A visitação ao Cristo Redentor foi retomada às 8h desta terça-feira, após fiscalização do Procon-RJ e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio. Os órgãos averiguaram que o local, apesar da necessidade de obras de modernização e de sinalização, está apto para funcionamento. Na manhã de segunda-feira, o ponto turístico foi interditado por segurança, após um turista gaúcho infartar, no domingo, numa escada de acesso ao monumento. Segundo parentes da vítima, o posto de primeiros-socorros estava fechado.
Apesar da interdição temporária, turistas formaram fila para comprar ingresso no Trem do Corcovado, uma das concessionárias responsáveis pelo local, mesmo antes da liberação da entrada. Muitos, inclusive, reclamaram da falta de avisos indicando o fechamento e questionaram funcionários sobre a reabertura:
— Vocês precisam nos informar. E se o parque não abrir hoje? — reclamou uma turista.
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A interdição aconteceu após a morte, no último domingo, de um turista do Rio Grande do Sul. Jorge Alex Duarte, de 54 anos, infartou nas escadarias de acesso ao Cristo. Segundo a família dele, o posto médico estava fechado.
Por volta das 8h30, a primeira van chegou ao estacionamento do Cristo, desembarcando uma leva de 12 passageiros.
Mudanças na reabertura
Segundo o secretário estadual de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, presente na fiscalização, as concessionárias cumpriram as principais medidas para a reabertura: anteciparam para as 7h o funcionamento do posto de primeiros socorros (antes era às 9h) e garantiram a presença de ambulâncias no ponto turístico.
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No entanto, outras medidas ainda devem ser cumpridas pelas empresas responsáveis, principalmente no que diz respeito à acessibilidade do parque, conectado por escadas:
— O parque tem três elevadores e uma escada rolante de mais de 20 anos. É um sistema antigo, que não atende mais as necessidades dos consumidores. Um cadeirante, por exemplo, sobe ao Cristo, mas não consegue ter acesso às lojas de souvenirs ou a capela — destacou o secretário durante a fiscalização.
Para cadeirantes e demais pessoas com mobilidade restrita, um representante do ICMBio, responsável pela fiscalização das concessionárias, destacou que há 17 funcionários preparados para atendê-los.
— Assim que a pessoa compra ingresso e demonstra necessidade por atendimento especial, um funcionário preparado fica à disposição — garantiu.
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O horário de funcionamento dos postos de saúde, então, passa a ser das 7h às 19h, “do primeiro ao último visitante”, como destacou o secretário.
Falta de sinalização
Apesar da reabertura, é perceptível a demanda por mudanças estruturais que vão além das ambulâncias e horários no atendimento à saúde. O parque, por exemplo, não tem sinalização indicando onde fica o posto de primeiros-socorros, nem de possíveis saídas de emergência. Também não há bebedouros ou marcações no chão indicando início das escadas.
Alguns funcionários, em anonimato, disseram até que é comum ver turistas bebendo água da torneira dos banheiros, já que as águas vendidas têm preço entre R$ 9 e R$ 13.
Impasse
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — que administra o Parque Nacional da Tijuca, onde fica o Cristo — afirma que a concessionária Trem do Corcovado, que explora o acesso por trilhos ao monumento, tem obrigação contratual de manter o posto, enquanto o presidente da empresa alega que essa atribuição é da autarquia federal. Tudo isso acontece em meio a uma disputa pelo controle do Alto Corcovado que se arrasta há anos e coloca em polos opostos o ICMBio e a Arquidiocese do Rio.
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Em nota, o ICMBio apresentou o texto do contrato no qual consta a obrigação de manter um posto médico como contrapartida da concessionária. A Trem do Corcovado, por sua vez, divulgou nota dizendo que “disponibiliza uma enfermaria com todos os equipamentos necessários aos primeiros socorros no Alto do Corcovado, com profissionais treinados, habilitados e certificados para manusear o desfibrilador”. Em entrevista ao GLOBO, no domingo, no entanto, Sávio Neves, presidente da companhia, afirmara que a responsabilidade pelo posto caberia ao instituto.
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A Arquidiocese, que administra o monumento e a capela no Alto Corcovado, divulgou nota criticando duramente o ICMBio, afirmando que a inércia da autarquia permitiu “que uma situação crítica de desassistência ocorresse dentro de um dos pontos turísticos mais visitados do mundo”.
Em meio a esse disse me disse, o Procon-RJ interditou todos os acessos à atração no fim da manhã desta segunda-feira. Além do horário de funcionamento do posto de primeiros socorros no Alto Corcovado — que não coincide com o tempo completo de visitação —, a medida levou em consideração denúncias que o órgão vinha recebendo sobre falta de acessibilidade no monumento.