Almanaque Raimundo Floriano
Fundado em 24.09.2016
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, dois genros e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 18 de dezembro de 2020

NÃO ME AVEZE NÃO! (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: 1 pessoa, chapéu e atividades ao ar livre

NÃO ME AVEXE NÃO!
Dalinha Catunda
*
De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.
*
Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.
*
Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência
*
Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 16 de dezembro de 2020

A RONDA DA PESTE (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

A RONDA DA PESTE

Da Peste vejo sinais,
E eu faço o sinal da cruz!
Vestida em negro capuz,
Ceifando em seus rituais,
Com as vassouras letais.
Que os ancinhos ela traga,
Para amenizar a praga
E a esperança devolver.
Chega de tanto morrer:
Nesse barco que naufraga.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 11 de dezembro de 2020

BORDANDO VERSOS (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

BORDANDO VERSOS

Mote e foto desta colunista

Dalinha Catunda:

Como quem faz um bordado
Vou fiando meu cordel
Procurando ser fiel
Tramo com todo cuidado
Cada ponto do traçado
Faço com dedicação
Trago a metrificação
Pra cada verso compor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Bastinha Job:

Procuro tecer meu verso
Primando na isometria
Busco a isorritmia
Poesia é meu universo
Na mensagem me alicerço
Daí vem pura emoção,
Catarse, satisfação
Compromisso no lavor:
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Jesus de Ritinha:

Eu entro na brincadeira
Agricultando poesia
Plantando com alegria
A semente brotadeira
Levo também uma esteira
Que estendo com a mão
Para dessa plantação
Colher frutos de primor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

David Ferreira:

Não entendo de bordado,
mas eu vi mamãe tecer.
Não consegui aprender,
porquê homem do cerrado
não podia ser prendado,
fazer bordado de mão,
pisar arroz no pilão,
era visto com temor…
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Rosário Pinto:

Faço rima faço prosa.
Procuro ter alegria.
O meu cantar se irradia
Para alguns me chamo Rosa
Eu gosto de fazer glosa
Não conheço a solidão
Trago sempre uma canção
Canto com muito fervor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Vânia Freitas:

Dedico meu tempo à arte
Eu faço que nem Dalinha
Também não saio da linha
Vou fazendo minha parte
Assim como ela reparte
Com muita dedicação
Eu tiro do coração
Algum som do meu tambor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Gevanildo Almeida:

Tiro o verso da cachola
Faço ele flutuar
Sou poeta popular
Desses que não se enrola
Só não sei tocar viola
Mas na minha intuição
Metrifico a oração
Na verso que vou impor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Francisco Chagas:

Eu descrevo a natureza.
O sol, a lua e estrelas.
Eu tenho o prazer de vê-las.
Se eu tiver com tristeza.
Quando olho pra grandeza.
Do Deus Pai da Criação.
Sinto no meu coração.
Muita alegria e vigor
Faço rima com amor.
Faço cordel com paixão.

Rivamoura Teixeira:

Eu sou mei intrometido
Doido levado da breca
Quero brincar de peteca
E este tema é tão querido
Eu também tenho mantido
Esta forma de expressão
Traço com dedicação
Metrifico com fervor
Faço rimas com amor
Faço cordéis com paixão

Creusa Meira:

Na infância fiz bordado
Que a minha mãe ensinava
Tricô e renda, eu tentava
E meu pai tinha guardado
Os versos do seu passado
Eu lia com atenção
Fui aprendendo a lição
E hoje posso dar valor
Faço rima com amor.
Faço cordel com paixão.

José Walter Pires:

Viver “pintando e bordando”
Foi expressão popular;
Mas não sei como explicar,
Às meninas, comparando,
Ou só ficar criticando
Os rumos da evolução,
Com tamanha tentação,
Desafiando o pudor.
Faço rima com amor.
Faço cordel com paixão.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 08 de dezembro de 2020

COMADRE, INTÉ OUTRO DIA (VÍDEO COM A MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, CORDELISTA E COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

COMADRE, INTÉ OUTRO DIA

Parodiando Zé Praxedes

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 05 de dezembro de 2020

GLOSANDO NA REDE (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

GLOSANDO NA REDE

Dalinha Catunda

 

Ciranda de glosas com mulheres, coordenada por esta colunista, idealizadora do Cordel de Saia

* * *

Mote de Medeiros Braga:

Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil

* * *

Dalinha Catunda – Rio de Janeiro-RJ:

Berço da mulher rendeira,
E de Maria Bonita.
A Raquel trouxe na escrita
Maria Moura Guerreira,
A força da brasileira,
A que enfrentou cada ardil!
Mostrando bem seu perfil
De forte mulher do agreste:
Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil

Bastinha Job – Crato-CE:

O Ceará de Alencar
De Peri, de Iracema,
De Ceci prosa em poema
Do verde-azul do mar;
Tem o Ferreira Goulart,
Gonzagão, Gilberto Gil,
Patativa é nota mil
Nossa Arte é inconteste:
Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil

Vânia Freitas – Fortaleza-CE:

O nordeste brasileiro
Banhado de sol e mar
Tem nas noites de luar
O canto do violeiro
Que embala nosso terreiro
Com seu verso mais sutil
Que encanta com mais de mil
O sul norte leste e oeste
Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil

Rosário Pinto – Rio de Janeiro-RJ:

A mulher faz seu papel
Escreve com linhas finas
Histórias de heroínas
Maneja bem o pincel
Em versos de menestrel.
São muitas na poesia,
E na prosa, em demasia,
Nos romances, mais de mil.
Do Norte até o Leste
Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil

Dodora Pereira da Silva – Juazeiro-CE:

Mulher guerreira e forte
Enfrenta o sol causticante
Com um sorriso intrigante
E o amor é seu suporte
O poeta é que tem sorte
Essa musa é nota mil
Contrastando o céu de anil
Com esse seu solo agreste
Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil

Lindicássia Nascimento – Barbalha-CE:

O Nordeste brasileiro
É de fato um braço forte
Esse país tem é sorte
Por não ser do estrangeiro
Sendo bravo e tão guerreiro
De arte e belezas mil
Nós traçamos o perfil
Do rico cabra da peste
Não fora nosso Nordeste
Seria pobre o Brasil


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 04 de dezembro de 2020

TROVAS NATALINAS (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

TROVAS NATALINAS

Dalinha Catunda

Nenhuma descrição de foto disponível.

 

TROVAS NATALINAS
*
Natal é tempo de luz,
Luzindo com alegria.
Em louvor ao bom Jesus
Filho da virgem Maria.
*
Filho da Virgem Maria
Tão amado por José.
Brilhou a estrela guia,
Para o rei de Nazaré.
*
Para o rei de Nazaré
O galo cantou também,
Aqueles que tinham fé
Logo disseram amém.
*
Logo disseram amém,
Ao rei dono da verdade,
Que nasceu lá em Belém
Pra nossa felicidade.
*
Versos de Dalinha Catunda
Arte de
Klévisson Viana

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 30 de novembro de 2020

DEVANEANDO, VÍDEO COM A CORDELISTA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO

 

DEVANEANDO

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 23 de novembro de 2020

A MENSAGEM (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

A MENSAGEM

Dalinha Catunda

 

Ao pegar meu celular
Mensagem sua encontrei
Sem querer acreditar
O seu lamento escutei
Sem duas vezes pensar
Seu áudio eu deletei.

Não me fale de saudade,
Pois não terei compaixão
Você não teve piedade
Ao ferir meu coração
Com toda sinceridade
Em mim não restou paixão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 06 de novembro de 2020

SABORES DO MEU SERTÃO (FOLHETO DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto que diz "PROJETO SESC CORDEL SABORES DO MEU SERTÃO Autoras Dalinha Catunda Abril Ediçao 131"

SABORES DO MEU SERTÃO
Dalinha Catunda
1
A musa peço que ative
Meu gosto meu paladar
Dos sabores do sertão
Tenho fome de falar
Sou poeta e cozinheira
Sou nordestina matreira
Meus versos sei temperar.
2
Nossa culinária é rica
E vem trazendo o aval
Do índio que praticava
O alimento natural
Do negro com seu encanto
Cozinhando para o santo
Ao sabor do ritual.
3
Nosso colonizador
De origem portuguesa
Implantou o seu cardápio
Recheado de riqueza
No alimento essa nação
Fez a miscigenação
Que deu certo com certeza.
4
Essa mistura de raça
Deu gosto a nossa comida
Gostosa bem temperada
Bem aceita ao ser servida
É na regionalidade
Que temos variedade
Quem já provou não duvida.
5
Trago na minha memória
O sabor da minha terra
O tempero de mamãe
Que a saudade desenterra
Aguço meu pensamento
Para cantar como alento
Um tema que não emperra.
6
Vou falar das Ipueiras
Vou falar do Ceará
Dos sabores que provei
Quando morava por lá
Das frutas e iguarias
Dos motivos de alegrias
Que o cordel suscitará.
7
Lá tem cabeça de galo
Que de galo nada tem
É um caldo bem gosto
Que sei fazer muito bem
É um desjejum ligeiro
Um caldo que só o cheiro
Faz o freguês ir além.
8
É o tal levanta defunto
O caldo da caridade
Feito na base do ovo
Coentro leva a vontade
Engrossado com farinha
Vai cebola e cebolinha
Revigora de verdade.
9
O cearense da gema
Não fica no ora, pois
Não falta em sua panela
Por nada o baião de dois
Que com queijo é temperado
Seja soltinho ou ligado
Ninguém deixa pra depois.
10
A galinha caipira
Com farofa ou com pirão
É comida de domingo
E acompanha o macarrão
No óleo e alho passado
Por cima queijo ralado
Não tem melhor refeição.
11
Tão simples tão saborosa
Destaca-se a malassada
Guloseima sertaneja
Que bem lembra uma fritada
O gosto é uma beleza
Ela cabe em qualquer mesa
Que seja ou não recheada.
12
Com feijão milho e toicinho
Com pé de porco e costela
E com linguiça das boas
Faz-se uma boa panela
Do famoso mungunzá
Comida melhor não há
Não tem quem não goste dela.
13
É feita com carne seca
A paçoca do sertão
E leva cebola roxa
Em sua preparação
E na carne bem torrada
Farinha é acrescentada
Depois pisa no pilão.
14
Comida pra todo gosto
No sertão é encontrada
Temos Maria Isabel
E a gostosa panelada
Feijão de corda e de moita
E pra gente mais afoita
Nós temos mesmo é buchada.
15
O cuscuz feito de milho
É servido em todo lar
Bem cedinho no café
Na hora de merendar
Com nata, café ou leite
Pão de milho é um deleite
No almoço e no jantar.
16
Com feijãozinho amassado
Já comi em meu sertão
Com carinho e com afeto
O famoso capitão
Que fazia minha tia
E a meninada aprendia
Comer ele com a mão.
17
Quem ainda não comeu
Precisa experimentar
A tapioca de goma
Gostosa, posso afirmar
Produto da mandioca
Essa nossa tapioca
Eu como sem me cansar.
18
Arroz de leite, arroz doce
Na minha vida singela
Comi de lamber os beiços
Borrifado com canela
E chegava até brigar
Somente para raspar
O pregado da panela.
19
Na safra do milho tem,
Milho cozido e assado
Tem angu de milho verde
Colhido em cada roçado
Tem pamonha, tem canjica
Mesa farta, mesa rica
Traz inverno abençoado.
20
O velho bolo manzape
Na folha da bananeira
A meninada comprava
Quando era dia de feira
Era um bolo singular
Nunca deixei de gostar
Na lembrança ainda cheira.
21
A feira eu também ia
Comprar caju e cajá
Pitomba vinda serra
Cajarana e cambucá
Na barraquinha eu parava
Caldo de cana eu tomava
Bons tempos no Ceará.
22
Sem doce não se passava
Para adoçar nossa vida
Além de doces em calda
Tinha alfenim e batida
Também tinha com fartura
Pra merendar rapadura
Sobremesa preferida
23
O doce que eu mais adoro
É doce de buriti
Tanto como em Ipueiras
Como aqui no Cariri
Numa bonita embalagem
Eu comprei numa viagem
Quando fui ao Piauí.
24
O gosto pelo pequi
Eu peguei mesmo no Crato
Com maxixe e macaxeira
Com quiabo é um bom prato
Eu como de repetir
Na casa de Josenir
Aonde tenho bom trato.
25
Pato, peru e capote
Encantam meu paladar
Com farofa de cuscuz
Não tem como recusar
Lá em casa no terreiro
Tinha um bom galinheiro
Para nos alimentar.
26
Jerimum e macaxeira
Batata doce cozida
Era o acompanhamento
Pra variar a comida
Para falar a verdade
Mesmo na simplicidade
Eu não passei mal na vida.
27
Um refresco diferente
Eu tomava em meu sertão
Nas velhas festas juninas
Nas fogueiras de São João
Igual a ele não há
É chamado de aluá
Tem gosto de tradição.
28
Puxando pela lembrança
Fica fácil recordar
A farinha de pipoca
Que eu chegava a me entalar
Rosca chamada “trucida.”
A palma nunca esquecida
Como é gostoso lembrar.
29
Não sai da recordação
O menino com seu grito
Vendendo pelas calçadas
Na tábua seu pirulito
Faz parte da minha história
Guardei na minha memória
O meu passado bonito.
30
Ainda de guloseimas
Palma, bulim, e cocada,
Tinha a bolacha fogosa
Pé de moleque e queijada
Peito de moça era um pão
O creme melava a mão
Eu não me esqueço por nada.
31
Eu jamais posso esquecer
Dos peixes que lá provei
Traíra e curimatã
Com elas me alimentei
Ova cozida ou assada
E piaba bem torrada
No sertão me empanturrei.
32
Fiquei com água na boca
Nessa viagem que fiz
Passeando em meu passado
Novamente fui feliz
Os sabores do sertão
Mexem com minha emoção
E eu saudosa peço bis.
Fim
Cordel de Dalinha Catunda

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 27 de outubro de 2020

NOS TRILHOS DA MOCIDADE (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

NOS TRILHOS DA MOCIDADE

Dalinha Catunda

Foto desta colunista

O velho trem da saudade
Resolveu me visitar
Na bagagem a lembrança
É tanta, chega a pesar
Abro a porta do vagão
E deixo a recordação
Pelos trilhos me guiar.

Êta saudade danada
Que bateu, mas foi de mim
Menina moça levada
Batom da cor de carmim
Faceira e desaforada
Pela vida apaixonada
Como eu gostava de mim.

