Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial domingo, 08 de junho de 2025

OS BRASILEIROS: Mario Pedrosa (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

OS BRASILEIROS: Mario Pedrosa

José Domingos Brito

Mário Xavier de Andrade Pedrosa nasceu em 25/4/1900, em Timbaúba, PE. Advogado, jornalista, escritor, ativista político e, principalmente, crítico de arte. Iniciador das artividades da oposição de esquerda internacional no Brasil, liderada por Leon Trótski, na década de 1930 e da crítica de arte moderna brasileiira na década de 1940. Foi um dos líderes e teórico do movimento concretista no Brasil.

 

 

Filho de Antonia Xavier de Andrade Pedrosa e Pedro da Cunha Pedrosa, usineiro e senador da República, aos 13 anos foi estudar na Suiça, no Institut Quinche, onde ficou até 1916. Ao retornar ao seu País, mudou-se para o Rio de Janeoiro e ingressou na Faculdade Nacional de Direito, onde teve os primeiros contatos com o marxismo, num grupo de estudos organizado pelo Prof. Edgardo de Castro Rebello. Logo após formar-se advogado, em 1923, mudou-se para São Paulo, onde passou a trabalhar não como advogado. Foi redator de política internacional no jornal Diário da Noite. Além disso, publicava também artigos de crítica literária. Seu envolvimento na política resultou na filiação ao PCB-Partido Comunista Brasileiro, em 1926.

Em 1927, mudou-se para São Paulo para assumir a direção da Organização Internacional para Apoio a Revolucionários (Socorro Vermelho), fundada em 1922 pela Internacional Comunista, para prover auxilio moral e material aos comunistas presos ou perseguidos em todo o mundo. Por essa época, teve contatos com os opositores ao stalinismo e foi enviado à Russia, em 1927, onde faria um curso na Escola Leninista Internacional, em Moscou. Na viagem adoeceu, na Alemanha, e por lá ficou, passando a combater o movimento nazista, que se inciava. Na época estudou filosofia, estética e sociologia na Universidade Humboldt de Berlim, com renomados pensadores.

Retornou ao Brasil em 1929 e manteve contatos com Rodolfo Coutinho e Lívio Xavier, que também se opunham às políticas adotadas pela direção do PCB. Pouco depois foi expulso do “partidão”, devido a sua ligação com o movomento trotsksita. Em 1931, junto com alguns amigos, fundou a Liga Comunista, ligada à Oposição de Esquerda Internacional. Em 1938, representou vários partidos operários da América Latina no Congresso de Fundação da Quarta Internacional, em Périgny, França, e foi eleito para o Comitê Executivo da IV Internacional. Após o fim do Estado Novo, retornou ao Brasil e tornou-se crítico de arte do Correio da Manhã (1945-1951), d’O Estado de São Paulo (1951-1956), da Tribuna da Imprensa (1951-1956), Jornal do Brasil (1957-1961) e voltou ao Correio da Manhã em 1966-1968. Nestes jornais conciliava sua condição de crítico de arte com crítica política na seção opinativa.

A II Bienal de Arte de São Paulo, em 1953, consagrou o pintor ítalo-brasileiro Eliseu Visconti, numa exposição especial, considerado por ele como o “inaugurador” da pintura nacional. Nesta Bienal, trouxe obras, como Guernica, de Picasso, bem como obras dos principais mestres da vanguarda artística da época: Paul Klee, Mondrian, Alexander Calder, Edvard Munch, Marcel Duchamp e Juan Gris. Pouco depois, foi secretário-geral da 4ª Bienal (1957); organizou o Congresso Internacional de Críticos de Arte (1959); vice-presidente da AICA-Associação Internacional de Críticos de Arte; presidente da ABCA-Associação Brasileira de Críticos de Arte, além de membro do juri de diversas bienais de arte em todo mundo.

Em 1970 foi processado por denunciar no exterior a prática de tortura a presos politicos e teve decretada a prisão preventiva. Buscou asilo no Chile, que logo se tornou público. A revista The New York Review of Books publicou carta aberta assinada por uma centena de personalidades internacionais (Calder, Picasso, Henry Moore, Max Bill etc.), responsabilizando o governo brasileiro por sua integridade física. Já em Santiago, em 1971, foi convidado pelo diretor do Instituto de Arte Latino-americana, Miguel Rojas Mix, para integrar aquela entidade e ministrar aulas de história da arte latino-americana na Faculdade de Belas Artes de Santiago. Pouco depois, foi incumbido pelo presidente Allende de organizar um museu de arte moderna no país.

Em pouco tempo e graças às suas amizades, conseguiu a doação de mais de mil obras de grandes artistas (Calder, Miró, Picasso etc.) e em 1972, na primeira exposição, foi inaugurado oficialmente o Museo de la Solidaridaried. Regressou ao Chile no ano seguinte dois dias antes do golpe militar e da morte de Salvador Allende. Asilou-se na embaixada do México, para onde se mudou, e depois para Paris, acolhido por novo asilo político. De lá, batalhou e consegiu recuperar as obras doadas ao Museu apreendidas pela junta militar chilena.

Em 1977, já doente, retronou ao Brasil e passou a acompanhar o surgimento das lutas sindicais no ABCD paulista. Em agosto de 1978, publicou o artigo: “Carta a um Operário”, dirigida ao líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo a formação de um partido dos trabalhadores clique aqui para ler). Em seguida participou da fundação do PT, em 1980, Foi o primeiro dos intelectuais a se filiar, tendo a ficha de inscrição nº 1. No campo das artes, foi protagonista no surgimento do movimento concretista no Brasil; diretor do MAM-Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e autor de vários livros: Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília, Calder e a música dos ritmos visuais (1949), Artes, necessidade vital (1949), Dimensões da arte (1951), Forma e personalidade (1951), Panorama da pintura moderna (1951), Da Missão Francesa, seus objetivos políticos (1957), Arte em crise (1975), Panorama da pintura contemporânea, A problemática da arte contemporânea, Arte agora, Arte/forma e personalidade (1979), Da natureza afetiva da forma na obra de arte (1979), além de vários artigos publicados em revistas especializadas. Deixou inacabado o livro A pisada é esta, (sua autobiografia).

Em 1980, ao completar 80 anos, foi homenageado com uma exposição na Galeria Jean, contendo as obras de muitos dos seus amigos artistas, cobrindo o período de 1919 a 1980. Dessa exposição resultou o catálogo “Homenagem a Mário Pedrosa”. No mesmo ano, coordenou a edição do livro Museu da Imagem do Inconsciente, de Nise da Silveira e faleceu em 5/11/1981, aos 81 anos. Em termos biográficos e análise literária, temos: Mario Pedrosa: Retratos do exílio, de Carlos Eduardo de Senna Figueiredo, publicado pela Ed. Antares, em 1981; Mario Pedrosa: Itinerário crítico, de Aracy Amaral e Otília Beatriz F. Arantes, publicado pela Cosac Naify, em 2004; Mario Pedrosa e o Brasil, de Aracy Amaral, publicado pela Fundação Perseu Abramo, em 2001; Mario Pedrosa: arte, revolução, reflexão, de Franklin Pedroso e Pedro Vasquez, publicado pelo Centro Cultural Banco do Brasil, em 1992 entre outras biografias e análises.

 


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