Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 21 de janeiro de 2018

ERRADO É QUEM TÁ CERTO

 

Esse Brasil desregrado
Virou esculhambação
O errado é quem tá certo
O certo tem punição
Se falar mal do errado
Vira processo e prisão.

Existe gente que tem 
Medo da tal ditadura
Porém na língua do povo
Já botaram atadura
Porque a livre expressão
Só serve para ladrão
Que inocência sempre jura.

Pois vamos seguir fazendo
O que sabemos fazer
Meter o rabo entre as pernas 
E deixar acontecer
Assumir a covardia
Assistir a putaria
Vendo o Brasil se foder.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 18 de janeiro de 2018

MEU CANTO DE OXUM

 

Na Bica do Ipu (Foto da colunista)

Se um dia eu ficar triste
E a mágoa me aborrecer
Eu vou entoar meu canto
E não vou me maldizer
Eu vou cantar tão bonito
Se for preciso eu repito
Não aprendi a sofrer.

Não vou ficar resmungando
Não vou hospedar Tristeza 
Junto com mamãe oxum
Vou curtir a natureza
Eu vou adentrar a mata
Tomar banho de cascata
Descarregar impureza.

Nunca fui de cultivar
A dor da desilusão
Amores são passageiros
Como ondas vêm e vão
Na rotina dos destinos
São apenas inquilinos
Mudando de coração.

Vou seguir colhendo lírio
Pra meu cabelo enfeitar
Botar a mão na cintura
A outra vou levantar
Vou virar moça faceira
Nas águas da cachoeira
Meu canto vai ecoar!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 15 de janeiro de 2018

EU FIZ DO HOMEM MEU PAR

 

Sou do tempo que o olhar
Pedaço não arrancava 
Sou do tempo que a cantada
A mulher não exasperava
Sou do tempo do coió
A gente amava que só
Aquele que paquerava.

Sou do tempo que dançar
Era bom agarradinho
Se eu quisesse ele quisesse
Dançava-se coladinho
Tinha o bolero brecado
A perna ia do outro lado
E o batom no colarinho.

Contudo para dançar
Mas sem gostar do sujeito
Para ele não encostar
Botava-se a mão no peito
Eles achavam um saco
A mulher botar macaco
Só para impor o respeito.

Sou do tempo que o homem
Podia um beijo roubar
E a mulher que era tímida
Acabava por gostar
Sou do tempo da bravata
De violão e serenata
De paixão e de luar.

Eu sou do tempo do flerte
Do bilhete e do recado
Do tal namoro escondido
Dos medos e do pecado
E da amiga alcoviteira
Que não era tão parceira
E roubava o namorado.

Sou do tempo que a mulher
Fugia para casar
Com um filho na barriga
Muitas foram ao altar
Sou prova da transgressão
Caminhei na contra mão
Mas fiz do homem meu par.

Sou do tempo que o amor
Fluía naturalmente
Se hoje a mulher tem medo
Do homem não é diferente
Foi-se a naturalidade
Em tudo se vê maldade
Eu quero um chá de nepente!

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 10 de janeiro de 2018

BRASIL, LATRINA DE LADRÃO

 

Esse penico é pequeno
Pra guardar tantos dejetos
E repleno de abjetos
O cheiro não é ameno
Quem tem seu juízo pleno
E preza pela nação
Nessa próxima eleição
Merda não deve eleger
O Brasil chega a feder
É latrina de ladrão.

 

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 09 de janeiro de 2018

UMA GLOSA - 09.01.18

 

Mote e fotos da colunista

Mote:

Cheiro de terra molhada
É cheiro que me acalanta.

Quando a chuva no nascente
Vem branqueando o serrote
Meu coração dá pinote
E meu faro logo sente
O cheiro da terra quente
Que a chuva do chão levanta
É aroma que me encanta
Anunciando a invernada
Cheiro de terra molhada
É cheiro que me acalanta.

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 07 de janeiro de 2018

CORDEL OU BABEL?

 

Hoje tudo que se faz
Apelidam de cordel
Mas nem tudo que se escreve
Desempenha esse papel
Tem regras essa cultura
O cordel literatura
Não deve virar babel.

Pra fazer cordel bem feito
É bom prestar atenção
Ter cuidado com a rima
E com metrificação
Dar sentido sempre ao tema
Pra não virar um dilema
E servir de mangação


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 05 de janeiro de 2018

A PARTNER E O PALHAÇO

 

Eu jamais vou esquecer
Que atuei na sua lona 
Onde você foi palhaço
Eu peguei uma carona
O circo foi bem montado
Por você arquitetado
Penei nessa maratona.

Eu jamais vou esquecer
As cenas no picadeiro
Em cada apresentação
Atrapalhava-se inteiro
Foi perdendo seu papel
A pauta não foi fiel
Nem no palco verdadeiro.

Tentou imitar Carlitos
Piorou a situação
Pois para atuar sem voz
Precisa ter expressão
Quem nasceu pra ser palhaço
Não liga para embaraço 
Nem vive sem pastelão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 03 de janeiro de 2018

UMA GLOSA - 03.01.18

Não sei se faço bonito
Mas sei fazer diferente.

Mote de Pedro Ernesto

Tudo que eu quero fazer
Busco na minha cartilha,
E só sigo a minha trilha, 
Por isso vou lhe dizer:
Faço o que me dá prazer,
E o que me deixa contente
Chego até ser prepotente
Porém a ninguém imito
Não sei se faço bonito
Mas sei fazer diferente.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 29 de dezembro de 2017

EU SOU

 

Sou a brisa na palmeira
Sou cheiro de alfazema
Sou a flor da catingueira
Sou espinho de jurema
Sou morena e sou faceira
Sou do cantador parceira
Sou os versos do poema.

Sou lamparina e pavio
Sou luz na escuridão
Sou Vagalume piscando
Sou o luar do sertão
Sou estrela matutina
Sou cabocla nordestina
Sou água de ribeirão

Sou a vela da jangada
Sou a cor verde do mar
Sou o canto da sereia
Sou cruviana a soprar
Sou a renda das rendeiras
Sou filha das Ipueiras
Sou das terras de Alencar.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 28 de dezembro de 2017

FIM DE TARDE

 

 

Foto da colunista

 

Vendo a paisagem tão bela
Eu me perco no arrebol
Vejo um resquício de sol
Desenhando uma aquarela
Quando a natureza apela
E recorre ao criador
O céu muda a sua cor
Vai ficando mais bonito
Os entretons do infinito
Abrolham com esplendor.

Dalinha Catunda

Da janela, neste instante
Vejo o céu avermelhado, 
Como num quadro pintado
De purpurina dançante. 
Atrás da nuvem, brilhante, 
Tal qual luz de um farol, 
Espia o raio do sol
Que ao ver a noite chegar
Se apaga pra descansar
Envolto nesse lençol.

Creusa Meira


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 28 de dezembro de 2017

DEU BODE, MARANHÃO

(PUBLICADO EM 10 DE MAIO DE 2016)

 

 

*

Uma coisa vou dizer,

Meu povo preste atenção

Êta cabra destemido

 É esse tal de Maranhão

Roubou a cena do dia

Fazendo o que não podia

Com a caneta na mão.

*

Para ficar bem na foto

Pintou cabelo e bigode

Com um sorriso no rosto

E como quem tudo pode

Com a cara mais lavada

Deu a sua canetada

Mas acabou dando bode.

*

O que ontem ele fez

Já chegou a desmanchar

Sua cadeira na Câmara

Nem sei se vai esquentar

Maranhão foi pau mandado

Mas não deu bom resultado

O que acabou por tramar.

*

Hoje serve de chacota

Seu nome virou piada

Pois em sua insanidade

Desabonou a bancada

E agora eu sei que lhe dói

Não ter virado herói

Na cena que foi tramada.

*

Versos de Dalinha Catunda

Charge Sinfronio.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de dezembro de 2017

CARTAS NA MESA, SEMPRE

Quem joga com cartas na mesa
Não causa desilusão
Não golpeia uma amizade
Não fere um coração
Não mancha seu nome à toa
Não engana, não magoa 
Pois marca sua posição.

Quem joga limpo na vida
Porta aberta sempre deixa
Demostra ter hombridade
Não deixa brecha pra queixa
Preza o nome que carrega
Não finge não escorrega 
Do estilo não desleixa.

Amizade é coisa rara
Que se deve conservar
Mas quando fica arranhada
É difícil cultivar
É como um vaso quebrado
Que mesmo sendo colado
As marcas irão ficar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 26 de dezembro de 2017

NATAL COM JESUS

 

Eu não quis badalação
Recolhi-me no Natal
Pois precisava afinal
De muita meditação
Desarmei meu coração
E conversei com Jesus
A ele roguei por luz
E fiquei apaziguada
Com Jesus em minha estrada
O meu futuro reluz.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 25 de dezembro de 2017

NATAL SEM EMBUSTE

 

Nesse Natal eu só quero
Um pouco de sapiência,
Que Deus me dê paciência
Eu peço, rogo e reitero.
Daquilo que não tolero
Que ele posso me livrar,
Que não venham me abraçar
Nem me beijar como Judas!
Com palavras pontiagudas
Explicito o meu pensar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 18 de dezembro de 2017

ILUSÃO DE ÓTICA

 

Eu pensei por um momento
Que tudo era cor do céu
Mas a nuvem com seu véu
Cobriu o meu pensamento
Vi que azul do firmamento
De ótica era ilusão
A imagem virou borrão
Quando vislumbrei direito
Avaliei meu conceito
E mudei de opinião.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 14 de dezembro de 2017

AMANTE DO MAR

 

Fotos da colunista

Não sei se és mar de verdade
Não sei se és mar de ilusão
Pois pressinto em tuas águas,
Um jogo de sedução.

No vaivém de tuas ondas
Sinto o ritmo constante,
Atiro-me abrindo os braços
Sentindo-me flutuante.

Teu marulhar me atiça,
Teu cheiro faz delirar.
Despida, despudorada,
Por ti me deixo levar.

Sempre tão envolvente,
Em ondas ou calmarias,
Escorres pelo meu corpo
Até minh’alma arrepias.