Nas tertúlias da cidade
Era a primeira a chegar
Pra “tirar uma fornada”
Com quem soubesse dançar
Dançava bem um brecado
Um bolero apaixonado
E sem “macaco botar.”

Short curto, minissaia
Era assim que eu me vestia
Minha mãe era moderna
E para minha alegria
Gostava de costurar
E a gente podia usar
A roupa que bem queria.

Passear de bicicleta
Era outra diversão
Cidade do interior
Ipueiras, meu sertão
Banhos de açude e de rio
Quando recordo sorrio
Fui feliz em meu rincão.

Passei por cima de tudo
Pra viver em liberdade
Desdenhei até das leis
Da nossa sociedade
Liberta da hipocrisia
E sem precisar de guia
Vivi só minha verdade.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 19 de outubro de 2020

EXALTANDO A NATUREZA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

EXALTANDO NATUREZA

Dalinha Catunda

 

Fotos da colunista

Eis-me aqui neste recanto
E sem arrependimento
Dos pássaros ouço o canto
Bendigo cada momento
A brisa traz acalanto
Viajo no pensamento.

Desfruto dessa bonança
No verde desse lugar
No peito cresce a esperança
Assim me ponho a sonhar
Nos passos da nova dança
Danço sem me alvoroçar.

Contemplando a natureza
Obra de Nosso Senhor
Onde a lua é realeza
Onde o sol tem esplendor
Celebro toda beleza
Nesses meus versos de amor.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 11 de outubro de 2020

UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS

Dalinha Catunda

 

Cachoeiras de Macacu-RJ, 9/10/ 2020


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 09 de outubro de 2020

RODILHA E POTE (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

Nenhuma descrição de foto disponível.

NUNCA PEGUEI NA RODILHA

MAS TOMEI ÁGUA DE POTE

Dalinha Catunda

 

Espie, um magote de nordestino glosando mais eu!
 
*
Nunca peguei na rodilha,
Mas tomei água de pote
*
Sou natural do Nordeste,
Nascida no Ceará.
Aprontei muito por lá
Na minha vidinha agreste
Aticei cabra da peste
Pra comigo dançar xote
Dançava, dava pinote,
Sem me assustar com braguilha.
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
Dalinha Catunda
*
Guardo vivos na lembrança
Momentos especiais
De folguedos nos quintais
Do meu tempo de criança
Havia também cobrança
Que eu cumpria sem fricote
Enrolava um saiote
Para apoiar a vasilha
Eu já usei a rodilha
E tomei água de pote.
Creusa Meira
*
Nasci na Vila do Amaro
terrinha que me cativa
Recebi de Patativa
o conselho e o amparo
o bafejo do seu faro
inspirou também meu mote
na décima atei meu bote
e fiz essa redondilha:
NUNCA PEGUEI NA RODILHA
MAS TOMEI ÁGUA DE POTE!
Bastinha Job
*
Eu nasci na capital,
mas a coisa era apertada,
não tinha água encanada,
só um poço no quintal.
Dali bebia animal,
galinha, pato e capote,
gente grande e meninote,
o pai, a mãe e a filha.
Nunca peguei na rodilha,
Mas tomei água de pote.
Marcos Mairton
*
Eu nasci em Maceió
Estado das Alagoas
ao qual teço minhas loas
sempre que eu vou por lá
pra tomar banho de mar
eu vou remando meu bote
e me lembrando que um mote
quebrou a minha setilha
nunca peguei na rodilha
mas tomei água de pote
Fred Monteiro
*
Que você dava pinote,
Isso eu não creio, não,
Mulher do seu gabarito,
Aguenta qualquer rojão,
Mulher da melhor estirpe,
Das que há no meu sertão.
Zé da Paraiba
*
Eu não nasci no nordeste.
Tenho o sangue misturado.
Paraíba, por um lado,
e Minas Gerais, sudeste.
Urbanóide e não agreste,
de bolero a fox-trote
dancei desde meninote
e até mesmo quadrilha.
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
Hardy Guedes
*
Por visto a minha vidinha
foi mais simplória que a sua:
brinquei de roda na rua,
de peteca e amarelinha;
- Mas que insolência a minha -
vou modificar seu mote,
preste atenção e anote:
fui além da sua trilha,
porque peguei na rodilha
e tomei água de pote!
Nezite Alencar
*
Também nasci no Nordeste
Bem ao sul do Ceará
Ainda vivo por cá
Levo uma vida campestre
Faço rima feito a peste
É só me mandar o mote
Que o verso sai em pacote
Enfeitado com presilha
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
(Anilda figueirêdo)
*
Lembro o banco de aroeira
Lá da casa de vovó
O jirau, o caritó
A antiga cantareira
A jarrona revedeira
Caneco boca em serrote
E pra completar meu mote
Vejo a surrada mantilha
Nunca peguei na rodilha
Mas bebi água de pote.
Josenir Lacerda
*
Eu também sou do Nordeste
E jamais saí daqui
Escolhi o Cariri
Que me acolhe e me reveste
Luar do sertão celeste
Da fogueira e do pinote
Quixotesco de um xote
Ancorado na forquilha
Nunca peguei na rodilha
Mas bebi água de pote.
Ulisses Germano
*
Sou caboclo nordestino
Do brejo Paraibano,
Do martelo alagoano,
Violado com refino,
Exaltando Virgulino
O mensageiro da morte,
Este sertanejo forte,
Tão pouco leu a cartilha.
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
Ivamberto Albuquerque
*
Foto e mote de Dalinha Catunda,
Postagem com poetas convidados

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 30 de setembro de 2020

EI! PSIU... (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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EI! PSIU...

Dalinha Catunda

 

 

Ei! Você pode dar psiu,
Vou achar que assédio, não!
Só vou pensar que você,
Quer chamar minha atenção.
Se eu gostar, eu vou sorrir,
Se não gostar vou seguir
Sem achar que é transgressão.
Ei! Você pode, sim, me olhar,
Olhar não tira pedaço,
E não vai me incomodar.
Me olhe sem embaraço,
E quem sabe se eu quiser
Pode pintar um affair
Não sou de estardalhaço.
Ei! não deixe de ser chistoso,
Não adira ao desencanto,
Não desista da conquista,
Faça aposta no acalanto.
Pra quem fomenta emoção,
E quer sim, em vez de não,
Sabe bem guiar seu canto.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 24 de setembro de 2020

ENCRENCA COM MULHER (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

ENCRENCA COM MULHER

Dalinha Catunda

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ENCRENCA COM MULHER
*
DALINHA CATUNDA
Bardo que não tem cautela
Tira da boca a tramela
Mas de repente amarela
Na quebrada da rotina
Pois a mulher na porfia
Com astúcia desafia
E o homem nem desconfia
Da esperteza feminina.
*
BASTINHA JOB
Cutucar com vara curta
A onça se espanta e surta
A valentia se furta;
O arrogante sequer
Dessa teia não escapa
Perdeu a mina e o mapa
Da Musa levou um tapa
Respeita, macho, a Mulher!
*
DALINHA CATUNDA
Cabra que arranha viola
Com estrume na cachola
Na merda sempre se atola
Por não saber acatar
O canto de espinho e flor
Que chega trazendo ardor
E não pede, por favor,
Para com macho cantar.
*
JOSÉ WALTER
Êta, Dalinha, danada
Que jamais perde parada
Ao se mostrar preparada
Pra qualquer situação
Dando nó em pingo d’água
Sabe cantar sem ter mágoa
Nem a tristeza deságua
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.
*
DALINHA CATUNDA
Meu amigo sou nojenta
Tenho cabelo na venta
E pouca gente aguenta
Quando entro em ação
Eu canto até ficar rouca
Se o bardo dormir de touca
Morre e não me deixa louca
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.
*
JERSON BRITO
Eita que mulher valente
Quero ver cabra que enfrente
Essa dama do repente
Braba feito uma leoa
De versos fonte infinita
Dalinha tá bem na fita
Porque sempre sua escrita
Como melodia soa.
*
DALINHA CATUNDA
Eu não conheço fadiga,
Não fujo da boa briga,
Não sou mulher com intriga,
Mas não sou de calmaria!
Na hora de pelejar
Gosto do nó apertar
Pra ver verso estrebuchar
Nos braços da poesia.
*
CREUSA MEIRA
Homem, respeite Dalinha
Tome sua caipirinha
Vá brigar na sua rinha
Onde só tem confusão
Não irrite a minha amiga
Que ela nem gosta de briga
Fuja de qualquer intriga
Nos oito pés de quadrão.
*
DALINHA CATUNDA
Porém se quiser chegar
Vá chegando de vagar
Não vai dar pra se espalhar
Na minha jurisdição
Não queira me ver irada
Pois baixo mesmo a porrada
E saio dando risada
Nos oito pés de quadrão.
*
MARIA ELI
Seguimos nessa jornada
Lembrando a macharada
Que respeite a mulherada
Não brinque com sua loa
Que um motim iniciou
Buliu com uma danou
E com todas se lascou
Pois ninguém verseja a toa.
*
DALINHA CATUNDA
Eu vou contar um segredo
Cabra pra me fazer medo
Nem precisa vir azedo
Pois eu sou é de amargar
Eu mato o vate na unha
Provoco boto alcunha
E usando de mumunha
Faço o sujeito chorar.
*
VÂNIA FREITAS
Da caneta faço espora
O verso faço na hora
Para chegar sem demora
Esbanjando o meu versar
Sonora como uma fonte
Eu me junto com este monte
De mulher que traz na fronte
A arte de bem cantar.
*
DALINHA CATUNDA
Risco verso é na peixeira
No traçado sou ligeira
Acabo sendo a primeira
Na hora de um debate
Por gostar duma disputa
Vou preparada pra luta
Trago a mulher pra labuta
Pra seguir nosso combate.
*
DAVID FERREIRA
Quem se acha todo macho,
não tem medo de esculacho,
é melhor baixar o facho...
Quem avisa, bem lhe quer.
O melhor que a gente faz
é ser fino... Perspicaz...
Pois, quem quer viver em paz,
não encrenca com mulher.
**
DALINHA CATUNDA
David já chegou com manha
É homem que não se acanha
De mulher jamais apanha
Pois conhece seu lugar
Chegou com diplomacia
Num verso de voz macia
Como quem acaricia
Gata pra não lhe arranhar.
*
DAVID FERREIRA
Toda mulher de verdade,
pelo voto à liberdade,
nutre a sensibilidade
qu'há de ter um grande amor...
Já o homem, infelizmente,
sendo ou não inteligente,
nele incute, ingenuamente,
qu' é um ser superior...
*
DALINHA CATUNDA
A mulher em seu roteiro
Quer apenas um parceiro,
Um amante, companheiro.
Não um dono, um senhor.
Não quer viver em prisão
Detesta a submissão
Quer fazer sua oração
Sem ser a santa no andor.
*
DAVID FERREIRA
Tenho uma que é valente,
me cativa docemente,
mas tem hora que, somente
Deus do céu, pra lh'a acalmar.
Basta eu demorar fora,
não voltar conforme a hora...
Quebra um pau, pega uma tora
e, ai de mim, se eu gaguejar...
*
DALINHA CATUNDA
Deixo a porta sem tramela
E nem fico na janela
Só pensando em esparrela
Se tarde ele vai voltar...
Enquanto eu for importante!
Serei esposa e amante,
Vou esperar radiante,
Sem pensar em controlar.
*
JOSÉ WALTER
Essas gralhas encrenqueiras
Não resistem brincadeiras
Logo viram barraqueiras.
E se ofendem sem razão.
Se não faz mal perguntar
Para poder me calar
O que deixaram passar?
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO
*
DALINHA CATUNDA
Em cada pé que versei
Eu rimei, metrifiquei,
Cantei mas não relinchei
Pra não perder a razão.
Porém sei que fiz besteira
Deixei aberta a porteira
E entrou a crina coiceira
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO
*
CREUSA MEIRA
Zewalter, tome cuidado
O terreno é complicado
É mehor ficar calado
Pra não perder a razão
Dalinha não dá vacilo
Tem amigas no estilo
Aqui ninguém dá cochilo
Nos oito pés de quadrão
*
Xilo de Cícero Lourenço, para do meu cordel: Mulher na Panela do Repente.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 18 de setembro de 2020

LOUVANDO MADRINHA MENA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

LOUVANDO MADRINHA MENA

Dalinha Catunda

 

