BORIS PASTERNAK (CRÔNICA DO COLUNISTA SACRISTÃO ANTÔNIO CARLOS DIB)

BORIS PASTERNAK
Antônio Carlos Dib
Boris Pasternak (1890–1960) – Biografia
Boris Leonidovich Pasternak nasceu em 10 de fevereiro de 1890, em Moscou, Rússia. Ele cresceu em um ambiente intelectual e artístico: seu pai, Leonid Pasternak, era um renomado pintor e professor de arte, e sua mãe, Rosa Kaufman, era uma talentosa pianista. Esse ambiente cultural influenciou profundamente seu desenvolvimento artístico.
Inicialmente, Boris estudou filosofia na Universidade de Moscou e, posteriormente, passou um tempo na Alemanha, na Universidade de Marburg, aprofundando-se na filosofia neokantiana. No entanto, acabou abandonando esse caminho para se dedicar à literatura e à poesia.
Pasternak começou sua trajetória como poeta, ganhando reconhecimento na década de 1910 com coletâneas como Meu Irmão, a Vida (1922). Sua poesia era influenciada pelo simbolismo russo e pelo futurismo, trazendo imagens vívidas e um lirismo profundo.
Apesar de seu prestígio como poeta, ele se tornaria mundialmente conhecido por seu romance Doutor Jivago (1957). O livro retrata a Revolução Russa e suas consequências a partir da vida do médico e poeta Yuri Jivago, que se vê dividido entre o amor por duas mulheres e as transformações políticas da época. O romance foi rejeitado pela censura soviética por sua visão crítica da Revolução e do regime comunista, mas foi publicado na Itália em 1957, tornando-se um best-seller internacional.
Prêmio Nobel e Perseguição
Em 1958, Boris Pasternak foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, mas foi forçado a rejeitá-lo sob forte pressão do governo soviético, que o acusava de traição e ameaçava sua família e amigos. Sua situação política se tornou insustentável, e ele foi expulso da União dos Escritores Soviéticos, ficando isolado na própria pátria.
Pasternak passou seus últimos anos em Peredelkino, uma vila de escritores nos arredores de Moscou. Ele continuou escrevendo poesia e traduções literárias, mas foi mantido à margem da vida cultural soviética. Faleceu em 30 de maio de 1960, vítima de câncer no pulmão.
Após sua morte, sua reputação foi gradualmente reabilitada na União Soviética. Em 1987, Doutor Jivago foi finalmente publicado oficialmente na Rússia. Hoje, Pasternak é reconhecido como um dos maiores escritores russos do século XX, tanto por sua poesia quanto por sua prosa.