Gilberto de Mello Freyre nasceu em 15/3/1900, em Recife, PE. Foi um dos “intérpretes” do Brasil. O verbete da Wikipedia diz que “foi um polímata brasileiro”, ou seja, alguém que detém um grande conhecimento em diversos assuntos. Sociólogo, escritor, antropólogo, geógrafo, historiador, jornalista, ensaísta, poeta e pintor. Foi o intelectual mais premiado na história do País e um dos mais importantes sociólogos do século XX, conclui o verbete.
Filho de Francisca de Mello Freyre e Alfredo Freyre, professor de Economia Política da Faculdade de Direito do Recife, teve os primeiros estudos em inglês, no jardim da infância, do Colégio Americano Batista Gilreath, que seu pai ajudou a fundar. Ainda jovem foi protestante batista, chegando a ser missionário. Aos 18 anos foi estudar nos EUA, na Universidade Baylor (Texas), onde se formou bacharel em Artes Liberais e na Universidade Columbia, onde conheceu Franz Boas, sua referência intelectual. Ao frequentar cultos nos EUA, desencantou-se com protestantismo batista e tornou-se ateu, embora mantivesse uma cosmovisão cristã e simpatizasse com o Xangô do Recife.
Em 1922 publicou sua dissertação de mestrado Social life in Brazil in the middle of the 19th century, na revista Hispanic American Historical Review, obtendo o título “Master of Arts”. Seu primeiro (e mais conhecido) livro Casa-grande & senzala (1933), é considerado uma das intepretações do Brasil. Embora o livro tenha lhe rendido o título de “ideólogo da democracia racial no Brasil”, o tema não foi abordado diretamente no livro. Ao contrário da acepção do termo erroneamente atribuído a ele, Freyre não via o Brasil como uma “democracia racial” no sentido de ausência de racismo. De certo modo, ele rechaça as doutrinas racistas de branqueamento do Brasil e demonstrou que o determinismo racial ou climático não influencia no desenvolvimento de um país. O livro é o primeiro de uma trilogia junto com Sobrados & Mucambos (1936), sobre a sociedade no Brasil imperial e Ordem & Progresso (1957), onde discute a sociedade brasileira durante a República.
Era dotado de estilo, uma verve literária incomum. Na década de 1920 escreveu um poema inspirado em sua primeira visita à Salvador, intitulado Bahia de todos os santos e de quase todos seus pecados. O poema deixou Manuel Bandeira tão animado, que declarou numa carta: “Teu poema, Gilberto, será a minha eterna dor de corno. Não posso me conformar com aquela galinhagem tão gozada, tão envergonhosamente lírica, trescalando a baunilha de mulata asseada!”. Os dois mantinham uma ativa troca de correspondência.
Como historiador deu certa relevância ao protagonismo de Portugal e foi pioneiro no estudo histórico e sociológico dos territórios colonizados pelos portugueses. Chegou a desenvolver um ramo de estudo/pesquisa, que chamou de “Lusotropicologia”, com a publicação do livro O mundo que o português criou (1940), ressaltando o papel dos portugueses na criação da “primeira civilização moderna nos trópicos”. É verdade que a ditadura portuguesa do governo Salazar, usou e abusou destes feitos para exaltar a pátria portuguesa no mundo e justificar seus atos, mas isso é outra história.
Antecedeu questões do atual multiculturalismo como política de uma ideal inclusão harmônica. Frente à questão, o historiador George Reid Andrews sintetizou sua posição: “Os proponentes do branqueamento tinham buscado europeizar o Brasil e torná-lo branco; Freyre, em contraste, aceitou que o Brasil não era nem branco nem europeu, e que nunca o seria. Em vez de a Europa dos trópicos, o Brasil estaria destinado a ser um novo mundo nos trópicos: um experimento exclusivamente americano no qual europeus, índios e africanos tinham se juntado para criar uma sociedade genuinamente multirracial e multicultural”. Como político, foi presidente do partido UDN-União Democrática Nacional e foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte, em 1946. Faleceu em 18/7/1987 e deixou mais de 30 livros publicados com fecundos estudos sobre o povo brasileiro.
A lista de prêmios, títulos e honrarias que recebeu é grande, incluindo o “Prêmio Aspen”, consagrado a “indivíduos notáveis por contribuições excepcionalmente valiosas para a cultura humana”, Ordem Nacional da Legião de Honra, da França, Ordem do Império Britânico, Prêmio Internacional La Madonnina, Ordem Militar de Cristo, de Portugal, entre outros. No plano nacional, foi agraciado com outros tantos, como: Prêmio Moinho Santista, Medalha Joaquim Nabuco, Premio Jabuti, Prêmio Esso, Troféu Diarios Associados, Medalha Massagana, Ordem do Mérito dos Guararapes, de Pernambuco etc.
A Fundação Gilberto Freyre abriga a Casa-Museu Magdalema e Gilberto Freyre, no bairro Apipucos, Recife, onde viveu por mais de 40 anos. Aberto à visitação pública, mantém variado acervo de objetos colecionados e ordenados pela família Freyre. São peças de origem africana, azulejos portugueses com peças da arte popular brasileira, porcelanas orientais com prataria inglesa e portuguesa, além de vasto acervo bibliográfico e uma rica pinacoteca. Clique aqui para acessar.