1
Conheci Madrinha Mena
Vendendo cordel na praça
Recebeu-me com sorriso
E conversava com graça
Fizemos logo amizade
E daquelas de verdade
Que o tempo não embaraça.
2
Foi ela quem me levou
Ao seio da Academia
Lá comecei declamando
Quando o momento pedia
Com grande satisfação
Eu via lá no salão
A madrinha que aplaudia.
3
Muitas vezes voltei lá
Porque vi sinceridade
O tempo foi reforçando
A nossa boa amizade
Que cultivo com carinho
Mena foi um bom caminho
Que trilhei nessa cidade
4
Hoje na ABLC
Posso bem assegurar
Foi o encontro com Mena
Que garantiu meu lugar
Esse encontro nordestino
Forjado pelo destino
Pra minha sorte traçar.
5
Por isso nesse cordel
Com muita satisfação
A Madrinha dos Poetas
Faço minha louvação
A musa peço passagem
Pra dizer nessa mensagem
O que dita a emoção.
6
Cearense do Ipu
Maria do Livramento
Era mais uma migrante
Fugindo do sofrimento
Foi no Rio de Janeiro
Que conheceu seu parceiro
E deu certo o casamento.
7
Mena sofreu no passado
Mas seu presente reluz
Ninguém passa a vida inteira
Apenas levando cruz
Sua vida não foi só fel
Apareceu o cordel
Pra dar brilho a sua luz.
8
Com seu Gonçalo Ferreira
Livramento se casou
Tendo um marido poeta
Ao cordel se dedicou
Essa guerreira Maria
Na feira cordel vendia
Três filhos assim criou.
9
Sendo Gonçalo poeta
Dona Mena violeira
Do céu caiu pra Gonçalo
Uma bendita parceira
Muito feliz vive Mena
A vida pra ela acena
Na morada da ladeira.
10
Quando ela afina a viola
Eu peço minha cantiga
É do tempo do cangaço
Gosto de música antiga
E sai “Maria Bonita”
Ela canta até faz fita
Para agradar a amiga.
11
Do cordel primeira dama
Viaja o Brasil inteiro
A cearense brejeira
Não se perde no roteiro
Gonçalo faz a palestra
O cordel vende a mestra
Apurando seu dinheiro.
12
Do cordel apologista
Dele faz sua leitura
Vende, difunde folheto
Promove a literatura
Quando o rapa era cruel
Brigou pra vender cordel
Pois defende essa cultura.
13
Sua paixão pelas cordas
Vem dos tempos de menina
Dedilhar uma viola
Mas que paixão era sina
Amante da cantoria
No Ceará assistia
Essa moda nordestina
14
Madrinha Mena faz parte
Das damas da Academia
Sua presença marcante
É fato que contagia
Em sua simplicidade
Carrega a voz da verdade
Na casa da poesia.
15
Mena não manda recado
Quando está incomodada
Tem fibra de sertaneja
E não engole calada
Sabendo que tem razão
Nos outros passa carão
Mas sem ser desaforada.
16
Mena merece respeito
Muita atenção e carinho
Pois em toda essa jornada
Gonçalo não está sozinho
Ela está sempre do lado
Se desmanchando em cuidado
Até abrindo caminho.
17
O cordel com os patronos
Madrinha idealizou
Sei que muitos cordelistas
Seu sonho realizou
Fazendo com poesia
A dita biografia
Que Mena arquitetou.
18
Mais de uma cordelteca
Leva o nome da Madrinha
Que tem no peito o cordel
Junto com ele caminha
Mena Merece um troféu
Pra ela tiro o chapéu
Nessa minha louvaminha.
19
É ela Madrinha Mena
Que mantém a tradição
No mês de setembro tem
Festa, viola e baião,
Poetas, muita alegria
Nos anos da Academia
Não falta celebração.
20
Eu louvo Madrinha Mena
Por sua disposição
Pelo amor ao cordel
Pela viola na mão
Pelo seu canto aberto
Que quero ouvir de perto
Pra relembrar meu sertão.
21
Eu louvo Madrinha Mena
Que vive em Santa Tereza
Que sobe e desce ladeira
E toda sua riqueza
Consiste em participar
Da cultura popular
Que se traduz em beleza.
22
Eu louvo Madrinha Mena
Por sua língua afiada
Pela sua rebeldia
Por não se calar por nada
Por querer o seu espaço
Um sorriso, um abraço,
Ser também valorizada.
23
Eu louvo Madrinha Mena
A Madrinha dos poetas,
A mãe, esposa e mulher,
Que cumpre bem suas metas
Devota da academia
Guerreira e anjo guia
De atitudes corretas.
24
Eu louvo Madrinha Mena
E louvo de coração
Agradeço a amizade
Confirmo minha afeição
Por isso cara madrinha
Pede-lhe a benção Dalinha
No fim desta louvação.
FIM

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 16 de setembro de 2020

AMANCEBADA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

AMANCEBADA

Dalinha

 

Eu casei na Igreja verde,
A Deus não peço perdão,
Cartório também igreja
Dispensei na ocasião
Eu fiz o meu edital
E não precisei de aval
Ao recusar certidão.
*
Nunca quis ser bem certinha
Nem seguir a procissão
Eu já nasci pecadora
Diz minha religião
Sou batizada e crismada
Nunca fui excomungada,
Mas não gosto de sermão.
*
E quando alguém me pergunta
Se sou solteira ou casada,
Eu respondo bem ligeiro:
Sou mesmo é amancebada!
E vejo quem me arguiu
Fazendo que não ouviu
Saindo desapontada.
*
E não venham me pedir,
Meu álbum de casamento
As bodas disso ou daquilo
Bobagens eu não aguento.
Acho que a felicidade
Se faz com cumplicidade,
E jamais com juramento.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 13 de setembro de 2020

PRA COMER MARIA IZABEL ELE LARGOU MEU CUSCUZ (MOTE E GLOSA DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
Já cansei de repetir
Essa história que hoje conto
Não aumento nem um ponto
Isso posso garantir
Se você quiser ouvir
A Deus peço muita luz
E nos versos que compus
Repito o que diz Raquel:
PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
Esse caso aconteceu
Pras bandas do Ceará
Com Raquel que é de lá
E um sujeito conheceu
Do cuscuz dela comeu
E já gritou: Ai Jesus!
Da comida que seduz
Virou um freguês fiel:
PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
Aqui na minha pensão
Ele vinha todo dia
E demonstrando alegria
Fazia sua refeição
E fez a propagação
Do jeito que lhe propus
Botou foto no capuz
Do seu antigo corcel:
PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
O negócio foi crescendo
Eu ganhava, ele ganhava
A freguesia aumentava
E a propaganda comendo
Porém eu fui percebendo
Algo estranho e me indispus
As garras então repus
Após provar do seu fel:
PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
Traída covardemente
Eu fui e ele nem negou
Disse que se apaixonou
Por um menu diferente
Arroz com carne presente
Que a cozinheira introduz
A minha raiva eu expus
Diante do seu papel:
PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
Quem comeu na minha mão
Sabe que sei cozinhar
Pois tenho bom paladar
E sou boa de fogão
Agora preste atenção
No peso da minha cruz
Foi pior do que supus
A minha saga cruel:
PRA COMER MARIA IZABEL
ELE LARGOU MEU CUSCUZ.
*
Versos e Fotos de Dalinha Catunda

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 10 de setembro de 2020

SERTANEJANDO (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

SERTANEJANDO

Dalinha Catunda

 

Quando escancaro a porteira
Para entrar em meu rincão
A dona felicidade
Faz festa em meu coração
Uma brisa benfazeja
Invade essa sertaneja
Que não esquece o sertão.
*
Cada tarde é deslumbrante
Ver o ocaso acontecer
Por detrás da serra grande
Assisto o sol se esconder
Deixando um resto de luz
Crepúsculo que seduz
No dourado entardecer.
*
Tibungando em minhas águas
Eu vejo o sol desmaiar
Entre um mergulho e outro
Consigo me refrescar
E na boquinha da noite
O Aracati é açoite
Que chega com o luar.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 02 de setembro de 2020

MULHERES GLOSANDO NA REDE (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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MULHERES GLOSANDO NA REDE COM DALINHA
*
QUASE DEI UMA AGONIA
QUANDO ELE ME ABUFELOU
Mote de Dalinha Catunda
1
Cantando um louvor bonito
Com o meu terço na mão
Eu seguia a procissão
Cumprindo com fé o rito
Um movimento esquisito
Detrás de mim começou
Um sujeito me arrochou
E eu gritei: Ave Maria!
QUASE DEI UMA AGONIA
QUANDO ELE ME ABUFELOU
Glosa de Dalinha Catunda
2
Senti uma coisa estranha
Quando tava no forró,.
Minha tripa deu um nó
Uma cosquinha na entranha
Não pense que era manha
No meu quengo algo tocou
No meu corpo se espalhou
E todo ele tremia:
QUASE DEI UMA AGONIA
QUANDO ELE ME ABUFELOU!
Glosa de Bastinha Job
3
Eu estava numa praça
Pra lá de descontraída
Uma mão muito atrevida
Me alisou fazendo graça
Mas caiu logo em desgraça
Meu pai no cabra encostou
Sua faca ele passou
Bem por baixo da "viría"
QUASE DEI UMA AGONIA
QUANDO ELE ME ABUFELOU
Glosa: Ritinha Oliveira
4
Por pouco quase morri
Me faltou ar me faltou chão
Pulava o meu coração
Não sei mesmo o que senti
Eu quase desfaleci
Quando alguém me beijou
Eu corri e ele me pegou
Gritei chamando Maria
QUASE DEI UMA AGONIA
QUANDO ELE ME ABUFELOU.
Glosa de Vânia Freitas
5
Chegou não sei de onde veio
Sem se fazer de notado
Foi se sentando ao meu lado
O cara era muito feio
Foi o maior aperreio
Disse: com você eu vou
Mas sua mulher chegou
Houve a maior correria
QUASE DEI UMA AGONIA
QUANDO ELE ME ABOFELOU
Glosa de Chica Emídio.
*
Ciranda de Glosas coordenada por Dalinha Catunda
Postei as estrofes que seguiram o mote e a modalidade apresentada.
Xilo feita por Erivaldo Ferreira, do meu acervo.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 23 de agosto de 2020

CARREIRÃO DA ENXERIDA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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CARREIRÃO DA ENXERIDA

Dalinha Catunda

 

Nasci lá nas Ipueiras
Bem pertinho do Ipu
Na bica tomei cerveja
Com nome de caracu
E para tirar o gosto
Eu fatiava caju
A castanha bem assada
Eu pedia do menu
Do voguinha eu gostava
E tomava com beiju
No gangão eu tibungava
E molhava o Mucumbu
Toda fresca e apresentada
Fazia o maior rebu
Eu era nova e jeitosa
E jamais fui jaburu
Tinha gente que falava:
Mas olhe, Só no Curú!
Eu continuava a farra
Pois nunca fui de lundu
Mantenho minha alegria
Nunca fico Jururu
Quem me conhece já sabe
Que sou de quebrar tabu
Meu pirão é com pimenta
Sem caroço é meu angu
Sou forte e como pequi
Misturado com andu
Não enfio a minha mão
No buraco do tatu
Mas sou mulher de topete
Sou cobra surucucu
Não dou sombra nem encosto
Sou feito mandacaru
Quem mandar eu me lascar
Já vou dizendo: VAI TU!
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 21 de agosto de 2020

AGORA SÓ DOU O PÉ (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

AGORA SÓ DOU O PÉ

Dalinha Catunda

 

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 15 de agosto de 2020

O CHAPÉU DE COURO DE CHICA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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O CHAPÉU DE COURO DE CHICA

Dalinha Catunda

 


*
Eu sempre que vou ao Crato,
Cidade do Ceará
Como um bolo saboroso
Que leva trigo e fubá
E sendo feito por Chica
Delicioso ele fica
Bolinho melhor não há.
*
Entrei no chapéu de couro
Do bucho não tive dó,
Num encontro de poetas:
“Café na casa de Vó”
Numa mesa farta e rica
Comi do bolo de Chica
Gostoso como ele só!
*
A Chica alegra festanças
Trazendo em sua bandeja
Sob a toalha bordada
O que a confraria almeja
Um verdadeiro tesouro
Chamado chapéu de couro
Que quem conhece deseja.
*
Chica comi do seu bolo,
Mas não fiquei satisfeita,
Mas foi porque esqueci
De lhe pedir a receita
Porém solicito agora
Mande sem muita demora
O que pede esta sujeita.
*
Verso e foto de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 08 de agosto de 2020

CARREIRÃO DE MULHER (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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CARREIRÃO DE MULHER

Dalinha Catunda

 

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de agosto de 2020

EU NASCI... E VOCÊ? (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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EU NASCI... E VOCÊ?
Dalinha Catunda

 

Eu nasci no mês de agosto
As duas horas da tarde
Sem fazer nenhum alarde
Com belo riso no rosto
O dia cheio de gosto
E o céu estava azulado
Era dia do Soldado
A noite a lua serena
Se mostrava toda plena
Porque eu havia chegado.
Vânia Freitas
Fortaleza, 2/8/3020
*
No mês de outubro eu nascia,
E foi São Judas Tadeu,
O Santo que apareceu,
Na folhinha nesse dia.
Chamaram-me de Maria,
Puseram Lourdes também,
- Nomes de santas convém!
Dizia mamãe querida,
Pra dar sorte a sua vida,
E até hoje eu digo amém.
Dalinha Catunda
Rio de Janeiro - RJ


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 01 de agosto de 2020

UMA GLOSA - 01.08.20 (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

UMA GLOSA

Dalinha Catunda

A rédea da liberdade
Virou pipa em minha mão.

Para dar o meu recado
Não rezo só Ladainha
Pois o canto de Dalinha
Não é canto comportado
É profano é sagrado
Dentro da minha oração
Para dar satisfação
Eu não tenho mais idade
A rédea da liberdade
Virou pipa em minha mão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 30 de julho de 2020

BOTEI FOGO NO SERTÃO, MAS NÃO VIREI RAPARIGA (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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BOTEI FOGO NO SERTÃO

MAS NÃO VIREI RAPARIGA

Dalinha Catunda

 

BOTEI FOGO NO SERTÃO
MAS NÃO VIREI RAPARIGA.
*
Engravidei sem casar
E a culpa também foi minha
Não nasci pra coitadinha
Não fiquei a lamentar
Sentia-me uma star
Ao carregar a barriga
A fofoca e a intriga
Fez meu nome correr chão
BOTEI FOGO NO SERTÃO
MAS NÃO VIREI RAPARIGA.
*
Mote de Dalinha Catunda
Xilo do meu acervo obra de Cícero Lourenço.

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 29 de julho de 2020

UMA GLOSA - 29.07.20 (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

UMA GLOSA

Dalinha Catunda

 

Mote da colunista:

Não sou mulher melindrada
Sei me posicionar.

Eu tenho meu pensamento
Não nasci pra ser piolho
Como agir eu sempre escolho
Pois tenho discernimento
O discurso que apresento
Faz jus ao meu caminhar
E não venham me atiçar
Pra torcida organizada
Não sou mulher melindrada
Sei me posicionar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 25 de julho de 2020

DO TREM SÓ A SAUDADE (CORDEL DA MADE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: casa, céu e atividades ao ar livreA imagem pode conter: atividades ao ar livre, texto que diz "IPUEIRAS"

 

DO TREM SÓ A SAUDADE
Dalinha Catunda

*
Era tempo de alegria
Nos trilhos do meu sertão
O trem que ia e voltava
Carregava em seu vagão
Fantasia aventureira
A ilusão passageira
Marcando cada estação.
*
Alegria na chegada
O choro da despedida
Entre abraços e promessas
Velhos dramas da partida
No lenço a dor da saudade
Fruto da felicidade
Que o coração deu guarida.
*
O tempo se vai ligeiro
Mas o trem fica parado
A lembrança no presente
Faz o seu sacolejado
E nesse seu movimento
Transporta meu pensamento
Aos bons tempos do passado.
*
Fotos e Versos de Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 22 de julho de 2020

TRÊS CEARENSES GLOSANDO NA REDE (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CACUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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Dalinha Catunda

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Bastinha Job

A imagem pode conter: 1 pessoa

Vânia Freitas

 

 

TRÊS CEARENSES GLOSANDO NA REDE

 


*
SE EU ESCREVESSE ROTEIRO
MEU FILME SERIA ASSIM.


