Almanaque Raimundo Floriano
(Cultural, sem fins comerciais, lucrativos ou financeiros)


Raimundo Floriano de Albuquerque e Silva, Editor deste Almanaque, também conhecido como Velho Fulô, Palhaço Seu Mundinho e Mundico Trazendowski, nascido em Balsas , Maranhão, a 3 de julho de 1936, Católico Apostólico Romano, Contador, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Funcionário Público aposentado da Câmara dos Deputados, Titular da Cadeira nº 10 da Academia Passa Disco da Música Nordestina, cuja patrona é a cantora Elba Ramalho, Mestre e Fundador da Banda da Capital Federal, Pesquisador da MPB, especializado em Velha Guarda, Música Militar, Carnaval e Forró, Cardeal Fundador da Igreja Sertaneja, Pioneiro de Brasília, Xerife nos Mares do Caribe, Cordelista e Glosador, Amigo do Rio das Balsas, Inventor da Descida de Boia, em julho de 1952, Amigo da Fanfarra do 1° RCG, autor dos livros O Acordo PDS/PTB, coletânea de charges, Sinais de Revisão e Regras de Pontuação, normativo, Do Jumento ao Parlamento, com episódios da vida real, De Balsas para o Mundo, centrado na navegação fluvial Balsas/Oceano Atlântico, Pétalas do Rosa, saga da Família Albuquerque e Silva, Memorial Balsense, dedicado à história de sua terra natal, e Caindo na Gandaia, humorístico apimentado, é casado, tem quatro filhos, uma nora, um genro e dois netos e reside em Brasília, Distrito Federal, desde dezembro de 1960.

José Domingos Brito - Memorial segunda, 10 de novembro de 2025

AS BRASILEIRAS: Clarice Herzog (CRÔNICA DO COLUNISTA JOSÉ DOMINGOS BRITO)

AS BRASILEIRAS: Clarice Herzog

José Domingos Brito

 

Clarice Ribeiro Chaves Herzog nasceu em 1941, em São Paulo, SP. Socióloga, pesquisadora, publicitária e professora. Ficou conhecida como esposa do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar em 1975. Manteve uma luta ferrenha para elucidar as circunstâncias do crime e conseguiu responsabilizar o Estado Brasileiro pela morte do marido.

Graduou-se em Ciências Sociais pela USP-Universidade de São Paulo, na década de 1960. Conheceu Vladimir Herzog, então estudante de Filosofia, em 1962 e casaram-se em fevereiro de 1964. Mudaram-se para Londres, onde nasceram seus filhos: Ivo e André. Em 1968, em plena ditadura militar, retornaram ao Brasil e Vlado seguiu trabalhando como jornalista e cineasta. Ela seguiu numa carreira bem-sucedida com pesquisas na área da publicidade.

Em 24/10/1975 seu marido foi prestar depoimento no II Exército e nunca mais foi visto vivo. Ela foi a primeira a romper o silêncio declarando “Mataram o Vlado”. Ficou viúva aos 34 anos e a partir daí travou uma luta ferrenha contra a mentira forjada pelo Exército que Vlado havia cometido suicídio. O Fato comoveu a sociedade e tornou-se na maior mobilização popular contra a ditadura. A missa de 7º dia na Catedral da Sé, uma missa ecumênica, conduzida pelo arcebispo Dom Evaristo Arns, reuniu mais de 10 mil pessoas lotando a igreja e a Praça da Sé, protestando e velando a morte de Vlado.

Em 1978, Clarice junto com os filhos publicaram o livro Caso Herzog: a sentença, pela editora Salamandra, com prefácio de Raimundo Faoro, expondo a íntegra do processo movido contra o Estado. A partir daí, tornou-se uma pessoa pública e indignada, passando a buscar a verdade, não obstante sofrer ameaças da repreensão. Dizia que “Não quero virar esta página. Quero imprimi-la na História”. No mesmo ano conseguiu uma sentença histórica que condenou o Estado, obrigando-o a indenizar a família pela morte do marido. Tal indenização só veio ocorrer em fevereiro de 2025, quando Clarice conta com 83 anos, sofre do mal de Alzeihmer e talvez não possa comemorar, a contento, sua vitória numa luta de vida inteira.

Em 2009, o caso foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA-Organização dos Estados Americanos com apoio do CEJIL-Centro pela Justiça e Direito Internacional. Com isso, abriu um precedente importante para todas as famílias de mortos e desaparecidos políticos. Ainda em 2009, foi criado o Instituto Vladimir Herzog com o objetivo de preservar a memória do jornalista e promover ações que atraiam a atenção da sociedade aos problemas sociais e econômicos do Brasil com ênfase nas consequências do golpe. Em 2013, 38 anos depois do crime, ela conseguiu a retificação do atestado de óbito, não mais como suicida, mas como vítima da violência do Estado brasileiro.

Os anos de luta de Clarice contra a mentira do regime militar foram destacados por Eneá Stutz, presidente da Comissão de Anistia como “uma luz que ilumina os erros que o país tem cometido diante da sua própria história. Ao ser tão determinada, ela ajudou o Brasil, um país que se acostumou ao esquecimento e à impunidade”. Há 45 anos vem sendo outorgado anualmente o “Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos”, que presta homenagem a jornalistas, repórteres fotográficos e artistas do traço que, por meio de seus trabalhos, defendem a democracia, a paz, a justiça e os direitos humanos.

Em abril de 2025 foi anunciado o filme sobre a trajetória de Clarice na mesma linha do filme Ainda estou aqui, evidenciando o papel das mulheres como protagonistas na luta para reestabelecer a verdade, a justiça e manter viva a memória. “Assim como o filme sobre Eunice Paiva não é exatamente sobre Rubens Paiva, o filme sobre Vladimir Herzog será, na verdade, sobre Clarice. Essas mulheres foram as grandes agentes da luta por justiça nos dois casos”, diz o release. O filme, recontando a última semana de Herzog e sua repercussão, com direção de Susanna Lira e roteiro de Ana Durães e Débora Mamber, começa a ser filmado em 2025 e deverá estar pronto até 2027. No momento encontra-se em fase de captação de recursos e produção.


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