O PODER DA LEITURA E DA MÚSICA: CRÔNICA DO SACRISTÃO JOÃO RIBEIRO DA SILVA, O BEIRÓ, LÍDER DO CONJUNTO BIG BRASA
O PODER DA LEITURA E DA MÚSICA
João Ribeiro
A leitura, sempre incentivada por minha mãe Francisca Amasile (Zisile). Comecei a ler muito cedo, por volta dos quatro anos. A chegada da televisão em nossa casa foi um acontecimento marcante, provavelmente em 1957. Era um aparelho com gabinete metálico vermelho, de fabricação americana. Minha mãe dizia que descobriram que eu já sabia ler porque acompanhava os “reclames” da televisão.
Os livros também tiveram papel fundamental nessa fase. Li os Contos de Andersen, os Contos de Grimm, toda a coleção de Monteiro Lobato (mais de uma vez), além das curiosidades do Tesouro da Juventude, uma coleção riquíssima. Outra obra que me marcou foi a série Antes que aprendam na rua, voltada para crianças até 12 anos. A minha mãe, Francisca Amasile, conhecida na família apenas como Zisile, foi a maior incentivadora da leitura e eu devo a ela tudo isso, com muita gratidão!
Graças a Deus o celular ainda não existia! A tecnologia de hoje nos ajuda em muitos aspectos, mas também traz dispersão e problemas para a visão, especialmente em crianças que a utilizam desde cedo — como apontam diversos estudiosos, com os quais concordo plenamente. Os livros, ao contrário, foram decisivos para minha formação e me ajudaram a conquistar concursos importantes na vida profissional. O hábito da leitura, cultivado na infância, permanece até hoje.
O início dos estudos de música
Ainda em São José dos Campos, ganhei minha primeira sanfona, depois de iniciar as aulas de música com Dona Ivone, minha primeira professora. A primeira música que aprendi foi Rosa Maria que lembro até hoje. Ela segurava o instrumento e fazia o acompanhamento nos baixos, enquanto eu tocava a melodia no teclado.
Logo depois, minha mãe me presenteou com um acordeon de oito baixos, que anos mais tarde seria substituído por um de 80 baixos. Eu levava o instrumento até a casa de Dona Ivone, estudava a lição e voltava para casa — eram uns três quarteirões — tocando alegremente a música recém-aprendida.
A leitura e a música foram os pilares que moldaram minha infância e abriram caminhos para toda a minha vida. Se há algo que desejo transmitir a você, leitor, é que nunca subestime o poder dos livros e da arte. Eles nos ensinam disciplina, ampliam nossa imaginação e fortalecem nossa sensibilidade. Cultive o hábito de ler, de aprender e de se emocionar com a música — porque são essas pequenas sementes que florescem em grandes conquistas.