Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial domingo, 29 de dezembro de 2024

OS BRASILEIROS: Oswaldo Aranha (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ COMINGOS BRITO)

OS BRASILEIROS: Oswaldo Aranha

José Domingos Brito

Oswaldo Euclides de Sousa Aranha nasceu em Alegrete, RS, em 15/2/1894. Advogado, diplomata e político. Personagem destacado na política brasileira na década de 1930, no governo Vargas, e nas relações do Brasil com os EUA. Presidiu a Assembleia Geral da recém-criada ONU, em 1947, atuando no Plano de Partilha da Palestina, que criou o Estado de Israel. A tradição de se manter a abertura da reunião anual da ONU, por um brasileiro, é mantida até hoje.

 

 

Filho de Luísa Jacques de Freitas Vale Aranha e Euclides Egídio de Sousa Aranha, fazendeiro e coronel da Guarda Nacional, teve os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas de São Leopoldo e no Colégio Militar do Rio de Janeiro, concluído em 1911, aos 17 anos. Ingressou na Faculdade Nacional de Direito, mas antes de se formar, foi para a França em tratamento da saúde e passou uma temporada em Paris. Aproveitou a estadia para aprofundar estudos na área jurídica e, de volta ao Brasil, retomou o curso de Direito, concluído em 1916. Na universidade manteve intensa atividade política junto a alguns nomes que se destacariam mais tarde no cenário nacional.

Retornou ao Rio Grande do Sul e instalou banca de advogado em Uruguaiana, em 1917, aos 24 anos. Aí atuou até 1923 e ficou conceituado em questões relacionadas com transações de terra e gado. Nessa época travou amizade com o advogado Getúlio Vargas, com quem chegou ter clientes em comum. Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre “chimangos” (aliados de Borges de Medeiros, presidente do estado) e “maragatos” (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros. Em 1925 foi prefeito de Alegrete, cidade fundada por seu avô. Além de Porto Alegre, foi a única cidade do Estado a contar com luz elétrica nas ruas, calçamento e rede de esgotos. Com sua peculiar diplomacia conseguiu apaziguar os conflitos entre as famílias separadas pelos conflitos entre os chimangos e maragatos, de 1923.

Em 1924 foi lecionar direito internacional na Faculdade de Direito de Porto Alegre e participou dos combates aos movimentos armados, incluindo a “Coluna Relâmpago”, em fins de 1926, visando impedir a posse de Washington Luiz na presidência da República. Nesse combate, foi atingido no pé e teve o calcanhar esfacelado. Sempre atuante na política, foi candidato pelo PRR-Partido Republicano Rio-grandense, e eleito para a Assembleia de Representantes do estado. Mas não chegou a assumir o cargo, pois logo seria eleito também para a Câmara Federal, em maio de 1927, ocupando o lugar de Vargas, que foi indicado para o Ministério da Fazenda.

Na Revolução de 1930, agia nos bastidores para organizar o levante armado e negociou com a Junta Governativa Provisória a entrega do Governo a Getúlio Vargas e foi nomeado Ministro da Justiça. No ano seguinte assumiu o Ministério da Fazenda, consolidando a dívida externa brasileira. Como foi alijado do processo político na escolha do interventor em Minas Gerais, pediu demissão do cargo em 1934 e foi assumir a embaixada brasileira nos EUA. Ficou impressionado com a democracia estadunidense e tornou-se amigo do presidente Franklin Roosevelt. Em 1937 não aceitou os rumos da política de Vargas, com o Estado Novo, e entregou o cargo de embaixador. No entanto, aceitou o cargo de Ministro das Relações Exteriores; combateu a tendência germanófila do governo e buscou maior aproximação com os EUA. Sob sua direção o Itamaraty passou por uma grande reforma administrativa.

Na II Guerra Mundial, destacou-se na criação da ala pan-americanista, defendendo a aliança com os EUA e contra o ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra, partidário de uma aproximação com a Alemanha. Presidiu a “Conferência do Rio”, em 22/8/1942, quando o Brasil rompe as relações com os países do Eixo, anunciando o estado de beligerância com a Alemanha Nazista e a Itália. Foi uma vitória de suas convicções pan-americanistas. Pouco depois se demitiu de cargo de chanceler, após o fechamento da Sociedade dos Amigos da América, da qual era vice-presidente, em 1944. Alguns analistas viam-no como candidato natural nas eleições de 1945, mas a falta de uma base política e a fidelidade a Vargas fizeram com que não disputasse as eleições.

Em 1947 voltou à cena política como chefe da delegação brasileira na recém-criada ONU-Organização das Nações Unidas e presidente da Assembleia Geral, que votou o “Plano de Repartição da Palestina, culminando na criação do Estado de Israel. Tal feito rendeu-lhe eterna gratidão dos judeus e sionistas por sua atuação. Foi homenageado com seu nome dado a ruas em Tel Aviv, Bersebá, Ramat Gan e uma em Jerusalém. Em 1953 voltou a ocupar a pasta da Fazenda, promovendo reformas na área econômica, enfrentando a crise do final do governo Vargas. Com a morte de Vargas, retirou-se do governo e só voltou no governo Juscelino Kubitschek (1956-61), retornando à ONU na frente da delegação brasileira e fechando sua carreira política.

Faleceu em 27/1/1960 e dentre as diversas homenagens que recebeu em vida, consta o prato carioca “Filé à Oswaldo Aranha”, um filé alto temperado com alho frito, acompanhado de batatas portuguesas e farofa de ovos. Certamente era um “bon gourmet”. Em 2020 entrou no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”. No ano seguinte, seu neto Pedro Correa do Lago prestou-lhe uma homenagem com o lançamento do livro Oswaldo Aranha – Uma fotobiografia, pela Ed. Capivara. É detentor de diversas biografias, com destaque para Oswaldo Aranha: a Estrela da Revolução, de Aspásia Camargo, lançada pela Ed. Mandarin em 1996; Oswaldo Aranha: uma biografia, de Stanley Hilton, lançada pela Ed. Objetiva em 1994 e Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro, de Sérgio Eduardo Moreira Lima, lançada pela Ed. da Fundação Alexandre Gusmão em 2017.

 


Escreva seu comentário

Busca


Leitores on-line

Carregando

Arquivos


Colunistas e assuntos


Parceiros