Fluido, salgado, excitante,
És amante a transpirar.
Na brancura das espumas
Vejo o gozo flutuar.

Não sei se és mar de verdade,
Não sei se és mar de ilusão
Entrando em sinestesia
Voei em tua intenção.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 13 de dezembro de 2017

13 DE DEZEMBRO: ANIVERSÁRIO DE GONZAGÃO E DIA DE SANTA LUZIA

 

E nunca mais vai nascer
Outro igual a Gonzagão.

Mote de Antônio Cassiano

Luiz Gonzaga nasceu
Dia de Santa Luzia
Foi letra foi melodia
Foi canto foi apogeu
A sua fama cresceu
Foi ele o rei do baião
Cantou além do sertão
Foi rei só por merecer.
E nunca mais vai nascer
Outro igual a Gonzagão.

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 11 de dezembro de 2017

TROVANDO O SERTÃO

 

 

MARCOS MEDEIROS

O sol luzindo a poeira

e o vaqueiro na função

dão vida à cena primeira

do amanhecer no sertão.

 

*

DALINHA CATUNDA

Vaqueiro toca a boiada

Poeira sobe do chão

Rotina de cada estrada

Que retalha meu sertão.

*

 

Foto de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 08 de dezembro de 2017

ABELHA RAINHA

 

Ele era o tal zangão 
Só aceirando rainha
E a abelha embevecida
Aceitava a louvaminha.

E assim voaram juntinhos
E juntos fizeram mel
Sem ver tragicidade
Que havia em cada papel.

Compartilharam com gosto
A tal geléia real
Se empenharam no labor
Do mais belo ritual.

Ao trono volta a rainha
Após o acasalamento
E ele virou estrela
Luzindo no firmamento.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 02 de dezembro de 2017

DUAS GLOSAS - 02.12.17

 

Vou viver só do meu jeito,
Longe da vida cativa.

Mote de Marcos Medeiros

Vou me embora pra distante
de onde a inveja mais permeia,
onde ver a vida alheia
é cada vez mais minguante.
Longe do gesto aviltante
da gritante inveja ativa,
tão danosa e tão nociva
pra todo e qualquer sujeito,
Vou viver só do meu jeito,
Longe da vida cativa.

Marcos Medeiros

Não vou fugir de querela
Porque ergo outra bandeira
Escancarei a porteira
Joguei no mato a tramela
A vida é mais do que bela
E me faz provocativa
Quem tem língua corrosiva
Desabono e desrespeito
Vou viver só do meu jeito,
Longe da vida cativa.

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 30 de novembro de 2017

NO BRILHO DA LUZ

 

 

 Foto da colunista

Rompendo a barra do dia
Vejo o sol aparecer
Levanto-me com prazer
Pois viver me contagia
O sol transmite energia
Eu aspiro a sua luz
Esse brilho me conduz
Em cada nova jornada
Sou mulher iluminada
Pois a vida me seduz.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 28 de novembro de 2017

MINHA CAIXA DE PANDORA

 

Foi querendo organizar
Minha vida atribulada
Que peguei uma caixinha
Para dar uma arrumada
Pois chega de desengano
E se não falhar meu plano
Vou ficar mais sossegada.

As coisas sem importância
Eu comecei a juntar
Para acomodar na caixa
E quando encher vou lacrar
Diferente de Pandora
A esperança fica fora
Pois nela vou apostar.

Peguei a farsa e a mentira
Dentro da caixa botei
Mensagem sem sentimento
Bem no fundo acomodei
Sem querer mais me enganar
Comecei a faxinar
Pois assim determinei.

A saudade quis ficar
Mas peguei pelo gogó
Arrastei a descarada
Fiz uma trouxa e dei um nó
Inda disse uma gracinha
Você vai para a caixinha
Eu prefiro ficar só.

Olhei bem para a paixão
Que almejou me encarar
Porém me viu decidida
Nem parou pra argumentar
Era de meia tigela
Pena eu não tive dela
Decidi empacotar.

Eu fiquei encasquetada
Quando a lembrança chegou
Quis me lembrar do abraço
Mas abraço não pintou
Quis me lembrar do beijo
Mas beijo não aconteceu
A lembrança mereceu
O cantinho que ganhou.

Quem sumiu pra vadiar
Tem espaço garantido
Quem achou outra guarida
Na caixa será mantido
Desapegar é legal
A faxina foi geral
Meu tempo não foi perdido.

Na caixa prendi os males
Pra começar nova andança
Apos lacrar enterrei
O que não era bonança
Mas na caixa de Pandora
Pensei bem deixei de fora
Minha guia: A ESPERANÇA!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 27 de novembro de 2017

SERTÃO EM FLOR

SERTÃO EM FLOR

 

“Tudo em volta é só beleza”

Luiz Gonzaga cantou

A água que faz milagre

A caatinga ornamentou

Com meu olhar aturdido

Revejo o sertão florido

Pois a chuva o transformou.

*

A natureza contente

Exibe seu esplendor

As ramas sobem e descem

Carregadinhas de flor

E o encanto que emana

Da salsa e da jitirana

É de fato ostentador.

*

Assim é o meu sertão

Com seu vestido de festa

Quando a chuva molha o chão

O verde se manifesta

E com graça a natureza

Revela sua beleza

Enfeitando cada aresta.

 

*

Versos e fotos de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 24 de novembro de 2017

ENQUANTO NÃO ROUBAM MEU VERSO

Nunca vi tanta quadrilha
Nunca vi tanto ladrão
Do jeito que coisa anda
Só vejo uma solução
Sei que não vai demorar
Político despachar
Lá de dentro da prisão.

Vejo a coisa ficar feia
E sem ser original
Repito nesses meus versos
Que a polícia Federal
Trabalhando sem engodo
Vai mesmo passando o rodo
Está pegando geral.

Desta vez não adiantou
Pirraça de Garotinho
Foi direto pra cadeia
Encangado com Rosinha
Que apesar de ser a Rosa
Não teve vida cheirosa
Foi política daninha.

Nesse Rio de Janeiro
Quem tá solto tá cassado
Na língua não bota freio
O Cabral engaiolado
Numa atitude infeliz
Já ameaçou juiz
E ficou mais complicado.

Temos Jorge Picciani
E Paulo Melo também
Vendo o sol nascer quadrado
E mais gente ainda vem
Denunciaram Crivella
O Pezão ainda apela
Não sei se vai se dar bem.

Hoje se chama quadrilha
O que um dia foi partido
A descrença é total
Chama-se membro bandido
O eleitor desta nação
Que vota e apoia ladrão
Tá cada vez mais fodido.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 22 de novembro de 2017

CORDELISTAS DE PLANTÃO

Cordelistas de plantão
De toda e qualquer paragem
Presto aqui minha homenagem
Nas linhas dessa oração
Rogo ao pai inspiração
Tento versejar com fé
Para não quebrar o pé
Ao tentar metrificar
E minha rima aprumar
Sem remar contramaré.

Louvo aqui cada poeta
Que sabe o que é cordel
Que cumpre bem seu papel
Prestando atenção na meta
E que de forma correta
Na hora de versejar
Tenta não desrespeitar
A nossa antiga cultura
O cordel literatura
Nossa arte popular


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 14 de novembro de 2017

SANTO ANTÔNIO VACILOU
 
 
*
Espalham que santo Antônio
É Santo casamenteiro
Já fiz promessa pro Santo
No cofre botei dinheiro
E para minha desgraça
Em mim ninguém acha graça
Tá difícil um companheiro.
*
Dos braços de Santo Antônio
Eu já roubei o menino
Achando que a simpatia
Mudaria meu destino
Porém prossigo solteira
Não gosto da brincadeira
Que me deixa em desatino.
*
Botei água numa jarra
E mais uma vez tentei
De cabeça para baixo
O santinho mergulhei
Nem mesmo fazendo assim
O santo lembrou de mim
Desesperada chorei.
*
Solteirona eu não fico
Alguém vai me socorrer
Ao candomblé ou umbanda
Inda posso recorrer
Ou então eu viro crente
E o santo fique ciente
Solteira não vou morrer!
*
Versos e foto de Dalinha Catunda
 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 08 de novembro de 2017

QUEM MEXE COM ROSA, ÀS VEZES SAI PICADO

Peleja em quadras

 Quem é rosa não se queixa
Pela falta de carinho
Pelo prazer sempre deixa
Sentir o pico do espinho.

José Walter

Sou rosa não me abespinho
Nem fujo da picadura
Se tem zangão no caminho
Lhe apresento a sepultura

Dalinha Catunda

“O cravo brigou co’a rosa”
Por um singelo desejo
De uma atitude amorosa
Traduzida por um beijo.

José Walter

Depois de um acoleijo
A rosa ficou zangada
O cravo roubou um beijo
Completando a presepada.

Dalinha Catunda

Vivendo em uma redoma
A rosa não é amada
Pois amor é o que soma
Na paixão compartilhada

José Walter

A rosa bem assanhada
Não vivia em desalento
Só vivia arrepiada
Pois se entregava ao vento.

Dalinha Catunda

Vou fazer uma pilhéria
Com Dalinha, provocada:
Não existe mulher seria
Porém , mulher mal cantada.

José Walter

Existe mulher malvada
Que bate em mau cantador
Que canta e não é de nada
E acha que é professor.

Dalinha Catunda

Quem se diz rosa sem cravo
Um motivo sempre há
Não existe mel sem favo
Pois só recebe quem dá.

José Walter

Sou rosa do Ceará
Bela flor de muçambê
O mel que em mim está
Não estará em você.

Dalinha Catunda

Sobre a mulher, o preceito
Lá na Bíblia está escrito
De obediência e respeito
Ao homem, como descrito.

José Walter

O respeito é restrito
Desde os tempos de Adão
Eva soltou o “priquito”
Pro homem entrar em ação

Dalinha Catunda

Ainda no paraíso,
Eva mandava em Adão
Com seu jeito sem juízo
Para Deus, sem solução.

José Walter

É a mulher no sertão
Foi Eva no Paraíso
Tomando sua direção
Para não ter prejuízo.

