Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial domingo, 19 de janeiro de 2025

AS BRASILEIRAS: Luz del Fuego (CRÔNICA DO COLUNISA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

AS BRASILEIRAS: Luz del Fuego

José Domingos Brito

Dora Vivacqua nasceu em 21/2/1917, em Cachoeiro de Itapemirim, ES, em 21/2/1917. Dançarina, atriz, escritora, naturista e feminista. Pioneira do naturismo no Brasil e fundadora do primeiro reduto naturista da América Latina na década de 1940. Foi pioneira também na luta pela emancipação das mulheres.

 

 

 

Filha de Etelvina Souza Monteiro Vivacqua e José Antônio Vivacqua, tradicional família de políticos e intelectuais, vivendo em Belo Horizonte no “Salão Vivacqua”, um casarão que promovia saraus mensais frequentados por Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e a turma modernista da cidade, onde ela participava ainda criança.

Desde cedo exibia comportamento rebelde e gostava de caminhar pela praia de Marataízes somente de roupa íntima e bustiê. Nos carnavais aparecia com curtas fantasias confeccionadas por ela mesma. Era uma adolescente aversa às convenções sociais. Aos 20 anos fugiu para o Rio de Janeiro e quando foi encontrada pela família, foi enviada ao Colégio da Imaculada Conceição, do qual saiu aos 21 anos, com a maioridade. Em seguida, bacharelou-se em Ciências e Letras, mas preferiu seguir carreira artística em 1942. Sua estreia no cinema, se deu em 1946, com o filme No Trampolim da Vida, apresentando-se com suas cobras vivas. No ano seguinte, embarcou em uma excursão para Nova Iorque, onde se apresentou em danceterias noturnas por três meses.

Foi a primeira artista brasileira a aparecer nua no palco. Fez o curso de dança de Eros Volúsia, adestrou serpentes e estreou nos teatros de revista do Rio com o nome “Luz del Fuego”. Fazia espetáculos de dança com uma serpente enrolada no corpo quase nu. Foi desse modo que provocou furor em todo o País, tornando-se numa das principais artistas do teatro mais conhecidas na década de 1950, chegando a excursionar pelo exterior. Foi repudiada pelo público conservador; enfrentou a repressão; foi expulsa de algumas cidades e impedida de entrar noutras.

Pouco antes do sucesso, passou a expor seus ideais existencialistas e naturistas em defesa dos direitos da mulher e da liberdade de expressão, combatendo os preconceitos sociais. Publicou 2 livros: Trágico Black-out, em 1942, um “romance passado em três noites de escurecimento em Copacabana” e A verdade nua, em 1943, uma autobiografia expondo os ideais de sua filosofia naturista e suas ideias naturistas de vegetarianismo e nudismo. O livro foi apreendido pela polícia em 1948. Mas uma 2ª edição saiu em 1950, vendido por reembolso postal. Junto com o livro, lançou a teorização do movimento naturista brasileiro, defendendo-o das acusações de imoralidade.

Tentou candidatar-se a deputada federal no Partido Naturista Brasileiro, fundado por ela mesma, mas não obteve o registro. Logo aventurou-se em algumas produções cinematográficas ao longo da década de 1950. Por essa época, conseguiu uma autorização da Marinha do Brasil para ocupar a ilha Tapuama de Dentro, rebatizada como “Ilha do Sol”, onde fundou o Clube Naturista Brasileiro, em 1951. Foi o primeiro do gênero na América Latina, mantendo rígido controle e proibindo a entrada de bebidas alcoólicas, palavras de baixo calão e relações sexuais, bem como a entrada de menores de idade.

Seu clube chegou a receber as visitas Ava Gardner, Errol Flynn, Glen Ford, Brigitte Bardot e Steve MaQueen. Segundo o Correio da Manhã, mais de 3 milhões de pessoas visitaram a ilha. O local foi incluído na Federação Internacional de Nudistas, na Alemanha, e ela foi entrevistada pela revista Frieden Leden. Mais tarde foi convidada para viajar à Alemanha, para concorrer ao título de “Mais Bela Nua do Mundo”. Por volta de 1960, foi morar na Ilha do Sol; afastou-se do teatro de revista e dedicou-se mais ao cinema. Em 1965 queixou-se à polícia da visita de malfeitores à Ilha. Meses depois reiterou a reclamação, citando a presença de dois pescadores suspeitos. Em 19/6/1967 os tais pescadores mataram-na a facadas e saquearam sua casa. Seu corpo foi encontrado 10 dias depois no mar.

Sua história foi tema do documentário A Nativa Solitária (1954) e do filme Luz del Fuego (1982). Em 2010 foi incluída na lista das “Musas que fizeram a história do Rio” Três biografias dão conta de sua vida e legado: (1) Luz del Fuego, de Aguinaldo Silva e Joaquim Vaz de Carvalho, incluído como vol. 122 da Coleção Edições do Pasquim; (2) Luz del Fuego: a bailarina do povo, de Cristina Agostinho. Edições Loyola, 1994 e A verdadeira Luz del Fuego, de Thiago de Menezes, publicado (s,d.) pela editora All Print.

 


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