Possivelmente eu não seja sequer desse planeta.
Às vezes não quero acreditar que faço parte dessa humanidade tão carente de bom senso. Tanto quanto de solidariedade.
Mas não tenho a presunção de me dizer um espírito evoluído, ou coisa semelhante, na petulância de me achar melhor que outrem.
Apenas não alimento o ideal humano egocentrista se achando melhor que uma flor, ou maior no valor de um inseto; por exemplos.
O mundo parece balançar entre a incerteza da racionalidade e a piegas demonstração de ser emocional.
Quando na verdade tudo é simplesmente um completar de dias em busca do penúltimo estágio da matéria visível: o pó.
A altura e o cumprimento das coisas, das pessoas e até dos sentimentos dizem muita coisa. Mas não falam tudo.
“Um copo” com um bom vinho ao lado de alguém falando sobre arte, independente da sala e da hora, traz mais satisfação que uma subida na Torre Eifell. Pode acreditar que sim.
Daí, se o vinho não está numa taça? Pouca importância tem.
O toque no paladar da bebida e a boa conversa não necessitarão das etiquetas convencionais na apreciação do momento. Tampouco no sabor da companhia.
São essas elucubrações fazendo eu me sentir sendo um ET, pois não vejo a necessidade humana do aparecimento social em suas superficialidades.
Porque a marca da camisa deve ser mais importante que o lugar onde eu irei, ou mais cuidada que as pessoas do encontro?
Devo arrumar a minha alma, vestindo-a com as etiquetas das melhores virtudes e curtir a melhor viagem: segurar na mão de quem eu amo.
Se eu fechar os olhos nesse instante, poderei me ver onde eu quiser estar. Até ao lado de Deus!
E até o tempo será vencido.