Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

Domingo – Dia de Matinê no Cinema Local domingo, 09 de fevereiro de 2025

CENTRAL DO BRASIL (1998) – UMA OBRA-PRIMA DO CINEMA NACIONAL

HOJE: DRAMA BRASILEIRO

CENTRAL DO BRASIL (1998) – UMA OBRA-PRIMA DO CINEMA NACIONAL

GENTILEZA DO COLUNISTA CÍCERO TAVARES

Cartaz do filme no Brasil

Em Central do Brasil, a professora Dora (Fernanda Montenegro) trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda que a escrivã não envie todas as cartas que escreve, guardando-as no baú da pensão – as cartas que considera inúteis ou fantasiosas demais -, ela decide ajudar um menino Josué (Vinícius de Oliveira), após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste.

O filme está entre as produções brasileiras que obtiveram maior repercussão pelo mundo afora. Dirigido pelo cineasta Walter Salles (de Abril Despedaçado, Diários de Motocicleta e Na Estrada), o feito do filme pode ser igualado ao mesmo de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, ou de Tropa de Elite um e dois, de José Padilha. Fernanda Montenegro, que encarna Dora, a protagonista da história, fez história ao tornar-se a primeira (e única) atriz brasileira a receber uma indicação ao Oscar, concorrendo naquele ano com atrizes de peso como Emily Watson, Meryl Streep, Cate Blanchett e Gwyneth Paltrow, que acabou ficando com o prêmio. Uma lástima. O próprio filme também concorreu a estatueta de melhor produção estrangeira, mas acabou perdendo para o italiano A Vida é Bela. Água com açúcar.

De qualquer forma, a força de Central do Brasil fala mais alto que seu legado, especialmente ao retratar com tamanha fidelidade uma realidade que rodeia o povo brasileiro todos os dias. E é curioso que nosso país, ainda hoje enfrentando diversos problemas envolvendo pobreza, infraestrutura e analfabetismo, tenha uma imagem tão contrária no exterior, a de que somos um povo que vive em festejos e alegria. Sim, somos, mas por trás de tudo isto ainda existe um quadro depressivo e desolador no que se refere aos menos afortunados.

Dora (Fernanda Montenegro) é uma senhora de idade que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil. Um dia ela conhece Ana (Soia Lira) e seu filho Josué (Vinícius de Oliveira), e após um acidente fatídico que acaba tirando a vida de Ana, Dora acaba ficando com o garoto, mesmo a contragosto. Como o garoto não possui nenhum parente na cidade, Dora decide leva-lo para o interior, onde vive o pai do garoto, o qual este nunca teve a oportunidade de conhecer. Durante uma viagem pelo interior do Nordeste, ambos acabam se aproximando e formando um forte laço de amizade.

Como qualquer outro filme de Walter Salles, Central do Brasil é um filme de paisagens áridas e hipnotizantes, capturadas de tal forma pela câmera do diretor que o clima de solidão parece exalar para além da tela. Méritos para a fotografia de Walter Carvalho, que cria contrastes belíssimos entre as paisagens, trazendo um ar quase caseiro ao filme, mas que auxilia na convicção dos espaços onde a trama se situa.

O roteiro de Marcos Berstein e João Emanuel Carneiro evita estereótipos e mostra o povo brasileiro como ele é, ou apenas como qualquer ser humano é: cada um com seus próprios limites morais, seus dramas, suas angústias e seus desejos. A narrativa é bastante centrada na relação entre Dora e Josué, e em como estas duas figuras ainda desconhecidas uma para outra começam a se aproximar de forma inesperada. Curioso é perceber como Dora encaminha Josué por limites morais que ela mesma não segue em sua vida, devido a própria semelhança de sua história de vida com a história do garoto, como num esforço de oferecer para alguém semelhante as oportunidades e ensinamentos que a própria não recebeu. É uma relação complexa, mas tratada com bastante simplicidade pelo roteiro, o que é um dos pontos altos da fita. Cada momentos em que sentimos uma maior aproximação entre Dora e Josué gera uma emoção genuína.

E o elenco não faz por menos. Revisitar Central do Brasil nos dias de hoje é atestar, mais uma vez, de que Fernanda Montenegro é, de longe, a melhor atriz que o nosso cinema já teve. Sua atuação como a sofrida Dora é impecável, rica em sutilezas e detalhes, onde a atriz consegue dizer muito através de seus olhares e expressões tristes, duras, típicas de alguém que já apanhou bastante da vida. A emoção parece perscrutar não apenas o rosto da atriz, mas também os próprios sentimentos do espectador. E qual não foi a injustiça quando a atriz acabou não levando a estatueta naquele ano?

Vinícius de Oliveira, que interpreta Josué, também se sai surpreendentemente convincente para um ator mirim ainda em início de carreira, distanciando-se de qualquer artificialismo que pudesse torná-lo numa presença irritante. E reza a lenda que o diretor Waltinho Salles encontrou Vinícius na Estação Central do Rio de Janeiro enquanto trabalhava engraxando sapatos e que já havia testado mais de mil e quinhentas crianças para o papel que soubesse Josué, o que apenas acentua o fascínio pela própria história do filme.

Ao final, temos o desfecho iminente que se anunciava durante a jornada dos personagens. Fica a dor, a saudade, mas também a certeza que aquelas duas figuras ensinaram mais uma à outra do que qualquer outra pessoa poderia ter feito em suas vidas. Ambos retornariam para suas vidas, mas ela jamais seria a mesma. E pra finalizar, reescrevo aqui as tocantes palavras de despedida de Dora: “O dia que você quiser se lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto. Eu digo isso por que tenho medo de que um dia você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai. Tenho saudade de tudo.”

E como desfecho apoteótico do filme é a sua música tema: Central do Brasil, composta magistralmente por Antonio Pinto, filho do genial cartunista Ziraldo, e Jaques Morelenbaum, Central do Brasil, o filme, é um clássico.

 


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