O novo formato da Champions League, com disputa em formato de liga e sem divisão de grupos, reservou um duelo com cara de final antecipada para os playoffs das oitavas de final, uma espécie de repescagem que reúne os classificados entre a 9ª e 24ª posições da primeira fase. Todos os holofotes estarão voltados para o confronto entre Manchester City e Real Madrid, que fazem o jogo de ida nesta terça-feira, às 17h (de Brasília, SBT e TNT transmitem), no Etihad Stadium.
Será o quarto mata-mata seguido de Champions em que os dois gigantes se enfrentam — e o primeiro tão prematuro. Nos três anteriores, disputados a partir das quartas de final, o vencedor ficou com o título (o clube espanhol em 2022 e 2024, e o inglês em 2023).
Não era esperado que um deles tivesse tamanha chance de dar adeus à competição cedo assim, algo que não acontece há 11 temporadas. Afinal, são os dois únicos campeões das últimas três temporadas, com os mesmos treinadores e elencos semelhantes aos das conquistas. As trajetórias inversas durante a etapa inicial ajudam a explicar o “duelo precoce”.
Os ingleses chegam para a partida em momento de oscilação, algo raro na carreira de Pep Guardiola. A falta de regularidade pôde ser percebida na competição europeia. Depois de conquistar sete dos nove primeiros pontos em disputa, o City passou por uma sequência negativa de três derrotas e um empate. A vaga para os playoffs das oitavas só veio na última rodada, com a vitória de 3 a 1 sobre o Club Brugge, da Bélgica.
Para o correspondente da TNT Sports em Manchester, Fred Caldeira, os atuais tricampeões da Premier League podem se estabilizar na temporada, principalmente com as contratações recém concretizadas, como do atacante egípcio Marmoush e do zagueiro uzbeque Khusanov. No entanto, Caldeira acredita que este é um time bem diferente do que dominou o futebol mais competitivo do mundo nos últimos anos.
— Sinto menos força nesse City do que em temporadas anteriores. Acho que há alguns jogadores que já ganharam muito e talvez não estejam no ápice da própria motivação, o que não ajuda muito quem acabou de chegar ou chegou há menos tempo — disse.
Baixas na defesa
Todas as fichas dos torcedores do clube inglês podem estar depositadas na situação da linha defensiva do adversário, repleta de desfalques: Militão e Carvajal estão fora há algum tempo, e o Real perdeu recentemente Rüdiger, Alaba, e Lucas Vásquez.
— É um time que vive uma boa fase, está confiante e tem melhorado cada vez mais na forma como ataca e defende, tendo como destaque o quarteto formado por Bellingham, Rodrygo, Vinicius Jr e Mbappé. Pelo que a gente viu na temporada até aqui, o Real é o favorito no confronto. E se tudo acontecer dentro da atual normalidade, passa pelo Manchester City — aposta Gustavo Hoffman, correspondente da ESPN em Madrid.
Vivendo um contexto atípico como treinador, Guardiola reconheceu a instabilidade de seu time nesta temporada. Ele garantiu estar “calmo e otimista” para o duelo, além de demonstrar estar atento ao poderio ofensivo dos merengues.
— É impossível controlar esses quatro jogadores por 90 ou 180 minutos. Todos os quatro são excepcionais, sabemos disso. Precisamos reduzir suas participações. Eles têm habilidade e combinam bem, independentemente do adversário. Mas vamos tentar impor nosso jogo, sendo inteligentes para conseguir um bom resultado e levar para o Bernabéu — disse o técnico espanhol.