Dora Vivacqua nasceu em 21/2/1917, em Cachoeiro de Itapemirim, ES, em 21/2/1917. Dançarina, atriz, escritora, naturista e feminista. Pioneira do naturismo no Brasil e fundadora do primeiro reduto naturista da América Latina na década de 1940. Foi pioneira também na luta pela emancipação das mulheres.
Filha de Etelvina Souza Monteiro Vivacqua e José Antônio Vivacqua, tradicional família de políticos e intelectuais, vivendo em Belo Horizonte no “Salão Vivacqua”, um casarão que promovia saraus mensais frequentados por Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e a turma modernista da cidade, onde ela participava ainda criança.
Desde cedo exibia comportamento rebelde e gostava de caminhar pela praia de Marataízes somente de roupa íntima e bustiê. Nos carnavais aparecia com curtas fantasias confeccionadas por ela mesma. Era uma adolescente aversa às convenções sociais. Aos 20 anos fugiu para o Rio de Janeiro e quando foi encontrada pela família, foi enviada ao Colégio da Imaculada Conceição, do qual saiu aos 21 anos, com a maioridade. Em seguida, bacharelou-se em Ciências e Letras, mas preferiu seguir carreira artística em 1942. Sua estreia no cinema, se deu em 1946, com o filme No Trampolim da Vida, apresentando-se com suas cobras vivas. No ano seguinte, embarcou em uma excursão para Nova Iorque, onde se apresentou em danceterias noturnas por três meses.
Foi a primeira artista brasileira a aparecer nua no palco. Fez o curso de dança de Eros Volúsia, adestrou serpentes e estreou nos teatros de revista do Rio com o nome “Luz del Fuego”. Fazia espetáculos de dança com uma serpente enrolada no corpo quase nu. Foi desse modo que provocou furor em todo o País, tornando-se numa das principais artistas do teatro mais conhecidas na década de 1950, chegando a excursionar pelo exterior. Foi repudiada pelo público conservador; enfrentou a repressão; foi expulsa de algumas cidades e impedida de entrar noutras.
Pouco antes do sucesso, passou a expor seus ideais existencialistas e naturistas em defesa dos direitos da mulher e da liberdade de expressão, combatendo os preconceitos sociais. Publicou 2 livros: Trágico Black-out, em 1942, um “romance passado em três noites de escurecimento em Copacabana” e A verdade nua, em 1943, uma autobiografia expondo os ideais de sua filosofia naturista e suas ideias naturistas de vegetarianismo e nudismo. O livro foi apreendido pela polícia em 1948. Mas uma 2ª edição saiu em 1950, vendido por reembolso postal. Junto com o livro, lançou a teorização do movimento naturista brasileiro, defendendo-o das acusações de imoralidade.
Tentou candidatar-se a deputada federal no Partido Naturista Brasileiro, fundado por ela mesma, mas não obteve o registro. Logo aventurou-se em algumas produções cinematográficas ao longo da década de 1950. Por essa época, conseguiu uma autorização da Marinha do Brasil para ocupar a ilha Tapuama de Dentro, rebatizada como “Ilha do Sol”, onde fundou o Clube Naturista Brasileiro, em 1951. Foi o primeiro do gênero na América Latina, mantendo rígido controle e proibindo a entrada de bebidas alcoólicas, palavras de baixo calão e relações sexuais, bem como a entrada de menores de idade.
Seu clube chegou a receber as visitas Ava Gardner, Errol Flynn, Glen Ford, Brigitte Bardot e Steve MaQueen. Segundo o Correio da Manhã, mais de 3 milhões de pessoas visitaram a ilha. O local foi incluído na Federação Internacional de Nudistas, na Alemanha, e ela foi entrevistada pela revista Frieden Leden. Mais tarde foi convidada para viajar à Alemanha, para concorrer ao título de “Mais Bela Nua do Mundo”. Por volta de 1960, foi morar na Ilha do Sol; afastou-se do teatro de revista e dedicou-se mais ao cinema. Em 1965 queixou-se à polícia da visita de malfeitores à Ilha. Meses depois reiterou a reclamação, citando a presença de dois pescadores suspeitos. Em 19/6/1967 os tais pescadores mataram-na a facadas e saquearam sua casa. Seu corpo foi encontrado 10 dias depois no mar.
Sua história foi tema do documentário A Nativa Solitária (1954) e do filme Luz del Fuego (1982). Em 2010 foi incluída na lista das “Musas que fizeram a história do Rio” Três biografias dão conta de sua vida e legado: (1) Luz del Fuego, de Aguinaldo Silva e Joaquim Vaz de Carvalho, incluído como vol. 122 da Coleção Edições do Pasquim; (2) Luz del Fuego: a bailarina do povo, de Cristina Agostinho. Edições Loyola, 1994 e A verdadeira Luz del Fuego, de Thiago de Menezes, publicado (s,d.) pela editora All Print.