A expectativa era altíssima, e Botafogo e Palmeiras entregaram a emoção esperada da “final” antecipada do Campeonato Brasileiro, nesta terça-feira, no Allianz Parque, em São Paulo. Se não foi uma decisão de fato, com grito de campeão, o alvinegro ficou muito perto do troféu ao bater o alviverde por 3 a 1, com gols de Gregore, Savarino e Adryelson; Richard Ríos descontou no fim.
Com uma atuação de campeão, da defesa ao ataque, o Botafogo reassumiu a liderança, abriu três pontos de vantagem (73 a 70) e depende apenas de si diante do Internacional, no Beira-Rio, e do São Paulo, no Nilton Santos, nas duas últimas rodadas da competição.
A vitória tem um sabor a mais para o Botafogo. A retomada da liderança do Brasileirão e o bom futebol jogado na casa do adversário dão a tranquilidade desejada para a principal final do ano: a da Libertadores, contra o Atlético-MG, neste sábado, em Buenos Aires. O time embarca hoje à tarde para a capital da Argentina.
— Isso mostra que não estávamos abalados em nenhum momento. Nos mantivemos firmes, todos os dias, mentalmente. Temos a final da Libertadores agora, e depois os dois jogos do Brasileiro — desabafou o atacante Igor Jesus.
Sustos dos dois lados
Como em todo bom jogo decisivo, alguns componentes não poderiam faltar. O nervosismo, por exemplo, esteve lá, alternando entre botafoguenses e palmeirenses ao longo da partida.
Primeiro com os alvinegros. Preso na marcação imposta pelo Palmeiras, o Botafogo se viu sem espaço na primeira parte da etapa inicial. Gustavo Gómez esteve perto de abrir o placar aos 6 minutos, mas a bola pegou no ombro e saiu. Rony teve a chance em virada de bola de Marcos Rocha. O atacante, que deixou Flaco López no banco, escorou mal.
No mesmo lance, outro susto que poderia desestabilizar mais ainda o alvinegro. Ao tentar alcançar Rony, o zagueiro Bastos sentiu dores na coxa esquerda e pediu substituição — Adryelson entrou em seu lugar.
Mas uma jogada que parecia ensaiada — Gregore admitiu que errou seu posicionamento — surpreendeu o Palmeiras. Alex Telles cobrou escanteio curto para Almada, que tocou para o volante, livre na área, finalizar sem chances para o goleiro Weverton.
Placar aberto, nervos no lugar e meio-campo dominado pelo talento de Almada, que pode ser considerado o termômetro alvinegro. Se a bola passa bem pelos seus pés, o time encontra os espaços e o caminho do gol.
A pressão agora estava no colo do Palmeiras. E a matemática não ajudava. Atrás no placar, o time de Abel Ferreira precisava sair para o jogo em busca do gol. Mais gente no ataque significa mais espaço ao adversário. E o relógio correndo só fazia crescer o nervosismo de uma equipe que jogava pelo empate para se manter na liderança do campeonato a dois jogos do fim.
Mas, apesar dos muitos erros de passe do Palmeiras, o talento de jogadores como Estêvão pode fazer a diferença. Num cruzamento longo perfeito, ele virou a bola para Marcos Rocha, que cabeceou para o gol. Do outro lado, no entanto, estava outro pilar da equipe alvinegra. John, pego no contrapé, conseguiu voltar a tempo e salvar o Botafogo. Ele, porém, não estará no próximo jogo. Por retardar o reinício da partida, recebeu o terceiro cartão amarelo e não pega o Internacional.
Num duelo de alto nível, qualquer mudança pode gerar desequilíbrio. Ontem, foi a expulsão de Marcos Rocha por acertar Igor Jesus no rosto. Era o espaço de que o Botafogo precisava para ampliar o placar. Minutos depois, Savarino recebeu de Igor Jesus, em jogada iniciada por John, e fez o segundo. Adryelson, expulso na dramática partida do ano passado, ampliou de cabeça. E Richard Ríos ainda teve tempo de descontar no fim.
Mas a vitória estava garantida, e o alvinegro segue rumo ao ano perfeito.