Mote de Astier Basílio


*
DALINHA CATUNDA
A morena despachada
Que vivia no sertão
Não respeitou nem o cão
E seguiu a sua estrada
Ladina e desaforada
Fazia o que estava a fim
Com a boca de carmim
Dizia pro mundo inteiro:
SE EU ESCREVESSE ROTEIRO
MEU FILME SERIA ASSIM.
*
BASTINHA JOB
Basílio é o Astier
Autor dum mote tão bom
Dalinha glosou no tom
E cumpriu o metier
Eu também vou me meter
Puxo a ponta do alfinim
Faço uma ponte por fim
Até Rio de Janeiro:
SE EU ESCREVESSE ROTEIRO
MEU FILME SERIA ASSIM.
*
VÂNIA FREITAS
Eu sempre fui desastrada
Porque sempre fui medrosa
Eu nunca fui poderosa
Mas era muito engraçada
Cada corrida adoidada
O povo ria de mim
Trágica e cômica enfim
Sem ter nenhum companheiro
SE EU ESCREVESSE ROTEIRO
MEU FILME SERIA ASSIM.
*
Coordenação de Dalinha Catunda
Fotos do acervo de Cada poetisa
Mote de Astier Basílio


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 16 de julho de 2020

NO SONHO AZUL (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

 

 

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

 

Foto desta colunista

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 11 de julho de 2020

SEM MEDO DE MONTAR (CORDEL DA MADRE SUPERIORA DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: Dalinha Catunda, chapéu e atividades ao ar livre

SEM MEDO DE MONTAR

Dalinha Catunda

 

*
Andei montando um cavalo,
Pras bandas do meu sertão.
Sua fama percorria
Toda aquela região.
Em cavalo não confio,
Porém sendo desafio,
Encaro a situação.
*
Ele me olhou de soslaio
Porém não me intimidou.
Passei a perna por cima,
A sela me acomodou
Eu gostei da montaria,
Ele bravo se exibia,
Só que não me derrubou.
*
Pra ver sua reação,
Eu enfiei o chicote.
Ele então me chacoalhou,
E disparou no pinote
Numa aventura assassina,
Segurei na sua crina
Me enroscando em seu cangote.
*
Horas me faltava céu.
Horas me faltava chão.
Hora nenhuma faltou,
Foi mesmo disposição.
Porém ele parecia,
Que aos poucos esmorecia,
Penando e na minha mão.
*
Se o bruto ficou domado,
Isto não posso dizer.
Só sei que segue meu rastro
Isto posso perceber,
Escuto seu relinchar
Porém só volto a montar
Atendendo o meu querer.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 09 de julho de 2020

A JUREMA É PRA CARVÃO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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A JUREMA É PRA CARVÃO

Dalinha Catunda

 

*
Estaca não me ofereça
Que não tenho precisão
Quando comprei meu roçado
Eu cerquei foi com mourão
E pra você não pular
Na cerca mandei plantar
Muita urtiga e cansanção.
*
Aqui na minha fazenda
Tem angico e imburana
Não me falta sabiá
Só não quero pé de cana
Não venha com: ora poxa!
Pois sua jurema roxa
Aqui não é soberana.
*
Para falar a verdade
E acabar a discussão
A sua jurema roxa
Só serve para carvão
Eu não tenho fogareiro
E só uso marmeleiro
Como lenha em meu fogão.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 05 de julho de 2020

MEU JEITO AGRESTA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: Dalinha Catunda, chapéu e atividades ao ar livre

MEU JEITO AGRESTE

Dalinha Catunda

 


.
Não nasci de sete meses,
Não sou mulher assustada.
Nunca fui guia de cego
Mas sou bem desaforada.
O meu nome é Dalinha,
Outro melhor não tinha
Para ser eu retratada.
.
Não sou de dizer amém
Cabeça não sei baixar.
Tenho nariz empinado
Não sou de me rebaixar.
Tenho cabelos na venta
Meu pirão é com pimenta
Que arde para danar.
.
Nasci no meu Ceará
O meu chão é Ipueiras.
Adoro o meu Nordeste.
Sou da ala das guerreiras.
Preservo meu ar agreste,
Já peguei cabra da peste,
Nele coloquei coleiras.
.
E quem quiser me seguir
Que acompanhe meu passo.
Nem devagar nem ligeiro,
Pois eu tenho meu compasso.
Aprendi lá no sertão,
A pisar em qualquer chão
Nem fico nem ultrapasso.
.
Eu sou abelha Dalinha,
Sou doce e de amargar.
E se hoje oferto mel
Também posso ferroar.
O meu mel e meu ferrão,
Conforme a situação
Sou obrigada a usar.
.
Gosto de ser instintiva
Não queira me adestrar.
Este meu jeito agreste
Eu trouxe do meu lugar.
Tenho lá minha doçura
Porém só mostro ternura
Se de fato me encantar.
.
Foto e versos de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 04 de julho de 2020

A ROLA DA CONCEIÇÃO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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A ROLA DA CONCEIÇÃO

Dalinha Catunda

 

1

Conceição mulher católica

Filha de Dona Prazer

Era uma moça sem vício

Vivia o povo a dizer

Mas arrumou uma rola

Pra com ela se entreter.

2

Quando baixou no terreiro

A rola desmilinguida

Conceição logo gostou

Daquela pomba perdida

Resolveu dela cuidar

E já estava decidida.

3

Dona Prazer espantou

A pomba que apareceu

Porém Conceição com pena

A dita cuja acolheu

Foi na mão de Conceição

Que aquela rola cresceu

4

A moça meio inocente

Deu logo casa e comida

A rola desenvolveu

E foi ficando sabida

Conceição se emocionava

Ao ver a rola crescida.

5

A pomba ficou vistosa

Com carinho era tratada

Logo se via que a rola

Era bem alimentada

Quem vê hoje nem percebe

Que um dia fora enjeitada.

6

Conceição passava o dia

Paparicando a tal rola

Era uma pomba manhosa

Que fazia ela de tola

mas quando a rola sumia

Ela dava até "pirôla."

7

A mãe já tinha era nojo

Vendo o chamego danado

Porque onde a filha ia

Levava a pomba do lado

E por onde ela passava

Se ouvia o cochichado:

8

A moça perdeu o juízo

Depois que adotou a pomba

E nem percebe que a rola

Muitas vezes dela zomba

Quando alguém vai avisar

Conceição fica de tromba.

9

Sei que deu o que falar

O grude de Conceição

O povo já comentava

E a mãe passava sermão

Mas ela apenas dizia

A rola é de estimação.

10

Diante dos comentários

Uma mãe acabrunhada

Testemunha do destroço

Mas sem poder fazer nada

Pensava com seus botões

Minha filha está lascada.

11

O pior de tudo isso

Eu agora vou contar

Lá na casa da vizinha

A rola foi se enfiar

Para ver seu periquito

Que era muito popular.

12

O certo é que Conceição

Faltava era ficar louca

Quando a rola escapulia

Gritava de ficar rouca

E esculhambava a vizinha

A briga não era pouca.

13

Tenha vergonha na cara:

Dizia Dona Pureza

Deixe de lado essa pomba

Que anda de safadeza

Aqui não vai mais entrar

Pois já chega de esperteza.

14

Mamãe quero minha rola

Sem ela vou padecer

Essa rola é minha vida

O meu maior bem querer

Sem minha pomba querida

Não tem graça o meu viver.

15

A rola de Conceição

Era uma rola fujona

Agora estava aninhada

Mas no colo de outra dona

Pois gostou do periquito

Da tal vizinha ladrona.

16

Aquela rola-cabocla

Deu desgosto a Conceição

Por causa da rola-grande

Sofria seu coração

Com raiva da rola-roxa

Chegou a ter depressão.

17

Eu só sei que a pomba-rola

Não largava o periquito

Dona Pureza lutava

Para abafar o conflito

E a vizinha debochada

Botava fogo no atrito.

18

Dona Pureza zangada

Deu uma de ignorante

E foi dizendo pra filha

Com raiva naquele instante

Pare de chorar por rola

Pois toda pomba é migrante.

19

E se hoje uma rola vai

Depois outra rola vem

Você gostou dessa pomba

Vai gostar d`outra também

Pare com tanta lamúria

Pois isso não fica bem.

20

Aquilo era uma pombinha

Era só uma avoante

Aquelas pombas de bando

Era rola retirante

Vai largar o periquito

E vai seguir adiante.

21

Eu já peguei muita rola

Com esse meu alçapão

Porém não prendi nenhuma

Meu oco não foi prisão

Rola a gente cria é solta

Voando na imensidão.

22

Esqueça a rola-cabocla

Pare com essa tristeza

No quintal eu ouço arrulhos

Pelo jeito é de burguesa

Escute o que está dizendo

Sua mãe dona Pureza.

23

Conceição foi se acalmando

Logo parou de chorar

Olhou para o cajueiro

Viu a burguesa arrulhar

E armou seu alçapão

Para a burguesa pegar.

24

Não chore pombas perdidas

Porque as pombas se vão

Isso já disse um poeta

Eu prestei bem atenção

Aproveite pra voar

Dê asas ao coração.

*

Cordel de Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 24 de junho de 2020

QUEM VIVE, SALTOU FOGUEIRA - E EU GRITO: VIVA SÃO JOÃO!

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QUEM VIVE, SALTOU FOGUEIRA
E EU GRITO: VIVA SÃO JOÃO!

Dalinha Catunda



Meu povo, vou festejar,
Vou buscar minha alegria,
Entocar melancolia,
Medo não vai me acuar.
Se quiser pode chegar,
Para essa celebração,
Em nome da tradição
Entre nessa brincadeira:
QUEM VIVE, SALTOU FOGUEIRA
E EU GRITO: VIVA SÃO JOÃO.
*
Mote e glosa de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 15 de junho de 2020

SÃO JOÃO VIRTUAL (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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SÃO JOÃO VIRTUAL

Dalinha Catunda

 

Hoje sofro sem São João,
Sem fogueira, sem balão,
E o canto do meu amor.
Retirando seu chapéu,
Dizendo: Olha pro céu,
Repare quanto esplendor!

Chegou a praga, a desdita,
Chegou a peste maldita,
E acabou nossa ilusão
Fiquei sem meu arraial
Pois agora é virtual
Nossa festa e tradição.

Embora fique bem triste
Meu coração não resiste
E me pede pra cantar.
E eu entro na brincadeira
Acendo minha fogueira
E meu facho pra brincar.

Para seguir nova meta
Convido cada poeta
A fazer sua oração
Vamos rimar alegria
Fazer versos com poesia
Para festejar São João.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 11 de junho de 2020

ESBOCE SEU NAMORADO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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ESBOCE SEU NAMORADO

Dalinha Catunda

Se você tem seu marido
Faça dele um namorado
Não permita que a rotina
Torne o laço fracassado
Seja de cama e de mesa
Demonstre sua destreza
Que terá bom resultado.
*
Brigar por pequenas coisas,
Só faz você rabugenta.
Mulher cheirando a gordura
Homem nenhum aguenta.
Se arrume fique cheirosa
Ele vai notar a rosa
Que pra ele se apresenta.
*
Tem mulher que só reclama
Mas não faz a sua parte.
A vida a dois eu garanto,
Só flui levada com arte.
Eu não tenho pretensão
De disseminar sermão
Isto foi só um aparte.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 05 de junho de 2020

SEM PÂNICO NA PANDEMIA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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SEM PÂNICO NA PANDEMIA

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 30 de maio de 2020

DUAS GLOSAS - 30.05.20

 

DUAS GLOSAS

Uma porca perde a rosca
Mas não entra em parafuso

* * *

Eu já perdi o juízo
Porém doida não fiquei;
Maus momentos já passei
Mas do pranto fiz sorriso
Do inferno fiz paraíso.,
Da moda que eu fiz uso
É mel em que me lambuzo
E fez minha rima fosca:
“Uma porca perde a rosca
Mas não entra em parafuso”

Bastinha Job

* * *

Sempre fui muito teimosa
Assim minha mãe dizia.
Dessa minha teimosia
Nunca ficou orgulhosa.
Eu seguia toda prosa,
Deixando o povo confuso,
Destilava meu abuso,
Com minha linguagem tosca:
“Uma porca perde a rosca
Mas não entra em parafuso”

Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 27 de maio de 2020

MOTE E GLOSA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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DE MORTA ESTOU ME FAZENDO
PRA VIDA NÃO ME MATAR.
*
O Mundo inteiro parou
Com esse vírus mortal
Sem prazo pro seu final
Só angústia nos restou
Mas levando a vida vou
Sem alarde propagar
A todos tento animar
Mas meu peito está doendo:
DE MORTA ESTOU ME FAZENDO
PRA VIDA NÃO ME MATAR.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 17 de maio de 2020

REDE NO ALPENDRE (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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REDE NO ALPENDRE

Dalinha Catunda

 

Uma rede num alpendre
E um ventinho sedutor
Vento que vem do açude
Para abanar meu calor
São delícias que desfruto
Quando estou no interior.
*
Vejo um bando de marrecas
Voando ao entardecer
Num mágico ritual
Giram antes de descer
Para pernoitar nas águas,
Como costumam fazer.
*
No balançado da rede
No sertão é lindo ver
O fim do dia chegando
Com o sol a esmorecer,
Cedendo lugar à lua
Que não tarda a aparecer.
*
Um bando de pirilampos
Bordando a escuridão
Enriquecem o cenário,
Das noites do meu rincão
Da minha rede eu vejo
Quão mágico é meu sertão!