Dalinha Catunda

Impossível existir
Uma rosa sem perfume
Ou u’a mulher sem sentir
Pelo seu cravo ciúme.

José Walter

Meu amigo se acostume
E vá mudando de prosa
Não venha com seu estrume
Pra não chatear a rosa.

Dalinha Catunda

Às poetisas, parceiras
Mando aqui algumas trovas
Feitas como brincadeira
Que na peleja são novas.

José Walter

Não sei se passei nas provas
Dessa peleja em quadras
Também não sei se me aprovas
Ou como louca me enquadras.

Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 07 de novembro de 2017

UMA GLOSA

Água mole que não fura
Sempre encontra novo atalho

Mote da colunista

Insistir com teimosia,
E bater o pé no chão
Isso é obstinação,
Que vai quebrando a magia…
Amor é o que contagia!
Com ele não me atrapalho.
Às vezes comigo, ralho,
Logo mudo de postura!
Água mole que não fura
Sempre encontra novo atalho


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 06 de novembro de 2017

MACHADO TORTO E AFIADO

 

 
 
 

 
Enfiaram o pau no machado
E ele baixou a lenha
Já derrubou pau mandado
E não há quem o detenha
Lâmina do Ceará
Bota abaixo até Jucá
Desde que vantagem tenha.
*
Nunca vi Machado torto
O pau podre derrubar,
Nunca vi cara de pau
Pra cupim não atacar,
A política anda nojenta
Mas é essa ferramenta
Que a madeira vai baixar. 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 05 de novembro de 2017

AMIGA BRUXA

Amiga, muito obrigada
Por essa sua atenção
Trepar no pau da vassoura
Era a sua diversão
Aquele negro vestido
Já era bem conhecido
Voando pelo sertão.

Entre o cabo e a vassoura
De um tudo acontecia
Era tempo de fartura
Você nem se maldizia
E cansou de me dizer
Que alcançava seu prazer
No ato de bruxaria.

Quando findava outubro
Com cruel satisfação
Da dispensa retirava
O seu velho caldeirão
E em meio a gargalhada
No meio da madrugada
Caprichava na porção.

Você bem sabe que é bruxa
Vem e diz que sou também
Eu não vou dizer que não
Pois não sei se me convém
Um cabinho de vassoura
É coisa que não desdoura
Quem esfregou o sedém.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 04 de novembro de 2017

JÁ ME CASEI, COMPADRE LEMOS

 

*

COMPADRE LEMOS

Fiquei sensibilizado

Comadre, com sua queixa!

Sua criatividade

Supera a de uma gueixa.

Somente pra lhe ajudar,

Eu ia candidatar...

Mas minha velha não deixa!

*

DALINHA CATUNDA

Compadre muito obrigada

Não cabe preocupação

Já arrumei um marido

E olhe! Faz um tempão

Amarrei bem amarrado

E o Santo foi o culpado

Desta minha arrumação.

*

COMPADRE LEMOS

Mas, se quer mesmo casar,

Repare o conselho meu:

Ganhe só na Mega Sena

E, rica, feito um judeu,

Complete logo a falseta,

Passe a chamar "Julieta",

Que aparece um "Romeu".

*

DALINHA CATUNDA

Amigo sou fazendeira

Sou mulher remediada

E já tenho um cabra macho

Que me ajuda na empreitada

Mesmo não sendo Romeu

Eu posso chamar de meu

Depois da graça alcançada.

*

COMPADRE LEMOS

Se isto não funcionar,

Lhe digo: vou sentir tanto!

Deixarei de ser poeta,

E calarei o meu canto.

E, no final dessa festa,

Comadre, o que lhe resta

É AFOGAR ESSE SANTO !!!

*

DALINHA CATUNDA

Lemos não se desespera

Eu demorei, mas casei

Não foi de papel passado

Foi do jeitinho que sei

Depois que afoguei o Santo

O ganso afoguei, garanto!

E o cabra nunca larguei.

*

Foto de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 02 de novembro de 2017

UM DEDO ATRÁS PROTEGE A FRENTE

 

Nesse presente momento,
Quero chamar atenção
Da raça de cabra macho
Também dos que frouxos são
No Brasil de Norte a Sul
Chegou o novembro azul
É tempo de prevenção.

Quem já passou dos cinquenta
Viveu muito inda quer mais
Faça o exame de próstata
Pois o corpo dá sinais
Se não existe vacina
Adote o que medicina
Escreveu em seus anais.

Reza a lenda que o exame
É sim, inconveniente,
Mas é só ficar de quatro
E do ato ser ciente
Que o dedo que vai atrás
Nada tem do satanás
Protege você na frente.

Sei que você vai dizer:
No dos outros é refresco
Eu já vou me adiantando:
Homem deixe de ser fresco!
É só não se acostumar
Se por ventura gostar
Do que julga ser grotesco.

Eu já dei o meu recado
Tentando espantar o medo
Nessa minha apelação
Tentei caprichar no enredo
Faça o seu toque retal
Porque pode ser fatal
Morrer por causa d’um dedo.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 02 de novembro de 2017

UM CANTO PARA MACIÇO DE BATURITÉ

Maciço de Baturité – Foto de Tranquilino

À sombra d’uma mangueira
Ao calor do pensamento
Com o olhar fixo no nada
Reflete sobre o momento
Conjectura sobre vida
Abre e magoa a ferida
Em minutos de lamento.

Deixa a maleta de lado
Aberta largada ao chão
Enquanto bate no peito
As cordas do coração
Que pulsam pelo país
Sem conseguir ser feliz
Sem entender a nação.

A paz está no seu corpo
Entintando a vestimenta
Pois a guerra em cada esquina
É algo que lhe atormenta
Sentindo essa imprecisão
Sonha com a solução
E a realidade lamenta.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 31 de outubro de 2017

DESENHANDO SONHOS

Mesmo sendo tão alegre
Tenho cotas de tristeza
Não tenho a senha da mágica
Que me garanta a certeza
Que ares de felicidade
Possam vir sem tempestade
Soprando apenas nobreza.

Entre tristeza e alegria
Vou labutando na lida
Jamais ficarei amarga
Os versos me dão guarida
As estações que se alternam
Acordam sonhos que hibernam,
E dão luz a minha vida.

E se hoje o vento leste
Que chega desatinado
Resolver jogar por terra
O meu castelo encantado
Sem ligar pra insensatez
Desenho tudo outra vez
Refaço o sonho dourado


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 31 de outubro de 2017

AVE MARIA NO SERTÃO

Na hora da Ave Maria

Bate o sino na capela,

Uma oração bem singela

Perpetro no fim do dia,

E peço a Virgem da iria

Rogando com devoção:

Protegei o meu sertão

Ó Virgem mãe tão clemente.

Resguardai a nossa gente

Ó Virgem da Conceição.

*

Doce Mãe Imaculada

Guiai os nossos destinos,

Livrai-nos dos desatinos,

Nessa vida atribulada.

Mostrai-nos sempre a estrada,

Seja a nossa direção

Nos dê resignação,

Para seguirmos em frente.

Resguardai a nossa gente

Ó Virgem da Conceição.

*


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 28 de outubro de 2017

RESPEITEM O PAU DO SANTO

*

BASTINHA JOB

Ele quer se aposentar 

Está muito fraco e mau

De tanta moça pegar

No seu tão surrado pau!

*

DALINHA CATUNDA

Coitado do pobre Santo

Isso é profanação

A moça que tem vergonha

Reza sem passar a mão.

*

THIAGO CARDOZO

Mas sei que ele até gosta 

É fato até comprovado,

No dia que passam as mãos 

O pau fica levantado.

*

BASTINHA JOB

peguei no pau desse santo

Que ele ficou roliço 

Mas cajado milagroso 

Foi de Padim padre Ciço!

*

DALINHA CATUNDA

Eu passei a mão no pau,

Passei a mão no cajado,

Sei que é só uma varinha...

Mas é pau santificado.

*

 

FOTO DE DALINHA CATUNDA

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 24 de outubro de 2017

NAS MANHÃS DO MEU SERTÃO

Quando o galo faz zoada
Bem cedinho em meu rincão
Eu me espreguiço na rede
E faço minha oração
Tiro a tranca da janela
Para ver o quanto é bela
A manhã do meu sertão.

A barra anuncia o dia
Enquanto não chega o sol
No horizonte os entretons
Vão tingindo o arrebol
Completamente encantada
Vejo do alpendre a chegada
Do flamejante farol.

O orvalho ganha brilho
No seio de cada flor
Na cerca a teia de aranha
Orvalhada é um primor
Quando o sol abre a cortina
A beleza nordestina
Exibe o seu esplendor.

No bico da passarada
Principia a cantoria
Nas estradas e veredas
O canto é sinfonia
A brisa chega faceira
Abana a carnaubeira
Que farfalha de alegria

O sol desprende seus raios
No céu que de azul se cobre
Para viver novo dia
Veste-se com manto nobre
O sol vem com seu clarão
No azul da imensidão
Nova paisagem descobre.

Tem brilho nosso sertão
Na manhã de cada dia
Quando abrolha a alvorada
Eu bebo dessa energia
Vendo o dia amanhecer
E o rei sol aparecer
Num rompante de magia.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 19 de outubro de 2017

É TUDO MERDA DO MESMO PENICO

P’ra entender essa nação
Eu fiquei no prejuízo
Pois quase perco o juízo
Sem chegar a conclusão
Dizem que Lula é ladrão
Que Temer é ladrão também
Que Aécio só se deu bem
Que Dilma também roubou
Sei que o Brasil se lascou
E dos ladrões é refém.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 18 de outubro de 2017

UMA GLOSA

Você pode até ter garra
Mas é só pr’agarrar pinto.

