Não é novidade para quem acompanha este início de temporada do Vasco a dificuldade que o time passa com a ausência de atacantes de velocidade. Mas ontem, na derrota de virada por 2 a 1 para o Fluminense, o problema ficou escancarado. Com uma atuação abaixo do nível que vinha apresentando ao longo do Campeonato Carioca, justamente no primeiro clássico, a lacuna de opções tornou os 45 minutos finais da partida num martírio para o torcedor cruz-maltino.
A euforia do gol de Philippe Coutinho com apenas um minuto de jogo e 10 minutos iniciais de muita pressão no campo adversário logo passaram quando o Fluminense se ajustou pelo meio, passou a se defender e trocar passes com mais facilidade, além de abrir espaço para Arias criar. Ele e o jovem Riquelme Felipe levaram muito perigo à defesa vascaína, exposta como nunca neste início de temporada.
Os dois gols tricolores, um de bola parada (de Thiago Silva) e outro em chute que acabou desviado por Germán Cano mostraram a fragilidade da defesa em aliviar do perigo quando tem a bola em sua área. Mas a base da atuação ruim se deu no meio-campo. Hugo e Jair não "deram liga", Tchê Tchê parecia deslocado e o setor errava passe atrás de passe, perdia tempos de bola e via o Fluminense nem precisar de uma marcação muito intensa para ter a posse em boa parte do jogo. Payet, que entrou no lugar de Coutinho após o camisa 11 sentir lesão ainda no primeiro tempo, pouco apareceu na partida.
— Não sei se perdemos a confiança, mas sei que foi um jogo abaixo tanto coletivamente, e aí a responsabilidade é tanto minha, quanto tecnicamente também de alguns atletas — analisou Carille após partida.
Na segunda etapa, o técnico tentou voltar à estratégia habitual e lançou Alex Teixeira no lugar de Paulinho. Nada mudou. O meio e o ataque não conectavam e o cruz-maltino chegava sem velocidade ou qualquer chance de surpreender a bem postada defesa do Fluminense. Nas raras vezes em que Lucas Piton e Paulo Henrique recebiam a bola no ataque, paravam em marcação dobrada.
Quando o padrão não funciona, tenta-se o diferente. Mas na situação atual do elenco cruz-maltino, restou a Carille arriscar Puma Rodríguez como ponta direita e até o jovem Bruno Lopes no ataque. Naturalmente, não foram capazes de mudar os piores 45 minutos do Vasco nesta temporada. Situação que seguirá complexa enquanto o clube não conseguir reforçar seu elenco.