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 11 de maio de 2020

SOU DA LINHA DO CORDEL (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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SOU DA LINHA DO CORDEL

Dalinha Catunda

Sou Cordel de Saia
Cordel de vestido
Cordel feminino
Cordel atrevido
Cordel de Calcinha
Cordel de Dalinha
Cordel divertido.
*
Sou manha e gracejo
Sou verso ladino
Sou canto nascido
No chão nordestino
Sou nesse universo
Cabocla do verso
Santo e libertino.
*
Sou alma do verso
Sou rima no ar
Sou dedos que contam
Pra metrificar
Sou inspiração
Dou voz a oração
No palco a cantar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 09 de maio de 2020

SONETILHO DE AMOR (POEMA DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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SONETILHO DE AMOR

Dalinha Catunda

Às vezes sou lua
Que nua vagueia
A todos enleia
Porém sou só sua.
*
Ás vezes sou sol
Trazendo calor
Derreto de amor
Em nosso lençol.
*
Às vezes sou brisa
Que ofega em seu rosto,
Ladina lhe alisa.
*
E sempre sou nós
Depois do sol posto
Juntinhos e a sós…


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 04 de maio de 2020

PRECISO DO SEU CHEIRO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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PRECISO DO SEU CHEIRO

Dalinha Catunda

 

Quando por mim você passa
Eu viro mulher feliz
Tão cheiroso e provocante
Que logo acendo o nariz
E deixo seu cheiro entrar
Só para me deleitar
Pois sou mulher de raiz.
*
Se sempre acordo bem cedo
É pra provar seu sabor
O meu paladar exige
Antes que eu vá ao labor
Ter você sempre bem quente
Alertando minha mente
Provocando meu calor.
*
Para ter você comigo
Caminho léguas o pé
Vou até o fim do mundo
E não perco minha fé
De provar do meu neguinho
Nem que seja um golinho
Sou viciada em café!
*
Foto e versos de Dalinha Catunda.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 01 de maio de 2020

BONEQUINHAS DE PANO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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BONEQUINHAS DE PANO

Dalinha Catunda

Para ocupar os meus dias
E alegrar minha rotina
Não me falta o que fazer.
Tenho a arte nordestina,
E a estrela do meu plano,
É a boneca de pano,
Que batizei de Delfina.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 29 de abril de 2020

NOS BRAÇOS DO FURACÃO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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NOS BRAÇOS DO FURACÃO

Dalinha Catunda

*
Em noite fria de outono
De luar encantador
A lua cheia brilhava
Mostrando seu esplendor
A noite estava tão bela
Entreabri a janela
Com meu ar contemplador
*
Ao apagar o abajur
Ensaiando pra dormir
Um rumor vindo de fora
Eu imaginei ouvir
Acheguei-me ao travesseiro
Porém despertei ligeiro
E vi meu sono sumir.
*
Foi quando ele sorrateiro
No meu quarto penetrou
E sem que eu me desse conta
Nesse ambiente se espalhou
Bem de leve me roçava
Num sopro que acarinhava
E o meu corpo despertou.
*
Chegou brando e carinhoso
Confesso me satisfez
Encantava-me a meiguice
Afagando a minha tez
E não achei que era abuso
A visita desse intruso
Oportunista talvez.
*
Inteiramente à vontade
Eu me deixei seduzir
Ele entrava, ele saía
E eu gostando do ir e vir
Cada vez que penetrava
O meu corpo arrepiava
meu anseio a consentir.
*
Foi visita relaxante
Até um dado momento
Ficou mais audacioso
Intenso no movimento
Meus cabelos, desmanchou
Os lençóis, desarrumou
Transformou-se totalmente.
*
Daí eu me levantei
Tentando uma solução
Tentei fechar a janela
Mas faltou força na mão
Depois desse vento forte
Quase que perco meu norte
Nos braços de um furacão.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 29 de abril de 2020

SERTANEJA, SIM SENHOR! (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: Dalinha Catunda, chapéu

SERTANEJA, SIM SENHOR!

Dalinha Catunda

 

Sabia que era arisco

O fogoso alazão.

Resolvi correr o risco,

Sem medo de ir ao chão.

Peguei chicote e espora

Montei o bicho na hora

Sem medo ou indecisão.

*

Ele quis titubear,

Mas cutuquei do meu jeito.

Peguei bem firme nas rédeas,

Pois me achei no direito.

Atendendo meu comando

Obedecendo meu mando,

Ele foi quase perfeito...

*

Inda quis se rebelar,

Mas de nada adiantou.

De seus movimentos bruscos

Minha mão se encarregou.

Fui feliz na maratona,

Mostrei quem era sua dona.

E ele se conformou.

*

Do que compro e pago caro,

Bom retorno sempre quero.

A manha,a birra e o coice,

De fato eu não tolero.

Do cavalo eu não caio

Só tenho medo de raio,

No resto eu acelero.

*

Bicho que eu não domino,

Confesso não dou guarida,

O meu sangue nordestino

É que me faz aguerrida.

Eu só não sou cangaceira,

Por ser metida a faceira,

Porém sou bem atrevida.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 28 de abril de 2020

DIA DA SOGRA - 28 DE ABRIL - BALAIO DE SOGRA, CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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BALAIO DE SOGRAS

Dalinha Catunda

 

 

BALAIO DE SOGRAS
*
Aqui neste meu balaio
Amigo, muita atenção.
Tem sogra pra todo gosto,
Tem muita reclamação!
Não é minha a grosseria
Eu faço apenas poesia,
Sou voz da população.
*
Mas também tem elogios
E boa declaração,
De quem adora a sogra
Por ela tem afeição.
Porque tem sogra querida
Sendo também exibida
Nesta minha explanação.
*
Eu ainda não sou sogra
Porém um dia vou ser.
Vou tratar a minha nora,
Do jeito que merecer.
Se for pessoa educada,
Serei sogra camarada
E confesso, com prazer!
*
Agora quero falar,
Da sogra de muita gente.
Dos que detestam a sogra
E de quem está contente.
Há sogra que ninguém quer,
Mas tem a boa mulher
Que não é sogra é presente.
*
Ao olhar pra minha sogra
Bate em mim uma aflição,
Vejo que minha mulher,
Tem dela a mesma feição.
A coroa era ajeitada
Mas agora pregueada
Está parecendo o cão.
*
Se ter sogra fosse bom,
Uma teria Jesus.
Mas antes de se casar
Morreu pregado na cruz.
E deixou para os terrenos
As sogras e seus Venenos
Coisa que não me seduz.
*
Pra sogra do meu marido,
Faço versos, faço loa.
Neste mundo nunca vi,
Uma sogra assim tão boa.
É um poço de ternura,
Essa gentil criatura
Maravilhosa pessoa.
*
Minha sogra diz que é boa,
Mas na verdade é cruel.
Sua palavra mais doce,
Amarga mais do que fel.
Estou vivendo um tormento,
Conflito no casamento,
Por causa da cascavel.
*
Vou pagando meus pecados
Desde quando me casei.
Uma sogra como a minha,
Ter eu nunca imaginei.
É sebosa, fuxiqueira,
E metida a presepeira,
Da velha já me cansei.
*
Minha sogra é divina!
A coroa é um mulherão.
Não vou dizer que é um Boeing,
Contudo é um avião.
É uma coroa sarada
E já foi recauchutada,
Porém dá um bom pirão.
*
De sogra quero distância.
Ela não vem no pacote.
Se ela mora no Sul,
Eu volto para meu Norte.
Pois sogra não é parente
Dizem que é só aderente,
É praga ou falta de sorte.
*
Minha sogra é ignorante,
Minha mulher diz te arreda.
A sogra mandei pro diabo,
A mulher mandei a merda.
Nas duas baixei a lenha,
Tem lei Maria da Penha,
Porém a justiça é lerda.
*
A minha sogra é bondosa,
Comparo a virgem Maria.
Mãe duma santa Mulher,
Que só me trouxe alegria.
Quando resolvi casar,
E subir naquele altar,
Acertei na loteria.
*
Coitado do meu sogro
Sofre com a mulher que tem,
Eu, aqui na minha casa,
Sofro com a minha também.
Tanto a mulher como a sogra
São da família de cobra,
Das que mais veneno tem.
*
Minha sogra quando ri
Parece que faz careta.
Totalmente desdentada
Tem a cara do capeta.
Pernas, só vendo a finura
Parece uma saracura,
Inda por cima é zambeta.
*
De cobra bem venenosa,
Também de bruxa malvada,
A coitadinha da sogra,
Muitas vezes é chamada.
Mas às vezes é tão boa
Tão gentil como pessoa
Que pela nora é amada
*
Sogra boa eu lhe digo,
É igual a macaxeira,
Só presta bem enterrada
Não estou dizendo besteira
A que lá em casa tenho,
E que até hoje mantenho
Já puxou até peixeira.

 

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 27 de abril de 2020

ENTRE COBRAS E POMBAS (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: Dalinha Catunda

ENTRE COBRAS E POMBAS

Dalinha Catunda

 

A vida tem altos e baixos
Tem curvas e tem manobras
Existe a pomba da paz
Mas também existem cobras
Desde o tempo de Adão
Perdura a situação
Deus sentiu em suas obras.
*
Sempre existe um Deus de paz
Outro para combater
A vida é feita de lutas
Sempre ouvi alguém dizer
A batalha é permanente
Por isso não me apoquente
Não penso em esmorecer.
*
Eu vou fazendo poesia
Porque tenho munição
E na boca do fuzil
Ponho a flor da salvação
Faço rima, faço verso,
Navego neste universo
Que é composto de oração.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 25 de abril de 2020

MARIA PREÁ VERSEJADA

 

MARIA PREÁ VERSEJADA

Eu conheci um vigário
Comedor de periquito
Desrespeitava a batina
Ninguém achava bonito.

E pelo seu sacristão
Um dia ele foi flagrado
Quase perdeu a razão
Ficou desorientado.

O sacristão sem escrúpulos
Danou-se a chantagear
O vigário aventureiro
Que vivia a fornicar.

Porém nada como um dia
E a noite pra atrapalhar
O padre dando umas voltas
Viu o sacristão pecar.

O chantagista de quatro
Perto da cabana tosca
Numa vereda afastada
Gemia e queimava a rosca.

Foi quando ouviu um ruído
E o “Santo” padre a gritar:
Morreu Maria Preá!
E ele teve que calar

O povo diz que essa história
Se deu lá no Ceará
Eu garanto que conheço
Muitas “Maria Preá.”


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 21 de abril de 2020

AUGUSTA PLANTAÇÃO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

AUGUSTA PLANTAÇÃO

Dalinha Catunda

A imagem pode conter: texto

 


Foi do tronco d’um Carvalho,
Que o poeta do “EU” brotou
No Engenho do Pau d’Arco,
A sua vida abrolhou
E o velho tamarindeiro
Esta história registrou.
*
Naquele tamarindeiro,
Estudava sua lição,
As tarefas escolares,
E chegando a exaustão,
Ele ali também chorava
A dor da desilusão.
*
Distante da sua terra
Longe do tamarindeiro,
Foi para outra dimensão
Deixando seu companheiro
Que nem chegou a ouvir
O seu canto derradeiro.
*
No pé de minhas estrofes
Plantei admiração.
“Debaixo do Tamarindo”
Colhi minha produção.
E na voz de cada poeta
Verei multiplicação.
*
Versos de Dalinha Catunda
Estrofes com as quais participei de um cordel em homenagem a Augusto dos Anjos.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 20 de abril de 2020

NO PUNHO DA MINHA REDE, DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA

 

A imagem pode conter: Dalinha Catunda

NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA.
*
Mote: Marcos Passos
Numa rede eu me deitava
No meu rancho de noitinha
Na certeza que ele vinha
E se vinha chamegava
Bem cheirosa então ficava
Pra viver minha bonança
Sei que o laço da esperança
Alimenta a nossa sede:
"NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA”
Glosa de Dalinha Catunda
Mote Marcos Passos
*
- Eu cansei de dar um nó
Na rede que eu brincava
Ali mesmo eu me emborcava
Chamando atenção de vó
- Deixa de teu pro có có
Tu despenca nessa dança
Brinca com outra criança
Olha a cara na parede
"NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA.
Glosa Ésio Rafael
Mote Marcos Passos
*
No alpendre lá de casa
Eu achei o meu brinquedo
Pra ninguém era segredo
Que nela criava asa
Como o tempo não atrasa
Eu deixei de ser criança
Parti para minha andança
Ficando numa parede
"NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA"
Glosa Nelson Nunes Farias
Mote: Marcos Passos

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 19 de abril de 2020

DUAS GLOSAS - 19.04.20

 

DUAS GLOSAS

Mote de Xico Bizerra:

Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Relutei, terminei indo
Conhecer o tal tabaco
Foi aí que me vi fraco
Garanto, num tô mentindo
Nunca vi nada mais lindo.
Cheirei, voltei a cheirar
Não conseguia parar
Sabor de cravo e canela
Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Xico Bizerra

O tabaco era cheiroso
Cheiroso como ele só
Do nariz não teve dó
Esse caboco fogoso
Achando delicioso
O bicho vive a cheirar
Ouvi o cabra gritar
Debruçado na janela:
Cheirei o tabaco dela
Bastou pra “meaviciar”

Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 15 de abril de 2020

GLOSAS DE MORAES MOREIRA

 

GLOSAS DE MORAIS MOREIRA

Morais Moreira, Itauçu-BA, (1947-2020)

Mote desta colunista e glosas de Morais Moreira, publicadas originalmente no Blog Cordel de Saia.

Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

Vai fundo na caminhada
Que o homem parece raso
Vivendo quase um ocaso
Já se perdendo na estrada,
É hora da mulherada
Tomar o tempo e o lugar
Não adianta chorar
Achar que a vida é cruel,
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

No tempo da plenitude
O homem cai no vazio
Fugindo do desafio
Covarde e sem atitude
Coitado ainda se ilude
Não sabe como se dar
O que é que vai lhe restar
Senão tirar o chapéu?
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

De uma costela de Adão
Dizem que a mulher foi feita
E sendo assim tão perfeita
Imaginemos então
Se fosse do coração
Que Deus pudesse a criar
O mundo ia proclamar:
Oh criatura do céu!
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

Naturalmente é sem músculo
No seu jeitinho de moça
Duvida da sua força
O macho já no crepúsculo
Sendo somente um opúsculo
Da obra que vai ficar
O que é que vai lhe sobrar
Senão caminhar ao léu?
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.

