Zacimba Gaba nasceu em Angola, em meados do século XIX. Foi uma princesa da nação Cabinda, capturada como escrava e trazida para o Brasil, numa fazenda em Espírito Santo. Liderou uma revolta dos escravizados e fundou um quilombo às margens do riacho Doce. Passou a vida na construção de canoas e na organização de ataques noturnos no porto próximo à São Mateus para libertar os negros recém-chegados.
Ao chegar no Brasil, foi vendida com mais 12 súditos como escravos ao fazendeiro português José Trancoso, e foi castigada por não se submeter às ordens do senhor. Num primeiro momento, o fazendeiro não tinha noção do seu status entre os angolanos, mas percebeu logo o tratamento dado a ela. Assim, foi torturada e revelou que fazia parte da realeza em sua terra de origem. Conta-se que ela proibiu seus companheiros de a libertarem até que ela conseguisse envenenar seus algozes. O que foi feito aos poucos, utilizando-se de um pó preparado com a cabeça moída de uma cobra jararaca, o “pó de amansar sinhô”.
Após a fuga da Casa Grande, com a morte do fazendeiro e alguns capatazes, ela guiou seu povo pelo interior e criou um quilombo nas margens do Rio Doce, próximo do atual distrito de Itaúnas, na cidade de Conceição da Barra, no Espírito Santo. O povo de Zacimba organizou algumas revoltas pela liberdade e o quilombo tornou-se ponto de referência para escravizados em fuga. A princesa passou o resto da vida guiando batalhas no porto de São Matheus pela libertação dos negros chegados da África, e pela destruição dos navios negreiros. Faleceu na invasão de um navio português, lutando pela libertação do povo cabindense.
Existe pouca documentação sobre a vida de Zacimba e a que existe não é precisa, com algumas fontes indicando o século XIX e outras o século XVII, o período de sua existência. Mas existem alguns livros contando sua história. Em 1995 Maciel de Aguiar publicou o livro Zacimba Gaba: princesa, escrava, guerreira, pela Editora Brasil em parceria com o Centro Cultural Porto de São Mateus. Uma nova edição foi relançada em 2007 pela Memorial Editora.
No livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, Jarid Arraes retrata a história de Zacimba em cordel.
“ (…) Quando Zacimba chegou
E então foi interrogada
Respondeu com altivez
Fez a história confirmada
Era sim uma princesa
Por seu povo era adorada (…)
Em 2020 Tati Rabelo e Rod Linhares realizaram o documentário Zacimba Gaba: um raio na escuridão, uma mistura de animação e cenas reais, em que 3 mulheres contam sua história. Zacimba é uma das descendentes do quilombo de Linharinho, no Espirito Santo e atualmente é uma figura destacada na história do Estado.