Deixe de ser abusado
Se você mexer comigo
Vai mesmo é correr perigo
Garanto que tá lascado.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 11 de dezembro de 2024

UMA GLOSA - 21.02.2024 (CORDEL DO COLUNISTA JESUS DE RITINHA DE MIÚDO)

Mote desta colunista:

“Poeta aprenda juntar
Essência com poesia.”

Não faço verso perdido,
Escrevo com coerência,
Da rima tenho ciência,
Pois com regras sempre lido.
Atendo qualquer pedido,
Repleta de galhardia,
Se gloso com ousadia,
É só porque sei glosar!
“Poeta aprenda juntar
Essência com poesia.”


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 04 de dezembro de 2024

NO SONHO AZUL (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DELINHA CATUNDA)

NO SONHO AZUL

Dalinha Catunda

Foto desta colunista

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de novembro de 2024

ERA DOMINGO NO PARQUE (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

ERA DOMINGO NO PARQUE

Dalinha Catunda

Era domingo no Parque
Recordo com precisão
Você me deu um abraço
E apertou a minha mão
Tinha dança e poesia
Animando aquele dia
De cultura e tradição.

Foi uma tarde animada
Era festa no lugar
Promessa de emoção
Entrevi em seu olhar
Olhando-me animado
Quebrava o chapéu de lado
Sempre a me cumprimentar.

Nesse dia entrei na roda
Me enfeitei pra cirandar
Você acenava eufórico
Inquieto em seu lugar
Eu de maneira brejeira
Dançava toda faceira
Somente pra me mostrar.

Pra você joguei um beijo
E uma flor arremeti
No ar você segurou
E eu radiante sorri
Era o cravo, era a rosa
Entre um verso e uma prosa
Girando no Cariri.

 Curtir (0)

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 20 de novembro de 2024

MULHER DE RAÇA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

MULHER DE RAÇA

Dalinha Catunda

Neguinha sou para amigas
Minha nega pro amado
Sou morena citadina
Meu cabelo é ondulado
Sou dona das minhas ventas
Sou das mulheres atentas
Tenho nariz empinado.

Sou cabocla sertaneja
E trago no matulão
A astúcia da matuta
Que desbravou o sertão
E que não poupou canela
Quando abriu sua cancela
Buscando libertação.

Da fralda da Ibiapaba
Sou das alas das guerreiras
Agarrada ao jacumã
Enfrentei as corredeiras
Em cima duma piroga
Sou guerreira que se joga
Nas águas das Ipueiras

Sou a mistura das raças
Sou a miscigenação
Sou Catunda, sou do Prado
Tenho sangue de Aragão
Sou cunhã, sou companheira,
Sou concubina parceira
Eu só não sou é padrão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 13 de novembro de 2024

UMA RODA DE GLOSAS - 18.04.24 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Bom convite recebi,
Mas na hora da entrevista
Eu não baixei minha crista
E o cargo não assumi.
Pois pelo que pressenti.
Cheirava a exploração.
Lavar roupa e limpar chão,
Eu faço sem reclamar,
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Dalinha Catunda

Certa feita me chamaram,
Para fazer um churrasco,
Confesso, quase me lasco,
Porque não me avisaram,
Os convidados chegaram,
Nada estava pronto, não,
Falei para o cidadão,
Você vai me desculpar:
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Joabnascimento

Já fiz tudo nesta vida:
Plantei semente e caroço
Comi carne de pescoço
Fui lágrimas na partida
Fui remédio de ferida
Fiz gaiola e alçapão
Fiz cacimba e cacimbão
Tudo fiz sem reclamar,
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Arimatéa Sales

Recebi boa proposta
Na casa de dois barões
Era pra ganhar milhões
Mesa forrada e bem posta
Um povinho metido à bosta
Veio me propor serão
Pratos sujos de montão
Pra besta “eu “ter que lavar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Dulce Esteves

 

Posso até ir no roçado
Me meter na tiririca,
Pra fazer sua canjica
Me viro pra todo lado
Deixo o milho preparado
Ponho a massa no fogão
Sem fazer qualquer questão
Pro curau lhe agradar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Giovanni Arruda

Sempre sou objetivo
Num sou de cozinhar galo
Se eu entro no embalo
É porque tive motivo
Eu num sou um morto vivo
Cheio de indecisão
Eu já entro em ação
Vamos quero começar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Rivamoura Teixeira

Aqui em casa eu faço tudo
Limpo o chão, lavo banheiro
Cato as folhas do terreiro
As roupas lavo e sacudo
Com o neto, até estudo
Para ensinar a lição
Jogo o lixo, compro pão
Faço o que mais precisar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Creusa Meira

Cá garanto que euzinha
Não sei nem fritar um ovo
Parada, eu não me movo,
Essa praia não é minha,
Socar alho na cozinha
Jamais porei uma mão
Nem meu pai Eva e Adão
Invoco pra me ajudar:
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Bastinha Job

Eu já sei fazer café
Fritar um ovo também
Passar fome não convém
Não vivo de marcha ré
Eu deixo para mulher
Não tenho dom pra isto não
Sei comer lavar a mão
Os pratos eu sei lavar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

João Roberto Coelho

Lasquei lenha no cercado
Plantei feijão na vazante
Era tudo hilariante
Mesmo mexendo com gado
Me sentia pau mandado
Às vezes bebê chorão
Comia carne e pirão
E sem nunca espernear
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Vânia Freitas

Vou ao mato, corto lenha
Boto milho pras galinhas
Dou água pras cabritinhas
Me soco no meio da brenha
Mas se me chamarem venha,
Beber pinga com limão
Vou correndo, meu irmão
Minha caninha tomar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Jerismar Batista

Bom mesmo é comer cru
Assim acho mais gostoso
Preparadinho oleoso
E depois boto o chuchu
Pra terminar meu menu
Passo maionese no agrião
Na cenoura e no açafrão
E como em qualquer lugar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

F. de Assis Sousa

Na cozinha japonesa
já investi minha grana
procurei moça bacana
nem tanto por sua beleza,
foi mais por sua destreza
e por ver sua aptidão
pegando o peixe na mão.
– O seu peixe eu vou tratar,
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Zé Salvador

Eu topo qualquer parada
Só não vou para a cozinha,
Porque a destreza minha
É da labuta pesada.
Manejo foice e enxada
Com serrote ou com formão,
Trabalho na construção
Tijolo, eu sei assentar,
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Alberto Quintans


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 06 de novembro de 2024

UMA GLOSA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA GLOSA

Dalinha Catunda

Tanta mulher dando sopa
E eu sem colher pra tomar.

Mote de Abel Fraga

Quando tinha pouca idade
Me achava um garanhão
Não me faltava tesão
Digo com sinceridade
Provei da felicidade
E mais queria provar
Mais vi o pinto arriar
Não vai mais de vento em popa
Tanta mulher dando sopa
E eu sem colher pra tomar.

Este mote está no livro A Prisão de São Benedito, de autoria do Editor Luiz Berto.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 30 de outubro de 2024

NÃO ME AVEXE NÃO! (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

NÃO ME AVEXE NÃO!

Dalinha Catunda

De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.

Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.

Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência

Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 23 de outubro de 2024

SUBI NA PIROGA E PEGUEI NO JACUMÃ (CORDEL DA COOLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Foto desta colunista

Num passeio inusitado
Fui visitar uma oca
Um índio quase pelado
Levou-me a sua maloca
Nessa bonita manhã
Pegando em seu jacumã
Saí com ele da toca.

O passeio foi bonito
Em meio a natureza
Subi na sua piroga
E achei uma beleza
E no banho no riacho
Ele perdeu o penacho
Que caiu na correnteza.

Ao voltarmos do passeio
Eu estava esbaforida
Ele me trouxe cauim
Eu aprovei a bebida
Não saí daquela loca
Sem entrar na mandioca
Gostei muito da comida.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 16 de outubro de 2024

DIA DAS MÃES (CORDEL DA COLUNSITA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

DIA DAS MÃES

Dalinha Catunda

Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.

Mote desta colunista

Quem tem sua mãe idosa
Cuide dela, por favor.
Dê carinho, dê amor,
Visite, troque uma prosa.
Seja gentil, prestimosa,
Mesmo não sendo obrigada,
Mãe é para ser cuidada.
Pois quem de você cuidou,
“Quem no mundo lhe botou,
Merece ser bem tratada!”

Dalinha Catunda

A mãe cuida do seu filho
Desde o ventre, com amor,
Nos seus braços, dá calor,
Seu olhar tem luz e brilho.
Embalando no estribilho,
Vai até de madrugada.
Nunca se mostra cansada,
A vida lhe dedicou.
“Quem no mundo lhe botou,
Merece ser bem tratada!”

Creusa Meira

Mamãe com noventa e três
Com sua maturidade
Preza sempre a verdade
Vive com a sensatez
A sua vida refez
Uma mulher abnegada
Reza na sua jornada
Papai é o seu amor
“Quem no mundo lhe botou,
Merece ser bem tratada!”

João Roberto Coelho

Se minha mãe estivesse
Ao meu lado, aqui comigo,
Esse caminho que sigo
Muita saudade lhe tece;
Minha mãe vive na prece
Além da curva da estrada
A reta é nova jornada:
Digo ao filho que ficou:
“Quem no mundo lhe botou,
Merece ser bem tratada!”

Bastinha Job

Minha mãe é a poesia
Que reina em meu coração
É a maior inspiração
Dona da minha alegria
Parece a Virgem Maria
Tão pura, tão dedicada
No seu ventre fui gerada
Pra hoje ser o que sou
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada!”

Lindicássia Nascimento

No seu ventre concebida
Um fruto de tanto amor
No seu colo protetor
Com devoção e guarida
Foi Mãe de Deus escolhida
Em todo CÉU entronada
É para ser ” endeusada”
Em qualquer lugar que for
“Com carinho e muito amor
Merece ser bem tratada.”

Dulce Esteves

É uma missão Divina,
Missão mandada por Deus,
Pra cuidar dos filhos seus,
Toda mãe tem essa sina,
Com muito amor ela ensina,
A criança ser educada,
Com afeto ela é amada,
Pela mãe que lhe gerou,
“Quem no mundo lhe botou,
Merece ser bem tratada.”