Não falto com a verdade
E peço que me acompanhe
Já que a mulher é a mãe
De toda a humanidade
Pra não ficar na saudade
O homem vai conquistar
Ao seu ladinho um lugar
Fazendo bem seu papel,
Se tem mulher no cordel
Você tem que respeitar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 13 de abril de 2020

O TABACO DE MARIA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

Xilogravura de Erivaldo Ferreira

O TABACO DE MARIA

Dalinha Catunda

 

 

1
Na estrada do Pai Mané
Na cidade de Ipueiras
Bem pertinho das Barreiras
De imburana tem um pé
Ele dá um bom rapé
Pra quem sabe preparar
Maria sabe torrar
E tem grande freguesia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

2
E naquela arrumação
Meu pai era viciado
No dedo era colocado
Do rapé uma porção
Com o tabaco na mão
Pra no nariz esfregar
E logo após aspirar
Ele fungava e dizia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

3
Valdenira me indicou
Disse mulher acredite
Ele é bom pra sinusite
Aqui mamãe sempre usou
Depois que ela receitou
Comecei a melhorar
Nunca parei mais de usar
Acabou minha agonia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

4
Garapa ficou sabendo
Dessa história do rapé
Foi direto ao Pai Mané
Também estava querendo
Com Maria se entendendo
Resolveu logo pagar
E não saiu sem provar
do cheiroso nesse dia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

5
Edgar acabrunhado
Com o nariz entupido
Sentindo-se já perdido
Com febre e com resfriado
Foi atrás desse torrado
Para tentar melhorar
Porém mesmo sem gostar
Do produto repetia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

6
Dão de Jaime que gostou
Do tabaco da fulana
Cheirou mais duma semana
E também se viciou
Da mulher ele apanhou
E não cansou de apanhar
Pois disse não vou largar
E gritando se exibia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 11 de abril de 2020

MINHA FILOSOFIA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

MINHA FILOSOFIA

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 05 de abril de 2020

PURO-SANGUE, CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO

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PURO-SANGUE

Dalinha Catunda

 

Ele era um puro-sangue.
Ímpar em sua beleza.
Porte altivo e elegante,
Trazia um ar de nobreza.
*
Paixão a primeira vista.
Não tive como escapar.
Garboso me farejava,
Fui seduzida a montar.
*
Montei com a maestria,
De quem domina o oficio.
Montar aquele alazão,
Não foi nenhum sacrifício.
*
Tinha narinas acessas.
Cadência no trote tinha
Agarrei-me ao seu pescoço,
No galope que ele vinha.
*
Galopamos loucamente,
Quase perdemos o chão,
Campear no paraíso,
Era sorver emoção.
*
Estrelas intermitentes,
E sinos a badalar.
O prazer feito cascata,
Coroava o cavalgar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 03 de abril de 2020

AMIZADE ACIMA DE TUDO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A imagem pode conter: Dalinha Catunda, chapéu

AMIZADE ACIMA DE TUDO

Dalinha Catunda

 

A minha amizade é
De fato incondicional
Tenho minhas preferências
O que acho natural
Cada um tem o seu jeito
Mas ninguém tem o direito
De querer que eu pense igual.
*
Quando adiciono alguém
Eu não quero nem saber
Se macumbeiro ou católico
Ou se crente pode ser
Não desabono a postura
De nenhuma criatura
Que escolhe em quem quer crer.
*
Repito que não importa
Seu time e religião
Orientação sexual
Pois isso não conta, não,
Seu partido sua cor
Aceito seja quem for
Respeito é a condição.
*
Sabemos que na política
No passado e no presente
A corja de desonesto
Nasceu e deixou semente
E não venham defender
Estupido é querer dizer
Que aqui existe inocente.
*
O pior de tudo isso
Digo com sinceridade
É o ranço da política
A desfazer amizade
Enquanto cada ladrão
Conforme a situação
Juntam-se em cumplicidade.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 02 de abril de 2020

O CALANGO ALBINO (CORDEL DE LINDICÁSSIA NASCIMENTO E DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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Dalinha Catunda e Lindicássia Nascimento

O CALANGO ALBINO

Lindicássia Nascimento e Dalinha Catunda

 

LN
Dalinha você me diga
O que é que tu faria
Com um calango amarelo
Triste feito agonia
Numa rede social
Que tá se achando o tal
Me assedia noite e dia!
L N
O cabra não se enxerga
É um cururu de macumba
Parece uma tripa seca
Tem uma cara imunda
Os olhos abuticado
Parece que é tarado
Me diz Dalinha Catunda!
LN
Eu tou que não me aguento
Não posso ficar calada
Esse safado aperreia
Me deixa aguniada
Não sei quem é esse traste
Peço que de mim se afaste
Coisa feia e safada.

*
DC
Entrou no meu facebook
Também esse camarada
Querendo se apresentar
Com a cara mais lavada
O bicho é uma marmota
Vamos é fazer chacota
Pra ele virar piada.
DC
Parece um calango albino
Essa pobre criatura
E que até se diz poeta
Porém não tem compostura
Se ele cumprir o trato
De mandar o seu retrato
Vou exibir em moldura.
DC
O cabra vestido é feio
Tu imaginas pelado
Por isso eu vou dizer
Estou mandando recado
Se foto pelada chegar
Eu vou é compartilhar
Pois o aviso já foi dado.

*
LN
Parece que ele gosta
De cutucar poetisa
Se mete de ser poeta
Mas de nós leva é Piza
Esse Calango Albino
Cara seca, não tem tino
Comigo não realiza.
LN
Quis mandar pra mim também
O retrato dele nú
Calango sem competência
Mexeu mal esse angú
Mande a foto desgramado
Que eu te faço um agrado
Carniça de urubú.
LN
O meu Facebook é arte
É cultura popular
Não é pra cabra safado
Feito tu se amostrar
Agora tu se fodeu
Porque Dalinha e eu
Vamos juntas te lascar.

*
DC
Esse cabra é abestado
Não sabe onde se meteu
Cutucou com vara curta
Onças e nem percebeu
Agora está se cagando
Quem sabe até rezando
Pra não ler o nome seu.
DC
Mexer com Lindicássia
Mulher que não se atrapalha
Que já capou mais de três
Lá pras bandas de Barbalha
Com a peixeira na mão
Capa e faz circuncisão
É doutora que não falha.
DC
Enquanto foi só comigo
Eu tratei de me calar
Agora a coisa esquentou
E nós vamos é jogar
Merda no ventilador
Se você não tem pudor
Nós vamos é lhe arroxar.

*
LN
O bicho acha que é "homi"
Botando as coisas pra fora
Achando que eu queria
Me perguntou sem demora
Essa chibata é "xinfrim"
Pedaço de coisa ruim
Lhe respondi bem na hora
LN.
Ainda bem que Dalinha
Astuta como ninguém
Me alertou do perigo
Que eu já sabia também
Mas esse tarado aí
Agora vai desistir
É o melhor que lhe convém.
LN
Se for pra o Rio de Janeiro
Mexer com nossa Dalinha
Já sabe o que vai levar
Ela lhe bota na linha
Se vier pra o Ceará
Uma surra vou lhe dar
Eu juro aqui nessa rinha.

*
DC
Pela a cara do sem sal
Logo imaginei o pinto
Dormindo em cima do saco
Bem acanhado e sucinto
Apenas uma merreca
Encolhido na cueca
É o que penso não minto.
DC
Em conversa com Lindinha
Um dia ela me falou
Deste cabra enxerido
E logo me perguntou
Até um pouco sem jeito
Se eu conhecia o sujeito
Que a ela desrespeitou.
DC
Eu disse que conhecia
E avisei pra ter cuidado
Um poeta que se preza
Não pode sertão safado
E fazer o que bem quer
Desrespeitando a mulher
E sem ser denunciado.

*
LN
Pois o cabra se lascou
A denuncia é virtual
Nem pode se defender
Pois sabe que é fatal
Se a cara aparecer
Todo mundo vai saber
Nessa rede social
LN
Preste muita atenção
Com quem você for mexer
Eu tenho educação
Mas confesso a você
Sou muito mal educada
Quando sou desapontada
Nem queira me conhecer.
LN
Não sou mulher pra Calango
Dentuço, desenformado
Um fanisco de projeto
De homem sujo safado
A sua categoria
Deve está em euforia
Por ter nos desrespeitado.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 02 de abril de 2020

QUARENTENA NA ROÇA, VIVENDO COMO ÍNDIO

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QUARENTENA NA ROÇA,
VIVENDO COMO ÍNDIO

Dalinha Catunda


*
Aqui estou feito índio
Acoitada em uma oca
Só comendo caça e pesca
E entrando na mandioca
No café como beiju
No almoço tem tatu
Já na ceia é tapioca.
*
Na cidade eu fazia
Musculação e ioga
Aqui vivo a natureza
Despida de lei e toga
O que me dá mais prazer
É rio abaixo descer
Trepada numa piroga.
*
Quando meu nativo chega
Alisando o jacumã
Fogosa ligeiro abro
Meu sorriso de cunhã
Eu dou para ele comer
Um caldo que sei fazer
Na base de Carimã.
*
Numa rede de tucum
De noite vou me deitar
E no balanço da rede
Eu vejo Jaci brilhar
E meu amor diz pra mim
Vamos fazer curumim
Antes do mundo acabar?
*

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 31 de março de 2020

O O PEÃO GABOLA

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O PEÃO GABOLA

Dalinha Catunda

 

*
Corda grossa não me prende
Porque dela eu faço embira
Já tentaram me laçar
Pras bandas da Macambira
Deixei meu rastro no chão
E marcas no coração
Dum dançador de catira.
*
Um projeto de peão
Jurou que ia me ganhar
Fez aposta com amigos
E dizia a gargalhar
Ela será minha prenda
Depois de presa a merenda
Meu laço não vai falhar.
*
Chegou o dia da festa
O peão ficou na mão
Não ganhou a sua prenda
Nem jogou o boi no chão
Além de perder a aposta
Ainda pisou na bosta
E serviu de mangação.
*
Era peão de segunda
Todo metido a gabola
Queria ser Almir Sater
Sem saber tocar viola
Na cantada e na laçada
Ele não era de nada
Pisava sempre na bola.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 30 de março de 2020

A VOLTA DA ROLA SOLTA

 

A VOLTA DA ROLA SOLTA

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Dalinha Catunda e Lindicássia Nascimento

 


*
DALINHA CATUNDA
Rola que vai e que volta
É ave de ribaçã
Desse tipo de rolinha
Não vou dizer que sou fã
Gosto da rola que fica
Que meu xerém ela bica
Pois rola assim tem elã.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
É a lei da natureza
É um vai e vem danado
O certo é que ela gosta
De um canto bem cuidado
O carinho recebido
Por certo não esquecido
Volta para mais agrado!
*
DALINHA CATUNDA
Tem pomba que é bandoleira
Tem pomba que é retirante
E dessas conheço um bando
As que chamam de avoante
Delas tive em cativeiro
E muitas em meu terreiro
E um periquito falante.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Rola, pomba, periquito
Qual desses você domou?
É um negócio esquisito
Vejo que algum voou
Cadê teu afinamento?
Não precisa fingimento
Diga que a rola voltou.
*
DALINHA CATUNDA
Das rolas que eu já prendi
Sempre tratei muito bem
E aquelas que eu já soltei
Para me ver inda vem
E vou aqui lhe avisar
A que se foi sem voltar
Não provou do meu xerém.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Eu aposto que esse ai
Mesmo sem xerém provar
Deve ter se arrependido
Da bicada que quis dar
Não deve ter esquecido
Que pássaro desfalecido
Jamais poderá voltar.
*
DALINHA CATUNDA
Tem passarinho bonito
Voando em todo lugar
Tem deles que nessa vida
Só aprendeu a cantar
Se for roedor de pequi
Das bandas do Cariri
Puxo o pescoço pra assar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 29 de março de 2020

MOTE E GLOSA NA QUARESMA

 

Vamos glosar?

EU NÃO VOU ME CONTENTAR
EM PASSAR ÁLCOOL NA MÃO
*
Estou tomando cuidado
Com esse vírus fatal
Que pode até ser mortal
Por isso vai meu recado
Não basta ficar trancado,
Dispense a visitação
Não esqueça água e sabão
Quando for as mãos lavar
EU NÃO VOU ME CONTENTAR
EM PASSAR ÁLCOOL NA MÃO
*
Mote e glosa de Dalinha Catunda

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Lindicassia Nascimento escreveu:

No caos da epidemia
Que assola o mundo inteiro
Sigo a risca um roteiro
Confinada noite e dia
Porém a minha poesia
Qual me dá inspiração
Tem sido minha oração
Para o vírus se afastar
EU NÃO VOU ME CONTENTAR
EM PASSAR ÁLCOOL NA MÃO.

José Walter Pires escreveu:

Estou ficando cansado
Desse vírus infernal
Do qual não vejo sinal
De ser logo eliminado
E me deixar descansado.
Essa higienização
Não sei se é solução
Mas até vou aumentar
POIS NÃO VOU ME CONTENTAR
SÓ PASSAR ÁLCOOL NA MÃO!

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 27 de março de 2020

BABADOS NO CORDEL

A imagem pode conter: Dalinha Catunda

BABADOS NO CORDEL

Dalinha Catunda

 

1
O cordel vestindo calça,
No Nordeste apareceu.
A mulher apaixonou-se
Tal paixão não escondeu.
E pegou logo o cinzel
Esculpindo seu cordel,
Belos versos escreveu.
2
Foi assim que floresceu,
Cordel de saia também.
A mulher faz seu cordel
Com a manha que já tem.
Incansável na labuta,
E naturalmente astuta,
Do homem não fica aquém.
3
E por querer competir,
E pensando em ser parceira
A mulher pega a estrada,
Sem ter medo da poeira.
Faz de igual para igual
A peleja virtual
Na arte é aventureira.
4
O cordel já não é mais
O tal clube do Bolinha
Encarando as cuecas
Vejo um monte de calcinha
Tudo no mesmo varal
Sem balanço desleal
Enfrentando a mesma linha.
5
Enquanto faz o café
E cozinha seu feijão
A mulher vai matutando
E criando a oração
E assim faz seu cordel
Passando para o papel
Pedaços de criação.
6
Às vezes deita na rede
E olhando a Luz do luar.
Cria versos tão bonitos,
Que chega a se admirar
Diante da inspiração,
Se entrega de coração,
Ao labor de versejar.
7
E de fuxico em fuxico,
A trama ganha teor.
No alinhavo dos versos,
Põe arremate de amor
Fazer versos virou vício
E sem muito sacrifício,
Tem como ofício compor.
8
Entre um afazer e outro
Explode sua criação,
Tem sempre um novo babado
Em sua combinação
Entre a seda e a chita
Sem nunca ficar aflita
Eleva sua construção.
9
A internet foi chegando
Causando revolução,
Abrindo para a mulher,
Um novo campo de ação
Morada da liberdade
E com versatilidade.
Mostra sua evolução.
10
Aprendeu bem a glosar
E para isso usa a mão,
E com os dedos faz arte
Chamada digitação.
Neste mundo virtual
Navegar é natural
Nas marolas da emoção.
11
Tira rima da cabeça
Para fazer o seu mote
Faz com a simplicidade
De quem tira água do pote
Nordestina e internauta
Caprichosa e não incauta
Versos tem é um magote.
12
É bem certo que a mulher
Em ato de concepção
Fica prenhe de palavras
Só vê uma solução,
A de parir poesia
Buscando com alegria,
Ter nova penetração.
13
Eu sei que entre um batom,
Uma escova e um trato
Em folhetos de cordel
A mulher põe seu retrato
E sabe fazer bonito
Pois tem graça o seu escrito
E nunca deixa barato.
14
Sempre se diz aprendiz,
Mas fingindo ser modesta,
E tem delas que encaram
Qualquer marmanjo de testa,
Vão impondo assim respeito
E conquistando o direito
De fazer a sua festa.
15
Às vezes faz uma fita,
Para chamar atenção.
Sempre tem carta na manga
Mas descarta a mangação.
Por gostar de parceria
Demonstra sua alegria
E brilha na atuação.
16
O cordel sem a mulher
É Adão sem sua Eva,
É o planeta sem o sol
Onde tudo é breu e treva.
É comida sem ter sal
Amigo não leve a mal,
É serra onde nunca neva.
17
A mulher rasgou o véu,
E acabou com ditadura
E não foi só no cordel
Mas em toda conjuntura
Totalmente liberada
Enfrenta qualquer parada
Pois tem jogo de cintura.
18
E quando é alfinetada,
Nunca dá muita atenção.
Sendo olhada de soslaio
Empina o nariz então.
Mágoa não vive guardando
Sua anágua vai rodando,
Sempre em movimentação.
19
A mulher pede passagem
Pois soube tecer caminhos
A conquista da igualdade
Teve flores e espinhos.
Na base do não me calo!
Hoje ela canta de galo,
Não fica chocando ninhos.
20
A mulher para o cordel
É ótima aquisição.
Seria triste e cruel
Manter apenas varão
Vejo o cordel lá no alto,
E a mulher com o seu salto
Fazendo revolução!
21
Este cordel é mais um
Entre muitos que virão
Nele botei meu tempero
Não sei se eu errei na mão
Meu codinome é Dalinha
Vou seguindo minha linha
Sem temer opinião.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 25 de março de 2020

SÓ OS OVOS

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SÓ OS OVOS

Dalinha Catunda

 


Eu fiquei muito animada
Cheia de empolgação
Quando avistei uma rola
Daquelas lá do sertão
Qual não foi minha alegria
Por pouco eu colocaria
A rola em minha mão.
*
Porém a rola era arisca
Não ficou perto de mim
Procurou logo seu rumo
Mas com rola é mesmo assim
Chega parecendo mansa
Depois que enche a pança
Seu sumiço não tem fim.
*
Mesmo assim eu amansei
A tal rola com prazer
Ela construiu um ninho
Mas se você quer saber
Agora tem planos novos
Aqui só deixou os ovos
Pra dela eu não me esquecer.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 24 de março de 2020

UMA GLOSA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA) 24.03.20

 

UMA GLOSA

Quem quiser cante a desgraça
Porque meu canto é de amor.

