Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Gonçalves Dias, O Poeta Nacional do Brasil domingo, 05 de maio de 2024

ORGULHOSA (POEMA DO MARANHENSE GONÇALVES DIAS)

 

Antônio Gonçalves Dias, nasceu em Aldeias Altas, Caxias (MA), a 10 de agosto de 1823, e faleceu em Guimarães (MA), a 3 de novembro de 1864).

 

Foi poetaadvogadojornalistaetnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como "indianismo", é famoso por ter escrito o poema "Canção do Exílio", o curto poema épico I-Juca-Pirama e muitos outros poemas nacionalistas e patrióticos, além de seu segundo mais conhecido poema chamado: Canções de Exílio, que viriam a dar-lhe o título de poeta nacional do Brasil. Foi um ávido pesquisador das línguas indígenas e do folclore brasileiro.

É o patrono da cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras.

 

Aos 20 anos de idade, estudava em Lisboa, Porugal e, num baile, convidou certa garota para dançar, ao que ela respondeu:

 

- Não danço plebeu, não danço com pobre!

 

Ao que ele respondeu com poesia abaixo, de improviso.

 

ORGULHOSA

Gonçalves Dias

 

Deixa-te disso, criança

Deixa de orgulho, sossega

Olha que a vida é um oceano

Por onde o acaso navega.

 

Hoje tu ostentas nas salas

As tuas pompas e galas

Os teus brasões de rainha

Amanhã, talvez, quem sabe?

Todo esse orgulho se acabe

Sendo-te a sorte mesquinha.

 

Deixa-te disso, olha bem

A sorte dá nega e vira

Sangue azul, em vós, fidalgos

Já neste século é mentira

 

Todos nós somos iguais

Os grandes, os imortais

Foram plebeus como sou

E ouve mais esta lição

Grande foi Napoleão

Grande foi Victor Hugo

 

Que valem nobres famílias

Linhagens puras de avós

Se o sangue dos reis é o mesmo

É o mesmo que corre em nós?

 

O que é belo, e sempre novo

É ver um filho do povo

Saber lutar e subir

De braços dados com a glória

Para o panteão da história

E as gerações do porvir.

 

De que te vale o que tens

Se não me podes comprar

Ainda que possuísses

Todas as pérolas do mar?

 

És fidalga, eu sou poeta!

Tens dinheiro? Eu, a completa

Riqueza no coração

Não troco uma estrofe minha

Por um colar de rainha

Ou troféus de latão.

 

Ainda há pouco, pedi-te

Para comigo valsar

Disseste és plebeu, és pobre

Não me quiseste aceitar.

 

E, no entanto, ignoras

Que aquele a quem mais adoras

Que te conquista e seduz

Embora seja da nata

Em mera figura chata

És fósforo que não dá luz.

 

Agora, sim, já é tempo

De dizer-te quem sou eu

Um jovem de vinte anos

Que se orgulha em ser plebeu.

Um lutador que não cansa

E que ainda tem esperança

De ser mais do que hoje é

Que luta pelo direito

Pra esmagar o preconceito

Da fidalguia sem fé.

 

Por isso, guardo me olhas

Com desdém e insensatez

Rio-me tanto de ti

Chego a chorar muita vez.

 

Chorar, sim, porque calculo

Nada pode haver mais nulo

Mais degradante e sem sal

Que uma mulher presumida

Toda, vaidosa, atrevida

Soberba, inculta e banal.

 


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