Mote da colunista

Você diz que é gavião
Fala que pega geral
Amigo não leve a mal
Eu não acredito não
Sua fama no sertão
Digo, repito e não minto
Não faz de você distinto
Acabe com tanta marra
Você pode até ter garra
Mas é só pr’agarrar pinto.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 17 de outubro de 2017

DUAS GLOSAS

 

Se não quer pegar mazela 
Fique distante de mim

Mote de Dão de Jaime

Eu sou Eva decidida
Sou pior que Salomé
Sou bicho que dá no pé
Sou a Pandora enxerida
Eu sou o grito de vida
E gosto de ser assim
Dentro do meu camarim 
Sou astuta e sem tramela
Se não quer pegar mazela 
Fique distante de mim

Dalinha Catunda

Sou malvado sou ingrato 
Sou pior do que a fome 
Desgraça que não tem nome 
Não valho o peido dum gato 
Doença do carrapato 
Sou do jeito de Caim 
Sou tudo quanto é ruim 
Eu sou a febre amarela 
Se não quer pegar mazela 
Fique distante de mim

Dão de Jaime

 

 Dão de Jaime e a colunista


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 15 de outubro de 2017

UM CANTO MENOR

 

Partiu a paixão
Levando a magia
Minha poesia
Soluça em vão.

Um choro agorento
Pranteia meu peito
Carpindo sem jeito
A dor do momento.

Que triste destino,
Que sorte, que fado,
Que me tira o tino

Livrai-me Jesus
Do amor malfadado
Do peso da cruz.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 14 de outubro de 2017

EM LOUVOR À NATUREZA

Entre a estrada e o céu

Entre a folhagem e a flor

A vida segue adiante

Mostrando seu esplendor

Perante tanta beleza

Vou louvando a natureza

E a Deus pai o criador.

*

Versos de Dalinha Catunda

 

Foto de Cayman Moreira


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 12 de outubro de 2017

ARREMEDO DE ABOIO

A mestre Dina, licença,
Eu peço para aboiar
Fui criada no sertão
Vendo a boiada passar
Eu ficava no terreiro 
A espera do vaqueiro
Querendo lhe arremedar.

O meu gado não é muito
Mas da pra enfeitar o pasto
Gosto de ver a boiada
Passando e deixando o rasto
Se o vaqueiro for bonito
Esqueço o que está escrito
No laço da corda arrasto.

Quem me deu o boi bordado
Foi Luiz Sebastião
O bordado ganhou fama
Pras bandas do meu sertão
Cada vaca que cobria
Tirava uma boa cria
Melhorei a produção.

Quem quiser me comprar gado
Fiado não vendo não
Meu gado só sai do pasto
Com dinheiro em minha mão
Pois aqui na minha lista
Tem um monte de artista
Cadastrei cada enrolão.

Resolvi laçar um boi
Achando que era manso
Só que o boi me deu trabalho
Mas eu não lhe dei descanso
Encrenca pequena e tico
Com laço na mão não fico
Não me enfezo, nem me canso.

Se a vaca prender meu boi
Eu tiro ele da cadeia
Depois de afrouxar o laço
Na vaca eu meto a peia
Não sou de usar chicote
Mas fique esperta e anote
Nunca mexa em coisa alheia.

Se seu touro pular cerca
Eu dou capim do meu lado
Se ele gostar do meu pasto
Vou viciar o danado
E só para me exibir
Eu vou montar sem cair
Nesse seu touro abusado


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 11 de outubro de 2017

DUAS GLOSAS

A água é fonte de vida
Não deixe a água morrer!

Mote de Bastinha Job

Bastinha Job:

Também nosso São Francisco
É um rio em agonia
Correndo o sério risco
De se extinguir qualquer dia,
Mataram muitas nascentes
Outros tantos afluentes
O homem fez perecer
Urge uma outra medida:
A água é fonte de vida
Não deixe a água morrer!

* * *

Dalinha Catunda:

Agoniza o São Francisco
Em sua degradação
O homem não tem um trisco
De conscientização
E cava a própria desgraça
Com o projeto que traça
Faz o rio fenecer
Disso nem Deus duvida:
A água é fonte de vida
Não deixe a água morrer!

* * *

Bastinha Job e Dalinha Catunda, foto do acervo da colunista


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 09 de outubro de 2017

NORDESTINA, SIM SENHOR!

 

Eu sou nordestina
Me orgulho de ser
Sou do Ceará
Com muito prazer
Não faço suspense
Sou ipueirense
Pra quem quer saber.

Se escuto a sanfona
Perfumo o cangote
Dançando faceira
Aguento o pinote
Pois sou dançadeira
Levanto a poeira
Capricho no xote.

Eu danço São João
Eu pulo fogueira
Faço simpatia
A da bananeira
Me visto de chita
Com laço de fita
Desfilo faceira.

Eu como cuscuz
Paçoca e baião
Como tapioca
E bife do oião
Eu como buchada
Também malassada
Sem indigestão.

Na rede me deito
Pra me balançar
E nesse balanço
Preciso contar
Cumprindo o destino
Eu já fiz menino
Sem punhos quebrar.

Eu sou ribaçã
Sou ave migrante
Sou rio que corre
Que segue adiante
Eu sou empolgada
Comigo só nada
É quem se garante.

Eu sou mesmo agreste
Meu nome é Dalinha
Não fujo de embate
Não fujo da rinha
Se você empaca
Não puxe sua faca
Deixe na bainha.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 06 de outubro de 2017

ATIÇANDO AS MULHERES

Mulher, tenha amor a vida
Faça sua prevenção.
Isso é obrigação,
E não seja “malovida”,
Pois a mulher precavida
Sete vidas vai viver!
Vai amar, vai conceber,
Vai parir felicidade,
Acredite isso é verdade!
Você tem esse poder.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 04 de outubro de 2017

SÓ NA MOITA

 

Quem não tem bala na agulha
Não carece se arriscar
Na deve mirar na presa
Sabendo que vai falhar
Pois onça com vara curta
Só doido vai cutucar.

Se tem coisa que não gosto
Amigo, vou lhe contar
E gente que diz que vai
Porém não sai do lugar
Nem desocupa a moita
Nem se agacha pra cagar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 02 de outubro de 2017

DUAS GLOSAS

“No mundo da poesia
Sou verso solto no ar”

Mote de Souza Filho

Eu sou Dalinha Catunda
Filha de Neuza e Espedito
O meu trabalho é bonito
É fonte que em mim abunda
Com dedicação profunda
Deixo a musa me emprenhar
Para meus versos gerar
E depois parir magia
“No mundo da poesia
Sou verso solto no ar”

Dalinha Catunda

Eu sou Rainilton Viana
Fí de Bastinha e Sivoca
E a poesia me toca
E me deixa tão bacana
Trabalho toda semana
Pra poder me sustentar
E também poder comprar
O meu pão de cada dia
“No mundo da poesia
Sou verso solto no ar.”

Rainilton de Sivoca


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de setembro de 2017

DEMOREI MAS VOLTEI

Depois duma temporada
Bem longa posso dizer
Eu volto revigorada
Digo isso com prazer.
Pras bandas do Ceará
Cultura curti por lá
Sem me esquecer do lazer.

Passei por Fortaleza
De lá fui ao meu lugar
Onde passei alguns dias
E mais queria passar
Depois fui pro Cariri
Porém já estou aqui
Mas planejando voltar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 12 de setembro de 2017

NA CARESTIA DO FEIJÃO





NA CARESTIA DO FEIJÃO

*

O feijão anda tão caro

É bem triste a situação

Eu já não faço tutu

Desisti do meu baião

Não paro de escutar

O meu filho a reclamar

Que não fiz mais capitão.

*

Não sei quem é o culpado

Do feijão subir assim

Não como feijão tropeiro

No acarajé dei fim

Pra não ficar jururu

Vou fazendo com andu

Um baiãozinho pra mim.

*

Mas com essa carestia

Amigo, preste atenção,

Eu vou é fazer regime

Deixar de fora o feijão

Meus dentes irão mofar

Vou casa de aranha criar

No franzido do botão.

*

 

Versos e fotos de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 25 de agosto de 2017

FORJANDO O VERSO
Com a musa em sintonia
A rima me acaricia
Para o verso eu conceber
Deixo a arte penetrar
Para que eu possa emprenhar
E ver o verso nascer.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 22 de agosto de 2017

SAÚDE É UM CASO SÉRIO

 

*

OLSILVA

Eu amanheci doente.

chega os olhos estão Marrom

A cabeça tá doendo.

nem consigo escutar som

fui direto pro doutor

que passou um anador.

Se eu num morrer fico bom.

*

DALINHA CATUNDA

Acordei adoentada

Olho roxo, boca azul,

Ligaram pro hospital

Me atendeu o SAMU!

Isso chamo purgatório,

Passam um supositório

Daqueles lá de Itu!

*

OLSILVA

Mais ele, passou pra tu.?

que pra, mim num vai passar.

se ele passar pra mim.

Mando a mãe dele tomar.

saí fora do respeito.

Mas sei que vai ser o jeito

mandar ele se danar.

*

DALINHA CATUNDA

E tu tá pensando o quê?

Foi isso mesmo que fiz!

Xinguei a mãe e o pai,

E também o infeliz.

Mandei ele se lascar,

Sua receita enfiar...

Não apanhei por um triz!

*

"


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 18 de agosto de 2017

PAIXÃO PELO VERSO

Esse meu verso rimado
Eu trouxe lá do sertão
Para ficar aprumado
Botei metrificação
Para não ficar sem sal
Cumpro sempre o ritual
Rogo a musa inspiração.

Cuidados eu tenho sempre
Para não escorregar
Porém se eu quebrar o pé.
O remédio é consertar
Se de versos eu entendo
Procuro lendo e relendo
Erros para restaurar.

Atenção e paciência
Quem verseja deve ter
Pois a pressa é inimiga
De quem bem quer escrever
Vale a pena matutar
Com cada verso flertar
P’ra magia acontecer.

Tudo que faço na vida
Eu só faço com paixão
Cada verso é um suspiro
Que brota do coração
Para a regra não quebrar
Eu consigo me entregar
Mas sem perder a razão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 13 de agosto de 2017

OS OVOS DOS ABESTADOS

Dória fez foi omelete
Dos ovos dos abestados

Mote da colunista

Os pobres desta nação
Na boca da camarilha
É o tema que a quadrilha
Bota sempre em discussão
Porém consideração
Nunca teve c’ os coitados
Que sempre são enrolados
Com mentiras e confetes
Dória fez foi omelete
Dos ovos dos abestados


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 12 de agosto de 2017

LAMPIÃO - DUAS GLOSAS

Lampião morreu idoso
Num sítio em Minas Gerais.