Joabnascimento

Minha grande genitora
Se foi deixando saudade
Uma santa de verdade
Mãe, amiga e professora
A melhor educadora
Por todos nós adorada
Vivenciou a jornada
Até que Deus a chamou
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

Jerismar Batista

Minha mãe não tenho mais
Aqui na terra comigo
E uma coisa lhe digo
Que falta que ela faz
Eu hoje inda sou capaz
De vê-la toda animada
Jogando co’a meninada
De bola no corredor
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

Giovanni Arruda

Minha mãe merece amor
Eu a guardo no coração
Ela me ensinou boa ação
Sempre ofereço uma flor
Levo comigo onde eu for
E sempre bem agarrada
Ela me ensinou a estrada
Porém no colo me levou
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

Euza Nascimento

Nascer de fato é uma graça
que só quem vive agradece;
é algo que só merece
quem de fato a vida abraça
e o próprio destino traça:
transformando, pois, o nada
a obra viva e sagrada,
conforme Deus confiou…
“Quem no mundo lhe botou
merece ser bem tratada.”

David Ferreira

Mãe é tão especial
Que se doa por amor
Seja o filho ou não doutor
Ela cuida por igual
Este ser angelical
Deve ser tão bem cuidada
É por Deus abençoada
Quem tanto nos abençoou
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

Vânia Freitas

Maternizar é papel
Que confere santidade,
Mas mexe na sanidade
Porque o mundo é cruel,
É como fazer rapel
Sem a corda apropriada,
É virar noite acordada
Porque seu bebê chorou.
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

Nilza Dias

Mãe, palavra mais sublime
Entre as palavras pequenas,
São três letrinhas apenas,
Mas tudo de bom exprime;
O seu amor nos redime
Da ingratidão praticada,
Sem se magoar por nada
Perdoa ao filho que errou;
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

Joames

A mãe carrega a ternura,
E é tão doce o seu olhar.
Ela conhece o cuidar.
E é fonte de cultura.
Acalanta com leitura.
Nos mostra o Conto de fada,
Nos fala de onça pintada.
Cantigas, sempre cantou.
“Quem no mundo lhe botou,
Merece ser bem tratada!”

Rosário Pinto

Eis de toda criação
Divinal a mais bendita
Sendo mãe é infinita.
Transbordante de afeição
De amor e dedicação
Para os filhos/a consagrada
Mil vezes admirada
A quem grato sempre sou
“Quem no mundo lhe botou
Merece ser bem tratada.”

F. de Assis Sousa

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 09 de outubro de 2024

AGORA SÓ DOU O PÉ (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

AGORA SÓ DOU O PÉ

Dalinha Catunda

Se todo cuidado é pouco
Eu me resguardo na fé
Meu marido quando pede
Eu nego até cafuné
Em cantada já não caio
Tô igual a papagaio
Agora só dou o pé.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 25 de setembro de 2024

EXALTANDO A NATUREZA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

EXALTANDO A NATUREZA

Dalinha Catunda

Fotos desta colunista

Eis-me aqui neste recanto
E sem arrependimento
Dos pássaros ouço o canto
Bendigo cada momento
A brisa traz acalanto
Viajo no pensamento.

Desfruto dessa bonança
No verde desse lugar
No peito cresce a esperança
Assim me ponho a sonhar
Nos passos da nova dança
Danço sem me alvoroçar.

Contemplando a natureza
Obra de Nosso Senhor
Onde a lua é realeza
Onde o sol tem esplendor
Celebro toda beleza
Nesses meus versos de amor.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 18 de setembro de 2024

A VIDA É: (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A VIDA É:

Dalinha Catunda

A vida é uma montanha,
Que escalamos pra chegar.
Quando alcançamos o topo,
É hora de regressar.
Quem aprendeu na subida,
No declínio da descida,
Saberá como atuar.

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 11 de setembro de 2024

SÃO JOÃO NA ROÇA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

SÃO JOÃO NA ROÇA

Dalinha Catunda

São João na Roça - Documentário

 

Hoje acordei com saudades
Das festas do meu sertão
De matuta me trajava
E cheia de animação
Com meu vestido de chita
Chapéu e laço de fita
Feliz dançava o São João.

Enxerida e dançadeira
Nunca me faltava par
Pra dançar numa quadrilha
Nas festas do meu lugar
Tudo hoje é diferente
Até o São João da gente
Acharam por bem mudar.

No São João de Antigamente
Tudo era especial
O noivo e a noiva vinham
No lombo dum animal
Ou então numa carroça
Assim era lá na roça
No São João tradicional!

No casamento matuto
Era um Deus nos acuda
Noivo querendo fugir
Da noiva já barriguda
De espingarda na mão
Fazia o pai confusão
E ao juiz pedia ajuda.

O vigário embriagado
Cambaleava no altar
O pai que não sossegava
Gritava vou já matar
Ou casa ou eu não dou trégua
Nesse filho d’uma égua
Eu atiro é sem mirar.

O delegado chegava
E acabava a confusão
O noivo então se casava
Pra não mofar na prisão
Com barulho de foguete
Principiava o banquete
Assim era a tradição.

 

Quem comandava a quadrilha
Lá no meu interior
Era só gente da gente
E eu dava o maior valor
No momento de ensaiar
Do nosso bom linguajar
Valia-se o gritador.

Foi a caminho da roça
Transbordando de alegria
Que passei com meu amor
Num túnel de fantasia
Mas na primeira manobra
Quando eu ouvi, Olha a cobra!
Eu gritei: Ave Maria!

Olha a cobra, olha a chuva
Tudo era encenação
A cobra não assustava
Chuva não caía não
No giro que a roda dava
Eu fui dama coroada
Em cada apresentação.

No cumprimento das damas
Rapaz tirava o chapéu
A dama se derretia
Sentindo-se lá no céu
Quando a dança terminava
A folia começava
Era grande o escarcéu.

A mulherada corria
Para fazer simpatia
Um corre-corre danado
Para ver se descobria
Com quem ia se casar
Tentava enxergar o par
Na água duma bacia.

Já outros passavam fogo
Naquele dado momento
Era em nome dos três santos
Que faziam juramento
Você vai ser meu compadre
E você minha comadre
Era assim, eu não invento.

E nesse costume antigo
Arrumava-se afilhado
Era assim que sucedia
Depois do fogo passado
Quem jurava na fogueira
Levava pra vida inteira
O que fora confirmado.

Eu jamais vou esquecer
Do São João no Ceará
O bolo feito de milho
Um pote com aluá
Pamonha também canjica
Aqui a lembrança fica
Remetendo-me pra lá.

Nos braseiros das fogueiras
Se agitava a meninada
Se danando a assar milho
E a fazer batata assada
A fogueira faiscava
Milho cozido cheirava
Era uma festa animada.

As musicas que se ouvia
No bom São João Nordestino
Era só Luiz Gonzaga
Com seu canto genuíno
Repleno de animação
Incendiava o sertão
Sem cometer desatino.

Era uma festa bonita
Que tinha sua candura
Feita com nossos costumes
Com base em nossa cultura
Tudo agora está mudado
Até o sapato é dourado
Viramos caricatura.

Tanto luxo, tanto brilho,
Largaram chita e chitão
Não tem mais nada de roça
Pois é só ostentação
Parece a festa da uva
Até princesa com luva
Vejo na apresentação.

Parece escola de samba
Na hora de desfilar
E tem comissão de frente
Antes do grupo dançar
É um tal de se exibir
Dançam para competir
E não para festejar.

Até a música usada
Não é como antigamente
Falta sanfona e zabumba
E um triângulo estridente
Falta um forró animado
Com cara de nossa gente.

Cadê o chapéu de palha
E o bigode desenhado
A camisa de xadrez
Ou de tecido estampado
Cadê o nosso matuto
Que dançava absoluto
No sertão o seu reinado.

Cadê a moça bonita
Que guardo em minha lembrança
Com pintas pretas na face
De cada lado uma trança
Cadê a festa junina
Tão nossa tão nordestina
Dos bons tempos de bonança.

Eu ainda quero ouvir
Na voz de um cantador
O que eu ouvi num São João
Numa noite de esplendor
A mais linda melodia
Onde Gonzagão dizia:
Olha pro céu meu amor…

Não vamos interromper
Os passos de nossa história
Devemos vivenciar
Não só guardar na memória
Defender e resguardar
Sem deixar de praticar
Feitos dessa trajetória.

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 04 de setembro de 2024

SÃO JOÃO E SUAS TRADIÇÕES (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Fogueira, fogos de artifícios e comidas de milho permeiam as festas de Santo Antônio, São João e São Pedro.

Quando chega o mês de junho
Tem festa e animação,
De Santo Antônio e São Pedro,
Também a de São João.
É festa no mês inteiro,
E ninguém perde o roteiro
Nos trilhos da tradição.

Estes festejos juninos
Vieram de Portugal.
Por aqui eles chegaram
No tempo colonial,
E seguindo a tradição
A festa de São João,
Das três é a principal.

No dia treze de junho
Fica animado o terreiro.
A mulherada se apega
Ao Santo casamenteiro.
O famoso Santo Antônio!
Para arrumar matrimônio,
E se casar mais ligeiro.

Já vinte nove de junho,
De São Pedro é o dia.
Patrono dos pescadores,
É de barco a romaria,
É protetor das viúvas,
É também quem manda chuvas!
Da chave do céu é guia.

Essa festa dos três santos
De juninas são chamadas,
Por que é no mês de junho,
Que elas são celebradas.
No Brasil a tradição,
Tomou conta da nação,
Tem festas bem afamadas.

Numa junção de cultura
Foram chegando parceiras.
Dos indígenas herdamos
O costume das fogueiras.
Os zabumbas e tambores,
Da África são valores,
Como a dança e brincadeiras.

 

Tem festa grande em Barbalha,
Chamada pau da Bandeira.
O chá da casca do pau
É simpatia certeira.
Se a moça com fé tomar,
Santo Antônio, vai casar!
E adeus vida de solteira.

A Maior festa do mundo
Em louvor a São João.
É a de Campina Grande!
Digo com satisfação.
Tem Caruaru também,
Mossoró, e vou além,
São Luiz no Maranhão.

No Estado do Piauí,
Se destaca Teresina.
E no Ceará inteiro
Não falta festa junina,
Na praia, serra e sertão,
Tem festa pra São João,
E o povo todo se anima.

