
CENTENÁRIO DA COLUNA PRESTES EM BALSAS, MARANHÃO
NOVEMBRO DE 1925
Raimundo Floriano
(Com dados colhidos no Google, no livro História do Sul do Maranhão, de Eloy Coelho Netto, e no acervo do Museu Balsense)
DADOS COLHIDOS NO GOOGLE:
Luís Carlos Prestes é o segundo sentado, da esquerda para a direita
A Coluna Prestes ou Coluna Miguel Costa-Prestes, formalmente designada 1.ª Divisão Revolucionária, foi um movimento político-militar brasileiro de teor tenentista ocorrido entre 1924 e 1927.
O principal motivo para a criação do movimento foi a insatisfação com o governo de Artur Bernardes e o regime oligárquico, característico da República Velha, conhecido como política do café com leite.
Suas reivindicações foram a implementação do voto secreto, a defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população, além de acabar com a miséria e a injustiça social no Brasil.
Em seus dois anos e meio de duração, a Coluna, composta de 1,5 mil homens, percorreu cerca de 25 mil quilômetros, através de treze estados do Brasil.
Apesar da marcha militar, algumas características de um movimento popular são identificadas, uma vez que a maioria de seus soldados eram principalmente trabalhadores do campo, analfabetos e semianalfabetos.
Cerca de cinquenta mulheres participaram da marcha, quase todas originárias do Destacamento Gaúcho. Muitas dessas mulheres chegaram a combater do lado dos revoltosos.
Como consequência final, a marcha teve grande importância para a história do Brasil porque teve caráter nacional e enfraqueceu o governo oligárquico, abrindo caminho para a Revolução de 1930.
DADOS COLHIDOS NO LIVRO HISTÓRIA DO SUL DO MARANHÃO, DE ELOY COELHO NETTO, CUJA OBRA COMPLETA FOI-ME GENTILMENTE PRESENTEADA PELO AUTOR
Santo Antônio de Balsas foi visitado pela Coluna Prestes e sofreu os efeitos da famosa revolução.
O fato aconteceu em novembro de 1925, quando se espalhou a notícia de que não tardaria a passagem dos chamados revoltosos. Estabeleceu-se o pânico geral e surgiram preocupações de toda ordem no seio da gente que habitava os municípios de Carolina, Riachão e Santo Antônio de Balsas.
Panfletos e boletins foram distribuídos nesse período para preparar psicologicamente os habitantes para receber a Coluna Preste. Pediam os revolucionários que o povo se mantivesse em seus lugares e nos seus trabalhos, pois manteriam a ordem, respeitariam os costumes, enfim, evitariam abusos e saques para que nada sofresse a população desarmada, que seria até protegida.
O Governo do Estado do Maranhão já se preocupava no sentido de manter a segurança, reprimir a invasão que se tornava iminente pelo sul do Estado, pois a Coluna marchava pelo interior de Goiás, na zona norte, bem próxima à fronteira maranhense.
No dia 2 de novembro, recebendo ordem superior, os Tenentes da Polícia Estadual João Pedro de Oliveira e Gentil Ferreira Gomes seguiram de Grajaú para Carolina, acompanhados de vinte praças, cujo contingente foi aumentado com mais cinquenta homens recrutados nas estradas. Assim marchavam para Carolina sob ameaça de ser o primeiro município maranhense a ser conquistado pelos revoltosos. Aumentava o impacto da população dos municípios mencionados à medida que se espalhavam novas notícias de que as forças revolucionárias, dispostas e bem municiadas, com um total de dois mil e duzentos homens, marchavam apressadamente sob o comando do General Miguel Costa.
Foi logo o movimento de muitos que saíam com suas famílias para os lugares de difícil acesso, retirando para as fazendas mais distantes, para os vãos das serras e margens de rios, possuídos de medo contra a perseguição, o castigo e a pilhagem, sentindo, antecipadamente, a própria avalancha considerada bárbara e plena de vandalismo conforme se propagava.
Finalmente, no dia 15 de novembro, Carolina foi invadida pela Coluna Prestes e, em seguida, totalmente dominada. O Capitão Celino Arraes, Comandante da 12ª Zona Militar, na impossibilidade de oferecer resistência, recuara logo para Riachão, pois só dispunha de oito homens e se encontrava sem recursos para comprar abastecimento para os soldados e adquirir munições.
