O duelo entre Atlético-MG e Botafogo, ontem, tinha duas histórias correndo separadas: na principal, a luta carioca para manter a distância na liderança, que caiu para dois pontos após vitória do vice-líder Palmeiras sobre o Bahia, mais cedo, por 2 a 1, em Salvador. Na outra, uma espécie de prévia do que pode ser a final da Libertadores, que será decidida entre os dois alvinegros no próximo dia 30, em Buenos Aires. O empate em 0 a 0 entre times modificados, com clima muito quente (três expulsões) e confusão no fim, contemplou as duas. Pior para os cariocas, que dominaram, mas viram o alviverde se aproximar.
A medição de forças totais entre Atlético-MG e Botafogo ficou mesmo para a Argentina. Ontem, as equipes entraram muito modificadas, sem alguns dos seus principais jogadores. No alvinegro, foram poupados Igor Jesus (que começou no banco) e Savarino (que não foi relacionado), dois dos seis convocados na data Fifa. Entraram Eduardo e Tiquinho Soares. O Galo não levou seus convocados para a partida e escalou uma equipe mista, sem nomes como Battaglia, Arana, Scarpa, Hulk e Bernard, alguns fora até do banco.
O resultado disso foi um Botafogo mais forte em campo na primeira etapa. Enquanto o Galo tentava compactar suas linhas, o líder encontrava espaços para correr e se desenvolver verticalmente. Foi assim que Almada teve uma das melhores chances, em jogada com Luiz Henrique bem defendida por Everson. O argentino foi quem mais levou perigo ao gol mineiro.
Desde o início, a partida era marcada por momentos de nervosismo e discussões do intervalo ao fim, intensificadas pelas vazias e silenciosas arquibancadas do Independência, uma punição ao Galo por conta das confusões na final da Copa do Brasil. Num desses lances nervosos, ainda na primeira etapa, Rubens acabou condicionando-a. O lateral-esquerdo fez duas faltas seguidas em Luiz Henrique num intervalo de três minutos e acabou expulso pelos dois amarelos.
Confusão e expulsão após o apito final
O segundo tempo teve o cenário que o Botafogo mais gosta: com um a mais, teve espaço para subir as linhas e fazer inversões rápidas à vontade, enquanto o Galo ficou totalmente encaixotado em sua intermediária defensiva, rendido a cortes e rebatidas. O Botafogo teve 81% da posse de bola e finalizou 18 vezes após o intervalo. Mas teve dificuldades para incomodar de fato o goleiro Everson: foram só três chutes no gol. Um deles com Vitinho, que viu o goleiro evitar seu gol com a ponta dos dedos.
Mas o momento era todo do Botafogo, que martelava e empilhava chances atrás de chances. Nem entradas como a de Igor Jesus e a de Matheus Martins deram ao time de Artur Jorge poder de fogo suficiente para surpreender o Galo no tempo de reação. Um cenário de ataque contra defesa resistente que tem incomodado o Botafogo desde o empate contra o Cuiabá.
Para piorar, Barboza foi expulso no fim, após discussão com Igor Rabello. O nervosismo em campo e a rivalidade das equipes culminou num fim de jogo de muito bate-boca. Numa confusão entre a segurança do Botafogo e a do estádio no fim, Luiz Henrique acabou sendo expulso pelo arremesso de um objeto, verificado pelo árbitro Luiz Flávio de Oliveira no monitor do VAR. O camisa 7 do Botafogo também foi criticado por Hulk ao fim da partida, acusado pelo atleticano de desmerecer o adversário.
Na próxima rodada, sábado, sem dois de seus principais jogadores, o alvinegro recebe o Vitória, enquanto o Palmeiras encara o Atlético-GO fora de casa. Mas com o confronto direto entre cariocas e paulistas marcado para terça-feira, o campeonato ganhou emoção. E como o duelo desta quarta pôde mostrar, o clima para a final da Libertadores esquentou mais do que o esperado.