Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Correio Braziliense Wednesday, 13 de August de 2025

CORAL DE BRASÍLIA SELECIONADO PARA FESTIVAL NA ÁUSTRIA

Coral de Brasília selecionado para festival na Áustria precisa de apoio

Único grupo da América Latina escolhido para um festival internacional na Áustria, o Cantus Firmus comemora a vitória, mas precisa de ajuda para chegar lá. Como é independente, precisa de apoio para participar de grandes eventos

 
Cantus Firmus em apresentação de fim de ano na Escola de Música de Brasília -  (crédito: Arquivo pessoal Cantus Firmus )
Cantus Firmus em apresentação de fim de ano na Escola de Música de Brasília - (crédito: Arquivo pessoal Cantus Firmus)
 

Eles são professores, farmacêuticos, servidores e uma infinidade de profissões, mas quando se reúnem formam uma só voz. Os integrantes do mais antigo coral independente de Brasília, o Cantus Firmus (do latim, canção firme, no sentido de "ponto de referência"), que aos 33 anos, foi o único selecionado da América Latina para o Festival Corais da Áustria, em novembro — quando mais de 1 mil vozes se encontrarão. Há, aí, um sentimento duplo: orgulho desafiador e satisfação pelo reconhecimento, mas apreensão porque o grupo precisa angariar R$ 100 mil para as despesas. Por ser autônomo, não há patrocínio nem apoio extra, o grupo sobrevive por meio das mensalidades que os membros pagam e dos cachês que recebem de espetáculos que não são beneficentes. Porém, é insuficiente.

 

Isabela Sekeff regente Cantus Firmus
Isabela Sekeff, regente do coral brasiliense Cantus Firmus(foto: Arquivo pessoal )

 

 

"Infelizmente, a arte é a primeira atingida quando há falta de recursos. Não à toa, os corais perpassaram ao longo dos séculos graças ao apoio das igrejas e dos palácios, hoje por sorte se ouve muita música, inclusive erudita nas salas de cinema", analisa a regente Isabela Sekeff, cuja tese de doutorado, em fase de produção, trata sobre "Como desenvolver um coro de alta performance fundamentado na gestão e liderança". "O Cantus sobrevive por amor, determinação e muita cumplicidade", afirma.

 

ensaio cantus firmus
Cantus Firmus: grupo é formado por pessoas com as mais distintas profissões(foto: arquivo pessoal cantus firmus )

 

Sem dúvidas, Isabela conduz o Cantus ignorando que ali estão "não musicistas profissionais", mas 54 amadores dedicados, dos quais 40 estão com malas quase prontas para atravessar o oceano rumo à Áustria. O nível de exigência da regente é elevado que, quando o coral viaja para apresentações no exterior, há quem questione se realmente não é profissional. A ponderação é motivo de comemoração e mais responsabilidade. Até a pandemia, o coral havia conquistado três medalhas de ouro, uma prata, além de três diplomas dourados. (em concursos de coros nos Estados Unidos, África do Sul e Alemanha)

Diferencial

Após três décadas, o Cantus ganhou forma e estilo próprio. Impossível resistir, o Correio acompanhou os ensaios de terças-feiras à noite, a felicidade com que os integrantes interpretam transborda em cada cantor. Para Isabela Sekeff, os diferenciais do coral se sustentam em alguns pilares, que considera básicos: a cumplicidade dos integrantes, o planejamento, a disciplina e o rigor com a técnica, além, claro, da escolha do repertório. Segundo ela, é fundamental mostrar a capacidade de inovar e também de executar peças consideradas difíceis, conquistados com muitos ensaios com o coro misto de afinação, sonoridade, performance e expressividade.

 

apresentação cantus firmus
apresentação cantus firmus(foto: Arquivo pessoal)

 

Para as apresentações na Áustria, por exemplo, o coral ensaia a Missa número 6 de Schubert em Mi bemol Maior, a última composição dele antes de morrer, considerada de performance elevadíssima e que exige um nível técnico muito preciso. A regente afirma que estão programados ainda espetáculos em várias igrejas e alguns teatros, tanto em Viena quanto em Salzburg, onde nasceu Mozart.

"Nosso repertório é bastante eclético, vai da desafiadora Missa número 6 de Schubert a Domingo no Parque, do Gilberto Gil; e Aquarela Brasileira, do Ary Barroso, também incluímos sempre Villa Lobos e obras da produção coral contemporânea", conta Isabela, que detalha a programação com brilho nos olhos. "Por onde passamos, as pessoas vibram com a música brasileira. É incrível o quanto a nossa música encanta. Definitivamente, não tem nada igual ao nosso ritmo", reage ela, após mais de 40 anos dedicados à música.

 

Histórias de vida e perseverança

Após 33 anos, o Cantus Firmus une música e afetos, que o diga a professora de inglês Rita Andrade Moran, 46, e há 27 no coral. Ali, ela deu vazão à paixão por cantar e conheceu o marido, violinista equatoriano, em uma das centenas de apresentações. "A minha história se confunde e foi construída com a do Cantus. Cheguei no coral jovem, conheci o amor, tive dois filhos Eduardo e Teresa, que são muito musicais, e sigo cantando", resume. "Quem me conhece sabe da minha paixão por música sabe até na tatuagem", diz ela, mostrando a arte estampada no corpo. "Eu levo com profissionalismo, que sou totalmente entregue, sem o peso do trabalho."

 

Pedro Ribeiro farmaceutico e um dos integrantes do Cantus Firmus
Pedro Ribeiro farmaceutico e um dos integrantes do Cantus Firmus(foto: Arquivo pessoal )

 

O farmacêutico Pedro Luís Silva Pereira, 37, e há 11 no Cantus, diz que encontrou na música o equilíbrio e o caminho para desenvolver o lado artístico. Segundo ele, a conquista é diária, sobretudo quando são apresentadas peças de performance elevada, que exigem um aperfeiçoamento técnico de sonoridade e afinação. "É uma paixão pelo canto em conjunto, mesmo tendo estudando o repertório individual, esse contato muda tudo. Esse nosso repertório diferenciado, que é uma diversidade, entusiasma muito", relata.

 

Rita Moran professora de ingles e uma das vozes do coral
Rita Moran há 27 anos no coral: "Paixão pela música"(foto: Arquivo Pessoal )

 

 

Para o regente assistente e pianista, Matheus Mota, 26, o Cantus vai muito além do que um coral representa. De acordo com ele, a integração do grupo é tão grande que transmite essa cumplicidade para quem assiste às apresentações. O musicista que nasceu no meio artístico afirma ter certeza que o "ambiente acolhedor" dá um sentido diferente para o conjunto. "O Cantus tem um nível muito alto, inclusive é difícil encontrar uma qualidade artística tão elevada. Aparecem as dificuldades e todos se unem para resolver", observa. 

 

Matheus Mota pianista e regente assistente
Matheus Mota pianista e regente assistente

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