Eu vou ler o seu recado
Depois reler com carinho
Vou pensar em nosso ninho
Profano também sagrado
Onde reside o pecado
Onde perco meu pudor
Pois a vida eu dou valor
E não vou perder a graça
Quem quiser cante a desgraça
Porque meu canto é de amor.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 23 de março de 2020

SÓ UM BOLERO (POEMA DE DALINHA CATUNDA)

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SÓ UM BOLERO

Dalinha Catunda

 

O acaso a dança o instinto
Colocou-nos lado a lado
O frio e o vinho tinto
Meu corpo no teu colado
Li no teu olhar faminto
A resenha do meu fado.
*
A paixão desenfreada
Chegou feito furacão
Cegamente apaixonada
Dei asas à emoção
Levitei inebriada
Nos ardis do coração.
*
Mas meu coração cigano
De tanto amor se cansou
O seu também leviano
Um novo rumo tomou
Sem choro, mágoas ou dano,
O bolero ao fim chegou.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 20 de março de 2020

NA INVERNADA (POEMA DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

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NA INVERNADA

Dalinha Catunda

 


Quando finda a estiagem

Quando chove no sertão

Tudo fica diferente

Brota logo a plantação

A chuva cai todo dia

Biqueira faz melodia

Quando o pingo cai no chão.


*


Relâmpago risca o céu

Vejo o corisco brilhar

O barulho do trovão

Não chega a me apavorar

Por detrás do nevoeiro

A serra some ligeiro

Parecendo se encantar


*


A brisa que sopra mansa

Logo vira vento forte

Nos braços da ventania

Cai a chuva muda a sorte

Cheiro de terra molhada

Anuncia a invernada

Novo rumo, novo norte.


*


A caatinga se refaz

Faz mágica a natureza

Quando a grota enche o açude

Na força da correnteza

E se o rio bota enchente

Meu olhar segue a corrente

Perde-se na boniteza.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 18 de março de 2020

CUIDADOS, SIM! PARANOIA, NÃO!

 

 

CUIDADOS, SIM! PARANOIA, NÃO!

 

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 06 de março de 2020

MULHER DE RAÇA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

MULHER DE RAÇA

*

Neguinha sou para amigas

Minha nega pro amado

Sou morena citadina

Meu cabelo é ondulado

Sou dona das minhas ventas

Sou das mulheres atentas

Tenho nariz empinado.

*

Sou cabocla sertaneja

E trago no matulão

A astúcia da matuta

Que desbravou o sertão

E que não poupou canela

Quando abriu sua cancela

Buscando libertação.

*

Da fralda da Ibiapaba

Sou das alas das guerreiras

Agarrada ao jacumã

Enfrentei as corredeiras

Em cima duma piroga

Sou guerreira que se joga

Nas águas das Ipueiras

*

Sou a mistura das raças

Sou a miscigenação

Sou Catunda, sou do Prado

Tenho sangue de Aragão

Sou cunhã, sou companheira,

Sou concubina parceira

Eu só não sou é padrão.

*

Versos  de Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 05 de março de 2020

O CORNO FOFOQUEIRO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

O CORNO FOFOQUEIRO

Quem vive de propagar
Que o seu fulano é corno
As vezes causa transtorno
Nem chega a desconfiar
Que chifres vive a levar
Sem que venha perceber
Faz chacota com prazer
Mas devia ficar mudo
Pois continua o chifrudo
Sendo o último a saber.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 03 de março de 2020

QUEM NÃO TEM O QUE CONTAR, QUE SENTIDO TEM A VIDA?

 

QUEM NÃO TEM O QUE CONTAR

QUE SENTIDO TEM A VIDA?

 

*

Eu só conto minha história

Porque tenho o que dizer

E se você quer saber

Tenho tudo na memória

Agitada trajetória

Foi a minha e bem vivida

Sempre fui muito atrevida

Não deixei nada escapar

QUEM NÃO TEM O QUE CONTAR

QUE SENTIDO TEM A VIDA?

.

Glosa de Dalinha Catunda

Mote de Gevanildo Almeida


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 19 de fevereiro de 2020

ABRAM ALAS PRO MEU QUIÇÁ (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

ABRAM ALAS PRO MEU QUIÇÁ

Dalinha Catunda

*

Hoje lembro com saudade

O tempo bom que passou

Quando o não era um talvez

E assim você me ganhou

Você puxava meu braço

Eu evitava o abraço

Porém você me laçou.

*

No cordão que se formava

Circulando no salão

Você com sua insistência

Segurou a minha mão

E me beijou bem na hora,

A do: " vou beijar-te agora"

E ganhou meu coração.

*

Você foi o meu pirata

Eu a sua colombina

Lembro nós dois enroscados

Nos laços da serpentina

Quando meu não virou sim

Não desgrudou mais de mim

A paixão foi repentina.

*

E não acabou em cinzas

Esse amor de carnaval

Aos encantos da conquista

Botei fé e dei aval

Apostei na fantasia

Colhi amor e alegria

E fui feliz no final.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 14 de fevereiro de 2020

EU! PSIU...

 

EI! PSIU…

 

Ei! Você pode, sim, me olhar,
Olhar não tira pedaço,
E não vai me incomodar.
Me olhe sem embaraço,
E quem sabe se eu quiser
Pode pintar um affair
Não sou de estardalhaço.

Ei! não deixe de ser chistoso,
Não adira ao desencanto,
Não desista da conquista,
E aposte no acalanto.
Pra quem fomenta emoção,
E quer sim, em vez de não,
Sabe bem guiar seu canto.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de fevereiro de 2020

BONECA DE PANO

 

 

BONECA DE PANO

Fotos da colunista

Dias felizes da infância
Inda guardo na memória
A dona simplicidade
Fez parte  da trajetória
A bonequinha de pano
Foi rainha nessa história.

Eram compradas nas feiras
Arrematas em leilão
Brinquedo mais precioso
Que tive no meu sertão
Os vestidos eu fazia
Sempre costurando a mão.

Guardei essa tradição
E hoje volto a brincar
De fazer as bonequinhas
Somente pra exercitar
Esse meu prazer antigo
Que me encanta recordar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 06 de janeiro de 2020

BONECAS DE PANO

Bonecas confeccionadas por Dalinha Catunda

 

BONECAS DE PANO

É de boneca em boneca
Que volto pro meu sertão
Caprichando em cada cria
Tentando acertar a mão
Fazendo minhas Delfinas
As bonecas nordestinas
Graciosa tradição.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 25 de dezembro de 2019

NATAL AGRESTE (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

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NATAL AGRESTE
*
O natal que vejo agora
É um natal diferente
É só troca de presente
Jesus, o povo ignora.
Saudades tenho d’outrora
Do natal que antes tinha
O presépio era lapinha,
Montado lá na matriz,
Na igreja o povo feliz
Rezava sua ladainha.
*
Era simples o presente
Porém sem reclamação,
Era só animação
Da criançada contente
Animando o ambiente
Que hoje não vejo igual.
A árvore de natal
De garrancho era feita
E eu ficava satisfeita
De ajudar no ritual.
*
Era mesmo devoção
Ir para missa do galo,
A ceia era um regalo,
Nos natais do meu sertão
Tinha comemoração
Mas tinha o Deus menino
Lá no templo nordestino
Nos meus natais do agreste
Onde a estrela celeste
Guiava nosso destino.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 11 de dezembro de 2019

BORDANDO VERSOS (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

BORDANDO VERSOS

Dalinha Catunda

 

BORDANDO VERSOS
*
Como quem faz um bordado
Vou fiando meu cordel
Procurando ser fiel
Tramo com todo cuidado
Cada ponto do traçado
Faço com dedicação
Trago a metrificação
Pra cada verso compor
FAÇO RIMA COM AMOR
FAÇO CORDEL COM PAIXÃO
  

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 04 de dezembro de 2019

O QUE FAZ A CARESTIA DA CARNE? (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

 

O QUE FAZ A CARESTIA DA CARNE?

 


*
Fui com marido ao açougue
Lá cheguei a me zangar
Pois vendo o preço da carne
Começou a resmungar
Desse preço compro não
Como é bife do “oião”
E danou-se a reclamar.
*
Ele cheio de argumento
Falava e dizia assim:
A gente come feijão,
E farofa de “toicim,”
Deixe logo de ora pois
Também tem baião de dois
E isso tá bom pra mim.
*
Eu saí batendo pé
Sem querer me conformar
Zangada que nem o cão
Esse cabra vai pagar
Eu fiz como ele queria
Contudo a minha alegria
Ele conseguiu quebrar.
*
Quanto chegou a noitinha
Que a gente foi se deitar
Virei de costas pra ele
E ele a me cutucar
Querendo carne comer
Eu disse: Tu vais morrer
Mas carne não vou te dar.
*
Durante o dia eu sonhei
Com costela e costeleta
Ele querendo poupar
Já deu uma de ranheta
Quando apertou a vontade
Deixei ele na saudade
Dispensei sua baioneta.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 29 de novembro de 2019

SEM PODA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

 

SEM PODA
*
Não tente apagar o brilho,
Que carrego em meu olhar.
Não queira conter o riso,
Que insisto em ostentar.
Sou mulher independente,
É boa minha semente,
Escolhi onde brotar.
No solo que eu germino,
O meu canto feminino,
Não deixo ninguém podar.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 06 de novembro de 2019

A REVOADA DAS POMBAS

 

 

A REVOADA DAS POMBAS

Vi a pomba bater asas
Esvaziando o terreiro
Era só um passarinho
Buscando novo roteiro
Pomba-de-arribação
Bem comum lá no sertão
No ir e vir corriqueiro.

Quando pousou na vivenda
Já era tempo de estio
Entretanto fez seu ninho
Acabei com seu fastio
Cuidada com bom xerém
Ela sentia-se bem
Arrulhava a cada cio.

Vi a rola satisfeita
Sempre renovando o ninho
E dava graças a Deus
Por tê-la em meu caminho
Mas tudo acabou em nada
Pois a rola desalmada
Sumiu em um torvelinho.

E foi-se a pomba vadia
Foi-se a Burguesa também
Por rolas eu não lamento
Umas vão e outras vem
E foi-se a pomba terceira
Não será a derradeira
Que meu alçapão detém.

Outro dia eu avistei
A vadia em meu quintal.
A Burguesa toda prosa
Vi pousando em meu varal
Mas quem hoje me fascina
É uma pomba-divina
Conhecida por trocal.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 15 de outubro de 2019

O ANJO BOM DA BAHIA HOJE É SANTA NO ALTAR

Santa Dulce dos Pobres

 

O ANJO BOM DA BAHIA
HOJE É SANTA NO ALTAR
*
Foi fazendo caridade
Acolhendo cada irmão
Que seu nome correu chão
Irmã Dulce era bondade
Sua força de vontade
Era firme ao abraçar
Viveu para amenizar
Do pobre sua agonia
O ANJO BOM DA BAHIA
HOJE É SANTA NO ALTAR
  

Mote e glossa de Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco segunda, 14 de outubro de 2019

XODÓ NORDESTINO

 

 

XODÓ NORDESTINO

Você gritou: Ô de casa!
Eu saí e dei bom dia
Me pediu um copo d’água
A desculpa eu conhecia
Saí quase no pinote
Fui pegar água no pote
Lhe servi com alegria.

Você me olhava com gosto
E eu olhava pra você
Ali nascia um chamego
E nós dois dele a mercê
Eu no começo corava
Quando você me chamava
Minha flor de muçambê.

Quando o fole da sanfona
Gemia nalgum lugar
Você trocava de roupa
Corria pra me pegar
E naquela brincadeira
No forró a noite inteira
Eu via o suor pingar.

Teu copo grudado no meu
Meu corpo no teu grudado
O povo todo olhando
O nosso rodopiado
Não tinha naquele chão
Pras bandas do meu sertão
Um casal mais animado.

Eu me arrumava todinha
Com meu vestido de chita
Aquela flor encarnada
Me deixava mais bonita
Você na sua paixão
Roubou pra recordação
Meu laço feito de fita.

Era um xodó animado
Era um chamego ladino
Tinha cheiro no cangote
Coisa só de nordestino
Ao som de xote e baião
Embalamos a paixão
Era um chamego bem-vindo.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 11 de outubro de 2019

XODÓ NORDESTINO

 

 

XODÓ NORDESTINO

*

Você gritou: Ô de casa!

Eu saí e dei bom dia

Me pediu um copo d'água

A desculpa eu conhecia

Saí quase no pinote

Fui pegar água no pote

Lhe servi com alegria.

