Carolina Martuscelli Bori nasceu em 4/1/1924, em São Paulo, SP. Psicóloga, pesquisadora e professora, foi pioneira na área da psicologia experimental, em fins da década de 1940. Foi uma batalhadora pela consolidação da Psicologia como ciência e sua contribuição para a Educação em todos os níveis. Sua opção pela área experimental deu-se pela crença no rigor científico na área psicológica.
Filha de Maria Teresa Colombo e Aurelio Martuscelli, imigrantes italianos, teve os primeiros estudos numa escola alemã e na Escola Caetano de Campos. Graduou-se em Pedagogia pela USP-Universidade de São Paulo em 1947, especializando-se em Psicologia educacional no ano seguinte. Concluiu o mestrado em 1952 na New School For Social Research, de Nova Iorque, EUA. O doutorado foi concluído na USP, em 1954, com a tese Experimentos de Interrupção de Tarefas e a Teoria de Motivação de Kurt Lewin. Em 1969 recebeu o título de livre-docente pela USP.
Liderou várias campanhas sobre o exercício profissional do psicólogo e teve o registro número 1 no conselho regional da categoria, em 1971, sendo a única mulher dentre os constituintes. Batalhou pelo currículo mínimo para a graduação e pela implantação do curso de pós-graduação em Psicologia. Presidiu e participou de inúmeras comissões para criação de cursos de Psicologia e de pós-graduação em todo o país, defendendo a obrigatoriedade de uma porcentagem de disciplinas com trabalho de campo ou laboratório e solicitando auxílios às instituições de fomento. Na década de 1960, assessorou Darcy Ribeiro na criação do curso de Psicologia da Universidade de Brasília e na estrutura dos cursos de formação básica.
Intermediou contatos com a administração da USP para importar equipamentos e realizou congressos com grupos de colaboradores, enquanto divulgava os princípios de análise do comportamento pelo Brasil propiciando condições para a vinda do professor Fred Simmons Keller, praticante da Análise do Comportamento e um dos responsáveis pela introdução dessa abordagem psicológica no Brasil, em sua passagem pela USP em 1961.
Participou de diversas instituições, convivendo com cientistas do Conselho da SPBC e assumiu vários cargos, na condição de presidente da ABP-Associação Brasileira de Psicologia (1954-1955 e 1963-1965); ANPEPP-Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (1984-1986); Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Psicologia do MEC; SBPC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (1986-1989); SBP-Sociedade Brasileira de Psicologia (1990-1994) e Comissão de Especialistas de Psicologia do MEC (1995-1996).
Orientou mais de cem teses e dissertações acadêmicas e trabalhou na formação de pesquisadores, produção e registro de conhecimentos. Traduziu livros básicos para a formação de alunos, numa época de poucas opções bibliográficas. Partia da formulação do problema para tomar decisões, buscar soluções e conseguir resultados. Participou das campanhas para o desenvolvimento da Psicologia e ciência no Brasil até sua morte, em 4/10/2004, aos 80 anos. Dentre as homenagens que recebeu, destacam-se o Prêmio “Fred Keller”, outorgado pela APA-American Psicological Association, em 1999 e comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 1998. Desde o ano 2000, A SBPC concede anualmente o “Prêmio Carolina Bori Ciência e Mulher“ às cientistas destacadas em suas áreas.
Um panorama geral de sua atuação foi realizado pela revista Psicologia: Ciência e Profissão, nº 32 de 2012: Contribuição para a formação de psicólogos: análise de artigos de Carolina Bori publicados até 1962. Outro artigo enfocando a pessoa, um ensaio biográfico, encontra-se na revista Psicologia: Reflexão e Crítica, vol. 11, nº 2. 1998: Carolina Matuscelli Bori: uma cientista brasileira.