Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Correio Braziliense segunda, 24 de março de 2025

DENÚNCIAS DE BULLYING CRESCEM 243% NAS ESCOLAS DO DF

Denúncias de bullying crescem 243% nas escolas do DF

Debate sobre o tema se intensificou com a repercussão da minissérie Adolescência. Ao Correio, especialistas explicam a complexidade da questão e destacam a importância de dados para a construção de políticas públicas

 
 
PRI-0903-BULLYING -  (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
 
PRI-0903-BULLYING - (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
 

Depressão, ansiedade, dismorfia corporal e até ideação suicida. Essas são uma das consequências do bullying — termo dado à violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, sem motivação evidente.

 

No Distrito Federal, de janeiro a dezembro do ano passado, a Polícia Civil (PCDF) registrou 120 denúncias relacionadas ao crime de bullying em escolas, número 243% maior que o do mesmo período de 2023, quando houve 35 denúncias. Apesar de o assunto ser repercutido no Brasil desde a década de 1990, a violência virou crime somente no início do ano passado, com a sanção da Lei 14.811/2024. 

Ao Correio, a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, afirmou que a rede pública de ensino conta com comissões dedicadas a promover ambientes seguros e acolhedores. A pasta tem uma assessoria, dentro da Subsecretaria de Educação Básica, que atua para incluir a cultura de paz nas escolas. 

Sobre os números, Hélvia acredita que o aumento das denúncias se deve a um maior conhecimento sobre o assunto, a partir do reforço das campanhas de conscientização e da ampliação da divulgação dos canais de denúncia. "As escolas estão mais preparadas para identificar e acolher os casos. E a comunidade escolar está mais informada sobre como agir", analisou. 

(MPDFT) e mediadora de conflitos escolares, Caroline Resende, avaliou que a falta de dados é um gargalo para a criação de políticas públicas. "Isso atrapalha porque o bullying é um fenômeno multifatorial, com questões sociais, e a gente precisa entender o contexto das diferentes realidades, pode ser uma na escola do Plano Piloto, e outra em Samambaia. É preciso entender o contexto social e cultural de cada comunidade para trabalhar valores", argumentou.

Para ela, as intervenções de prevenção e de enfrentamento não podem ser realizadas de maneira intuitiva nas escolas, o que, segundo ela, tem sido feito nas redes pública e privada. "A implementação das medidas de prevenção devem ser realizadas de forma técnica, periódica e coordenada, por toda equipe de profissionais de educação. Quanto ao enfrentamento, as ações devem ser imediatas, a fim de interromper a violência e evitar a reincidência da prática. Por isso, a importância da capacitação de todos os profissionais de educação, possibilitando o desenvolvimento de habilidades e competências para implementar a cultura da paz", defendeu Caroline.

A professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) Gabriela Mietto analisou o deficit de dados. Ela explicou que, desde que a nomenclatura passou a ser utilizada, a forma com que a violência é executada mudou. A sociedade, no entanto, baseada nos conceitos iniciais, apresenta dificuldades, certas vezes, para identificar o bullying. "Essa questão passou a ser taxada como crime há pouco, então, talvez, a partir desse marco legal, agora, a gente vá, realmente, começar a ter os números", observou.

Trauma 

Ainda que ocorra comumente na vida escolar, o bullying deixa rastros na vida adulta. A universitária Carla (nome fictício), 20 anos, carrega traumas da violência sofrida na infância. No caso dela, a prática era cometida por sua, até então, melhor amiga. "Demorei para reconhecer que era bullying, e não apenas brincadeiras."

A situação gerou gatilhos. "Tenho quase 21 anos e o bullying ainda faz efeito. Desfiz a amizade, mas ela faz parte do círculo de alguns amigos, não é incomum encontrá-la. Em 2023, estávamos em uma mesma festa e tive crise de ansiedade por pensar que ela poderia me constranger novamente", desabafou Carla, que desenvolveu problemas de autoimagem, principalmente em relação ao peso. 

Claudia Melo, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental com prática em clínica supervisionada, ressaltou que o bullying vai além de conflitos comuns, uma vez que é compreendido como uma forma de violência repetitiva, em que há uma relação assimétrica de poder e sistemática de agressão. "É um fenômeno de grande gravidade, pois pode deixar marcas profundas no psiquismo do sujeito. O eu (ego) é formado na relação com o outro, especialmente na infância e adolescência. A constância, repetição de experiências de violência, humilhação e exclusão pode fragilizar essa construção, levando a sintomas, como baixa autoestima, angústia, ansiedade e traumas. Em casos extremos, pode contribuir para quadros depressivos e ideação suicida", alertou. 

Júlia (nome fictício) cresceu sendo apelidada. Sentia-se excluída e inferior aos outros alunos. "Na universidade, enfrentei um novo desafio: descobri que tenho dislexia. Sofri com piadas e afastamento dos colegas. Passei noites em claro, chorando, com medo de ser julgada. O bullying não é uma brincadeira, fere profundamente e deixa cicatrizes invisíveis", lamentou. 

As consequências podem variar conforme a idade da vítima, conforme elenca o especialista. Na criança, pode haver o início de depressão, ansiedade ou insônia. No adolescente, além dos citados, pode ocorrer bulimia, anorexia, transtorno dismórfico corporal, ideação suicida, síndrome do pânico, problemas de autoestima e de relacionamento. Nos adultos, homens podem apresentar comportamento agressivo e mulheres doenças psicossomáticas."

Impacto na sala de aula 

A violência corrompe a vítima, o agressor e o andamento da aula. Sueli de Oliveira, coordenadora pedagógica da Rede Objetivo, apontou que o fenômeno afeta o processo de ensino e aprendizagem, pois os envolvidos mudam o comportamento e têm as áreas motoras e cognitivas abaladas. "Um dos papéis da escola para prevenir e combater o bullying é montar estratégias junto ao serviço de orientação educacional, promovendo momentos de conversas e escutas periódicas, para estimular o respeito, o cuidado e também o ato de informar casos de agressões entre os alunos", apontou.

A chefe da Assessoria Especial de Cultura de Paz da SEEDF, Ana Beatriz Goldstein, declarou que a pasta trabalha em projetos dentro das escolas com o objetivo de fomentar a comunicação não violenta, a empatia e o respeito. "Nós temos feito formações com os profissionais, para que aprendam como observar e lidar com a questão. Além disso, nós vamos fazer o lançamento do Caderno de Práticas Exitosas em Educação para a Paz, que abrigará os projetos que as escolas desenvolvem no âmbito da temática de paz", assinalou.

Tipos de bullying

Verbal: insultos, apelidos, ofensas e xingamentos; 

Psicológico: intimidações, difamações, ameaças e fofocas; 

Físico: tapas, chutes, empurrões e beliscões; 

Virtuais ou cyberbullying: realizado por meio de ferramentas tecnológicas. 

Fonte — Cartilha educativa: Bullying no ambiente escolar (UFPB)

 

O que diz a lei?

Bullying — Intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais. Pena: multa, se a conduta não constituir crime mais grave;

Cyberbullying — Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social, de aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em tempo real. Pena: reclusão de dois anos a quatro anos e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.

Fonte: Lei nº 14.811/2024


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