PERIPÉCIAS DE UM COROINHA NA IGREJA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA (CRÔNICA DO COLUNISTA JOÃO RIBEIRO, O BEIRÓ)
Peripécias de um Coroinha na Igreja de Nossa Senhora de Fátima
(Do livro Histórias de Minha Vida)
A Igreja de Fátima
Quando morei na Rua Mamede, em Fortaleza, fiz a minha Primeira Comunhão e fui coroinha por um período, acompanhado por meus colegas vizinhos, que também ajudavam nas missas. Tive que aprender as respostas às falas do padre, durante a missa, em Latim. A disputa por quem ajudava mais missas era grande.
Minha batina de coroinha era a menor, de número 1 (toda vermelha, com uma parte branca por cima, mas não sei mais os nomes das vestimentas). Apesar de muito concentrado nas atividades, nós por vezes pedíamos para comer hóstias que ainda não tinham sido consagradas! Imaginem... E nesse meio surgiram mais outras aventuras perigosas em pleno altar da Igreja...
Um turíbulo voador, que tentou fazer um 360 graus!
Prestem bem atenção a este fato que aconteceu no exercício de minha função de coroinha! Em uma das novenas, na Igreja de Fátima, bem em frente ao altar eu ficava em pé eu ficava balançando o turíbulo: “O turíbulo é utilizado principalmente nas missas solenes. É um objeto que queima o incenso com a simbologia de que nossas orações subam aos céus, assim como a fumaça do turíbulo, que também sobe aos céus”.
Pois bem, como eu tinha uns doze anos e não era alto o suficiente para girar o turíbulo completamente no ar, praticava na porta de trás da sacristia, buscando mais impulso para aquecer melhor a brasa e intensificar a fumaça do incenso. Deixava o turíbulo balançar na altura do primeiro degrau da descida, até que conseguisse fazer um giro de 360 graus, ou seja, girar inteiramente. Esta “operação 360” não era necessária, é claro, mas eu estava treinando! Puro espírito de aventura. Naquele local, no patamar da escada, tudo dava certo, porque o turíbulo tinha altura para passar sem bater no degrau de baixo. E assim eu seguia praticando.
Mas, como dizem que “o inimigo ataca por todos os lados” eu fui tentado e decidi na hora “H”, realizar aquela proeza durante a novena, com o Padre Gerardo celebrando a missa, a fazer o tal 360 bem na frente do altar. Girei várias vezes para que o turíbulo pegasse força até achar que daria certo.
E então, no grande momento... Um grande estrondo! Um barulho que assustou muitas pessoas... Fracasso total! O turíbulo girou no ar, mas, ao descer, chocou-se com o chão e espalhou brasas incandescentes por todo o altar. O olhar atento do Padre Gerardo me atingiu em cheio e, num reflexo desesperado, comecei a recolher as brasas com as mãos, tentando manter a compostura. Mas o estrago já estava feito! Resultado: passei a juntar as brasas rapidamente com as mãos e continuar como nada tivesse acontecido, um verdadeiro acidente de percurso. Mesmo assim fui advertido para que não tentasse mais aquela “arte” no altar.
João Ribeiro da Silva Neto