Angelo Agostini nasceu em 8/4/1843, em Vercelli, Itália. Caricaturista, ilustrador, desenhista, crítico de arte, pintor e gravador. É o mais importante artista gráfico no período do Segundo Reinado, pioneiro da revista em quadrinhos e desenhista da queda do Império e a consolidação da República no Brasil.
Ainda criança mudou-se para Paris, onde concluiu os estudos de desenho. Aos 16 anos, passou a viver em São Paulo com sua mãe, a cantora lírica Raquel Agostini. Aos 21 iniciou a carreira de cartunista e, junto com Sizenando Barreto Nabuco de Araújo (1842-1892) e do poeta Luís Gama (1830-1882), funda o semanário liberal Diabo Coxo, contando com sátiras sobre a Guerra do Paraguai e pequenos artigos com críticas às ordens religiosas. No ano seguinte lançou o Cabrião, cuja sede chegou a ser depredada, devido as críticas ao clero e à elite escravocrata. Fechou no ano seguinte e foi o primeiro órgão de imprensa no país a sofrer processo judicial.
Em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro e passa a colaborar no periódico O Arlequim e na revista Vida Fluminense, em 1869, que publica pela primeira vez a história (em quadrinhos) infantil Nhô Quim, publicada também em outras revistas. Os personagens são caipiras recém-chegados à cidade e convivem ao mesmo tempo com um mundo que se estrutura à margem da corte e com todos os tipos e entidades da mitologia rural brasileira.
Em 1876 fundou a Revista Ilustrada, uma das primeiras a exercer concretamente a autonomia de imprensa no 2º Reinado. Não aceita patrocínios e vive da venda de sua tiragem. Aqui publicou a célebre série de caricaturas do imperador Dom Pedro II. Seu traço aprofunda o realismo se aproximando de uma imagem quase fotográfica. A revista se engaja na campanha abolicionista e serve de veículo para posições anticlericais e republicanas. Segundo Joaquim Nabuco, a “Revista Ilustrada era a Bíblia Abolicionista do povo que não sabia ler”. O editor passa a atuar regularmente como crítico de arte, defendendo pintores que demonstram discordância com os preconceitos da Academia Imperial de Belas Artes.
Saiu em defesa dos artistas do Grupo Grimm, demostrando simpatia pelo comportamento antiesquemático daqueles paisagistas. Em 1879, editou a série de caricaturas “Salão Fluminense-Escola Brazileira”, em que satiriza as obras enviadas para os salões de belas-artes, incluindo as obras do pintor Victor Meirelles: “A Batalha dos Guararapes” e de Pedro Américo: “A Batalha do Avaí”. Durante a campanha abolicionista, publica a série de caricaturas “Cenas da Escravidão”, denunciando as diversas formas de tortura aplicadas aos negros cativos.
Em 1889 mudou-se para Paris e lá permanece até 1895. No retorno ao Rio de Janeiro, fundou a revista Dom Quixote; inicia a publicação das Aventuras de Zé Caipora; e passa a se dedicar mais às histórias em quadrinhos. Por esta época passou a se dedicar, também, à pintura e participou de todas as exposições gerais de belas artes até sua morte, em 28/1/1910. Segundo Nelson Werneck Sodré, “foi um artista extraordinário que engrandeceu suas criações com o sentido político que lhes deu”. Para o crítico Quirino Campofiorito “sua presença como pintor é bastante modesta, destacando-se sobretudo como desenhista e caricaturista. Foi feroz e decidido trabalhador pelo Abolicionismo e pela República, como jornalista brilhante e corajoso”.
O Salão Internacional do Humor de Piracicaba outorga anualmente o “Trofeu Angelo Agostini”, uma premiação promovida pela ACQ-Associação de Caricaturistas e Quadrinistas. Trata-se do maior prêmio dos quadrinhos no Brasil (https://bit.ly/TroféuAngeloAgostini). O dia 30 de janeiro entrou no calendário oficial do Brasil como “Dia do Quadrinho Nacional”, devido ao fato dele ter publicado ter publicado As aventuras de Nhô-Quim, o primeiro quadrinho brasileiro nesta data, em 1869.
Gilberto Maringoni publicou, em 2011, a biografia Angelo Agostini: a imprensa ilustrada da Corte à Capital Federal, pela editora Devir, com base em sua tese de doutorado, defendida em 2006 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais da USP.