Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial domingo, 28 de setembro de 2025

OS BRASILEIROS: Graça Aranha (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

OS BRASILEIROS: Graça Aranha

José Domingos Brito

José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21/6/1868, em São Luís, MA. Escritor e diplomata, foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna, em 1922. Seu romance Canaã é considerado um dos grandes marcos do nacionalismo e do pré-modernismo no período 1902-1922. Foi também um dos fundadores da ABL-Academia Brasileira de Letras, em 1897.

 

 

Filho de Maria da Glória de Alencastro Graça e Temístocles da Silva Maciel Aranha, tradicional família do Maranhão. Graduado em Direito pela Faculdade do Recife, atuou na magistratura e fez carreira diplomática servindo em Londres, na condição de secretário de Joaquim Nabuco. Foi ministro na França, Holanda e Noruega. Assim, esteve a par dos movimentos de vanguarda que surgiam na Europa. Ao retornar ao Brasil, se aproximou dos jovens modernistas que buscavam uma renovação na arte brasileira e participou ativamente do movimento. Proferiu a conferência na abertura da Semana de 1922 – “A Emoção Estética na Arte Moderna” – e sua presença foi vista como um importante apoio intelectual ao movimento modernista.

Em sua conferência retomou aspectos centrais de seu livro A estética da vida (1921) e lança as bases do evento modernista: “o que hoje fixamos não é a renascença de uma arte que não existe. É o próprio comovente nascimento da arte no Brasil, e como não temos felizmente a pérfida sombra do passado para matar a germinação, tudo promete uma admirável florada artística”. Sua importância para o movimento modernista de 1922 tem sido minimizada, apesar da repercussão de suas obras e de ter feito o discurso de abertura da Semana de 1922. Foi definido por Oswald de Andrade como o “protomártir da nova era” e descrito por Mário de Andrade como “a antemão da Semana”. Para Di Cavalcanti, ele teria dado um ar de “seriedade” ao evento, pois “sua habilidade de diplomata, seu savoir faire de mundano, sua autoridade de mais velho, agiam como música sedutora”.

Segundo alguns autores, ele passou a ter sua presença sistematicamente desprezada nas avaliações do movimento. Ao que parece, isso se deve à incorporação de um discurso formulado pelos próprios participantes do movimento, que, no decorrer do tempo, elegem e cristalizam as imagens de Mário e Oswald de Andrade como seus líderes legítimos, vindo a ofuscar a pluralidade do grupo modernista. Em 1924 proferiu uma palestra chamada “O Espírito Moderno” na própria ABL e fez severas críticas à Academia, acusando-a de ser conservadora, de constranger a livre inspiração e de tolher o jovem talento. “Se a Academia se desvia desse movimento regenerador, se a Academia não se renova, morra a Academia!”. Pouco depois, em outubro de 1924, se desligou da ABL por meio de uma carta, formalizando seu rompimento com a instituição que ajudara a fundar. Sentiu que sua permanência na Academia era incoerente com suas ideias vanguardistas.

Casou-se com Maria Genoveva de Araújo, em 1891, e mais tarde manteve relacionamento amoroso com Nazareth Prado, irmã de Paulo Prado, ambos já casados. Em 1928, ele passou a viver abertamente com Nazaré, embora não pudessem se casar devido às restrições legais da época. Em 1935 tiveram suas “Cartas de amor” publicadas. O relacionamento durou mais de 2 décadas, até sua morte em 26/1/1931. Tal vínculo com a famíla Prado, facilitou sua aproximação com os modernistas da Semana de 1922, tendo em vista que Paulo Prado foi um de seus organizadores. O relacionamento amoroso prolongado influenciou sua atuação pública em defesa do divórcio. Tal visão crítica da sociedade conservadora aparece também em suas obras literárias. Qustões como liberdade individual, moralidade e crise de valores são temas recorrentes.

Sua ligação com Paulo Prado foi reforçada pelos negócios, que não eram poucos. Em meados de 1915, Paulo presidia Algumas empresas, como o Banco do Comércio e Indústria, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o Curtume Água Branca, o Frigorífico Barretos, a Vidraria Santa Marina, além de negócios imobiliários no Guarujá e o Automóvel Clube. Por essa época Paulo lhe enviou uma carta a respeito de uma remessa de café para a Rússia e ele passa a trabalhar para a família Prado, a partir de 1915, intermediando os interesses da empresa na Inglaterra.

Foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e da Ordem Militar de Cristo, ordens honorficas portuguesas. Deixou diversos livros publicados relevantes para Movimento Modernista, tais como A estética da vida (1921), Espírito moderno (1925), Futurismo (manifesto de Marinetti e seus compannheiros) (1928), e um texto autobiográfico explicitando seu estilo e forma literária: O meu próprio romance (1931).

 


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