A paralisação do jogo por 1h12 devido ao dilúvio que criou diversos pontos de alagamento no gramado do Mangueirão, em Belém (PA), foi o que a Supercopa do Brasil ofereceu de mais inesperado. Com a bola rolando, não dá para dizer que a vitória folgada do Flamengo sobre o Botafogo, por 3 a 1, surpreendeu. Pelo contrário. A disputa da primeira taça do ano refletiu as escolhas dos dois clubes em relação ao início de temporada. Afinal, só o rubro-negro entrou preparado para ser campeão. E assim o fez.
— A gente fica muito feliz de começar 2025 comemorando um título. O ano é muito promissor para a gente. E nós esperamos estar até o fim do ano comemorando mais conquistas com a nação — celebrou Bruno Henrique ao canal Sportv.
Bruno esteve longe de brilhar sozinho. O Flamengo foi campeão com grandes atuações de Wesley, que apareceu bem na frente e levou a melhor em quase todas as disputas atrás; de Plata, que se movimentou de forma inteligente e achou bons passes; e, ainda que com um pouco menos de destaque, também de Gerson, de Michael, de De la Cruz e de Rossi — não sob o travessão, mas por seus lançamentos que já iniciavam jogadas de perigo.
Com tantos destaques individuais, é natural que coletivamente o time também tenha ido bem. O Flamengo do técnico Filipe Luís impôs um ritmo intenso, dominou o meio, girou a bola dos dois lados e apresentou movimentações na entrada da área que deixaram os alvinegros confusos. Sem contar a marcação adiantada que dificultou a saída de bola do adversário e o levou a cometer erros decisivos.
A boa atuação, com fluidez e eficiência, foi a principal notícia para o torcedor do Flamengo. Mais do que a taça. Mostra que, até aqui, a preparação para a temporada foi acertada e gera uma perspectiva animadora para as próximas disputas.
Do outro lado, porém, ainda que a derrota possa ter sido dolorida para o torcedor, é importante ponderar que ela não traz grandes implicações para 2025. Se o resultado de ontem não surpreendeu foi justamente porque o Botafogo chegou a Belém com uma semana a menos de pré-temporada (o que, neste começo de ano, faz muita diferença) e ainda sem um treinador efetivo para a equipe principal.
Esse estágio inferior na preparação também se refletiu nas poucas jogadas trabalhadas pela equipe de Carlos Leiria. O Botafogo abusou dos lançamentos longos e das bolas levantadas na área. O estreante Artur ensaiou algumas jogadas pela direita, mas pecou na execução. Destaque do ano passado, Savarino teve atuação discreta. Já Matheus Martins levou a pior no duelo com Wesley. Igor Jesus, por fim, acabou pouco acionado e precisou voltar.
O gol de Patrick de Paula, já no fim do confronto, foi mais uma tentativa do time de dar uma resposta após sofrer o terceiro gol do que fruto de uma melhora. Ficou claro que vai ser preciso ter paciência com o Botafogo.
Ela só parece ter acabado mesmo com Lucas Halter, destaque negativo do domingo. O zagueiro cometeu o pênalti em Bruno Henrique que gerou o primeiro gol do atacante, aos 12; chegou atrasado no segundo dele, aos 19; e seu erro na saída de bola municiou Luiz Araújo, autor do terceiro do Fla, aos 37 da etapa final. Uma provável despedida decepcionante do defensor, que negocia com o Vitória.
Mais alarmante do que o desequilíbrio físico e tático é o dos elencos. Pelas poucas boas opções no banco, Leiria não tinha ferramentas para mudar o jogo e demorou a mexer.
— O tempo de preparação é muito importante. Teremos um próximo encontro no dia 12, e certamente vai diminuir essa distância — prometeu Leiria, referindo-se ao jogo pelo Carioca.