Acompanham essas festas,
Em suas celebrações,
Comidas e danças típicas,
Bebidas, roupas, balões.
Temos também as fogueiras!
Variadas brincadeiras,
Nesse rol de tradições.

E na dança da quadrilha,
É matuto o casamento.
Tem o padre e tem juiz,
Prestigiando o momento.
Inda tem o delegado,
Para casar obrigado,
O noivo que é marrento.

Hoje pra dançar quadrilha,
Tem luxo e muita beleza,
Tem a seda e muito brilho,
Ostentação e riqueza,
Tem muita competição,
Nem parece o São João!
Com a sua singeleza.

Quadrilha tradicional:
Tem vestidinho de chita,
Rapaz com calça emendada,
Moça com laço de fita,
Cantiga de Gonzagão,
Fazendo a animação,
A tradição é bonita.

O gritador de quadrilha,
Sai gritando: – olha a cobra!
Os brincantes fingem medo,
Mas a cena se desdobra.
– Olha a chuva:- é mentira!
A noite inteirinha vira,
Com animação de Sobra.

Na indumentária não falta,
Para compor, um chapéu.
Os grupos vão animados
Dançando de déu em déu.
Ainda existe balão,
Mas só na decoração!
Não pode mais ter no céu.

Já não tem mais aluá
Como tinha no sertão.
Ainda tem com fartura,
O afamado quentão,
Bebida tradicional,
Nas barracas do Arraial,
Que mantem a tradição.

Nas guloseimas da festa:
Milho cozido e assado,
Tem canjica e tem pamonha,
Tem amendoim torrado,
Bolo de milho e cuscuz,
É comida que seduz,
Em todo e qualquer condado.

Pé de moleque e pinhão,
Cachorro-quente também,
A paçoca e arroz-doce,
Nas barracas sempre tem.
Tem bolo e tem tapioca,
E saquinho com pipoca,
Não falta para ninguém.

Muitas são as brincadeiras
Para o povo que é brincante:
Tem argola e pescaria,
E tem correio elegante,
Pau-de-sebo e simpatia,
Alimentando alegria,
Que faz a festa importante.

A Barraquinha do beijo
É muito bem frequentada!
Nela uma moça bonita,
E sempre bem-humorada,
Faz papel de beijoqueira,
É quem faz a brincadeira,
E bom dinheiro arrecada.

Nos enfeites das barracas
Para chamar atenção,
Bandeirinhas penduradas,
Vão mantendo a tradição.
Chamando atenção das gentes,
Colorindo os ambientes,
Na festiva ocasião.

Em todo Brasil nós temos
Quadrilha bem diferente.
Umas são contemporâneas,
Outras como antigamente.
Geração a geração,
Ocorre a transformação,
Mas sem quebrar a corrente.

Pelas mãos dos portugueses,
A semente foi plantada.
Aqui em nosso Brasil
Foi muito bem semeada.
Hoje na nossa cultura,
Temos São João com fartura,
Seguindo em grande jornada.

Nesse meu cordel falei,
Das festas de São João.
Sobre festejos juninos,
Repassei a tradição,
Retirando da memória,
Retalhos da minha história,
Vivida lá no sertão!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 28 de agosto de 2024

XODÓ NORDESTINO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

XODÓ NORDESTINO

Dalinha Catunda

Você gritou: Ô de casa!
Eu saí e dei bom dia
Me pediu um copo d’água
A desculpa eu conhecia
Saí quase no pinote
Fui pegar água no pote
Lhe servi com alegria.

Você me olhava com gosto
E eu olhava pra você
Ali nascia um chamego
E nós dois dele a mercê
Eu no começo corava
Quando você me chamava
Minha flor de muçambê.

Quando o fole da sanfona
Gemia nalgum lugar
Você trocava de roupa
Corria pra me pegar
E naquela brincadeira
No forró a noite inteira
Eu via o suor pingar.

Teu corpo grudado ao meu
Meu corpo no teu grudado
O povo todo olhando
O nosso rodopiado
Não tinha naquele chão
Pras bandas do meu sertão
Um casal mais animado.

Eu me arrumava todinha
Com meu vestido de chita
Aquela flor encarnada
Me deixava mais bonita
Você na sua paixão
Roubou pra recordação
Meu laço feito de fita.

Era um xodó animado
Era um chamego ladino
Tinha cheiro no cangote
Coisa só de nordestino
Ao som de xote e baião
Embalamos a paixão
Era um chamego bem-vindo.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 21 de agosto de 2024

PRECISO DO SEU CHEIRO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPEERIORA DALINHA CATUNDA)

PRECISO DO SEU CHEIRO

Dalinha Catunda

Quando por mim você passa
Eu viro mulher feliz
Tão cheiroso e provocante
Que logo acendo o nariz
E deixo seu cheiro entrar
Só para me deleitar
Pois sou mulher de raiz.

Se sempre acordo bem cedo
É pra provar seu sabor
O meu paladar exige
Antes que eu vá ao labor
Ter você sempre bem quente
Alertando minha mente
Provocando meu calor.

Para ter você comigo
Caminho léguas o pé
Vou até o fim do mundo
E não perco minha fé
De provar do meu neguinho
Nem que seja um golinho
Sou viciada em café!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 14 de agosto de 2024

DUAS GLOSAS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

DUAS GLOSAS

Dalinha Catunda

Mote de Xico Bizerra:

Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Relutei, terminei indo
Conhecer o tal tabaco
Foi aí que me vi fraco
Garanto, num tô mentindo
Nunca vi nada mais lindo.
Cheirei, voltei a cheirar
Não conseguia parar
Sabor de cravo e canela
Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Xico Bizerra

O tabaco era cheiroso
Cheiroso como ele só
Do nariz não teve dó
Esse caboco fogoso
Achando delicioso
O bicho vive a cheirar
Ouvi o cabra gritar
Debruçado na janela:
Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 07 de agosto de 2024

UMA RODA DE GLOSAS - 17.07.2024 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

UMA RODA DE GLOSAS

Dalinha Catunda

Xilogravura de Valdério Costa

 

Mote desta colunista:

Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

* * *

Nem bem o dia amanhece
Já está em meu quintal
O seu canto matinal
É canto que me enternece
Mas comida só merece
Quem tem rumo e direção
Não cedo alimentação
Pra quem sempre vai e vem:
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Dalinha Catunda

Também não darei moleza
À rola ou a periquito,
Mesmo sendo bem bonito,
Pode ter toda a certeza;
Beleza nunca põe mesa
E nesses tempos então
Só abro uma exceção
Com aval de Araquem:
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Bastinha Job

Já tive no meu terreiro
uma rola sem futuro,
me procurava no escuro
e me acertava o traseiro,
com seu jeito interesseiro,
não queria meu pirão,
mas só arroz com feijão,
na hora do vai-e-vem.
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Anilda Figueiredo

Eu adoro passarinho…
Mas sou fã do periquito
Esse do mote esquisito
Não põe ovo no meu ninho
Pra ficar tudo certinho
Eu digo com precisão
Essa rima é o cão
Esse verso não convém
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Giovanni Arruda

Quando o pássaro é manso
Basta um dedo em riste
Botar painço e alpiste
Que vem fazer o descanso
Já criei patos e ganso
Sabiá corrupião
Acabava com a ração
Não me sobrava um vintém
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Araquém Vasconcellos

Canta lá no cajueiro
Que fica no meu canal
Um rebanho de pombal
Me consola o dia inteiro
Mais não chega no terreiro
Nem na janela do oitão
Eu tenho essa opinião
Pode ser pardal, quem quem
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Jairo Vasconcelos

Eu escuto o passarinho
Mas grito com dedo em riste
Posso dar xerem, alpiste
Se ele sair do ninho
Se eu escutar bem cedinho
Um canto em tom de canção
Mas se ele só diz não
E não canta pra ninguém
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Rivamoura Teixeira

Eu criava uma rolinha
Um dia fiquei zangada
Ela vivia escorada
Peguei a tal passarinha
Ficou mais mole a bichinha
Eu dei nela um arrochão
Sapequei ela no chão
E pelei o seu sedém
Pra rola só dou xerém
Se comer na minha mão.

Ritinha Oliveira


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 31 de julho de 2024

O TABACO DE MARIA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Xilogravura de Erivaldo Ferreira

 

1
Na estrada do Pai Mané
Na cidade de Ipueiras
Bem pertinho das Barreiras
De imburana tem um pé
Ele dá um bom rapé
Pra quem sabe preparar
Maria sabe torrar
E tem grande freguesia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

2
E naquela arrumação
Meu pai era viciado
No dedo era colocado
Do rapé uma porção
Com o tabaco na mão
Pra no nariz esfregar
E logo após aspirar
Ele fungava e dizia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

3
Valdenira me indicou
Disse mulher acredite
Ele é bom pra sinusite
Aqui mamãe sempre usou
Depois que ela receitou
Comecei a melhorar
Nunca parei mais de usar
Acabou minha agonia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

4
Garapa ficou sabendo
Dessa história do rapé
Foi direto ao Pai Mané
Também estava querendo
Com Maria se entendendo
Resolveu logo pagar
E não saiu sem provar
do cheiroso nesse dia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

 

5
Edgar acabrunhado
Com o nariz entupido
Sentindo-se já perdido
Com febre e com resfriado
Foi atrás desse torrado
Para tentar melhorar
Porém mesmo sem gostar
Do produto repetia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

6
Dão de Jaime que gostou
Do tabaco da fulana
Cheirou mais duma semana
E também se viciou
Da mulher ele apanhou
E não cansou de apanhar
Pois disse não vou largar
E gritando se exibia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

7
Lindicassia nascimento
Fugava como ela só
Cheirou um pouco do pó
Daí veio o seu alento
Falou sem constrangimento
Eu posso até me lascar
Porém nunca vou largar
O que já virou mania
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

8
Do torrado de imburana
Quis provar meu companheiro
Foi adquirir ligeiro
Nem teve pena da grana
Com a cara de sacana
E só para chatear
Chegava os olhos virar
Envolvido na folia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

9
O vigário da cidade
Pediu para o sacristão
Vá comprar uma porção
Uma boa quantidade
Um rapé de qualidade
Que estou querendo espirrar
Mas onde ele ia comprar
O vigário já sabia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

