Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Correio Braziliense quinta, 27 de março de 2025

NA TRILHA DE RENATO RUSSO: LÍDER DA LEGIÃO URBANA COMPLETARIA 65 ANOS

Na trilha de Renato Russo: líder do Legião Urbana completaria 65 anos

Artista é lembrado por parceiros e músicos como o grande poeta do rock

 
 
Morto em 11 de outubro de 1996, no Rio de Janeiro, em seu apartamento na Rua Nascimento e Silva, vítima da infecção do virus da imuno-deficiência humana, o músico deixou como legado oito discos de estúdio e três com registro ao vivo -  (crédito: kleber sales)
Morto em 11 de outubro de 1996, no Rio de Janeiro, em seu apartamento na Rua Nascimento e Silva, vítima da infecção do virus da imuno-deficiência humana, o músico deixou como legado oito discos de estúdio e três com registro ao vivo - (crédito: kleber sales)
 

Renato Manfredini Jr. era um jovem que estudava jornalismo no Ceub, amava os Beatles, tinha um programa na Rádio Planalto, em que tocava músicas ainda pouco conhecidas de novas bandas do rock inglês; sonhava ser cineasta; e mantinha em seu quarto, no apartamento da família, na 303 Sul, um precioso acervo de discos e livros.

Dono de um vozeirão, Renato costumava participar do Show do Arroto, entre o final da década de 1970 e início dos anos 1980, na Universidade de Brasília. Ao se auto-apelidar Renato Russo — em homenagem ao escritor francês Jean Jacques Rousseau —, montou uma banda, a qual, inicialmente,  intitulou de Aborto Elétrico. Então, foi até o Cafofo, um barzinho que existiu na 407 Norte e convenceu o pianista e proprietário, Rênio Quintas, mesmo sem conhecê-lo, a realizar ensaios no porão do estabelecimento.

 

Ao trocar o nome do grupo para Legião Urbana, talvez não imaginasse,  mas acabara de lançar a banda de maior relevância da história do rock Brasileiro. Se vivo estivesse, Russo estaria completando 65 anos. Morto em 11 de outubro de 1996, no Rio de Janeiro, em seu apartamento na Rua Nascimento e Silva, vítima da infecção do virus da imuno-deficiência humana, o músico deixou como legado oito discos de estúdio e três com registro ao vivo, além de um álbum vídeo, produzidos com a banda,  os de maior vendagem pela EMI-Odeon. Há, ainda, quatro solos, entre eles o icônico The Stonewall Celebration Concert, feito em homenagem a Robert Scott Hickmon,  parceiro de San Francisco, da Califórnia, nos Estados Unidos, com quem teve um relacionamento.

"Quando preparava-se para fazer o primeiro show, com o Aborto Elétrico, no começo dos anos dos anos 1970, Renato me procurou no Cafofo para,  fazer ensaios no porão, local que abrigava o Cuca, movimento que propunha a dinamização da cultura brasilense, voltado  para a música, literatura e teatro. Era um núcleo de resistência à ditadura", conta Rênio Quintas. O músico acrescenta: "Por seis meses, o Aborto tocou ali todo domingo".

Grande concerto

Para formar a banda, da qual seria o vocalista e baixista, Renato convidou André Pretorius, filho do embaixador da África do Sul; o guitarrista Kadu Lambach, que depois daria lugar a  Dado Villa-Lobos, filho de um diplomata, Marcelo Bonfá a quem conheceu em aulas da natação na AABB;  e Negrete, que trabalhava  como segurança em eventos noturnos.  

Ao Correio, Marcelo Bonfá disse que via em Renato, além de companheiro de ofício, um irmão mais velho, muito talentoso. "Além de ser autor da maioria das melodias, escrevia letras como poucos, na música brasileira, além de ser um grande arranjador e o inquestionável líder da banda. Se vivo estivesse,  certamente, teria como objeto de suas preocupações as questões espirituais". O baterista e Dado Villa-Lobos têm mantido vivo o legado do compositor em show pelo Brasil, inclusive Brasília.

Carmem Teresa, integrante de um grupo vocal, lembra com ternura do irmão, com quem conviveu menos tempo do que gostaria.  "Ele foi morar no Rio de Janeiro e o nosso contato diminuiu bastante, embora falássemos, por telefone, tanto minha mãe — Maria do Carmo Manfredini — quanto eu com alguma frequência. Sinto que Renato é amado pelos brasilienses, que via nele um dos seus heróis. Infelizmente, hoje, não temos acesso ao espólio do meu irmão, que está nas mãos do Giuliano, que foi nomeado herdeiro".

Quem ,igualmente, guarda muitas lembranças de Renato Russo é uma de maior destaque na cidade que gravou o CD Célia Porto canta Legião Urbana,  ançado em 1996. "Eu e Rênio estivemos no apartamento dele, no Rio de Janeiro e o falamos do nosso projeto. De imediato, ele deu a autorização e disse teria muito prazer em ouvir suas composições interpretadas por uma tiete".

Talento de poeta

No entendimento do hoje advogado Paulo César Cascão, que foi vocalista da banda Detrito Federal, contemporânea da Legião Urbana, Renato Russo se destacava pela genialidade enquanto poeta, na criação das letras de músicas da banda que liderava. "Renato foi o grande poeta do rock brasileiro. Escreveu letras que poderiam fazer parte de antologias. Com as músicas da Legião mostrou que Brasília era mais que a capital política do país. Ele foi uma espécie de líder do movimento que, nos anos 1980, levou a cidade a ser conhecida como capital do rock brasileiro".

Fundador e vocalista da banda Raimundos, surgida nos anos 1990, Digão revela que o primeiro contato que teve com a música da Legião Urbana foi na adolescência.   "Ao ouvir um disco da Legião fiquei impressionado, em especial pelas letras. Via em Renato Russo uma das cabeças pensantes do país. Imagino que se ele ainda estivesse entre nós, atualmente, embora continuasse a compor, poderia ser um grande escritor".


Escreva seu comentário

Busca


Leitores on-line

Carregando

Arquivos


Colunistas e assuntos


Parceiros