Em 1982 eu estava no auge do jornalismo profissional e pude presenciar episódios que se ampliam além da notícia, passando para o anedotário. Nesse ano Pernambuco fervia como um caldeirão na brasa, quando concorriam ao governo estadual: Marcos de Barros Freire e Roberto de Magalhães Melo.
Época em que só disputavam dois partidos: a ARENA e o PMDB. O bipartidarismo garroteara várias tendências numa única agremiação: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro.
Alguns políticos e parte da Imprensa se alojaram na canhota aglutinados no PMDB. Os pelegos, os oportunistas e os bem intencionados se espremiam – alguns de certa forma constrangidos – no partido do Governo: a Aliança Renovadora Nacional.
Naquele tempo a contagem dos votos ocorria nos salões do Clube Internacional do Recife. Os serviços se prolongavam por mais de uma semana. Era muito papel nas mesas: anotações, manuais das cédulas, Fiscais de Partidos e Cabos Eleitorais, todos em frenesi. Os da Imprensa faziam um fuzuê: máquinas fotográficas clicando, políticos sendo entrevistados, microfones e fios que mais pareciam u’a espalhados pelo salão.
Um aglomerado de emoções em festa democrática. Mas o melhor eram os noticiários dos jornais nos dias seguintes, quando Roberto Magalhães, em 20 de novembro de 1982, começou a tomar a dianteira:
“Com 40% dos votos apurados amplia-se a vantagem de Roberto Magalhães”.
“Espera-se hoje a virada de Marcos Freire.”
“Marcos Freire vem aí, de virada.”
“Com quase 70% dos votos apurados PMDB ainda espera pela virada”.
E finalmente a manchete em oito colunas, na edição de 26 de novembro, do Diário de Pernambuco:
“Roberto Magalhães concretiza a vitória”
Alegre e presepeiro o advogado José David, para encabular alguns amigos, utilizou uma estratégia nunca vista. Rebocou uma Kombi lá num ferro-velho de Caxangá e estacionou o veículo de roda pra cima na frente do Diário de Pernambuco, com uma faixa bem escandalosa:
A VIRADA DE MARCOS FREIRE