10
Neto Alves da Cultura
Ficou logo interessado
Para comprar o torrado
Mandou uma criatura
E disse: – mas que loucura!
E esse bicho é de lascar
Hoje vou me empanturrar
Pois eu não tenho alergia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

11
É remédio natural
Eu também sou dessa linha
Disse Anilda pra Dalinha
Querendo provar do tal
Garanto que não faz mal
E tratou de encomendar
Ao começar a chuchar
Comentou com euforia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

12
Eu só sei que a imburana
Transformada em rapé
Muita gente levou fé
E Maria não engana
Pra Violante e Diana
Ela ficou de enviar
Se Cassiano esperar
Com certeza ela envia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

13
Tenho tabaco estocado
Pra Dideus e Acopiara.
A freguesia não para,
O de Chica está guardado.
Fátima Correia e Prado,
Só falta mesmo embalar
E quem fica a me cobrar,
É o Tião Simpatia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

14
Tenho um frasco pra Bastinha
Pra Vânia Freitas também
O Sérgio sei que já tem
De Rosário é na latinha
Eu fiz o que me convinha
Porém tenho que avisar
Já vi velho se peidar
Em frente a tabacaria:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

15
Eu só sei que esse rapé
Extraído da imburana
Fez uma corrida insana
Isso me falava Zé
Veio de Brumado a pé
Somente para comprar
Um tabaco singular
Que não tem lá na Bahia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

16
Meu cordel chega ao final
Porém o cheiro persiste
Penetrando nesse chiste
Que diverte e não faz mal
Com gosto dou meu aval
Pois consegui entranhar
Amigos para brincar
No mote que repetia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 24 de julho de 2024

SOU MULHER E SOU BENDITA (CORDEL DA CLUNISTA MADRE AUPERIORA DALINHA CATUNDA)

SOU MULHER E SOU BENDITA

Dalinha Catunda

Eu bem sei que tudo passa
Na vida que a gente tem
Por isso é que vivo a vida
Decidida e sem porém,
Pois triste de quem nasceu
Viveu e nem percebeu
O prazer de ir além.

Montei no lombo da vida
E na sela eu me aprumei
As rédeas em minhas mãos
Com firmeza segurei
Aticei meu alazão
Tirei poeira do chão
A porteira escancarei.

Assim eu ganhei o mundo
Na estrada não me perdi
Provei dos sabores da vida
Chorei pouco e mais sorri
Dei aval ao coração
Pra cada contravenção
Das emoções que senti.

Em noite de lua cheia
O luar foi companheiro
Banhou-me com sua prata
Seduzi meu companheiro
Que vendo o brilho da lua
Rajando a pele nua
Operou como posseiro.

Criei asas e voei
Até devorei zangão
Provei geleia real
Escapei por ter ferrão
A vida não foi só mel
Se por vezes fui cruel
Faltou-me submissão.

Eu apeei em açude
Em ribeirão e riacho
Nos lugares mais bonitos
Arrefeci o meu facho
Pois a vida me sorria
E a dona hipocrisia
Deixei com cara de tacho.

Quem arriscou me laçar
Ficou com corda na mão
Eu derrubei muita estaca
E até cerca de mourão
Campeei como eu queria
Hoje faço é poesia
Dessa saga no sertão.

Dei corda ao meu instinto
Feito Maria Bonita
Meu fado eu canto em verso
Pois não caí em desdita
Entre o profano e o sagrado
Meu norte foi consagrado
Sou mulher e sou bendita.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 17 de julho de 2024

NO RIO SOU PARAÍBA E EM SÃO PAULO BAIANA (CORDEL DA COLÇUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Sou cearense da gema
Onde o sol nasce encarnado
A minha cabeça chata
Faz parte desse legado
Nunca me vi coitadinha
Faca, tirei da bainha
Pra riscar o meu traçado.

No Rio sou Paraíba,
Em São Paulo sou baiana
Minha nordestinidade
Não me deixa ser fulana
Na Feira dos Paraíbas
Revejo em minhas idas
Que nossa gente se irmana.

Não nasci pra ser piolho
Tenho meu discernimento
Jamais segui a manada
Pra isso tenho argumento
Prefiro ter meu poder
Sem empoderada ser
Só sigo meu pensamento.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 10 de julho de 2024

A MOÇA TRISTE (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

A MOÇA TRISTE

Dalinha Catunda

Alta, branca tão bonita,
Mas quanta dor nela existe
No dourado dos cabelos
Sua nobreza persiste
Caminha com elegância
Deixando sua fragrância
No caminho a moça triste.

Nos lábios um ar de riso
No olhar tanta tristeza
Compondo sempre o semblante
Sem ofuscar a beleza
Da rapariga tristonha
Que não vive, apenas sonha,
No seu mundo de incerteza.

Pobre princesa sofrida
Que conseguiu ser rainha
Porém vive acorrentada
Mesmo se solta caminha
Em cada canto do rosto
É visível seu desgosto
Ao transportá-lo definha.

E na sua ingenuidade.
Príncipe era encantado!
Palácio sem atração,
Castelo desmoronado,
É a causa do desgosto
Tracejado no seu rosto
No fracassado reinado.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 03 de julho de 2024

DAUDETH BANDEIRA E DALINHA CATUNDA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Daudeth Bandeira

Eu não conheço Dalinha
Mas desejo conhecê-la
Todo poeta precisa
Conhecer uma estrela
Não pra ser o dono dela
Mas para aplaudi-la e vê-la.

Dalinha Catunda

Eu já conheço Daudeth
E muito, de ouvir falar,
Fama de cada Bandeira
Faz o mastro tremular
Seu clã é constelação
Constantemente a brilhar.

Daudeth Bandeira

Dalinha pega mais fogo
Do que capim no verão,
É do tipo das caboclas
Que pingam brasa no chão,
São responsabilizadas
Por quase todas queimadas
Que existem no sertão.

Dalinha Catunda

Sou fogueira de paixão
Lambendo o chão da campina
Incendiando o agreste
Tal ventania ladina
Apesar de ser matreira
Não sou de queimar Bandeira
Meu fogo não desatina.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 26 de junho de 2024

SÃO JOÃO NA ROÇA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

SÃO JOÃO NA ROÇA

Dalinha Catunda

São João na Roça - Documentário

 

Hoje acordei com saudades
Das festas do meu sertão
De matuta me trajava
E cheia de animação
Com meu vestido de chita
Chapéu e laço de fita
Feliz dançava o São João.

Enxerida e dançadeira
Nunca me faltava par
Pra dançar numa quadrilha
Nas festas do meu lugar
Tudo hoje é diferente
Até o São João da gente
Acharam por bem mudar.

No São João de Antigamente
Tudo era especial
O noivo e a noiva vinham
No lombo dum animal
Ou então numa carroça
Assim era lá na roça
No São João tradicional!

No casamento matuto
Era um Deus nos acuda
Noivo querendo fugir
Da noiva já barriguda
De espingarda na mão
Fazia o pai confusão
E ao juiz pedia ajuda.

O vigário embriagado
Cambaleava no altar
O pai que não sossegava
Gritava vou já matar
Ou casa ou eu não dou trégua
Nesse filho d’uma égua
Eu atiro é sem mirar.

O delegado chegava
E acabava a confusão
O noivo então se casava
Pra não mofar na prisão
Com barulho de foguete
Principiava o banquete
Assim era a tradição.

 

Quem comandava a quadrilha
Lá no meu interior
Era só gente da gente
E eu dava o maior valor
No momento de ensaiar
Do nosso bom linguajar
Valia-se o gritador.

Foi a caminho da roça
Transbordando de alegria
Que passei com meu amor
Num túnel de fantasia
Mas na primeira manobra
Quando eu ouvi, Olha a cobra!
Eu gritei: Ave Maria!

Olha a cobra, olha a chuva
Tudo era encenação
A cobra não assustava
Chuva não caía não
No giro que a roda dava
Eu fui dama coroada
Em cada apresentação.

No cumprimento das damas
Rapaz tirava o chapéu
A dama se derretia
Sentindo-se lá no céu
Quando a dança terminava
A folia começava
Era grande o escarcéu.

A mulherada corria
Para fazer simpatia
Um corre-corre danado
Para ver se descobria
Com quem ia se casar
Tentava enxergar o par
Na água duma bacia.

Já outros passavam fogo
Naquele dado momento
Era em nome dos três santos
Que faziam juramento
Você vai ser meu compadre
E você minha comadre
Era assim, eu não invento.

E nesse costume antigo
Arrumava-se afilhado
Era assim que sucedia
Depois do fogo passado
Quem jurava na fogueira
Levava pra vida inteira
O que fora confirmado.

Eu jamais vou esquecer
Do São João no Ceará
O bolo feito de milho
Um pote com aluá
Pamonha também canjica
Aqui a lembrança fica
Remetendo-me pra lá.

Nos braseiros das fogueiras
Se agitava a meninada
Se danando a assar milho
E a fazer batata assada
A fogueira faiscava
Milho cozido cheirava
Era uma festa animada.

As musicas que se ouvia
No bom São João Nordestino
Era só Luiz Gonzaga
Com seu canto genuíno
Repleno de animação
Incendiava o sertão
Sem cometer desatino.

Era uma festa bonita
Que tinha sua candura
Feita com nossos costumes
Com base em nossa cultura
Tudo agora está mudado
Até o sapato é dourado
Viramos caricatura.

Tanto luxo, tanto brilho,
Largaram chita e chitão
Não tem mais nada de roça
Pois é só ostentação
Parece a festa da uva
Até princesa com luva
Vejo na apresentação.

Parece escola de samba
Na hora de desfilar
E tem comissão de frente
Antes do grupo dançar
É um tal de se exibir
Dançam para competir
E não para festejar.

Até a música usada
Não é como antigamente
Falta sanfona e zabumba
E um triângulo estridente
Falta um forró animado
Com cara de nossa gente.

Cadê o chapéu de palha
E o bigode desenhado
A camisa de xadrez
Ou de tecido estampado
Cadê o nosso matuto
Que dançava absoluto
No sertão o seu reinado.

Cadê a moça bonita
Que guardo em minha lembrança
Com pintas pretas na face
De cada lado uma trança
Cadê a festa junina
Tão nossa tão nordestina
Dos bons tempos de bonança.

