Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial sábado, 09 de agosto de 2025

OS BRASILEIROS: Eliseu Visconti (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

OS BRASILEIROS: Eliseu Visconti

José Domingos Brito

Eliseo D’Angelo Visconti nasceu em Salermo, Itália, em 30/7/1866. Pintor, desenhista e designer. Despontou como pintor entre os séculos XIX e XX, é considerado um dos mais importantes pintores brasileiros e o mais expressivo representante da pintura impressionista do Brasil. Foi considerado, em 1953, o “inaugurador da pintura nacional” pelo crítico de artes Mario Pedrosa.

 

 

Filho de Christina Visconti e Gabriel d’Angelo, imigrou para o Brasil ainda criança com sua irmã, em 1873, e passou a viver na fazenda de Luiz de Souza Breves, o Barão de Guararema, em Minas Gerais. A esposa do Barão adotou o garoto como um filho e cuidou de sua educação. Estudou no Rio de Janeiro e após um frustrado início na música, ingressou no Liceu de Artes e Ofícios, em 1882. Pouco depois ingressou na Academia Imperial de Belas Artes, tendo como professores grandes pintores, como Victor Meirelles, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo.

Em 1890 integra o grupo dos “modernistas”, que abandonam a Academia para fundar o “Ateliê Livre”. No governo republicano, a Academia transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes e ele volta a frequentá-la. Mais tarde, foi premiado num concurso do Governo com uma viagem à Paris. Ingressou na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts e cursou arte decorativa na École Guérin, com Eugène Grasset, um dos expoentes do movimento Art Nouveau. Expôs em algumas galerias da cidade e recebeu Medalha de Prata na Exposição Universal de Paris, em 1900. Aproveitou a viagem para conhecer Madrid e fez algumas cópias de Diego Velázquez. Na volta ao Brasil não pode trazer sua amada Louise Palombe, mas depois tornou-se o amor de toda sua vida, tornando-se a inspiradora de sua obra.

Em Paris e Madrid inova em sua pintura na temática e na execução da obra. Adquire as técnicas do impressionismo, assimila suas leituras e encara a “art nouveau” sem romper com o aprendizado adquirido no Brasil. Em 1901 organizou sua primeira exposição individual na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, incluindo os trabalhos de design e em 1903 levou a exposição a São Paulo. Sua primeira incursão pelo design incluía cartazes, cerâmicas, tecidos, papéis, vitrais etc. A exposição foi um sucesso e foi elogiada pela revista francesa “L´Illustration”. Em seguida venceu um concurso organizado pela Casa da Moeda, com 16 selos postais

O sucesso da exposição motivou o prefeito Pereira Passos a convidá-lo para executar todas as pinturas da sala de espetáculos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No período 1908-1913, lecionou pintura na Escola Nacional de Belas Artes. Deixou o cargo de professor para retornar à Europa e realizar a decoração do foyer do Theatro Municipal, sua obra prima. Em 1920 retornou ao Brasil como grande pintor com um expressionismo próprio, marco divisório na pintura brasileira. O crítico Mario Pedrosa fez questão de ressaltar e reclamar: “Nasce uma nova paisagem na pintura do Brasil {…}. “Foi pena que o movimento moderno brasileiro, no seu início, não tivesse tido contato com Visconti. Os seus precursores teriam muito que aprender com o velho artista, mais experimentado, senhor da técnica da luz, aprendido diretamente na escola do neoimpressionismo”.

Foi esquecido pelos realizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, mas foi agraciado no mesmo ano com a Medalha de Honra na Exposição Comemorativa do Centenário da Independência. Porém, acompanhou com interesse os acontecimentos em São Paulo, para os quais não foi convidado. Mais tarde Pietro Maria Bardi não deixou por menos em seu comentário: “Esqueceram o único realmente moderno de sua época, que era Visconti”. Em 1926, apresentou nova exposição de design incluindo o ex-libris e o emblema da Biblioteca Nacional. No ano seguinte, deu início a fase de paisagens de Teresópolis.

Em meados da década de 1930, voltou ao Theatro Municipal para trabalhar em sua expansão e durante 2 anos manteve um curso de extensão universitária de artes decorativas na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Assim, tem início o ensino de design no Brasil. Sua atualidade permanece retratada em obras com tal grau de versatilidade, colocando-o como o mais expressivo representante do impressionismo e como pioneiro do nosso design, antecipando a modernização da arte brasileira. Era perceptível uma evolução em sua técnica sempre em busca do novo. Mais uma vez o crítico Mario Pedrosa se referiu ao pintor como o inaugurador da pintura nacional: “com as paisagens de Saint Hubert e de Teresópolis, Visconti é o inaugurador da pintura brasileira, o seu marco divisório. Nasce uma nova paisagem na pintura do Brasil. Ninguém na pintura brasileira tratou com idêntica maestria esse tema perigoso da luz tropical”.

Em 15/10/1944 seu ateliê foi assaltado e ele foi golpeado na cabeça, vindo a falecer aos 78 anos. Em 1953, a II Bienal de São Paulo apresentou uma sala especial em homenagem ao pintor ítalo-brasileiro. Sua vida e obra ficaram registradas em três livros: Eliseu Visconti – A modernidade antecipada, de Miriam Seraphim, publicado pela Holos Consultores Associados, em 2012; Eliseu Visconti – A arte em movimento, de Tobias Visconti, publicado pela mesma editora em 2012 e Eliseu Visconti e seu tempo, de Frederico Barata, publicado por Zélio Valverde, em 1944.

 


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