Desventura de Clarinha
Eu rasgo a roupa do corpo
Fico nua e enlouquecida
Grito coisas desconexas
Excomungando a vida
Eu fico descabelada
Me atiro pela estrada
Corro doida e esquecida.
Me chamam “Louca Varrida”
Gargalham do meu estado
Apontam dedos profanos
Não entendem o meu pecado
Que foi amar sem poder
Desejar e jamais ter
O querer do meu amado.
Que quando estava ao meu lado
Falava frases ditosas
Cantava tantas promessas
Sob juras amorosas
E eu, coitada, inocente
Como fui me tornar crente
Em falas tão mentirosas?