Eu ainda quero ouvir
Na voz de um cantador
O que eu ouvi num São João
Numa noite de esplendor
A mais linda melodia
Onde Gonzagão dizia:
Olha pro céu meu amor…

Não vamos interromper
Os passos de nossa história
Devemos vivenciar
Não só guardar na memória
Defender e resguardar
Sem deixar de praticar
Feitos dessa trajetória.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 19 de junho de 2024

CUIDE DO SEU IDOSO – 1º OUTUBRO, DIA INTERNACIONAL DO IDOSO (DORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

Quem tem o seu idoso
Consciência deve ter.
Cuidar dele com carinho,
É obrigação, é dever.
Ter zelo, ter paciência,
E também tomar ciência:
Todos vão envelhecer.

Não maltrate um ancião
Que já não sabe o que faz
Mas que foi seu alicerce
E já foi muito capaz
Já lhe deu casa e comida
Mas antes lhe deu a vida
E merece enfim ter paz.

Cada vez que a paciência,
Fugir do seu coração
Reze, reflita e pense,
Não faça judiação
Pois quem não morre envelhece
E quase sempre padece
Sofrendo de mão em mão.

Não se esqueça de lembrar
De quem de você lembrou.
Nos verdes anos da vida
De você sempre cuidou.
Mesmo hoje sem memória
Faz parte da sua história,
Que o tempo não apagou.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 12 de junho de 2024

O VOO DA RETIRANTE! (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

O VOO DA RETIRANTE!

Dalinha Catunda

 

Eu sou mulher sertaneja!
Feminina e singular
O agreste me batizou
Mas fiz do mundo meu lar
Açoites patriarcais
Não me podaram jamais
Lutei pra me libertar.

Nunca fui igual a tantas
Aceitando imposição
Tinha o olhar aguçado
Tinha rumo e direção
Do meu jeito nordestino
Sem drama sem desatino
Segui cheia de razão.

Não fui mulher de ficar
Debruçada na janela
Eu queria muito mais
Vi que a vida dava trela
Na janela não fiquei
A porta eu escancarei
E joguei fora a tramela.

Uma estrada desenhei
Do jeitinho que eu queria
Nela pisei com firmeza
Distribuindo alegria
As veredas da tristeza
Enfrentei sem ter moleza
Recorrendo a rebeldia

Receio de ser feliz
Não provei no meu caminho
Fui ave de ribaçã
Trocando às vezes de ninho
longe do velho rincão
Eu desbravei novo chão
Sem sumir no torvelinho.

As pragas que me jogaram
Voltaram pra quem jogou
Eram tantas profecias
Nenhuma se confirmou
E hoje vou lhes dizer
Não parti pra me perder
Quem me viu depois notou.

 

Nunca fui desatinada
Era desobediente
A cruel hipocrisia
Era discurso presente
Mas fugi dessa verdade
Da podre sociedade
Jamais quis herdar corrente.

Eu nunca tive medo
De casar ou não casar
Sempre tive minha luz
Que acendi pra me guiar
Munida de inteligência
Não quis viver de aparência
Tive peito pra encarar.

A luxúria dos senhores
Fez filho no cabaré
O santo padre endeusado
Profanou a sua fé
Mas tudo era encoberto
O pecador era o certo
Na vida como ela é.

Eu vi a mulher do próximo
Nos braços do seu amante
Vi o próximo noutros braços
Situação semelhante
Mas tudo era abafado
O tal do patriarcado
Tinha o grito retumbante!

Vi esposas recebendo
No lar putas do marido
O homem podia tudo
Sempre era obedecido
E a mulher subjugada
Não podia falar nada
Seu orgulho era engolido.

Eu vi telhado de vidro
Querendo pedra atirar
Presenciei falsas virgens
Casando em frente ao altar
Noivo ganhando boiada
Pra assumir a desonrada
E o nome dela salvar.

O homem tinha direitos
Mas não os tinha a mulher
Se deixasse de ser casta
Viraria uma qualquer
De sua casa era expulsa
Sobrava-lhe só repulsa
E compaixão nem sequer.

Eu escrevi outra história
E fiz o sertão ferver
Fiz um filho sem casar
Começou meu padecer
E para meu desencanto
Não era do espírito santo
Foi difícil resolver.

A cidade jogou pedra
No meu lar não me cabia
Todos lavaram as mãos
Enquanto eu me despedia
Aceitei a minha cruz
Apeguei-me com Jesus
E com a Virgem Maria.

Não vou dizer que foi fácil
Porém não me entreguei.
O sangue de nordestina
Comigo eu carreguei
Trabalhei como ninguém
Pra consegui ir além
Eu nunca me desgracei.

Não tive pena de mim
Não chorei a pouca sorte
Resolvi virar o jogo
Meu orgulho me fez forte
Empinei bem o nariz
Vivo do jeito que quis
Eu mesma fui meu suporte.

Tangida ganhei o mundo
Sem esquecer minha aldeia
Lá voltei mais de mil vezes
Sem medo de cara feia
Não saí do meu lugar
Sem aprender a nadar
Para não morrer na areia.

E cada vez que eu voltava
Pra minha satisfação
Tinha nova mãe solteira
Em meu querido rincão
Eu vi que servi de exemplo
Só me falta agora um templo
Pra minha coroação.

Sou mãe de dois meninos
Que ao meu lado vi crescer
Dei casa, comida e estudo.
Criar bem foi meu dever
Os dois já estão formados
Todos dois bem colocados
Esse é meu maior prazer.

Sempre volto a Ipueiras
Onde vou veranear
Hoje me chamam Senhora
Chego quase a gargalhar
Mesmo tendo eira e beira
Continuo mãe solteira
Apesar de ter meu par.

Escorregando e caindo
Aprendi a levantar
Eu nunca deixei barato
Quando ousaram me afrontar
Sempre tomei atitude
Se muitas vezes fui rude
Foi pra ninguém me pisar.

Sou filha da intolerância
Conheci o preconceito
Guerreira que não se dobra
E pra flecha abri meu peito
De cada dardo escapei
Criei minha própria lei
Pois nutri esse direito

Agora sou poetisa
Não acho o mundo perverso
Eu dei a volta por cima
Essa história conto em verso
E digo com alegria
Eu sou mais uma Maria
Coragem nesse universo.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de junho de 2024

XODÓ NORDEESTIN (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

XODÓ NORDESTINO

Dalinha Catunda

 

 

Você gritou: Ô de casa!
Eu saí e dei bom dia
Me pediu um copo d’água
A desculpa eu conhecia
Saí quase no pinote
Fui pegar água no pote
Lhe servi com alegria.

Você me olhava com gosto
E eu olhava pra você
Ali nascia um chamego
E nós dois dele a mercê
Eu no começo corava
Quando você me chamava
Minha flor de muçambê.

Quando o fole da sanfona
Gemia nalgum lugar
Você trocava de roupa
Corria pra me pegar
E naquela brincadeira
No forró a noite inteira
Eu via o suor pingar.

Teu copo grudado no meu
Meu corpo no teu grudado
O povo todo olhando
O nosso rodopiado
Não tinha naquele chão
Pras bandas do meu sertão
Um casal mais animado.

Eu me arrumava todinha
Com meu vestido de chita
Aquela flor encarnada
Me deixava mais bonita
Você na sua paixão
Roubou pra recordação
Meu laço feito de fita.

Era um xodó animado
Era um chamego ladino
Tinha cheiro no cangote
Coisa só de nordestino
Ao som de xote e baião
Embalamos a paixão
Era um chamego bem-vindo.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 29 de maio de 2024

UMA GLOSA PARA NOSSA SANTA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

UMA GLOSA PARA NOSSA SANTA

Dalinha Catunda

O anjo bom da Bahia
Hoje é santa no altar

Mote da colunista

Foi fazendo caridade
Acolhendo cada irmão
Que seu nome correu chão
Irmã Dulce era bondade
Sua força de vontade
Era firme ao abraçar
Viveu para amenizar
Do pobre sua agonia
O anjo bom da Bahia
Hoje é santa no altar


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 22 de maio de 2024

A REVOADA DAS POMBAS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

A REVOADA DAS POMBAS

Dalinha Catunda

Vi a pomba bater asas
Esvaziando o terreiro
Era só um passarinho
Buscando novo roteiro
Pomba-de-arribação
Bem comum lá no sertão
No ir e vir corriqueiro.

Quando pousou na vivenda
Já era tempo de estio
Entretanto fez seu ninho
Acabei com seu fastio
Cuidada com bom xerém
Ela sentia-se bem
Arrulhava a cada cio.

Vi a rola satisfeita
Sempre renovando o ninho
E dava graças a Deus
Por tê-la em meu caminho
Mas tudo acabou em nada
Pois a rola desalmada
Sumiu em um torvelinho.

E foi-se a pomba vadia
Foi-se a Burguesa também
Por rolas eu não lamento
Umas vão e outras vem
E foi-se a pomba terceira
Não será a derradeira
Que meu alçapão detém.

Outro dia eu avistei
A vadia em meu quintal.
A Burguesa toda prosa
Vi pousando em meu varal
Mas quem hoje me fascina
É uma pomba-divina
Conhecida por trocal.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 08 de maio de 2024

O QUE FAZ A CARESTIA DA CARNE? (CORDEL DA COLUNISTA MADRED SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

Fui com marido ao açougue
Lá cheguei a me zangar
Pois vendo o preço da carne
Começou a resmungar
Desse preço compro não
Como é bife do “oião”
E danou-se a reclamar.

Ele cheio de argumento
Falava e dizia assim:
A gente come feijão,
E farofa de “toicim,”
Deixe logo de ora pois
Também tem baião de dois
E isso tá bom pra mim.

Eu saí batendo pé
Sem querer me conformar
Zangada que nem o cão
Esse cabra vai pagar
Eu fiz como ele queria
Contudo a minha alegria
Ele conseguiu quebrar.

Quanto chegou a noitinha
Que a gente foi se deitar
Virei de costas pra ele
E ele a me cutucar
Querendo carne comer
Eu disse: Tu vais morrer
Mas carne não vou te dar.

Durante o dia eu sonhei
Com costela e costeleta
Ele querendo poupar
Já deu uma de ranheta
Quando apertou a vontade
Deixei ele na saudade
Dispensei sua baioneta.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 01 de maio de 2024

BONECA DE PANO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

Fotos da colunista

 

 

Dias felizes da infância
Inda guardo na memória
A dona simplicidade
Fez parte trajetória
A bonequinha de pano
Foi rainha nessa história.

