Em 2021, quando perguntado sobre as vaias recebidas em um confronto contra o Miami Heat, o pivô sérvio Nikola Jokic, hoje campeão da NBA com o Denver Nuggets, relativizou a pressão: "Eu joguei na Sérvia, cara. É um mundo totalmente diferente, queria que vocês pudessem sentir isso". Neste domingo, a mesma Sérvia que produziu o craque faz hoje a final do Mundial de Basquete com a Alemanha, às 9h40, em Manila (Filipinas). Uma decisão que reforça o poder do basquete europeu, que cada vez mais ganha espaço global e na própria liga americana, a principal do mundo.
Dois seis melhores pontuadores de Alemanha e Sérvia neste Mundial, cinco atuam no basquete americano, entre mais ou menos minutos: Dennis Schroder (17,9 pontos por jogo, Toronto Raptors), Franz Wagner (16, Orlando Magic) (Alemanha) e Mo Wagner (12,4, Orlando Magic), da Alemanha. Mais Bogdan Bogdanovic (19,4, Atlanta Hawks) e Nikola Jovic (10,3, Miami Heat), da Sérvia. Há ainda Daniel Theis, do Indiana Pacers, e Filip Petrusev, do Philadelphia Sixers.
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Os demais, alguns com passagens pelos Estados Unidos, moldaram seu basquete dentro ou em volta do ambiente da Euroliga, a monumental competição continental da modalidade. Com o segundo Mundial seguido saindo das mãos dos Estados Unidos e seus jovens da NBA (mais fortes nesta edição), os talentos europeus ganham ainda mais os holofotes do mundo.
Esse movimento parte de uma mudança crescente no panorama até alguns anos atrás hegemônico: há cinco anos um americano não ganha o prêmio de MVP (melhor jogador) da NBA. Dois deles (2021 e 2022) acabaram nas mãos de Jokic. Os dois anteriores foram para outro europeu, o grego Giannis Antetokounmpo. O último ficou com Joel Embiid, camaronês naturalizado francês. O trio não disputou o Mundial.
— Derrotamos um dos melhores times do mundo. Foi uma batalha incrível. Foi muito divertido, gosto desse tipo de jogo em especial. É algo com que você sonha. Atuar num palco grande, não fica melhor que isso — afirmou Johannes Thiemann, da Alemanha.
Recordes
Os 113 pontos dos alemães sobre a seleção americana (113 a 111) na semifinal foram um recorde duplo, tanto a maior pontuação feita em uma semi, quanto a maior sofrida pelos Estados Unidos em um Mundial. Agora, a equipe busca o troféu inédito.
A tradicional Sérvia, que também busca seu primeiro título após a separação de Montenegro (foram bicampeões como Iugoslávia), foi dona de feito parecido. Despacharam o Canadá de Shai Gilgeous-Alexander, Dillon Brooks e outros nomes importantes da NBA num jogo defensivo perfeito e muita eficiência no ataque: 95 a 86.
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— Nossa defesa começa nos armadores e vira um efeito em cadeia no resto do time. Se um erra, tudo desmorona. Os pivôs têm muita confiança na pressão dos armadores na bola e o resto do time bota muita fé neles. É por isso que jogamos com tanta confiança — analisou Svetislav Pesic, técnico da Sérvia.
Se quando as semifinais foram formadas, a expectativa era pela primeira decisão totalmente americana, o confronto entre Canadá e Estados Unidos ficou para a disputa de terceiro lugar. Nos dois jogos, o roteiro foi parecido: uma defesa por zona afiada, que só o basquete Fiba, mais livre para marcação dentro do garrafão que a NBA permite. Mais o ritmo cadenciado, a coletividade e o bom aproveitamento na seleção de arremessos que o assertivo e regrado basquete europeu sabe fazer bem.
Os disciplinados sérvios chegam com o melhor aproveitamento dos arremessos de quadra (56%) e a segunda melhor média de pontos (97,7 por jogo). Já os alemães, mais versáteis em seu jogo, vêm com a quarta melhor média de pontos por jogo (94,4) e o quarto melhor aproveitamento de arremessos (51,4%). Independentemente de quem ficar com o título neste domingo, o basquete da Europa sai ainda mais forte.