A chance de voltar a uma final de Libertadores depois de 15 anos está bem à frente do Fluminense. Num torneio em que cada partida é tida como “o jogo do ano”, o tricolor se vê diante de seu compromisso mais desafiador: sair do Beira-Rio, hoje, com a vaga na decisão. Após o empate em 2 a 2 com Internacional, no Maracanã, o time comandado por Fernando Diniz depende de uma vitória simples. Em caso de igualdade, a vaga será definida nos pênaltis.
Garantir-se na final passa, essencialmente, por vencer a batalha no meio-campo. No Rio, foi o domínio no setor que definiu os momentos de alternância de protagonismo no confronto. E não será diferente hoje.
Treino do Fluminense em Porto Alegre
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Com o retorno de Ganso, Diniz teve à disposição, no Maracanã, todos os seus principais jogadores após cinco meses. Isso abriu uma dúvida relacionada a Alexsander e John Kennedy. O volante é uma importante peça defensiva e ajuda na cobertura pela esquerda. Já o atacante se estabeleceu como opção ofensiva confiável no período em que os dois meias estavam fora.
Em razão da expulsão de Samuel Xavier, no primeiro tempo, o volante entrou no intervalo. Com as saídas dos dois escolhidos como titulares, Alexsander ajudou a equipe a recuperar o equilíbrio defensivo e a buscar o empate. Sacá-lo novamente pode significar menos combate na frente da área tricolor e pelos lados.
Planos em xeque
Assim como acontecerá hoje, Eduardo Coudet escalou o Inter com cinco jogadores no meio, além de ter no equatoriano Enner Valencia um atacante que costuma recuar para criar. Isso ajudou os gaúchos a terem superioridade, sobretudo no início da segunda etapa.
Quando o argentino recuou a equipe para defender com cinco homens, o Flu conseguiu se recuperar, mesmo com um a menos.
O novo duelo das entrelinhas levanta o dilema da semana passada: há três jogadores (Ganso, Alexsander e Kennedy) para duas vagas. O treino fechado de ontem deixará a dúvida no ar até pouco antes de a bola rolar.
No Rio, o Flu correu riscos, e a impressão que ficou foi a de um jogo que poderia ter parado na mão de qualquer um dos times. Em entrevista, Diniz não gostou de ser questionado, achou que as fragilidades não tiveram a ver com suas escolhas e defendeu a estratégia.
— Não que o Alexsander não possa jogar, mas é uma formação totalmente coerente com aquilo que o Fluminense tem apresentado nas últimas partidas, quando tem todo mundo à disposição — afirmou.
Diniz não dá sinais de mudanças no onze inicial. A única certeza será a entrada de Guga, para substituir Samuel Xavier na lateral.
‘Mandante’ inédito?
Uma novidade histórica dá uma pitada adicional ao confronto. Caso elimine o Inter, o tricolor se tornará o primeiro time a jogar a final única da Libertadores em seu próprio estádio.
A Conmebol adotou o modelo em 2019. Nesse curto período de quatro anos, nenhuma equipe potencialmente “mandante” chegou perto de disputar a taça atuando em seus domínios: Universitario (do Peru, em 2019), Flamengo (2020 e 2023), Peñarol e Nacional (do Uruguai, em 2021) e Barcelona (do Equador, em 2022) ficaram no caminho.
Vice-campeão em 2008 jogando no próprio Maracanã, o tricolor já é o “mandante” a chegar mais perto da festa em seus domínios nessa nova configuração. E o tricolor quer ir até o fim.