Eram compradas nas feiras
Arrematas em leilão
Brinquedo mais precioso
Que tive no meu sertão
Os vestidos eu fazia
Sempre costurando a mão.

Guardei essa tradição
E hoje volto a brincar
De fazer as bonequinhas
Somente pra exercitar
Esse meu prazer antigo
Que me encanta recordar.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 24 de abril de 2024

ABRAM ALAS PRO MEU QUIÇÁ (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

ABRAM ALAS PRO MEU QUIÇÁ

Dalinha Catunda

Hoje lembro com saudade
O tempo bom que passou
Quando o não era um talvez
E assim você me ganhou
Você puxava meu braço
Eu evitava o abraço
Porém você me laçou.

No cordão que se formava
Circulando no salão
Você com sua insistência
Segurou a minha mão
E me beijou bem na hora,
A do: “ vou beijar-te agora”
E ganhou meu coração.

Você foi o meu pirata
Eu a sua colombina
Lembro nós dois enroscados
Nos laços da serpentina
Quando meu não virou sim
Não desgrudou mais de mim
A paixão foi repentina.

E não acabou em cinzas
Esse amor de carnaval
Aos encantos da conquista
Botei fé e dei aval
Apostei na fantasia
Colhi amor e alegria
E fui feliz no final.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 17 de abril de 2024

O CORNO FOFOQUEIRO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

O CORNO FOFOQUEIRO

Dalinha Catunda

Quem vive de propagar
Que o seu fulano é corno
As vezes causa transtorno
Nem chega a desconfiar
Que chifres vive a levar
Sem que venha perceber
Faz chacota com prazer
Mas devia ficar mudo
Pois continua o chifrudo
Sendo o último a saber.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 10 de abril de 2024

MULHER DE RAÇA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

MULHER DE RAÇA

Dalinha Catunda

 

Neguinha sou para amigas
Minha nega pro amado
Sou morena citadina
Meu cabelo é ondulado
Sou dona das minhas ventas
Sou das mulheres atentas
Tenho nariz empinado.

Sou cabocla sertaneja
E trago no matulão
A astúcia da matuta
Que desbravou o sertão
E que não poupou canela
Quando abriu sua cancela
Buscando libertação.

Da fralda da Ibiapaba
Sou das alas das guerreiras
Agarrada ao jacumã
Enfrentei as corredeiras
Em cima duma piroga
Sou guerreira que se joga
Nas águas das Ipueiras

Sou a mistura das raças
Sou a miscigenação
Sou Catunda, sou do Prado
Tenho sangue de Aragão
Sou cunhã, sou companheira,
Sou concubina parceira
Eu só não sou é padrão.

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 03 de abril de 2024

QUARENTENA NA ROÇA, VIVENDO COMO ÍNDIO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

Aqui estou feito índio
Acoitada em uma oca
Só comendo caça e pesca
E entrando na mandioca
No café como beiju
No almoço tem tatu
Já na ceia é tapioca.

Na cidade eu fazia
Musculação e ioga
Aqui vivo a natureza
Despida de lei e toga
O que me dá mais prazer
É rio abaixo descer
Trepada numa piroga.

Quando meu nativo chega
Alisando o jacumã
Fogosa ligeiro abro
Meu sorriso de cunhã
Eu dou para ele comer
Um caldo que sei fazer
Na base de Carimã.

Numa rede de tucum
De noite vou me deitar
E no balanço da rede
Eu vejo Jaci brilhar
E meu amor diz pra mim
Vamos fazer curumim
Antes do mundo acabar?


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de março de 2024

O TABACO DE MARIA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

O TABACO DE MARIA

Dalinha Ctunda

Xilogravura de Erivaldo Ferreira

 

1
Na estrada do Pai Mané
Na cidade de Ipueiras
Bem pertinho das Barreiras
De imburana tem um pé
Ele dá um bom rapé
Pra quem sabe preparar
Maria sabe torrar
E tem grande freguesia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

2
E naquela arrumação
Meu pai era viciado
No dedo era colocado
Do rapé uma porção
Com o tabaco na mão
Pra no nariz esfregar
E logo após aspirar
Ele fungava e dizia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

3
Valdenira me indicou
Disse mulher acredite
Ele é bom pra sinusite
Aqui mamãe sempre usou
Depois que ela receitou
Comecei a melhorar
Nunca parei mais de usar
Acabou minha agonia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

4
Garapa ficou sabendo
Dessa história do rapé
Foi direto ao Pai Mané
Também estava querendo
Com Maria se entendendo
Resolveu logo pagar
E não saiu sem provar
do cheiroso nesse dia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

5
Edgar acabrunhado
Com o nariz entupido
Sentindo-se já perdido
Com febre e com resfriado
Foi atrás desse torrado
Para tentar melhorar
Porém mesmo sem gostar
Do produto repetia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

6
Dão de Jaime que gostou
Do tabaco da fulana
Cheirou mais duma semana
E também se viciou
Da mulher ele apanhou
E não cansou de apanhar
Pois disse não vou largar
E gritando se exibia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

 

7
Lindicassia nascimento
Fugava como ela só
Cheirou um pouco do pó
Daí veio o seu alento
Falou sem constrangimento
Eu posso até me lascar
Porém nunca vou largar
O que já virou mania
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

8
Do torrado de imburana
Quis provar meu companheiro
Foi adquirir ligeiro
Nem teve pena da grana
Com a cara de sacana
E só para chatear
Chegava os olhos virar
Envolvido na folia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

9
O vigário da cidade
Pediu para o sacristão
Vá comprar uma porção
Uma boa quantidade
Um rapé de qualidade
Que estou querendo espirrar
Mas onde ele ia comprar
O vigário já sabia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

10
Neto Alves da Cultura
Ficou logo interessado
Para comprar o torrado
Mandou uma criatura
E disse: – mas que loucura!
E esse bicho é de lascar
Hoje vou me empanturrar
Pois eu não tenho alergia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

11
É remédio natural
Eu também sou dessa linha
Disse Anilda pra Dalinha
Querendo provar do tal
Garanto que não faz mal
E tratou de encomendar
Ao começar a chuchar
Comentou com euforia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

12
Eu só sei que a imburana
Transformada em rapé
Muita gente levou fé
E Maria não engana
Pra Violante e Diana
Ela ficou de enviar
Se Cassiano esperar
Com certeza ela envia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

13
Tenho tabaco estocado
Pra Dideus e Acopiara.
A freguesia não para,
O de Chica está guardado.
Fátima Correia e Prado,
Só falta mesmo embalar
E quem fica a me cobrar,
É o Tião Simpatia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

14
Tenho um frasco pra Bastinha
Pra Vânia Freitas também
O Sérgio sei que já tem
De Rosário é na latinha
Eu fiz o que me convinha
Porém tenho que avisar
Já vi velho se peidar
Em frente a tabacaria:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

15
Eu só sei que esse rapé
Extraído da imburana
Fez uma corrida insana
Isso me falava Zé
Veio de Brumado a pé
Somente para comprar
Um tabaco singular
Que não tem lá na Bahia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

16
Meu cordel chega ao final
Porém o cheiro persiste
Penetrando nesse chiste
Que diverte e não faz mal
Com gosto dou meu aval
Pois consegui entranhar
Amigos para brincar
No mote que repetia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 20 de março de 2024

GLOSAS DE MORAES MOREIRA (POSTAGEM DA COLUNISTA DA.INHA CATUNDA)

 

GLOSAS DE MORAES MOREIRA

Dalinha Catunda

Moraes Moreira, Itauçu-BA, (1947-2020)

 

Mote desta colunista e glosas de Morais Moreira, publicadas originalmente no Blog Cordel de Saia.

Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

Vai fundo na caminhada
Que o homem parece raso
Vivendo quase um ocaso
Já se perdendo na estrada,
É hora da mulherada
Tomar o tempo e o lugar
Não adianta chorar
Achar que a vida é cruel,
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

No tempo da plenitude
O homem cai no vazio
Fugindo do desafio
Covarde e sem atitude
Coitado ainda se ilude
Não sabe como se dar
O que é que vai lhe restar
Senão tirar o chapéu?
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

De uma costela de Adão
Dizem que a mulher foi feita
E sendo assim tão perfeita
Imaginemos então
Se fosse do coração
Que Deus pudesse a criar
O mundo ia proclamar:
Oh criatura do céu!
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

Naturalmente é sem músculo
No seu jeitinho de moça
Duvida da sua força
O macho já no crepúsculo
Sendo somente um opúsculo
Da obra que vai ficar
O que é que vai lhe sobrar
Senão caminhar ao léu?
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

Não falto com a verdade
E peço que me acompanhe
Já que a mulher é a mãe
De toda a humanidade
Pra não ficar na saudade
O homem vai conquistar
Ao seu ladinho um lugar
Fazendo bem seu papel,
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 13 de março de 2024

MARIA PREÁ VERSEJADA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA))

 

MARIA PREÁ VERSEJADA

Dalinha Catunda

É mais ou menos assim
A história que ouvi falar
Maria Preá e o Padre
E um sacristão singular

Eu conheci um vigário
Comedor de periquito
Desrespeitava a batina
Ninguém achava bonito.

E pelo seu sacristão
Um dia ele foi flagrado
Quase perdeu a razão
Ficou desorientado.

O sacristão sem escrúpulos
Danou-se a chantagear
O vigário aventureiro
Que vivia a fornicar.

Porém nada como um dia
E a noite pra atrapalhar
O padre dando umas voltas
Viu o sacristão pecar.

O chantagista de quatro
Perto da cabana tosca
Numa vereda afastada
Gemia e queimava a rosca.

Foi quando ouviu um ruído
E o “Santo” padre a gritar:
Morreu Maria Preá!
E ele teve que calar

O povo diz que essa história
Se deu lá no Ceará
Eu garanto que conheço
Muitas “Maria Preá.”


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 13 de março de 2024

SÓ NA GEMEDEIRA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

SÓ NA GEMEDEIRA
Dalinha Catunda

 

SÓ NA GEMEDEIRA

*

A Dalinha é bem gigante

Na bela arte do cordel,

Alguns escrevem amargo

Mas ela escreve com mel,

É verdadeira rainha

Ai ..ai ..ui..ui.

