Muita coisa estará em jogo hoje para o Fluminense quando a bola rolar, às 16h, na partida contra o Palmeiras, no Allianz Parque, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Pouco mais de um ano após alcançar a Glória Eterna com a conquista da Libertadores, em novembro de 2023, o tricolor se vê com o risco de terminar o ano com um traumático rebaixamento para a Série B, que pode impactar profundamente uma temporada que tinha tudo para ser especial com a disputa do novo Mundial de Clubes da Fifa.
Em 15º lugar, com 43 pontos, o tricolor depende apenas das próprias forças para se salvar, é verdade — um empate basta para permanecer na Série A —, mas encara um adversário que precisa vencer para sonhar com o título brasileiro. Além disso, o retrospecto no Allianz Parque é de tirar o sono do torcedor mais otimista: em dez partidas, são nove derrotas e um empate.
Impactos financeiros
Um rebaixamento pode não apenas ser traumático para o clube e sua torcida, que não viu a equipe cair na era dos pontos corridos, como também impactar fortemente as finanças do tricolor. Após a temporada de sucesso no ano passado, o Flu aumentou os investimentos em 2024 e previu no orçamento deste ano arrecadar cerca de R$ 86,5 milhões com resultados esportivos — previa chegar à final do Carioca, semifinal da Libertadores, quartas de final da Copa do Brasil e 5ª posição no Brasileirão. Não atingiu nenhum dos objetivos. E, caso fique entre os quatro últimos no torneio nacional, sequer receberá premiação, um prejuízo de, pelo menos R$ 16,3 milhões, o que recebe o 16º colocado.
Além da diferença nas contas deste ano, o clube ainda precisaria apertar os cintos em 2025 para se adequar à disparidade de premiação entre a Série A e a Série B. Em 2024, por exemplo, o campeão Santos recebeu apenas R$ 2,2 milhões pelo título. A ausência nas competições continentais também seria outro fator de impacto nas contas — somente as fases de grupos de Libertadores e Sul-Americana rendem cerca de R$ 18 milhões e R$ 5,5 milhões, respectivamente, por clube.
Neste cenário, a presença no novo Mundial de Clubes — embora tenha que lidar com a atípica situação de disputá-lo em paralelo a uma Série B – poderia ser a salvação das contas do tricolor. A Fifa ainda não divulgou a premiação do torneio, mas especulam-se valores muito altos.
De qualquer forma, a formação do elenco seria impactada. Além de reduzir a capacidade de investimento e o poder de atração para contratações, provavelmente precisará reduzir a folha salarial, que este ano girou em torno de R$ 10 milhões/mês. Jogadores em fim de contrato com salários consideráveis, como é o caso de Felipe Melo, não deverão ter o vínculo renovado em caso de queda. A saída precoce de Marcelo já deu um alívio aos cofres. A própria presença da comissão técnica de Mano Menezes, de alto custo, também é incerta.
Dúvida na lateral
Para evitar um dos maiores vexames de sua história, o Flu terá que vencer ou empatar com o Palmeiras. Caso isso não ocorra, precisará torcer para que o Athletico perca para o Atlético-MG, em Belo Horizonte, ou que o Bragantino não vença o já rebaixado Criciúma, em casa.
O técnico Mano Menezes poderá contar com um grande reforço para a partida de hoje: o meia Paulo Henrique Ganso, que cumpriu suspensão contra o Cuiabá por ter sido expulso na partida contra o Athletico-PR, deve ser titular. Por outro lado, Bernal recebeu o terceiro cartão amarelo na última quinta-feira e é desfalque. Já Diogo Barbosa, após sentir dores no aquecimento contra o Cuiabá, é dúvida na lateral esquerda — o colombiano Gabriel Fuentes pode começar jogando novamente.