Pela primeira e única vez ouvi uma palestra do médium minero Chico Xavier, em 1973, no auditório da PUC-RJ, quando eu cursava a pós-graduação em Planejamento Educacional. Ainda não cristão de retorno, embora ex-aluno da Universidade Católica de Pernambuco (Economia), percebi logo naquele palestrante um ser humano especial, dotado de incontida solidariedade para com todos, fossem quem fossem. Um vivente muito semelhante, guardadas as devidas proporções, ao Galileu proclamado Filho de Deus por milhões de cristãos, nascido em Belém, no ano 4 a.C., numa simples hospedaria, no reinado de Herodes.
Em 2017, já espiritista, recebi da Sissa, minha inspiradora cotidiana, um livro que guardo até hoje, relido inúmeras vezes: LIÇÕES DE CHICO XAVIER DE A a Z, Múcio Martins (organizador), Uberaba MG, Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo, 2016, 640 p.
Percebi, lendo as primeiras páginas, tratar-se de reflexões profundas sobre a vida e a vivência do mineiro Francisco Cândido Xavier (1910-2002), resgatadas por vários de seus biógrafos, devidamente organizadas por um pernambucano do Recife, Múcio Fernando de Melo Martins, nascido em 1949, de família estabelecida posteriormente em Niterói RJ (1958). Formado em engenharia civil pela Universidade Federal Fluminense, de formação católica, tendo se voltadao para a Doutrina Espírita quando leu O Livro dos Espíritos, aos 33 anos.
Como apresentação do médium, um relato de quem foi Chico Xavier, um retrato poderoso escrito pela Márcia Queiroz Silva Bacceli, uberabense, também autora de um livro muito divulgado intitulado História de Chico Xavier para Crianças.
Com a devida licença dos meus possíveis leitores, escolhi algumas reflexões do Chico Xavier para enobrecer este texto, buscando despertar mentes e corações para o maior dever existencial do ser humano: o de ser solidário e fraterno com todos, sem ódios e preconceitos, percebendo-se sempre filho amado do Criador, irmão de Jesus, o maior revolucionário pacifista da história da humanidade. Ei-las, com a devida vênia de todos, gregos, troianos de todas as crenças e descrenças:
“A prece, para o ser humano, deveria ser uma fonte de inspiração para o trabalho; ele deve procurar na oração as forças para agir, porque, sem dúvida, a fé sem obras, no dizer do Emmanuel, não passa de uma flor artificial sobre a mesa.”
“O sexo é um santuário; tanto é um santuário que Deus permitiu que ele governasse a reencarnação.”
“Todo desperdício é contra a Lei do Equilíbrio.”
“Quem lança muito a culpa nos outros é porque não aceita as culpas que tem. A culpa só se resolve com amor e trabalho.”
“Sem a ideia da reencarnação, sinceramente, com todo respeito às demais religiões, eu não vejo uma explicação sensata, inclusive, para a existência de Deus.”
“O estudo nos esclarece e o trabalho dissipa as sombras negativas que possam alcançar nosso cérebro.”
“Treinar, educar-se, aprender, reaprender, às vezes tropeçar, cair, mas reacertar, levantar, continuar. Servir sempre, sem nenhuma ideia de melindre pessoal diante da crítica que porventura apareça. Assim, aprimora-se a mediunidade.”
O livro acima citado nos deixa uma lição para lá de essencial para todos os pensantes, de todos os naipes e desnaipes:
Devemos ser melhores hoje do que fomos ontem, sempre cada vez melhores a cada amanhecer