Mote de Jorge Filó

Depois de chegar da Lua
E ter passado por Marte,
Ele foi viver de arte
Cantando músicas na rua.
Junto com uma irmã sua
Fez strip em bacanais
Foi Momo em dois carnavais
Pelo Guaiamum Treloso…
“Lampião morreu idoso
Num sítio em Minas Gerais.

Ismael Gaião.

Foi depois que Lampião
Com “Padim Ciço” brigou
Que novo rumo tomou
Trocou de religião
No culto espantava o cão
Gritando nos rituais
Vi escrito nos anais
Não é conto de trancoso:
Lampião morreu idoso
Num sítio em Minas Gerais.

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 10 de agosto de 2017

VOCÊ FOI SÓ CHUVA FINA

Você foi só chuva fina
que caiu mas não molhou.

Mote da colunista

Chegou feito ventania
Abalou meu coração
Pensei que era a paixão
Que me embalava e ardia
Porém logo eu percebia
Foi tempestade e passou 
E nem saudades deixou
Mas minha mente rumina:
“você foi só chuva fina
que caiu mas não molhou.”


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 05 de agosto de 2017

PICÃO ROXO

Andei com dores nos quartos
Vejam que situação.
Aí me recomendaram
Tomar um chá de picão,
Eu saí me maldizendo
E já fui logo dizendo:
Esse diabo tomo não!

Mas o doutor raizeiro
Correu logo atrás de mim
Me chamou lá num cantinho
E já foi dizendo assim:
Experimente o tal picão
Que a sua situação
De dor vai chegar ao fim.

Olhei bem desconfiada
Pro vendedor de raiz
Foi quando senti de novo
Aquela dor infeliz
Era uma dor bem profunda
Subindo o rego da bunda
E atormentando os quadris.

Eu tinha que me render
A tal fitoterapia
Mas uma dúvida atroz
Realmente me afligia
Será que o tal picão
É cipó ou solução?
A gente toma, ou enfia?

Era a dor me consumindo
Era bem grande a aflição
E tinha que ser do roxo
Pra ter efeito o picão
Entrei firme no cipó
Se a dor de mim não tem dó
Não vejo outra solução.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 03 de agosto de 2017

APURANDO PUTARIA

Brasília virou celeiro
De vagabundo e ladrão
Estou assistindo ao vivo
Essa guerra de facção
Onde ofensa, xingamento
Se escuta a cada momento
Entre tapa e empurrão.

Eles se tratam por corja
No confronto da cambada
Falam em grana em cueca
Também mala recheada
Outro mostra o pixuleco
Fora Temer ouço o eco
Numa suruba danada.

A balbúrdia é tamanha
Nem parece um parlamento
Um relincha outro dá coices
Coisa mesmo de jumento
Nessa grande esparrela
Tem latido de cadela
Demonstrando seu intento.

Hoje se chama quadrilha
O que um dia foi partido.
O politico engajado
Hoje atende por bandido,
Nosso povo feito gado
Cada dia mais ferrado
Não tem querer é tangido.

Pelos meus versos profanos
Por tudo que é mais sagrado
Quero que cada canalha
Seja réu ou acusado
Quem na verdade é ladrão
E não importa a facção
Pague e seja encarcerado.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 02 de agosto de 2017

ERA SÓ MAIS UM SILVA...

Ele “era só mais um Silva”
Que a este mundo viria,
No ventre de Claudinéia
A placenta o protegia
Por uma bala perdida
Sua mãe foi atingida
E Arthur não resistiria.

Mas “era só mais um Silva”
Que a violência afetava
Que a falta de segurança
A estatística aumentava
Só mais uma mãe chorando
Nesse Brasil sem comando
Na TV eu comprovava.

A Clebson Cosme Silva
Só resta chorar a sorte
Morte Silva ou Severina
Temos num País sem Norte
Até quando padecer
Morrer querendo viver
Sem poder fugir da morte.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 29 de julho de 2017

HOLA!

 

Foto da colunista

Um cabra não sei de onde,
No meu face apareceu.
Numa língua diferente
Hola! O cabra escreveu,
Porém eu respondi bem
Rola!!!! pra você também
E o canalha escafedeu.

Pra ele ficar com raiva
Naquele dito momento
Eu lasquei no comentário
A foto de um jumento
Mostrando na ocasião
Sua documentação
E dei fim no atrevimento.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 28 de julho de 2017

RASGANDO O VÉU

Sonho é só fantasia 
Não basta idealizar
Não se perca em pudores
Aprenda a se desnudar
O concreto tem magia
Que adentra e contagia
A quem se permite amar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 26 de julho de 2017

POR UM BRASIL SEM LADRÕES

O povo não acordou
Nem sei se vai acordar
Os políticos safados
Procuram desabonar
A polícia Federal
A justiça no geral
Pra farra continuar.

Eu mesma não gostaria
Confesso não quero ver
Nas próximas eleições
Ficha suja concorrer
No comando da nação
Não quero ter mais ladrão
Botando a mão no poder.

Vejo hoje os políticos 
Que se acusam mutuamente
É o sujo e o mal lavado
Batendo sempre de frente
Sei que é difícil escolher
E nem sei se chega a ter
Um politico decente.

Eu falto é morrer de rir
Vendo só essa esparrela
A disputa entre colchinha
Arengas com mortadela
Mas a verdade de fato
O povo é quem paga o pato
E o país se desmantela.

Não boto minha mão no fogo
Para defender bandido
Digo com todas as letras
Não me interessa o partido
Só minha pátria defendo
Mas pelo que estou vendo
Meu país está perdido.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 25 de julho de 2017

SAUDADE

Saudade é a pior ferida
No peito de um infeliz.
Vem numa pequena cena
Ou em algo que alguém diz.
Se inflamada dói e arde,
Mas não mostra cicatriz.

Ismael Gaião

Minha mãe sempre dizia
Que ouviu alguém dizer:
“Que a saudade é uma dor
Mas não é dor de doer
É vontade de lembrar
Com vontade de esquecer”

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 22 de julho de 2017

UM DENGO NO OUVIDO

Dalinha e Lindicássia

*

É coisa que agente gosta

Um dengo ao pé do ouvido

Não importa qual distancia

Quem ama traz um sentido

A saudade chega bem

Ao falar com esse aguém

Que chamamos de querido.

*

Foi num instante da vida

Que eu me surpreendi

Uma deusa namorando

Logo então eu percebi

Numa voz melodiosa

de poetisa formosa

Era amor eu pressenti.

*

O telefone fez ponte

Transportou tal sentimento

Os olhos dela brilhando

A voz tremula num momento

Foi magia foi encanto

Foi amor e eu garanto

No maior encantamento.

*

Era Dalinha Catunda

Falando com seu senhor

Deslumbrada de saudade

Saudade do seu amor

Dizendo a ele baixinho

Do seu amor e carinho

No mais bonito louvor!

*

Lindicássia Nascimento

*

LINDINHA, PAPARAZZO

*

Eu estava em Barbalha

Em uma reunião

O telefone tocou

Bem naquela ocasião

Era, sim, o meu amor!

Meu parceiro meu senhor

E atendi a ligação.

*

Fui ao cantinho afastado

Pra matar minha saudade

Porém o que eu não sabia

É que na localidade

Paparazzo ali tinha

Para espiar Dalinha

Em sua intimidade.

*

 

Dalinha Catunda

"


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 21 de julho de 2017

OS INJUSTIÇADOS

Nunca vi tanta injustiça
E tanta perseguição
Com o pobre inocente
Que presidiu a nação
Agora feito Jesus
Que carregou sua cruz
Sofre com a provação.

Seus amigos estão presos
É triste a situação
Mas ele nunca fez parte
Desta suja facção
É só um injustiçado
Com o nome enlameado
Sem motivo e sem razão.

Isso serve para Cunha
E para Aécio também
Para Dirceu, para Temer,
Que são homens de bem
A justiça brasileira
É de fato bem fuleira
E não respeita ninguém.

O Moro tem sido algoz
E ao mesmo tempo infeliz
Bateu o seu martelo
Com o poder de Juiz
Sem provas pra comprovar
Botou foi para lascar
E assim condenou Luiz.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 18 de julho de 2017

PARCERIA DE GLOSAS

É melhor viver sozinho
Do que mal acompanhado.

Mote: Ditado popular

Não há nada nesta vida
Que cause mais dissabor
Do que dedicar amor
A gente prostituída
Quando a alma é corrompida
O corpo é contaminado
Nunca dá bom resultado
Comprar ou vender carinho
É melhor viver sozinho
Do que mal acompanhado.

Gregório Filomeno

Chegou cheio de exigência
Só queria ser as pregas
Não era de cumprir regras
Fui perdendo a paciência
Sua falta de decência
Fez com que fosse chutado
Quando saiu do meu lado
Fez comentário mesquinho:
É melhor viver sozinho
Do que mal acompanhado.

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 12 de julho de 2017

GLOSA

 

Só sete palmos de chão
É tudo que vamos ter.

Mote de Antônio Cassiano – Glosa desta colunista

Amor é coisa divina
E não tem como negar
Quando decide chegar
O coração contamina
Não adianta vacina
Isso devemos saber
Quem tem amor pra viver
Aproveite a ocasião
Só sete palmos de chão
É tudo que vamos ter.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 11 de julho de 2017

TROCA DE VERSOS

Também sou menino
Curumim brasileiro
Inquieto, arteiro
Seguindo o destino
Guri nordestino
Criança crescida
De alma atrevida
Em plena alegria
Fazendo poesia
De bem com a vida!

Jesus de Ritinha

Também sei cantar
Eu sou cunhatã
Eu canto a manhã
Vendo o sol raiar
Corro a traquinar
Em meio a campina
Criança, menina,
Alegre e brejeira,
Versejo faceira
Essa é minha sina.

