SONETO 111 - EU VIVIA DE LÁGRIMAS ISENTO (POEMA DO PORTUGUÊS LUÍS DE CAMÕES)
SONETO 111 - EU VIVIA DE LÁGRIMAS ISETO
Luís de Camões
(Grafia original)
Eu vivia de lágrimas isento,num engano tão doce e deleitosoque, em que outro amante fosse mais ditoso,não valiam mil glórias um tormento.Vendo-me possuir tal pensamento,de nenhüa riqueza era envejoso;vivia bem, de nada receoso,com doce amor e doce sentimento.Cobiçosa, a Fortuna me tiroudeste meu tão contente e alegre estado,e passou-se este bem, que nunca fora;em troco do qual bem só me deixoulembranças, que me matam cada hora,trazendo-me à memória o bem passado.