Uma grande menestrel...

FRANCISCO ALMEIDA

*

Seu Dr. Sou atrevida,

Na hora de versejar

O mel que ponho nos versos

Não é só para adoçar

É para atrair incauto

Ai.. ai.. ui.. ui

E sem pena ferroar.

DALINHA CATUNDA

*

Conheço-os, bem de perto,

uma rainha e um zangão...

Vem deles o doce mel

que alimenta esse povão.

São abelhas do repente

Ai... ai... ui... ui...

advindas do sertão.

DAVID FERREIRA ...

*

E chegou mais um poeta

Querendo adoçar o bico

Trazendo versos bem feitos

Que respondo e não replico

É mais um nessa colmeia

Ai... ai... ui... ui...

Para aumentar o fuxico.

DALINHA CATUNDA

*

Gemedeira é um estilo

Que mexe com muita gente,

Alguém geme de paixão

E outro por estar doente,

E quem disser que não geme,

Aí.. aí... ui...ui...


É quem geme mais ardente.

FRANCISCO ALMEIDA

*

Nesse estilo meu amigo

Não se geme diferente

E se for de pé quebrado

Quem conhece não consente

E na estrofe tem que ter

Ai... ai... ui...ui...

Ou não aceita o repente.

DALINHA CATUNDA

*

Um gemido é coisa séria,

gemer não é brincadeira!

Geme-se de muitos jeitos,

mas, há a melhor maneira...

Quem não geme de paixão,

ai..., ai..., ui..., ui...


não sabe o qu'é gemedeira.

DAVI FERREIRA

*

É suspiro, é enleio,

O gemido da paixão,

Que brota dentro do peito,

E escapa do coração,

Acaba num sussurrado

ai..., ai..., ui..., ui...


Mas não é lamentação.

DALINHA CATUNDA

*

De verdade, é saborosa

Quem entra na gemedeira

Funga que nem dançarino

Na dança da gafieira

Hoje debuto meu fungo

Ai...,ai....,ui....., ui...

Nessa minha vez primeira!

BASTINHA JOB

*

Quando a tal da gemedeira

Chega e bate no cangote

Arrepia o corpo inteiro

Dançando juntinho um xote

Um geme e outro responde

Ai...,ai....,ui....., ui...

E acaba virando mote.

DALINHA CATUNDA

*

Dependendo do fungado,

tudo pode acontecer, 


se fungar em cima, em baixo,

e ouvir a "nêga" gemer...

Aguarde que a coisa flui,

ai... ai... ui... ui...


um "pansudin" vai nascer!...

DAVID FERREIRA

*

A melhor coisa do mundo

É gemer sem sentir dor,

Sem dúvida, é reflexo

De um desenfreado amor,

E quem diz que não gemeu,

Aí...aí...ui... ui...

É o maior gemedor.

FRANCISCO ALMEIDA

*

Comecei com a gemedeira

Com uns versinhos por aqui

Veio Bastinha do Crato

E temperou com pequi

Chegou David e Almeida

Aí...aí...ui... ui...

Fez sucesso o Piauí.

DALINHA CATUNDA

*

 

Xilo de Carlos Henrique

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 06 de março de 2024

NOS BRAÇOS DE UM FURACÃO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

NOS BRAÇOS DE UM FURACÃO

Dalinha Catunda

Em noite fria de outono
De luar encantador
A lua cheia brilhava
Mostrando seu esplendor
A noite estava tão bela
Entreabri a janela
Com meu ar contemplador

Ao apagar o abajur
Ensaiando pra dormir
Um rumor vindo de fora
Eu imaginei ouvir
Acheguei-me ao travesseiro
Porém despertei ligeiro
E vi meu sono sumir.

Foi quando ele sorrateiro
No meu quarto penetrou
E sem que eu me desse conta
Nesse ambiente se espalhou
Bem de leve me roçava
Num sopro que acarinhava
E o meu corpo despertou.

Chegou brando e carinhoso
Confesso me satisfez
Encantava-me a meiguice
Afagando a minha tez
E não achei que era abuso
A visita desse intruso
Oportunista talvez.

Inteiramente à vontade
Eu me deixei seduzir
Ele entrava, ele saía
E eu gostando do ir e vir
Cada vez que penetrava
O meu corpo arrepiava
meu anseio a consentir.

Foi visita relaxante
Até um dado momento
Ficou mais audacioso
Intenso no movimento
Meus cabelos, desmanchou
Os lençóis, desarrumou
Transformou-se totalmente.

Daí eu me levantei
Tentando uma solução
Tentei fechar a janela
Mas faltou força na mão
Depois desse vento forte
Quase que perco meu norte
Nos braços de um furacão.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 28 de fevereiro de 2024

PRECISO DO SEU CHEIRO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

PRECISO DO SEU CHEIRO

Dalinha Catunda

Quando por mim você passa
Eu viro mulher feliz
Tão cheiroso e provocante
Que logo acendo o nariz
E deixo seu cheiro entrar
Só para me deleitar
Pois sou mulher de raiz.

Se sempre acordo bem cedo
É pra provar seu sabor
O meu paladar exige
Antes que eu vá ao labor
Ter você sempre bem quente
Alertando minha mente
Provocando meu calor.

Para ter você comigo
Caminho léguas o pé
Vou até o fim do mundo
E não perco minha fé
De provar do meu neguinho
Nem que seja um golinho
Sou viciada em café!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 21 de fevereiro de 2024

DUAS GLOSAS - 29.05.2020 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

DUAS GLOSAS

Dalinha Catunda

Mote de Heliodoro Morais:

Uma porca perde a rosca
Mas não entra em parafuso

* * *

Eu já perdi o juízo
Porém doida não fiquei;
Maus momentos já passei
Mas do pranto fiz sorriso
Do inferno fiz paraíso.,
Da moda que eu fiz uso
É mel em que me lambuzo
E fez minha rima fosca:
“Uma porca perde a rosca
Mas não entra em parafuso”

Bastinha Job

* * *

Sempre fui muito teimosa
Assim minha mãe dizia.
Dessa minha teimosia
Nunca ficou orgulhosa.
Eu seguia toda prosa,
Deixando o povo confuso,
Destilava meu abuso,
Com minha linguagem tosca:
“Uma porca perde a rosca
Mas não entra em parafuso”

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 14 de fevereiro de 2024

SEM PÂNICO NA PANDEMIA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

SEM PÂNICO NA PANDEMIA

Dalinha Catunda

 


E vim pra roça, porém,
Esse não é o meu sítio
É a fazenda do meu bem.
Por aqui a gente trepa,
Dia sim outro também,
Pra tirar fruta do pé
Sem pedir nada a ninguém.
Aqui tem pomba, tem rola,
Mas me faz falta o vem vem,
Tem cobra rondando a casa,
Perereca, há mais de cem.
O frio aqui está grande,
Chuveiro quente não tem,
Às vezes é complicado,
Para lavar o sedém,
Entretanto dou meu jeito
Garanto não fico sem.
Pra fugir da Pandemia
Faço tudo que convém
Faço prece e uso máscara
Rogo a Jesus de Belém
Faço figa e simpatia
Se preciso vou além.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 07 de fevereiro de 2024

SÃO JOÃO VIRTUAL (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

SÃO JOÃO VIRTUAL

Dalinha Catunda

Hoje sofro sem São João,
Sem fogueira, sem balão,
E o canto do meu amor.
Retirando seu chapéu,
Dizendo: Olha pro céu,
Repare quanto esplendor!

Chegou a praga, a desdita,
Chegou a peste maldita,
E acabou nossa ilusão
Fiquei sem meu arraial
Pois agora é virtual
Nossa festa e tradição.

Embora fique bem triste
Meu coração não resiste
E me pede pra cantar.
E eu entro na brincadeira
Acendo minha fogueira
E meu facho pra brincar.

Para seguir nova meta
Convido cada poeta
A fazer sua oração
Vamos rimar alegria
Fazer versos com poesia
Para festejar São João.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 31 de janeiro de 2024

VIVA SÃO JOÃO! (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

VIVA SÃO JOÃO!

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Quem vive, saltou fogueira
E eu grito: Viva São João.

Meu povo, vou festejar,
Vou buscar minha alegria,
Entocar melancolia,
Medo não vai me acuar.
Se quiser pode chegar,
Para essa celebração,
Em nome da tradição
Entre nessa brincadeira:
Quem vive, saltou fogueira
E eu grito: Viva São João.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 24 de janeiro de 2024

A ROLA DA CONCEIÇÃO (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALIMHA CATUNDA)

 

A ROLA DA CONCEIÇÃO

Dalinha Catunda

1
Conceição mulher católica
Filha de Dona Prazer
Era uma moça sem vício
Vivia o povo a dizer
Mas arrumou uma rola
Pra com ela se entreter.

2
Quando baixou no terreiro
A rola desmilinguida
Conceição logo gostou
Daquela pomba perdida
Resolveu dela cuidar
E já estava decidida.

3
Dona Prazer espantou
A pomba que apareceu
Porém Conceição com pena
A dita cuja acolheu
Foi na mão de Conceição
Que aquela rola cresceu

4
A moça meio inocente
Deu logo casa e comida
A rola desenvolveu
E foi ficando sabida
Conceição se emocionava
Ao ver a rola crescida.

5
A pomba ficou vistosa
Com carinho era tratada
Logo se via que a rola
Era bem alimentada
Quem vê hoje nem percebe
Que um dia fora enjeitada.

6
Conceição passava o dia
Paparicando a tal rola
Era uma pomba manhosa
Que fazia ela de tola
mas quando a rola sumia
Ela dava até “pirôla.”

 

7
A mãe já tinha era nojo
Vendo o chamego danado
Porque onde a filha ia
Levava a pomba do lado
E por onde ela passava
Se ouvia o cochichado:

8
A moça perdeu o juízo
Depois que adotou a pomba
E nem percebe que a rola
Muitas vezes dela zomba
Quando alguém vai avisar
Conceição fica de tromba.

9
Sei que deu o que falar
O grude de Conceição
O povo já comentava
E a mãe passava sermão
Mas ela apenas dizia
A rola é de estimação.