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 10 de julho de 2017

NA REDE DA SAUDADE

 

Fui lá pra ver se te via
Voltei sem te avistar
Até gritei, ô de casa!
Sem a resposta escutar
Mas vou voltar outro dia
Quando a saudade apertar.

Pra não perder a viagem
Minha rede vou levar
Vou armar no teu alpendre
Nela vou me balançar
Até a boca da noite
Ou até o galo cantar.

Porém se eu cair no sono
Me acorde, por favor,
Quero embalar a paixão
Sem tramela e sem pudor
Quero o gemido da rede
No grito do armador.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de julho de 2017

ÉGUA!!! QUE FRIO!!!

 

Eu que sou filha do sol
Amo o calor do sertão
Me vejo toda embrulhada
Com frio nesta estação
Chego até sentir tremor
Debaixo do cobertor
Que não resolve a questão.

Boto meia boto toca
E pijama de flanela
Tranco meu apartamento
Fechando porta e janela
E antes de me deitar
Faço chá para tomar
O de maçã com canela.

Na hora de tomar banho
Eu só tomo banho quente
Antes de entrar no chuveiro
Eu já vou batendo dente
Se esse frio não passar
Pro meu sertão vou voltar
Não tem diabo que aguente.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 04 de julho de 2017

AS TRAMAS DO OLHAR

 

Enfeitei aquele amor
Com o olhar da paixão
O que eu via era sagrado
Em minha concepção
Depois que rompi a teia
Vi o castelo de areia
Desmoronado no chão.

Fiz d’uma simples tapera
Meu castelo imaginado
Da cachaça com limão
O vinho mais cobiçado
Fiz d’um simples peregrino,
Um sem rumo e sem destino
O meu príncipe encantado.

Mas tudo que arde e queima
É certo ser cinza um dia 
Quando a velha venda cai
Desfazendo a utopia
No colo da realidade
Reaparece a verdade
Desmanchando a fantasia.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 27 de junho de 2017

GLOSAS

Mote: Marcos Medeiros
Xilogravura: José Lourenço.

Com letras desenho imagens
que traduzem meu viver.
Eu leio para escrever,
além de empreender viagens.
Do mundo vivo às visagens,
busco fazer descrição.
Com métrica e oração,
dou vazão, entro no clima.
Com a chave da boa rima
Destranco meu coração!

Marcos Medeiros

Da letra monto a palavra
Da palavra monto o verso
Componho nesse universo
Estrofes de minha lavra
Quem com versos se apalavra
Mostra sua distinção
Por isso preste atenção
Você que me subestima:
Com a chave da boa rima
Destranco meu coração!

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 23 de junho de 2017

NEM CANTA NEM LARGA A VIOLA

Você diz que canta bem
Tem bico de passarinho
Cala qualquer cantador
Que cruzar o seu caminho
Amigo não leve a mal
Quem canta que nem pardal
Só cisca e caga no ninho.

Você só tem é zoada
Não passa dum fanfarrão
Só faz barulho e mais nada
Eu cheguei à conclusão
Não toca bem a viola
Na rima sempre se atola
Erra a metrificação.

A sua voz é fanhosa
Pois só sai pelo nariz
O povo não compreende
Aquilo que você diz
Porém só quer ser as pregas
Inda manga dos colegas
Com seu deboche infeliz.

Para cantar com você
Mesmo que seja sabido
Quem sabe esquece o que sabe
E logo fica perdido
O pensamento se enrola
Não sai nada da cachola
Só sendo doido varrido.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 20 de junho de 2017

QUE SÃO JOÃO NÓS TEMOS?

Hoje o nordestino pede
De volta o seu São João
Porém vejo que esqueceu
De cultivar tradição
Em busca de novas trilhas
Trocam as velhas quadrilhas
Por luxo e ostentação.

As quadrilhas são temáticas
Perderam a singeleza
Se apresentam com requinte
No cortejo tem princesa
Na verdade já descamba
Para uma escola de samba
Competindo com riqueza.

Numa vestimenta cara
O farto brilho conduz.
No cabelo penteado
Custoso adorno reluz.
Aquela festa brejeira
Onde brilhava a fogueira
Só a cinza se reduz.

Cadê o velho São João
Festejos de antigamente
O casamento matuto
Com jeito de nossa gente
A dança e a simpatia
Que no passado havia
Agora é tão diferente.

Não tem mais chapéu de palha
E nem camisa estampada
O homem não usa mais
Sua calça remendada
A canção de Gonzagão
Já não anima o São João
Vejo a coisa bem mudada.

Nas quadrilhas não tem mais
Nossa cabocla bonita
Com as pintinhas na cara
Com seu vestido de chita
Com seu cabelo trançado
Na trança de cada lado
O seu lacinho de fita.

Quem quer o São João de volta
Exercita a tradição
Preserva sua história
Antes da reclamação
Sua cultura propaga
Da memória não apaga
Costumes e tradição.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 17 de junho de 2017

TERREIRO DE AMOR

 

*

GREGÓRIO FILOMENO

Minha casa não tem muro

Nem cerca eletrificada

Tem de lado uma latada

E um pé de moleque duro

Mas eu me sinto seguro

De nada tenho pavor

E o meu galo cantador

Me acorda ao romper d'aurora

NINGUÉM ME BOTA PRA FORA

DO MEU TERREIRO DE AMOR.

*

DALINHA CATUNDA

Não tenho papel passado

Mas me casei mesmo assim

Amancebada sou, sim!

Tenho amor assegurado

E quem vive ao meu lado

Vive a vida com sabor

Até canta em meu louvor

Qu’é feliz não ignora

NINGUÉM ME BOTA PRA FORA

DO MEU TERREIRO DE AMOR.

*

Mote de Gregório Filomeno

XILO de Carlos Henrique


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 12 de junho de 2017

A MINHA JANGADA

 

 

 

O mar parece sereno

O sol tinge o infinito

Feito Juvenal Galeno

Eu tento cantar bonito

Vou preparando terreno

Enquanto a paisagem fito.

*

Minha jangada de vela

Das trovas de Juvenal

Quanta saudade revela

Chego a sentir o terral

Até parece uma tela

Mas o cenário é real.

*

Versos de Dalinha Catunda

 

Foto de Cayman Moreira

"

"


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 09 de junho de 2017

SANTO ANTÔNIO OU SÃO GONÇALO?

Foto da colunista

Meu querido Santo Antônio,
Não perca oportunidade
De me arranjar um marido.
Estou falando a verdade!
Ou apelo a outro Santo,
Que me faça a caridade.

Há tempos que lhe recorro,
Sem ver qualquer resultado.
Pelo jeito o senhor anda
Desatento ou relaxado.
Ou tendo tantos pedidos,
Foi deixando o meu de lado.

Acho que o senhor é mesmo,
Um santinho do pau oco.
Eu peço, suplico, imploro
Só ainda não dei soco
Para atender meu pedido
E me tirar do sufoco.

Só que agora eu descobri,
Que o senhor tem concorrente.
Um santo casamenteiro,
Que é menos exigente,
Que se chama São Gonçalo,
E é muito eficiente.

Diz o povo que ele casa
Mulher de qualquer maneira:
A donzela, a desquitada,
Viúva e até mãe solteira,
As que já passaram da idade,
E quem é raparigueira.

Por isto, meu Santo Antônio,
O senhor preste atenção:
Me arrume um bom casamento,
Ou mudo de devoção.
Vou procurar São Gonçalo
Já cansei de embromação

Não há solteira que aguente,
Essa sua lentidão.
São Gonçalo desempenha,
Muito melhor a função,
E por não ser exigente
É veloz na solução.

Santo não faz diferença
Na hora do matrimônio.
Me arranjo com São Gonçalo,
Se vacilar Santo Antônio
Se eu ficar no caritó
Faço o maior pandemônio.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 06 de junho de 2017

HORA DO QUEIMA

 

É junho, é fogo é fogueira,
Incendiando a nação
E na dança das quadrilhas
É hora de animação
Dilma e Temer formam par
A Chapa vai esquentar
Na dança da Cassação.

Quem entrou de braços dados
Assim tem é que sair
Sempre foram aliados
E não há como omitir
Nessa dança das cadeiras
Já chega de brincadeiras
Quem se queimou tem que ir.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 04 de junho de 2017

RODA DE GLOSAS

Só faz do jeito que eu faço
Se for poeta também.

Mote: Silvano Lyra

Tenho sido refratário
Nessa olaria do verso
Suplanto todo reverso
Sem me sentir temerário
Resisto a todo cenário
Calor não me faz refém
Termicidade mantém
Meu nome nesse regaço
Só faz do jeito que eu faço
Se for poeta Também!

Silvano Lyra

Sou doida por cantoria
Desde os tempos de menina
Essa moda nordestina
É coisa que me arrepia
Faço versos todo dia
E não falo com desdém
Mas meu verso quando vem
O meu ego satisfaço
Só faz do jeito que eu faço
Se for poeta também.

Dalinha Catunda

Não sei fazer improviso
Sou poeta de bancada
Pra não ficar atolada
Não perturbar meu juízo
Faço o verso mais preciso
Eu não sei se faço bem
Só sei que vou mais além
Voando por esse espaço
Só faz do jeito que eu faço
Se for poeta também.

Vânia Freitas

Sempre me entrego a paixão
Nos braços do meu amor
Mostro todo meu fervor
Sei atiçar emoção
Meu verso vira canção
Na hora que me convém
É a trilha do vaivém
De quem sabe apertar laço
Só faz do jeito que eu faço
Se for poeta também.

Dalinha Catunda

Mote de Silvano Lira
Dalinha, firme, glosou
Vânia Freitas decolou
Como fibra de embira
Duas jóias de safira
Que a métrica segue bem
Só recebem nota cem
Que é preciso ter compasso:
Só faz do jeito que eu faço
Se for Poeta também!

Bastinha Job


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 31 de maio de 2017

FUMO NA CARNIÇA

Hoje trinta e um de maio
É o dia mundial
Sem tabaco instituído
Pois o tabaco faz mal
O povo disso é ciente
Mas no Brasil do presente
O fumo já é viral.