*

Você me olhava com gosto

E eu olhava pra você

Ali nascia um chamego

E nós dois dele a mercê

Eu no começo corava

Quando você me chamava

Minha flor de muçambê.

*

Quando o fole da sanfona

Gemia nalgum lugar

Você trocava de roupa

Corria pra me pegar

E naquela brincadeira

No forró a noite inteira

Eu via o suor pingar.

*

Teu copo grudado no meu

Meu corpo no teu grudado

O povo todo olhando

O nosso rodopiado

Não tinha naquele chão

Pras bandas do meu sertão

Um casal mais animado.

*

Eu me arrumava todinha

Com meu vestido de chita

Aquela flor encarnada

Me deixava mais bonita

Você na sua paixão

Roubou pra recordação

Meu laço feito de fita.

*

Era um xodó animado

Era um chamego ladino

Tinha cheiro no cangote

Coisa só de nordestino

Ao som de xote e baião

Embalamos a paixão

Era um chamego bem-vindo.

*

Versos de Dalinha Catunda

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 09 de outubro de 2019

UMA GLOSA (CORDEL DE DALINHA CATUNDA) 09.10.19

 

 

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.

Você se diz cabra macho
Valentão e coisa e tal
Que me leva no bornal
Só para apagar meu facho
Eu querendo lhe despacho
Porém não fujo da rinha
Se souber levar Dalinha
O duelo acaba em nada
Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sábado, 05 de outubro de 2019

UM MOTE E UMA GLOSA - 05.10.19

 

PONHA GOTAS DE PRAZER

NESSA SUA TRAJETÓRIA.

*

Felicidade é visita

Que chega mas vai embora.

Quando some a gente chora,

Porque dela necessita.

É passageira, é restrita,

É um pingo em cada história,

E por ser tão transitória.

Desnude-se pra viver:

PONHA GOTAS DE PRAZER

NESSA SUA TRAJETÓRIA.

*

Glosa e mote de Dalinha Catunda


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 02 de outubro de 2019

CUIDE DO SEU IDOSO – 1º DE OUTUBRO, DIA INTERNACIONAL DO IDOSO

 

 

CUIDE DO SEU IDOSO – 1º OUTUBRO, DIA INTERNACIONAL DO IDOSO

Quem tem o seu idoso
Consciência deve ter.
Cuidar dele com carinho,
É obrigação, é dever.
Ter zelo, ter paciência,
E também tomar ciência:
Todos vão envelhecer.

Não maltrate um ancião
Que já não sabe o que faz
Mas que foi seu alicerce
E já foi muito capaz
Já lhe deu casa e comida
Mas antes lhe deu a vida
E merece enfim ter paz.

Cada vez que a paciência,
Fugir do seu coração
Reze, reflita e pense,
Não faça judiação
Pois quem não morre envelhece
E quase sempre padece
Sofrendo de mão em mão.

Não se esqueça de lembrar
De quem de você lembrou.
Nos verdes anos da vida
De você sempre cuidou.
Mesmo hoje sem memória
Faz parte da sua história,
Que o tempo não apagou.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 22 de setembro de 2019

HÁ JUDAS

 

HÁ JUDAS

Quem quer ser bem recebido
Aprende a receber bem
Jamais inventa porém
E não se mete a sabido
Quem só quer ser merecido
Não tem vaga do meu lado
Termina sendo enxotado
Eu não ofereço ajudas
Pois quem enche cu de judas
É molambo bem socado.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 19 de setembro de 2019

UM MOTE E UMA GLOSA - 18.09.19
 

UM MOTE E UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.

Você se diz cabra macho
Valentão e coisa e tal
Que me leva no bornal
Só para apagar meu facho
Eu querendo lhe despacho
Porém não fujo da rinha
Se souber levar Dalinha
O duelo acaba em nada
Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quinta, 12 de setembro de 2019

DAUDETH BANDEIRA E DALINHA CATUNDA – MOTE E GLOSA

 

 

DAUDETH BANDEIRA E DALINHA CATUNDA

Daudeth Bandeira

Eu não conheço Dalinha
Mas desejo conhecê-la
Todo poeta precisa
Conhecer uma estrela
Não pra ser o dono dela
Mas para aplaudi-la e vê-la.

Dalinha Catunda

Eu já conheço Daudeth
E muito, de ouvir falar,
Fama de cada Bandeira
Faz o mastro tremular
Seu clã é constelação
Constantemente a brilhar.

Daudeth Bandeira

Dalinha pega mais fogo
Do que capim no verão,
É do tipo das caboclas
Que pingam brasa no chão,
São responsabilizadas
Por quase todas queimadas
Que existem no sertão.

Dalinha Catunda

Sou fogueira de paixão
Lambendo o chão da campina
Incendiando o agreste
Tal ventania ladina
Apesar de ser matreira
Não sou de queimar Bandeira
Meu fogo não desatina.

***

PRA SUA FACA AFIADA
TEM COURO MINHA BAINHA.
*
Você se diz cabra macho
Valentão e coisa e tal
Que me leva no bornal
Só para apagar meu facho
Eu querendo lhe despacho
Porém não fujo da rinha
Se souber levar Dalinha
O duelo acaba em nada
PRA SUA FACA AFIADA
TEM COURO MINHA BAINHA.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 10 de setembro de 2019

A MOÇA TRISTE

 

 

A MOÇA TRISTE

Alta, branca tão bonita,
Mas quanta dor nela existe
No dourado dos cabelos
Sua nobreza persiste
Caminha com elegância
Deixando sua fragrância
No caminho a moça triste.

Nos lábios um ar de riso
No olhar tanta tristeza
Compondo sempre o semblante
Sem ofuscar a beleza
Da rapariga tristonha
Que não vive, apenas sonha,
No seu mundo de incerteza.

Pobre princesa sofrida
Que conseguiu ser rainha
Porém vive acorrentada
Mesmo se solta caminha
Em cada canto do rosto
É visível seu desgosto
Ao transportá-lo definha.

E na sua ingenuidade.
Príncipe era encantado!
Palácio sem atração,
Castelo desmoronado,
É a causa do desgosto
Tracejado no seu rosto
No fracassado reinado.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 24 de julho de 2019

NO RIO SOU PARAÍBA E EM SÃO PAULO SOU BAIANA

 

 

NO RIO SOU PARAÍBA E EM SÃO PAULO BAIANA

Sou cearense da gema
Onde o sol nasce encarnado
A minha cabeça chata
Faz parte desse legado
Nunca me vi coitadinha
Faca, tirei da bainha
Pra riscar o meu traçado.

No Rio sou Paraíba,
Em São Paulo sou baiana
Minha nordestinidade
Não me deixa ser fulana
Na Feira dos Paraíbas
Revejo em minhas idas
Que nossa gente se irmana.

Não nasci pra ser piolho
Tenho meu discernimento
Jamais segui a manada
Pra isso tenho argumento
Prefiro ter meu poder
Sem empoderada ser
Só sigo meu pensamento.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco sexta, 05 de julho de 2019

ALVOROÇO NO CANIL

 

 

ALVOROÇO NO CANIL

Eu vi cão feroz babando
Eu vi cadela latindo
E o mundo inteiro assistindo
A nossa degradação
No canil tanto ladrão
Com medo duma coleira
Estavam sem focinheira
E aumentou o meu temor
Quase morde o domador
A matilha brasileira.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 02 de julho de 2019

SOU MULHER E SOU BENDITA

 

Eu bem sei que tudo passa
Na vida que a gente tem
Por isso é que vivo a vida
Decidida e sem porém,
Pois triste de quem nasceu
Viveu e nem percebeu
O prazer de ir além.

Montei no lombo da vida
E na sela eu me aprumei
As rédeas em minhas mãos
Com firmeza segurei
Aticei meu alazão
Tirei poeira do chão
A porteira escancarei.

Assim eu ganhei o mundo
Na estrada não me perdi
Provei dos sabores da vida
Chorei pouco e mais sorri
Dei aval ao coração
Pra cada contravenção
Das emoções que senti.

Em noite de lua cheia
O luar foi companheiro
Banhou-me com sua prata
Seduzi meu companheiro
Que vendo o brilho da lua
Rajando a pele nua
Operou como posseiro.

Criei asas e voei
Até devorei zangão
Provei geleia real
Escapei por ter ferrão
A vida não foi só mel
Se por vezes fui cruel
Faltou-me submissão.

Eu apeei em açude
Em ribeirão e riacho
Nos lugares mais bonitos
Arrefeci o meu facho
Pois a vida me sorria
E a dona hipocrisia
Deixei com cara de tacho.

Quem arriscou me laçar
Ficou com corda na mão
Eu derrubei muita estaca
E até cerca de mourão
Campeei como eu queria
Hoje faço é poesia
Dessa saga no sertão.

Dei corda ao meu instinto
Feito Maria Bonita
Meu fado eu canto em verso
Pois não caí em desdita
Entre o profano e o sagrado
Meu norte foi consagrado
Sou mulher e sou bendita.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco terça, 18 de junho de 2019

A SAGA DO SABUGO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA, COLUNISTA DO ALMANAQUE RAIMUNDO FLORIANO)

A SAGA DO SABUGO

Dalinha Catunda

 

.
Meu caro amigo quem acha,
Que o sabugo é o vilão.
Nunca correu paro o mato,
Bem cheio de precisão.
Depois do serviço feito
É que da fé o sujeito
Que faltou papel a mão.
.
Um sabuguinho perdido,
No meio do milharal,
É a salvação da lavoura
E até que não pega mal.
Quem é que vai recusar,
De com ele se limpar
Sem outra escolha afinal?
.
Não fiquem de boca aberta.
Nem pensem que é novidade.
Pois ele era apreciado,
Nos campos e na cidade.
Passou na bunda de gente
Que posava de decente,
Da alta sociedade.
.
O sabugo, meu amigo
Já foi de grande valia.
Bunda de ricos e pobres,
Muitas vezes acudia.
Mas o povo é bem cruel
Agora que tem papel,
O sabugo repudia.
.
Nos velhos tempos foi tido
Como a melhor solução.
E limpa, coça e penteia,
Dizia a população.
Que nos tempos das refregas
Já andou limpando as pregas,
Sabugo era a salvação
*
Versos de Dalinha Catunda
Foto da página Enquanto Isso em Goiás


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 09 de junho de 2019

ROLA X PERIQUITO (CORDEL DE DALINHA CATUNDA)

 

 

ROLA X PERIQUITO

 

Qualquer semelhança com a vida dos racionais é mera coincidência

Nesses tempos atuais
Amigo vou lhe contar
Tem coisa que não entendo
Também não posso explicar
Pois até a natureza
Exibe sua aspereza
Quando resolve brigar.

Um periquito vadio
Que gostava de dinheiro
Resolveu grana ganhar
Não aqui, no estrangeiro,
Começou a atuar
E viu seu plano vingar
Foi esperto e foi ligeiro.

Para uma pomba lesa
O periquito ligou
Mas a rola vaidosa
Burra nem desconfiou
Que o tal do periquito
Todo sarado e bonito
Um bom golpe planejou.

O periquito esperto
Enviou fotografia
Mostrou que era capaz
De encarar uma porfia
E a pomba encantada
Logo caiu na cantada
Sem saber o que fazia.

Periquito decidido
Resolve a situação
Levou a pomba abestada
Direto para o colchão
Foi pena pra todo lado
Fizeram amor adoidado
Até rolaram no chão.

O periquito contente
Deu conta do seu recado
A rola baixou a cabeça
Quando viu o resultado
É hoje ave acuada
Porque vai ser depenada
O golpe foi confirmado.

Após contar essa saga
Pasmada eu aqui medito:
Pois tem coisa que me assombra
Eu vejo e não acredito
Só sendo coisa do diabo
É pomba tomar no rabo
Por comer um periquito.

 


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 05 de junho de 2019

EU LEVO MINHA VIDINHA, DO JEITO QUE GOSTO E QUERO (MOTE E GLOSA DE DALINHA CATUNDA)

EU LEVO MINHA VIDINHA

DO JEITO QUE GOSTO E QUERO

Dalinha Catunda

EU LEVO MINHA VIDINHA

DO JEITO QUE GOSTO E QUERO.

Mote e glosas de Dalinha Catunda

*

Não nasci pra ser padrão,

Tenho manha e sou teimosa,

Não sou fraca ou desditosa,

Piso com força no chão.

Eu sou mulher do sertão!

Sem queixa, sem lero-lero,

Ti ti ti eu não tolero,

Quem diz isso é Dalinha:

EU LEVO MINHA VIDINHA

DO JEITO QUE GOSTO E QUERO.

*

Resolvi ser diferente

Somente pra não ser santa

Eu sei que meu jeito espanta

Porém fico indiferente

Pra viver eu boto é quente

Tempo bom eu não espero

Levo na valsa ou bolero

A saga que é só minha

EU LEVO MINHA VIDINHA

DO JEITO QUE GOSTO E QUERO.


Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 15 de maio de 2019

QUANDO PAPAI ME FEZ (CORDEL COM DALINHA CATUNDA)

 

 

QUANDO PAPAI ME FEZ…

 

Quando meu papai me fez
Diz ele que caprichou
Começou no escurecer
E a noite inteira levou
Não faltou material
A gala era especial
Mamãe também cooperou.

Capricharam nos olhinhos
Na boca, queixo e nariz
Minha mãe abriu as pernas
E o velho passou o giz
Assim foram desenhando
E formato fui ganhando
Naquele dia feliz.

Quando painho chegou
Largou logo a lazarina
E disse para mainha
Hoje eu faço uma menina
Os documentos lavou 
E com mamãe se deitou
E apagou a lamparina.

Numa cama de pau duro
Começou o rebolado
Meu velho ia e voltava
E mamãe fazendo agrado
Para eu não nascer feia
Fizeram na lua cheia 
E foi bom o resultado.

 

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco domingo, 05 de maio de 2019

AFLORA A LIBERDADE

AFLORA A LIBERDADE

Dalinha Catunda

 

Já fui árvore nativa

Crescendo bem natural

Mas o machado da vida

Em mim fez corte brutal

Com sua poda inclemente

Quis me fazer diferente

Mas teimei em ser igual.

*

Por ter raízes profundas

Presa a terra continuei

E nos troncos decepados

Ramagem nova espalhei

De cada poda aplicada

Saía revigorada

Por isso me propaguei.

*

Florida reflorescida

Dei fruto também semente

A parte que foi podada

Cresceu abundantemente

E na estação das flores

Dos sonhos ouço rumores

Perfumando meu presente.


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