Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Fernando Antônio Gonçalves - Sem Oxentes nem Mais ou Menos sábado, 28 de dezembro de 2024

POR UMA DEFECTOLOGIA TERRESTRE (CRÔNICA DO COLUNISTA FERNANDO ANTÔNIIO MACHADO)

POR UMA DEFECTOLOGIA TERRESTRE

Fernando Antônio Machado

Todos nós temos deficiências físicas, emocionais, morais, comportamentais, espirituais, ideológicas e políticas. Outro dia, fui alertado por uma amiga psicanalista para a leitura de um livro recém editado por uma muito conceituada editora brasileira, páginas indispensáveis para pais, responsáveis, educadores, líderes políticos e lideranças militares, empresariais, religiosas e comunitárias: O ESSENCIAL DE VOGOTSKI, Robert W. Rieber e David K. Robinson (orgs), Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2014, 910 p.

A defectologia foi escrita por Vigotski (1896-1934). Em seus estudos, ele relata as suas análises sobre o desenvolvimento e aprendizagem da criança com deficiência, considerando os vários tipos de deficiência, podendo ser intelectual ou física. Para Vigotski, a deficiência era vista até então como um defeito, por isso o nome defectologia, mas isso desclassificava a pessoa, tornando-a inferior.

O meio em que a pessoa está inserida é de extrema importância e faz toda a diferença, ainda mais quando consideramos que a defectologia não é somente para as pessoas com deficiência, mas para qualquer ser humano. A deficiência vem sendo intensamente estudada e os estudos continuam evoluindo. Entretanto, os estudos de Vigotski permanecem contextualizados até o momento e devemos considerar excepcional sua abordagem sobre o desenvolvimento e aprendizagem da pessoa com deficiência.

Cada pessoa é diferente da outra. Sendo assim, as particularidades precisam ser respeitadas e precisa ser também entendido que o ambiente faz toda a diferença na construção de cada identidade. A defectologia de Vigotski faz críticas à forma como as escolas especiais agiam com suas crianças. Para ele, tais escolas não eram canais de viabilização do convívio social e assim não contribuíam para o desenvolvimento psicossocial dos alunos. Os aspectos terapêuticos eram prioritários e as escolas se baseavam nas informações clínicas para conduzir os aspectos pedagógicos em relação à criança. Isso contribuía muito para a estigmatização de parte da infância, levando-a a ser vista como alguém limitado em relação aos outros. O foco não estava na superação ou no desenvolvimento das potencialidades, mas sim em fazer somente o que ela poderia efetivar.

Para Vigotski, a transformação da atitude pedagógica, voltando-se para as habilidades da criança, trariam um atendimento de melhor qualidade. Com essa mudança, outro foco passou a ser a tentativa de desvendar o desenvolvimento infantil da pessoa com deficiência e o que direciona esse desenvolvimento. É importante ressaltar que Vigotski pontuava que a deficiência não é somente um fator biológico, mas antes de tudo carrega em si as causas sociais.

É fundamental ir para além do conhecimento da deficiência da criança, precisar vê-la considerando sua personalidade e o seu meio, posto que dessa forma será possível encontrar mais fidelidade no estudo sobre a deficiência.

Esse processo de compensação se dá pelo enfrentamento travado pelo organismo e a “enfermidade”, como é chamado por Vigotski. A deficiência provoca sintomas variados de dupla ordem. Por um lado, as funções são alteradas e, por outro, o organismo tenta enfrentar o transtorno. O desenvolvimento do ser humano, de forma geral, deve servir como modelo para o entendimento do processo de compensação, pois as dificuldades podem servir de estímulo para as funções compensatórias.

Uma leitura amplamente necessária nas áreas das Ciências da Educação, Antropologia e da Sociologia, potencializando binoculizações estratégias criativas que beneficiariam uma cognitividade cidadã evolucionária.

Por que será que o Brasil, um país-continente, está tendo um desempenho bem aquém das suas potencialidades atléticas, nas Olimpíadas de Paris 2024? Onde estariam as causas principais das nossas atuais deficiências sociais, culturais, econômicas, militares e religiosas? E como enfrentá-las, defenestrando seus responsáveis? Duas questões que uma boa leitura meditativa do livro de Vigotski muito auxiliaria para efetivar uma solução profundamente atenuante.


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