Diante da roubalheira
Que aflige essa nação
O país contaminado
Virou antro de ladrão
E nossa gente sem rumo
É quem mais entra no fumo
No palco da corrução.

Tudo isso se agravou
No estouro do mensalão
Pra ficar mais complicado
Explodiu o petrolão
Desbaratando os bandos
Políticos nos comandos
Degradando essa nação.

As brigas no senado
Mostram falta de respeito
Do político anarquista
Pelo nosso povo eleito
Incendiando a nação
Insuflando a multidão
E querendo ter direito.

É o lixo e o monturo
É o sujo e o mal lavado
Um acusando o outro
Cada qual mais descarado
Só espero que a justiça
Bote em cana essa carniça
Que empesteou a nação.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 29 de maio de 2017

SOU SEM GRUPO



Eu acho muito engraçado
Bem irônico esse papel
Vejo gente no cordel
Sem entender do riscado
Mandando ficar calado
Quem expõe seu pensamento
Falando deste momento
Que assola toda nação
Tolher não é solução
É só falta de argumento.

Quem de paraquedas cai
Numa instituição
Ser a dona da razão
É coisa que não atrai
Quem direito subtrai
Negando a democracia
Somente atrai rebeldia
Nesse grupo entro não
Essa é minha opinião
Muito obrigado e bom dia

Foto da colunista


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 23 de maio de 2017

O MENSAGEIRO DO NORDESTINO

1
A musa peço licença,
A Deus pai inspiração,
Recorro também a nossa
Senhora da Conceição,
Para passar com meu verso
Adentrar nesse universo
Onde reinou Gonzagão.

2
Luiz Gonzaga nasceu
Dia de Santa Luzia.
Lá no céu uma estrela
Brilhou quando o rei nascia.
Ele viveu seu reinado
Como ser iluminado
Mensageiro da alegria.

3
Foi o velho Januário
Que seu nome escolheu.
Em homenagem a Santa
Esse nome recebeu.
O filho de Ana Batista
Brilhou muito como artista,
E chegou ao apogeu.

4
Pela sua trajetória
Luiz hoje é lendário.
A história do forró
Escreveu em seu fadário.
Amava seu pé-de-serra,
E a sua querida terra,
Chamava de relicário.

5
Com triângulo e Zabumba,
Sua voz virou rotina.
Viajou pelo Brasil,
Com a sua concertina.
Propagou xote e xaxado,
Andando pra todo lado,
Com a verve nordestina.

 

6
Um belo gibão de couro,
E chapéu especial,
Assim compunha Gonzaga,
Com arte seu visual.
A moda que ele ditou
Bastante gente imitou
Querendo ficar igual.

7
Luiz Gonzaga partiu
Sem sair do pensamento,
Deste povo nordestino
Que lembra a todo momento,
Do entusiasmo do rei
Que cantou pra sua grei
Trazendo contentamento.

8
Sei que já faz um bom tempo
Que velho Lua morreu.
Da vida dos nordestinos
Nunca desapareceu.
Porque em cada canção
Cantava com emoção
O mundo em que viveu.

9
Nosso Rei do Baião vive
Na boca da sua gente.
Pois tudo que ele gravou
É cantado no presente.
Sendo a voz do retirante,
Dos que estavam distante,
Virou canto do ausente!

10
Tudo que Luiz cantava
O povo fazia refrão.
A sua voz envolvente
Enternecia o povão,
Que traz o rei na memória
Jamais esquece a história
Do inventor do baião.

11
Luiz Gonzaga cantou,
Os costumes do sertão,
Cantou beatas e santos,
Padre Cícero Romão,
Cantou povo, cantou fé,
O Santo de Canindé,
Em quem tinha devoção.

12
Lágrimas vinham aos olhos
Da nossa gente sofrida
Quando seu Luiz cantava
A canção Triste Partida.
Os versos de Patativa
Era lamentação viva
Da seca mais descabida.

13
Cantou para o santo papa,
Não esqueceu Lampião,
As lendas de cangaceiros,
Que corriam no sertão.
Cantou a mulher rendeira,
E Sá Marica parteira,
Costumes e tradição.

14
E cantou como ninguém!
A cabocla nordestina,
Comadre Sebastiana,
A cheirosa Karolina,
Cantou a sua Rosinha,
E Xandu, a Xanduzinha!
E os sete de Setembrina.

15
Cantou do vate Catulo,
Que traz no nome Paixão.
Digo a todos com certeza!
Encantou nossa nação,
Com a mais bela cantiga,
Que amor a terra instiga,
Que foi Luar do Sertão.

16
Lua mostrou ao Brasil,
Nossa nação nordestina.
Falou da chuva e da seca,
Comentando nossa sina.
Cantou tristeza e alegria,
Dum povo que contagia,
E a ter fé em Deus ensina.

17
Cantou a fauna e a flora,
As chuvas e a sequidão,
E mostrou ao mundo inteiro
Grande amor pelo seu chão.
Asa branca arrebatou,
E todo mundo cantou,
Essa bonita canção.

18
Nos programas matinais,
Nas rádios do interior,
Luiz inda faz sucesso
Na boca do locutor,
E canta dia após dia,
O canto que contagia
Com seu agreste esplendor.

19
E na festa da colheita,
Nas fogueiras de São João,
A música mais tocada,
Inda é de Gonzagão.
O povo dança quadrilha,
Muitos adotam na trilha,
Os passos da tradição.

20
Se dizem que quem foi rei
Nunca perde a majestade,
Luiz Gonzaga confirma,
Essa mais pura verdade.
O nosso cabra da peste
Será sempre o rei agreste
Um rei que deixou saudade.

21
O querido rei caboclo,
O nosso rei do baião,
Viverá eternamente
Em nossa recordação.
E será eternizado,
Pois sempre será lembrado
Mesmo em outra dimensão.

22
Tema de escola de samba
Ele foi no carnaval.
Tem museu com o seu nome
Em sua terra natal.
Foi o criador primeiro,
Da tal missa do vaqueiro
Que hoje é tradicional.

23
Luiz sem dúvidas foi,
O clamor do nordestino.
A real trilha sonora,
Cantando cada destino.
Foi a voz do retirante,
O grande representante,
De quem virou peregrino.

24
Quando o fole da sanfona
Gemer em qualquer lugar,
E um forró pé-de-serra
O sanfoneiro tocar,
Relembrarei Gonzagão,
O nosso rei do Baião,
Majestade Singular!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 21 de maio de 2017

SEM RÁDIO E SEM NOTÍCIA DAS TERRAS CIVILIZADAS

Enquanto pegava fogo
Esse nosso cabaré
Terra de muito Batista
E de pouca Salomé
Eu estava no sertão
Comendo milho e baião
E tirando ata do pé.

Não vi a tal da suruba
Na delação da propina
Eu curtia a invernada
Como boa nordestina
O Brasil com sua cruz
E eu comendo cuscuz
Sem chorar a minha sina.

Era cantiga de grilo
Era sapo a coaxar
De dia tapa em mutuca
De noite vou lhe contar
Era tapa em muriçoca
No alpendre só fofoca
E café para tomar.

Porém agora voltei
Para a civilização
Morada da putaria
Reino da esculhambação
Aonde é cega a justiça
E tudo cheira a carniça
Brasil em putrefação.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 20 de maio de 2017

MORTE DO DIA


             

 

MORTE DO DIA

*

GREGÓRIO FILOMENO

Por estrada ou avenida

Seguindo seu próprio mapa

Cada dia é uma etapa

Que a gente cumpre na vida

Mas cada légua é vencida

Numa escala decrescente

Onde cada expediente

Desfigura uma utopia

TODA VEZ QUE MORRE UM DIA 

MORRE UM PEDAÇO DA GENTE.

 

*

DALINHA CATUNDA

Eu vivo cada minuto

Da vida que Deus me deu.

Meu fado quem faz sou eu,

Do meu jeitinho astuto.

Não levo rastro de luto

Nas passadas do presente,

Pois mesmo sendo temente

Não me apego a profecia:

TODA VEZ QUE MORRE UM DIA 

MORRE UM PEDAÇO DA GENTE.

"


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 18 de maio de 2017

CHAPA PODRE

Não poderia prestar
Quem com Dilma se aliou,
Pois em merda se atolou
E não é de admirar
Só faltava incorporar
Elementos da facção
Mas com tanta delação
E vendo as mais recentes
Já temos dois presidentes
Candidatos à prisão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 14 de maio de 2017

NUNCA VI COISA MAIS LINDA!

 

NUNCA VI COISA MAIS LINDA!

*

LINDICÁSSIA NASCIMENTO

Nunca vi coisa mais linda

Que uma noite de luar

Duas almas, dois amores

Dois corpos presos no ar

A nudez do pensamento

Unindo um só sentimento

E a lua a enamorar.

 

*

DALINHA CATUNDA

Nunca vi coisa mais linda

Em noite de lua cheia

Um casal de namorados

Deitando depois da ceia

Se balançando na rede

Tacando o pé na parede

Enquanto a lua clareia.

"


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 13 de maio de 2017

TEMPO NUBLADO

O tempo ficou bonito
Entretanto não choveu
Torres bordavam o céu
Mas veio o vento e varreu
A chuva foi só sereno
Pra molhar o meu terreno
Com prece pouca não deu.

Você pegou a viola
E cantou para chover
Um coração ressequido
É duro de amolecer
Promessa nem simpatia
Trará de volta a magia
Que parou de escorrer.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 09 de maio de 2017

MÃE, SER ESPECIAL


 

MÃE, SER ESPECIAL

Imaginem como sofre
Aquela mãe passarinho
Que incentiva seu filho
A largar o próprio ninho
Ajudando a criar asas
Para seguir seu caminho.

Na hora que o filho voa,
Pra alívio do coração,
Apossa-se de um rosário,
Vai debulhando oração
Pedindo em cada conta
Que Deus lhe dê proteção.

A mãe é igual a fera
Que acode o filho querido.
É bem capaz de matar
Pro filho não ser ferido.
E vive lambendo a cria
Que se sente protegido

Dar limite é obrigação,
De toda mãe consciente.
Porém nem sempre é assim,
Que o filho podado sente.
Mas pecar pelo excesso,
É coisa de mãe presente

Não é sempre que se acerta
A receita ou a mão
Para aplicar com destreza
A eficaz correção,
E se temos que pecar,
Não seja por omissão.