Riachão também fora ocupada e ali permaneceu Coronel Juarez Távora, hóspede do Coronel Felipe dos Santos, enquanto o resto da tropa, sob o comando dos Coronéis Siqueira Campos, Luís Carlos Prestes, João Alberto e Cordeiro de Farias, marchava sobre Santo Antônio de Balsas que, com toda tranquilidade, recebia os visitantes. Ficaram ainda o General Miguel Costa e grande parte dos soldados em Carolina que se iria deslocar diretamente para Balsas.
Era Prefeito da cidade o Coronel Thucydides Barbosa e tudo fez para atender aos ocupantes a fim de evitar coques e aborrecimentos com o Comando Revolucionário sob a chefia do Coronel Siqueira Campos, agora Governador da cidade conquistada.
Já no seu exercício, o Governador Militar solicitara ao Prefeito alimentação e alojamento, local para sede do Comando. Imediatamente atendido, foi a sede dos revoltosos fixada no antigo prédio onde funcionava a Prefeitura,
De acordo com as previsões e planos traçados, no dia 22 de novembro chegara a Santo Antônio de Balsas o General Miguel Costa. Ali, devia juntar-se a seus companheiros para reorganização da tropa e lançar nova investida rumo ao centro do Estado do Maranhão e ao sul do Piauí, pela cidade de Uruçuí, onde permaneciam as tropas legalistas sob o comando do Capitão Gayoso.
Raros e pequenos incidentes registraram-se na passagem dos revoltosos. Alguns fatos mais significativos foram as requisições de provimentos – gêneros alimentícios, mercadorias e munições – e, especialmente, animais de transportes, cavalos e burros. Desta forma, por quase uma semana, até o dia 27 de novembro, permanecera a Coluna Prestes e assim no mesmo dia pela manhã saía o último contingente sob o Comando do Tenente Agenor Pereira de Sousa.
A cidade de Santo Antônio de Balsas voltara a sua vida normal, mas foi surpreendida alguns dias depois pela chegada de dois revoltosos retardatários, Oswaldo Gomes de Oliveira e Pascoal de Tal, que se familiarizaram na cidade, conquistando amizades e simpatia de todos os que os conheciam, notadamente o primeiro que, embora não fosse médico, estava prestando serviços aos que o procuravam. Tornaram-se possuidores da estima e da consideração da gente balsense.
Na fazenda “Morro Vermelho” não muito distante de Santo Antônio de Balsas, o Tenente Herculano Cypriano Firmino, da Polícia Militar do Maranhão, tomou conhecimento da presença dos dois remanescentes da tropa revolucionária e enviou um destacamento composto pelo Cabo Antônio Araújo e mais três soldados para que realizasse a prisão dos dois cidadãos ali sediados.
Foi na tarde de 21 de fevereiro de 1926 que entrou na cidade o destacamento, possuído do desejo de vingança e sem consultar ninguém ou procurar a autoridade policial do lugar, numa cena de selvageria e com requintes de perversidade, depois de prendê-los, fuzilaram suas pobres vítimas.
E só então, e pela primeira vez, o clamor público e o pânico tomaram conta da pacata população de Santo Antônio de Balsas.
PALAVRA DO EDITOR
Eloy Coelho Netto foi testemunha ocular dessa história. Embora tenha nascido naquele ano de 1925, seu livro é resultado de extensa pesquisa dos fatos ali narrados e também do que lhe foi passado oralmente por seu pai, Edísio Cesário da Silva – futuro prefeito de Balsas – um dos comerciantes na época e vítima das malditas requisições. E é sobre elas que lhes desejo falar.
Constituíam-se em documentos nos quais os revoltosos demonstravam a intenção de ressarcir os saqueados se um movimento rebelde tivesse êxito. Mas, de boas intenções o inferno está cheio!
De tudo que se passou em Balsas, ficou apenas um registro, que consegui no Museu Municipal de Balsas Gilza Magalhães Ribeiro, constando nele algo que particularmente me emociona. Na requisição datada de 24 de novembro de 1925, da qual foi vítima o comerciante Elias Alfredo Cury – pai do Doutor Rosy e do comerciante Jorge ambos prefeitos balsenses nos anos 1950 e 1970 –, num total de 1:049$500 (um conto quarenta e nove mil e quinhentos réis), assinada pelo Coronel Luiz Carlos Prestes, comandante das chamadas Forças Revolucionárias, o reconhecimento da firma foi oficializado por meu pai, Emigdio Rosa e Silva, Tabelião, como adiante se vê:

