Há várias rodadas, não se via o Botafogo jogar com o ímpeto que apresentou ontem no Maracanã. Os melhores momentos desta campanha, que se aproxima de encerrar o jejum de títulos brasileiros do clube, haviam sido marcados por jogos em que o alvinegro golpeava seus adversários em sequência, marcando gols e impedindo qualquer tipo de reação. Foi assim que venceu o Fluminense no Clássico Vovô, por 2 a 0.
O momento parecia improvável para tal reação, pois o tricolor chegava de uma classificação à final da Libertadores, enquanto o Botafogo estava há quatro rodadas sem vencer, esmorecido por resultados decepcionantes na mão de Bruno Lage, demitido na semana passada. Contra Fernando Diniz, treinador que agora embarca para treinar a seleção brasileira, estava o estreante Lucio Flavio.
Pois foi sob o comando do ex-meia que a equipe demonstrou, desde os primeiros instantes de bola rolando, que marcaria em cima e exploraria os erros adversários. Em menos de um minuto, Eduardo assustou Fábio, completando cruzamento de Júnior Santos, atacante que acabou se tornando o nome da partida.
Primeiramente, aos 19 minutos, adiantando-se à defesa e recebendo o lançamento de Tchê Tchê, que o deixou de cara para o gol. Sem tremer, driblou o goleiro adversário e empurrou para o fundo das redes. Não havia tempo a perder. Dois minutos depois, passeou pelo meio de campo desprotegido montado por Fernando Diniz — apenas com André na proteção —, e acionou Tiquinho Soares. O 15º gol do artilheiro do Brasileirão veio em bonita finalização por cobertura.
Fluminense e Botafogo: veja fotos do clássico deste domingo
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Foi neste curto período que o Botafogo garantiu os três pontos. O placar poderia ter sido maior, pois Marlon Freitas e Luis Henrique perderam chances claras no segundo tempo, mas o torcedor já deve ter ficado contente o suficiente com a retomada das velhas características. Do outro lado, estava uma equipe altamente qualificada, que acabava de voltar da classificação para a final da Libertadores.
— Deixar bem claro que o grupo está fechado. Todo mundo unido. Qualquer treinador que vier, e o mais importante sempre vai ser o Botafogo. Parabenizar nossa equipe pelo grande jogo hoje, diante de um grande adversário. É ressaltar nossa vontade, e seguimos juntos — declarou Tiquinho
Uma resposta rápida e surpreendente diante da potencial crise que se desenhava era importante. Porém, é apenas um primeiro sinal. Nas 12 partidas restantes do campeonato, Lucio Flavio precisará comprovar que tem a condição de levar o time ao título, em sua primeira experiência como técnico — ainda interino, mas que pode ganhar cara e jeito de efetivo. A rodada também ajudou.
O empate do Red Bull Bragantino e as derrotas de Grêmio e Palmeiras aumentaram a vantagem para nove pontos. O próximo compromisso será apenas no dia 18, contra o América-MG, em Belo Horizonte, às 20h.
Lições a se tirar
Do outro lado, Diniz disse na coletiva como a equipe "esvaziou o tanque" física e emocionalmente, após eliminar o Internacional na Libertadores. Alguns jogadores realmente pareceram não estar preparados para entregar a mais alta intensidade, como Keno e Jhon Arias. Diante de um Botafogo vertical e que voltou a ser forte fisicamente, não a foi a melhor tarde para o tricolor.
Por sua vez, Kennedy teve ao menos duas boas chances na primeira etapa. Em uma, teve seu chute barrado por Lucas Perri, quase na pequena área. Depois, carimbou a trave do goleiro.
Nos dois confrontos contra o colorado, a classificação esteve próxima de escorrer pelos dedos, só que o adversário não teve a competência para converter chances claras. Melhor para o Flu, que foi preciso e aproveitou as oportunidades que teve. Ontem, o rival não deu brecha para o azar, e abriu logo uma vantagem da qual o time de Diniz não conseguiu se recuperar.
Várias tentativas de mudanças foram feitas durante o jogo, com o comandante deixando bem clara sua irritação com os momentos de desatenção de seus atletas. A formação que deixa apenas um homem na proteção para liberar cinco jogadores ofensivos tem seus prós e contras. Ao enfrentar uma equipe com intensidade ofensiva, que sabe surpreender em contra-ataques, pode se tornar um ponto fraco.
O título brasileiro já era uma realidade distante e, agora, é quase impossível parao Flu: são 14 pontos atrás do líder. No dia 19, às 21h, receberá o Corinthians, no Maracanã.
O que resta para o Fluminense agora é tomar as lições desta derrota em casa — a primeira após oito meses e 26 jogos —, e cuidar para que tudo saia bem contra o Boca Juniors, no dia 4 de novembro.