Existem mães que não têm,
Dos filhos a compreensão.
Ao vê-los bem sucedidos.
Sossegam o coração,
Pois sabem que com certeza
Cumpriram sua missão.

Mãe, mulher especial.
Essa é minha tradução.
Muitas vezes é severa,
Noutras é só coração,
Muitas vezes aclamadas
Noutras renegadas são.

"


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 29 de abril de 2017

DO TREM SÓ SAUDADE

DO TREM SÓ A SAUDADE

*

Era tempo de alegria

Nos trilhos do meu sertão

O trem que ia e voltava

Carregava em seu vagão

Fantasia aventureira

A ilusão passageira

Marcando cada estação.

*

Alegria na chegada

O choro da despedida

Entre abraços e promessas

Velhos dramas da partida

No lenço a dor da saudade

Fruto da felicidade

Que o coração deu guarida.

*

O tempo se vai ligeiro

Mas o trem fica parado

A lembrança no presente

Faz o seu sacolejado

E nesse seu movimento

Transporta meu pensamento

Aos bons tempos do passado.

*

 

Fotos e Versos de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de abril de 2017

SINA DE MARIA IV

 

Jamais chore a minha sorte
Se você não me poupou
Se a mim não foi fiel
Se com outra me enganou
Se no decorrer da vida
Deixou minha alma ferida
O que me martirizou.

Não exija um respeito
Que nunca teve por mim
A vida tem vídeo-taipe
Modernidade é assim
Reveja nosso passado
Pois ele não está lacrado
Nele ninguém dará fim.

Não bata no peito e diga
Que chegou a me amar
Não soube me proteger
Não soube me resguardar
Eu cumpri o meu papel
Porém você foi cruel
Não defendeu nosso lar.

Não seja tão teatral
Nem chore no meu caixão
Eu já conheço de cor
O ator e a atuação
Já vivi tão desolada
Deixe- me ir sossegada
Tenha por mim compaixão.  

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 04 de abril de 2017

QUEM SUSPIRAVA POR MIM AGORA RONCA AO MEU LADO

 

QUEM SUSPIRAVA POR MIM

ASGORA RONCA AO MEU LADO

*

GREGÓRIO FILOMENO

Tem alegria e crueza

A vida que a gente passa

A juventude tem graça

A velhice tem tristeza

Quem teve tanta beleza

Ver-se agora em mau estado

Quem foi rosa no passado

Hoje é talo de capim

QUEM SUSPIRAVA POR MIM

AGORA RONCA AO MEU LADO.

 

*

DALINHA CATUNDA

Pois a vida é deste jeito

E não tem como negar

Quem viveu pra me amar

Continua no meu leito

Mesmo sendo bom sujeito

Ele tem me atazanado

Toda noite tem peidado

Enfestando o camarim

QUEM SUSPIRAVA POR MIM

AGORA RONCA AO MEU LADO.

 

*

Foto de Dalinha Catunda

Amigos, apenas uma brincadeirinha de poetas.   Não sabemos o autor do mote. Se alguém souber colocaremos a autoria.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 02 de abril de 2017

PEGA NO SERTÃO

PEGA NO SERTÃO

*

É vaqueiro é boiada

É caatinga é barbatão

É o suor escorrendo

É boi preso no mourão

É espinho de jurema

É o gemido da ema

É a saga do sertão.

*

O vaqueiro entra na mata

Campeando sai ferido

Mete a espora ganha o boi

E num aceno atrevido

Seguindo seu coração

Cavalga com emoção

Rumo ao amor proibido.

*

E depois do boi no chão

Depois da queda bendita

O vaqueiro apaixonado

Olha pra moça bonita

Apos tirar o chapéu

Pra ela entrega o troféu

Que alegre nem acredita.

*

Nas contendas do agreste

Nas pelejas do sertão

O vaqueiro aguerrido

Tem no laço precisão

Mulher só laça na manha

O boi derruba na sanha

E se sagra campeão.

*

 

Foto e versos Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 26 de março de 2017

JESUS E A ESTRELA BORRADA

 

JESUS E A ESTRELA BORRADA

*

O povo tem na memória

Vida e morte de Jesus

Morreu pregado na cruz

Assim diz a sua história

Foi para o reino da glória

Depois da condenação

E naquela ocasião

Jesus foi acompanhado

Um ladrão de cada lado

E não com uma facção

*

Quem tem popularidade

E compara-se a Cristo

Achando que é bem quisto

Sem medir a realidade

Cai é na comicidade

E de vez se destrambelha

Mancha a estrela vermelha

Que perdeu o seu fulgor

Sem altar e sem andor

Luta por uma centelha.

*

Julga-se tão popular

Tal Jesus de Nazaré

E pra se manter de pé

Chega até a ironizar

Abre o berreiro a chorar

Para causar comoção

Mas teme ir pra prisão

Onde estão seus parceiros

Chamados de companheiros

Ligados a corrupção.

*

Vertsos de Dalinha Catunda


EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda quinta, 23 de março de 2017

O PAI DA TRANSPOSIÇÃO

Escorre com seu lamento
O Chico tão disputado.
Que teve em seu traçado:
Falsificado orçamento,
O superfaturamento,
Fraude na indenização,
Que saiba a população
Lembrar não é proibido:
É pai em todo sentido
O pai da transposição.

"


EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda terça, 21 de março de 2017

SIMPLESMENTE OUTONO
 


Foto da colunista

Um resto de sol se esconde
Na tarde que já findou.
A brisa ronda meu corpo
Seu bafejo me inspirou.
Morre o dia e vem a noite
Neste outono que chegou.

A zanga do sol se abranda
E a vida muda de cor.
Sou árvore perdendo folhas
Mas sinto novo sabor.
Pra cada folha caída,
Nova folha irei repor.

Outono hora de mudança,
Tempo de transformação.
Momento de se aprender
A cantar nova canção.
Onde os acordes emanem
Do fundo do coração.


EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda segunda, 20 de março de 2017

SEM CARNE E SEM PAPELÃO
 


VOU LOGO AVISAR:

Prefiro comer Preá
Galinha,Camaleão,
Tripa de Bode,Jabá
Ou um bife do Oião
Rolinha,Curimatã
Carne de Teiú e Rã
Passarinha,Camarão,
Ou espetinho de Gato.
Só não ponha no meu prato
Mistura com papelão.

Rainilton de Sivoca

* * *

EU VOU AVISAR TAMBÉM:

Depois dessa confusão
Só sirvo bicho de asa
Carne aqui em minha casa,
Não deixo entrar mais não
Vou mudar a refeição
Novos tempos novo rito
Já pelei o periquito
A rola já ta na mão
No fogo e na pressão
Faço um rango sem atrito.

Dalinha Catunda


EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda sábado, 18 de março de 2017

CARNE MIJADA

Seu José chegou em casa
Doidinho para almoçar
A mulher mais que depressa
Acabou de preparar
E quando botou na mesa
Ela teve uma surpresa
Ele não quis degustar.

Mulher eu vou lhe dizer
E preste muita atenção
Carne eu não como mais
Pode ir fazer um baião
Carne anda adulterada
Não como carne estragada
Inda mais com papelão.

A mulher aborrecida
Logo quis ficar zangada
Ele levantou a voz
E ela ficou calada
Uma coisa vou dizer
Carne aqui eu vou comer
Só se for carne mijada.

 

EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda quinta, 16 de março de 2017

SURUBA NO CABARÉ
 

Valei-me meu São Francisco
Das Chagas de Canindé
Sou uma mulher devota
É bem grande a minha fé
Proteja nossa nação
Pois sem sua proteção
Vai virar um cabaré.

A meu “Padim Pade Ciço”
Eu peço discernimento
Pra falar duma suruba
A notícia do momento
Mesmo sem ser convidado
O povo foi enrabado
Na onda do movimento.

Tudo isso aconteceu
Na terra de Santa Cruz
E a orgia foi maior
Do que eu mesma supus
O poder mancomunado
Com o país dominado
Fumo no povo introduz.

Tudo virou sacanagem
Tudo virou putaria
A propina que rolava
Aos poucos se descobria
Com a tal da delação
Já surgiu tanto ladrão
Que a lista me arrepia.

No cabaré da Banânia
Na suruba nacional
Quando a coisa ficou feia
Já surgiu a federal
Quem escondido comia
E entrou na anarquia
Essa lista foi fatal.

O jogo da sacanagem
Agora tá empatado
Não adianta se alterar
Entre o sujo e o mal lavado
E entre cada facção
Navega nossa nação
Com rato pra todo lado.


EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda domingo, 12 de março de 2017

SAUDADE TEIMOSA

 

 

*

SAUDADE TEIMOSA

Peguei a minha saudade

Enfiei numa caixinha

Sabendo de onde vinha

Quis enterrar de verdade

Mas ela muito a vontade

Não saiu do coração

Dele fez sua pensão

E se instalou por inteira

Hoje trago essa posseira

Viva na recordação.

*

Décima e foto de Dalinha Catunda


EU ACHO É POUCO - Dalinha Catunda sábado, 11 de março de 2017

GLOSAS
 


Quem botou Temer pra dentro
Não pode botar pra fora.

Mote de Gregório Filomeno

* * *

Desde o velho MDB.
Em bons políticos votei
Em Collor, Temer, Sarney
Quem votou foi o PT.
Não sei agora porque
Surgiu esse arranca e tora
Nesse fuzuê de agora
Nem de brincadeira eu entro
Quem botou Temer pra dentro
Não pode botar pra fora.

Gregório Filomeno

Foi com Temer abraçada
Que Dilma subiu a rampa.
Feito panela com tampa
A dupla andava encangada.
PT na mesma jogada,
Essa união Comemora,
Agora a facção chora…
E no mote eu me concentro:
Quem botou Temer pra dentro
Não pode botar pra fora.

Dalinha Catunda

"


Busca


Leitores on-line

Carregando

Arquivos


Colunistas e assuntos


Parceiros