Há alguns anos, com um amigo, fui desencavar o poeta Dirceu Rabelo, que se enfiou numa fazendola nos arredores de Carpina, interior de Pernambuco, e deixou a vidam mundana do Recife e os amigos de bons drinks, que sempre reclamam sua ausência.
Pregou-se num lugar encantador. Rico de verde e paz. Fincou-se ali para continuar compondo versos e epigramas de circunstância. Disse-me que deseja envelhecer por lá.
E durante a prosa provoquei declamações. Empurrei um mote de José Loyo:
Nem toda cana é caiana
E ele magistralmente relembrou o que consta num dos seus livros:
Nem todo céu é aberto
Nem toda mata é fechada
Nem toda rua é calçada
Nem toda areia é deserto
Nem todo marido é certo
Nem toda mulher engana
Nem todo engenho é de cana
Nem todo amargo é de fel
Nem toda abelha faz mel
Nem toda cana é caiana.
* * *
CAFETEIRA E ZÉ SARNEY
E falando sobre políticos, lembrei-me de uma glosa monumental, sobre um episódio em que José Sarnei e Epitácio Cafeteira ficaram num barco à deriva nas costas do Maranhão e ele de pronto declamou:
Ao tubarão perguntei:
– Se o mar lhe favoreceu
Por que você não comeu
Cafeteira e Zé Sarney?
Logo que lhe formulei
a minha interrogação
disse o sábio tubarão
que há muito tempo não come:
– Prefiro morrer de fome
A morrer de indigestão!