Tal documento foi registrado no cartório do Primeiro Ofício de Balsas:
Ad perpetuam rei memoriam!

Tio, que delícia saber de tudo isso. Tenho tantas coisas pra te contar pessoalmente. Em dezembro estarei aí. Te amo...pra sempre.

Parabéns, quantas informações preciosas, o Sr. Fez história e continua externando um verdadeiro amor por Balsas. Lembro-me demais dos bailes que animou com seu instrumento musical . Escrever sempre foi seu prazer, Desejo-lhe tudo de bom junto aos seus.

Muito interessante e esclarecedora a chegada da Coluna Prestes por Piau e Balsas, ou melhor Santo Antônio do Balsas. Não resta dúvida de que era um grupo idealista e com causas justas. Apesar da competência dos líderes, percebemos que foi uma enorme desorganização, sem planejamento e uma marcha que rodou o Brasil inteiro e apesar de ter conseguido movimentar e ousar mudanças com este intento, foram derrotados . Assim disseram que não iam devastar a cidade, não cumpriram com a palavra, e os mais inteligentes do Maranhão e do Piauí logo se prepararam para esse o movimento de jovens rodando Brasil afora. Muitos deles, com Juarez Távora e Eduardo Gomes integraram as fileiras do exército novamente e outros se juntaram à política brasileira no regime bem pesado para garantir a ordem. Não faria crítica pois temos exemplo da revolução de 30, da Intentona Comunista, dos 18 do forte, e outros tantos idealistas que não desenvolvem estratégia para conseguirem seu propósito Luiz Carlos Prestes não quis voltar e ingressar as fileiras do Exército, escolheu mesmo a doutrinação da União Soviética que via neste jovem , Cavaleiro da Esperança, alguém que poderia servir bastante ao sistema comunista. Temos a visão bem clara de como foi sua atuação inclusive entregando sua própria esposa ao regime nazista por ser Olga Benário uma judia. Não vem ao caso justificar ou criticar pois o objetivo deste texto é mostrar a passagem da coluna mambembe pelo Brasil afora, arregimentando quem encontrava pelos caminhos e gostaria de seguir como se fossem andarilhos sem rumo. Todos tão inteligentes sem planejamento e os movimentos somente fracassaram. Gostei da nota do editor do livro que você recebeu, caríssimo primo Raimundo Floriano. Parabéns ao Eloy Coelho que registrou os dados nos trazendo e acrescentando dados super importantes e pitorescos até. Passagens tristes como a do senhor Kury. Esse período onde o comunismo teve seus dias bagunça de glória e falsidade, mostraram que o povo, mesmo distante do grande centro que era o Rio de Janeiro, a capital federal, soube agir para se proteger de falsas promessas. O Brasil mudou bastante e já focalizei, muitos deles voltaram a ocupar cargos importantes na nação brasileira e se destacaram. Prestes, sempre muito inteligente, não soube direcionar um projeto que fizesse inclusive a sua crença ir adiante. Não deixou de ser um manipulado pelo sistema soviético. Obrigada. Já conhecia um pouco dessa passagem pelo Piauí e Santo Antônio do Balsas, em conversas que tive com um primo nosso em comum, que inclusive relatou que seu pai teria tido um relacionamento mais próximo com os caminhantes. Grande abraço . Gosto de ler todos os textos mas tenho uma preguiça de responder pois não faço uso do computador e através de tablet ou celular não consigo formatar muito bem o texto e sempre que vou escrever acabo por fazer deitada, uma posição desconfortável. Envie bastante e solicite meu comentário assim eu vou exercitando meu cérebro para pensar mais e aprender sempre . E que o Brasil de hoje sobreviva a agonizante que está e sem jovens corajosos idealistas que mesmo sabendo que morreriam ou virariam nome de rua, nossos heróis, fracassaram em seus pleitos. Coragem é uma coisa que admiro🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷 Teresa Cristina da Silva Néto.

Excelente texto. Meu pai, Alberto Ribeiro, também nos conta parte dessa história. Inclusive que foram requisitados cavalos de meu avô João Ribeiro da Silva, em Balsas, com a promessa de que seriam devolvidos. E foram devolvidos em Floriano. Vou procurar o texto e enviarei o link para quem sabe enriquecer mais ainda essa história.