O “leiteiro” domiciliar
Costumo defender a tese de que “o mundo não mudou – mudaram as pessoas”, fruto, talvez, de uma criação diferenciada, por famílias que não se quer admitir, passaram a valorizar algo e/ou caminhos que não levam à lugar nenhum. O caminhar do caranguejo.
Equivocados estão os pais que, injustificadamente, facilitam tudo para os filhos, tentando justificar que apenas querem evitar que os dependentes passem pelas dificuldades que, eles, pais, passaram.
Ué, e tem escola melhor que a vida?
Como um jovem vai ganhar experiência, se “encontrar a comida mastigada”?
Não queiram esconder, jamais. Todos os erros cometidos aqui e alhures, são iniciados em casa, com a conivência familiar dos pais ou dos avós. Mente quem diz o contrário.
Dito isso, jovem ainda, imaginei estar apaixonado por uma jovem que conhecera casualmente numa missa matinal de um domingo ensolarado – sempre o sol a iluminar!
Servi ao Exército e dei baixa. Servi no CPOR de Fortaleza. Comecei a trabalhar, e, logo surgiu oferta de melhor salário, mudei para a Western, como Teletipista. O salário melhorou seis vezes mais.
Comprei uma “radiola portátil movida a pilhas”. Comprei vinis pequenos e grandes. Dava preferência às músicas instrumentais (sempre fui assim).
“Apaixonado” mais que qualquer um, aderi às serenatas feitas com aquela radiola. Ron Montila no bolso traseiro das calças, e dois ou três amigos na companhia. Víamos coisas estranhas naquelas madrugadas de serenatas.
Eis que, escuridão noturna indo embora, dando lugar à claridade do dia, surgia a figura do “Leiteiro” – uns em montarias de éguas, e outros com algo parecido com o que hoje chamam de “delivery” – colocando um, dois ou até três garrafas de leite nos batentes das portas de algumas entradas residenciais.
A juventude era diferente, pois ainda não adquirira a cultura de “roubar um celular para vender e tomar uma cervejinha”. Ninguém mexia ou vandalizava aquelas garrafas.
Essa é uma saudade que dói.
Meninos “tocando” a campainha
A outra que atiça a lembrança: fim de tarde, crianças que frequentavam a escola no período matinal, reuniam nas calçadas da rua para brincar e fazer travessuras. Travessuras que jamais prejudicaram a alguém.
As casas eram enormes em profundidade. As donas das casas, via de regra, nessa hora estavam na cozinha preparando o jantar. Havia sempre o mais travesso da turma, ou alguém que não morava na rua onde era feita a travessura: tocar a campainha e sair em disparada.
Quem fez isso, relembrando, sabe como era gostoso!