Claudia Andujar nasceu em 12/6/1931, em Neuchântel, Suiça. Destacada fotógrafa e ativista em defesa dos índios Yanomami desde a década de 1970, na condição de brasileira naturalizada.
Filha de Germaine Guye e Siegfrid Haas, engenheiro húngaro judeu, vitimado no campo de concentração de Dachau. Ainda criança foi morar num convento, fechado pouco depois. Em seguida foi morar com a mãe, que mantinha um relacionamento com um policial ligado aos nazistas, garantindo a sobrevivência de ambas, sobretudo da menina, considerada judia.
Em 1944, durante a II Guerra Mundial, a Hungria foi ocupada pela Alemanha e mãe e filha conseguem escapar, passando pela Áustria e chegar à Suiça. Ao fim da guerra, um tio paterno que vivia nos EUA, convidou-as a viver com ele em Nova Iorque, em 1948. Estudou Humanidades no Hunter College, à noite e trabalhava para se manter. Não concluiu os estudos e trabalhou no comércio; em escritório; manteve interesse pela pintura e foi guia de visitantes na sede da ONU. “Me empregaram porque eu falava várias línguas”.
Por essa época conheceu Julio Andujar, um refugiado da Guerra Civil Espanhola, com quem se casou em 1949, aos 18 anos. No ano seguinte, o marido se apresenta como voluntário na Guerra da Coreia (1950-1953), esperando ser recompensado com a cidadania americana. Ficou 3 anos em combate e ela não o perdoou dos perrengues que passou. Quando voltou deu-se a separação. “Por tudo que aconteceu, quis eliminar meu nome de infância, Claudine Haas. Queria começar uma vida nova.” Em 1955, mudou-se para o Brasil, em São Paulo, onde já vivia sua mãe. Comprou uma câmera Rolleiflex e passou a fotografar, mas nunca fez curso de fotografia.
Passou a viajar pelo Brasil e América Latina, fotografando para si mesma, e querendo estabelecer contato com a população, pois não dominava a língua portuguesa. Aos poucos, começou a publicar suas fotos em revistas brasileiras: Quatro Rodas, Setenta, Claudia, Goodyear Brasil e estrangeiras: Life, Look, Fortune, IBM, Horizon USA, Aperture. Interessada nos índios, manteve contato com Darcy Ribeiro, em 1958, que sugeriu conhecer a Ilha do Bananal, terra dos índios Karajá. Conheceu outras aldeias e tribos e obteve boas fotos, que foram compradas por Edward Steichen, diretor do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Está traçado e pavimentado o caminho de uma grande fotógrafa, destacada na área do “fotojornalismo”.
Trabalhou na revista Realidade, da Editora Abril, no período 1966-1971, onde conheceu o fotógrafo George Love, o segundo marido. Em 1971, através de uma edição especial da Realidade sobre a Amazônia, foi conduzida até os índios Yanomami. Esta viagem foi o divisor de águas em sua carreira e em sua vida. Afim de se aprofundar no conhecimento da cultura indígena, saiu de São Paulo e foi viver entre Roraima e Amazonas. Para isso contou com o apoio de duas bolsas da Fundação Guggenheim em 1971 e 1974. Pouco depois separou-se do marido e conseguiu uma nova bolsa da FAPESP, para prosseguir seu trabalho com os Yanomami.
Em 1978 foi enquadrada na “Lei de Segurança Nacional” pelo governo militar, mesmo sem ter expressiva participação política, e foi expulsa do território indígena pela FUNAI-Fundação Nacional do Índio. Retornou à São Paulo e comandou a organização de um grupo de estudos visando a criação de uma área indígena Yanomami, o embrião da ONG “Comissão pela Criação do Parque Yanomami-CCPY”, com ajuda do missionário leigo italiano Carlo Zacquini. A partir daí passou a denunciar as ameaças à sobrevivência dos Yanomami e promoveu uma grande campanha pela demarcação da terra indígena, que veio ocorrer em 1992. Não fosse sua atuação nessa conquista, os Yanomami hoje não estariam mais aí para defender seus direitos novamente ameaçados.
Ao longo da década de 1980, foi diminuindo sua função de fotógrafa conhecida mundialmente, na medida em que foi aumentando sua participação, mobilizando forças em torno da demarcação de terras indígenas. Teve seus trabalhos expostos em várias amostras coletivas e individuais. Em 2005 expôs na Pinacoteca de São Paulo A Vulnerabilidade do Ser, a mais completa. Em 2015, apresentou Claudia Andujar no lugar do outro, no IMS-Instituto Moreira Salles (RJ), A 1ª parte de suas obras. A 2ª parte, dedicada aos Yanomami, foi exibida no IMS de São Paulo e em 9 países entre 2018 e 2024. Sua obra está exposta numa galeria permanente no Instituto Inhotim.
Seu acervo com mais de 40 mil fotos, documentos e publicações foi adquirido pelo IMS, em 2023. Foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, pelo governo brasileiro, em 2008, e recebeu a Medalha Goethe, do Goethe Institut/República Federal da Alemanha, por seu trabalho junto aos índios Yanomami. Conta ainda com 12 livros publicados no Brasil e exterior na área fotográfica e defesa dos índios Yanomami.