10
Diante dos comentários
Uma mãe acabrunhada
Testemunha do destroço
Mas sem poder fazer nada
Pensava com seus botões
Minha filha está lascada.

11
O pior de tudo isso
Eu agora vou contar
Lá na casa da vizinha
A rola foi se enfiar
Para ver seu periquito
Que era muito popular.

12
O certo é que Conceição
Faltava era ficar louca
Quando a rola escapulia
Gritava de ficar rouca
E esculhambava a vizinha
A briga não era pouca.

13
Tenha vergonha na cara:
Dizia Dona Pureza
Deixe de lado essa pomba
Que anda de safadeza
Aqui não vai mais entrar
Pois já chega de esperteza.

14
Mamãe quero minha rola
Sem ela vou padecer
Essa rola é minha vida
O meu maior bem querer
Sem minha pomba querida
Não tem graça o meu viver.

15
A rola de Conceição
Era uma rola fujona
Agora estava aninhada
Mas no colo de outra dona
Pois gostou do periquito
Da tal vizinha ladrona.

16
Aquela rola-cabocla
Deu desgosto a Conceição
Por causa da rola-grande
Sofria seu coração
Com raiva da rola-roxa
Chegou a ter depressão.

17
Eu só sei que a pomba-rola
Não largava o periquito
Dona Pureza lutava
Para abafar o conflito
E a vizinha debochada
Botava fogo no atrito.

18
Dona Pureza zangada
Deu uma de ignorante
E foi dizendo pra filha
Com raiva naquele instante
Pare de chorar por rola
Pois toda pomba é migrante.

19
E se hoje uma rola vai
Depois outra rola vem
Você gostou dessa pomba
Vai gostar d`outra também
Pare com tanta lamúria
Pois isso não fica bem.

20
Aquilo era uma pombinha
Era só uma avoante
Aquelas pombas de bando
Era rola retirante
Vai largar o periquito
E vai seguir adiante.

21
Eu já peguei muita rola
Com esse meu alçapão
Porém não prendi nenhuma
Meu oco não foi prisão
Rola a gente cria é solta
Voando na imensidão.

22
Esqueça a rola-cabocla
Pare com essa tristeza
No quintal eu ouço arrulhos
Pelo jeito é de burguesa
Escute o que está dizendo
Sua mãe dona Pureza.

23
Conceição foi se acalmando
Logo parou de chorar
Olhou para o cajueiro
Viu a burguesa arrulhar
E armou seu alçapão
Para a burguesa pegar.

24
Não chore pombas perdidas
Porque as pombas se vão
Isso já disse um poeta
Eu prestei bem atenção
Aproveite pra voar
Dê asas ao coração.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 17 de janeiro de 2024

GLOSAS - 12.09.2020 (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDAo

 

GLOSAS

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Já cansei de repetir
Essa história que hoje conto
Não aumento nem um ponto
Isso posso garantir
Se você quiser ouvir
A Deus peço muita luz
E nos versos que compus
Repito o que diz Raquel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Esse caso aconteceu
Pras bandas do Ceará
Com Raquel que é de lá
E um sujeito conheceu
Do cuscuz dela comeu
E já gritou: Ai Jesus!
Da comida que seduz
Virou um freguês fiel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Aqui na minha pensão
Ele vinha todo dia
E demonstrando alegria
Fazia sua refeição
E fez a propagação
Do jeito que lhe propus
Botou foto no capuz
Do seu antigo corcel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

O negócio foi crescendo
Eu ganhava, ele ganhava
A freguesia aumentava
E a propaganda comendo
Porém eu fui percebendo
E não apenas supus
Com ele já me indispus
Após provar do seu fel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Traída covardemente
Eu fui e ele nem negou
Disse que se apaixonou
Por um menu diferente
Arroz com carne presente
Que a cozinheira introduz
A minha raiva eu expus
Diante do seu papel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Quem comeu na minha mão
Sabe que sei cozinhar
Pois tenho bom paladar
E sou boa de fogão
Agora preste atenção
No peso da minha cruz
Foi pior do que supus
A minha saga cruel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 10 de janeiro de 2024

NO SONHO AZUL (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DELINHA CATUNDA)

 

NO SONHO AZUL

Dalinha Catunda 

Foto desta colunista

 

 

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 03 de janeiro de 2024

CARREIRÃO DE MULHER (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

CARREIRÃO DE MULHER

Dalinha Catunda 

Sou poeta popular
Nos versos sou estradeira
Quando pego um carreirão
Meu verso não tem barreira
Sempre tive a língua solta
Pois gosto de brincadeira
Quando chego num alpendre
Puxo logo uma cadeira
E desenrolo meu verso
Sem esquentar a moleira
Ninguém derruba meu verso
Com pedra de baladeira.
Quem for fraco de poesia
Pode pegar na carreira
Meu angu aqui é quente
Não se come pela beira
Quando retoco o batom
Mostro meu lado brejeira.
Tem muita gente que aplaude
Meu verso de cantadeira
Porém tem gente que diz
Que apenas falo besteira
Não canto sem minha figa
Não passo sem benzedeira.
Aprendi meu carreirão
Ouvindo Pedro Bandeira
Escrevo meus absurdos
Por causa de Zé Limeira
Eu só não aprendo nada
É quando esbarro em toupeira.
Esse canto encarrilhado
É canto de catingueira
Que não erra na flechada
Porque sabe ser certeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de dezembro de 2023

GLOSAS - 12.09.2020 (CORDEL DA COLUNISTA DALINHA CATUNDA)

 

GLOSAS

Dalinha Catunda

Mote desta colunista:

Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Já cansei de repetir
Essa história que hoje conto
Não aumento nem um ponto
Isso posso garantir
Se você quiser ouvir
A Deus peço muita luz
E nos versos que compus
Repito o que diz Raquel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Esse caso aconteceu
Pras bandas do Ceará
Com Raquel que é de lá
E um sujeito conheceu
Do cuscuz dela comeu
E já gritou: Ai Jesus!
Da comida que seduz
Virou um freguês fiel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Aqui na minha pensão
Ele vinha todo dia
E demonstrando alegria
Fazia sua refeição
E fez a propagação
Do jeito que lhe propus
Botou foto no capuz
Do seu antigo corcel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

O negócio foi crescendo
Eu ganhava, ele ganhava
A freguesia aumentava
E a propaganda comendo
Porém eu fui percebendo
E não apenas supus
Com ele já me indispus
Após provar do seu fel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Traída covardemente
Eu fui e ele nem negou
Disse que se apaixonou
Por um menu diferente
Arroz com carne presente
Que a cozinheira introduz
A minha raiva eu expus
Diante do seu papel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Quem comeu na minha mão
Sabe que sei cozinhar
Pois tenho bom paladar
E sou boa de fogão
Agora preste atenção
No peso da minha cruz
Foi pior do que supus
A minha saga cruel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 20 de dezembro de 2023

A ÁRVORE QUE ME REPRESENTA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

A ÁRVORE QUE ME REPRESENTA
Dalinha Catunda
 
 
*
Eu hoje vivo na roça
Recordando meu sertão,
Pois é lá daquelas brenhas,
Que retiro inspiração.
Minha Árvore de Natal,
Tentei fazer uma igual,
Com alguma inovação.
*
Peguei garrancho no mato,
Tirei as folhas, limpei,
E numa lata de vinte
Areia lá coloquei.
E depois chegou a vez
Do paninho de xadrez,
Pra envolver a lata usei.
*
Como eu sou cordelista,
Para a árvore enfeitar,
Dependurei meus cordéis,
Que tem tanto pra contar…
Das histórias do sertão,
Que trago no coração,
E gosto de relembrar!
*
Minhas bonecas de pano?
No Natal muitas ganhei!
Como artesã de bonecas,
Algumas eu pendurei,
Frutos da recordação,
Que marcam a tradição,
Coisas que vivenciei.
*
Quando saí do Nordeste
Mãe solteira e minha cruz
Me apeguei no meu caminho
A santa Mãe de Jesus.
Minha base a cada dia,
Era Jesus e Maria,
Meu caminho foi de luz.
*
Versos e arte de Dalinha Catunda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 13 de dezembro de 2023

UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA)

 

UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS

Dalinha Catunda

Amigos, estou na roça
Nem sei quando vou voltar
Estou desde fevereiro
E terminei por ficar
Essa vidinha no campo
É coisa pra me agradar.
Porém quando a chuva chega
Com vento forte a soprar
Eu fico sem internet
Aqui tudo sai do ar
Por isso minhas postagens
Eu fico sem comentar.
Fora isso eu acho bom
E estou a me renovar
Eu faço queijo de coalho
E de Minas por gostar
E faço doce de leite
Pra gente aqui merendar.
O feijão verde e maxixe,
Já tá dando pra apanhar,
Tem quiabo e berinjela,
Jerimum pra variar,
E tudo isso me agrada,
Pois gosto de cozinhar.
Tem um alpendre com redes
Quando quero descansar
Quando me bate a preguiça
Logo corro pra deitar
É de lá que vejo a lua
Com seu brilho a despontar.
A passarada faz festa
E passa o dia a cantar
Tem pitanga, tem groselha
Pra passarinho bicar
As mangueiras carregadas
Estão começando a dar.
Por aqui eu vou ficando
Porém volto a relatar
As novidades da roça
Desse meu mais novo lar
Um abraço para todos
Aqui eu quero deixar.

Cachoeiras de Macacu-RJ, 9/10/ 2020


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 06 de dezembro de 2023

EXALTANDO A NATUREZA (CORDEL DA COUNISTA MADRE SUPERIORA DALINDA CATUNDA)

 

EXALTANDO A NATUREZA

Dalinha Catunda

Fotos da colunista

 

Eis-me aqui neste recanto
E sem arrependimento
Dos pássaros ouço o canto
Bendigo cada momento
A brisa traz acalanto
Viajo no pensamento.

Desfruto dessa bonança
No verde desse lugar
No peito cresce a esperança
Assim me ponho a sonhar
Nos passos da nova dança
Danço sem me alvoroçar.

Contemplando a natureza
Obra de Nosso Senhor
Onde a lua é realeza
Onde o sol tem esplendor
Celebro toda beleza
Nesses meus versos de amor.

 


Busca


Leitores on-line

Carregando

Arquivos


Colunistas e assuntos


Parceiros