Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Dalinha Catunda - Eu Acho É Pouco quarta, 12 de novembro de 2025

O CASTIGO DA SOGRA MALVADA (CORDEL DA COLUNISTA MADRE SEPERIORA DALINHA CATUNDA)

O CASTIGO DA SOGRA MALVADA

Dalinha Catunda

Capa de Roberto Braga

 

Eu vou contar uma história
Daquelas de antigamente
Que ouvi quando criança
E guardei na minha mente
Foi Tia Isa quem contou
E eu agora aqui estou
Passando a história a frente.

Sempre à boquinha da noite
Com cadeiras na calçada
Sentava-se minha tia
No meio da criançada
Que ouvia com atenção
Detalhes da contação
De cada história narrada.

Foi assim que me criei
E abraço essa tradição
Um ponto vou aumentando
No transcorrer da oração
Sem esquecer a magia
Das histórias de titia
Nas calçadas do sertão.

Pra não quebrar a magia
Desse jeito de contar
Vou imitar minha tia
No modo de iniciar
Descrever como ela fez
Repetindo: ERA UMA VEZ
Para a história começar.

Era uma vez uma mãe
Que bem moça enviuvou
Tinha somente um filhinho
Dele muito bem cuidou
Era a razão da sua vida
Para a criança querida
Carinho nunca faltou.

Um bom menino ele era
Sempre muito obediente
Auxiliava sua mãe
Não fugia do batente
Viviam em harmonia
Um do outro companhia
O que a deixava contente.

 

O tempo foi se passando
O bom menino cresceu
Seu mundo ficou maior
A mãe logo percebeu
E assim viviam em paz
Pois tornou-se um bom rapaz
O filho que Deus lhe deu.

Quando o filho já rapaz
Começou a namorar
Tirou da mãe o sossego
Por ela não aceitar
Mais uma mulher na vida
Da criança tão querida
Do seu menino exemplar.

E cada vez que o mancebo
Um namoro iniciava
A velha toda manhosa
Uma doença inventava
Ele muito preocupado
Não saía do seu lado
E sem namorar ficava.

Era um moço inteligente
Mas tinha uma mãe sagaz
Uma mulher egoísta
Que de tudo era capaz
Para o filho não perder
De tudo iria fazer
E roubou do moço a paz.

Para não aborrecer
Nem a mãe contrariar
Só namorava escondido
Coisa séria nem pensar
Mas quando chega a paixão
Quem fala é o coração
E ninguém pode empatar.

Com o filho da viúva
Foi isso que aconteceu
Um dia numa quermesse
Uma jovem conheceu
Passaram a namorar
A mãe quis atrapalhar
Mas resultado não deu.

Era moça bem-criada,
Donzela muito bonita
E tinha nome de Santa
Essa meiga senhorita
Foi batizada e crismada
Pelo pai foi registrada
A bela Maria Rita.

A viúva a contragosto
A donzela recebia
Porém não se conformava
Com tudo que acontecia
E até fez um juramento
Acabo esse casamento
Não vai demorar dizia.

Tratava a futura nora
Com desdém, com insolência
Maria Rita humilhada
Fez promessa e penitência
O casório aconteceu
Maria Rita venceu
Usando de paciência.

A velha engoliu o choro
Porém a vingança armava
Na sua cabeça insana
Dia a dia arquitetava
Um plano muito cruel
Com gosto amargo de fel
Com sua astúcia contava

O filho mesmo casado
Perto da mãe foi morar
Apesar dos contratempos
Não iria abandonar
A sua mãe tão querida
Mulher que lhe deu a vida
E que não deixou de amar.

O seu trabalho era ingrato
Viajava o tempo inteiro
Pois comprava e revendia
Couro pra fazer dinheiro
Deixava a mulher sozinha
Tendo a mãe como vizinha
Sempre ficava cabreiro.

Sempre que a sogra podia
Da nora falava mal.
Mas o marido dizia:
– Meu amor é especial!
– Pode ser que sim ou não,
Vamos ver quem tem razão.
Quem está certo afinal.

– Minha mulher é honesta
E tem um bom coração.
– Você acredita nisso?
– Porém eu não creio, não!
– E se você não me aprova
– Faça com ela uma prova
Vai ver que tenho razão.

– Arquitete uma viagem
– Porém volte do caminho
– De noite você vai ver
– O que sucede em seu ninho.
O rapaz mudou de cor
Seu olhar era de dor
Não queria ser mesquinho.

Entretanto resolveu
Fazer o que a mãe queria
Pois viver cheio de dúvidas
Ele não conseguiria
O ciúme lhe encharcava
Mas ao mesmo tempo achava
Que a mulher não merecia.

Arrumou a sua viagem
Como em outras vezes fez
E beijou a sua amada
Meio sem jeito, na tez
Pediu pra nossa Senhora
Proteção naquela hora
Pra não se perder de vez.

Com o coração partido
Ele deixava seu lar
Sem saber o que seria
Dele quando regressar
Pela fresta da janela
A sua mãe de sentinela
Confiante a vigiar.

A viúva nem pensou
Que Deus é onipotente,
Se o cão, atenta d’um lado,
Deus do outro está presente
Vestiu-se para sair
E seu plano concluir
De maneira inconsequente.

Não demorou muito tempo
Um homem apareceu
De terno e usando chapéu
E em sua porta bateu
O moço ficou gelado
Completamente abalado
E a tragédia aconteceu.

Correu pra cima do homem
Com uma arma na mão
Descarregou a pistola
Tinha perdido a razão
O homem caiu de bruços
Gritava o moço em soluços
Não aceito traição.

Irado arrombou a porta
E a mulher puxou sem tino
Arrastou pelos cabelos
Em completo desatino
Venha ver o seu amante
Que eu matei nesse instante
Você me fez assassino.

A mulher sem entender
Apavorada gritava:
– Eu nunca tive um amante!
Mas ele não escutava
E seguia enlouquecido
Pra porta onde o falecido
Ensanguentado estava.

Quando chegaram a porta
Ele soltou a consorte
Desvirou o traidor
Que não escapou da morte
De susto ele desmaiou
Porque não acreditou
Na sua falta de sorte.

Pois naquela cena atroz
O corpo inerte no chão
De terno e com um chapéu
Lhe causava comoção
Era sua mãe querida
Mulher que lhe deu a vida
Caiu na própria armação

A pobre Maria Rita
Resolveu naquela hora
Abandonar o marido
Que o seu perdão implora
Mas ela com os seus ais
Voltou pra casa dos pais
Para sempre foi embora.


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