Neymar é o maior jogador que o futebol brasileiro revelou nos últimos 20 anos. E quando se cria uma incerteza quanto ao futuro de personagens desse porte, que combinam a condição de astros midiáticos globais e atletas donos de um talento descomunal, é natural que se estabeleça um debate em que todo mundo jura saber qual passo é o mais adequado. Seja qual for a próxima camisa que ele venha a vestir, o fato é que ele o fará não mais cercado pela certeza de que seu impacto em campo será brutal: pela primeira vez na carreira, o mundo olha para Neymar e enxerga uma grande interrogação.
É normal que, prestes a completar 33 anos e com este histórico recente, as opções de um jogador fiquem mais restritas. Neymar, naturalmente, não seria mais o astro disputado por todos os superclubes europeus. Hoje, seus caminhos possíveis parecem incluir ligas periféricas como a saudita, a americana ou a brasileira. Porque o mundo do futebol não o vê em campo com regularidade há muito tempo.
Qualquer avaliação justa da carreira de Neymar precisa, obrigatoriamente, tratá-lo como um jogador que combinou capacidade técnica e sorte em proporções inversas, especialmente em Copas do Mundo: a costela fraturada em 2014, as pancadas que resultaram em fraturas no pé e comprometeram seu desempenho em 2018, a nova pancada na estreia em 2022. Sempre que esteve saudável, foi um jogador extraordinário, inclusive pela seleção. E não se chega a tal nível profissional sem imensa dedicação.
Neste momento, no entanto, a sensação é de que o mundo tem um pé atrás em relação ao quanto Neymar se aproximará de sua melhor versão novamente. Permanecer na elite, após uma lesão tão grave e no momento de vida e carreira do atacante, exige um sacrifício imenso, sem garantia de retorno ao auge. E há outro elemento: na era das celebridades, personagem e atleta se confundem.
Sob o ponto de vista da seleção brasileira, quando se discute qual o melhor destino para Neymar, se deve ficar no Al Hilal, jogar com Messi em Miami ou voltar ao Santos, a resposta é simples: o melhor lugar é aquele em que Neymar jogue, e enxergue como um desafio onde precise se provar. É possível que não vejamos nunca mais o melhor Neymar, a versão “prime”, como ele próprio definiu. Mas um jogador próximo dela ainda é indispensável à seleção. Para o Campeonato Brasileiro, Neymar no Santos seria uma enorme atração. Para a seleção brasileira, será a renovação da esperança de vê-lo instigado a provar que não se afastou da elite do jogo.