Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Correio Braziliense segunda, 17 de março de 2025

GUIA AFETIVO NEGRO MAPEIA OS NEGÓCIOS DE 74 EMPREENDEDORES PRETOS NO DDF

Guia Afetivo Negro mapeia os negócios de 74 empreendedores pretos do DF

Mais do que um cardápio de serviços, o Guia Afetivo Negro promove uma nova perspectiva cultural por meio do mapeamento de 74 estabelecimentos nas áreas de cultura, turismo, gastronomia, moda, beleza e religião

 

Proprietária do salão Afro N Zinga Cabelo e Arte, aberto em 1992, Maria das Graças Santos celebra a iniciativa que amplia o olhar sobre o empreendedorismo negro -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Proprietária do salão Afro N Zinga Cabelo e Arte, aberto em 1992, Maria das Graças Santos celebra a iniciativa que amplia o olhar sobre o empreendedorismo negro - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
 

Dar visibilidade a empreendedores negros e fortalecer a cadeia criativa no Distrito Federal são um desafio estudado por diversos setores da economia local. Iniciativa da turismóloga Bianca D'Aya, o Guia Afetivo Negro do DF (GANDF) é um mapeamento de 74 estabelecimentos de cultura, turismo, gastronomia, moda, beleza e religião que busca conectar a cidade a negócios que carregam histórias de resistência e tradição.

Financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), o guia é resultado de 20 entrevistas com empreendedores que compartilham suas trajetórias e seus desafios no mercado. Mais que um catálogo de serviços, o material propõe um novo olhar sobre o turismo local, incluindo no roteiro espaços que valorizam a identidade negra e sua contribuição para a cultura brasiliense.

 

 

 13/03/2025 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Turismologia cria o Guia afetivo negro do Distrito Federal. Tuany Araújo com Fernanda Jacob (óculos)
Tuany Araújo e Fernanda Jacob (óculos) comemoram a oportunidade de apresentar o teatro feito por pessoas negras na capital do país(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 

Disponível em formato físico, o GANDF traz informações essenciais sobre as atividades, como nome, descrição, endereço, telefone e redes sociais. A versão impressa será distribuída gratuitamente em pontos turísticos de grande movimento, ampliando o alcance dos empreendimentos e incentivando a circulação econômica dentro da própria comunidade. Quem quiser acessar o conteúdo também pode encontrar detalhes no perfil do projeto no Instagram @guiaafetivonegrododf

 

Impacto em expansão

A dona do salão Afronzinga, Maria das  Graças Santos, 72, enxergou o potencial do projeto. Aberto em 1992, ao longo de mais de três décadas, o estabelecimento acompanhou mudanças no mercado e viu o crescimento de outras iniciativas especializadas no segmento de beleza afro. Ao ter o seu negócio incluído no guia, Maria das Graças viu esse trabalho ganhar ainda mais relevo. "Publicações desse tipo são muito importantes na divulgação dos negócios, além de dar foco a nossa identidade e ampliar o acesso aos empreendedores negros de Brasília", analisa.

Segundo Bianca D'Aya, proprietária da Me Leva Cerrado, além de aumentar o alcance dos negócios negros no DF, o roteiro também contribui na circulação da economia dentro da própria comunidade. "Ele faz o black money girar, faz com que as pessoas sintam que têm opções acessíveis a elas, sem precisar recorrer ao Plano Piloto ou a outros lugares para encontrar o serviço de que precisam", destaca a empresária.

Diante do impacto positivo da iniciativa, há pedidos de uma segunda edição. "Muitos que não participaram dessa primeira edição pediram para preencher o formulário novamente. A gente ainda vai pensar se a próxima versão será só digital ou impressa, mas a ideia é expandir", afirma Bianca. Segundo ela, o Guia Afetivo Negro do DF é o primeiro do tipo no Brasil, e a proposta pode inspirar outras cidades a criarem suas próprias versões e darem visibilidade aos empreendedores negros locais. 

Afrofuturismo

Dona do salão C.Curls, a cabeleireira Cleini Cruz, 42, também reconhece a importância de dar destaque ao empreendedorismo negro. Para ela, o salão do qual é proprietária é muito mais que um local de beleza. "Por se tratar de um espaço que atende, em sua grande maioria, pessoas negras e trabalha com afro específico, torna-se praticamente um quilombo urbano. Um lugar de fortalecimento por meio do resgate da identidade e de encontros para afirmação da cultura negra", explica.

Apesar dos desafios, como a falta de representatividade e a dificuldade de captar recursos, Fernanda mantém um olhar otimista. "Eu enxergo um futuro afro, no qual empreendedores negros possam ser protagonistas sem depender de validação externa", reflete. Ela acredita que iniciativas como o Guia Afetivo Negro ajudam a fortalecer essa rede, dando suporte a quem, muitas vezes, precisa abrir caminho sozinho. 

Para Marutschka Moesch, diretora do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UnB), a publicação tem um papel essencial na valorização do turismo afrocentrado no Distrito Federal. Para ela, a economia criativa oferece alternativas ao modelo neoliberal, muitas vezes excludente. "A economia criativa traz no seu bojo a ideia de experiências diferenciadas que rompem com a rotina e valorizam a cultura local", explica. No entanto, a pesquisadora alerta que, apesar das oportunidades, o afroturismo precisa ser conduzido com respeito, garantindo autoria aos seus protagonistas e evitando a exotização da cultura afro-brasileira."

Nathalia Hallack, gestora de Turismo do Sebrae, enfatiza, ainda, a função prática do guia: conectar a "oferta" com a "demanda". Segundo ela, a maior contribuição que a sociedade pode oferecer é se tornar o "público", incluindo essas iniciativas em suas escolhas de consumo, turismo e lazer. "Essa publicação é um convite para conhecermos esses espaços, pessoas, sabores, histórias e afetos", afirma. Ela ressalta, ainda, que o guia não apenas mapeia locais e experiências, mas também convida à transformação da cidade em um território de celebração e resistência negra.


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