Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

O Globo Tuesday, 30 de September de 2025

BERTA LORAN SE ENCANTOU: ATRIZ MORRE AOS 99 ANOS
Por 
Ricardo Ferreira
, Em O Globo — Rio de Janeiro

 

 
 

Morreu na madrugada deste domingo (28), aos 99 anos, a atriz Berta Loran. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital Copa D'Or, onde ela estava internada há 10 dias, em Copacabana, Zona Sul do Rio. A causa da morte não foi revelada. Ela deixa a sobrinha, Sarita Paskin.

 "O Hospital Copa D'Or informa, com pesar, o falecimento da Sra. Berta Loran na noite de domingo (28) e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes", informou a unidade.

 

Artista e imigrante no Rio dos anos 1940

 

Fugindo do nazismo em ascensão na Europa, Berta Loran chegou ao Brasil em 1935, aos 9 anos, com os pais e os cinco irmãos — “viemos quando Hitler começou a gritar”, disse a atriz certa vez ao GLOBO. Instalaram-se num sobrado apertado na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, e foi lá que a polonesa nascida em Varsóvia, batizada como Basza Ajs, se iniciou na carreira artística. O pai, José Ajs, um ator e alfaiate judeu, incentivou a menina a fazer teatro. E ela estreou no palco do Teatro Carlos Gomes, localizado ali mesmo, naquela praça, aos 14 anos. A cena cultural da cidade experimentava o auge do teatro de revista, gênero popular de linguagem simples, ligado à sátira social e também marcado pelos números musicais chanchadescos. O humor acompanharia Berta Loran, atriz de veia essencialmente cômica, por toda a longa e vitoriosa carreira construída no teatro, na TV e no cinema.

O nome artístico veio por acaso, quando o pai tentou registrá-la em cartório brasileiro, sendo desaconselhado a mantê-la como Basza (pronuncia-se “Báxa”, em português). Ficou Berta por sugestão do delegado de plantão. O Loran veio depois, por sugestão de uma colega de teatro, simplesmente porque ela era loira no começo da carreira. Estrelou peças de sucesso na década de 1950, como “Não vou no golpe”, “Castiga o couro” e “Aperta o cinto”.

Berta Loran em foto de 1970 — Foto: Arquivo / Agência O Globo
Berta Loran em foto de 1970 — Foto: Arquivo / Agência O Globo

“Fiz muito sucesso no teatro de revista. Comecei fazendo quadros de opereta. Depois, comecei a observar que quem fazia sucesso mesmo eram ou uma vedete que mostrava o corpinho de biquíni, ou então a cômica”, relatou Berta Loran ao site Memória Globo, da TV Globo. “Eu assistia aos filmes de Betty Hutton e Judy Garland, e os atores cômicos, como Red Skelton, e achava bonito. Então, resolvi escrever números cômicos. Escrevi um que se chamava “Ai, meus nervos”, cantei esse número para o empresário, ele gostou e disse: “Você vai fazer números cômicos”. E foi assim que eu me tornei uma atriz cômica”, concluiu.

Aos 19 anos, Berta se casou com o ator argentino Saul Handfuss, 30 anos mais velho e também judeu, com quem morou por dois anos em Buenos Aires. Depois, foram para Portugal, onde viveram durante seis anos. Apesar de ter feito relativo sucesso como atriz naquele país, Berta e o marido passaram dificuldades — ele era viciado em apostas de corridas de cavalo. Ela chegou a fazer dois abortos por conta da situação financeira delicada. “Fiquei grávida do velhinho duas vezes. Mas como não tínhamos dinheiro para comer, a mulher colocava uma gilete dentro de mim e tirava os bebês”, contou ela ao site Ego, em 2016.

 

Parceria de Chico Anysio e Jô Soares

 

 

Berta Loran estreou no cinema no filme “Sinfonia carioca” (1955), de Watson Macedo. Em 1963, foi contratada pela TV Record , de São Paulo, por intermédio da amiga Bibi Ferreira. Em 1965, fez parte do elenco inaugural da TV Globo, emissora com a qual viveu longa parceria. Em 1966, a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, participou do elenco fixo do programa “Bairro feliz”, de Max Nunes e Haroldo Barbosa, dando vida a inúmeros personagens. Foi quase onipresente em títulos humorísticos do canal, como “Riso sinal aberto” (1966), com Grande Otelo, e “Balança mas não cai” (1968), com Agildo Ribeiro, Paulo Gracindo e Jô Soares. Com este último, de quem se tornou uma grande amiga, também trabalhou em “Faça humor, não faça guerra” (1970), “Satiricom” (1973), “Planeta dos homens” (1976) e “Viva o gordo” (1981).

Outro grande parceiro de Berta Loran, a partir dos anos 1990, foi Chico Anysio. Depois de fazer parte do elenco de “Chico City”, ela foi a inesquecível portuguesa Manuela D’Além-Mar na primeira edição da “Escolinha do Professor Raimundo”, exibida entre 1990 e 1995. Também atuou na segunda versão de “Chico total”, que ficou no ar até dezembro de 1996. Na retomada da “Escolinha do Professor Raimundo”, em 2001, Berta Loran interpretou a judia Sara Rebeca.

Também fez várias novelas, como “Cambalacho” (1986), “Cama de gato” (2010), a segunda versão de “Ti-ti-ti” (2011), “Cordel encantado” (2011) e “A dona do pedaço” (2019). Em 2017, participou do longa “Jovens polacas”, de Alex Levy-Heller, e em 2018 filmou “Canta pra subir”, de Caroline Fioratti. Ainda em 2018, aos 92 anos, ela voltou a trabalhar no teatro com o espetáculo “Damas do humor e da canção”, no qual atuava com Jane Di Castro, amiga íntima e vizinha de Copacabana. Em depoimento ao site Memória Globo, Berta calculou ter feito mais de 2 mil personagens, entre trabalhos no teatro, na TV e no cinema.


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