Acabo de acordar. São seis horas da manhã do dia 17 de agosto de 2023. É cedo, eu sei. Ainda mais considerando que o aplicativo de clima do IPhone marca 15 graus centígrados em Brasília. Aqui, no Lago Norte, deve estar uns 13 graus. É sempre uns dois graus mais frio aqui.
Fato é que acordei. E não foi estimulado por um despertador. Simplesmente despertei. (Essa última afirmação soou para mim como se estivesse carregada de duplo sentido. Talvez esteja mesmo, mas foi acidental)
Retomo: acordei espontaneamente e percebi que eram seis horas da manhã do dia 17 de agosto de 2023. Uma data qualquer para muita gente, mas não para mim. Afinal é o dia do meu aniversário. 57 anos. Ou 57 voltas em torno do sol, como prefiro dizer.
Sempre faço reflexões sobre a vida nos meus dias de aniversário. É como se fosse um réveillon particular: penso em como tenho vivido, nos objetivos alcançados e por alcançar, coisas assim.
Penso em mim e na minha família, e agradeço a Deus por ver que vamos tocando a vida com dignidade, serenidade e até algum conforto. Penso nos amigos e me alegra observar como confraternizamos e colaboramos.
Mas penso também no Brasil e no mundo, e isso me causa algumas preocupações.
Preocupo-me com o mundo porque continua envolvido em conflitos, o que, a meu ver, tem piorado. No mínimo, tem se tornado mais instável, especialmente com a escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia, que nos fez voltar a falar em risco de uma nova guerra mundial, desta vez com o uso de armas nucleares.
Também me preocupo com o Brasil, que parece cada vez mais se aprofundar em suas dificuldades políticas, econômicas, sociais… e tantas outras, que deixo de enumerar aqui, para não me alongar demais.
Na verdade, dessas muitas dificuldades do Brasil, hoje tenho especial preocupação com a perda de credibilidade das instituições, das autoridades, da imprensa, dessas coisas que os estudiosos do assunto muitas vezes se referem como pilares de sustentação de uma sociedade.
Não é difícil perceber que o ser humano só chegou onde chegou por causa da sua capacidade de se organizar em grupos e cooperar. Se no princípio, quando esses grupos eram pequenos, bastava a confiança entre seus membros, o aumento desses grupos, em quantidade e complexidade, exigiu toda uma estrutura de princípios e valores destinados a manter a coesão desses grupos.
Acontece que as pessoas precisam acreditar nesses princípios e valores, para que eles gerem essa coesão. E vejo que isso não vai bem no Brasil. Ao contrário, o que vejo hoje são sinais de desagregação.
Não falo de insatisfação das pessoas com o governo, com os políticos ou com a seleção de futebol. Isso sempre houve. É parte do pacote do mundo civilizado. Falo de perda de noção do todo. Do enfraquecimento da ideia de quem cabe na palavra “brasileiros”.
Aliás, a perda da noção do conteúdo de palavras também desagrega. Palavras e expressões como democracia, liberdade, estado de direito, facismo, racismo, e tantas outras, nunca tiveram um conteúdo fixo, aceito por todos. Mas a oscilação a esse respeito precisa acontecer dentro de limites que facilitem a convivência, não que nos afaste ou mesmo isole.
O que tenho observado nos últimos anos é que temos nos fechado em grupos pequenos (as chamadas bolhas) e nos afastado do todo. Percebo ainda que essa tendência atinge não apenas os cidadãos comuns, mas lideranças, autoridades e membros dos poderes do Estado, a quem cabe maior parcela de responsabilidade sobre os destinos de um país.
Tenho minhas impressões sobre as causas disso tudo, mas não tratarei delas agora. Hoje, apenas reconheço que me preocupo com tudo isso.
Preocupo-me, mas não desanimo. Neste 17 de agosto, desperto para mais um dia e desperto para mais um ano. Sigo buscando uma convivência pacífica com todos, aprendendo com todos que estejam dispostos a me ensinar algo novo, mas sem abrir mão dos princípios adquiridos nos anos já percorridos.