Não havia um nome melhor para marcar o gol da vitória do Brasil contra a Colômbia do que Vinícius Júnior. Principal referência técnica do futebol brasileiro no mundo, o atacante precisava voltar a balançar as redes pelo time canarinho para afastar as críticas que vinha sofrendo. Conseguiu, e logo num momento em que o empate que persistia no placar colocava ainda mais lenha na fogueira que vinha sendo construída sob o trabalho de Dorival Júnior. Tudo isso faz com que o resultado positivo não só dê mais confiança ao craque do Real Madrid, como também diminua pressão nos bastidores em cima da comissão técnica da seleção brasileira para a partida contra a Argentina, na próxima terça-feira.
— Durante os primeiros 15 a 20 minutos, nós estávamos encontrando vários espaços, havíamos criado boas oportunidades, inclusive a jogada do gol. Mantivemos essa postura, eles perceberam e buscaram uma alteração. Tentamos uma correção dentro da partida, e às vezes é muito difícil (porque) você não consegue passar uma informação com nitidez — explicou o treinador após a partida.
O lance de fato indicou qualidade do time canarinho na construção ofensiva partindo da área. Bruno Guimarães, que iniciou a jogada depois de receber passe de Alisson, Raphinha, que apareceu no espaço entrelinhas, e Vini Jr., que atacou bem as costas da defesa adversária e foi derrubado por Muñoz, foram os protagonistas. Porém, o desenrolar da etapa inicial indicou que isso se deu muito mais por conta da pressão desajustada do time rival, que conseguiu corrigir os erros, do que pela iniciativa da seleção brasileira.
Isto é porque, depois da jogada, a seleção brasileira enfrentou dificuldades para triangular e encontrar os espaços dentro de campo. Os atacantes até tentaram se movimentar para confundir a defesa colombiana, mas foram presas fáceis e não conseguiram fazer a diferença — principalmente Rodrygo e João Pedro, que fizeram partida apagada. Além disso, com muita imposição física e uma ótima atuação de Jhon Arias, a Colômbia tomou o controle do jogo e chegou a um merecido empate na reta final da primeira etapa, após roubada de bola do meia do Fluminense e finalização do algoz Luis Díaz.
Por mais que tenha melhorado na segunda etapa e chegado ao gol com Vini Jr., a seleção brasileira terá algumas ausências que podem causar ainda mais problemas ao técnico Dorival Júnior no confronto contra a Argentina no que diz respeito justamente à saída de bola, além da proteção da própria área. Pelo menos quatro jogadores que tem participação direta em ambas as fases não devem estar à disposição do treinador: Gabriel e Bruno Guimarães estão suspensos pelo segundo cartão amarelo, enquanto Gerson, com lesão muscular, e Alisson, substituído com protocolo de concussão, não devem ter condições de jogo.
Desses quatro possíveis desfalques, dois são os titulares do meio-campo de Dorival, justamente o setor onde a Argentina tem o seu maior poderio.
Assim, o técnico brasileiro terá a difícil tarefa de encontrar, junto das possíveis alterações que deve fazer no time — como as entradas de André e Joelinton —, uma forma de potencializar a saída de bola brasileira e neutralizar o meio-campo argentino para que o Brasil consiga se defender melhor. Menos mal que, no ataque, o comandante pode contar com um Vinícius Júnior mais confiante pelo gol marcado, além de nomes como Raphinha e Rodrygo, destaques naturais da equipe.