Quando a porta fechou e tu partiste
E eu fiquei afogada em solidão
Ruminando essa tua ingratidão
Um punhal com o qual tu me feriste
O meu peito era apenas ave triste
Sobre um galho de angústia abandonada
Sem cantar, sem voar, sem comer nada
De tristeza morrendo a toda hora
Desde que resolveste e foste embora
Na saudade vivendo engaiolada.
Cada cena da gente relembrada
Duas águas escorrem em meu rosto
Vão salgando os meus lábios de desgosto
Vão deixando minha alma ensopada
Tu serás pela vida alma penada
Que no amor cometeu assassinato
Enquanto eu voltarei ao meu recato
Pois, perdi pela vida seus encantos
E quando eu me cansar de tantos prantos
O meu lenço será um pano de prato.